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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Má começou mal. Não dá pra calar: Fora Katia Abreu

Kátia Abreu, o latifúndio ainda existe, e está mais improdutivo

5 de janeiro de 2015


Por Igor Felippe
Do Escivinhador

A nova ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PMDB), disse em sua primeira entrevista 
depois da nomeação, concedida a Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo (leia aqui) que não
 existe mais latifúndio no Brasil. Assim, ela sustenta que não é necessária uma Reforma Agrária
 em massa.

Não é o que diz o cadastro de imóveis do Incra (Instituto Nacional de Colonização e 
Reforma Agrária), levantados a partir da auto-declaração (vejam, auto-declaração) dos
 proprietários de terras entre 2003 e 2010.

Os dados do Incra apontam que aumentou a concentração da terra e a improdutividade 
nesse período (veja abaixo a tabela).


Os dados mais recentes apontam que 130 mil proprietários de terras concentram 318 milhões
 de hectares. Em 2003, eram 112 mil proprietários com 215 milhões de hectares.

Mais de 100 milhões de hectares passaram para o controle de latifundiários, que possuem em
 média mais de 2.400 hectares. Ou seja, existem mais latifúndios no Brasil. E estão mais improdutivos.

Os dados demonstram também que o registro de áreas improdutivas cresceu mais do que das 
áreas produtivas, o que aponta para a ampliação das áreas que descumprem a função social.

O aumento do número de imóveis e de hectares são sinais de que mais proprietários entraram 
no cadastro no Incra. Em 2003, eram 58 mil proprietário que controlavam 133 milhões de hectares
 improdutivos. Em 2010, são 69 mil proprietários com 228 milhões de hectares abaixo da
 produtividade média.

O censo agropecuário de 1975 foi usado como referência para classificar a improdutividade 
dessas áreas.

O número de propriedades improdutivas aumentaria se fosse utilizado como parâmetro o censo 
agropecuário de 2006, que leva em consideração as novas técnicas de produção agrícola que
 possibilitam o aumento da produtividade.

Os dados demonstram que é possível, sim, a execução de um programa em massa de reforma
 agrária com a desapropriação dessas áreas, sem ameaçar os grandes produtores agrícolas.

As declarações de Kátia Abreu demonstram que a ministra representa os interesses dos 
segmentos mais atrasados da agricultura brasileira, que não alcançaram os patamares
 mínimos de produtividade, desmatam o meio ambiente e utilizam trabalho escravo.

Como esses latifundiários estão fora da lei, que determina que áreas que não cumprem sua função 
social sejam destinadas para a reforma agrária, precisam de “proteção” política e ideológica 
para evitar o cumprimento da Constituição.

Eis os interesses que a nova ministra da presidenta Dilma Rousseff defende ao afirmar que não
 existe mais latifúndio.


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