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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

10 dias de guerra civil, em espanhol

https://tiempolatino.wordpress.com/2017/02/14/ajedrez-paulo-hartung-el-proyecto-piloto-de-temer/https://tiempolatino.wordpress.com/2017/02/14/ajedrez-paulo-hartung-el-proyecto-piloto-de-temer/

Crise no ES

CRISE NO ES – PAIXÃO – EXCLUSÃO DE POLICIAIS – ERROS INCALCULÁVEIS

(Leonardo Boff é teólogo e filósofo.).

Tenho especial carinho pelo estado do Espírito Santo e de lá guardo bons e queridos momentos e amigos. Observamos atentamente e com preocupação a crise na segurança pública que se instaurou no Espírito Santo. Recebi de um amigo um vídeo que se tornará nos próximos dias parte de um documentário sobre o momento pelo qual passa o Estado. Ao assistir o vídeo, daqui de Petrópolis, senti-me na necessidade de tecer uma análise daquilo que tenho observado.

O vídeo captou uma conversa entre uma jovem com seu marido policial e uma cena, em especial, me chamou atenção. Num momento espontâneo, a mulher, que está separada do marido-policial por um gradil, o indaga “vale a pena passar por essa opressão toda?”. No gesto e na resposta do policial se revelou a cena que considerei mais significante no vídeo. O jovem fixou o olhar na moça e apontou com os dedos para ela e, no peito, para a farda da Polícia Militar que veste, e disse “minhas paixões estão aqui”.

Não farei avaliação sobre o mérito e métodos do movimento que levou à paralisação das atividades policiais, mas sobre uma dedução que deve ser preocupante num acirramento da relação entre governo e grupo de policiais remanescentes da “greve”, cuja constatação se tornou evidente no diálogo narrado e que percebi ser representativo daquilo que tenho acompanhado das cenas dos policiais que estão nos batalhões, ou seja, a paixão policial reivindicatória presente no movimento e seus integrantes e até nos diversos momentos que têm cantado o hino do soldado capixaba.

Em meio à tantas contradições, uma constatação nos parece adequada, a paixão dos policiais, sobretudo os mais jovens, pela causa de melhores condições de trabalho na carreira policial, que consideram “abandonada”, é flagrantemente real. O professor Mangabeira Unger, na sua obra: Paixão, um ensaio sobre a personalidade, analisa a linha tênue existente entre o amor e o ódio, a depender da transmutação que ocorre pelos encontros e desencontros, traumas e vivências da experiência humana. Defende na obra que a paixão, como visão moral, faz e refaz a lógica de amor e grandeza das causas, dando sentido à dimensão de honra e missão, cujo cumprimento passa ser encarado como aquilo que dá sentido à vida.

Governo e policiais pecam pelo rigor na virtude ou pela paixão exagerada à sua causa. Governo, pela austeridade a ponto de não compreender que também o investimento na segurança e na polícia é o que justifica ter as contas públicas equilibradas; Policiais, em não compreender que a luta justa só vale quando aplicada em prol também do povo mais sofrido, que sofre e morre ainda mais com ampla paralisação policial. Contudo, é flagrante que os mais jovens policiais vivem um momento de paixão pela corporação e carreira policial, pois se assim não o fosse, em vez de envolver a si próprio e os familiares num conflito tão intenso na busca por melhoria da carreira policial, tomariam atalho até na associação à criminalidade, tráfico e homicídios, aliás, como há algum tempo as forças policiais capixabas já estiveram associadas.

Anuncia-se punição rigorosa chegando à exclusão de 703 policiais. Isso seria mais um absoluto erro estratégico e de consequências inestimáveis, pois a contar da radicalização e irredutibilidade do Governo na aplicação da mão pesada do estado na punição rigorosa dos mais de 2 mil policiais que atuaram ativamente neste movimento, certamente, ocorrerá o efeito da transmutação do amor (paixão) em ódio, conforme constata Unger, e, assim, o estado pode incentivar o surgimento de uma super milícia organizada, cujo treinamento no uso de armas e táticas foram dados pelo próprio Estado.

Esse será o risco maior de perda da liberdade que o povo do Espirito Santo não deve ser submetido.