Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?

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domingo, 26 de janeiro de 2014

25/01 na história - 1º comício pela Diretas Já.

Hoje em 4:24 PM
Foram exatos apenas quatro meses: de 25 de janeiro, dia do primeiro grande comício, em São Paulo, a 25 de abril de 1984, em Brasília, quando a emenda das "Diretas Já" foi derrotada no Congresso Nacional.
Depois de 20 anos de regime militar, o povo saiu às ruas para reconquistar o direito de escolher seu presidente da República em eleições diretas. O movimento acabou se transformando na maior manifestação de massas da nossa história e mudou a cara do nosso país, com o povo brasileiro, pela primeira vez, assumindo o papel de protagonista do seu próprio futuro.
Trinta anos atrás, a esta hora, no final da manhã, estava saindo de casa cheio de esperanças para me juntar à multidão que tomou a praça da Sé, apesar da forte chuva que caia na cidade. Mais que um comício com as principais lideranças políticas da oposição, da sociedade civil e da nossa cultura, sob o comando do grande amigo Osmar Santos, o "locutor das Diretas", a campanha mostrou ali o que aconteceria nas semanas seguintes, tomando as ruas e praças de todo o país: uma grande festa, unindo o povo em um só grito para dar um basta à ditadura.
Como repórter, tive a oportunidade de acompanhar toda a campanha, do começo ao fim e, como todo mundo, fiquei arrasado quando faltaram apenas 22 votos para a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que restituía as eleições diretas, na trágica madrugada de 25 para 26 de abril. Em depoimento ao projeto "Memória Coletiva", criado pelo jornalista Paulo Markun, em 2011, contei como foi a cobertura das Diretas Já, que também está no meu livro Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas, publicado pela Editora Brasiliense (acho que ainda pode ser encontrado na internet).
Abaixo, reproduzo um trecho do depoimento sobre como terminou a noite em Brasília, após a derrota da emenda, que Markun publicou em seu site sob o título "A pior lembrança do cronista das diretas: o choro de Torloni":

A primeira imagem que vem, Markun, não é uma boa lembrança, mas a da derrota, porque às vezes a gente se esquece que a campanha acabou sendo vitoriosa só cinco anos depois, mas naquele ano, no 25 de abril de 1984, no dia da votação da emenda Dante de Oliveira, o sentimento foi de uma enorme frustração, de uma enorme tristeza, e de revolta.
Naquele momento, jornalistas como eu e vários outros _ só a Folha mandou uns dez enviados especiais pra Brasília naquele dia pra acompanhar a votação _ ficaram indignados. A emenda foi derrotada pelos que se ausentaram do plenário, se esconderam em seus gabinetes, e nós vimos esses caras depois da votação (...) saindo meio escondidos  dos gabinetes pra ir embora. E nós xingamos esses caras, nem me lembro quem eram, xingamos e tal, e tivemos que ir para a sucursal escrever as nossas matérias.
Até aconteceu uma coisa curiosa no caso da equipe da Folha porque nos apressaram para enviar o material, mas a votação terminou tarde, de madrugada, e nós combinamos ali que ninguém iria mandar nada enquanto não tivesse o resultado do jogo.
Corremos o risco e deu certo, porque o Estadão, que fechou mais cedo, deu a seguinte manchete: "Faltam votos para a aprovação das diretas". Eles fecharam no horário, meia-noite e tal, sem o resultado da votação, e nós da Folha saímos tarde pra burro, mas com o resultado, e o jornal rapidamente se esgotou nas bancas _ o que salvou o nosso emprego...
Queriam rodar mais exemplares, só que o pessoal da oficina já tinha ido embora. E a imagem que me ficou é do restaurante Piantella, muito conhecido em Brasília, reduto de jornalistas, de políticos, de todo mundo, dos artistas que participaram ativamente da campanha, alguns chorando.
Eu me lembro nitidamente da Christiane Torloni, que estava inconsolável. O país todo foi às ruas, parecia uma grande festa cívica e tal, e com um desfecho melancólico. mas que, tempos depois, daria nessa jovem democracia que nós vivemos hoje. Ali foi o divisor de águas, um marco na nossa história.


No prefácio do meu livro, que ele escreveu a mão, Ulisses Guimarães, o "Senhor Diretas", grande comandante daquela companha, escreveu um breve texto sob o título "O batismo é do povo". O manuscrito dele, enviado antes da votação no Congresso Nacional, foi a maior homenagem que já recebi na vida. Por isso, peço licença aos leitores para transcreve-lo aqui num dia que me trás à lembrança bons momentos e velhos amigos.

"Poesia é encontrar uma árvore esquecida à beira de uma estrada e glorificá-la".
O jornalista de raça é um mágico. Transfigura o anônimo em notável, celebra o desapercebido, enquadra o texto no contexto. Enquanto nós nos limitamos a olhar, ele vê as coisas, pessoas, a paisagem. Vê e conta.
Ricardo Kotscho é jornalista raçudo. O jornalismo está no seu sangue e no seu destino.
Andei com ele por praças e ruas deste infindável país. Entupidas de gente, de berros e de gestos de revolta e de esperança. Quando lia suas reportagens na Folha de S. Paulo ficava surpreendido e encantado.
Como é que o Ricardo viu aquele jovem frenético, registrou a originalidade daquele dístico, enxergou aquela mulher chorando, ouviu daquele velho as histórias de outros comícios e outros personagens?
Ele não se absorve nas estrelas do acontecimento. Sua pena é também alto-falante da multidão, assegura-lhe o papel de personagem no grande e terrível drama social brasileiro.
Osmar Santos é o locutor das diretas. Fafá de Belém é a cantora das diretas. Ricardo Kotscho é o cronista das diretas. O batismo é do povo. Leia este livro. Assim verificará que, mais uma vez, o povo tem razão.
Brasília, 18 de abril de 1984
Deputado Ulisses Guimarães
Bom fim de semana a todos e que São Paulo tenha uma bela festa no seu aniversário de 460 anos. Viva São Paulo!


Enviada por Vitor Buaiz

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