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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Vitor Buaiz – entre o médico e o governador

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Especial: Vitor Buaiz – entre o médico e o governador

POR FLÁVIO BORGNETH / FBORGNETH@LEIASE.COM
Marcamos um encontro com o ex-governador Vitor Buaiz. Encontramos o doutor e professor Vitor Buaiz. Com 71 anos, teve uma vida que foi duas. Na atividade pública teve ascensão meteórica. Elegeu-se deputado federal constituinte, prefeito de Vitória e governador do Estado em menos de 10 anos. Apesar disso, deixou a política assim que seu governo acabou. Desde então atua como médico e docente. Foi o médico que nos esperava e, de pergunta em pergunta, o político foi voltando.
Não titubeou ou se esquivou de nenhuma pergunta. Em nenhum momento escondeu o jogo. Falou os nomes e detalhes das decepções que o fizeram abandonar o partido que ajudou a fundar. Admitiu que foi muito mais feliz como prefeito do que governador e disse que a política não é seu ambiente. “Quando eles veem que você está na pior, te abandonam”, comenta o ex-governador.
Vitor Buaiz é o quarto perfilado na série especial de Leia-se sobre a vida e a rotina dos ex-governadores do Espírito Santo. Seu mandato (1995-1999) foi um dos cernes do diálogo, mas não o único. Vitor também fala de passagens da infância e adolescência que jogam luz na sua trajetória. Revela detalhes de quando foi preso pelos militares e avalia a condução do contrato da Rodosol, assinado no final de seu governo.
O homem:
O cumprimento é dos velhos tempos. Mãos nos antebraços. Código revolucionário. Vitor fala escrevendo em um papel. Se a frase é de efeito, joga levemente a caneta sobre os rabiscos. Diz tudo isso olhando nos olhos. Mantem a dianteira do rumo da prosa até finalizar o raciocínio.
Tem 71 anos e espera a chegada dos quatro netos. Se cuida não é de hoje. Mesmo quando governador mantinha os hábitos saudáveis. O sono sagrado e a alimentação macrobiótica foram mantidos mesmo nos dias difíceis de governo. O hábito de remar também. Até hoje acorda mais cedo três vezes por semana e segue para praia. É timoneiro que não se deixa navegar pelo mar. “Remo contra maré”, brinca.
Vitor nasceu em uma casa vizinha ao Palácio Anchieta, rua Comandante Pedro Palácios. Cresceu na cidade alta e ouvia os deputados falarem na antiga sede da Assembleia Legislativa. “Eu não entendia nada”, lembra. Os festejos oficiais na Praça João Clímaco também enfeitaram suas lembranças de menino. Apesar dessa infância cercada de política, ele queria mesmo era ser motorista de ambulância quando crescesse. “Eu ouvia aquela sirena aberte da viuvinha passando [imita a sirene]… Daí pra medicina foi um pulo”, avalia .
Cartaz usado em sua campanha. Foto: Arquivo GSA.
Cartaz usado em sua campanha. Foto: Arquivo GSA.
O médico:
Fomos recebidos no Centro de Estudos e Pesquisas sobre Álcool e outras Drogas (Cepad) da Ufes. O prédio de dois andares data de 1940. Era um sanatório antes de começar a ser usado no curso de medicina. Os corredores cobertos de rostos de estudantes formados. Vitor está em muitas fotos preto e branco. De bigode, de barbicha, de costeleta. Fez parte da segunda turma formada pela universidade. Hoje é professor aposentado do curso, mas continua na ativa.
Não é simples achar uma brecha na sua agenda. Deve ser por isso que mantem a pontualidade. Participa de dissertações, núcleos de pesquisa, além de continuar em sala de aula e ter um consultório ativo. Vida de médico. Voltou para sua profissão tão logo deixou o Palácio Anchieta e está até hoje. Quem o vê atuando não imagina que durante 20 anos ele trocou as roupas brancas pelo terno e gravata.
O curioso é que a mesma medicina que o recebeu depois da vida pública foi quem o levou até ela. A carreira política de Vitor começou graças a seu engajamento nas causas de sua profissão de formação. Primeiro foi um estudante ativo para conseguir que seu curso tivesse a estrutura necessária para que ele pudesse se formar. Foi para o Rio fazer especialização bem no ano que não terminou:1968. Não era raro sair da residência da Santa Casa e se deparar com os cavalos correndo atrás dos estudantes no centro da cidade. Voltou para Vitória em 1969. Dois anos depois acabou se deparando com o ano que deixou para trás no Rio de Janeiro.
Prisão:
Foi preso pela ditadura. Ficou recolhido no 38° Batalhão de Infantaria, em Vila Velha. Vitor fazia um trabalho na comunidade de Itacibá (Cariacica) junto com os estudantes. Muitos deles ligados ao Partido Comunista do Brasil. Quando as células do PCdoB foram extintas no Estado com a passagem da Operação Bandeirantes, seu nome apareceu na boca de alguns alunos interrogados. O motivo: de vez em quando ele mandava alguns remédios para ser enviado para os companheiros da Guerrilha do Araguaia. Para completar, os policiais foram na sua casa e encontraram um livro interessante: “O Capital”. “Eu era professor dos dez estudantes de medicina, inclusive de Marcelo Neto, marido de Míriam Leitão. Fiquei lá 46 dias. Eu era casado, minha esposa esperava nosso primeiro filho e teve um aborto”, relata.
O político:
Em 1979 ganhou notoriedade ao participar da comissão pela recriação do Sindicato dos Médicos. Ao não ser recebido pelo governador da época, Eurico Rezende, suas declarações ganharam notoriedade nos jornais. Foi assim que o doutor começou a ser visto como político. No mesmo ano foi convidado por Frei Beto para uma reunião de Sindicalistas na cidade de Itabira (Minas Gerais). Foi lá que viu Lula pela primeira vez. “O entusiasmo do movimento sindical contagiou a todos”, avalia ele, que conta que decidiu se filiar ao PT logo que ele nasceu por um compromisso de geração. Em 1982 se candidatou a deputado federal. Não venceu.  Em 1985 foi candidato a prefeito de Vitória. Ficou em segundo lugar. No ano seguinte é eleito deputado federal constituinte e, em 1988, se elege prefeito da capital em sua segunda tentativa. Em 1994 vence Cabo Camata na disputa pelo governo do Estado.
O governador e a governabilidade:
Vitor considera que teve um bom mandato a frente da prefeitura. No município e no Estado ressalta a implementação do orçamento participativo. Revitalizou regiões degradadas da capital, como São Pedro. Porém, admite que não teve a mesma sorte como governador. Integrou a primeira safra de candidatos de seu partido que conseguiram assumir governos estaduais. Acabou com uma faca de vários gumes. Tinha que dialogar com o governo federal tucano de Fernando Henrique Cardoso. Ao mesmo tempo, tinha origem vermelha. O pendulo lhe custou caro. Os petistas o acusavam de neoliberal. Os tucanos de ser petista. Para completar, apostou junto com o PT que o Plano Real teria vida curta.
Buaiz aumentou o salário dos funcionários públicos. Em maio de 1995 deu aumento de 25,32%. A aposta era de que haveria aumento da arrecadação puxada pela alta inflação. Porém, o Plano Real estabilizou a inflação e deu um nó nas finanças. Não havia dinheiro para fazer os pagamentos. O funcionalismo entrou em greve. Resultado: no final do mandato, dos 70 mil servidores do Poder Executivo, 40 mil estavam em greve.
Vitor privatizou estatais, liberou concessões e fez alianças com outros partidos. Coisa que desagradou os petistas. As greves eram, em sua maioria, lideradas por sindicalistas e lideres do próprio PT. Por isso o então governador se desvinculou do partido que fundou no meio do mandato. Se filiou ao PV no dia 11 de agosto de 1997. “Havia uma imaturidade politica do PT de entender que eu tinha que ter bom relacionamento com outros atores políticos. Principalmente com o governo federal. Eu disse: ‘Que isso! Eu sou governador do Estado e não do partido’. Já nesse tempo decidi que não queria mais [a política]. Foi uma pressão muito grande. Você não tinha apoio do governo federal. E as forças estaduais contra”, revela.
Rodosol:
O governador Vítor Buaiz também ficou marcado por algumas privatizações e concessões públicas. A Escelsa foi a leilão em julho de 1995. Já a concessão pública da Rodosol e da Terceira Ponte foram privatizadas no último ano de seu governo, em dezembro de 1998. Em 2014, dezesseis anos depois, o Tribunal de Contas do ES questiona a validade do contrato. O resultado foi a abertura do pedágio da ponte decretada pelo atual governador Renato Casagrande.
Vitor analisa o tema, que voltou a ser pungente depois dos recentes acontecimentos. “Quem fiscaliza o Executivo? O Legislativo. O Judiciário entra só quando necessário. Por que não fiscalizaram antes? Ano a ano? Para saber o que está entrando e saindo? A concessão foi concluída no governo Jose Ignácio (PSDB). Mas ninguém questionou a sua importância, muito menos o fato de ter feito a licitação”, defende.
Entre o joio e o trigo:
Sem amparo político, Vitor acabou sendo vítima dos dois lados do país. Sua mobilidade ainda foi dificultada pela situação econômica do Estado. O desgaste provocado foi traumático para ele e sua família. Partiu daí a decisão de deixar a cadeira de governador e reencontrar sua carreira de médico e docente. Não se arrepende de nada. Se considera um homem feliz. Mas, admite, que se decepcionou com seus pares.
“O ambiente não era pra mim. O oportunismo, o golpe na calada da noite, a traição. Tudo isso faz parte da pratica política brasileira. Muito que sofri no governo foi desse oportunismo. Todo mundo botando pressão em cima. Querendo isso, aquilo. Todo mundo quer tudo. Mas trabalhar mesmo pra ver as coisas melhores, não. E quando eles veem que você está na pior te abandonam. Não há lealdade”, avalia.
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