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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Colômbia impune :' se numa noite qualquer me encontrem morto em uma rua'


se numa noite qualquer me encontrem morto em uma rua
Julio Daniel Chaparro Hurtado*
se numa noite qualquer me encontrem morto em uma rua
se veem minha boca repleta de insetos raivosos
trabalhando em minha língua 
não sofram:
haverá sucedido que caí antes de escutar o balbuciar do meu filho
feito uma chuva de mães desnudas sobre meu coração 
com suas mãos alçadas como nuvens

pensem em mim e me recordem cantando
ou recordem meus passos detidos junto a um piano
quando falava de minha mãe, 
bela e triste como uma árvore 
como um rastro de pássaros

se sentem meu fedor numa manhã 
e devem evitá-lo fugindo de minha carne
com as mãos acariciando o canto de suas caras
saibam que eu entendo
e me imaginem nos dias felizes de meu corpo só praia 
e não sintam minha podridão como um aviso dos deuses
e não vejam na pétala fúcsia do meu sangue
a reinvenção de um céu de gaivotas ou de pranto

amigos, meus amigos,
se me veem morto na entrada de uma rua
seguramente vestido de azul até as unhas
e sorrindo por acaso vestido de cinzas como um anjo
pensem que vivi
recordem a jovem figura ébria dos pátios 
meus vinte e três anos que passei dançando
meu público sonho de eco de água que se perde
e não chorem, ou sequer gemam:
penso que deterão o sol que terei então
em metade do peito
persistindo teimosamente na última rua desta tarde
sobre a terra

*Jornalista e poeta colombiano, foi assassinado no dia 24 de abril de 1991 junto com seu colega Jorge Torres Navas quando realizavam reportagem sobre a violência na Colômbia. O crime continua impune.
** Tradução: Vitor Taveira

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