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sábado, 27 de outubro de 2018

O Grão-Tinhoso anuncia o novo rei das trevas



O Grão-Tinhoso anuncia o novo rei das trevas


por Fernando Soares Campos


Hitler, Mussolini e Franco pediram audiência com Lúcifer. O rei das trevas aceitou ouvi-los, queria saber o que o trio macabro tinha a lhe dizer. Talvez tivessem uma boa ideia de como se apoderar da Terra de uma vez por todas, sem dar chance de qualquer cristão se arrepender das maldades que anda cometendo, ou de recuar do apoio que ora empenha aos representantes das hostes infernais, principalmente no caso do Brasil.


No dia e hora agendados, os suplicantes foram tirados de suas câmaras de tortura e conduzidos à presença do temido justiceiro, o Satânico Tição Furibundo, ou simplesmente STF. A trinca perversa foi admitida na Cova 666, onde funciona a sala de audiências do Grão-Tinhoso.

Perfilados, os três cumpriram o ritual de acordo com o regulamento infernal: bateram continência à bandeira da temida EUA, a Excomungada União Aterrorizante. Só então, teve início a audiência.

-- O que vocês têm a me dizer? Não me venham pedir clemência, afinal, nenhum de vocês se compadeceu de suas vítimas -- apontando para Franco, o belzebu supremo ordenou: -- Fale você primeiro.
-- Excelência, eu...
-- Pode parar! Excelência é o cacete! Quero mais respeito! Excelência é tratamento empregado entre os mofentos dos escalões inferiores na Terra. Não lhe ensinaram a respeitar seus superiores?
-- Perdão, Egrégio Imperador do Reino Unido das Trevas...
-- Melhorou. Continue...
-- Eu vim rogar à Vossa Maligna Eminência autorização para subir à Terra e participar do pleito eleitoral que vai colocar na Presidência do Brasil um legítimo representante dos sinistros anos de chumbo que vigoraram entre 1964 e 1985. Eu gostaria de colaborar para o êxito da campanha...
-- Primeiro, não é subir à Terra, pois, atualmente, o orbe terrestre, considerado através da escala universal da malignidade, encontra-se em condições ainda mais degradante do que este reino das trevas, portanto, nesse caso, trata-se de descer a um ambiente ainda mais lúgubre que estes nossos domínios.
-- Eu sempre tive a esperança de que nossos exemplos se multiplicariam na Terra, e venceríamos.
-- O seu exemplo de traição ao seu povo é um dos mais famosos da História da Humanidade. Você, com a ajuda desse aí -- apontou para Hitler --, massacrou seu próprio povo. Isso mesmo pode acontecer com os brasileiros, caso o bolsolutífero assuma o comando da nação -- uma gargalhada horripilante deu lugar à rouquidão cavernosa do pé-cascudo-chefe.

Voltando-se para Mussolini, o Chavelhudo-mor perguntou:

-- E você, que também recorreu à ajuda desse aí -- novamente apontou para Hitler --, o que veio pedir ou sugerir?

-- Também venho rogar a Vossa Augusta Malevolência que me permita auxiliar as hostes morbíficas a manter-se no poder, agora com as forças mais letais e as mentes mais indecorosas do planeta.

O Dragão da Maldade entressorriu, com ar de deboche, e perguntou:

-- Você acha mesmo que pode fazer mais do que o camisa-preta justiceiro, que já contribuiu com todo tipo de injustiça e mantém o pretensioso representante da luz divina por detrás das grades? Ele admira você, mas é um daqueles admiradores que há muito ultrapassou a capacidade do seu ídolo.

-- Com todo respeito, Proeminente Sapucaio, mesmo eu estando desatualizado dos novos métodos de domínio de massas ludibriadas, ainda assim acredito que posso ser útil. Os próprios camisas-pretas que liderei eram elementos inferiores, manipulados, cegos e submissos às minhas ordens. Assim como, hoje, no Brasil, ao assassinar um gay, os nazifacistas gritam o nome do seu líder, naqueles tempos, a cada execução ofereciam o sacrifício a mim, "ao Duce!", gritavam.

O Excomungado-rei continuava sorrindo por entre os dentes, sabia da ingenuidade daqueles que ainda se consideravam o mais alto grau de perversidade na Terra, não entendiam que, no Brasil, por exemplo, o suprassumo da iniquidade está prestes a assumir o poder, fazendo com que os últimos dois anos de governo tenham sido apenas uma preliminar da crueldade contra os trabalhadores, amostra grátis do inferno na Terra.

-- Vocês querem saber a verdade sobre os destinos da Terra? -- perguntou o Não-Sei-Que-Diga.

-- Sim! -- responderam os dois primeiros entrevistados em uníssono.
-- Pois eu quero que você -- apontou para Hitler -- diga a esses iludidos o que você tem escutado sobre os novos métodos terroristas empregados na Terra, mais precisamente no Brasil.
-- Eu, Majestosa Crueldade?!
-- Sim, você mesmo. Ou você pensa que não sei de tudo que se passa no meu reino? Sei que você conversa com todos os desgraçados que chegam para cumprir pena. Sei também que você tem um interesse especial pelos brasileiros. Me contaram que anda aos cochichos com o Ustra, o brilhante torturador, classe 1964.
-- É verdade, Suprema Tentação, mas quero que fique bem claro que em nossas trocas de ideias não há qualquer intenção de tramar contra a ordem e a autoridade deste Reino das Trevas...
-- Hum! Eu não havia pensado nisso, mas a sua preocupação em me tranquilizar me deixa deveras preocupado... Mas continue, diga a eles quais são os planos para o Brasil e se por lá estão precisando da ajuda de vocês... Seja sincero, diante de tudo que você tem ouvido por parte dos brasileiros, principalmente nas suas conversas com os generais da ditadura e elementos como Ustra, Fleury, Andreazza, Passarinho, ACM e tantos outros, você acha mesmo que gente como vocês, hoje praticamente amadores, poderiam contribuir de alguma forma para a manutenção do golpe e incremento da violência no Brasil?

Trêmulo, Hitler passa a mão na testa para secar o suor e, balbuciente, responde:

-- A verdade, Supremo Arrenegado, é que nós queremos mesmo é nos reciclar, aprender as novas técnicas de golpear e oprimir, saber exterminar sem gastos com transporte de massas, desperdício de gás e energia de altos-fornos. Dizem que hoje, no Brasil, fazem tudo à base de corte de direitos, desemprego, fome e violência. O povo se mata entre si e enterra seus cadáveres...

O Taneco-chefe soltou uma gargalhada e falou:

-- Até aí você vinha acertando, mas, me parece, que não está a par dos novos planos.

Os três entreolharam-se, e Hitler perguntou:

--- Com assim, Altíssimo Diangas?!

O Coisa-Ruim maior fez sinal para alguém da equipe técnica, e logo começaram as exibições de imagens num telão ao lado. Cadáveres estendidos por becos e travessas de favelas brasileiras. Trabalhadores saindo de suas casas pela manhã, saltando e procurando espaço para pisar, evitando caminhar sobre os corpos apodrecidos. Num terreno baldio, crianças arrastam os corpos para a margem do local, livrando espaço para jogar bola. Algumas pessoa catam algum objeto de pequeno valor nos bolsos dos cadáveres. Devido ao adiantado estado de putrefação dos mortos, muita gente anda com um lenço amarrado no rosto, cobrindo o nariz.

-- É assim que se encontra o Brasil?! - perguntou Franco.

-- Ainda não -- respondeu o Lúcifer --, isso é apenas uma projeção para os próximos quatro anos. Sabe-se apenas que não haverá apenas tortura. Todos que passarem por um processo de tortura serão em seguida eliminados, não se cometerá mais o erro da ditadura pós-64, quando muitos dos torturados ficaram vivos, contam histórias e, pior, são mantidos pelo governo. Assim tem prometido o nosso candidato.
-- Mas, ainda assim, podemos ser útil. Vossa Elevadíssima Maldade poderia nos conceder ao menos um dia. Poderíamos trabalhar em boca de urna.
-- Inútil! -- respondeu o Capetão Entronado.
-- Por que inútil?
-- Por que o resultado não revelará a verdadeira votação, mas, sim, aquilo que as urnas estão preparadas para responder. E, nesse caso, não haverá outro resultado, que não seja a vitória do Helenão!
-- Helenão?! O que quer dizer Helenão?!

O Satã Rei das Trevas soltou uma gargalhada e respondeu:

-- Helenão é sinônimo de anhanga ou anhangá, anhanguera, arrenegado, azucrim, barzabu, barzabum, beiçudo, belzebu, berzabu, berzabum, berzebu, bicho-preto, bode-preto, brazabum, bute, cafuçu, cafute, caneco, caneta, canheta, canhim, canhoto, cão, cão-miúdo, cão-tinhoso, capa-verde, capeta, capete, capiroto, careca, carocho, chavelhudo, cifé, coisa, coisa-à-toa, coisa-má, coisa-ruim, condenado, coxo, cramulhano, cujo, debo, decho, demo, demonho, demônio, demontre, diá, diabinho, diabrete, diabro, diacho, diale, dialho, diangas, diangras, dianho, diasco, diogo, dragão, droga, dubá, éblis, ele, excomungado, farrapeiro, fate, feio, figura, fioto, fute, futrico, galhardo, gato-preto, grão-tinhoso, guedelha, indivíduo, inimigo, jeropari, jurupari, labrego, lá-de-baixo, lúcifer, macacão, macaco, mafarrico, maioral, má-jeira, maldito, mal-encarado, maligno, malino, malvado, manfarrico, mau, mico, mofento, mofino, moleque, moleque-do-surrão, não-sei-que-diga, nem-sei-que-diga, nico, pé-cascudo, pé-de-cabra, pé-de-gancho, pé-de-pato, pé-de-peia, pedro-botelho, peneireiro, porco, porco-sujo, provinco, que-diga, rabão, rabudo, rapaz, romãozinho, sapucaio, sarnento, satã, satanás, satânico, serpente, sujo, taneco, temba, tendeiro, tentação, tentador, tição, tinhoso, tisnado, zarapelho...

As gargalhadas de Lúcifer ecoavam na Cova 666, onde funciona a sala de audiências do Grão-Tinhoso.  

(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.  

A ESCOLHA É ENTRE SEGUIRMOS VIVENDO, AINDA QUE DE FORMA INSATISFATÓRIA, OU MATARMOS UNS AOS OUTROS PELAS RUAS

"O anseio meu nunca mais vai ser só
Procura ser da forma mais precisa
O que preciso for
Pra convencer a toda gente
Que no amor e só no amor
Há de nascer o homem de amanhã"
(Geraldo Vandré, Bonita)
decisão que estaremos tomando neste domingo (28) transcende ideologias. É uma opção entre seguirmos vivendo, ainda que de modo insatisfatório, ou nos matarmos uns aos outros pelas ruas.

Temos, de um lado, o representante de um partido de esquerda que deixou de verdadeiramente lutar contra os poderosos desta sociedade, limitando-se a tentar ser por eles aceito como sócio minoritário. Não é, nem de longe, o governo que eu quero.

Só que, do outro lado, está um amontoado de ferrabrases alucinados por imporem ao restante da sociedade, a ferro e fogo, seus valores e modo de ser, numa esquisita associação com os oportunistas de sempre e os piores fisiológicos do esgoto da política brasileira.

Com o Fernando Haddad corremos o risco de voltar ao pacto dos explorados com os exploradores que perdurou enquanto Lula era presidente da República, no qual o primeiro contingente cedia muito e recebia em troca algumas migalhas, enquanto o segundo contingente cedia um tiquinho e recebia em troca privilégios injustificados e uma relativa paz social.

Com o Bolsonaro a promessa é de turbulências de todo tipo, com hordas caçando quem pensa, age, transa ou tem cor diferente, além de previsíveis confrontos com o Legislativo e o Judiciário quando suas propostas inconsequentes esbarrarem na dura realidade dos fatos e a opção for abandoná-las ou enfiá-las pela goela da sociedade adentro à base da porrada nas instituições e nos cidadãos.

Teríamos, reunidos num governo só: 
— a índole irascível de um Jânio Quadros, que não suportava o questionamento de seus planos mirabolantes e acabou tentando obter poderes ditatoriais mediante um autogolpe desastrado;
— a falta de um verdadeiro partido de sustentação, que obrigou Fernando Collor a montar um amplo esquema de corrupção para agraciar seus companheiros de primeira hora e saciar o apetite pantagruélico dos parlamentares de aluguel, até que os partidos poderosos uniram-se para dar um fim ao seu mandato; e
— a crassa incompetência econômica de Dilma Rousseff, principal responsável pela pior recessão brasileira de todos os tempos. 

Não é preciso ser nenhum Nostradamus para vaticinar que seria mais um governo sem prazo de validade de um quadriênio (só por milagre completaria um único ano!). 
Tão logo os iludidos pela pregação fantasiosa/rancorosa de Bolsonaro caíssem em si, constatando que os problemas antigos não estariam sendo resolvidos e muitos novos sendo criados, as cobranças começariam, depois as manifestações de rua, depois a repressão, depois mais revolta, depois mais repressão, até chegarmos ao caos, talvez a um autogolpe, talvez a um golpe militar. 

Este último é antiquado? Já parecia ser página virada em 1964, pelo menos em termos de grandes nações, mas reabrimos o ciclo e muitos outros vieram na esteira!

Enfim, votar contra Bolsonaro é o primeiro passo para o apaziguamento da sociedade brasileira, quando ela completa quatro anos perdidos por causa de um radicalismo que detona tudo e nada constrói, criando um ambiente tão desfavorável aos investimentos que a economia permanece indefinidamente patinando sem sair do lugar, enquanto o povo sofre e se desespera com uma penúria sem fim.
Sei que a decadência irreversível do capitalismo atingiu um novo patamar e não conseguiremos sequer reeditar a pequena melhora da década passada, mas ainda há como o sistema ao menos oferecer um respiro para os mais pobres recuperarem o fôlego. E nem isto teremos com o país em chamas, a consequência lógica da sociopatia extremada de Bolsonaro e o furor homicida de suas hordas de seguidores, caso o louco venha a assumir a administração do hospício.

Já deixamos pelo caminho muitos valores fundamentais da vida civilizada ao longo desta década maldita. Agora, a porta que se abre é para sairmos definitivamente da civilização, trocando o amai-vos uns aos outros pelo odiai-vos uns aos outros e por matai-vos uns aos outros.

Amanhã poderemos ter nossa última chance de impedir que o Brasil vire um péssimo lugar para se viver nos próximos anos e até sabe-se lá quando.

Temos nas mãos o nosso destino, o daqueles a quem amamos e o dos que virão depois de nós. Se cedermos à tentação de um desabafo inconsequente, não só estaremos brincando com fogo, mas condenando todos os brasileiros a se queimarem também! (Celso Lungaretti)