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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Comunicado Público de Cesare Battisti



Assunto: “Fofocas infundadas sobre ele”

Carlos Alberto Lungarzo
6 de fevereiro de 2013
Após sua soltura em 9 de agosto de 2011, Cesare Battisti continuou sendo alvo de bullying de parte da mídia, de magistrados e de agentes específicos que o estado italiano colocou em seu encalço. Usando uma frase histórica da luta contra o fascismo, Battisti está sendo atacado por uma Quinta Coluna. Eu informei aos leitores de meu livro “Os Cenários Ocultos do Caso Battisti”, na página 335, que, apesar do caso estar encerrado pela Corte, surgiam em diversos lugares as desagradáveis cabeças dos quinta-colunistas, que apareciam através da lama.
Durante a primeira grande catástrofe de Genocídio da Época Contemporânea, que foi dirigida pelas forças católico-nazistas do General Franco contra o povo da Espanha (1936-1939) foi cunhado o termo Quinta Coluna, inventado pelo militar fascista Mola. Uma quinta coluna era um grupo de conspiradores que, através de desinformação, boato, propaganda derrotista, calúnias, frases de terror, etc., tentava minar a moral da sociedade progressista de Madri, cuja cidade estava sendo atacada por quatro colunas militares. Depois, a expressão se aplicou em geral a todos os que fazem uma forma de guerra e sabotagem sujo, sem escrúpulos e covarde.
Por isso, estou publicando aqui, textualmente, um comunicado de Battisti sobre as últimas fofocas, que ele escreve com a intenção de que sejam respeitados seus direitos de cidadão, como o de cuidar sua privacidade, trabalhar em tarefas lícitas, morar onde bem entenda, etc.
A história começou já no mês da soltura, mas se repete com certa frequência. Em abril de 2012, uma jornalista de colunas de fofocas e informação “trash” tentou frustrar o lançamento do livro de Battisti, dando uma informação falsa: que ele próprio teria ligado a uma livraria (onde NUNCA tinha sido cogitado o evento), para cancelar a apresentação.
Pouco antes, um reprodutor de lixo jornalístico havia prometido a seus leitores que Battisti seria expulsado do país para o Natal. Após disso, disse que seria durante o Carnaval (de 2012) e, como suas profecias não se cumpriram, continuou adiando as datas. Não sabemos qual é a próxima ameaça.
Esta campanha continua de vez em quando. Há algumas semanas, um dois mais generosos e esforçados defensores do escritor italiano, característico por sua extrema bondade e sua gentileza com todos, amigos ou não, foi surpreendido em sua boa fé pela colunista já mencionada, que difundiu notícias erradas sobre o futuro emprego de Battisti, e até sobre a metragem de seu apartamento.
Publico aqui a resposta de Cesare, que ele pretende seja a última, e na que fixa sua posição. Isso deve bastar para convencer as pessoas que são simpáticas com sua causa e as que são indiferentes. As que são contrárias não precisam se convencer, porque já sabem que toda esta campanha contra ele é mentira e justamente eles estão entre os fabricantes dessas mentiras ou entre os que os auxiliam.
Mas, a esses, espero que esta carta, neutra, séria, amigável, sem qualquer conteúdo político, sirva para reparar em que Battisti está decidido a continuar sua vida de escritor no Brasil, para felicidade dele, que morará num país onde, salvo as elites, é uma pessoa querida e respeitada, e para a cultura Brasileira, que se enriquecerá com um dos melhores escritores internacionais do período 1980-2000.
Pessoalmente (mas acredito falar em nome de alguns milhares de colegas e amigos), gostaria de advertir que esta campanha de agressão contra um imigrante que faz uma vida pacífica e normal, pode trazer conseqüências que acabem sendo indesejadas para todos, inclusive para os mesmos provocadores. Não sou ufanista, e sei que aquele que tem a força bruta, como dizia Miguel de Unamuno, tem a chance de destruir seu inimigo, mesmo quanto este tenha a razão. Mas, pode ser que esse ataque saia mais caro do que os próprios atacantes imaginam, mesmo se fossem vitoriosos.
Aqui vai o comunicado de Battisti. Ele foi enviado por e-mail, ontem, e já foi reproduzido pelo escritor Celso Lungaretti em todas suas redes sociais.









Declaração de Cesare Battisti

Recentemente vi meu nome envolvido em novas manchetes sobre um emprego na CUT. Quero que todos saibam e divulguem que nunca fui convidado pela CUT para um emprego ou algo parecido. Poderia ser convidado por qualquer entidade ou empresa. Se receber um convite de trabalho vou avaliar, pois, como todo imigrante, tenho direito de trabalhar no Brasil para prover meu sustento.
Sou escritor e vivo do meu trabalho há mais de 30 anos. Tenho mais de 20 livros publicados. Só no Brasil tenho 3 livros publicados nos últimos 4 anos. Vivo modesta, mas honestamente do meu trabalho. Além do meu amor pela literatura, espero que com o meu trabalho literário, no Brasil, possa contribuir para que cada vez mais pessoas se apaixonem pela leitura.
Nesse momento, acima de qualquer coisa, estou envolvido na gestação do meu próximo romance, cuja história terá como cenário, Cananéia, região do litoral sul de São Paulo, inspirando-me na figura lendária do degredado para o Brasil em 1501, Mestre Cosme Fernandes, o bacharel,
comprovadamente o fundador de Cananéia, primeira Vila do Brasil.
O possível aparecimento de um descendente do Bacharel desperta a necessidade de confirmar a veracidade da história do marco que teria
sido trazido por Martim Afonso de Souza, em 1532, e que posteriormente foi levado para o Rio de Janeiro.
É exatamente esse meu foco imediato, buscar informações, realizar pesquisas, estudos que conduzam à finalização do meu romance.
Concluo dizendo que felizmente tenho sido muito bem recebido pela maioria dos brasileiros, que me acolheram e reconhecem o valor do meu
trabalho.
Eu só tenho a agradecer às pessoas, tanto no Brasil quanto na Europa.
Cesare Battisti

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