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terça-feira, 16 de julho de 2013

Leitura importante: A Voz Aguda e Firme da Periferia

From: Julio Cesar Macedo Amorim
CartaCapital n˚757

A Voz Aguda e Firme da Periferia
Celso Amorim – O ministro conta as dificuldades de quem cuida de contrastar os interesses americanos
Por Mauricio Dias

Em “Breves Narrativas Diplomáticas”, livro intenso nas 168 páginas que o compõem, o ex-chanceler Celso Amorim constrói o cenário da política externa brasileira nos primeiros anos do primeiro governo Lula. Esse período marca o rompimento do cordão umbilical do País com os EUA, após anos de submissão.
A partir desse momento, o Brasil, como registrou o compositor Chico Buarque durante a última campanha presidencial, passou a tratar todos os países de igual para igual: “Não fala fino com os fortes e nem grosso com os mais fracos”. Passou a ser assim, mundo afora, o tom do chanceler Celso Amorim.
É fácil ser antiamericano. Difícil é construir o muro de defesa contra os interesses do império quando se está no poder em um país da periferia. De cara zangada os conservadores, dentro e fora do Itamaraty, batizam essa fase do governo Lula como expressão de antiamericanismo pueril.
Mas Amorim vai na contramão dessa gente. Após 12 anos com o leme da política externa, Amorim consolidou ainda mais o que já tinha como certeza:
Os momentos de maior confiança entre Brasil e EUA não são os de alinhamento automático, mas os de uma atitude independente e firme, porém aberta ao diálogo.
As “narrativas” do ex-ministro das Relações Exteriores, hoje Ministro da Defesa do Governo Dilma, mostram que não é fácil sair do aconchego das decisões ditadas pela Casa Branca. Os governantes mais fracos, conservadores, não resistem e cometem erros irreparáveis que a história cobrará. É o caso da decisão do ex-presidente Fernando Henrique ao assinar o tratado de não-proliferação nuclear. O Brasil, incluindo o período dos militares, resistiu às pressões.
Tucanos brasileiros devem ter parentesco com falcões norte-americanos. Em todos esses episódios o Brasil enfrentava forte reação da imprensa internacional e da imprensa “quinta coluna” nacional.
Não é preciso ter sentimentos infantis, muito pelo contrário, contra os EUA quando se comanda a diplomacia brasileira. O alinhamento parece ser o caminho natural. Tão natural que um dos nossos ex-chanceleres, o baiano Juracy Magalhães, deduziu publicamente sem nenhum pudor: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.
Não é não. Vários temas comentados por Amorim comprovam isso: a posição do Brasil no ataque ao Iraque. As circustâncias que cercaram a indicação de Pinheiro Guimarães para o segundo posto no Itamaraty. Ou, ainda, o confronto com Bob Zoellick, representante comercial dos EUA. As questões que Amorim narra oferecem lições. Eis uma delas: “é impossível, no caso do comércio, separar a razão dos interesses”.
Este livro nasceu dos passos e das ações registradas em pequenos cadernos de notas que Celso Amorim sempre carregava. Na ausência deles, foram úteis para isso os menus dos jantares, envelopes de correspondência e blocos de recados dos hotéis.
Paulista de Santos, ele foi ministro das Relações Exteriores do Brasil por mais de uma década. A primeira delas no governo Itamar Franco (1993-1995) e a segunda no governo Lula (2003-2010). Esse longo período à frente do Itamaraty o levou a superar por alguns meses nessa função o Barão do Rio Branco (1902-1912), tornado, por méritos, o patrono da diplomacia brasileira. Os tempos do Barão e de Amorim são diferentes. Desiguais eram os interesses do País e uma grande distância marca o sentimento político de cada um. Amorim é progressista. O Barão, conservador.
São dois tipos diplomáticos. Mas é possível julgar que eles não tirariam os sapatos para a revista de guardas de aeroportos internacionais subjugando, em gesto servil, a própria soberania do País. Como, em certo momento, um chanceler brasileiro tirou.

[A rede castorphoto 

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