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sábado, 21 de abril de 2018

UNE Volante: Resistência estudantil por democracia, soberania nacional e liberdade



"Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes
sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a
resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade
de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que
defendemos a democracia"


No mês de abril, que marca os 54 anos do golpe militar de 1964 e que o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 completa dois anos, a União Nacional dos Estudantes realiza a reedição da UNE Volante.

Na década de 60, essa iniciativa cumpriu um papel fundamental na organização dos estudantes nas universidades - que anos depois foram fundamentais na resistência à ditadura. Dessa vez, ao enfrentar os desafios da nossa geração, organizaremos a resistência contra o golpe que está em curso na defesa das eleições livres e democráticas e na construção do debate sobre o projeto de Brasil que os estudantes defendem.

No ano de 1962, a UNE Volante, junto com o Centro Popular de Cultura (CPC), percorreu o país e debateu sobre a reforma universitária no bojo das reformas de base propostas pelo governo Jango. Nesse processo, com muita arte, cultura e diálogo com a comunidade acadêmica, foi possível produzir uma importante reflexão sobre a realidade nacional, suas contradições e potencialidades. Uma das principais bandeiras do momento foi a reivindicação da paridade nos conselhos universitários, que resultou numa grande greve estudantil conhecida como “greve do 1/3”.

Nesse período a universidade era bem diferente da que conhecemos hoje. Exemplo disso é a peça teatral do CPC, “Auto dos 99”, que criticava o fato de apenas 1% da juventude brasileira estar nas universidades.

A UNE volante volta a percorrer o país numa realidade diferente; a universidade brasileira passou por um processo de maior democratização e popularização através das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma. Entretanto, há um caminho longo até a universidade que queremos. As universidades ainda preservam muitos dilemas da nossa realidade social, econômica, cultural e política; apenas 15% da juventude acessa a universidade sendo que cerca de 70% via instituições particulares.

Além disso, também temos os novos dilemas do nosso tempo. Após o golpe de 2016 uma série de ameaças à existência da educação pública e gratuita a nível superior estão postas. Com a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos sociais por 20 anos, todo processo de ampliação do acesso ao ensino superior está ameaçado, assim como a permanência daqueles estudantes mais pobres que precisam de assistência estudantil para concluir sua graduação.

Somam-se a esse desmonte os ataques à autonomia universitária e livre produção do conhecimento que aconteceram na Universidade Federal de Santa Catarina e na Universidade Federal de Minas Gerais, com um espetáculo midiático visando a desmoralização das instituições públicas. Também a interferência do Ministério Público Federal nas universidades que aprovaram a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, a exemplo da Universidade de Brasília, com o intuito de censurar o pensamento crítico na universidade.

Esse avanço de uma política retrógrada não se restringe às universidades. No seio da sociedade vivenciamos mudanças que retiram direitos trabalhistas historicamente conquistados, que desnacionalizam nossas empresas, entregam nossas riquezas naturais e violam a constituição.

Temos um judiciário partidarizado e seletivo, com a prisão de um ex-presidente sem provas e sem transitado e julgado. Vivemos tempos de avanço do ódio, do fascismo, da intolerância e de uma grave crise econômica, política e institucional.

Nossos dilemas nas universidades não estão isolados da crise na sociedade. Por isso as saídas para os problemas do país também estão nas mãos dos estudantes.

Não é novidade a participação decisiva dos estudantes nas grandes transformações do nosso país, na defesa da democracia, da justiça e da soberania. Nesse momento, cabe a nós assumirmos a tarefa de restabelecer a democracia, de resistir por nossas conquistas e direitos e de lutar pelo Brasil que sonhamos: para os brasileiros e brasileiras.

Vamos percorrer o país a partir de 20 de abril começando pela região norte, na Universidade Federal do Pará. De lá, seguiremos por dois meses, realizando debates e festivais culturais de resistência em todas as regiões do país.

Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que defendemos a democracia.

Vamos espalhar essa ideia através dos comitês pela liberdade de Lula que criaremos em todo país. Não baixaremos a cabeça diante da sanha golpista e, seguindo o exemplo de Helenira Rezende e Honestino Guimarães, seremos a chama que incendeia o país por democracia, justiça e liberdade!

*Jessy Dayane é militante do Levante Popular da Juventude. Sergipana, Jessy estuda Direito em São Paulo e milita no Movimento Estudantil. Hoje, conduz a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Edição: Daniela Stefano - Brasil de Fato

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