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sábado, 22 de março de 2014

O Cavalheiro da Ordem Primeira dos Tucaninos de Belzebu visita Garanhão



O Cavalheiro da Ordem Primeira dos Tucaninos de Belzebu visita Garanhão

Fernando Soares Campos

Meia-noite tenebrosa, Garanhão dormia o sono dos injustiçados, daqueles a quem ainda não fizeram justiça, pois, quando deveria estar repousando numa cela de um presídio de segurança máxima, estava ali naquele confortável aposento do seu luxuoso apartamento em Higienópolis, região dos jardins paulistanos. Se o ambiente não fosse hermeticamente isolado por proteção acústica, todo o bairro ouviria seu ronco gutural.

Súbito, uma voz cavernosa ecoou na penumbra do quarto:

― Acooorda, seu mandrião de uma figa!

Mas o demente dormente não deu sinais de despertar, e o roncar agravou-se em sobrecarregado tom.

O medonho vozeirão repetiu o chamamento:

― Acooorda, infeliz das costas ocas!

Dessa vez, ao sinistro chamado seguiram-se assustadoras gargalhadas e babélicos xingamentos de espectros obsedantes, a cambada diabólica liderada pelo exu-caveira Serjão Mottasserra, membro-fundador e cavalheiro da Ordem Primeira dos Tucaninos de Belzebu.

Debalde, Garanhão permanecia mergulhado em profundo pesadelo. Alguns mofentos passaram a incomodá-lo com arranhões e beliscões, enquanto outros esticavam seus braços e pernas.

Agora ele parecia ter despertado, olhos arregalados e boca escancarada, porém permanecia em estado letárgico. Assistia a tudo horrorizado, mas não conseguia se mexer.

Serjão Mottasserra aproximou seu rosto do dele e baforou gases enxofrentos. A golfada calorenta despertou Garanhão, que, brusco, ergueu-se e berrou:

― Nãããooo! ― imediatamente os mofentos subalternos o imobilizaram, e ele desandou em desconexa gritaria: ― O que vocês querem?! Não chegou a minha hora! Eu ainda tenho prazo! Vocês são obrigados a cumprir todas as cláusulas do pacto! Estou fazendo a minha parte!

― Contenha-se, amaldiçoado! ― gritou Serjão ― Eu não vim lhe buscar, quero apenas que preste contas sobre as imbecilidades que vem cometendo.

― Imbe... ci... lidades?! Eu?! Do que você está falando?!

― Soltem esse energúmeno.

Os curimbabas das trevas afrouxaram os golpes. Garanhão escorregou recuando até recostar-se na cabeceira da cama, trêmulo, balbuciante:

― Ener... gúmeno?! Não estou... entendendo você, Serjão! Quando era... vivente, insigne membro da minha equipe... (pigarro) ministerial, articulador e... gerente dos planos de... (tosse) desestatização de empresas... é... é... deficitárias, não economizava elogios à minha consagrada... (pigarro) reputação como... um dos mais eminentes intelectuais deste... (tosse) país! Detentor de honoríficos títulos concedidos pelas mais conceituadas... (pigarro) universidades do planeta!

O exu-caveira chefe olhou detidamente para Garanhão, deu-lhe as costas e, desengonçado, caminhou lentamente até se posicionar diante de um grande espelho ricamente emoldurado. Num impulso quase involuntário, fez gesto de arrumar os cabelos com a palma da mão. Deteve-se.

― Maldição! Sempre esqueço que minha imagem já não se reflete em superfícies espelhadas! ― voltando-se para Garanhão, perguntou: ― Como está a minha aparência?
― Como sempre, Serjão! Como sempre! Vistoso, corado, forte, elegante...
― Pode parar, seu destrambelhado! Não adianta bajular, quero mesmo é saber por que você aprontou mais uma bestialidade sem me consultar.
― Serjão, você está me ofendendo gratuitamente, estimado parceiro... Você agora está desconfiando de mim?!
― Não, não estou desconfiando de você agora...
― Eu sabia, companheiro! Eu sabia! Eu também sempre confiei em você, eu...
― Fecha essa matraca, seu inconsequente! Eu não estou desconfiando de você agora... Eu nunca confiei em você! Por isso não me surpreendi quando soube dessa última asnice que você andou aprontando.
― Asnice?! Asnice?! O que você está chamando de asnice?!

O maligno tucanino-chefe bufou e rosnou.

― Quem lhe autorizou a engendrar e disseminar esse factoide disparatado contra o governo, visando investigações sobre a compra da refinaria americana pela Petrobras no ano de dois mil e seis da era do impronunciável?  
― Factoide disparatado?! Ora, meu amigo de fé, meu irmão Serjão! Esse já pode ser considerado um dos planos mais bem arquitetados, coisa do tipo nunca antes na história deste país!
― O que você está pretendendo com isso?
― Sei que você é um homem... quer dizer, uma entidade poderosa, certo?
― E daí?
― Frequenta ambientes em que energias deletérias possam atraí-lo...
― Isso aí até crianças do catecismo sabem. Mas... onde você quer chegar?
― Certamente você acompanhou os trabalhos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
― Sim, claro, nossos parceiros invocaram nossas influências, no sentido de atrapalhar as investigações, estamos fazendo o possível. Mas a presidenta é carola, religiosa do tipo que anda com santinhos, escapulário, patuá e rosário na bolsa. E toda noite reza pedindo a proteção do impronunciável.
― Assim não pode! Assim não dá! Ela está burlando a lei! Este é um país laico! Isso caracteriza crime passível de impeachment!
― Sim, mas, quanto ao factoide, onde você quer chegar com essa história de bilionário prejuízo dos cofres públicos com compra da refinaria?

Garanhão começou a se sentir mais à vontade, até esboçou um sorriso dissimulador.

― Se você está acompanhando a Operação Lava jato, sabe que pegaram o Alberto Youssef e o Paulo Roberto Costa.
― Então, isso aí é motivo suficiente pra você e o seu mafioso clã encolherem, botarem as barbas de molho. Não vê que o Youssef é peça chave para reavivar o caso das privatizações, o que hoje toda a população conhece como privataria dos teus tempos?
― Serjão, você me conhece, sabe que não dou murro em ponta de faca.
― Não? Não mesmo? E o golpe da barriga que você tomou da sonsa platinada, hein?
― Isso é outro departamento, armadilhas do tesão.
― Então me explique por que vocês estão estimulando uma CPI para apurar o caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

Garanhão começou a se sentir tão à vontade que se levantou da cama, foi até uma estante, pegou um frasco de barbitúricos, despejou uma porção na mão, arremessou-a na bocarra e engoliu tudo.

Continuou:

― A verdade é que Youssef é apenas uma mão suja na lavagem do dinheiro que conseguimos com a venda das estatais. Ele não tem informações concretas sobre como adquiríamos a grana. É réu confesso da CPI do Banestado, o que nunca nos incomodou, pois aquela comissão não se interessou em apurar a verdadeira origem de toda a dinheirama que ainda hoje descansa em paz nos paraísos fiscais.
― Se é assim, imagine se essa Operação Lava Jato não foi deflagrada exatamente para que os petistas tivessem material suficiente para reeditar a CPI do Banestado, agora com o nome de CPI da Privataria! Você sabe que Alberto Youssef não é dos maiores empresários de lavagem de dinheiro, mas tem lá sua cota de alguns bilhões de reais em nosso benefício. Ele e muitos outros varejistas do ramo foram presos, e através deles se pode chegar a muita conclusão, pode-se desvendar mistérios nunca antes esclarecidos. E o Paulo Roberto Costa?! Me lembro desse sujeito. Era um funcionariozinho de carreira, nada comparável a um Shigeaki Ueki, mas pode ser investigado e chegarem às suas colaborações com os nossos esquemas nos áureos tempos... Hum! Falam até que Youssef lhe deu uma Land Rover de presente... Hum! Quando foi feito esse mimo?

Garanhão quase explode em escandalosa gargalhada, mas se conteve e apenas sorriu à Muttley, o cão de Dick Vigarista.

― Isso não importa, meu caro Serjão das Trevas Brilhantes! O que conta agora é a suposta influência dele na compra da refinaria americana dos belgas.
― Mas o Paulo Roberto Costa e o Nestor Cerveró, da Diretoria Financeira da BR Distribuidora, sempre nos serviram, trabalharam pra nós durante seus dois mandatos. Acompanharam o sucateamento da Petrobras, assistiram a desastrosos vazamentos de óleo e ao espetacular afundamento da P-36. Você acha que uma CPI da Petrobras, hoje, ficaria só nesse caso da refinaria de Pasadena?
― Claro que não!
― O que fazer, então? Vocês estão pressionando os peemedebistas a criar comissão de inquérito para apurar o caso. Não estão vendo que isso pode vir a ser um tiro no pé? Pior: na cabeça! Verdadeiro suicídio!
― Tudo cascata, meu caro espectro protetor! Você sabe muito bem que Cerveró e Paulo Costa são pupilos dos peemedebistas, não sabe?
― Sim, todo mundo sabe disso...
― O que você chama de todo mundo? Todo mundo, vírgula! O povão, daqui em diante, vai saber que eles são os mais importantes homens de confiança dos petistas e do governo. Não importa se foram os peemedebistas ou malufistas que colocaram eles nos cargos em nome da coalizão governamental, ou da governabilidade.
― Tá bem, até aí morreu Neves. Mas... e se criarem a tal CPI?
― CPI?! Que CPI?! Você ainda não atinou a razão de toda essa barulheira?!
― Hum!
― Não vai ter CPI coisa alguma. Assim não pode! Assim não dá! Basta essa delegaçãozinha de parlamentares que vai aos Estados Unidos investigar... (risos) a falha no contrato de compra e venda da refinaria. Isso rende matéria pra campanha eleitoral. Talvez a gente consiga virar o jogo e eleger nosso candidato!
― Hum! Duvido muito...
― Tá bem, tá bem! Também duvido. Mas a nova onda vai nos injetar bastante ânimo! Mais do que o escândalo do mensalão!
― Ânimo? Ora, ânimo pra quê, se não vai servir para a retomada do poder?
― Pode não ajudar a nossa volta pelas urnas, mas acirra a nossa militância!

Serjão não se segurou, deixou explodir estrondosa gargalhada.

― Militância?! Onde está a nossa militância?!

Garanhão, por um instante, encarou Serjão das Trevas Brilhantes e falou:

― Nas ruas, ora! Nas ruas! Hoje mesmo estarão realizando a Marcha da Família com o pai do impronunciável. Isso é meio caminho andado para uma intervenção à força, contra esse governo corrupto!

Serjão levantou o braço e bufou. Ao sinal, os mofentos subalternos apressaram-se em se posicionar ao seu lado. Ele correu a vista pelo ambiente até fixar-se em Garanhão e falou:

― Está bem, vou lhe dar um voto de confiança. Mas, se nada disso der certo, você não passa deste ano de dois mil e quatorze da era do impronunciável. Vai ter que nos entregar a alma, conforme o pacto.

O Cavalheiro da Ordem Primeira dos Tucaninos de Balzebu e seus mofentos subalternos sumiram, deixando Garanhão em meio à fumaceira enxofrenta que ocupava todos os espaços dos seus aposentos. Ele nem se incomodou com a atmosfera fétida. Está acostumado... Deitou-se e retomou seu pesadelo reparador...

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FHC é contra abertura de CPI da Petrobrás

Enquanto lideranças do PSDB no Congresso já se articulam para instalar comissão, ex-presidente argumenta que momento eleitoral pode 'partidarizar' investigação sobre estatal


20 de março de 2014

Luciana Nunes Leal

Rio - O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira, 20, não ser favorável à abertura da CPI da Petrobrás agora, mas avalia que o desdobramento do caso depende do empenho do governo em investigar as denúncias de irregularidades na estatal. Para FHC, a proximidade das eleições presidenciais pode 'partidarizar' a apuração.
No Congresso, entretanto, a liderança do PSDB já participa da articulação que cobra abertura de comissão. "Acho que o momento eleitoral não é o mais propício. Não sou favorável a partidarizar. Mas se o governo não apurar direitinho, abre espaço [para CPI]", declarou o ex-presidente, após ministrar palestra para novos alunos da universidade Estácio.
Durante o evento, o ex-presidente disse que a Petrobrás "deu marcha à ré" durante o governo de seu sucessor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, quando, segundo ele, houve uma retomada da influência dos partidos na empresa. "Nós transformamos a Petrobrás em uma corporation, uma empresa, não uma repartição pública. Para isso, tem que tirar a influência dos partidos. No governo anterior ao atual, deu marcha à ré e o resultado está aí, com escândalo nos jornais", afirmou ao responder à pergunta de um estudante.
Em entrevista ao Estado após a palestra, Fernando Henrique cobrou do governo investigação sobre a compra da refinaria em Pasadena. "Já se sabia do caso, a novidade é que a própria presidente reconheceu que está errado. Então ela tem que agir em consequência. É estranho (a aprovação pelo Conselho com base em um relatório). Pelo que vi, o valor (atual da refinaria) é muito aquém do que foi pago, é muito escandaloso. Não quero culpar ninguém, não é só ela (Dilma), o conselho é formado por muita gente, gente de peso. Mas quando se erra se paga a consequência", afirmou.
Fernando Henrique fez questão de lembrar que a compra da refinaria aconteceu na gestão anterior à da presidente atual da Petrobrás, Graça Foster. "Com essa presidência a Petrobrás voltou um pouco ao que é necessário, a ter uma visão mais profissional", disse.
O negócio de Pasadena, formalizado em 2006, é investigado pela Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU). Ambos suspeitam que tenha havido superfaturamento e evasão de divisas. A compra custou R$ 1,18 bilhão à estatal e, anos antes, foi adquirida por uma empresa belga por US$ 42,5 milhões.
Conforme revelou o Estado, a presidente Dilma Rousseff justificou em nota oficial que "documentos falhos" a induziram ao erro ao dar aval à aquisição da unidade. Na época, Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobrás. Dirigentes da Petrobrás rebateram a afirmação e sustentam que Dilma tinha acesso a todos os documentos produzidos sobre a compra.
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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

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