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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Discurso de despedida ao pai, de Joao Vicente Goulart

Discurso de despedida ao pai, de Joao Vicente Goulart proferido na Igraja Matriz de São borja, RS
João Vicente no cemitério em São Borja.

(JANGO, DOIS ENTERROS E A COVA DE UMA DITADURA)


-São Borjenses, obrigado a todos pela presença neste segundo enterro de Jango!
Agradeço a todos em nome de minha família aqui presente.

Percorremos um longo caminho, percorremos um pálido destino, avançamos num estreito beco de sufocadas biografias e atingimos o ápice de memórias em escritas de papiros.

Começamos a viver quando a morte nos ensinou a renascer, e só resuscitamos quando o fôlego sucumbiu ao tempo, vendo os ditadores pastar nas pradeiras que plantamos, nos campos, na vida, e na história que tínhamos a contar; um dia, todos os dias da existência que passamos a venerar.

Dias de vitória, que começamos a contar.

Desenterrar-te tantos anos depois é um manifesto de luta e de não desistir da verdade, de não desistir do povo que amastes, da gente que quisestes, das saudades eternas que levastes contigo, do dia a dia que cobre tua memória presente e de tua luta constante, atual, passageira da contagem da vida que passa ao longo dos trilhos, com passagem de ida ao destino, com passagem de volta à história, na estação Brasil.

O que se nega um dia se manifesta após anos como vitória.

Ao homem o que é do homem, à história a concessão absoluta de seus mártires para a guarda de seus destinos.

Caminhante digno que conhece seu destino, bem sabe que não existe caminho; ele se faz ao andar.

E aos destinos de um povo a concessão de um nome: “Jango”, dois enterros e a cova de uma ditadura.

A ruptura maquiavélica e inconstitucional do Golpe nunca mais acontecerá, pois o exemplo dos caídos tremula hoje nos ventos da Liberdade.

Estamos em nome dela, da liberdade e democracia, também enterrando uma ditadura neste novo mar da legalidade e de um povo livre, no grito da emancipação de nossos brios que soam em ecos e ondas percorrendo os recantos da geografia de nosso país sofrido.

Não adianta que reminiscências do arbítrio e do autoritarismo tentem novamente afogar o grito de liberdade em nossas águas profundas, pois vivemos num oceano de liberdade e flutuamos límpidos na conquista democrática e no prosseguimento ao destino em busca da justiça social.

Saístes do escuro, como quem sai para mostrar aos descrentes que a história também se faz ao andar, ao morrer e ao renascer, ao ressuscitar com dignidade ante a história de teu povo e ao partir novamente abraçado à justiça, caminhando livre com a certeza do dever cumprido.

Aqueles que oprimiram estão calados, enterrados, sem brilho e sem destino ao terem que em suas biografias olharem seus uniformes manchados com a escuridão dos golpistas à luz da Liberdade unívoca, que os sufoca e cega, pois ela não está no fundo da caverna e nem se conhece por sua sombra.

Sequer é adjetivável. È a Liberdade.

Não adiantam as mentiras, não adianta sufocar o povo que amastes.

Em ti hoje teu povo resgata o seu passado, sem armas ou baionetas, coturnos ou prepotência, pois a força não impede a verdade.

- Jango, meu pai, vai em paz!

A Democracia venceu!

João Vicente Goulart.

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