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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Os ucranianos jamais serão escravizados pelos russos --- Saul Leblon, o PT e a volta por cima --- Pussy Riot pede socorro ao General Custer --- A cantada que transformou a Rosa em sereia





O PT chega ao seu V Congresso, nesta 5ª feira, ancorado em um texto-base que desafia o partido, há 11 anos no poder, a ser realista, sem abdicar da utopia.

por: Saul Leblon 

O passado ensina também que a mobilização de nossas bases sociais e políticas ajuda a recompor a sustentação institucional do Governo, inibe aventureiros (inclusive aqueles que se ocultam em uma fraseologia anti-capitalista), e frustra as tentações golpistas que uma crise possa despertar.

O PT chega ao congresso dos seus 33 anos  -- que começa nesta 5ª feira, em Brasília--  ancorado em um texto-base que desafia o partido, há 11 anos no poder, a ser realista, sem abdicar da utopia. Para isso, adianta, precisa regenerar-se como o “intelectual coletivo” que se espera de um partido de esquerda. O PT se perdeu do socialismo, ‘não por negá-lo, mas por ser incapaz de pensá-lo de forma criativa’, diz o documento. Leia a seguir a íntegra da análise elaborada por Marco Aurélio Garcia e Ricardo Berzoini, bem como uma coleção de excertos de outros textos referenciais que marcaram a trajetória do partido.

Documento-base do V Congresso Nacional do PT- 2013

“Basta de realizações, queremos promessas!” Essa inscrição, bizarra e aparentemente insensata, apontava, no entanto, para uma questão crucial: as limitações de algumas experiências de governos de esquerda. Mostrava que o realismo político – que o exercício de responsabilidades governamentais exige – não pode sufocar a utopia, ficar cego e surdo às demandas que surgem na sociedade, mesmo quando elas aparecem como contraditórias.

Na esteira da Convocatória do Quinto Congresso (dezembro de 2012) e da Resolução sobre a situação política, do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (29 de julho de 2013), este documento propõe um conjunto de temas importantes para o debate interno do partido nesta primeira etapa congressual.

INTRODUÇÃO

A Convocatória do Quinto Congresso do Partido dos Trabalhadores (dezembro de 2012) conclamou o PT a realizar um balanço de seus 33 anos de existência e da experiência de uma década do Governo Democrático e Popular, iniciado em 2003 com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, cuja continuidade foi assegurada com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

O documento destacou a Grande Transformação econômica, social e política que mudou a cara do Brasil em 11 anos, projetando o país, de forma inédita, na cena internacional.

Ao mesmo tempo em que celebrava as conquistas de uma década, a Convocatória chamava a atenção para as lacunas que persistem na reflexão partidária.

O PT não tem sido capaz de construir uma narrativa de sua experiência governamental, tarefa de enorme importância política.

A um Governo progressista não bastam realizações – e elas foram muitas e relevantes. É indispensável um discurso que dê conta das transformações realizadas, de seus alcances e limites e, sobretudo, de seus desdobramentos futuros.

É fundamental mostrar como essas mudanças fazem parte de um projeto mais amplo de transformação da sociedade brasileira. Temos de evitar a auto-complacência, a perda de perspectiva crítica e analisar os obstáculos que se colocam à ação governamental e partidária.

Em algum lugar do mundo, apareceu há tempos, nos muros de uma cidade, a consigna “Basta de realizações, queremos promessas!” Essa inscrição, bizarra e aparentemente insensata, apontava, no entanto, para uma questão crucial: as limitações de algumas experiências de governos de esquerda. Mostrava que o realismo político – que o exercício de responsabilidades governamentais exige – não pode sufocar a utopia, ficar cego e surdo às demandas que surgem na sociedade, mesmo quando elas aparecem como contraditórias. 

Resumindo: não é fácil para um Governo, sobretudo de esquerda: 

(1) estabelecer equilíbrio entre ação e reflexão e entre o urgente e o importante;

(2) resolver as dificuldades institucionais e burocráticas que se antepõe à ação governamental e

(3) entender e dar conta das novas reivindicações que surgem na sociedade. 

Mas não é fácil para o Partido, tampouco, realizar a complexa tarefa de apoiar seu Governo e, ao mesmo tempo, empurrá-lo para além dos limites que lhes impõem a conjuntura ou instituições, muitas vezes arcaicas.

Os partidos políticos de oposição, e os meios de comunicação que os substituíram, têm sua versão sobre os onze anos de Governo PT.

Tem sido dito e escrito que os êxitos econômicos de Lula-Dilma foram apenas continuidade do Governo FHC.

Omitiram a herança deixada: recessão, juros abusivos, fortes pressões inflacionárias, descontrole cambial, vulnerabilidade externa, para só citar alguns itens.

As políticas sociais têm sido apresentadas como extensão de iniciativas do Governo anterior. Os mais radicais as desqualificam como “esmola populista”.

A política externa soberana – altiva e ativa – é caracterizada como “isolacionista”, fruto de um “extremismo terceiro-mundista”.

Grupos que, no passado, haviam privatizado o Estado, promovendo desmandos e privilégios, se transformaram em arautos da ética e da moralidade, escondendo as iniciativas, de nossos Governos, de transparência e de combate aos malfeitos nestes 11 últimos anos.

Quem governou longe da sociedade, criminalizando os movimentos sociais, se sente hoje no direito de apontar para supostas tentações “autoritárias” – quando não “totalitárias” – do PT. 

Esses e muitos outros exemplos mostram a necessidade do Partido construir a narrativa de seu Governo. Sem ela, ficamos na defensiva, ao sabor das versões que os monopólios de comunicação constroem cotidianamente.

Desde 2003, sobretudo, temos enfrentado dificuldades em mudar o sistema político brasileiro, verdadeira camisa de força que impede transformações mais profundas e impõe um “Presidencialismo de coalisão”, que corrói o conteúdo programático da ação governamental.

Embora crítico à conciliação que tem marcado a história do Brasil, o partido tem conseguido imprimir novo rumo e ritmo a suas políticas. Mas é ainda prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção e de uma atividade parlamentar que dificulta a mudança, a despeito da vontade das forças progressistas.

O sistema judicial, lento, elitista e pouco transparente, tem sido igualmente permeado por interesses privados. 

As medidas de reforma do Estado não foram capazes de remover os obstáculos burocráticos que criam empecilhos para o avanço mais rápida dos grandes projetos de infraestrutura, vitais para dar nova qualidade a nosso desenvolvimento.

Partido e Governo não souberam, afinal, desenvolver instrumentos de comunicação social que pudessem contra arrestar a permanente ofensiva conservadora dos grandes proprietários de jornais, rádios e televisões.

Na justa celebração das conquistas dos Governos democrático-populares dos 11 últimos anos, não podemos esquecer os enormes déficits sociais que ainda perpassam nossa sociedade: na saúde, na educação, no cotidiano das grandes cidades, especialmente na mobilidade urbana, no enfrentamento da violência e na segurança cidadã. É importante que o Governo afirme que o fim da pobreza é apenas um começo. Mas é importante igualmente avançar na reforma político- institucional do país para dar continuidade e mais velocidade à transição econômica e política em curso no país.

O Governo e o PT, responsáveis pela Grande Transformação da última década, sofreram paradoxalmente os efeitos das mudanças que desencadeamos. Essas  mudanças fizeram emergir novos segmentos sociais, portadores de novas demandas, valores e aspirações que, muitas vezes, não tivemos a capacidade de entender plenamente. Em recentes processos eleitorais - no último pleito municipal de São Paulo, por exemplo – já se havia manifestado o fenômeno da atração de parte do eleitorado tradicionalmente petista por um candidato conservador, revestido de discurso populista. Nas manifestações de rua, de junho último, amplos segmentos da sociedade, sobretudo jovens, expressaram sua desconformidade para com a precariedade de muitas políticas públicas. Mais do que isso, manifestaram de forma difusa e, não raro contraditória, seu desconforto com o sistema e as práticas   políticas brasileiros. Esses protestos atingiram as instituições e os políticos em geral e não pouparam nem mesmo o PT e governantes ligados ao partido.

Sem compreender plenamente o alcance e os limites das mudanças realizadas e o que estão pensando e sentindo os novos atores sociais será impossível superar as dificuldades do momento.

Partido e Governo não souberam, afinal, desenvolver instrumentos de comunicação social que pudessem contra arrestar a permanente ofensiva conservadora dos grandes proprietários de jornais, rádios e televisões. Não se trata de converter o Partido e o Governo em uma academia, mas de atribuir à reflexão política e econômica a importância decisiva que ela tem para uma ação transformadora.

UM MUNDO EM TRANSIÇÃO

Em 2008, a falência do LEMON BROTHERS desencadeou a mais grave crise da economia mundial desde 1929. Nos anos que antecederam esse episódio, muitos analistas denunciavam as ameaças que as políticas econômicas das grandes potências – sobretudo dos Estados Unidos – traziam para o conjunto da humanidade. A desregulamentação financeira havia transformado a economia mundial em um grande cassino, aumentando os riscos inerentes à atividade especulativa. Os Estados Unidos e a União Europeia experimentaram desaceleração, quando não recessão, de suas economias. Já a República Popular da China, depois de mais de duas décadas de crescimento acelerado, chegou à condição de segundo PIB global, com perspectiva de superar os EUA na próxima década, na dependência do êxito que tenha sua nova política de privilegiar a expansão de seu mercado interno.

Nos primeiros anos, a crise afetou desigualmente a economia mundial. Além da China, Brasil, Índia e Rússia, outros países ditos “emergentes”, experimentaram forte expansão, passando a ser responsáveis pelo crescimento da economia mundial.

Mas os efeitos prolongados da crise atingiram, mais tarde, também os emergentes, que não conseguem hoje reproduzir os bons resultados dos últimos anos, como se pode ver do desempenho atual da China e do próprio Brasil, entre outros.

No caso brasileiro, o dinamismo que a expansão do mercado interno criou, ainda que muito importante, não foi suficiente para garantir o crescimento mais acelerado que o país necessitava para dar conta dos enormes desafios que tinha pela frente.

Apesar dos avanços que se observam no Sul do mundo, que a formação e desenvolvimento do BRICS ilustram, as dificuldades que ainda enfrentam as grandes economias capitalistas, semeiam incerteza sobre o futuro.

A expansão monetária praticada originalmente pelos EUA e mais tarde pelo Japão, acarretou graves problemas para as economias emergentes – sobrevalorização de moedas nacionais – afetando sua capacidade exportadora. A mudança recente dessa orientação, por parte do Banco Central (FED) dos EUA, poderá comprometer os investimentos nos países emergentes.

A União Européia, mesmo tendo conseguido superar as ameaças que pesavam sobre o Euro, vive um prolongado período de recessão, agravado pelas políticas de “austeridade”, que estão desmontando o Estado de Bem-Estar, construído no pós Segunda Guerra Mundial. Milhões de homens e mulheres – sobretudo jovens – são lançados no desemprego e na desesperança. A persistência dessas políticas conservadoras, muito semelhantes àquelas praticadas pelos governos latino-americanos nos anos 80/90 do século passado, não encontra respostas à altura na maioria das forças de esquerda do Velho Mundo, estejam elas no Governo ou na oposição. Abrem espaço para o crescimento de grupos de extrema direita, para a proliferação do racismo e da xenofobia e corroem a democracia. Exemplo disso foram os “golpes” políticos aplicados pela alta finança na Grécia e na Itália, que desembocaram na constituição de governos tecnocráticos nesses dois países.

A continuidade dessas políticas tende a aprofundar a recessão, produzindo resultados opostos àqueles pretendidos e anunciados. A América Latina, como foi dito, conhece bem essa história! O capitalismo, quando não sofre pressão das esquerdas, tende a mostrar sua face mais cruel.

Do ponto de vista político, a situação europeia acompanha seu declínio econômico.

A Europa tem sido “terceirizada” pelos Estados Unidos para aventuras militares neo-coloniais na África, sobretudo, ou para provocações como a que envolveu recentemente o constrangimento imposto ao Presidente Evo Morales, “acusado” de transportar em seu avião o cidadão norte-americano Edward Snowden.

Os Estados Unidos superaram a fase mais aguda da crise, em função da força de sua economia, da capacidade de sua produção científica, tecnológica e de inovação – que injeta nova vitalidade a sua indústria – de seu poderio militar, e da autonomia energética que vêm conquistando.

Mas essa potência está enfrentando graves problemas nas esferas social e política.

No âmbito social, a recuperação da economia norte-americana tem sido acompanhada de forte concentração de renda, que aprofunda a desigualdade social.

A divisão que o país atravessa dificulta a adoção de políticas sociais para atenuar as desigualdades. A recente paralisação da atividade governamental, como consequência do boicote Republicano no Congresso, é um exemplo. As pressões conservadoras têm empurrado a política externa mais para a direita, em linha semelhante ao Governo Bush. A prioridade concedida à segurança tem sacrificado os proclamados ideais de liberdade. As “execuções” indiscriminadas, sem julgamento, pelos aviões não-tripulados dos EUA, as denúncias do Wiki Leaks e, mais recentemente, de espionagem global, particularmente no Brasil, corroem a imagem liberal que os EUA pretendem projetar no mundo. O fiasco da posição norte-americana em relação à Síria e as oscilações no caso do Irã, mostram o caráter errático da posição do EUA no mundo.

Hostil ao multilateralismo, os EUA formulam uma política de contenção da China e, mais discretamente, do BRICS. Suas propostas de uma zona de livre comércio com a Europa e a TPP (Parceria Trans-Pacífica) fazem parte dessa estratégia, assim como o estímulo à formação da Aliança do Pacífico, que reedita, de forma pouco disfarçada, o derrotado projeto da ALCA e busca criar uma alternativa ao MERCOSUL, à UNASUL e à CELAC.

A humanidade vive tempos incertos, cuja análise se faz urgente. A história ensina que, em circunstâncias semelhantes, são fortes os riscos de soluções de força para enfrentar as grandes contradições mundiais.

Ganha importância, assim, a política externa brasileira fundada na luta pela paz, na defesa do princípio de não-intervenção nos assuntos internos de outros países, na afirmação do multilateralismo e na constituição de um mundo multipolar capaz de dar nascimento a uma nova correlação de forças mundial.  

Desafios Programáticos

Reiterando que a orientação programática do Quinto Congresso do PT não se confunde com o enfoque que deve ter o Programa  de nossos candidatos nas eleições de 2014, explicitam-se aqui os principais desafios do partido, em uma perspectiva mais duradoura.

* Uma política econômica que, preservando a estabilidade macroeconômica, seja capaz de impulsionar crescimento mais acelerado do país. O fortalecimento do mercado interno é plenamente compatível com um maior dinamismo de nossas exportações. O desenvolvimento será logrado com a expansão do investimento, com a continuidade e aprofundamento da renovação da estrutura logística e energética do país, com maior produtividade, resultante do desenvolvimento da educação e da inovação, e com um controle e regulação maior do capital financeiro, que dê prioridade à atividade produtiva.

* As políticas sociais, em sintonia com a política econômica, como vem ocorrendo, darão seguimento ao combate à pobreza e à desigualdade, por meio de políticas de emprego e renda, crédito, apoio técnico e financeiro a pequena, micro e média propriedades urbana e rural, educação e saúde de qualidade, habitação e saneamento, mobilidade urbana e segurança cidadã.

* O fortalecimento e aprofundamento da democracia, exige um ritmo mais acelerado da reforma do Estado e das instituições políticas e do combate à corrupção. Sem essas mudanças – que incidirão sobre a organização dos partidos, as eleições e a participação social – será impossível superar a crise dos mecanismos de representação, que se arrasta por anos e que ganhou particular importância nos últimos meses.

* Combate à violência do Estado e na sociedade. É urgente  desmilitarizar as polícias estaduais, combater à tortura, reformar radicalmente o sistema prisional. A cidadania e os Direitos Humanos são atingidos duramente pelo massacre sistemático de nossa juventude, pela multiplicação dos atos de violência contra as mulheres, pelas recorrentes manifestações de racismo e/ou homofobia. Não haverá democracia sem cidadania forte. É fundamental a expansão dos direitos civis e a garantia plena de direitos para todos os setores da sociedade – minoritários ou não.

* A política externa do Brasil continuará marcada por uma presença soberana do país no mundo, pela busca da paz, respeito ao Direito Internacional e à autodeterminação dos povos, fortalecimento do multilateralismo e crescente integração da América do Sul, da América Latina e Caribe, assim como aliança com a África.

* Em sua política externa e interna o Brasil defenderá os princípios de uma economia social e ambientalmente sustentável, com todas suas consequências no plano energético, agrícola, industrial e no ordenamento urbano.

* A expansão e qualificação da educação, da ciência, tecnologia e inovação são elementos essenciais para um novo projeto de desenvolvimento e para a extensão da cidadania.

* A socialização dos bens culturais, a valorização das distintas expressões da cultura e a preservação do patrimônio histórico e natural são componentes fundamentais da democratização da sociedade.

(...)

O MOMENTO ATUAL E SEUS DESAFIOS

O Quinto Congresso do PT realizar-se-á em uma conjuntura política excepcional, marcada pelo renascimento de manifestações sociais, como as ocorridas em junho deste ano. A nova situação criada no país a partir dessas mobilizações e as soluções concretas que formos capazes de apresentar e realizar terão influência sobre a estratégia mais geral do Partido e do Governo e, de forma especial, sobre as eleições de 2014. 

A experiência acumulada nos últimos onze anos mostra que a superação de crises políticas semelhantes sempre passou pela mobilização da sociedade, especialmente dos amplos segmentos que historicamente nos têm acompanhado e daqueles que, mais recentemente, foram beneficiados pelas transformações econômicas, sociais e políticas lideradas pelos Governos Lula e Dilma. O passado ensina também que a mobilização de nossas bases sociais e políticas ajuda a recompor a sustentação institucional do Governo, inibe aventureiros, inclusive aqueles que se ocultam em uma fraseologia anti-capitalista, e frustra as tentações golpistas que uma crise possa despertar. [Grifo PressAA]

Parte da sociedade, inclusive aquela beneficiária das transformações dos últimos anos, está insatisfeita com o ritmo – que considera lento – das mudanças e não vê alternativas para suas demandas nos políticos e nas instituições atuais. A violência e o vandalismo, que têm marcado algumas mobilizações, provocam ao mesmo tempo um sentimento de insegurança em parte da sociedade. Criam imagem de desgoverno e de ruptura do tecido social. Animam os aventureiros e os que defendem soluções autoritárias.

(Para ler completo, clique no título)

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Colunista
07/12/2013 
Boaventura de Sousa Santos

Décima primeira carta às esquerdas

Tal como acontece com a democracia, só uma consciência ecológica robusta, anti-capitalista, pode fazer frente com êxito à voragem do capitalismo extrativista.

Tal como acontece com a democracia, só uma consciência e uma ação ecológica robusta, anti-capitalista, pode fazer frente com êxito à voragem do capitalismo extrativista. Ao “ecologismo dos ricos” é preciso contrapôr o “ecologismo dos  pobres”  assente numa economia política não dominada pelo fetichismo do crescimento infinito e do consumismo individualista, e antes baseada nas ideias de reciprocidade, solidariedade, complementaridade vigentes tanto nas relações entre humanos como nas relações entre humanos e a natureza.
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A Pussy Riot Nadezhda Tolokonnikova  se sente abandonada e manda S.O.S. para a Sétima Cavalaria

24/11/2013 

13 de julho de 2013. Querido Slavoj,

Leia a correspondência entre Tolokonnikova, que atualmente cumpre pena num hospital da Sibéria, e Zizek. Tradução de Rodrigo Giordano.




Nadezhda Tolokonnikova e Slavoj Zizek
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13 de julho de 2013
 
Querido Slavoj,
 
Em minha última carta, não fui clara quanto à distinção entre como o capitalismo global funciona na Europa e Estados Unidos por um lado e na Rússia por outro. No entanto, eventos recentes na Rússia - o julgamento de Alexei Navalny, a aprovação de leis inconstitucionais, contra a liberdade - me deixaram furiosa. Sinto-me compelida a falar sobre as práticas políticas e econômicas específicas do meu país. A última vez que sinta tanta raiva foi em 2011, quando Putin declarou que iria concorrer à presidência pela terceira vez. Essa ira foi o que levou ao nascimento do Pussy Riot. O que irá acontecer agora? Só o tempo irá dizer.
 
Tenho um certo cinismo quanto à relação dos países chamados de “primeiro mundo” com as nações mais pobres. Em minha humilde opinião, países desenvolvidos possuem uma lealdade exagerada com governos que oprimim seus cidadãos e violam seus direitos. Os governos americano e europeus colaboram livremente com a Rússia em sua imposição de leis da Idade Média e prisão de políticos opositores. Ainda colaboram com a China, onde a opressão é ainda maior. Quais os limites da tolerância? Quando esta se torna colaboração, conformismo e cumplicidade?
 
E o pensamento de que “deixem eles fazerem o que quiserem com seu próprio país” não funciona mais, afinal, Rússia e China fazem parte do sistema capitalista global.
 
A Rússia de Putin seria massivamente enfraquecida se os países que importam seu petróleo e combustível mostrassem coragem e convicção e parassem com tal comércio. Até se a Europa desse um modesto passo como a aprovação da “Magnistky Law” [A lei Magnistky permite aos Estados Unidos tomarem sanções contra oficiais russos acusados de participarem de violações dos direitos humanos], já seria moralmente relevante. Um boicote às Olimpíadas de Inverno em Sochi seria outro gesto ético. Mas o contínuo comércio de matérias-primas constitui uma aprovação tácita do regime russo - não através de palavras, mas através do dinheiro. Isso trai o desejo de proteger o status quo político e econômico e a divisão do trabalho que moram no coração do sistema econômico mundial.
 
Você citou Marx: “Um sistema social que encalha e enferruja… não tem como sobreviver”. Mas cá estou, cumprindo minha pena em um país em que as dez pessoas que controlam os maiores setores da economia são são os velhos amigos de Vladimir Putin. Ele estudou ou praticou esporte com alguns, e serviu à KGB com outros. Não seria esse um sistema social encalhado? Um sistema feudal?
 
Eu lhe agradeço sinceramente, Slavoj, por suas cartas. E mal posso esperar por sua resposta.
 
Yours, Nadia

Leia o resto da correspondência aquiaquiaquiaqui e aqui .
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Leia também...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O reacionário “Agito das Bucetas” (“Pussy Riot”)

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Tristes bonecas de ventríloquo da Amerika & de suas guerras

Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Pussy Riot, The Unfortunate Dupes of Amerikan Hegemony
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
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Sereia


 Rosa Pena
A camisa pólo Ralph Lauren bem comportada contrastava com o rabo de cavalo preso por um “xuquinha” vermelho. Aquela calça de pregas elegantérrima, apesar de apertada, denunciava coxas grossas deliciosas.

E nos pés, tênis. Sorri e pensei: Vestiram ele todinho para esta festa de casamento e esqueceram do sapato.

Perdi meu olhar naqueles tênis. Quando acordei de meu devaneio, dei de cara com o dono. Sorrimos cúmplices imediatamente. Desviei o olhar super sem graça. Apenas o olhar desviado. A cabeça a mil.

Ambos no final da igreja, cumprindo formalidade.

Acabada a cerimônia, fui para a fila de cumprimentos. Senti aquele delicioso cheiro de mar, mesmo estando tão longe do litoral. Mar tem cheiro de macho, sempre achei isso e continuo a achar. Ouvi um sussurro no meu ouvido.

— O fio da sua meia puxou.

Nem olhei para trás. Sabia que era ele.

— Muito?
— Um pouquinho. Nada que comprometa estas pernas.

Silenciei arrepiada. Tentei disfarçar a excitação.

— Amigo do noivo ou da noiva? Sussurra ele de novo.

Sem olhar respondo:

— Prima do noivo. E você?
— “Ex-noivo” da noiva
— Tá com dor-de-corno?
— Eu sou o próprio. Todo dolorido.
— Que merda, cara. Por que veio então?
— Para ter certeza de que me fodi todinho.
— Muito tempo de relação?
— Muita intensa.
— Vai abraçar a noiva por puro masoquismo?
— Não, é para tirar uma lasca.
— Minha meia rasgou mais?
— O fio puxado está aumentando, já deve estar no meio das suas coxas, onde eu vou estar.

Finjo que não ouço, mas ao mesmo tempo não quero perdê-lo de vista.

— Vai à recepção? — pergunto apressada e ofegante.
— Prefiro ir pra nossa casa.
—Nossa !?

Saímos de fininho da fila.

Lindos pés sem o tênis. Não tinha só o cheiro de mar. Era tão impetuoso como! Bem salgado o gosto. Ótimo para a pressão subir. Bateu vinte.

Virei sereia.

(livro PreTextos)

Rosa Pena, escritora carioca, poesias, crônicas e contos, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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De nossa colaboradora-correspondente Lou Micaldas:

Fernando

Lou, nós agradecemos a você por nos fazer presente nesse espaço tão importante e querido que é o Velhos Amigos.
Abraços
Fernando
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Do nosso colaborador-correspondente Raul Longo:

PLIM! PLIM!

Você já ouviu falar nos ratos de Pavlov?

Ivan Pavlov foi Prêmio Nobel em medicina como fisiologista em 1904, mas a principal descoberta desse russo foi na área da psicologia e ocorreu quase ao acaso quando observou que o cão de seu laboratório salivava ao ouvir os passos do encarregado em alimentá-lo.

Pavlov então pediu ao assistente que se aproximasse em momento logo após o cão ter saciado a fome. E observou que o animal salivava novamente.

Assim Pavlov descobriu o reflexo condicionado e continuou desenvolvendo inúmeras pesquisas com ratos.

Quem observava as experiências de Pavlov tinha a impressão de que o cientista havia ensinado os ratos a serem inteligentes, pois chegavam a resolver complexos problemas para chegar à alimentação, mas Pavlov sabia que os ratos eram apenas ratos e não tinham inteligência alguma. Apenas respondiam ao condicionamento a que ele os submetera.

A matéria do Alexandre Tambelli aqui copiada e que também pode ser lida pelo link:


Postado por Luís Nassif
 seg, 09/12/2013 - Por Alexandre Tambelli

é bastante longa, mas se quiser entender de que forma a Rede Globo e as maiores empresas de comunicações do país se comportam como Pavlov, você precisa ler essa análise.

Leia e descobrirá quem é o rato de Pavlov. Ou melhor, quem são os ratos da Globo e da mídia brasileira!  



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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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