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sábado, 21 de junho de 2014

COTAXÉ - Contestados e lutas campesinas - A Luta Continua


Nas décadas de 1930 e 1940 Espírito Santo e Minas Gerais empreenderam uma 
disputa territorial na Serra de Aimorés. No local os ânimos ficaram acirrados e, 
nessas terras consideradas “sem lei”, as relações entre grileiros, posseiros e 
fazendeiros resultaram em episódios violentos. Surge então Udelino Alves de Matos, 
figura envolvida na religiosidade e no misticismo, que idealizou a criação de um 
novo Estado abrangendo terras das cidades capixabas de Montanha, Pinheiros, 
Ecoporanga, Água Doce do Norte e Mucurici e mineiras de Carlos Chagas, Nanuque, 
Mantena e Ataleia. Denominado de “União Estado de Jeovah” teve secretariado,
 bandeira, sede e hino. Ele foi desmantelado por uma ação policial, em 1953.

II Seminário das Humanidades - Cotaxé, Ecoporanga-ES3 - Interface: o PC e a passagem de uma fase a outra

Além das permanências, de natureza objetiva, novos atores políticos fazem sua aparição no cenário do extremo noroeste. De natureza conteudista e organizativa, a aparição do PC do Brasil torna-se o fator subjetivo que interfaceia a transição de uma etapa a outra, principalmente no período posterior à criação do município de Ecoporanga, em 1955, e à organização da União dos Posseiros de Cotaxé em 1956. Este fator político garante a continuidade, sob nova forma e conteúdo, do movimento aqui genericamente chamado "Movimento de Cotaxé". 

4 - Transição:

Destarte, Cotaxé foi, na história do Brasil, o único movimento que apresentou a singularidade de haver transitado de uma etapa a outra, com diferenças marcantes entre as duas, sendo esta passagem interfaceada por um agente político, o PC do Brasil, o PCB, e, após 1962, o PC do Brasil, o PCdoB, que se fizeram presentes no cenário dos acontecimentos seguindo diretrizes políticas de âmbito nacional em ambos os casos.

5 - Longevidade:

Tendo seus primórdios no final da década de 1940, este movimento se estende até 1966 quando, sob as condições de existência da ditadura militar, os últimos líderes dos posseiros encaminham uma solução negociada com o então proprietário da área, sendo indenizados pelas benfeitorias e transferindo-se, em seguida, para o norte do país. No tempo, atravessa os governos Eurico Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, adentrando-se, por quase três anos, pelo período da ditadura militar. Torna-se, por isso mesmo, o mais longevo dos movimentos de matriz messiânica na nossa história, ainda que praticamente desconhecido mesmo no Espírito Santo.

FINAL


Em terras capixabas ocorreu, então, o mais longevo dos movimentos messiânicos e também o único que, por ação de atores políticos, o Partido Comunista, transita de uma etapa messiânica e espontânea para uma etapa política, organizada e consciente.

Só recentemente, em livro organizado pelo historiador Rubim Santos Leão de Aquino, o movimento de Cotaxé, pela primeira vez, ultrapassa as divisas do Espírito Santo, ganhando uma referência na historiografia brasileira.

Este movimento, desde suas premissas até seu desfecho, é abordado no capítulo 2 da monografia apresentada em curso de pós-graduação por este autor. Seu título explica-se por si: Lutas camponesas no Espírito Santo – Do "Estado União de Jeovah" à União dos Posseiros de Cotaxé: Transição de movimento messiânico e espontâneo a movimento político, consciente, organizado e articulado – Aspectos singulares: Transição e Longevidade.

Marcadamente incomum e singular, Cotaxé, todavia, permanece desconhecido e ausente da historiografia capixaba

Parafraseando Luzimar Nogueira Dias, o primeiro autor a abordar de forma mais abrangente o movimento de Cotaxé, esperamos que este trabalho possa, ainda que modestamente, auxiliar a "resgatar a memória do Espírito Santo e compreender seu presente", comocontribuição para divulgar um dos mais belos momentos das lutas do povo capixaba.

Colatina, 12 de Setembro de 2012

Elio Ramires Garcia



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUINO, Rubim Santos Leão de, et allii. Sociedade brasileira – uma história através dos movimentos sociais: da crise do escravismo ao apogeu do neoliberalismo. 2ª. ed. Rio de Janeiro. Record, 2000

CUNHA, Paulo Ribeiro da. Redescobrindo a História: A República de Formoso e Trombas. Disponível em http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-7/Artigo-3-p83.pdf . Acesso em 23/08/2010, às 21:47 hs.

DIAS, Luzimar Nogueira. Massacre em Ecoporanga: Lutas Camponesas no Espírito Santo. 1ª. ed. Vitória: Cooperativa dos Jornalistas do Espírito Santo,1984

GARCIA, Elio Ramires. Movimentos Camponeses no Estado do Espírito Santo – Do "Estado União de Jeovah à União dos Posseiros de Cotaxé: Transição de Movimento Messiânico e Espontâneo a Movimento Político, Consciente, Organizado e Articulado – Aspectos Singulares: Transição e Longevidade. Monografia apresentada ao curso de especialização em História do Brasil da Faculdade Castelo Branco, Colatina (ES), em setembro de 2011.

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MAO, Zedong. Informe sobre una investigación del movimiento campesino en Junan. Obras Escogidas de Mao Tse-tung, Tomo I, 1ª. ed. Pekín: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1968. Disponível em marxists.org.

PONTES, Wallace Tarcísio. Conflito agrário e esvaziamento populacional: a disputa do Contestado pelo Espírito Santo e Minas Gerais. 2007. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal do Espírito Santo.

VILAÇA, Adilson. Cotaxé: Romance do Efêmero Estado "União de Jeovah". 2ª. ed. Vitória: Textus, 1999

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______, Adilson. As CPIs do Esquecimento. Disponível na Revista Século, Vitória (ES), número 25, ano 2002.

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______, Adilson. Memórias de um sargento de milícias: nascido para guerrear.

Disponível na Revista Século, Vitória (ES), número 19, ano 2001.

SOUZA,André Luiz Gomes de. História do Estado União de Jeová. Disponível emhttp://www.ufes.br/ppghis/dimensoes/artigos/Dimensoes7_AndreLuizGomesdeSouza.pdf. Acesso em 14/07/2010, às 23:39 hs.

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