Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?

Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?
LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA KIT COLETA Todo cidadão/cidadã pode buscar voluntariamente as assinaturas para o projeto. Disponibilizamos abaixo um kit com o material necessário para o diálogo nas ruas. Clique na imagem acima.

Seguidores

#naovaitergolpe

#naovaitergolpe
Acesse Frente Brasil Popular

quinta-feira, 18 de julho de 2013

PORTAL - A Comissão da Verdade e o assassinato de Rubens Paiva


PORTAL - A Comissão da Verdade e o assassinato de Rubens Paiva

Quinta, 18 Julho 2013 11:47
“Para os parentes, Rubens Paiva foi preso, torturado e morto. Já a versão sustentada pelo Exército é a de que o ex-deputado fugiu em um resgate enquanto era levado para reconhecer uma casa no subúrbio do Rio”.
Por Jasson de Oliveira Andrade
Rubens-Paiva
Em artigo anterior, escrevi que uma das finalidades da Comissão da Verdade é esclarecer o desaparecimento de presos políticos assassinados nos porões da Ditadura, cujos corpos nunca foram encontrados. O maior exemplo foi o que ocorreu com o ex-deputado Rubens Paiva (PTB). Ele foi preso e desapareceu. Até pouco tempo o ex-deputado era o único morto/vivo. Para os parentes, Rubens Paiva foi preso, torturado e morto. Já a versão sustentada pelo Exército é a de que o ex-deputado fugiu em um resgate enquanto era levado para reconhecer uma casa no subúrbio do Rio. No entanto, relatos de testemunhas afirmam que ele morreu sob tortura. A versão dos militares foi desmascarada, desmentida, por um documento que a Comissão da Verdade descobriu. É o que veremos a seguir.
Pesquisas feitas pelo jornalista e escritor Jason Tércio, que constam de seu livro “Segredo de Estado – O desaparecimento de Rubens Paiva”, desmentem a versão do Exército e confirmam a morte do ex-deputado por tortura no Doi-Codi do Rio. Posteriormente, em fevereiro de 2013, a Comissão da Verdade descobriu documentos na casa de um oficial do Exército, coronel reformado Júlio Miguel Molinas Dias, vítima de um latrocínio em Porto Alegre. Por esses documentos, se confirma que ele foi realmente preso e morto. E desmente a versão do Exército de que Rubens Paiva havia sido libertado por amigos. Isto nunca aconteceu.
Depois de descobertos esses documentos, Roldão Arruda, do Estadão, em 8/2/2013, entrevistou o escritor Marcelo Rubens Paiva, colunista do jornal e filho do ex-deputado. O jornalista lhe perguntou: Como você recebeu as informações da Comissão da Verdade? Resposta: “A novidade real apresentada pela comissão é que finalmente documentos internos do Exército estão vindo a público, estão finalmente surgindo papéis timbrados provando o que já se sabia. Nós já sabíamos quando e como o meu pai foi preso – a família toda estava presente e testemunhou - , como foi torturado, como morreu. Sabemos há mais de quarenta anos [o fato se deu em 1971] que ele não saiu vivo do DOI-Codi do Rio. O médico Amilcar Lobo, que trabalhou para o DOI-Codi e viu meu pai sendo torturado e morto, já descreveu essa morte no livro “A Hora do Lobo”. A diferença é que até agora era baseado em depoimentos de pessoas”. Ao ser perguntado “o que muda para você?” Marcelo Rubens Paiva respondeu: “O que vai mudar é o que vem agora, o que não foi revelado: em qual dia foi morto? Para onde foi o corpo? Quem deu as ordens? Ele foi esquartejado? Quem levou o corpo? Quem matou vai ser chamado a depor? Já sabemos que um deles morreu e dois estão vivos. Só eles vão responder? Será que, como sempre aconteceu no Brasil, a corda vai estourar no lado da ralé?” O escritor ainda acrescentou: “Quem sobreviveu são oficialzinhos do Exército. Eles é que vão responder? Só quem bateu é responsável? Quem mandou? Quem era o comandante? Por que havia tortura? Por que o DOI-Codi? Por que meu pai foi preso? Por que o golpe de 1964? O que o empresariado americano queria com o golpe? E o empresariado brasileiro?” No final da entrevista, Marcelo Rubens Paiva fez essa surpreendente revelação: “Outra coisa: minha mãe ficou presa nesse mesmo DOI-Codi e nesse mesmo período durante treze dias (sic). Cadê o documento sobre a prisão dela? Por que ficou presa?”. Sem esse documento quem cometeu essa arbitrariedade não pode ser punida! A mãe esteve presa, mas oficialmente não foi presa! Era assim no tempo da Ditadura.
Só essa descoberta da Comissão da Verdade valeria a sua nobre missão. E justifica a sua existência. Quem é contra ou procura desmoralizá-la tem algum motivo oculto (procura se proteger pelo crime que cometeu: prisão, tortura, desaparecimento e morte). Existem ainda as “viúvas” do Golpe!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.
.


Nenhum comentário:

Postar um comentário