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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NO HABEMUS PAPAM

NO HABEMUS PAPAM
Raul Longo


Muitas vezes concordo com Nietzsche. Como o próprio Nietzsche nem sempre concordava consigo mesmo, eu posso concordar muitas vezes com ele, porque não era hipócrita.

Daí que em “Genealogia da Moral” o sábio pôde ter dito com muita propriedade que o que nos repugna não é a religião, mas a língua bigume da igreja.

As religiões tratam daquilo que Carl Jung chamou de símbolos do homem. Nada mais natural, afinal as religiões são meios utilizados pelos humanos para transcender a compreensão de sua materialidade para que possa compreender algo de outro aspecto muito importante à nossa espécie. Uns chamam a isso de alma, outros de psique, e também de consciência. Há aqueles, como Jung mesmo, que foram mais fundo em pesquisar nosso subconsciente e até o inconsciente.

Discute-se e discorda-se quanto ao uso dessas nomenclaturas, mas é fato inegável que além de nossa racionalidade escondem-se muitas outras realidades que por mais abstratas e metafísicas nos afetam concretamente e, sem dúvida, as religiões naturais, desenvolvidas e estruturadas através das histórias de cada povo por seus símbolos culturais, conseguem ser de fundamental importância para o desenvolvimento da identidade e manutenção da integridade humana nos diversos e diferentes grupos em que se compõe a espécie.

Isso de símbolos materiais como bandeiras e brasões é demasiadamente supérfluo e efêmero. Embora igualmente simbólicos, os preceitos religiosos são incomparavelmente mais profundos e perenes, transformando-se no que também é chamado de consciência coletiva.

Seja na África, no Oriente, entre os aborígenes da Oceania, ou os indígenas da América e esquimós do polo, até mesmo entre os Lapões, último povo indígena da Europa; através de seus símbolos a religião cumpre uma função de resistência e identificação cultural.

As igrejas formadas por identificação de interesses de grupos dominantes e não de culturas populares naturais, sempre se utilizaram desses símbolos religiosos para desenvolver suas conversas bigúmeas, de duas línguas como as das serpentes.

Muito se acusa Nietzsche de contraditório, mas na verdade o sábio tinha era coragem de compreender a imponderabilidade do ser humano que jamais será o predeterminado e preestabelecido aos interesses dos grupos que criaram as igrejas, essas sim realmente contraditórias em seus mais básicos preceitos como o de que todos são iguais perante Deus. Um Deus que se torna falho pelas próprias igrejas que o pregam promovendo e explorando diferenças que sequer têm a ver com a essência humana.

Mas de toda forma as igrejas, sejam judaicas, cristãs ou islamitas, se aprimoraram em utilizar a linguagem simbólica das religiões, inclusive daqueles que consideram pagãos, como os Lapões de quem os católicos adotaram a comemoração do solstício de inverno para definir a data de nascimento de seu símbolo máximo.

Com a Reforma de Martinho Lutero algumas igrejas cristãs se dedicaram mais a símbolos conceituais relacionados ao Velho Testamento, mas Católicos Ortodoxos e Católicos Romanos mantiveram suas simbologias litúrgicas em cada ato, em toda atitude, sempre ciosos em dar uma justificativa canônica para a mais ínfima atitude de seus prelados.

Considerando que a única renúncia papal de que se tem notícia ocorreu há 6 séculos atrás, é no mínimo estranho o antidogmático anúncio da renúncia de Bento XVI em meio ao período da mais pagã das festas mundanas, segundo a própria igreja. Mais estranho ainda se lembrarmos de que o Natal não vai tão longe e por sua simbologia teria sido data bem mais indicada para o Ratzinger anunciar seu cansaço. Melhor ainda a Páscoa daqui a apenas 40 dias, com toda a simbologia da Ressurreição e o sentido de “Passagem” na origem grega da palavra.

Mas assim, agora, e pro dia 28 de fevereiro? Por quê? Nem ano bissexto é!

Meio fora de hora esse Papa! Ou será contraditório?

E se descobriu que Nietzsche é quem estava certo e Deus morreu mesmo?

Fato é que não habemus papam e como tenho dificuldades para entender as muitas e contraditórias línguas da igreja, procurei informações mais confiáveis no blog do Porfirio que entende do assunto e pode explicar melhor para quem queira entender o que é que deu no alemão pra rasgar a fantasia em plena segunda-feira de carnaval.



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