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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tombini, o Banco Central e a Inflação

Missão principal do Banco Central sera trazer a inflação para o centro da meta até 2016, diz Tombini

Uma das missões institucionais mais importantes do Banco Central é assegurar a estabilidade e o poder de compra da moeda, por meio do regime de metas da inflação, enfatizou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que foi confirmado no cargo nesta quinta-feira (27) para o próximo mandato da presidenta Dilma Rousseff.

















Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, em coletiva nesta quinta-feira (27). Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.

“Estamos trabalhando para trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% ao ano, no horizonte relevante, os próximos dois anos, 2015 e 2016. Essa é a missão precípua do Banco Central. Assegurar a estabilidade e o poder de compra da moeda na forma do controle da inflação”, disse Tombini, em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto.

Leilões de dólares

 O presidente do BC afirmou ainda que a economia global está saindo da crise de forma assimétrica, mas que isso tem um lado positivo para mercados emergentes porque não há redução brusca da liquidez (dinheiro) no mercado internacional, o que torna o cenário atual melhor do que no passado.

Por outro lado, gera desafios em relação às taxas de câmbio, que se movem mais neste período. Neste quadro, a venda de dólares no futuro, os leilões de swaps cambiais, serão mantidos até dezembro de 2014, informou. O estoque de swaps vem sendo administrado por operações renovadas mensalmente e que vencem quase uniformemente ao longo dos próximos semestres.

“O swap cambial é liquidado em reais, apesar de ser um instrumento vinculado ao dólar, portanto não sensibiliza as reservas internacionais”, explicou. O volume ofertado no programa de swaps cambiais do BC até o momento é de cerca de US$ 100 bilhões , equivalente a menos de 30% das reservas internacionais.

Ele considera que o estoque de swaps e derivativos cambiais ofertados pelo Banco Central até o presente já atende de forma significativa a demanda por proteção cambial da economia. “É um nível bom de proteção à taxa de câmbio”.

Para Tombini, do ponto de vista da teoria da administração de portfólios, os leilões “fazem todo o sentido, porque reduzem o custo de carregamento das reservas”. Por isso, não há pressa em tratar dessa questão, enfatizou. Ele enfatizou, no entanto, que em momento algum falou sobre leilões de dólares a partir de 1º de janeiro.



A ameaça da deflação

Alexandre Tombini acrescentou que o cenário da recuperação econômica no mundo tem se revelado bastante assimétrico, especialmente quanto aos Estados Unidos, que vêm crescendo a uma taxa mais forte. “Mas, ao mesmo tempo, você tem a Europa, que ainda se depara com alguns riscos de entrar, por exemplo, em um território deflacionário”. E as políticas dos países da região estão sendo ajustadas diante desses desafios.

Por fim, o presidente do BC lembrou que uma economia importante, a do Japão, também tem enfrentado desafios e está adotando estímulos estruturais, fiscais e monetários para fazer com que a inflação suba e saia desse risco de deflação. De maneira geral, no entanto, o quadro atual é melhor do que o encontrado logo depois da crise, em 2008, observou.
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