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quarta-feira, 11 de junho de 2014

As Copas das (Tele)comunicações


Boletim de Notícias do Instituto Telecom, número 948,

 em 10 de Junho de 2014


Nossa Opinião - 


As Copas das (Tele)comunicações

Depois de 64 anos, a Copa do Mundo de futebol volta a ser disputada no Brasil. 
Em campo, o país lutará pela conquista do sexto título de campeão. 
Fora de campo, duas partidas estratégicas definirão o rumo 
das nossas comunicações: o leilão dos 700 MHz e a renovação 
dos contratos de concessão da telefonia fixa. 
Na primeira, estará em jogo a possibilidade de alcançarmos altas
 velocidades para a banda larga móvel. 
Na segunda, a oportunidade de garantirmos metas de universalização da banda larga fixa.

A história das conquistas e derrotas brasileiras nas Copas é, também,
 a história dos avanços e retrocessos das telecomunicações no país. 
Em 1950, quando um Maracanã lotado assistiu mudo o Uruguai vencer a seleção brasileira, 
o restante do país só pôde acompanhar a partida pelo rádio. 
A televisão dava os seus primeiros passos.
Em 1958, quando o país ganhou a Copa da Suécia, a televisão ainda era um 
objeto de luxo, restrito a poucas pessoas. Mais uma vez, a população acompanhou 
a retumbante vitória da nossa seleção pelo rádio.
Em 1962, quando o Brasil se tornou bicampeão mundial de futebol, os rádios portáteis
 eram o sonho de consumo dos jovens brasileiros. Os rádios, que podiam ser levados 
para qualquer lugar, foram a marca tecnológica da Copa de 62. E pela primeira vez, 
os brasileiros puderam assistir aos jogos graças ao vídeo tape. As fitas chegavam 
de avião e eram exibidas nos dias seguintes aos jogos.
Do lado de fora do campo acontecia uma estreia tardia. 
Finalmente o país tinha uma legislação para as telecomunicações com a criação do 
Código Brasileiro das Telecomunicações. Código que, infelizmente, permanece 
até hoje por pressão dos radiodifusores, que não aceitam uma nova lei para regular 
as comunicações em nosso país.
Em plena ditadura militar, 1970 foi um ano difícil no Brasil. 
Torturas, prisões ilegais, mortes. 
Mas no futebol havia uma unanimidade: éramos os melhores do mundo. 
 Via Embratel, a estatal criada em 1965, os jogos eram transmitidos por satélite e,
 pela primeira vez, em cores. Alguns poucos aparelhos adaptados recebiam a
 transmissão experimental no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo.
 Em 1972 aconteceria uma verdadeira revolução nas telecomunicações brasileiras: 
a criação da Telebrás.
1988 não era ano de Copa, mas com a redemocratização brasileira
 foi promulgada uma nova Constituição na qual foi escrito o monopólio 
estatal das telecomunicações.
Em 1994, conquistamos o tetracampeonato com uma bola fora 
dos italianos nos pênaltis. Fora do campo, um ano depois o governo FHC 
dava uma bola fora ainda maior. O monopólio constitucional das 
telecomunicações foi quebrado.
Quatro anos depois perdemos nos dois setores: no campo e na economia. 
Em 1998 as telecomunicações foram privatizadas e, ao contrário do que
 ocorria em todo o mundo chamado desenvolvido, abrimos mão de
 termos uma empresa forte de telecomunicações. O  centro de pesquisa, CPqD, 
perdeu a sua essência de pesquisar e desenvolver tecnologia de ponta nas telecomunicações.
Quando o Brasil ganhou a sua quinta Copa, em 2002, o país pedia mudanças.
 E elas vieram. No campo, a seleção amargou derrotas em 2006 e 2010. 
Neste ano a derrota maior foi sentida nas telecomunicações. 
Era ano de revisão dos contratos de concessão. Um capítulo inteiro sobre
 banda larga foi posto para consulta pública, o que obrigaria as concessionárias a
 investir na universalização da banda larga. Ao final, pressionada pelas operadoras,
 a Anatel capitulou e sumiu com o capítulo.
Nós, do Instituto Telecom, torcemos para que este ano o Brasil seja hexacampeão.
 Mas não abrimos mão de avançarmos nas (tele) comunicações democratizadas
 e universalizadas. Queremos chegar à Copa de 2018 para disputar o hepta 
com um país mais forte, consolidando o crescimento com ampla participação popular.
 Uma comunicação assegurada como direito e uma mídia efetivamente democrática.

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