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terça-feira, 11 de junho de 2013

Dilma e Lula precisam se relacionar como irmãos: brigando entre si pela “herança maldita”!





Fernando Soares Campos



Quando anunciaram que Dilma seria a candidata à sucessão de Lula, em 2010, com apenas 2% de intenções de voto apontados pelos institutos de pesquisa, muita gente falou que ela não se elegeria e que os petistas e aliados acabariam se rendendo à proposta de alterar a Constituição e implantar o “terceiro mandato”. Recebemos, inclusive, mensagem de um grande jornalista brasileiro, hoje atuando na Europa, informando que viria ao Brasil com o propósito de incentivar os defensores do governo trabalhista a deflagrar um movimento a favor da reeleição de Lula. Respondemos a ele que “ficasse frio”, tranquilo; pois, como a própria oposição gracejava maliciosamente, tendo Lula como cabo eleitoral até um poste seria eleito. Parece que eles tinham razão: o “poste” foi eleito presidente da República. Mas esse poste dá, deitada, seus bebês à luz.

Os suportes midiáticos da imprensa empresarial disseminavam os mais ambíguos comentários, opiniões e futricas sobre a questão do possível terceiro mandato de Lula. Uns já se adiantavam berrando que Lula queria se tornar o Chávez brasileiro (até hoje dizem que ele é...). Outros falavam que provavelmente haveria compra de voto de parlamentares para a aprovação de emenda constitucional, um “mensalão2”. Mas não faziam qualquer referência à aprovação da emenda que instituiu a reeleição de presidente da República, isso no primeiro mandato do governo de Fernando Henrique Cardoso. A tchiurma de FHC comprou votos para aprovação de emenda constitucional instituindo a sua reeleição. E, contrariando dispositivos legais que determinavam que, apesar de aprovada a emenda, esta somente teria validade na eleição seguinte ao mandato do presidente que sucedesse FHC, mesmo assim este foi eleito no primeiro turno das eleições. O STF não se manifestou contrário a essa aplicação (i)legal. Também não importunou muito o deputado Ronnie Von Santiago (PFL – hoje DEM), que confessou ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do Coisa Ruim. Já no caso do “mensalão” petista, apenas o próprio acusador Roberto Jefferson confessou ter recebido dinheiro do PT para os deputados de sua legenda (PTB) apoiarem votações, na Câmara, favoráveis aos projetos do governo. Depois, Jeff desmentiu, mentiu de novo, desmentiu... mentiu... Prevaleceu o dito sobre o não-dito. E Jefferson ganhou a alcunha de “dedo-duro”, conferida pelos próprios comparsas da guerra golpista. “Ele é alcaguete, mas é nosso alcaguete!”

O golpe de jogar um de encontro ao outro

Já faz muito tempo que a oposição, que não tem costume de ficar nessa posição, anda, à falta de projeto político e argumentos consistentes, por diversas veredas obscuras, umbráticas, tentando retornar ao Palácio do Planalto, do qual eles se consideram legítimos herdeiros. Até acusam o ex-operário, retirante da seca do Nordeste, de ter-lhes usurpado o trono, devido a um cochilo, ou distração, num momento em que precisavam se livrar de stalinistas, marxistas, leninistas e até de brizolistas ― não existe crime perfeito, o que existe mesmo é justiça falha, faltante ou tardia. Porém, antes tarde do que nunca.

Desde o primeiro ano do governo Lula, a imprensa manobrista e as oposições de direita e de esquerda sectária têm tentado conquistar parceiros e comparsas até mesmo no PT. Em 2005, com o escândalo do “mensalão”, conseguiram colocar algumas madalenas arrependidas de joelho fazendo mea-culpa, chorando lágrimas de crocodilo para as câmeras de televisão. Outros supliciaram em talk shows, em que talk is cheap, e prevalece uma small talk, como foi o caso do senador Eduardo Suplicy, que, ao ser perguntado por que um político “tão honesto” como ele não saía do PT, apenas esboçava um sorriso maroto e desconversava. Mas o telespectador sacava que ele permanecia no partido pelos votos que a legenda ainda gerava. No entanto, se os golpistas viessem a ter êxito em suas escusas investidas, culminando no impeachment de Lula, ele não contaria até três, cairia fora.

Agora, pesquisa do Data Folha indica que “Lula se elegeria no primeiro turno das eleições” de 2014. E, também no primeiro turno, Dilma ganharia, mas um tanto apertada. A pesquisa aponta a corrida, o sobe-e-desce de outros possíveis candidatos: Joaquim Barbosa, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves (“o único que cresceu em relação ao levantamento de março”, informa a matéria).

Muito generosa essa pesquisa do Data Folha, empresa do grupo Folha de São Paulo, uma das que mais destilam ódio contra os petistas. Eles mesmos, de vez em quando, estão acusando o PT de fazer propaganda eleitoral antecipada, transgredindo a legislação. Desconfio que o escuso objetivo dessa vez é incrementar a discórdia entre petistas e aliados (como o PSB de Eduardo Campos, por exemplo), criar clima de receio (medo mesmo), entre os governistas. Medo de Dilma “perder” a reeleição, como aconteceu com Michelle Bachelet, no Chile, que, apesar da sua imensa popularidade, não conseguiu eleger seu candidato à sucessão presidencial. Depois de passar 20 anos fora do poder, a direita chilena voltou “para ficar”.

Os comentários e opiniões dos articulistas de plantão me deixam com a pulga atrás da orelha.

Vejamos:

A colunista do Painel, da Folha, Vera Magalhães, insinuou o coro"Volta Lula" diante da pesquisa Datafolha deste final de semana que mostra melhor aprovação do ex-presidente em relação a Dilma Rousseff. Leia:

Colunista da Folha destaca preferência de pessimistas com o rumo da economia pelo ex-presidente, que tem 43% das intenções desses votos contra 29% da presidente, segundo o Datafolha; "No geral, o estrago para Dilma é maior entre os eleitores preocupados com perdas no próprio orçamento (sua preferência cai de 51% para 31%)"


Segundo ele, aliados já ensaiam uma torcida pela volta de Lula. Leia:

Segundo colunista, cresce entre os partidos aliados a torcida silenciosa pela volta de Lula. “Dilma é temida. Amada? Bem, só por Aloizio Mercadante, ministro da Educação”; para Noblat, presidente não é gerente sintonizada com as exigências dos tempos modernos, muito menos gestora admirável; atrapalhada na condução da economia e um rotundo desastre no exercício cotidiano da política

Ainda acenam com a possibilidade de Lula vencer Alckmin na disputa pelo Palácio dos BandeirantesPara Data Folha, só Lula ameaça Alckmin em SP”. 

Pelo que me consta, até um noia da Boca do Lixo poderia ameaçar o Picolé de Chuchu.

Com essa pesquisa do Data Folha, fiquei cá com meus botões imaginando: “Creio que eles concluíram que Dilma está imbatível. Pode ser que com muitos golpes midiáticos consigam reverter o quadro. Lula, que passou por sérios problemas de saúde, pode estar debilitado e talvez seja menos difícil... (vá lá!) ...mais fácil abatê-lo dessa vez”. Mas meus botões às vezes me confundem. O fato é que estão muito assanhados, e isso  pode ser indicativo de que, hoje, eles têm mais medo de Dilma nas urnas do que de Lula, sabem que Dilma tem, talvez, mais chances que Lula.


Ano passado o intelectual opinioso Fernando Henrique Cardoso escreveu artigo, publicado e distribuído pela imprensa grande, falando que Dilma estaria enfrentando sérias dificuldades em seu governo devido a suposta “herança maldita” deixada por Lula. O objetivo estava claro: fazer Dilma ouvir o canto da sereia e, pelo menos, agradecer as “análises” de sua geniosa ex-excelência. Estaria assim plantada a semente da discórdia entre Dilma e Lula. Porém, pelo contrário, a presidenta mandou de volta, na mesma medida, um petardo dizendo que “herança maldita” foi a que ele deixou para Lula e para todo o povo brasileiro. E que tudo estava indo bem em sua administração. Melhor seria se os entreguistas de antanho se arrependessem e passassem a trabalhar pelo desenvolvimento da Nação, redimindo-se dos pecados de lesa-pátria que  cometeram quando tinham o poder nas mãos.  Este episódio nos inspirou a escrever uma paródia fabulosa:


Quando Barack Obama disse que Lula era “o cara”, mandamos essa frase freudiana para o presidente: “Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio”.


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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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