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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Cunha foi 'destinatário' de propina, diz Youssef

BICHO ESCROTO SAINDO do ESGOTO

O doleiro Alberto Youssef afirmou na quarta-feira, 13, à Justiça Federal 
que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), era um dos
 "destinatários finais" da propina de cerca de R$ 4 milhões em contratos
 de navios-sonda da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

O doleiro reafirmou sua versão de que Cunha foi o mentor de 
requerimentos feitos na Câmara para pressionar a empresa Mitsui, 
que não estaria pagando a propina em 2011. Ele disse que foi procurado
 pelo executivo Julio Camargo após estes requerimentos. "Fui chamado
 em 2011 pelo Julio Camargo no seu escritório, onde ele se encontrava
 muito preocupado e me relatou que o Fernando Soares, através do 
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), havia pedido alguns requerimentos
 de informações referentes aos contratos da Mitsui, da Toyo e do 
próprio Julio Camargo, através de outros deputados", relatou ao juiz Sérgio Moro.

"Quando o senhor conversou com Julio Camargo ele falou quem eram os 
beneficiários das operações? Ou ele só falou no Fernando Soares?", perguntou
 o magistrado. O doleiro respondeu: "Falou no Fernando Soares e contou a
 história da pressão que o Eduardo Cunha estava fazendo para que ele pudesse
 pagar o Fernando Soares, dando entendimento que esse valor fosse também 
na época para o deputado." 

Mais tarde, questionado pelo seu advogado sobre quem seriam os 
"destinatários finais" desta propina, Youssef reiterou ter ouvido de Camargo
 que eram "Fernando Soares e Eduardo Cunha".

Questionado, Youssef também confirmou que as propinas eram relativas aos 
contratos de navios-sonda.

Fernando Baiano, Julio Camargo e o ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró
 são réus em processo sobre suposto pagamento de US$ 30 milhões em 
propinas na contratação de duas sondas de perfuração para exploração de 
petróleo. O presidente da Câmara vem negando com veemência o envolvimento
 no esquema de desvios na Petrobras.> >No fim do mês passado, o ex-diretor 
da área de informática da Câmara Luiz Antonio Souza da Eira disse em 
depoimento a procuradores e à Polícia Federal, um dia após ser demitido por 
Cunha, que a versão inicial do requerimento da auditoria do sistema de
 informática da Câmara foi gerada com a senha, "pessoal e intransferível", 
de Cunha. O documento final foi apresentado pela ex-deputada
 Solange Almeida (PMDB-RJ).

Silêncio

Em seus depoimentos, o ex-diretor de Internacional da Petrobras 
Nestor Cerveró e Fernando Baiano adotaram o silêncio diante de Moro.

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