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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Blogs do PIG, demagogia e plágio




 Fernando Soares Campos



O Wikcionário ― um dicionário online ― registra o neologismo “blogueiro” com as seguintes acepções: 1. autor de blog; 2. pessoa que costuma acessar blog; e 3. administrador de blog. Entretanto, creio que caberia acrescentar mais um significado: (pejorativo) “Jornalista que virou jornaleiro a troco de uma jorna”.
                                                         
A função do jornaleiro é nobre, pois tem como objetivo a digna tarefa de prover a subsistência, mas o propósito do jornalista-jornaleiro é pobre, visto que se trata do aviltamento da profissão.

Muitos são os jornalistas que se tornaram meros blogueiros, ou jornalistas-jornaleiros. Eles fazem malabarismos mentais, cometem estelionatos intelectuais, a fim de vender jornal, ou, o que é mais grave, obter privilégios para si ou para seus patrões/donos; induzindo seus leitores a falsas concepções. Alguns deles, devido às suas arraigadas maneiras de extrapolar as próprias orientações editoriais das corporações jornalísticas para as quais colaboram, são taxados de “esgoto”: canalizam o ódio, o preconceito, a inveja... e funcionam como válvulas de escape de pessoas mal informadas, em quem provocam mal resolvidas catarses.

Já fazia muito tempo que eu não acessava o portal de um jornal grande, desses cujas edições impressas não servem mais nem para embrulhar peixe na feira. Hoje, estimulado por um dos meus correspondentes, abri o portal de O Globo. Cliquei nos títulos de algumas matérias e colunas e acabei entrando no Blog do Ricardo Noblat ― minha mente estava protegida com “roupa de escafandro”, claro, pois aquilo lá é um verdadeiro canal de dejetos do PIG ― Partido da Imprensa Golpista.

Rolei a página inicial, lendo títulos, epígrafes e trechos de algumas postagens. Parei em pequena nota intitulada “Eduardo Campos de slogan novo” (20/5/2013), a qual informa:

“O PT, que não se constrange em tomar as boas ideias dos outros, pôs Lula e Dilma a dizerem na televisão que farão mais e melhor.
“Foi com esse slogan que Eduardo Campos, governador de Pernambuco, se lançou como aspirante a candidato pelo PSB à sucessão de Dilma.
“Esta noite, nas emissoras de televisão de Goiás, irá ao ar um comercial do PSB estrelado por Eduardo de slogan novo: "Fazer mais e bem feito".[Grifos nossos.]”

(O estranho nessa nota é que a propaganda veiculada antes é acusada de plagiar a que vem depois. Mas isso vindo de Ricardo Noblat não deveria me causar qualquer estranheza.)

Quem plagia quem?

“O Brasil pode mais”, que podia ser entendido como “Nós podemos fazer mais”, foi o slogan da campanha de José Serra em 2010, como candidato à sucessão presidencial, enfrentando Dilma, a candidata de Lula e de cerca de 55 milhões de eleitores. A equipe marqueteira de Serra deve ter-se inspirado no slogan da campanha de Barack Obama em 2008: “Yes, we can” (“Sim, nós podemos”).

Militando em favor da candidatura de Dilma, em 2010 escrevi crônica satírica sob o título: “Cabral e o Ovo de Colombo”, publicada no site do jornal russo Pravda. No final do texto, acrescentei:

MoralPara fazer mais que os outros, às vezes precisamos quebrar um pouco mais a casca do ovo ou aumentar a quantidade de sal em que este será apoiado.

P.S.1Há quem acredite que Lula não deveria ter feito certos acordos em nome da governabilidade; saiba, porém, que, nesse caso, fazer mais que ele exige firmar aliança até mesmo com Judas. E ainda mais estreita que com Sarney.

P.S.2Fazer mais não significa fazer melhor. [O objetivo estava claro: rebater o slogan do Serra.]

Em 2012, o Portal Vermelho, “uma página mantida e gerida pela Associação Vermelho, entidade sem fins lucrativos, em convênio com o Partido Comunista do Brasil - PCdoB”, republicou minha crônica com uma devida revisão que fiz (relendo na Pravda, observei que nunca havia identificado tantos erros num texto meu) e adaptações, como: (aliança) “...ainda mais estreita que com Maluf”, em referência ao estreitamento das relações do PT com o cacique paulista, pela sucessão administrativa na Capital.

Além do Vermelho e da Pravda, minha crônica foi reproduzida em diversos blogs da chamada blogosfera política.

Certamente não tenho a milésima parte do número de “seguidores” do Ricardo Noblat. Seguidores de um “ceguidor”, ou cegante. Mas tenho uma meia porção de leitores, que me leem nos mais variados ciberespaços. Já vi matéria do meu blog (Assaz Atroz) reproduzida até mesmo no site do Instituto Millenium, que assim se identifica: “Uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária que promove valores fundamentais para a prosperidade e o desenvolvimento humano da sociedade brasileira. Formada por intelectuais, empresários e acadêmicos, busca difundir conceitos como liberdade individual, propriedade privada, meritocracia, estado de direito,  economia de mercado, democracia representativa, responsabilidade individual,  eficiência e  transparência, mas que, na verdade, não passa de uma das muitas entidades que se utilizam de suportes midiáticos para fazer oposição sistemática aos governos trabalhistas de toda a América do Sul. Seria mais decente se eles, ao invés de dizer que não têm “vinculação partidária”, fizessem como o Vermelho, que assume ter convênio com o PCdoB, e revelassem sua vinculação com o PSDB. O problema é que, com esta agremiação, eles não têm convênio, só conchavo: mancomunação com intenções golpistas.

Tempos atrás, outro blogueiro de O Globo, especulando sobre artigo de minha autoria, disse que, provavelmente, eu morava na Rússia, e um dos seus muitos seguidores afirmou que eu deveria estar recebendo o “ouro de Moscou” ― um anacronismo, mas muito utilizado na campanha infame contra os partidários do presidente Jango, nos anos 1960. Portanto, não somos tão desconhecidos assim.

Quando assisti à recente propaganda institucional do PT (a do PSB, segundo Noblat, é “comercial” ― não duvido), observei Dilma dizer que “podemos fazer mais...”, e Lula completar: “E melhor”. Não sei se os marqueteiros do PT tomaram conhecimento da minha observação no P.S.2 da crônica “Cabral e o ovo de Colombo”, na internet desde 2010: “Fazer mais não significa fazer melhor”. Porém, se tomaram, fizeram muito bem em se apropriar da dica. Nesse caso, não se trataria de apropriação indébita, constrangedora, como quer o Noblat, pois foi ideia de um militante juramentado, como diria Odorico Paraguaçu.

Essa coisa de acusar os governos petistas de “tomar as boas ideias dos outros”, como diz o Ricardo Noblat, tem seu mais “forte argumento” no caso do Bolsa Escola do governo Fernando Henrique Cardoso, o qual virou Bolsa Família no governo Lula e segue como parte da política social do governo Dilma. Acontece que essa mesma turma que acusa Lula e Dilma de se apropriarem das “ideias dos outros” também os acusaria se estes governos tivessem abandonado o programa implantado pelo governo pessedebista. A bem da verdade, é bom que se esclareça:  o Bolsa Escola foi criado e implementado em 1995 pelo então governador do Distrito Federal Cristovam Buarque, à época filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT, saudações). FHC viu no programa do governo petista do Distrito Federal a oportunidade de inserir no seu desgoverno um instrumento para inglês e o FMI verem, além de se prestar à demagógica propaganda eleitoral. Não era destinado a todos, não existiam verbas para tanto. Lula e Dilma fizeram e continuam fazendo mais e melhor. Mas tem gente querendo fazer mais demagogia ― e pior... Quer dizer... melhor... Mais bem feita? Sei lá!

O Nordeste passou recentemente por mais uma estiagem prolongada. Lembro-me de que, em outras temporadas de seca no semiárido nordestino, hordas de famintos flagelados invadiam as cidades e saqueavam ou ameaçavam saquear supermercados e feiras livres. Desta vez, os telejornais e noticiosos em geral ficaram na mão, não puderam fazer o sensacionalismo de outras épocas. O Bolsa Família deve ter funcionado como amenizador da fome e contemporizador dos ânimos. Será?

Originalidade e plágio

Em 2009, o pessoal que toca o projeto Nova Coletânea, apoiado pelo PNLL ― Plano Nacional do Livro e Leitura, do governo federal ―, decidiu me entrevistar. Topei.

Na entrevista, aproveitei para deixar minha opinião sobre o que venha a ser “originalidade”.

Eis um trecho da entrevista.

Apresentação:

Autor que participou das últimas edições do projeto Nova Coletânea, um talento incontestável da prosa contemporânea, Fernando Soares Campos é um grande ativista da liberdade de imprensa, da causa nacional e da liberdade de expressão.  Ele não se deixa submeter pelo discurso vigente nas grandes mídias. É um crítico da sociedade hodierna, um autor engajado nas questões de seu tempo e dono de um rico acervo de obras virtuais. Atrás da ironia e do discurso em tom humorístico podemos ver se desenhando a caricatura do político brasileiro que opera prodígios pela manutenção dos seus privilégios. Um cronista político como poucos, apesar da imensa modéstia, Fernando é esse exímio observador da realidade que nos subjuga. Para muitos um novo autor, para quem teve o privilégio de ler suas OBRAS, um autor para a posteridade.”

(...)

Nova Coletânea: Em suas obras vemos o reflexo de grandes clássicos do pensamento universal, seja filosófico, seja literário. Que pensadores mais o influenciaram até o momento?

Fernando: É fácil compreender que na infância e na adolescência somos mais suscetíveis a influências. Certamente estas não ocorrem apenas naquelas fases, claro. Mas a formação religiosa, por exemplo, para quem a recebeu de forma sistemática e nos moldes em que a mim foi ministrada, pode vir a ser desastrosa, aniquiladora, ou, considerando os menores males que causa, inibidora, atrasando o processo de amadurecimento do indivíduo. Observe que eu não estou condenando os princípios religiosos em si, mas a forma como fui doutrinado na infância. Entretanto, ainda muito jovem, descobri que um dos melhores caminhos para superar uma educação extremamente conservadora, dogmática, é a literatura. Hoje entendo que, sob o ponto de vista das influências que recebemos durante toda a nossa existência, a diversificação das fontes literárias exerce importante papel na evolução do pensamento reflexivo e crítico do indivíduo. Provavelmente, qualquer pessoa que tenha tido oportunidade de optar por variadas fontes e delas tenha se utilizado, possua chances de refletir “grandes clássicos do pensamento universal”, conforme você diz ter identificado em meus escritos. Porém os reflexos que podemos identificar através das obras de um autor não são necessariamente possíveis anuências deste com aqueles que o influenciaram. A estética não é patrimônio de ninguém, e ao conteúdo de qualquer objeto artístico podem ser acrescentados outros valores; mesmo que de natureza física, mas também moral ou intelectual. O que é originalidade? Com quais critérios podemos qualificar de plágio qualquer obra? Creio que dizer aquilo que muitos já disseram, mas fazê-lo de forma diferente, renovada, elaborando textos sob ponderações fundamentadas na própria experiência, é o que podemos chamar de originalidade. Portanto, no meu entender, originalidade literária seria a capacidade de se expressar de forma autêntica através de originais paráfrases! Mas, respondendo diretamente à sua pergunta, eu diria que os pensadores que mais me influenciaram foram aqueles com quem tive meus primeiros contatos, ainda em tenra idade: meus pais, meus avós, tios, tias, parentes e amigos da família, professores, catequistas, curiosos... Foi essa minha gente quem me fez situar no mundo, assimilando conceitos geográficos, econômicos, ideológicos, políticos e sociais. Depois vieram os clássicos do pensamento universal, lapidando, ou bagunçando ainda mais, tudo aquilo que aprendi naqueles primeiros tempos.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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