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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

[Pedro Casaldáliga] ‘Minhas causas valem mais do que minha vida’

enviado por Vitor B.
[Pedro Casaldáliga] ‘Minhas causas valem mais do que minha vida’
Carlos Ayala Ramírez
Adital
Uma das atividades que gerou mais entusiasmo e participação no contexto do 24º aniversário dos mártires da UCA (Universidad Centroamericana, em El Salvador) foi a pré-estreia do filme Descalço sobre a Terra Vermelha (Descalzo sobre la Tierra Roja), que narra a vida do bispo emérito Pedro Casaldáliga, figura emblemática da mais genuína tradição cristã libertadora da América Latina.
Tradução: ADITAL
Uma convicção do próprio Casaldáliga parece ser o fio condutor do filme. "Minhas causas valem mais do que minha vida”. Quais são essas causas? Citamos três que aparecem com maior força nessa produção cinematográfica.
A causa da terra
Sabe-se que durante a década dos 70, no Brasil, em plena ditadura militar, houve um processo de intensificação do desenvolvimento industrial, fruto do estímulo oferecido pela ditadura aos grandes capitais estrangeiros. Nessa década de grande repressão e sem vontade de reforma agrária, os militares distribuíram a população brasileira ao longo das fronteiras geográficas do país, especialmente na fronteira oeste e na Amazônia. Devido à modernização da indústria, que já não conseguia absorver toda a mão de obra procedente do campo, forçaram a emigração dos camponeses para o oeste, especialmente para o Mato Grosso. O filme coloca nesse contexto o trabalho que desenvolverá Dom Pedro Casaldáliga.
O bispo, profeta e poeta, assim descreve: "Percorrendo a região e vivendo em meio de vocês, fomos vendo quais eram as maiores dificuldades e sofrimentos do povo: problemas de terra para os camponeses, em luta com os grandes latifundiários; má administração e politicagem das autoridades locais; falta de atenção total em saúde, educação, comunicações; caciquismo e exploração no comércio; escravidão dos peões nas fazendas agropecuárias; arbitrariedade da Polícia Militar(...). Não podíamos ver tudo isso e ficar de braços cruzados. Quem acredita em Deus, deve acreditar na dignidade do ser humano. Quem ama ao Pai, deve servir aos irmãos. O Evangelho é um fogo que queima a tranquilidade de qualquer um. Não se pode ser cristão e suportar a injustiça com a boca fechada. Jesus diz no Evangelho que Ele nos julgará no último dia pelo que tenhamos feito com nossos irmãos mais pobres e oprimidos”.
A causa dos pobres
Segundo Leonardo Boff, provavelmente, o mérito maior do bispo Casaldáliga foi o de ter levado a sério os desafios que os pobres do mundo inteiro e especialmente os na América Latina nos apresentam. Certamente, vivenciou o seguinte processo: primeiro, deixar-se comover e encher-se de compaixão ante o sofrimento humano do pobre. Em seguida, a atitude de indignação e compromisso frente à realidade coletiva de miséria. O amor e a indignação estão na base de suas práticas que tendem a erradicar a pobreza. Esses sentimentos, ressalta Boff, fizeram com que Dom Pedro deixasse a Espanha, fosse para a África e, por fim, desembarcasse no interior do Brasil, onde camponeses e indígenas padecem ante a voracidade do capital nacional e internacional.
Dom Pedro dá testemunho nos seguintes termos: "Se a opção pelos pobres significa colocar-se ao lado dos pobres e contra sua pobreza e marginalização, a opção que também for feita pelos ricos levará a colocar-se ao lado de suas pessoas; porém, contra seu lucro e privilégios. Se não for assim, voltaremos ao de sempre. Todos irmãos em Adão e em Deus; porém, cada um em seu lugar social; uns passando muito bem e, outros, passando muito mal (...). É evidente que a salvação de Cristo é universal. É oferecida a todos. Porém, passa por um caminho certo. O reconhecimento efetivo do próximo como igual, como irmão. Com todas as consequências. Ninguém é igual quando se vê obrigado a viver de forma tão diferente (...). Se Cristo é a riqueza dos pobres, por que não é a pobreza dos ricos, para ser a irmandade com todos?
A causa dos mártires
Para Jon Sobrino, os mártires latino-americanos foram mortos por defender aos pobres e aos inocentes e indefesos que morriam a morte lenta da opressão e a morte violenta da repressão. E explica que houve mártires porque, antes, também houve vítimas. Portanto, antes de pensar nos mártires, temos que rememorar os pobres e as vítimas. Casaldáliga, agrega Sobrino, sempre as tem presentes e, periodicamente, recorda a verdade do mundo vitimizado.
Dom Pedro, ao dar testemunho dessa causa, afirma: "O martírio na América Latina passou a ser uma marca generalizada. Aquelas marcas do Apocalipse chegaram a ser a marca de todo o povo. Todo o povo latino-americano que tem consciência e vontade de defender a Causa da Libertação, as próprias raízes da identidade, que luta pelos direitos humanos, é um povo marcado para uma morte anunciada (...). Tornou-se habitual celebrar datas, até o ponto em que o calendário da América Latina tingiu-se todo de vermelho. Cada dia há um ou vários mártires”. E, referindo-se, de maneira poética, aos mártires da UCA, expressou: "Já sois a verdade em cruz / e a ciência em profecia / e é total a Companhia, / companheiros de Jesus. O juramento cumprido na UCA / e o povo ferido ditam a mesma lição / desde as cátedras covas / e Obdulio cuida das rosas de nossa libertação”.
As causas da terra, dos pobres e dos mártires são partes essenciais da vida de Dom Pedro Casaldáliga, refletidas de forma magistral no filme Descalço sobre a Terra Vermelha.

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