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sábado, 14 de dezembro de 2013

Lula na guilhotina, Dilma de tricoteuse --- Síndrome do machismo feminino: "Me bate, pô! Senão, eu perco a razão de ser feminista" --- Oprah Obama, ó!




Fernando Soares Campos

A Agência Fapesp, uma agência de notícia eletrônica, totalmente gratuita (segundo o seu “Quem Somos”), uma espécie de PressAA metida a besta, publicou resenha do livro “Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa”, de Tania Machado Morin, a ser lançado em janeiro de 2014.

Com a pulga atrás da nossa orelha, resolvemos reproduzir o texto aqui nesta nossa Agência Assaz Atroz. Mas gostaríamos de fazer algumas observações.

O título do livro informa que a pesquisadora identificou distintas personalidades femininas: “Virtuosas e perigosas”; enquanto o título da resenha interroga: “Virtuosas ou perigosas?”. Em ambos os casos faz-se uma distinção, certamente baseada em informação da pesquisadora:

Constituiu-se, assim, no imaginário da época, a dicotomia “virtuosas versus perigosas”. Como Morin explica em seu livro, “virtuosas” eram as mulheres idealizadas pelos líderes da Revolução: as “mães republicanas” que, por meio do parto, do aleitamento e da educação dos filhos, preparavam a futura geração de patriotas. “Perigosas” eram “as militantes, às vezes armadas, que denunciavam a incompetência e a corrupção dos governantes e exigiam a punição dos ‘traidores do povo’”.
Até aí morreu Neves, o machismo da época pode explicar o fato, portanto até que dá pra engolir essa tese. Porém, mais adiante o resenhista diz por sua própria interpretação:

É sintomático que essa visão negativa acerca das mulheres militantes tenha sido endossada, em momentos diversos, por diferentes facções em luta no processo revolucionário. Não apenas pela contrapropaganda monarquista, como seria de esperar, mas também pelos girondinos (representantes principalmente da alta burguesia moderada), jacobinos (representantes principalmente da pequena burguesia radical) e outros agrupamentos políticos. Apenas as facções revolucionárias mais radicais, como a dos chamados enragés (“enraivecidos”), sustentaram até o final a militância feminina.
Sei não! Sei não! Mas tem angu nesse caroço (ou seria o contrário?!).

Quem chamava essas facções radicais mais profundas, os radicais dos radicais, de “enragés” (enraivecidos)? Por que, definidamente, somente esses sustentavam a militância feminina? Veja que, nesse caso, separa-se uma suposta “minoria” de “enraivecidos” que apoiavam toda a militância feminina. É o que se deduz. Portanto, coloca-se, assim, toda a militância feminina num saco de “tricotadeiras”, mulheres frias, inclementes, monstruosamente insensíveis. Enquanto os homens são tipificados em monarquista, burguesia moderada (girondinos), pequena burguesia radical (jacobinos) e outros agrupamentos políticos.

Porém, a experiência vivida me diz que pessoas enraivecidas, iradas, brutalizadas, inclementes, intolerantes, cruéis, atrozes são geralmente misóginas e, em muitos casos, usam capa, ou toga, de moralista, jamais revelando suas aversões às mulheres. O disfarce pode ser sob a forma de falso sedutor-libertino e/ou homofóbico.

As tricoteuses, por exemplo, não podem ser consideradas as principais representantes das mulheres revolucionárias, pois eram escolhidas entre as raivosas mal-amadas, ou ingênuas muito sofridas, para se sentar em frente ao patíbulo, fazer a claque aos gritos, a fim de minimizar o sentimento de culpa dos carrascos e dos homens taciturnos da plateia; muitos deles eram, na verdade, “revolucionários de última hora”, ex-agentes da repressão, colaboradores da monarquia, traidores de seus pares. Estes eram os agenciadores de “tricoteuses”, eles instigavam algumas mães, dizendo que o condenado teria sido aquele que torturou, estuprou e assassinou sua filha, filho ou marido.

O problema de as mulheres revolucionárias (as principais responsáveis pela Revolução Francesa) terem sido desmobilizadas foi o fato de não contarem com um liderança feminina expressiva. Depois de usá-las, os homens as descartaram, mandaram de volta pra cozinha, o tanque de lavar e a cama.

É basicamente o que acontece hoje com os movimentos “acéfalos”, convocados pela internet, supostamente sem lideranças. Também foi o que aconteceu com o impeachment de Collor, os caras-pintadas não passaram de bucha de canhão. Tempos depois, a “liderança” fabricada para aquele momento, sentiu-se usada e foi reaproveitada pelo PT.

Quanto ao título da resenha, ou mesmo do livro, essa coisa de qualificar as mulheres em “virtuosas e/ou perigosas” não tem sentido, quando se trata de mulheres revolucionárias, pois, para mim, por mau exemplo, a virtude mais nobre seria o fato de serem perigosas.

Gostaria de continuar tratando dessa resenha, mas acho melhor esperar o lançamento do livro.

Porém, como a pulga está insistindo, vou opinar sobre o mecenato.

A Agência FAPESP é um serviço da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e tem como presidente do Conselho Superior ninguém menos inferior que Celso Lafer, que foi chanceler de Fernando Henrique Cardoso. Sim, é ele mesmo, aquele que tirou os sapatos no aeroporto de Miami, em 31 de janeiro de 2002, em simbólico ato de submissão do governo brasileiro ao império do terror.

O resenhista, José Tadeu Arantes, o Kabir, é um guru discípulo do grande mestre Babaji Nagaraj, nasceu em São Paulo, em 11 de fevereiro de 1951. Atua profissionalmente como jornalista, escritor e professor. Com atividade na mídia desde 1976, trabalha atualmente na Gerência de Comunicação da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e dá aulas no curso de Extensão em Jornalismo da PUC de São Paulo. Em outubro de 2011, rodeado pelas majestosas montanhas do Himalaia, recebeu de seu instrutor, Govindan Satchidananda, o nome espiritual de Kabir, em homenagem ao grande poeta místico do século XV, e como lembrança da meta que deve buscar na vida.

Deve ser um desses gurus que, quando seus seguidores o veem, erguem as mãos aos céus e dizem: “Salve, ó Deus!”, e ele responde “Salvá-lo-ei”.

Não sei por quê, só sei que essa pulga petista está incomodando pra caramba! Ela quer dizer que podem reeditar a ficha falsa de terrorista da presidenta Dilma. Ou, se já saíram com um “Lula X-9”, nada melhor pra jogar um contra o outro: Lula vira Robespierre e Dilma incorpora o espírito de Maria Antonieta, no papel de Viúva Capeto, a vingança.

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12/12/2013
Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – “Os homens tomaram a Bastilha, as mulheres tomaram o Rei”: assim o historiador francês Jules Michelet (1798-1874) resumiu o alcance da primeira grande manifestação política feminina ocorrida na Revolução Francesa – que mudou a dinâmica do processo revolucionário, imprimindo-lhe a marca de uma crescente radicalização.
O ato ocorreu no dia 5 de outubro de 1789, quando, encabeçadas pelas vendedoras de peixe de Paris, cerca de 7 mil mulheres, armadas de facões de cozinha, lanças rústicas (piques), machados e dois canhões, marcharam a Versalhes, sede da Corte Real e da Assembleia Nacional, para protestar contra a escassez e o preço do pão, arrastando atrás de si soldados da Guarda Nacional e outros homens.
No dia seguinte, exasperadas com a crise de abastecimento e a atitude de Luís XVI, que vetava sistematicamente todos os decretos revolucionários da Assembleia, as manifestantes pressionaram o Rei a abandonar o Palácio de Versalhes e o escoltaram à capital.
“Foi uma iniciativa política sofisticada, porque, com a concentração do poder em Versalhes, o rei ficava longe da pressão popular e mais exposto às influências da rainha e da corte, e se utilizava do direito de veto, que ainda possuía no início da Revolução, para impedir que as reformas fossem realizadas. Ao trazerem Luís XVI para Paris, as mulheres mudaram o centro de gravidade do processo revolucionário e propiciaram à população da capital um novo protagonismo”, disse à Agência FAPESP Tania Machado Morin, autora do livro Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa, que será lançado no fim de janeiro.
Apresentado originalmente como dissertação de mestrado no Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), com orientação da professora Laura de Mello e Souza, o livro, agora publicado com apoio da FAPESP, divide-se em duas partes: a primeira discorre sobre as práticas políticas femininas ocorridas no curso da Revolução e suas repercussões na sociedade; a segunda parte analisa em detalhes um conjunto de imagens, representando mulheres, produzidas durante o período revolucionário.
Morin, que fez a maior parte de sua pesquisa iconográfica no Gabinete das Estampas do Museu Carnavalet e na Biblioteca Nacional da França, em Paris, demonstra, por meio dos fatos e das imagens, como o protagonismo feminino evoluiu ao longo do processo revolucionário e dividiu-se em tendências muitas vezes conflitantes, e como a visão masculina, sempre hegemônica, mudou correspondentemente.
“Enquanto as ativistas foram aliadas úteis dos líderes revolucionários, eles conviveram com os clubes femininos e toleraram suas manifestações, na Assembleia e nas ruas. Mas, no momento em que deixaram de ser apenas personagens excêntricas e barulhentas para se tornarem uma ameaça política, os governantes julgaram necessário reprimi-las com o rigor da lei e a força das armas”, disse Morin.
“Além da extinção dos clubes políticos femininos em outubro de 1793, em maio de 1795 as mulheres foram proibidas de frequentar a Assembleia e de se reunir em qualquer lugar, inclusive nas ruas, em grupos de mais de cinco, sob pena de detenção imediata”, continuou.
As “mães republicanas” e as “fúrias do inferno”
Constituiu-se, assim, no imaginário da época, a dicotomia “virtuosas versus perigosas”. Como Morin explica em seu livro, “virtuosas” eram as mulheres idealizadas pelos líderes da Revolução: as “mães republicanas” que, por meio do parto, do aleitamento e da educação dos filhos, preparavam a futura geração de patriotas. “Perigosas” eram “as militantes, às vezes armadas, que denunciavam a incompetência e a corrupção dos governantes e exigiam a punição dos ‘traidores do povo’”.
As imagens traduziram de forma estereotipada esses conceitos. Às figuras das “virtuosas”, inspiradas nas nobres matronas da estatuária romana ou nas madonas da pintura renascentista cristã, oferecendo aos filhos o leite da moralidade, contrapuseram, de forma muito explícita, as figuras das “perigosas”, “verdadeiras ‘fúrias do inferno’, que tricotavam ao pé da guilhotina, deleitando-se com o espetáculo da morte”.
É sintomático que essa visão negativa acerca das mulheres militantes tenha sido endossada, em momentos diversos, por diferentes facções em luta no processo revolucionário. Não apenas pela contrapropaganda monarquista, como seria de esperar, mas também pelos girondinos (representantes principalmente da alta burguesia moderada), jacobinos (representantes principalmente da pequena burguesia radical) e outros agrupamentos políticos. Apenas as facções revolucionárias mais radicais, como a dos chamados enragés (“enraivecidos”), sustentaram até o final a militância feminina.
No entanto, as militantes, cuja principal organização política foi a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, não tinham uma agenda propriamente feminista.
“Elas tinham, sim, uma agenda ‘terrorista’. Isto é, apoiavam o ‘terror revolucionário’ como forma de governo: queriam a destituição dos aristocratas de todos os cargos públicos e das chefias do exército; a adoção do ‘máximo’, ou seja, do tabelamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade; a estrita vigilância em relação aos contrarrevolucionários e açambarcadores de mercadorias, com a prisão, julgamento e eventual execução dos traidores; e outras medidas radicais”, afirmou Morin.
Sua posição não se diferenciava daquela dos sans-culottes (“sem culotes”), a numerosa massa popular urbana, especialmente ativa em Paris, formada por trabalhadores assalariados, artesãos e pequenos comerciantes, assim chamada porque os homens desse amplo segmento social não usavam culotes (calções de seda abotoados abaixo dos joelhos sobre meias compridas), como os aristocratas e a burguesia endinheirada, mas calças rústicas que desciam até os pés.
Pauline Léon e Claire Lacombe, as fundadoras da Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, eram mulheres educadas, que escreviam bem e discursavam com eloquência. Pauline, nascida em Paris, trabalhou originalmente como fabricante e comerciante de chocolates, ofício que herdou dos pais. Claire, nascida em Pamiers de pais comerciantes, atuou como artista de teatro em Marselha, Lyon e Toulon, antes de mudar para Paris e dedicar-se inteiramente à Revolução.
As demais militantes eram, em geral, comerciantes de rua ou artesãs, muitas delas iletradas. As fontes citadas por Tania Morin divergem quanto ao número exato de frequentadoras da Sociedade, mas ele pode ser estimado em torno de cem. No entanto as líderes diziam ter o apoio de milhares.
“Durante a revolução, houve várias crises de falta de alimentos. E as mulheres – responsáveis pela alimentação da família, que enfrentavam, entre outras, a fila do pão – foram às ruas reivindicar o controle governamental do abastecimento e dos preços. E a punição dos açambarcadores dos gêneros de primeira necessidade. Muitas foram empurradas para a militância por essa razão”, disse Morin.
Contra a ‘tirania’ dos homens
Bem diferente foi o caso de Olympe de Gouges, que pode ser considerada uma feminista avant la lettre. Filha nominal de um açougueiro de Languedoc, mas, segundo dizia, descendente ilegítima de um marquês, Olympe era politicamente próxima dos girondinos.
Idealista e generosa, insurgia-se contra as injustiças e defendia os oprimidos, mas se horrorizou com os massacres perpetrados, em nome da Revolução, nas prisões de Paris, em setembro de 1792.
Nessa ocasião, aterrorizadas com o avanço de tropas estrangeiras rumo à capital francesa e com os boatos de que os aristocratas presos planejavam um revide, massas enfurecidas invadiram os presídios e trucidaram os prisioneiros, muitos deles delinquentes comuns, sem qualquer conexão com o complô aristocrático. “O sangue dos inocentes, especialmente quando derramado com crueldade e abundância, mancha indelevelmente as revoluções”, disse Olympe, segundo citação no livro de Morin.
Autodidata, Olympe notabilizou-se como dramaturga e panfletária. “Ela denunciou a ‘tirania que o homens exercem sobre as mulheres’ e defendeu uma reforma do casamento, que deveria durar apenas enquanto subsistissem as inclinações mútuas”, destacou Morin.
“Ao mesmo tempo, condenou a escravidão nas colônias, reclamou oficinas de trabalho para operários desempregados, asilos para os órfãos e ajuda social para os miseráveis. E propôs o casamento do padres, em nome dos bons costumes”, disse Morin.
“Depois que a Assembleia Nacional promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em agosto de 1789, não contemplando nela nenhuma das reivindicações especificamente femininas, Olympe publicou, no mês seguinte, sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, reivindicando a igualdade cívica entre os sexos”, disse.
Em outra faixa do espectro social e político, a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias foi fundada em maio de 1793, no auge da radicalização do processo revolucionário, após a invasão do território francês por tropas austríacas e prussianas; a proclamação da República e a execução do rei, acusado de traição depois de serem descobertos documentos que explicitavam suas negociações secretas com as potências inimigas; e o levante camponês instigado pela clero contrarrevolucionário e pelos aristocratas que buscavam retomar o poder.
A sobrevivência da Revolução estava por um triz. E Robespierre, Saint-Just, Marat, Danton, Desmoulins e outros representantes políticos da pequena burguesia radical, reunidos no agrupamento heterogêneo dos montagnards (“montanheses”), assim chamados por se sentarem nas arquibancadas mais altas da Convenção Nacional, buscavam uma aliança com as massas populares como forma de salvá-la.
Nesse momento crítico, as militantes da Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias desempenharam importante papel na luta dos montanheses contra os girondinos, cujos deputados, até então hegemônicos na Convenção, favoreciam os interesses burgueses em detrimento dos sans-culottes.
“De fato, as Republicanas concorreram para preparar a insurreição contra os girondinos, fazendo propaganda, discursando, promovendo agitações na Convenção, nos clubes políticos, nas seções”, escreveu Morin.
No dia 2 de junho de 1793, pressionada por uma insurreição popular em Paris, a Convenção ordenou a prisão de 29 deputados girondinos. Derrotados, os girondinos utilizaram a retórica mais furiosa para denegrir as militantes. Elas foram chamadas de “bacantes de Marat” e “megeras” e acusadas de quererem “fazer rolar as cabeças e se embebedar de sangue”.
Já em setembro-outubro do mesmo ano, porém, acompanhando a radicalização dos enragés, que acusavam a Convenção de imobilismo e defendiam a democracia direta, com a autonomia das assembleias populares das “seções” (correspondentes grosso modo aos bairros parisienses da época) em relação às autoridades constituídas, as militantes passaram a ser criticadas também pelos montanheses, que, apesar de acatarem várias reivindicações dos sans-culottes, como o tabelamento dos preços e a execução dos contrarrevolucionários, procuravam preservar a estrutura representativa.
Peixeiras versus militantes politizadas
Um grave conflito entre as vendedoras de peixes e as militantes – que mobilizou um grande grupo de mulheres e acabou em agressões físicas – foi a gota d’água que possibilitou ao Comitê de Segurança Geral extinguir, não apenas a Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias, mas todos os outros clubes femininos do país.
Em seu livro, Tania Morin analisa detalhadamente o relatório apresentado por Jean-Baptiste André Amar, então relator do Comitê de Segurança Geral, para justificar a proibição das agremiações femininas – motivada por contradições políticas imediatas, mas que também trazia à tona concepções ideológicas de fundo. Tal relatório é o único documento oficial da época revolucionária que enuncia os princípios da exclusão feminina da vida política nacional.
Pauline Léon foi detida com o marido, o enragé Théophile Leclerc, em abril de 1794, sendo libertada pouco tempo depois. Já Claire Lacombe permaneceu encarcerada um ano e meio. “Na opinião de suas amigas, a prisão quebrou seu espírito. Apesar da insistência das antigas companheiras, ela abandonou definitivamente a política e deixou Paris, voltando à vida de atriz e à obscuridade”, escreveu Morin. Crítica veemente do regime de terror liderado por Robespierre, Olympe de Gouges foi guilhotinada em 3 de novembro de 1793.
“Depois da dissolução dos clubes femininos, as mulheres continuaram participando ativamente da política por meio dos clubes mistos”, falou a pesquisadora.
“Isso se prolongou até 1795, quando, após a deposição e a execução de Robespierre e a retomada do poder pela alta burguesia conservadora, houve duas revoltas muito importantes em Paris, as revoltas de Germinal e Prairial. Foram os últimos levantes populares na Revolução Francesa. Neles, as mulheres desempenharam um papel decisivo, incitando os homens a invadir a sala da Convenção, onde se reunia o governo, para reivindicar a aplicação da Constituição revolucionária de 1793 e reclamar da falta de pão, pois estavam todos morrendo de fome. Por essa atuação como incitadoras, as mulheres ficaram apelidadas como as ‘bota-fogos’”.
Os levantes foram ferozmente reprimidos, com numerosas prisões e execuções. A fase do movimento popular urbano da Revolução chegava ao ocaso. A última tentativa de levar o processo revolucionário adiante, a “Conjuração dos Iguais”, liderada por Gracchus Babeuf, foi desmantelada em maio de 1796, com a prisão dos líderes. Babeuf foi guilhotinado um anos depois.
“As mulheres foram silenciadas e confinadas ao lar. As francesas só acederam aos direitos cívicos após a Segunda Guerra Mundial. Por isso, algumas historiadoras acham que nada restou da participação feminina revolucionária. E que entre as precursoras do feminismo e as feministas modernas não há nenhum elo”, afirmou Morin.
A historiadora, no entanto, discorda dessa posição. “A Sociedade das Cidadãs Republicanas Revolucionárias foi o protótipo dos clubes políticos de mulheres que surgiram na revolução de 1848. Aqueles seis primeiros anos da Revolução ficaram na história das lutas pela cidadania e serviram de inspiração para as gerações futuras”, afirmou.
·         Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução Francesa
Autora: Tania Machado Morin
Lançamento: janeiro de 2014
Editora: Alameda
Preço: a ser definido
Páginas: 370
Mais informações: www.alamedaeditorial.com.br
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De...
...para a PressAA...

Trabalho sexual, dignidade e preconceitos

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Nos últimos anos, prostituição foi equiparada a tráfico humano e ofício indesejável. Este erro brutal atinge, infelizmente, as feministas ortodoxas
Por Marília Moschkovich | Imagem: Pan Yuliang

(Para ler artigo completo, clique no título)

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A síndrome da militância arrogante

26/05/2013CATEGORIAS: COMPORTAMENTOPOSTSSOCIEDADE
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Parte dos oprimidos adota, previsivelmente, a ideologia do opressor. Mas nem por isso feminismo, ou outros movimentos libertários, deveriam julgar-se superiores
Por Marília Moschkovich, editora de Mulher Alternativa | Imagem: Nick Gentry
A situação não é nada nova: mulheres reforçando o machismo. Isso sempre existiu e existirá, enquanto houver machismo. Ser mulher não torna ninguém automaticamente revolucionária, feminista. Estar na condição de oprimido não torna ninguém necessariamente contra a opressão. Aqueles que lutaram e lutam pelo socialismo no mundo todo sabem bem disso. Se essa condição fosse suficiente para derrubarmos as opressões, definitivamente não teríamos saído da guerra fria como majoritariamente capitalistas, no mundo todo. Quem eram (e quem são) os soldados estadunidenses nas guerras contra “o comunismo”? Donos de empresas? A classe que tem os meios de produção? (eu realmente preciso responder essas perguntas pra vocês?)
A lógica é relativamente simples: existe uma forma dominante de pensar, que defende sempre os interesses de quem domina. Marx chamou isso de ideologia, Gramsci foi mais longe e pensou numa hegemonia, Althusser explicou que esse negócio se difunde por “aparelhos ideológicos” responsáveis em transmitir essas maneiras de pensar e reforçá-las (e, depois, dirá Foucault, a coagir e controlar as pessoas para que as executem). Essa é, substancialmente, a maneira pela qual quem concentra poder mantém o poder concentrado e a sociedade funciona como funciona. As opressões de classe, raça e gênero têm ainda uma série de ferramentas próprias para que se mantenham.
Por isso, não é de se espantar que mulheres reforcem o machismo, ou que pessoas negras reforcem o racismo, ou que pessoas mais pobres defendam os interesses de pessoas mais ricas, e daí em diante. Como militantes, porém, temos duas formas de lidar com essa situação.
A primeira forma é um tanto contraditória, mas extremamente popular entre militantes de diversas causas, infelizmente. Frustrados com essa contradição gerada pelos próprios sistemas de opressão, muitos de nós acabam descontando a frustração nas pessoas que, em tese, estaríamos defendendo. Há algumas semanas, várias companheiras feministas compartilharam no Facebook uma imagem que apontava alguns motivos pelos quais as mulheres deveriam reconhecer o feminismo. No fim da imagem, um pequeno asterisco estragava todo o propósito de militância, com os seguintes dizeres: “Mas se você prefere continuar lavando louça, provavelmente você deve ser mais útil na cozinha. Então fique lá, enquanto outras lutam por você. Não precisa expor sua ignorância para toda a rede”.
Ai. Essa me doeu na alma.
Doeu porque é uma postura muito comum: o militante, ou a militante, sente-se de alguma maneira superior porque consegue enxergar além do véu da ideologia dominante (como diria o barbudo alemão). Esse ar de superioridade faz com que ele ou ela sinta-se no direito de falar por grupos dos quais muitas vezes ele/ela não fazem parte e, muito pior que isso, excluir as próprias pessoas em situação de opressão da luta contra essa opressão. Acham-se no direito de determinar que sua luta “serve” apenas para algumas pessoas – aquelas iluminadas como ele/a, que enxergam os mesmos grilhões. Que raio de militância é essa?
Pessoalmente, prefiro uma segunda atitude possível diante dessa frustração. A bem da verdade, ela inibe o próprio sentimento de frustração. Consiste em enxergar, na existência de oprimidos que agem contra seus próprios interesses, um resultado inevitável do próprio sistema de opressão. Isso permite entender que, enquanto nossos movimentos (negro, feminista, de trabalhadores, etc) existirem, essa contradição existirá, já que a partir do momento em que acabarmos com a opressão, nossa própria militância perde o propósito de existir. Quer dizer: lutamos para acabar com uma opressão; enquanto essa opressão existir, existirá essa contradição que frustra muitos e muitas de nós; quando conseguirmos acabar com a opressão, conseguiremos acabar com a contradição; mas então, nosso próprio movimento deixará de existir.
O fim último de todo movimento contra opressões é que, como resultado de seu próprio trabalho, ele deixe de ser necessário. Que ele deixe de ser necessário precisa ser um objetivo geral, que valha para absolutamente todas as pessoas envolvidas nesses sistemas de opressão. Não dá pra pensar um feminismo que quer incluir apenas as feministas no processo e no resultado da luta. Não dá, gente. Não dá.
Ou o feminismo será para todas e todos, ou não será.

– Marília Moschkovich é socióloga, editora do site Mulher Alternativa e co-editora de Blogueiras Feministas. Seus textos em Outras Palavras podem ser lidos aqui.
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12/12 às 21h12

Oprah: "Se eu tivesse filhos, provavelmente eles teriam ódio de mim!"

Apresentadora abriu o jogo sobre não ter tido filhos, em nova entrevista

Uma das mulheres mais celebradas do showbusiness norte-americano, Oprah Winfrey  acaba de sentar para um papo pra lá de sincero com a revista The Hollywood Reporter.
Sobre nunca ter tido filhos, a apresentadora culpa o fato de quem sempre trabalhou muito. "Se eu tivesse filhos, provavelmente eles teriam ódio de mim. Eu teria que me dedicar menos à alguma coisa, e teria sido a eles", diz, citando sua carreira na TV americana.
"Enquanto algumas amigas sonhavam de ter filhos, eu estava sonhando em ser o Martin Luther King", afirma Winfrey, potencial indicada à 'Melhor Atriz Coadjuvante' no Oscar 2014 por conta de seu papel em 'O mordomo da Casa Branca'.

Oprah Winfrey, na capa da THR: nada de filhos para a apresentadora americana...Oprah Winfrey, na capa da THR: nada de filhos para a apresentadora americana...



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Texto recebido por e-mail da nossa colaboradora-correspondente Urda Alice Klueger:

A morte do poeta e os ecos da “novembrada”

Historicamente Santa Catarina é um estado privilegiado, como poucos, em termos de produção cultural. A pluralidade e diversidade desse patrimônio imaterial advêm, acredito eu, de um encantamento com suas belezas naturais e do encontro das inúmeras etnias que se espalham por todo o território catarinense. Por isso mesmo, é absolutamente inadmissível que a Cultura continue sendo (mal) tratada como peça assessória no contexto das políticas governamentais. Essa riqueza artística e cultural acumulada é que dá identidade ao povo catarinense. No entanto, infelizmente, o setor cultural vem lutando para sair do plano do supérfluo e ganhar a importância que lhe é devida.

Em termos de política pública cultural o que constatamos é um estado de abandono, desrespeito e contínua omissão. Há muitos anos a Cultura foi embrulhada num mesmo pacote com o Turismo e o Esporte, compondo uma Secretaria que já se chamou SOL – Secretaria da Organização do Lazer, inspirada nas teorias do “ócio criativo” do sociólogo italiano Domenico De Masi.  Qual o sentido de se "organizar o lazer" e de se pregar o "ócio criativo", especialidade na qual boa parte dos nativos da Ilha de Santa Catarina são PHD?Parece piada, mas não é.

Tendo recebido como herança maldita do seu antecessor, o atual governador manteve intacta a estrutura de Governo que, a par das chamadas Secretarias Centrais, sustenta a paquidérmica coleção de quase 40 Secretarias de Desenvolvimento Regional. Qualquer cidadão com um mínimo de bom senso, informação e cultura reconhece que esse modelo condena o Estado a uma situação de profunda anemia financeira. É cristalino que essas SDR somente existem para acomodar cabos eleitorais e que a descentralização poderia muito bem ser executada através de Coordenadorias, Diretorias ou Gerências. Mas quem se atreve a cortar as benesses, mordomias e privilégios contidos no status de Secretaria? Por que arriscar a base de sustentação política que assegura a continuidade no poder? Ninguém é bobo – somente o povo, o contribuinte, que paga a conta.

É triste reconhecer que o Governo do Estado, tão pródigo na criação e manutenção de tantas Secretarias, não dê autonomia e independência para esses três setores importantíssimos, que são o Turismo, o Esporte e a Cultura. Não há como reconhecer a importância do Turismo para a economia do Estado. Mas esse setor também não consegue se desenvolver e expandir suas potencialidades da forma como está situado. As demandas do Turismo são vastas e complexas e precisam de um planejamento próprio. O mesmo vale para o Esporte e a Cultura, que são determinantes para uma política pública séria que pensa em formação de cidadania e inclusão social. Se em determinado momento o Turismo se entrelaça com a Cultura, essa área de convergência é ínfima para justificar tal atrelamento. Arrisco dizer que de cada mil turistas que visitam o Estado, depois da praia menos de uma dúzia procuram por um museu, teatro ou galeria de arte. O destino natural são os shoppings, bares, restaurantes e baladas. Isso é óbvio.

A Cultura padece ainda mais por esse equívoco administrativo, pois sobrevive à sombra do Turismo. As casas de cultura e espaços culturais vivem à míngua. Os artistas há muito foram deserdados, com os poucos editais públicos de fomento às atividades artísticas sendo ano a ano empurrados com a barriga, procrastinados ou adiados. O que impera é a política neoliberal de transferência de responsabilidade das decisões sobre a Cultura para a iniciativa privada, na medida em que a principal ação de governo é induzir os produtores e agentes culturais a utilizar os mecanismos de incentivo fiscal. Isso quando o próprio Governo não compete de forma desigual com os produtores independentes, indo ao mercado captar patrocínio para seus próprios projetos, como no caso emblemático da Ponte Hercílio Luz. E com isso, o que resta como marca de ação governamental são a ausência, o autoritarismo e a instabilidade na área cultural.

Na última segunda-feira, 25 de novembro, tive a honra de ser agraciado com a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza. A maior honraria da Cultura no Estado, algo que nunca cobicei e que jamais imaginei alcançar. Ainda tenho dúvidas se de fato sou merecedor de tal distinção. Mas como estava em ótima companhia, resolvi aceitar. Juntos estavam, in memoriam, o mestre Zininho e o escritor Holdemar de Menezes, mais o coreógrafo Amarildo Cassiano, do Ballet Bolshoi de Joinville, o cenotécnico e administrador cultural Osni Cristóvão, o historiador e fotógrafo Joi Cletison Alves, e as instituições Associação Coral de Chapecó, Federação Catarinense de Teatro – FECATE, Museu Victor Meirelles e Biblioteca Pública do Estado.  Confesso que quando o escritor Amilcar Neves, membro do Conselho Estadual de Cultura, fixou em meu peito a medalha que leva o nome de Cruz e Souza, a emoção bateu forte e invadiu a minha alma. Um momento fugaz, que ficará guardado eternamente. Só que a realidade dos fatos logo me fez trocar em parte a alegria pela tristeza, o envaidecimento pela indignação.

A começar pela consciência de que a sina de Cruz e Souza, apesar da passagem do tempo, ainda persiste entre boa parte dos que se atrevem a fazer da arte uma profissão de fé.  Gênio do simbolismo universal, maior poeta brasileiro de todos os tempos na minha modesta opinião, Cruz e Souza morreu na mais absoluta miséria. Em vida, sofreu na pele negra a rejeição causada pelo preconceito e racismo, tendo suportado a dor de ver quatro de seus filhos morrerem de tuberculose e a mulher Gavita enlouquecer aos poucos diante de tanto sofrimento, decorrente da fome e da péssima condição de vida da família. De Minas Gerais, onde havia ido buscar tratamento para a tuberculose que por fim também o levou, o corpo de Cruz e Souza foi transportado em um vagão de trem que levava gado para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado praticamente como indigente. Bastou morrer para que a sua genialidade fosse reconhecida, sendo alçado ao panteão do simbolismo universal ao lado de Verlaine, Rimbaud e Mallarmé. Mas seus restos mortais, trasladados alguns anos atrás para Florianópolis, a sua cidade natal, entre discursos demagógicos e foguetórios, vergonhosamente continuam abandonados num canto perdido do Museu Histórico que, solene e ironicamente, também leva seu nome – Palácio Cruz e Souza.

Enquanto as medalhas iam sendo distribuídas eu me afundava na poltrona e em meus pensamentos cada vez mais cinzas. Olhando o palco do Teatro Álvaro de Carvalho, fundado em 1857 e que tantos artistas e espetáculos memoráveis acolheu ao longo de sua história, lembrei-me de que ele também, Álvaro de Carvalho, o primeiro dramaturgo catarinense, igualmente não teve o descanso eterno que merecia e o respeito que se esperava dos governantes catarinenses. Seus ossos mortais continuam abandonados em Buenos Aires, aonde veio a falecer de febre tifoide em 1865.

Pensei em Zininho, o nosso poeta maior, autor do hino oficial da capital catarinense. Enquanto sua viúva e sua filha recebiam a comenda que, em seu caso, já veio tarde, também lembrei de toda a privação que passou no crepúsculo de sua vida. O nosso maior músico, Luiz Henrique Rosa, que naquela mesma data se vivo fosse completaria 75 anos, também foi solenemente ignorado. Assim como a data litúrgica, 25 de novembro, que é dedicada a Santa Catarina - padroeira dos artesãos, artistas, bibliotecários, jovens, estudantes e desse Estado – sequer foi mencionada pelo cerimonial, num lapso imperdoável. Pior foi constatar que o desprestígio e desapreço pela Cultura catarinense se evidenciava na ausência de quem se esperava exatamente o contrário. Não apareceu nenhum senador, deputado, representante do prefeito, vereador, secretário de Estado (além do titular da pasta do Turismo, Esporte e Cultura, Valdir Walendowski),  sequer representantes das entidades culturais (com raras exceções), assim como nenhuma cobertura por parte dos jornais ou emissoras de televisão. O próprio Governador do Estado, Raimundo Colombo [PressAA: Cá sabe-se que esse hoje é do PSD do Kassab, depois de saltar do PFL para um galho daquela arvorezinha de Natal do DEM], que foi quem assinou a outorga da Medalha do Mérito Cultural,  vim a saber pela coluna do Cacau que naquele exato momento tinha ido ao shopping assistir a um filme depois de  dez anos sem ir ao cinema. Poderia ter esperado um pouquinho mais. Gostaria muito de ter dirigido a fala que me encarregaram em nome dos homenageados (e que reproduzo em parte nesse artigo) olhando nos olhos do nosso governador só para ver qual a sua reação e o que teria para dizer. Por isso, só tenho uma palavra para resumir o que ocorreu: lamentável! 

Ao que parece, os sismógrafos dos políticos e governantes continuam desligados. Não captaram ainda os tremores que vêm das ruas, do povo anônimo e cada vez mais impaciente. Esqueceram-se dos ecos da “novembrada” (que hoje faz 34 anos e que também deve passar no esquecimento), assim como das “diretas já”, do impeachment do Collor e até mesmo das manifestações que varreram esse país como um tornado em meados deste ano. Podia ainda lhes lembrar da revolução francesa e bolchevique, da chinesa e da cubana, com as consequências diretas para os incautos governantes que também ignoraram as vozes inconformadas que vinham das ruas. Mas prefiro mirar a outra margem: se os governantes não mudam, que se mudem os governantes. Para tanto, é necessário que o povo se mobilize, permanentemente, determinado a combater essas redes piramidais de apadrinhamento que mantêm inabaláveis as estruturas desgastadas do poder e que permitem aos seus ocupantes manterem por longos períodos o estamento e o status que lhes asseguram as benesses e as vantagens que ele, o povo, banca. Mas para isso é preciso liberdade de informação e um processo contínuo de cidadania, educação e inclusão cultural. 


Ainda haverá o dia em que o slogan para esse nosso Estado, muito mais do que uma mera peça publicitária artificial, mas como reflexo concreto de um pacto pela Cultura entre governo e sociedade, seja de verdade “Santa, Bela e Culta Catarina”!

Eduardo Paredes
*Cineasta e jornalista
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A leitura dessa crônica, me fez lembrar o comentário que fiz ontem no site Taqui Pra Ti, do nosso colaborador professor José Ribamar Bessa Freire, sobre a sua crônica em homenagem a "DOM WALDYR, O NOSSO BISPO", que faleceu recentemente.

Trecho:

"A cobertura contrasta com a espetacularização do funeral televisionado do cardeal dom Eugenio Sales (1920-2012), há um ano e meio, num show exacerbadamente sensacionalista. Ambos, o bispo e o cardeal, tiveram intensa atuação pastoral e política no cenário nacional. No entanto, no processo de rememoração que ocorre nessas despedidas, cada um recebeu tratamento oposto. Para Eugênio, tudo, até a voz trêmula e o tom compungido de William Bonner no Jornal Nacional. Para Waldyr, nada. Por que?"


Fernando Soares Campos comentou:
12/12/2013 - 08:44:24
Esse é um problema sério, caro professor Bessa. Se nós vimos e continuamos vendo o que os defuntistas fazem com figuras obscuras, transformando-as em símbolos de luta pela dignidade, por que exigir que façam o mesmo com os verdadeiros lutadores? Ora, eu quero mesmo é que a mídia venal esqueça esses. Hoje (e por enquanto) temos nossos espaços para homenageá-los e registrar suas passagens por entre nós . Você queria o quê? Que Bonner chorasse e mostrasse um Hommer Simpson soltando uma pomba, ou que a bandeira fosse hasteada a meio-pau, enquanto o pau inteiro rompe o revestimento do sofá e pega a reta do reto? Ser homenageado por certa gente é desonroso. Certamente não dava para ignorar Mandela, mesmo assim distorceram o que podiam distorcer em relação à sua imagem. Chico Xavier rogava aos seus mentores que, se pudessem, fizessem sua passagem para o Além num dia em que a população estivesse em clima de total euforia diante das telinhas de tevê. Ele queria sair "à francesa", como dizem por aí. Foi atendido, desencarnou no dia em que o país comemorava mais uma conquista da Copa do Mundo. Mesmo assim, teve quem dissesse: “Em sua grandiosa simplicidade, ele será sempre uma referência para todos que, de alguma forma, têm responsabilidade pública. Minas, o Brasil, o mundo ficou menor com a morte de Chico Xavier”, disse Aécio Neves (e fez snif! snif!, e todo mundo pensou que ele estava chorando). Abraços. Fernando
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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Os ucranianos jamais serão escravizados pelos russos --- Saul Leblon, o PT e a volta por cima --- Pussy Riot pede socorro ao General Custer --- A cantada que transformou a Rosa em sereia





O PT chega ao seu V Congresso, nesta 5ª feira, ancorado em um texto-base que desafia o partido, há 11 anos no poder, a ser realista, sem abdicar da utopia.

por: Saul Leblon 

O passado ensina também que a mobilização de nossas bases sociais e políticas ajuda a recompor a sustentação institucional do Governo, inibe aventureiros (inclusive aqueles que se ocultam em uma fraseologia anti-capitalista), e frustra as tentações golpistas que uma crise possa despertar.

O PT chega ao congresso dos seus 33 anos  -- que começa nesta 5ª feira, em Brasília--  ancorado em um texto-base que desafia o partido, há 11 anos no poder, a ser realista, sem abdicar da utopia. Para isso, adianta, precisa regenerar-se como o “intelectual coletivo” que se espera de um partido de esquerda. O PT se perdeu do socialismo, ‘não por negá-lo, mas por ser incapaz de pensá-lo de forma criativa’, diz o documento. Leia a seguir a íntegra da análise elaborada por Marco Aurélio Garcia e Ricardo Berzoini, bem como uma coleção de excertos de outros textos referenciais que marcaram a trajetória do partido.

Documento-base do V Congresso Nacional do PT- 2013

“Basta de realizações, queremos promessas!” Essa inscrição, bizarra e aparentemente insensata, apontava, no entanto, para uma questão crucial: as limitações de algumas experiências de governos de esquerda. Mostrava que o realismo político – que o exercício de responsabilidades governamentais exige – não pode sufocar a utopia, ficar cego e surdo às demandas que surgem na sociedade, mesmo quando elas aparecem como contraditórias.

Na esteira da Convocatória do Quinto Congresso (dezembro de 2012) e da Resolução sobre a situação política, do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (29 de julho de 2013), este documento propõe um conjunto de temas importantes para o debate interno do partido nesta primeira etapa congressual.

INTRODUÇÃO

A Convocatória do Quinto Congresso do Partido dos Trabalhadores (dezembro de 2012) conclamou o PT a realizar um balanço de seus 33 anos de existência e da experiência de uma década do Governo Democrático e Popular, iniciado em 2003 com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, cuja continuidade foi assegurada com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

O documento destacou a Grande Transformação econômica, social e política que mudou a cara do Brasil em 11 anos, projetando o país, de forma inédita, na cena internacional.

Ao mesmo tempo em que celebrava as conquistas de uma década, a Convocatória chamava a atenção para as lacunas que persistem na reflexão partidária.

O PT não tem sido capaz de construir uma narrativa de sua experiência governamental, tarefa de enorme importância política.

A um Governo progressista não bastam realizações – e elas foram muitas e relevantes. É indispensável um discurso que dê conta das transformações realizadas, de seus alcances e limites e, sobretudo, de seus desdobramentos futuros.

É fundamental mostrar como essas mudanças fazem parte de um projeto mais amplo de transformação da sociedade brasileira. Temos de evitar a auto-complacência, a perda de perspectiva crítica e analisar os obstáculos que se colocam à ação governamental e partidária.

Em algum lugar do mundo, apareceu há tempos, nos muros de uma cidade, a consigna “Basta de realizações, queremos promessas!” Essa inscrição, bizarra e aparentemente insensata, apontava, no entanto, para uma questão crucial: as limitações de algumas experiências de governos de esquerda. Mostrava que o realismo político – que o exercício de responsabilidades governamentais exige – não pode sufocar a utopia, ficar cego e surdo às demandas que surgem na sociedade, mesmo quando elas aparecem como contraditórias. 

Resumindo: não é fácil para um Governo, sobretudo de esquerda: 

(1) estabelecer equilíbrio entre ação e reflexão e entre o urgente e o importante;

(2) resolver as dificuldades institucionais e burocráticas que se antepõe à ação governamental e

(3) entender e dar conta das novas reivindicações que surgem na sociedade. 

Mas não é fácil para o Partido, tampouco, realizar a complexa tarefa de apoiar seu Governo e, ao mesmo tempo, empurrá-lo para além dos limites que lhes impõem a conjuntura ou instituições, muitas vezes arcaicas.

Os partidos políticos de oposição, e os meios de comunicação que os substituíram, têm sua versão sobre os onze anos de Governo PT.

Tem sido dito e escrito que os êxitos econômicos de Lula-Dilma foram apenas continuidade do Governo FHC.

Omitiram a herança deixada: recessão, juros abusivos, fortes pressões inflacionárias, descontrole cambial, vulnerabilidade externa, para só citar alguns itens.

As políticas sociais têm sido apresentadas como extensão de iniciativas do Governo anterior. Os mais radicais as desqualificam como “esmola populista”.

A política externa soberana – altiva e ativa – é caracterizada como “isolacionista”, fruto de um “extremismo terceiro-mundista”.

Grupos que, no passado, haviam privatizado o Estado, promovendo desmandos e privilégios, se transformaram em arautos da ética e da moralidade, escondendo as iniciativas, de nossos Governos, de transparência e de combate aos malfeitos nestes 11 últimos anos.

Quem governou longe da sociedade, criminalizando os movimentos sociais, se sente hoje no direito de apontar para supostas tentações “autoritárias” – quando não “totalitárias” – do PT. 

Esses e muitos outros exemplos mostram a necessidade do Partido construir a narrativa de seu Governo. Sem ela, ficamos na defensiva, ao sabor das versões que os monopólios de comunicação constroem cotidianamente.

Desde 2003, sobretudo, temos enfrentado dificuldades em mudar o sistema político brasileiro, verdadeira camisa de força que impede transformações mais profundas e impõe um “Presidencialismo de coalisão”, que corrói o conteúdo programático da ação governamental.

Embora crítico à conciliação que tem marcado a história do Brasil, o partido tem conseguido imprimir novo rumo e ritmo a suas políticas. Mas é ainda prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção e de uma atividade parlamentar que dificulta a mudança, a despeito da vontade das forças progressistas.

O sistema judicial, lento, elitista e pouco transparente, tem sido igualmente permeado por interesses privados. 

As medidas de reforma do Estado não foram capazes de remover os obstáculos burocráticos que criam empecilhos para o avanço mais rápida dos grandes projetos de infraestrutura, vitais para dar nova qualidade a nosso desenvolvimento.

Partido e Governo não souberam, afinal, desenvolver instrumentos de comunicação social que pudessem contra arrestar a permanente ofensiva conservadora dos grandes proprietários de jornais, rádios e televisões.

Na justa celebração das conquistas dos Governos democrático-populares dos 11 últimos anos, não podemos esquecer os enormes déficits sociais que ainda perpassam nossa sociedade: na saúde, na educação, no cotidiano das grandes cidades, especialmente na mobilidade urbana, no enfrentamento da violência e na segurança cidadã. É importante que o Governo afirme que o fim da pobreza é apenas um começo. Mas é importante igualmente avançar na reforma político- institucional do país para dar continuidade e mais velocidade à transição econômica e política em curso no país.

O Governo e o PT, responsáveis pela Grande Transformação da última década, sofreram paradoxalmente os efeitos das mudanças que desencadeamos. Essas  mudanças fizeram emergir novos segmentos sociais, portadores de novas demandas, valores e aspirações que, muitas vezes, não tivemos a capacidade de entender plenamente. Em recentes processos eleitorais - no último pleito municipal de São Paulo, por exemplo – já se havia manifestado o fenômeno da atração de parte do eleitorado tradicionalmente petista por um candidato conservador, revestido de discurso populista. Nas manifestações de rua, de junho último, amplos segmentos da sociedade, sobretudo jovens, expressaram sua desconformidade para com a precariedade de muitas políticas públicas. Mais do que isso, manifestaram de forma difusa e, não raro contraditória, seu desconforto com o sistema e as práticas   políticas brasileiros. Esses protestos atingiram as instituições e os políticos em geral e não pouparam nem mesmo o PT e governantes ligados ao partido.

Sem compreender plenamente o alcance e os limites das mudanças realizadas e o que estão pensando e sentindo os novos atores sociais será impossível superar as dificuldades do momento.

Partido e Governo não souberam, afinal, desenvolver instrumentos de comunicação social que pudessem contra arrestar a permanente ofensiva conservadora dos grandes proprietários de jornais, rádios e televisões. Não se trata de converter o Partido e o Governo em uma academia, mas de atribuir à reflexão política e econômica a importância decisiva que ela tem para uma ação transformadora.

UM MUNDO EM TRANSIÇÃO

Em 2008, a falência do LEMON BROTHERS desencadeou a mais grave crise da economia mundial desde 1929. Nos anos que antecederam esse episódio, muitos analistas denunciavam as ameaças que as políticas econômicas das grandes potências – sobretudo dos Estados Unidos – traziam para o conjunto da humanidade. A desregulamentação financeira havia transformado a economia mundial em um grande cassino, aumentando os riscos inerentes à atividade especulativa. Os Estados Unidos e a União Europeia experimentaram desaceleração, quando não recessão, de suas economias. Já a República Popular da China, depois de mais de duas décadas de crescimento acelerado, chegou à condição de segundo PIB global, com perspectiva de superar os EUA na próxima década, na dependência do êxito que tenha sua nova política de privilegiar a expansão de seu mercado interno.

Nos primeiros anos, a crise afetou desigualmente a economia mundial. Além da China, Brasil, Índia e Rússia, outros países ditos “emergentes”, experimentaram forte expansão, passando a ser responsáveis pelo crescimento da economia mundial.

Mas os efeitos prolongados da crise atingiram, mais tarde, também os emergentes, que não conseguem hoje reproduzir os bons resultados dos últimos anos, como se pode ver do desempenho atual da China e do próprio Brasil, entre outros.

No caso brasileiro, o dinamismo que a expansão do mercado interno criou, ainda que muito importante, não foi suficiente para garantir o crescimento mais acelerado que o país necessitava para dar conta dos enormes desafios que tinha pela frente.

Apesar dos avanços que se observam no Sul do mundo, que a formação e desenvolvimento do BRICS ilustram, as dificuldades que ainda enfrentam as grandes economias capitalistas, semeiam incerteza sobre o futuro.

A expansão monetária praticada originalmente pelos EUA e mais tarde pelo Japão, acarretou graves problemas para as economias emergentes – sobrevalorização de moedas nacionais – afetando sua capacidade exportadora. A mudança recente dessa orientação, por parte do Banco Central (FED) dos EUA, poderá comprometer os investimentos nos países emergentes.

A União Européia, mesmo tendo conseguido superar as ameaças que pesavam sobre o Euro, vive um prolongado período de recessão, agravado pelas políticas de “austeridade”, que estão desmontando o Estado de Bem-Estar, construído no pós Segunda Guerra Mundial. Milhões de homens e mulheres – sobretudo jovens – são lançados no desemprego e na desesperança. A persistência dessas políticas conservadoras, muito semelhantes àquelas praticadas pelos governos latino-americanos nos anos 80/90 do século passado, não encontra respostas à altura na maioria das forças de esquerda do Velho Mundo, estejam elas no Governo ou na oposição. Abrem espaço para o crescimento de grupos de extrema direita, para a proliferação do racismo e da xenofobia e corroem a democracia. Exemplo disso foram os “golpes” políticos aplicados pela alta finança na Grécia e na Itália, que desembocaram na constituição de governos tecnocráticos nesses dois países.

A continuidade dessas políticas tende a aprofundar a recessão, produzindo resultados opostos àqueles pretendidos e anunciados. A América Latina, como foi dito, conhece bem essa história! O capitalismo, quando não sofre pressão das esquerdas, tende a mostrar sua face mais cruel.

Do ponto de vista político, a situação europeia acompanha seu declínio econômico.

A Europa tem sido “terceirizada” pelos Estados Unidos para aventuras militares neo-coloniais na África, sobretudo, ou para provocações como a que envolveu recentemente o constrangimento imposto ao Presidente Evo Morales, “acusado” de transportar em seu avião o cidadão norte-americano Edward Snowden.

Os Estados Unidos superaram a fase mais aguda da crise, em função da força de sua economia, da capacidade de sua produção científica, tecnológica e de inovação – que injeta nova vitalidade a sua indústria – de seu poderio militar, e da autonomia energética que vêm conquistando.

Mas essa potência está enfrentando graves problemas nas esferas social e política.

No âmbito social, a recuperação da economia norte-americana tem sido acompanhada de forte concentração de renda, que aprofunda a desigualdade social.

A divisão que o país atravessa dificulta a adoção de políticas sociais para atenuar as desigualdades. A recente paralisação da atividade governamental, como consequência do boicote Republicano no Congresso, é um exemplo. As pressões conservadoras têm empurrado a política externa mais para a direita, em linha semelhante ao Governo Bush. A prioridade concedida à segurança tem sacrificado os proclamados ideais de liberdade. As “execuções” indiscriminadas, sem julgamento, pelos aviões não-tripulados dos EUA, as denúncias do Wiki Leaks e, mais recentemente, de espionagem global, particularmente no Brasil, corroem a imagem liberal que os EUA pretendem projetar no mundo. O fiasco da posição norte-americana em relação à Síria e as oscilações no caso do Irã, mostram o caráter errático da posição do EUA no mundo.

Hostil ao multilateralismo, os EUA formulam uma política de contenção da China e, mais discretamente, do BRICS. Suas propostas de uma zona de livre comércio com a Europa e a TPP (Parceria Trans-Pacífica) fazem parte dessa estratégia, assim como o estímulo à formação da Aliança do Pacífico, que reedita, de forma pouco disfarçada, o derrotado projeto da ALCA e busca criar uma alternativa ao MERCOSUL, à UNASUL e à CELAC.

A humanidade vive tempos incertos, cuja análise se faz urgente. A história ensina que, em circunstâncias semelhantes, são fortes os riscos de soluções de força para enfrentar as grandes contradições mundiais.

Ganha importância, assim, a política externa brasileira fundada na luta pela paz, na defesa do princípio de não-intervenção nos assuntos internos de outros países, na afirmação do multilateralismo e na constituição de um mundo multipolar capaz de dar nascimento a uma nova correlação de forças mundial.  

Desafios Programáticos

Reiterando que a orientação programática do Quinto Congresso do PT não se confunde com o enfoque que deve ter o Programa  de nossos candidatos nas eleições de 2014, explicitam-se aqui os principais desafios do partido, em uma perspectiva mais duradoura.

* Uma política econômica que, preservando a estabilidade macroeconômica, seja capaz de impulsionar crescimento mais acelerado do país. O fortalecimento do mercado interno é plenamente compatível com um maior dinamismo de nossas exportações. O desenvolvimento será logrado com a expansão do investimento, com a continuidade e aprofundamento da renovação da estrutura logística e energética do país, com maior produtividade, resultante do desenvolvimento da educação e da inovação, e com um controle e regulação maior do capital financeiro, que dê prioridade à atividade produtiva.

* As políticas sociais, em sintonia com a política econômica, como vem ocorrendo, darão seguimento ao combate à pobreza e à desigualdade, por meio de políticas de emprego e renda, crédito, apoio técnico e financeiro a pequena, micro e média propriedades urbana e rural, educação e saúde de qualidade, habitação e saneamento, mobilidade urbana e segurança cidadã.

* O fortalecimento e aprofundamento da democracia, exige um ritmo mais acelerado da reforma do Estado e das instituições políticas e do combate à corrupção. Sem essas mudanças – que incidirão sobre a organização dos partidos, as eleições e a participação social – será impossível superar a crise dos mecanismos de representação, que se arrasta por anos e que ganhou particular importância nos últimos meses.

* Combate à violência do Estado e na sociedade. É urgente  desmilitarizar as polícias estaduais, combater à tortura, reformar radicalmente o sistema prisional. A cidadania e os Direitos Humanos são atingidos duramente pelo massacre sistemático de nossa juventude, pela multiplicação dos atos de violência contra as mulheres, pelas recorrentes manifestações de racismo e/ou homofobia. Não haverá democracia sem cidadania forte. É fundamental a expansão dos direitos civis e a garantia plena de direitos para todos os setores da sociedade – minoritários ou não.

* A política externa do Brasil continuará marcada por uma presença soberana do país no mundo, pela busca da paz, respeito ao Direito Internacional e à autodeterminação dos povos, fortalecimento do multilateralismo e crescente integração da América do Sul, da América Latina e Caribe, assim como aliança com a África.

* Em sua política externa e interna o Brasil defenderá os princípios de uma economia social e ambientalmente sustentável, com todas suas consequências no plano energético, agrícola, industrial e no ordenamento urbano.

* A expansão e qualificação da educação, da ciência, tecnologia e inovação são elementos essenciais para um novo projeto de desenvolvimento e para a extensão da cidadania.

* A socialização dos bens culturais, a valorização das distintas expressões da cultura e a preservação do patrimônio histórico e natural são componentes fundamentais da democratização da sociedade.

(...)

O MOMENTO ATUAL E SEUS DESAFIOS

O Quinto Congresso do PT realizar-se-á em uma conjuntura política excepcional, marcada pelo renascimento de manifestações sociais, como as ocorridas em junho deste ano. A nova situação criada no país a partir dessas mobilizações e as soluções concretas que formos capazes de apresentar e realizar terão influência sobre a estratégia mais geral do Partido e do Governo e, de forma especial, sobre as eleições de 2014. 

A experiência acumulada nos últimos onze anos mostra que a superação de crises políticas semelhantes sempre passou pela mobilização da sociedade, especialmente dos amplos segmentos que historicamente nos têm acompanhado e daqueles que, mais recentemente, foram beneficiados pelas transformações econômicas, sociais e políticas lideradas pelos Governos Lula e Dilma. O passado ensina também que a mobilização de nossas bases sociais e políticas ajuda a recompor a sustentação institucional do Governo, inibe aventureiros, inclusive aqueles que se ocultam em uma fraseologia anti-capitalista, e frustra as tentações golpistas que uma crise possa despertar. [Grifo PressAA]

Parte da sociedade, inclusive aquela beneficiária das transformações dos últimos anos, está insatisfeita com o ritmo – que considera lento – das mudanças e não vê alternativas para suas demandas nos políticos e nas instituições atuais. A violência e o vandalismo, que têm marcado algumas mobilizações, provocam ao mesmo tempo um sentimento de insegurança em parte da sociedade. Criam imagem de desgoverno e de ruptura do tecido social. Animam os aventureiros e os que defendem soluções autoritárias.

(Para ler completo, clique no título)

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Colunista
07/12/2013 
Boaventura de Sousa Santos

Décima primeira carta às esquerdas

Tal como acontece com a democracia, só uma consciência ecológica robusta, anti-capitalista, pode fazer frente com êxito à voragem do capitalismo extrativista.

Tal como acontece com a democracia, só uma consciência e uma ação ecológica robusta, anti-capitalista, pode fazer frente com êxito à voragem do capitalismo extrativista. Ao “ecologismo dos ricos” é preciso contrapôr o “ecologismo dos  pobres”  assente numa economia política não dominada pelo fetichismo do crescimento infinito e do consumismo individualista, e antes baseada nas ideias de reciprocidade, solidariedade, complementaridade vigentes tanto nas relações entre humanos como nas relações entre humanos e a natureza.
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A Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova  se sente abandonada e manda S.O.S. para a Sétima Cavalaria

24/11/2013 

13 de julho de 2013. Querido Slavoj,

Leia a correspondência entre Tolokonnikova, que atualmente cumpre pena num hospital da Sibéria, e Zizek. Tradução de Rodrigo Giordano.




Nadezhda Tolokonnikova e Slavoj Zizek
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13 de julho de 2013
 
Querido Slavoj,
 
Em minha última carta, não fui clara quanto à distinção entre como o capitalismo global funciona na Europa e Estados Unidos por um lado e na Rússia por outro. No entanto, eventos recentes na Rússia - o julgamento de Alexei Navalny, a aprovação de leis inconstitucionais, contra a liberdade - me deixaram furiosa. Sinto-me compelida a falar sobre as práticas políticas e econômicas específicas do meu país. A última vez que sinta tanta raiva foi em 2011, quando Putin declarou que iria concorrer à presidência pela terceira vez. Essa ira foi o que levou ao nascimento do Pussy Riot. O que irá acontecer agora? Só o tempo irá dizer.
 
Tenho um certo cinismo quanto à relação dos países chamados de “primeiro mundo” com as nações mais pobres. Em minha humilde opinião, países desenvolvidos possuem uma lealdade exagerada com governos que oprimim seus cidadãos e violam seus direitos. Os governos americano e europeus colaboram livremente com a Rússia em sua imposição de leis da Idade Média e prisão de políticos opositores. Ainda colaboram com a China, onde a opressão é ainda maior. Quais os limites da tolerância? Quando esta se torna colaboração, conformismo e cumplicidade?
 
E o pensamento de que “deixem eles fazerem o que quiserem com seu próprio país” não funciona mais, afinal, Rússia e China fazem parte do sistema capitalista global.
 
A Rússia de Putin seria massivamente enfraquecida se os países que importam seu petróleo e combustível mostrassem coragem e convicção e parassem com tal comércio. Até se a Europa desse um modesto passo como a aprovação da “Magnistky Law” [A lei Magnistky permite aos Estados Unidos tomarem sanções contra oficiais russos acusados de participarem de violações dos direitos humanos], já seria moralmente relevante. Um boicote às Olimpíadas de Inverno em Sochi seria outro gesto ético. Mas o contínuo comércio de matérias-primas constitui uma aprovação tácita do regime russo - não através de palavras, mas através do dinheiro. Isso trai o desejo de proteger o status quo político e econômico e a divisão do trabalho que moram no coração do sistema econômico mundial.
 
Você citou Marx: “Um sistema social que encalha e enferruja… não tem como sobreviver”. Mas cá estou, cumprindo minha pena em um país em que as dez pessoas que controlam os maiores setores da economia são são os velhos amigos de Vladimir Putin. Ele estudou ou praticou esporte com alguns, e serviu à KGB com outros. Não seria esse um sistema social encalhado? Um sistema feudal?
 
Eu lhe agradeço sinceramente, Slavoj, por suas cartas. E mal posso esperar por sua resposta.
 
Yours, Nadia

Leia o resto da correspondência aquiaquiaquiaqui e aqui .
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O reacionário “Agito das Bucetas” (“Pussy Riot”)

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Tristes bonecas de ventríloquo da Amerika & de suas guerras

Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Pussy Riot, The Unfortunate Dupes of Amerikan Hegemony
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
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Sereia


 Rosa Pena
A camisa pólo Ralph Lauren bem comportada contrastava com o rabo de cavalo preso por um “xuquinha” vermelho. Aquela calça de pregas elegantérrima, apesar de apertada, denunciava coxas grossas deliciosas.

E nos pés, tênis. Sorri e pensei: Vestiram ele todinho para esta festa de casamento e esqueceram do sapato.

Perdi meu olhar naqueles tênis. Quando acordei de meu devaneio, dei de cara com o dono. Sorrimos cúmplices imediatamente. Desviei o olhar super sem graça. Apenas o olhar desviado. A cabeça a mil.

Ambos no final da igreja, cumprindo formalidade.

Acabada a cerimônia, fui para a fila de cumprimentos. Senti aquele delicioso cheiro de mar, mesmo estando tão longe do litoral. Mar tem cheiro de macho, sempre achei isso e continuo a achar. Ouvi um sussurro no meu ouvido.

— O fio da sua meia puxou.

Nem olhei para trás. Sabia que era ele.

— Muito?
— Um pouquinho. Nada que comprometa estas pernas.

Silenciei arrepiada. Tentei disfarçar a excitação.

— Amigo do noivo ou da noiva? Sussurra ele de novo.

Sem olhar respondo:

— Prima do noivo. E você?
— “Ex-noivo” da noiva
— Tá com dor-de-corno?
— Eu sou o próprio. Todo dolorido.
— Que merda, cara. Por que veio então?
— Para ter certeza de que me fodi todinho.
— Muito tempo de relação?
— Muita intensa.
— Vai abraçar a noiva por puro masoquismo?
— Não, é para tirar uma lasca.
— Minha meia rasgou mais?
— O fio puxado está aumentando, já deve estar no meio das suas coxas, onde eu vou estar.

Finjo que não ouço, mas ao mesmo tempo não quero perdê-lo de vista.

— Vai à recepção? — pergunto apressada e ofegante.
— Prefiro ir pra nossa casa.
—Nossa !?

Saímos de fininho da fila.

Lindos pés sem o tênis. Não tinha só o cheiro de mar. Era tão impetuoso como! Bem salgado o gosto. Ótimo para a pressão subir. Bateu vinte.

Virei sereia.

(livro PreTextos)

Rosa Pena, escritora carioca, poesias, crônicas e contos, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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De nossa colaboradora-correspondente Lou Micaldas:

Fernando

Lou, nós agradecemos a você por nos fazer presente nesse espaço tão importante e querido que é o Velhos Amigos.
Abraços
Fernando
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Do nosso colaborador-correspondente Raul Longo:

PLIM! PLIM!

Você já ouviu falar nos ratos de Pavlov?

Ivan Pavlov foi Prêmio Nobel em medicina como fisiologista em 1904, mas a principal descoberta desse russo foi na área da psicologia e ocorreu quase ao acaso quando observou que o cão de seu laboratório salivava ao ouvir os passos do encarregado em alimentá-lo.

Pavlov então pediu ao assistente que se aproximasse em momento logo após o cão ter saciado a fome. E observou que o animal salivava novamente.

Assim Pavlov descobriu o reflexo condicionado e continuou desenvolvendo inúmeras pesquisas com ratos.

Quem observava as experiências de Pavlov tinha a impressão de que o cientista havia ensinado os ratos a serem inteligentes, pois chegavam a resolver complexos problemas para chegar à alimentação, mas Pavlov sabia que os ratos eram apenas ratos e não tinham inteligência alguma. Apenas respondiam ao condicionamento a que ele os submetera.

A matéria do Alexandre Tambelli aqui copiada e que também pode ser lida pelo link:


Postado por Luís Nassif
 seg, 09/12/2013 - Por Alexandre Tambelli

é bastante longa, mas se quiser entender de que forma a Rede Globo e as maiores empresas de comunicações do país se comportam como Pavlov, você precisa ler essa análise.

Leia e descobrirá quem é o rato de Pavlov. Ou melhor, quem são os ratos da Globo e da mídia brasileira!  



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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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