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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pravda: Brasil já tem 2.703 corruptos presos






Brasil Já tem 2.703 corruptos presos 

[E um magote imenso que escapou das grades apoiado em brechas das leis]


Por ANTONIO CARLOS LACERDA


BRASILIA/ BRASIL - No Brasil, o número de pessoas presas por crimes contra a administração pública, tais como corrupção e peculato, cresceu 133% entre dezembro de 2008 e dezembro de 2012. Esse percentual representa sete vezes mais que o aumento de toda a população carcerária do País.

Atualmente, 2.703 pessoas, entre funcionários públicos e particulares sem ligação com o governo, encontram-se presas no Brasil, cumprindo pena por crimes contra a administração pública. Ainda assim, a população carcerária corrupta ocupa menos de 1% das celas dos presídios brasileiro.

Os dados são do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça que compila dados prisionais das 27 unidades federativas. Entre todos os crimes contra a administração pública, o que registrou maior crescimento foi o peculato - cometido por servidor que se apropria de bem público no exercício do cargo. O aumento de prisões por esse crime foi de 220% desde 2008.

Segundo o Depen, os números levam em conta apenas condenações definitivas, e não prisões temporárias. A série histórica começa em 2005, mas foi só em 2008 que os registros começaram a ser informados com detalhes pelo órgão. Antes disso, o número só havia ultrapassado a barreira dos 2 mil presos em 2007.

No ano seguinte, as prisões desabaram, mas voltaram a crescer constantemente até chegar aos números atuais.

Houve um aprimoramento nas técnicas de investigação e uma mudança na postura do Judiciário, que passou a ser mais rigoroso contra esses delitos.

Dados de outros órgãos federais reforçam a tese de aumento nas punições de funcionários públicos. A Controladoria-Geral da União (CGU) expulsou 564 servidores acusados de irregularidades em 2011, mais que o dobro que no início da década passada. E as prisões de servidores feitas pela Polícia Federal atingiram o auge entre 2006 e 2008, quando quase 400 pessoas por ano foram presas nas operações do órgão.
Vários desses processos podem estar chegando agora aos tribunais superiores e rendendo condenações. O próprio Judiciário está se cobrando para que os processos não fiquem estacionados sem julgamento.

Entre as mudanças apontadas por especialistas como responsáveis pelo aumento nas punições, estão a criação de novos órgãos de controle, como a própria CGU (nascida em 2001), além de aprovação de leis mais rígidas, como a da Ficha Limpa e a da compra de votos. Além disso, há novas técnicas para descobrir crimes, como o monitoramento do patrimônio dos servidores para detectar enriquecimentos incompatíveis com a renda.

Para Rita, porém, o mais importante foi a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004. Uma das principais metas do CNJ determina que todos os processos de crimes contra a administração pública distribuídos antes de 2011 sejam julgados até o fim deste ano. Em 2012, metade das 27 mil ações que esperavam decisões foram julgadas. A tendência é que o número de presos aumente.

Se há avanços, também existem desafios para combater a corrupção endêmica no Brasil. Ainda há muito o que fazer na área das licitações, no financiamento das campanhas eleitorais e no funcionamento de órgãos de controle, principalmente os Tribunais de Contas.

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU
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Assaz Atroz

"E nós criamos o partido. Depois eles achavam que nós não passaríamos de uma coisa pequenininha, bonita e radical. E nós não nascemos para sermos bonitos, nem radicais. Nós nascemos para ganhar o poder" - ex-presidente Lula, em entrevista concedida a Emir Sader e Pablo Gentili - Carta Maior

Porém, Lula, ainda no início do seu primeiro mandato, já havia reconhecido a especificidade e relatividade do poder que havia conquistado: era apenas o poder legal. Foi aí que ele disse: "Chegar ao governo não significa chegar ao poder".

Além dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, existe um poder mais poderoso, o "Poder Pecuniário".

O Executivo não pode legislar sobre leis penais. E, quando a força da grana que constrói e destrói coisas belas, necessárias e importantes elabora as leis, deixa sempre as brechas para se safar de punições. Aí sobra apenas para os pés-de-chinelo que não podem contratar advogados "malabaristas".

Clique em "operações" e leia as sinopses da atuação da Polícia Federal a partir de 2003.

Operações

2013

2012

2011

Anos anteriores

2010  2009  2008  2007  2006  2005  2004 e 2003 


No governo FHC do PSDB, da privataria, da corrupção, do entreguismo e da impunidade, unidades do Departamento de Polícia Federal foram ameaçadas de despejo por falta de pagamento de água, luz, telefone e aluguel. As buscas e apreensões registradas indicam insignificantes 27 buchas presos por ano - média dos 8 anos de desgoverno de FHC.

O Mistério da Injustiça informa: A leitura das informações sobre a atuação da Polícia Federal nos últimos 10 anos pode ser enfadonha para corruptos de qualquer idade, mas pode ser interessante, e até divertida, para quem concorda que "Nunca se viu tantos ratos, mas nunca se caçou tanto os ratos neste país".

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da-lhes Chico : Contrabando nos portos?

  • Chico Alencar via facebook
    Contrabando nos Portos?
    Partidos e deputados "revoltados" com vetos de Dilma à prorrogação automática de contratos de empresas concessionárias querem obstruir todas as votações na Câmara dos Deputados até a derrubada dos vetos! Será que, com esses vetos, temem não receber as "mercadorias" prometidas?

Sou monolíngue, mas não sou monomaníaco




Fernando Soares Campos



A imprensa empresarial e alguns partidos políticos em nosso país criam multidões de monomaníacos: pessoas enlouquecidas por ideia fixa que atanaza seus miolos. Este é o resultado de quem passa anos assistindo a telejornacionais.

Tratar a monomania é muito difícil, tarefa árdua. Os psiquiatras até que tentam, porém o sujeito acometido desse mal acaba seus dias de vida em frente a um televisor, num manicômio qualquer.

Mas resolver o monolinguismo é bem mais fácil, principalmente se a gente contar com tradutores como o pessoal da Vila Vudu.

Lendo textos traduzidos por essas abnegadas pessoas, que dedicam parte de seus tempos realizando, “di grátis”, o trabalho de interpretar e transladar textos em línguas estrangeiras para o nosso vernáculo, aí, até Agente Podemos pode se livrar do pensamento único que azucrina sua vida e a paciência dos que tentam levar um papo saudável com ele.

Agente Sabemos, que sabe tudo através dos telejornais da mídia golpista e de revistinhas de sacanagem, anda indiguiado... quer dizer... indignado com o governo sírio.

Até a extrema esquerda brasileira quer dar extrema-unção a Bashar al-Assad, presidente da Síria. Os esquerdistas sectários embarcaram num drone midiático ianque, desses que pautam imprensa colonizada, e estão apoiando os “rebeldes” sírios na guerra “humanitária” pró “democratização” daquele país.

Não sei o que esses indivíduos pensam, mas posso imaginar. Provavelmente esperam ser consultados pelos meios de comunicação oligopolizados e empenhar suas sordidariedades... (pô! hoje este teclado está me aperreando) ...suas solidariedades aos teleguiantes, a fim de, quem sabe?, brilhar na mídia, angariar votos e fazer prosélitos.

Vou dar uma dica marqueteira a esse pessoal que há séculos se conforma em comer pelas beiras, mas que hoje sonha em se apoderar do trono, ou promover o retorno das elites escravagistas, estes que os consideraram “oposição confiável” ― aquela que faz o jogo dos poderosos usando máscaras de revolucionários, quando, na verdade, não passam de reacionários.

É a seguinte...

Ao serem consultados sobre suas posições em relação à guerra na Síria, vocês falam com peito inflado, cheios de convicção:

― O governo sírio é responsável pelos distúrbios que estão ocorrendo na sua vizinha Turquia. Bashar al-Assad está financiando baderneiros, a fim de desqualificar o governo turco, aliado dos Estados Unidos, a pátria guardiã da democracia, da tradição, da família e da propriedade. Fomos informados, através de relatório do Agente Sabemos, que o tráfico de mulheres para os prostíbulos turcos é patrocinado por agência de espionagem da Síria, com o propósito de denegrir... (não, essa não, essa não é uma palavra politicamente correta) ...de conspurcar a imagem da Turquia e boicotar o turismo eco-radical daquele país. Agente Podemos está convicto de que a queda do balão na Capadócia, vitimando alguns turistas brasileiros, foi coisa de muçulmano pró Assad, que, em ritual sincrético, rogou e São Jorge que fizesse um daqueles balões cair, mas foi atendido mesmo por Maomé.

Pronto, taí a dica. É pegar ou largar.

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Leia, no blog da sede desta nossa Agência Assaz Atroz, algumas verdades sobre a guerra na Síria


Irã News, redecastorphoto e Vila Vudu num só pacote contra a monomania

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É no mínimo estranho o fato de alguns partidos brasileiros que a todo instante se proclamam legítimos representantes da esquerda apoiem uma chamada “revolução síria”. E isso em um momento em que no país árabe está clara a participação dos países europeus e Estados Unidos com combatentes mercenários e armas em luta contra o Presidente Bashar al Assad.




Clique no título e leia matéria completa.

E mais...


5/6/2013, Pepe EscobarAsia Times Online  - The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar

Políticos ocidentais têm derramado barris de lágrimas de crocodilo por conta do “povo sírio” e congratulam-se, eles com eles mesmos, no que chamam de “os Amigos da Síria”, reunidos para salvar das garras da “tirania” o povo sírio.

OK, OK. Agora, o povo sírio falou: cerca de 70% do povo sírio apóia o governo de Bashar al-Assad; 20% são neutros; e só 10% alinham-se com os “rebeldes” apoiados pelo ocidente e entre os quais estão os que sequestram, devoram o fígado (talvez o pulmão) e degolam, do ramo jihadi.

Os dados foram organizados e distribuídos por organização de socorro humanitário que está trabalhando na Síria. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) recebeu relatório detalhado, no final de maio; e não manifestou qualquer pressa para divulgar dado algum.

Como nosso Asia Times Online vem repetindo há meses, empresários e comerciantes sunitas em Damasco e Aleppo são ou neutros ou pró-Assad. E para muitos sunitas as gangues de mercenários estrangeiros armados pelo Qatar e pela Casa de Saud parecem muito mais repelentes que Assad.

Simultaneamente, na Grã-Bretanha – onde não há o que tire da cabeça de David “das Arábias” Cameron a ideia de impor uma zona aérea de exclusão para proteger “o povo sírio” – só 24% dos britânicos apóiam a ideia de armar ainda mais os “rebeldes” (embora 58% sejam favoráveis ao envio de ajuda humanitária).

Clique no título e leia matéria completa.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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Sociedade Anonima: docs da C&A Revelam .

Una revisión de documentos clasificados reveló este jueves que la Agencia Central de Inteligencia estadounidense (CIA, por su sigla en inglés) desconocía, en reiteradas ocasiones, a quién estaba apuntando o la identidad de las personas que asesinaba mediante ataques con drones en Pakistán durante más de un año, reseñó la cadena norteamericana NBC News

http://bit.ly/11uWcYR
Ver tradução
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O POVO do ES a espera da JUSTIÇA - MAX MAURO VEM AÍ


.AINDA RESTA UMA ESPERANÇA :Max Max Mauro vem aí:
http://www.seculodiario.com.br/exibir.php?id=8651&secao=9



E lembrando que ouvimos do próprio que seu mandato terá um espaço enorme para os movimentos sociais falarem,



Resta saber se nesse estado de ninguem ele vem antes de 2014.



Bora POVO, BORA pressionar: BEM VINDO Max Mauro. hasta siempre.

Elias perde novo recurso e Max Mauro se aproxima de cadeira na Assembleia

www.seculodiario.com.br

Colegiado do TJES voltou a negar o recurso do deputado estadual contra uma condenação à perda do cargo; petebista ainda pode recorrer

  parte 2-  'Só Ele Tem Coragem Pra Mudar'.   A maior Reserva Moral viva hoje no ES, Max Mauro é aguardado como o Cavaleiro da Esperança.      http://www.seculodiario.com.br/exibir.php?id=8672&secao=8

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dilma e Lula ― os espetaculares engolidores de sapo



Fernando Soares Campos



O professor, jornalista, advogado e político San Tiago Dantas, falecido em setembro de 1964, teria dito: "A Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta". 

Com a própria frase, o ilustre professor, de certa forma, autoafirmou-se, pois somente um elemento vaidosamente elitizado poderia chamar qualquer povo de “bosta”. Ainda mais naquela época, em que as elites subservientes faziam (e ainda tentam fazer) o próprio povo brasileiro acreditar que somos uma nação de cães lambedores dos restos de banquetes dos colonizadores, espécies de bwana, como os africanos chamavam os expedicionários do Império Britânico que safariavam” e faziam outras safadezas no Continente Mãe.

Acontece que o termo “bwana”, aportuguesado para “buana”, significa “composto de resíduos animais”, eufemismo de “carniça”, ou, derivação por metonímia, “bosta”.

― Pode deixar que a gente toma conta de sua mulher, seu bwana!

O professor San Tiago, como tanta gente hoje em dia, criou frase de efeito nocivo jogando pra galera. Apesar de ter sido um político aparentemente bem intencionado, arrependido de ter participado ativamente da Ação Integralista Brasileira, de orientação fascista, podemos dizer que bem-intencionado é o cara que deve ser perdoado, mesmo tendo agido exatamente como agiria o mal-intencionado. Por isso o Céu está cheio de São Tiagos.

Dilma, Lula e o fogo-ambíguo

Em 2009, escrevi artigo intitulado “Lula, o espetacular engolidor de sapo!”, publicado em diversos blogs, sites e portais internet adentro, inclusive no “Moçambique para todos” (é só clicar aí, acessar diretamente a postagem e depois navegar pelo macua.blog}.

No artigo, comentei sobre mensagem que recebi tratando do prêmio “Estadista do Ano”, recebido pelo presidente Lula, concedido por Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais).

Hoje atualizo o meu texto, intitulando-o...

Lula e Dilma – os espetaculares engolidores de sapo

"Procuro dar meu recado através do humor. Humor pelo humor é sofisticação, é frescura. E nessa eu não tou. Meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo a sério. " ( Henfil )

O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo; assim como o amigo do meu inimigo pode não ser meu inimigo. Também, nada impede que o inimigo do meu amigo possa ser um dos meus melhores amigos. Entretanto o pseudoinimigo do meu inimigo é, invariavelmente, muito mais hostil aos meus propósitos e pode me causar muito mais prejuízos que o meu próprio inimigo declarado. 

Não sei exatamente em que proposição, entre as relacionadas acima, se enquadra o João Miramar, editor-redator-chefe de Brasilianas [não confundir com Brasilianas.Org], título que dá aos textos que ele produz e distribui por e-mail, com o propósito de combater a “ditadura lulodilmista”. Arrisco classificá-lo como "pseudoinimigo do meu inimigo", pois o João Miramar às vezes critica meus inimigos (inimigos do povo), mas observo que o faz na condição de revisor de texto, tentando aparar arestas de prismáticas e difusas argumentações das elites pensativas.

Já me disseram que o Miramar é um oportunista, não apenas um indivíduo que tira vantagens pessoais de certas situações, mas especialmente por ser elemento a serviço do Grupo Opportunity, do famigerado banqueiro Daniel Dantas. Porém, sobre isso, não tenho informações concretas. Sei apenas que posso compará-lo a um microrganismo oportunista, capaz de infectar o hospedeiro quando as resistências deste estiverem bastante debilitadas pelas suas insistentes investidas. Ou seja: se o indivíduo não tiver uma base imunológica fortalecida pelas verdades dos fatos, as Brasilianas do Miramar miram bem no núcleo das células cancerosas, associam-se a estas e provocam metástase.

Tempos atrás eu recebia os textos Brasilianas mirabolantes. Ia à forra enviando ao Miramar o que publicamos aqui na nossa Agência Assaz Atroz. Sempre ficamos no zero a zero, com alguns bate-bocas inócuos à beira do teclado. Mas nunca passou disso.

Certa ocasião, finalmente, recebi um texto do João Miramar cujos argumentos se alinhavam com aquilo que imaginei em relação ao tal prêmio de “Estadista do Ano” concedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vi pela televisão as imagens da cerimônia, Lula discursando, entendi que o nosso presidente não estava à vontade, até os ares de descontração pareciam forçados. Pensei: Lula é versado na arte de engolir sapo ― pressuposto indispensável para o exercício de relações diplomáticas.

Ao descreverem as personalidades que concorreram com Lula, não tive dúvida: “Isso não é prêmio! É afronta!”.

Enfim, não foi a tal “honraria” que determinou que Lula estava sendo consagrado o “Estadista do Ano”, mas o fato de aceitar aquele trambolho revelava que ele era, na verdade, o “Estadista do Século”.

Alguém aí acredita que existam imperialistas e colonialistas honestos? Não, essa gente, além da fleugma glacial, é de uma sutileza que extrapola as enganações convencionais.

Aquele “prêmio” estava mais para Cavalo de Tróia que para a cobiçada coroa de Laurus nobilis que enfeitavam as cabeças de atletas e guerreiros dos impérios Grego e Romano.

Lula pode negar de pés juntos, mas dava pra notar que ele aceitou a premiação apenas para não fazer desfeita. Perfeita postura de um estadista.

"Reconciliar-se com o inimigo não quer dizer anuir aos seus propósitos, mas apenas mantê-lo incapacitado, ou ao menos inibido, de nos prejudicar. Acho que é isso que fazem os governantes progressistas, reformadores e até os revolucionários.” [“Quem são nossos verdadeiros inimigos?”]

Certamente João Miramar e toda a ultradireita brasileira jamais argumentarão sob esse aspecto, o de que Lula é realmente um estadista porque conhece a arte de engolir sapo. Que não deve ser confundida com subserviência, mas sim com a inteligente capacidade de lidar com os sentimentos e emoções conflitantes entre si.

Eu escreveria sobre o prêmio basicamente nos mesmos termos que o Miramar escreveu, mas sem empregar expressões tais como “países deploráveis em comparação ao Brasil”. Deplorável é o preconceito dele, ou do autor do texto (acho que ele estava repassando o petardo). No meu conceito, não existe “país deplorável”, mas governos abomináveis, como, por exemplo, os que se arvoram a donos do mundo. Este é um dos motivos pelos quais eu não assinaria o texto que o Miramar me enviou. O outro diz respeito às razões que nos levam a criticar o prêmio, elas são distintas e antagônicas.

Depois da minha resposta, ele finalmente me retirou de sua lista de correspondentes.
                       
Aí está o texto que o João Miramar me enviou há alguns anos.

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“Em homenagem à sua sanidade e honestidade intelectual, reconhecendo que pode ser mentira, pode ser verdade... e... para contribuir com temas de tamanha relevância e pureza de alma – aliás, essenciais para a correção de rumos da pátria potência que nos embala, enviamos a seguinte notícia. Claro, o senhor e todo o oficialismo naturalmente nem tomaram conhecimento, mas já que se trata de relevância, entendemos que sim... lá vai...”
JM 


LULA VENCE LIBÉRIA E ARÁBIA SAUDITA E SE TORNA "ESTADISTA DO ANO"

Deu n'O Globo, em reportagem de hoje: Lula recebe prêmio de "Estadista do Ano" na Inglaterra. Bom, né? Aliás, poxa vida, é ótimo. Ah, não sejamos modestos, é magnificamente excelente!

Quando Obama fez aquela brincadeira de "o cara", muitos foram contra, dizendo que não era bem assim. Achei errado porque REALMENTE ele falou - independentemente do significado ou isso e aquilo.

Mas agora, quanto ao prêmio, sejamos honestos. Vale a pena saber que raio de coisa é essa. Vamos por partes (trechos da reportagem):

"O prêmio anual foi concedido pela prestigiosa instituição Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), para a qual o presidente brasileiro é "um dos principais facilitadores da estabilidade e da integração na América Latina". Lula concorreu ao prêmio ao lado do ministro saudita de Relações Exteriores, príncipe Saud Al-Faisal bin Abdulaziz al-Saud, e da presidente da Libéria, Elle Johsnson-Sirleaf." (grifos nossos)

Notem a lista tríplice de "estadistas" e países da qual Lula e o Brasil fazem parte. Além de nós, havia ARÁBIA SAUDITA e LIBÉRIA, duas ditaduras dessas que pegam pessoas no meio da rua, por qualquer motivo torpe, e os matam a pedradas. Só não espero que tenha sido uma votação muito difícil.

Bom, podem dizer que foi um lapso apenas deste ano, não é mesmo? A tal "prestigiosa" instituição teve um surto meio maluco. Vamos a outros vencedores:

"Nos anos anteriores, o prêmio foi concedido ao presidente de Gana, John Kufuor, em 2008, a Sheikha Mozah, uma das três primeiras-damas do Catar, em 2007, e ao ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, em 2006." (grifos nossos)

Percebam, portanto, que a idéia não é premiar "estadistas" ou países proeminentes, mas talvez distribuir medalhinhas utilizando critérios pra lá de heterodoxos. Aliás, Lula está no poder desde 2003, e tomou surra de Gana, Catar e Moçambique nos três últimos anos (obviamente, uma galhofa, pois são três países deploráveis 
[grifo AA] em comparação ao Brasil).

Vamos ao futebol, um clássico das analogias quando se trata do "estadista" ora premiado. Suponhamos um campeonato "mundial" com Palau, Vaticano, Formosa e Argentina. Nossos hermanos ganham e dizem: SOMOS CAMPEÕES DO MUNDO. Isso seria admissível? É mais ou menos por aí.

E, na comparação futebolística, coloquei países talvez melhores no esporte bretão que nossos concorrentes, da lista tríplice, quanto a qualquer critério correspondente à atuação dos Chefes de Estado. Arábia Saudita e Libéria? Países que espancam mulheres por andar na rua sem companhia? Chega a ser vergonhoso participar da cerimônia, sejamos honestos.

Atualização: O PRÊMIO É PATROCINADO POR, ENTRE OUTROS, BANCO DO BRASIL, BNDES E PETROBRAS. 
[Nota AA: Que também patrocinam uns poucos jornalistas da chamada blogosfera progressista, a trincheira de Lula, Dilma e de milhões de brasileiros excluídos dos meios de comunicação de massa, ficando apenas como passivas vítimas destes.]

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Agora o foguetório-ambíguo se volta para Dilma. Fuçam sua agenda, sacam cinco ou seis audiências dela em um mês, com o propósito de apontar que Dilma está alinhada com as elites político-econômicas e abandonando os excluídos da sorte ao Deus dará.

Agenda de Dilma revela opção do governo

Brasil Atual

Em alguns poucos parágrafos, o autor disse (e insinuou) várias vezes que "Dilma ainda não falou com os povos indígenas. Ela foi a única presidente desde a época da ditadura a não recebê-los". Só faltou dizer que os governos da ditadura e os do início da "redemocratização" dormiam nas ocoas e fumavam o cachimbo da paz com os índios. 

Mas indicamos também um verdadeiro crítico de qualquer governo, isento de paixões ideológicas, um homem vivido, que analisa, critica construtivamente, aponta erros político-administrativos do governo Dilma, mas com o propósito de colaborar, participar da construção de um Brasil novo. Não sei se em alguns pontos está equivocado, como qualquer ser humano, pois não entendo patavina de economia e mercado, sei apenas que me dói no bolso as pressões de uma nação que se industrializou sob a regência do Império, e que agora está sofrendo as consequências, muito duras de serem corrigidas.

Leia no blog da redecastorphoto...

Por Adriano Benayon




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Vamos esperar que Dilma ou Lula arrebentem os miolos, como fez Getúlio, ou escapem para o exílio, a fim de evitar derramamento de sangue, como fez Jango, para só então apedrejarmos a infraestrutura da imprensa empresarial? Como agiu o povo que não tinha internet ao tomar conhecimento, atrasado, do dilema e do suicídio de Getúlio.

Não, a história é análoga, mas o momento é outro. Hoje, quem tiver um mínimo de consciência solidária, espírito de fraternidade e senso de honestidade engaje-se ou retorne à luta, pois 2014 está se aproximando, e o foguetório-ambíguo está espocando de todos os lados: direita, esquerda e meia volta volver.

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Vamos atender ao chamado do pessoal que faz o Blog Palavras Diversas...

Blogosfera progressista e independente pode ser capaz incomodar e causar reveses à grande imprensa…

Casa nova, no mesmo front, uma convocação dos velhos amigos e em busca de outros novos.

O Blog Palavras Diversas, após uma breve pausa,  motivado pela perda do domínio no blogger, ressurge, revigorado, agora no WordPress, para continuar seu trabalho de formiguinha da internet: combater a desinformação da grande imprensa e contribuir pela democratização da mídia.  Somos modestos, em audiência e repercussão, mas levamos às pessoas que estão ao nosso alcance pontos de vista e ângulos, geralmente, desqualificados pela grande imprensa.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

A PUNIÇÃO DOS TORTURADORES, PARA ALÉM DO SIMPLISMO E DO PANFLETARISMO

Ultimamente, alguns personagens acolhidos com tapete vermelho pela mídia têm manifestado pontos de vistas semelhantes aos que venho sustentando desde 2008, sobre a punição dos carrascos de 1964/85.

Ou seja, se a grande imprensa ciosamente me mantém fora de suas páginas, não é por eu escrever besteiras, mas pelo motivo diametralmente oposto: o de que minhas consistentes análises não convêm aos interesses dominantes. Exatamente o que ocorria nos EUA, durante os tempos nefandos do macartismo.

Quase cinco anos depois de haver redigido meu polêmico artigo Uma proposta para o acerto das contas do passado, as minhas avaliações e prognósticos se confirmaram amplamente. Quem se der ao trabalho de ler (acesse aqui) e refletir, constatará que os acontecimentos rumaram exatamente na direção por mim prevista.

Quero deixar registrado que, p. ex., o ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi acaba de declarar à imprensa ser "inegociável" a punição dos carrascos da ditadura militar, mas a prisão dos que ainda estão vivos "é dispensável", podendo ser substituída por outras possibilidades de sanção na área civil.

Foi  o que propus naquele momento no qual ficou bem evidenciado que o Executivo e  o Legislativo não tinham nenhuma vontade de (ou coragem suficiente para) encaminhar a revogação da ridícula anistia de 1979, uma verdadeira aberração à luz do Direito, pois ditadores não podem conceder um habeas corpus preventivo para si próprios e para seus esbirros. 

Como a revogação era condição  sine qua non  para que os responsáveis pelos crimes hediondos fossem merecidamente remetidos às prisões, o jeito seria curvarmo-nos à evidência dos fatos e procurarmos alternativa. Mas, muitos preferiram continuar batalhando pelo inviável, ao invés de tentarem garantir o viável.

Agora, a ficha finalmente caiu para o Vannuchi: é importante que os Ustras e Curiós passem à História como condenados, mesmo que não cumpram pena. Assim, aqueles que no futuro sentirem-se tentados a seguir seu infame exemplo, terão motivos para temer que um Estado menos omisso os despache em tempo hábil para o cárcere. A impunidade total lega aos pósteros um precedente muito pior.

Também o filósofo Hélio Schwartsman veio, alguns dias atrás, ao encontro das minhas posições:
"...a anistia de 1979 não resultou de uma negociação entre militares e oposição, mas foi imposta pelos poderosos da época. Pior, mesmo depois de se terem posto fora do alcance de punições, os militares continuaram sonegando informações sobre a estrutura de comando dos subterrâneos da ditadura e o paradeiro dos desaparecidos.
Um julgamento de verdade, que mobilizasse investigadores, promotores e advogados, seria uma ótima oportunidade para esclarecer tudo. Mesmo assim, penso que eventuais condenados nesse processo deveriam ser poupados da cadeia. Punições que chegam 40 anos depois dos fatos já não atingem os autores dos delitos, mas encontram pessoas totalmente distintas, tanto em suas células como em suas ideias..."
Como qualquer dos antigos torturados, é-me impossível sentir a mais remota compaixão pelos "autores dos delitos". Mas, em termos gerais, sempre acreditei que a prescrição dos crimes é uma prática indissociável da civilização. Então, entre minhas convicções e minhas dores, prefiro transcender as dores e manter as convicções.

E há um aspecto pragmático que os companheiros nunca levaram em conta: o povo brasileiro não veria com bons olhos o encarceramento de tais anciães, que a rede direitista exploraria  ad nauseam  em sua propaganda odiosa. Seria darmos um tiro no pé, com relação ao objetivo que deveríamos priorizar, qual seja o de conquistarmos as novas gerações para os ideais em nome dos quais fomos torturados (e muitos dos nossos, covardemente executados).

Precisamos desesperadamente ampliar nossas fileiras, se ainda pretendermos forjar a sociedade igualitária e livre que tínhamos (e temos!) em nossos corações. A tarefa ficou inconclusa, e isto é muito mais importante do que o acerto das contas do passado. 

Finalmente, neste domingo (02) foi a vez do escritor Carlos Heitor Cony destacar o óbvio:
"Não se trata de punir o sargento Azambuja, o comissário Peçanha, o policial Noronha. Todos os criminosos, de agora e de outros regimes de força, alegam que cumpriram ordens. O trabalho da Comissão da Verdade está pecando pela horizontalidade das culpas, quando o importante é exibir para a história a verticalidade dos crimes".
É uma tecla na qual tenho batido insistentemente: toda a cadeia de comando das Forças Armadas, começando pelos generais ditadores, tem de ser responsabilizada pelo arbítrio e suas consequências; e, quanto ao poder real que os personagens detinham para determinar os rumos da ditadura, muito mais culpado pela ocorrência de assassinatos e torturas foi o Delfim Netto (pois os signatários do AI-5 deram sinal verde para todas as atrocidades subsequentes) do que os meros paus mandados como o Ustra, o Curió e o delegado Fleury. 

Quase ninguém mais atira na cara do Delfim Netto o seu pecado capital de haver retirado a coleira dos pitbulls, deixando-os livres para atacarem quem, como e quando quisessem. Eu consideraria uma paródia de justiça se o Ustra fosse processado criminalmente e o Delfim escapasse incólume.

E não me conformo em ver o Ustra tão execrado e o Delfim tão prestigiado, a ponto de haver sido uma espécie de  ghost minister  durante o Governo Lula.