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sábado, 22 de junho de 2013

Sério colóquio futriqueiro no Bar São Jorge




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Os pauteiros da PressAA, saíram ontem do Bar São Jorge, um tanto borrachos, e voltaram para a redação. Minutos depois, o proprietário do bar ligou para o editor-assaz-atroz-chefe, e contou que, logo que os gazeteiros saíram, dois jornalistas sérios entraram no boteco e desenrolaram um colóquio futriqueiro. Aí, bateu pra nós, pra nós poder bater pra nossa a patota.

Ainda ontem, telefonaram para nossa redação, dado uma dica perspicaz:

“Tinha manifestante usando a máscara do V, Guy Fawkes, e gritava "Não Violência!". Acho que uma coisa não bate com a outra. Não é bem assim que o personagem acha que as coisas seriam mudadas...

(Não entendemos bem o que o rapaz quis dizer, mas vale o registro)

Outro ligou e disse:

“Escuta: vocês perceberam que, nos primeiros momentos das manifestações, os telejornais chamavam os vândalos de vândalos mesmo. Logo passaram a chamá-los de minorias radicas. E assim ficaram falando durante muitos dias. Agora passaram a chamá-los pelo verdadeiro nome: bandidos! Alternando com baderneiros. Acho que, se o movimento se reverter em favor do governo, eles vão chamar os caras de incompetentes! O que vocês acham...?”

(A linha caiu)

Nós não achamos nada. Pelo contrário, perdemos celulares, uma minicâmera, e até a Brasília amarela da nossa equipe de reportagem foi esculachada.

Mas vamos ao bate-papo que rolou no Bar São Jorge depois de nossa saída:

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Escrevinhador: ― A marcha em São Paulo, nesta quinta-feira, foi convocada pelo MPL, Movimento Passe Livre, para comemorar a vitória obtida com a redução nas tarifas de ônibus e metrô. Era pra ser uma festa. Virou mais uma sintoma preocupante do avanço da extrema-direita nas ruas. Um manifestante mordeu a bandeira do PT. Outras bandeiras foram queimadas. Nenhuma era de partidos de direita, como PSDB ou DEM. Não. O ódio “anti-partido” tem um sentido muito claro. 

Náufrago: ― "A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra." Não sou fã incondicional do velho Mao Tsé-Tung, mas ele tinha lá seus momentos. Esta frase é uma pérola.

Escrevinhador: ― Eu estava lá. Vi de perto. Como já acontecera em outras manifestações nas últimas duas semanas, grupos organizados  e que se dizem “apartidários”, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão, tentaram impedir que os partidos políticos e as organizações sociais erguessem suas bandeiras na avenida Paulista. Agrediram militantes do PSTU, xingaram a turma do PSOL e ameaçaram a militância do PT. Na minha frente, um homem com capacete de motoqueiro e jaqueta de couro tentou bater numa senhora com mais de 60 anos, que carregava uma bandeira vermelha. “O PT não vai sair desse quarteirão, não vamos deixar o PT pisar aqui, é a nossa avenida”, o homem gritava descontrolado.

Náufrago: ― Muitos companheiros estão assustados com o rumo que os protestos de rua tomaram em Sampa. Como a participação da direita fardada foi catastrófica, agora é a direita de jeans que reage ao movimento, com mais argúcia.

Escrevinhador: ― Acho que há bons motivos, sempre, para criticar os partidos. Faz parte da Democracia. O PT, especialmente, pode ser criticado por ter cedido demais aos “acertos de gabinete”. Mas querer impedir, na marra, que partidos e organizações sociais participem de um ato público não tem outro nome: fascismo. 

Náufrago: ― E, também, com uma aparente forcinha do PT. Não dá para acreditarmos que o Rui Falcão mandasse militantes embandeirados para o olho do furacão sem prever que seriam hostilizados. Meu palpite é bem outro: ele queria que acontecesse exatamente o que aconteceu.

Escrevinhador: ― Não é nenhum exagero. Quem estava lá na Paulista sentiu de perto. O clima de ódio era tão grande que a manifestação adotou um formato curioso: em uma faixa da avenida, marcharam o MPL, seguido por UJS, UNE, MST e por militantes de partidos como PT, PSOL, PSTU e PCO, estes três bastante críticos em relação a Dilma e ao PT.



Bate-papo editado pelos pauteiros da PressAA.

Para ler a polêmica discussão original na íntegra, acesse o blog da redação desta nossa virtual Agência Assaz Atroz: O Náufrago e o Escrevinhador brindam coquetéis molotov no Bar São Jorge



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Leia Também... (Recebido por e-mail do jornalista pernambucano Ruy Sarinho)

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O dia em que quase vou a nocaute… e a crônica do despertar ‘entre a esperança e o medo’

infiltrados-2
por Sulamita Esteliam
E aí, ainda curtindo a ressaca moral e cívica (Ai, ai, ai …! Isso é memória prostativa, prescritiva ou pró-ativa…)? 
Podem me chamar de paranóica, não tem importância: devo confessar que, ontem, desligado o piloto automático, caí da perplexidade para o estado de choque, e quase vou a nocaute. Salvaram-me minhas ancestrais sertanejas de todos os quintos das Gerais.
Perguntar não ofende: e a Dilma, quando é que vai à TV falar para o povo deste Brasil, quase, em esquizofrenia!?
Bom, tenho muito trabalho, ainda, que está à minha espera desde o primeiro dos últimos dois dias. E hoje é sexta-feira, bolas!
Entonces, com a permissão dos honram este blogue com o acesso, transcrevo crônica de Homero Fonseca, respeitado jornalista e escritor pernambucano. Gentilmente enviada pelo amigo e leitor ilustre, Ruy Sarinho, também pernambucano, jornalista e homem de rádio. É meu Dom Quixote preferido, que ajuda a lavar minh’alma diletante com o bilhete que, antes, reproduzo:
“Doutora A Tal Mineira Sulamita Esteliam (com alma pernambucana, inspirada no Frei Caneca), que também gosta da caneca com chope …
Enviei o seu último artigo, sobre os oportunistas dos protestos, para Roberto Almeida. Ele adorou, já tinha escrito coisas na mesma linha. E mandou para mim, depois, um texto genial de Homero Fonseca, que já foi meu chefe em campanha política. Merece ser postado e espalhado Brasil e mundo afora. Vou gravá-lo com o melhor locutor/intérprete que temos em Recife, Tony Araújo, locutor único da Sintonia, para espalhar em rádios comunitárias e rádios-web. Espero que possa enriquecer o seu Blog, com lado e ideologias definidos.
Um abraço pernambucano,
Ruy Sarinho”
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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