Meu conterrâneo, o jornalista Xico Sá, recentemente pediu demissão da Folha de São Paulo porque foi impedido de publicar um texto no qual justificava e informava o seu voto na Presidenta Dilma. A Folha não admitiu o que seria o "partidarismo" de Xico, que guardou o texto e altivamente, pediu demissão do Jornal.
Ao contrário de outros profissionais e meios de comunicação, Xico preferiu não induzir o leitor, mas escancarou a sua vontade eleitoral. Se analisarmos a quantidade de outros colegas de profissão que, embora não declarando voto, induzem o leitor a cada postagem ou manifestação, o textículo (desculpando desde já pelo termo) de Xico, seria uma onda a mais, no oceano da chamada grande mídia. 
Por isso, quando ele resolveu tornar público o seu texto, decidi publicá-lo aqui em meu blog. Não apenas em desagravo ao Xico Sá, mas também a outros Chicos que apoiam e declaram seu voto em Dilma. O Buarque, o César e tantos outros Brasil afora e que acabam sendo julgados por uma manifestação cívica e pacífica, que é a escolha de um candidato. Decisão esta, mormente em função de um período onde uma perigosa e minoritária parcela social tupiniquim, tenta desconstruir o que temos conquistado a duras penas, seja econômica, social e politicamente. Ao terem que emudecer, Xico e tantos outros parecem personagens kafkianas caladas por uma eclosão de uma perigosa modinha tropical que parece mais um neomacartismo contra tudo e todos que ousam remar contra aquela maré controlada. Antes fosse a volta do tropicalismo.
Antes do texto, publico aqui duas manifestações de conterrãneos nossos, as quais mostram um pouco, de forma bem simples, o que se desnudou no atual cenário eleitoral entre duas candidaturas diametralmente opostas. Uma delas é de um amigo, Professor Antonio Araujo, também jornalista, que assim descreveu porque votará em Dilma:
Além de Araújo, publico aqui um comovente texto do jornalista Luciano Almeida Filho. Fiquei emocionado ao ler o seu texto, que além de sincero é uma forma de mostrar como se vê a atual disputa.
O texto de Xico Sá, soma-se a tantos outros, de quem viveu e viu as diferenças que ocorreram no País de 2002 para cá. O que também mudou, entretanto, e por isso agora podemos ter voz, é que estas maravilhosas mídia sociais online, nos permitem "peitar" quem sempre falou e ditou o que era o certo e o errado neste País e no resto do mundo. Atualmente, um simples texto de 140 caracteres enviado pelo Twitter, pode inverter ou quebrar a pauta dos maiores gigantes da dita mídia tradicional. E foi mesmo pelo Twitter que Sá denunciou a censura que sofreu sua coluna. Motivou vários outros a fazerem o mesmo. Posteriormente, o texto foi publicado (ontem), mas pela Ombudsman da Folha, após manifestação de Xico a ela. Por tudo isso, também declaro aqui o meu voto.
Eu votarei em Dilma Rousseff para presidente no próximo Domingo. Havia inclusive parado as postagens aqui neste blog, a fim de que a minha crença e militância históricas pelas políticas públicas de esquerda e no campo progressista não fossem exploradas como forma de me desacreditar, como é comum quando o discurso desagrada a certas pessoas que têm pensamento contrário. No entanto, ao perceber que vários setores tentam impedir ou mesmo minimizar a declaração de um renomado jornalista tão somente pelo fato de que ele resolve falar a verdade de sua consciência em vez de manipular ou emudecer a questões tão relevantes, decidi também publicar, ao menos aqui neste humilde blog – mas cujo Portal que o abriga tem um alcance extraordinário – o texto de mais um Xico eleitor de Dilma.
Quem sabe o Terra não publica em sua Capa este textículo que nada mais quer do que dar voz a quem não pode falar.
Xico, Parla!
"Fla-Flu eleitoral
S
e no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, mata-mata

Amigo torcedor, amigo secador, mesmo com a obviedade ululante de PT x PSDB, eleição não é Fla-Flu, eleição não é sequer Atlético x Cruzeiro, Galo x Raposa, para levar a contenda para as Minas Gerais onde nasceram os dois candidatos do segundo turno.
Eleição não é um dérbi clássico como Guarani x Ponte Preta, eleição é tão mais rico que cabe, lindamente contra o voto, meus colegas anarquistas na parada, votar simplesmente no nada, nonada, como nos sertões de Guimarães Rosa, sempre na área.
Fla-Flu, embora exista antes do infinito e da ideia de Gênesis, nego esquece em uma semana. Futebol nego esquece no 25º casco debaixo da mesa, afinal de contas, como dizia meu irmão Sócrates Brasileiro, futebol não é uma caixinha de nada, futebol é um engradado de surpresas sempre dividido com amigos de todos os clubes.
Doutor Sócrates Brasileiro que foi mais pedagógico, um Paulo Freire da bola, com a Democracia Corintiana, do que muitas escolas. Doutor Sócrates, Casagrande e Vladimir nos ensinaram mais sobre a ideia grega do "poder do povo e pelo povo" do que toda aquela imposição de Educação Moral e Cívica dos generais das trevas.
Foi-se o tempo que viver era Arena x MDB, era Brahma x Antarctica. Até porque eles hoje são a mesma coisa, a mesma fábrica, a mesma Ambev que botou dinheiro de monte até na Marina evangélica –la não queria, mas o tesoureiro, talvez neopentecostal, pegou do mesmo jeito de todo mundo, vai saber, já era.
Eleição é coisa de quatro anos, no mínimo, pois até quem diz que não quer mais compra um aninho de luxúria e sossego iluminista em Paris, como já vimos no caso do FHC, comprovado em um dos maiores furos desta Folha, reportagem do grande Fernando Rodrigues, parlamentar comprado a preço de mensalão superfaturado.
Cadê a memória, a mínima morália, como diria Adorno, jornalismo safado?
Quem dera eleição fosse apenas o Fla-Flu que dizem. Quem dera fosse apenas um cordel que poderia ser resumido na peleja do playboy danadinho contra a mulher durona. É tudo mais complexo, ainda bem, e se no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, mata-mata.
Como sou favorável à linha dos jornais americanos que declaram voto, coisa que meu jornal aqui teimosamente não encampa, queria deixar claro da minha parte: voto Dilma, apesar do meu pendor anarquista. Perdão, Bakunin, mas meu voto é contra a imprensa burguesa.
Digo que o jornal que me emprega não encampa e justiça seja feita: nunca me proibiu de dizer nada. Nem no impresso nem no blog. "Bota pra quebrar, meu filho", lembro do velho sr. Frias nessa hora, que cabra! Seria legal que todos os jornalistas, que têm lado sim, se declarassem. Quem se apresenta para tornar as coisas mais iluminadas?"
3m3rs0n2014