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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Frente às ziquiziras da Corte /Pedro Porfírio* no seu Blog

  

sábado, 2 de maio de 2015

Frente às ziquiziras da Corte /Pedro Porfírio* no seu Blog

Repudiar os arroubos golpistas não nos livra de uma postura
 crítica diante da rendição covarde

Tudo pode acontecer quando elegemos um governante para
 evitar que seus adversários vençam e façam o pior. 
Nesta última eleição presidencial não tivemos alternativas porque a
 esquerda coerente acabrunhou-se e sumiu na poeira.
 Estávamos entre dois pilares da social democracia de essência conservadora.
 E abraçamos a opção vitoriosa com algum tipo de esperança: 
o segundo mandato seria sob inspiração do "coração valente".

 Nesse ambiente, livramos o Brasil do pior.  Com a social democracia mais retrógrada  
 enfileirava-se a pior direita, aquela renascida com o fel da vingança, que 
decidiu reincorporar os sentimentos mais obscurantistas, incomodada com 
encenações como as  da "Comissão da Verdade" e com alguns ganhos pontuais 
dos oprimidos, como no caso das empregadas domésticas, que tornaram a criadagem
 inviável.

A santa aliança compactada em torno do candidato derrotado vinha com o 
porrete na mão e estava articulada para a marcha a ré diante do pouco que se fez em
 termos de políticas compensatórias e de um pálido avanço que nem de reformista se
 pode chamar.

Impedir que essa turma braba voltasse com suas fórmulas amargas e seus
 compromissos espúrios era uma atitude de lucidez. Mas nessa maratona esperávamos 
boas novas, que o mar não estava para peixe.

Ao contrário, fomos surpreendidos por péssimas notícias   numa deprimente 
capitulação daquela em que confiamos o nosso amanhã. Seus pendentes tentam dourar
 a pílula, alegando que ela está acuada por um Congresso picareta e inescrupuloso. 
 E que é impossível fazer qualquer coisa sem uma base parlamentar, mesmo construída 
pela conivência com as ambições mais imorais.  Quando se indica um cara para um cargo
 no Executivo, não é pelos seus belos olhos. Mas a era do loteamento malversador dos 
podres poderes impôs conchavos sob tais imposições.

Quando um ministro da elite reacionária foi chamado para conduzir a política 
econômica diziam os cortesões que quem ia mandar ela a chefa do governo. 
Ministro, por suposto, é um subordinado. Mas os papéis se inverteram.

O rebento de Chicago tirou da cartola a mesma receita disponibilizada pelos retrógrados
 perdedores e foi fundo no massacre do povaréu.  Em duas ou três cajadadas matou todos 
os coelhos que confiaram seus votos e suas esperanças à mandatária na sua reeleição suada. 
Foi aí que o bicho pegou.  Sem ganhar um só apoio dos adversários de urnas, como o próprio
 ministro, a senhora presidenta perdeu a turba, que está contrariada e sem graça.

Esse isolamento ofereceu combustível para que os derrotados voltassem à ofensiva para
 tentar virar a mesa. Nunca dantes, desde a marcha da família com Deus de 1964, o arsenal 
reacionário pôs tanta gente em posição de combate nas ruas, enquanto a presidenta e 
sua coligação fisiológica se digladiavam nos gabinetes, sem gás para qualquer contraponto
 massivo, com acontece na Venezuela.

Nesse sufoco, dois conhecidos pilantras tornaram-se os grandes protagonistas dos 
podres poderes. Embora investigados por novas peripécias, dão as cartas como se
 monopolizassem os trunfos, conseguindo com isso impor uma baita saia justa aos 
investigadores e ao governo. E a presidenta ainda tem que virar malabarista para submeter-se
 a cada um deles, algo absolutamente impensável pelo seu histórico e de seus próximos. 
Aos olhos de todos, a presidenta reeleita  pôs a viola no saco e entregou o

ouro aos bandidos. Dizer que ela virou uma figura simbólica sustentada

apenas pelo risco de uma ruptura institucional não é exagero.

Não se sabe nem com quantos soldados e oficiais conta em

suas próprias hostes. Ninguém se sente obrigado a defender o governo

que arquivou seu discurso de campanha. 
Aí devemos ter a mais absoluta clareza. De um lado, não podemos engrossar arroubos
 golpistas que querem apeá-la por bem ou por mal, numa conspirata destinada a derrubar
 na marra o que as urnas definiram.

De outro lado, ante o quadro esperado de 4 anos pérfidos, é do nosso dever dar combate 
e desmascarar a abominável rendição, que levou a um governo ao gosto dos interesses da
 elite mesquinha e reacionária. Governo no qual os agiotas continuam enchendo suas
 burras com lucros estratosféricos: em nenhum país do mundo os banqueiros se 
nutriram tanto, segundo a mesma sina em que só os dois maiores bancos privados 
registraram lucros de R$ 31 bilhões, o dobro do que o governo vai surrupiar dos 
pensionistas e mais do que os R$ 27 bilhões destinados ao "Bolsa-Família", 
carro chefe da social democracia mandante.  

A menos que estejam presos às tetas do poder, assumir essa postura 
crítica é forma mais sensata de evitar o pior. Ou melhor, fechar os
 olhos diante do descaminho é a pior maneira de defender a própria 
presidenta.  Pois se o governo dito progressista não retornar ao prumo
 dos seus grandes compromissos, ele acabará caindo por inanição, como
 aconteceu com a ditadura, que fez as malas depois de tantas lambanças
 sob a proteção dos tanques. 

É isso que estou querendo dizer desde as primeiras ziquiziras da Corte. 

+++++++++++++++++++

*Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.

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