Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

NUVENS NO HORIZONTE NEOLIBERAL



NUVENS NO HORIZONTE NEOLIBERAL 

Frei  Betto



       Passei agradável fim de semana de novembro em companhia de Boaventura de Sousa  Santos e outros amigos. Em sua fecunda reflexão, o cientista social português  apontou as carregadas nuvens que pesam sobre a conjuntura  mundial.

      Há uma flagrante desconstrução  da democracia. Desde o século XVI a Europa tem a sua história manchada de  sangue, devido à incidência de guerras. Nos últimos 50 anos,  acreditou  ter conquistado a paz consolidada pela democracia fundada em direitos  econômicos e sociais. 

      De fato, tais  conquistas funcionavam como antídoto à ameaça representada pelo socialismo que  abarcara a metade leste do continente europeu. Com a queda do Muro de Berlim,  o capitalismo rasgou a fantasia e mostrou sua face diabólica  (etimologicamente, desagregadora). 

      Os  direitos sociais passaram a ser eliminados, e os países, antes administrados  por políticos democraticamente eleitos, são governados, agora, pela troika  FMI, BCE (Banco Central Europeu) e agências de risco  estadunidenses.

      Nenhum dirigente dessas  instituições foi eleito democraticamente. E qual a credibilidade das agências  de risco se na véspera da quebra do banco Lehman Brothers, a 15 de setembro de  2008, as agências atribuíram a seus papéis a nota mais alta – triplo  A?

      Hoje, o único espaço ainda não  controlado  é a rua. Mesmo  assim, há crescente criminalização das  manifestações populares. A TV exibe, todos os dias, multidões inconformadas  reprimidas violentamente pela polícia.

       Dos dois lados do Mediterrâneo o povo protesta. As mobilizações, contudo, têm  efeito limitado. A indignação não resulta em proposição. O grito não se  consubstancia em projeto. Wall Street (Rua do Muro) é ocupada, não derrubada,  como o Muro de Berlim. Não são sinalizados “outros mundos possíveis”.

      O bem estar que se procura assegurar,  hoje, é o do mercado financeiro. O Estado deixou de ser financiado somente  pelos impostos pagos por empresas e cidadãos. Outrora os mais ricos pagavam  mais impostos (nos países nórdicos, ainda hoje chegam a 75% dos ganhos), de  modo a redistribuir a renda através dos serviços oferecidos pelo Estado à população. 

      A  partir do momento em que a elite começou a gritar pelo Estado mínimo e por  pagar cada vez menos impostos (como vimos proposto na campanha presidencial  dos EUA), os Estados viram crescer suas dívidas e se socorreram junto aos  bancos que, fartos em liquidez, emprestavam a juros reduzidos. Assim, muitos  países se tornaram reféns dos bancos.

       Caso típico é a relação da Alemanha com seus pares na União Europeia. Os  bancos alemães emprestavam dinheiro à Espanha – desde que ela adquirisse  produtos alemães. Agora, a Alemanha é credora de metade da Europa.

      Isso dissemina uma nova onda de  antigermanismo no continente europeu. No século XX, duas vezes a Alemanha  tentou dominar a Europa, o que resultou em duas grandes guerras, nas quais foi  derrotada. Agora, no entanto, ela ameaça consegui-lo por meio da guerra  econômica. Mais uma vez a pedra no sapato é a França de Hollande que,  contrariando todas as expectativas, escapou este ano da maré recessiva que  assola a Europa. 

      Países da América  Latina e da África resistem à crise através da exploração e exportação da  natureza – minérios, produtos agrícolas, combustíveis fosseis etc. Porém, quem  fixa o preço das commodities são os EUA, a China e a Europa. Cada vez pagam  menos dinheiro por maior volume de mercadorias. O mercado futuro já fixa  preços para as colheitas de 2016! Tal especulação fez subir, nos últimos anos,  o número de famintos crônicos, de 800 milhões para 1,2  bilhão!

      Infla, assustadoramente, o preço  de mercado dos dois principais bens da natureza: terra e água. Empresas  transnacionais investem pesado na compra de terra e fontes de água potável na  América Latina, Ásia e África. Nossos países se desnacionalizam pela  desapropriação de nossos territórios. A grilagem é desenfreada. O curioso é  que as terras são adquiridas com os habitantes que nela se encontram... como  se fizessem parte da paisagem.

       Há  uma progressiva desmaterialização do trabalho. A atividade humana cede lugar à  robotização. Nos setores em que não há robotização, campeiam a terceirização e  o trabalho escravo, como a mão de obra boliviana e asiática usadas em  confecções brasileiras.

      Já não há  distinção entre trabalho pago e não pago. Quem remunera o trabalho que você  faz via equipamentos eletrônicos ao deixar o local físico em que está  empregado? 

      Outrora se brigava pela  remuneração de horas extras e do tempo gasto entre o local de trabalho e a  moradia. Hoje, via computador, o trabalho invade o lar e sonega o espaço  familiar. A relação das pessoas com a máquina tende a superar o contato   com seus semelhantes. O real cede lugar ao virtual. Suprime-se a fronteira  entre trabalho e domicílio. 

      O  conhecimento é mercantilizado. Nas universidades tem importância a pesquisa  capaz de gerar patentes com valor comercial. O conhecimento é aferido por seu  valor de mercado, como nas áreas de biologia e engenharia genética. O  professor trancado em seu laboratório não está preocupado com o avanço da  ciência, e sim com seu saldo bancário a ser engordado pela empresa que lhe  banca a pesquisa. 

      Essa mercantilização  do conhecimento reduz, nas universidades, os departamentos considerados não  produtivos, como os de ciências humanas. Decreta-se, assim, o fim do  pensamento crítico. E, de quebra, o do conhecimento científico inventivo, que  nasce da curiosidade de desvendar os mistérios da natureza, e não da sua  manipulação lucrativa, como é o caso dos  transgênicos.

      A esperança reside, pois,  nas ruas, na mobilização organizada de todos aqueles que, de olho nas nuvens,  são capazes de evitar a borrasca por transformar a esperança em projetos  viáveis.



Frei Betto é escritor, autor, em parceria com  Marcelo Gleiser, mediação de Waldemar Falcão, de “Conversa sobre a fé e a  ciência” (Agir), entre outros livros.






Enviado a esse Blog via mail por Vitor Buaiz
 
 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um ano de CELAC. Viva!

A Dor de Chico e a alegria de Francisco- Justiça Brasil

Justiça falha: Enquanto uns choram a perda outros comemoram aVitória de uma eleição ( RE ELEIÇÃO) . até quando?

CASO EDSON JOSÉ DOS SANTOS BARCELLOS - EDSON BARCELLOS

NÃO QUEIRA SENTIR A DOR QUE NOS LEVOU A FAZER ESTA CAMPANHA !

JUSTIÇA BRASIL !!!

Projeto que define organização criminosa é aprovado

Racionais Mc's - Marighella - Mil Faces de Um Homem Leal ( Vídeo Clip Of...






Enviado via Face pelo Cineasta, Jornalista, resistente da ditadura
Roberto Menezes com os dizeres:

Isso é pra tocar no rádio! Virar sucesso do momento!Virar "ponto" de candomblé,umban da e jurema. E não era "ponto" o local dos
encontros? (Roberto Roberto Menezes)

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Roberto Hermano, desejosa de resgatar os Brios de meus hermanos da terra amada, posto a história a fim de fazer o chamamento: bjs

Capixabas ( sim terra amada e palco do ultimo discurso de Marighella antes de sua prisão - no cais do Porto, sindicato dos estivadores) ,
Capixabas ( sim terra amada e palco do ultimo discurso de Marighella antes de sua prisão - no cais do Porto, sindicato dos estivadores) ,

Marighella VIVE!
bj. nanda

o construtor de Sonhos. O arquiteto das Curvas. Niemeyer, PRESENTE!



 A Emoção de um encontro.Via Wilson Coêlho
CRÔNICA DA UTOPIA REVISITADA
Wilson Coelho

03 de maio de 2011. Aeroporto Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro. Fernando Arrabal e eu vínhamos de Porto Alegre, onde o dramaturgo espanhol fez uma conferência e eu, privilegiadamente, cumpri o papel de mediador. Tínhamos um encontro com o arquiteto Oscar Niemeyer e corríamos o risco de chegarmos atrasados. Durante a espera das bagagens que eram desembarcadas do avião, deslizando na esteira rolante, por diversas vezes, tentamos fazer contato por telefone com o grande mestre em seu apartamento em Copacabana. Falamos com algumas pessoas e, dentre estas vozes, julgamos que a última seria a do próprio arquiteto que nos tranqüilizou ao afirmar que não haveria problemas com o atraso e que estaria nos esperando na hora que nos fosse melhor.
Ainda no taxi, quando nos dirigíamos a Copacabana, Fernando Arrabal me perguntou:
- Em que hotel ficaremos?
Entre a perplexidade e o inseguro diante da circunstância e por não ter outra resposta, eu lhe disse:
- Não temos um hotel.
Ainda acrescentei justificando que eu não havia conseguido uma reserva em nenhum hotel por não possuir um cartão de crédito para pagar antecipadamente as diárias. Preocupado com a rigorosidade patafísica de meu amigo, achei que tinha provocado um incômodo e que eu lhe pareceria um tanto quanto desorganizado, considerando que fui eu quem tinha sido encarregado de marcar e tomar providências para este encontro. Mas para meu espanto e satisfação, ele apenas retrucou:
- Que emocionante!!!
O taxi parou na Avenida Atlântica, em frente ao número 3.940, Edifício Ypiranga. Desembarcamos e, depois de alguns minutos frente ao prédio tirando fotos, atravessamos a avenida, tomamos uma cerveja no quiosque do calçadão e nos informamos sobre a existência de hotéis nas proximidades. Caminhamos mais ou menos um quarteirão e meio e conseguimos vaga no terceiro hotel consultado. Guardamos as bagagens e fomos ao encontro.
Já na portaria, nos anunciamos e fomos convidados a subir ao apartamento de cobertura. Na porta do apartamento, tirei umas fotos de Arrabal diante de uns esboços de algumas obras de Niemeyer num painel encostado na parede. Toquei a campainha e, logo depois, a porta se abre e somos recebidos por Vera Niemeyer, a mulher do arquiteto, e dois de seus assessores. Depois de uns minutos em que olhamos o mar do alto do edifício, parecia que a verticalidade se despedaçava no horizonte sem fim onde o mar e o céu pareciam se confundir. Novamente, tiramos algumas fotos diante de alguns de seus esboços e uma escultura de Dom Quixote, até que fomos chamados a estar com o grande mestre.
Entramos e, em princípio, era como o personagem de “Apocalipse Now” diante de Marlon Brando. Apertos de mãos. Abraços e apresentações. Fernando Arrabal havia me confiado a tarefa de eternizar esse momento. Armei a câmera filmadora e deu-se o evento. Eu me sentia diante do sublime, como se fora a passagem de um cometa que acontece a cada centenas de anos ou um terremoto, sei lá. Arrabal instigava a memória de Niemeyer até que ele, aos poucos, ora em francês, ora em espanhol, se abria rompendo os limites do tempo. O passado e o futuro em Niemeyer escapavam como o mercúrio entre os dedos. Tudo era presente, ao vivo. Desde sua estada em Paris, o bairro em que morou, seu sonho comunista, seus projetos e, sem muitos detalhes, mencionou André Malraux.
Arrabal anunciou o reconhecimento e a admiração que a obra de Niemeyer significava aos franceses. E, solenemente, num simples e objetivo discurso, entregou-lhe o diploma da Ordem da Gidouille, do Collège de Pataphysique, nomeando-lhe “Batisseur d’Utopies” (Construtor de Utopias). Eu ficava dividido entre olhar através do visor da câmera e assistir a cena em aberto, sem o obstáculo das lentes, essa inenarrável panorâmica. Niemeyer mostrou-se encantado, mesmo contido em seus 103 anos de idade, quando se supõe que não existem mais novidades. Mas era visível que se contentava com esse reconhecimento ao seu trabalho. Depois, Arrabal lhe comunica do convite de Juan Carlos Valera Saiz para realizar uma edição de bibliofilia em MENÙ – Cahier de Poèsie (Caderno de Poesia). A edição com esboços de Niemeyer e poemas de Arrabal, numa caixa-livro de cristal e aço com estruturas encaixadas para recordar um livro aberto, com tiragem de 16 exemplares não comercializáveis.
Por outro lado, Niemeyer também convida Arrabal para escrever um artigo para NOSSO CAMINHO, “Revista de Arquitetura, Arte e Cultura”, dirigida por Oscar e Vera Lucia G. Niemeyer. O tema deve ser sobre guerra, coincidindo, inclusive, com o fato de que a peça “Piquenique no front”, escrita por Fernando Arrabal quando tinha 14 anos está sendo montada em diversas partes do mundo, principalmente, nas zonas de conflito como Líbia e outros países da região.
Continuando a conversa e, ainda instigado por Arrabal, Niemeyer fala do Brasil, seu apoio ao ex-presidente Lula e da atual presidenta Dilma, declarando ter percebido a especial atenção desses governos para com o povo. A partir daí confessa uma espécie de frustração em relação ao destino de suas obras, declarando que sempre teve a intenção de fazer uma obra popular, mas que – desgraçadamente – o povo sempre teve pouco acesso a estas, ficando restritas aos grandes capitalistas e aos governantes. Depois, confirmando outra vez o mérito pelo recebimento do diploma de “Construtor de Utopias”, declara que em sua obra nunca teve a pretensão de ser utilitarista, pois tudo o que fez foi tentar aproximar a arquitetura da arte e da cultura. Ainda, analisando a relação entre sua idéia colocada no papel e a realização sempre tiveram uma certa distância. Mas afirma seu contentamento com a realização de sua obra no Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, da cidade espanhola de Avilés, colocando-a no plano da mais eficiente como possibilidade da aproximação entre a idéia e sua concretização. Coincidentemente, foi justamente esta obra que também encantou Arrabal e que deu origem ao desejo de que este encontro acontecesse. Sinceramente, depois disso, desisti do simples papel de testemunha e resolvi me integrar à cena. Desliguei a câmera e me sentei entre os dois grandes mestres. Entreguei “Maomé vai a Montaigne” autografado para Niemeyer e, em seguida, a revista Zênith com uma entrevista dele, publicada na Serra, onde também será realizado um de seus projetos.
Por fim, também convidado por Arrabal, terminamos nosso encontro revivendo antigos momentos, de mãos dadas e erguidas, cantando trechos da Internacional Socialista. Estavam ali três gerações eliminando as diferenças e o tempo e... afirmando que o sonho não acabou.
CRÔNICA DA UTOPIA REVISITADA
Wilson Coelho

03 de maio de 2011. Aeroporto Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro. Fernando Arrabal e eu vínhamos de Porto Alegre, onde o dramaturgo espanhol fez uma conferência e eu, privilegiadamente, cumpri o papel de mediador. Tínhamos um encontro com o arquiteto Oscar Niemeyer e corríamos o risco de chegarmos atrasados. Durante a espera das bagagens que eram desembarcadas do avião, deslizando na esteira rolante, por diversas vezes, tentamos fazer contato por telefone com o grande mestre em seu apartamento em Copacabana. Falamos com algumas pessoas e, dentre estas vozes, julgamos que a última seria a do próprio arquiteto que nos tranqüilizou ao afirmar que não haveria problemas com o atraso e que estaria nos esperando na hora que nos fosse melhor.
Ainda no taxi, quando nos dirigíamos a Copacabana, Fernando Arrabal me perguntou:
- Em que hotel ficaremos?
Entre a perplexidade e o inseguro diante da circunstância e por não ter outra resposta, eu lhe disse:
- Não temos um hotel.
Ainda acrescentei justificando que eu não havia conseguido uma reserva em nenhum hotel por não possuir um cartão de crédito para pagar antecipadamente as diárias. Preocupado com a rigorosidade patafísica de meu amigo, achei que tinha provocado um incômodo e que eu lhe pareceria um tanto quanto desorganizado, considerando que fui eu quem tinha sido encarregado de marcar e tomar providências para este encontro. Mas para meu espanto e satisfação, ele apenas retrucou:
- Que emocionante!!!
O taxi parou na Avenida Atlântica, em frente ao número 3.940, Edifício Ypiranga. Desembarcamos e, depois de alguns minutos frente ao prédio tirando fotos, atravessamos a avenida, tomamos uma cerveja no quiosque do calçadão e nos informamos sobre a existência de hotéis nas proximidades. Caminhamos mais ou menos um quarteirão e meio e conseguimos vaga no terceiro hotel consultado. Guardamos as bagagens e fomos ao encontro.
Já na portaria, nos anunciamos e fomos convidados a subir ao apartamento de cobertura. Na porta do apartamento, tirei umas fotos de Arrabal diante de uns esboços de algumas obras de Niemeyer num painel encostado na parede. Toquei a campainha e, logo depois, a porta se abre e somos recebidos por Vera Niemeyer, a mulher do arquiteto, e dois de seus assessores. Depois de uns minutos em que olhamos o mar do alto do edifício, parecia que a verticalidade se despedaçava no horizonte sem fim onde o mar e o céu pareciam se confundir. Novamente, tiramos algumas fotos diante de alguns de seus esboços e uma escultura de Dom Quixote, até que fomos chamados a estar com o grande mestre.
Entramos e, em princípio, era como o personagem de “Apocalipse Now” diante de Marlon Brando. Apertos de mãos. Abraços e apresentações. Fernando Arrabal havia me confiado a tarefa de eternizar esse momento. Armei a câmera filmadora e deu-se o evento. Eu me sentia diante do sublime, como se fora a passagem de um cometa que acontece a cada centenas de anos ou um terremoto, sei lá. Arrabal instigava a memória de Niemeyer até que ele, aos poucos, ora em francês, ora em espanhol, se abria rompendo os limites do tempo. O passado e o futuro em Niemeyer escapavam como o mercúrio entre os dedos. Tudo era presente, ao vivo. Desde sua estada em Paris, o bairro em que morou, seu sonho comunista, seus projetos e, sem muitos detalhes, mencionou André Malraux. 
Arrabal anunciou o reconhecimento e a admiração que a obra de Niemeyer significava aos franceses. E, solenemente, num simples e objetivo discurso, entregou-lhe o diploma da Ordem da Gidouille, do Collège de Pataphysique, nomeando-lhe “Batisseur d’Utopies” (Construtor de Utopias). Eu ficava dividido entre olhar através do visor da câmera e assistir a cena em aberto, sem o obstáculo das lentes, essa inenarrável panorâmica. Niemeyer mostrou-se encantado, mesmo contido em seus 103 anos de idade, quando se supõe que não existem mais novidades. Mas era visível que se contentava com esse reconhecimento ao seu trabalho. Depois, Arrabal lhe comunica do convite de Juan Carlos Valera Saiz para realizar uma edição de bibliofilia em MENÙ – Cahier de Poèsie (Caderno de Poesia). A edição com esboços de Niemeyer e poemas de Arrabal, numa caixa-livro de cristal e aço com estruturas encaixadas para recordar um livro aberto, com tiragem de 16 exemplares não comercializáveis.
Por outro lado, Niemeyer também convida Arrabal para escrever um artigo para NOSSO CAMINHO, “Revista de Arquitetura, Arte e Cultura”, dirigida por Oscar e Vera Lucia G. Niemeyer. O tema deve ser sobre guerra, coincidindo, inclusive, com o fato de que a peça “Piquenique no front”, escrita por Fernando Arrabal quando tinha 14 anos está sendo montada em diversas partes do mundo, principalmente, nas zonas de conflito como Líbia e outros países da região.
Continuando a conversa e, ainda instigado por Arrabal, Niemeyer fala do Brasil, seu apoio ao ex-presidente Lula e da atual presidenta Dilma, declarando ter percebido a especial atenção desses governos para com o povo. A partir daí confessa uma espécie de frustração em relação ao destino de suas obras, declarando que sempre teve a intenção de fazer uma obra popular, mas que – desgraçadamente – o povo sempre teve pouco acesso a estas, ficando restritas aos grandes capitalistas e aos governantes. Depois, confirmando outra vez o mérito pelo recebimento do diploma de “Construtor de Utopias”, declara que em sua obra nunca teve a pretensão de ser utilitarista, pois tudo o que fez foi tentar aproximar a arquitetura da arte e da cultura. Ainda, analisando a relação entre sua idéia colocada no papel e a realização sempre tiveram uma certa distância. Mas afirma seu contentamento com a realização de sua obra no Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, da cidade espanhola de Avilés, colocando-a no plano da mais eficiente como possibilidade da aproximação entre a idéia e sua concretização. Coincidentemente, foi justamente esta obra que também encantou Arrabal e que deu origem ao desejo de que este encontro acontecesse. Sinceramente, depois disso, desisti do simples papel de testemunha e resolvi me integrar à cena. Desliguei a câmera e me sentei entre os dois grandes mestres. Entreguei “Maomé vai a Montaigne” autografado para Niemeyer e, em seguida, a revista Zênith com uma entrevista dele, publicada na Serra, onde também será realizado um de seus projetos.
Por fim, também convidado por Arrabal, terminamos nosso encontro revivendo antigos momentos, de mãos dadas e erguidas, cantando trechos da Internacional Socialista. Estavam ali três gerações eliminando as diferenças e o tempo e... afirmando que o sonho não acabou.

QUEM SÃO OS MAIS CANALHAS DA IMPRENSA CANALHA?

No capítulo que Carlos Lungarza dedicou à mídia impressa em Os cenários ocultos do Caso Battisti --livro da Geração Editorial que será lançado nesta 5ª feira (6), a partir das 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, no bairro paulistano da Pompéia--, merecem especial destaque suas críticas contundentes, mas justificadíssimas, aos três piores vilãos midiáticos durante a empreitada que ele apropriadamente qualificou de   inquisição tropical: o jornal Folha de S. Paulo e as revistas veja e Carta Capital.

Vale a pena reproduzir os principais trechos do Lungarzo, com alguns comentários meus no rodapé. Os intertítulos também são meus.

O JORNAL DA DITABRANDA E SEU LOBBISMO INÚTIL

A Folha de S.Paulo, um dos jornais favoritos das elites, foi grande propagandista da ditadura de 1964 e ativa colaboradora logística, emprestando seus caminhões aos comandos militares de tortura, que os usaram para deslocar cadáveres dos mortos em tormentos (1). 'Converteu-se' à democracia na década de 1980, quando a repressão já não produzia lucros (2). 

Atualmente, debocha dos defensores de direitos humanos e oferece suas páginas aos genocidas militares aposentados. O jornal insulta e usa palavras como  terrorista  para quem não é nem foi. Além disso, enfatiza todos os fatos negativos que encontra sobre o caso Battisti, mas omite os fatos positivos apresentados por fontes fidedignas.

Em 19 de janeiro de 2009, o jornal ofereceu seu melhor espaço ao magistrado italiano Armando Spataro, que contou uma versão dos fatos mais iníqua que a dos autos italianos.

A Folha.com (versão eletrônica do jornal) deu apoio 'implícito' aos vingadores, como Alberto Torregiani, o filho do ourives, cujas opiniões receberam ampla difusão (3), muitas das quais a seção latino-americana da Ansa teve o pudor de não publicar. Entre janeiro de 2009 e fevereiro de 2010, a Folha.com divulgou quinze das 'reflexões' do jovem Torregiani.

...O jornal cometeu alguns 'erros' de tradução. Durante uma fala da escritora Fred Vargas, na edição de 2 de fevereiro de 2009, a Folha On line traduziu a expressão 'militants de gauche' (militantes de esquerda), usada pela romancista, com um termo 'um pouco' diferente: terroristas. Já não se fazem tradutores como antigamente!

...A Folha, como outros órgãos fraternos, ficou furiosa quando, em 8 de junho de 2011, Battisti foi solto pelo STF. Mas o esforçado jornal não desprezou as novas chances de tumulto.

Uma delas foi uma reportagem humilhante de Battisti, que um repórter do jornal conseguiu flagrar aproveitando-se de seu parentesco com a pessoa que gentilmente hospedava o escritor (4).

Outra foi uma notícia inventada, segundo a qual o lançamento do último livro de Battisti, Ao pé do muro, que seria apresentado em São Paulo, havia sido cancelado  sine die  pelo próprio escritor.

A Folha impressa usou seus espaços mais caros e até duas matérias editoriais (5) para publicar compactos libelos contra o refúgio de Battisti, a favor de sua extradição e contra qualquer 'bastardo' que sugerisse que o linchado era inocente.

O FEDOR NAUSEABUNDO DA MARGINAL PINHEIROS

O semanário Veja, do grupo Abril, vende cerca de um milhão de exemplares às classes média e alta e veicula matérias com poucos dados e muito comentário. O magazine combate os movimentos sociais e étnicos, os grupos de direitos humanos, os apoiadores do ensino popular e outros similares.

Também estimula o linchamento em geral, ridiculariza as garantias jurídicas e ovaciona os grupos de extermínio da polícia. Alguns de seus colunistas têm traços psiquiatricamente disfuncionais, um fato que é infrequente na mídia escrita brasileira.

O magazine é especialista em 'surpresas', como notícias sobre corrupção e conspirações baseadas em dossiês não verificáveis. Uma amostra da laia de seu pessoal foi a tentativa de um jornalista de invadir o quarto de um ex-ministro num hotel. Chama a atenção sua extrema agressividade contra seus inimigos, usando termos injuriosos ou ridicularizando formas de comportamento, atividades profissionais, vida privada e até deficiências pessoais.

Um blogueiro da versão eletrônica da Veja, Augusto Nunes, edita a seção Sanatório Geral, onde 'interna' seus desafetos (6), como se as doenças mentais, caso existissem, fossem motivo de chacota. Em novembro de 2009, publicou sarcasmos contra a defesa de Battisti pelo senador Eduardo Suplicy, estimulando leitores anônimos que escreveram comentários irreproduzíveis. Um deles propôs atacar o parlamentar fisicamente quando andava pela rua.

PECADO CAPITAL DA CARTA: PERSEGUIR A ESQUERDA AUTÊNTICA

Carta Capital é um semanário com cerca de 90 mil exemplares que, desde 1994 até o começo do caso Battisti, foi elogiado por leitores jovens que “não eram de esquerda e não sabiam”.

Seu fundador foi o italiano Demétrio Carta, dito  Mino.

A Carta defende um estado nacionalista modernizante, gerido por uma espécie de aliança de classes com hegemonia empresarial, e antagoniza o imperialismo americano e os capitalistas ligados a ele. Parece ideologicamente afim com o ex-comunismo italiano (7) e apoia o PT no Brasil. Quem conhece o jornalismo latino-americano vai achar sua posição muito semelhante à do conhecido comunicador argentino Jacobo Timerman (1923-1999).

A Carta foi o segundo veículo mais empenhado numa intensa campanha contra Battisti. A revista despejou ataques sem pausa em todos os seus números durante vários meses. Eles iam contra os políticos que apoiavam o italiano, os advogados da defesa, os movimentos de solidariedade, os juristas progressistas, as organizações humanitárias e os escritores franceses, especialmente Fred Vargas. Além de rixas pessoais e desafetos ideológicos, os textos mostravam velhos rancores da Itália dos anos 1970, e até de conflitos europeus, como o tradicional desconforto dos italianos com os franceses.

Essa campanha foi marcada por exageros e críticas fora de contexto, mas também por alguns dados inventados. Várias matérias atribuíram a grupos afins aos PAC delitos de homicídio (p. ex., o do delator Guido Rossa), cujos autores, segundo os próprios italianos, eram das Brigadas Vermelhas. Alguns artigos escrutaram a vida pregressa e privada de Battisti em fatos alheios à política. O ímpeto foi tão forte que chegaram a criticar a obra literária de Fred Vargas.

O colunista mais qualificado, Walter F. Maierovitch, disse que, sendo Fred Vargas uma romancista, o que se poderia esperar dela eram dados romanceados, desprezando o fato de que ela é premiada pesquisadora em história e arqueologia.

Maierovitch é o mais inteligente desse grupo, como demonstrou, em 14 de outubro de 2011, ao declarar, com visível amargura, que a provocação do procurador federal em Brasília, Hélio Heringer, pedindo a anulação do visto de Battisti e sua deportação a um terceiro país, era 'lamentavelmente' inviável.
  1. E, principalmente, para vigiar locais e emboscar resistentes, já que, percebendo a presença de viaturas policiais, eles teriam mais tempo para reagir e tentar escapar.
  2. A "conversão" se deu, na verdade, em meados da década de 1970, quando Golbery do Couto e Silva, o estrategista do (prestes a ser empossado) ditador Ernesto Geisel encontrou no aeroporto o sócio principal do Grupo Folha, Otávio Frias de Oliveira, aproveitando para antecipar-lhe que haveria uma distensão política e convinha ao jornal adotar uma postura mais ousada, não deixando que o concorrente O Estado de S. Paulo,  opositor ferrenho da ditadura a partir da promulgação do AI-5, surfasse sozinho na nova onda.
  3. Eu denunciei a parcialidade e as mentiras de Torregiani neste artigo, além de escrever à própria agência Ansa e aos veículos da nossa imprensa que estavam acolhendo tais falácias. Ninguém respondeu e outras matérias similares seriam publicadas adiante.
  4. Episódio no qual consegui uma rara admissão de culpa por parte do jornal da  ditabranda, conforme relato neste artigo.
  5. Um desses editoriais foi publicado no próprio dia do início do julgamento do pedido de extradição italiano por parte do STF e tinha clara intenção de intimidar os ministros. Mas, neste caso, o lobbismo só funcionou em parte, tangendo as primeiras decisões do Supremo mas não impedindo que, no final, o castelo de cartas desabasse.
  6. Trata-se de um plágio descarado do cemitério dos mortos-vivos do  cabôco Mamadô, para o qual o cartunista Henfil despachava os reaças nos saudosos tempos d'O Pasquim. Quanto ao Augusto Nunes, que presidia o centro acadêmico da ECA/USP quando nela ingressei (1972), é um Carlos Lacerda em miniatura: começou na esquerda e  endireitou  cada vez mais, vestindo a camisa dos seus empregadores, como o clã Mesquita do vetusto  Estadão. Mas, havendo oferta excessiva na praça de escribas dispostos a lamberem os sapatos dos burgueses, sua carreira foi declinando até chegar ao fundo do poço: blogueiro da veja
  7. É uma revista que não leva o nome do dono por acaso: Mino Carta erige suas paixões e idiossincrasias em linha editorial. Sendo admirador fervoroso do antigo Partido Comunista Italiano, é, coerentemente, inimigo furibundo dos agrupamentos mais à esquerda e dos veteranos da luta armada nos dois continentes. Mas, seus defeitos vão além da megalomania e espírito revanchista: insincero, nunca admitiu para seus leitores o real motivo de sua perseguição inquisitorial a Cesare Battisti, qual seja o de ser o escritor um remanescente das batalhas que a esquerda autêntica italiana travou contra o aburguesamento do PCI; intolerante, retirou-se do próprio blogue por não suportar as contestações dos internautas; e pusilâmine, várias vezes fingiu ignorar os desafios que o Rui Martins e eu lhe lançamos, para debater com um de nós o Caso Battisti (chegou a trombetear triunfalmente que o Zé Dirceu esquivara-se de um confronto com ele, mas emudeceu quando ofereci-me para substituir o Zé, disposto a duelar nas mesmíssimas condições).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

JULIAN ASSANGE

ASSANGE E A SOMBRA DE ROGER CASEMENT NA DIPLOMACIA BRITÂNICA.

O Direito Internacional que já viveu páginas célebres de solidariedade humana, pode está arquejando com o episódio de Assange na Embaixada do pequenino e bravo equador, em Londr

es. Reinventar uma ordem mundial justa, é tarefa da sociedade civil planetária. De bom alvitre que a
diplomacia britânica estude alguns de seus antepassados co
mo, por exemplo, a trajetória do Diplomata inglês de origem irlandesa, Roger Casement que foi veemente em sua oposição ao colonialismo europeu, em uma época em que essa opinião era ainda aprisionado em madorras, para descortinar luzes sobre Londres.

Casement , em oposição à cantilena de que a colonização era o caminho da civilização e da cristianização, esteve por anos no Congo Belga , de onde enviava dossiês e notícias denunciando as terríveis condições de vida na região, a violência, o abandono e a fome. Seus Dossiês são prenhe de humanismo e da defesa de uma ordem mundial estribada na solidariedade entre os povos e na livre manifestação de pensamento.

Roger Casement também esteve no Brasil, tendo sido cônsul inglês no Rio de Janeiro, e mergulhou em investigações acerca da situação de nossos índios que pereciam em escravidão na extração da borracha. Peregrinou para fazer esse relato, por toda a Amazônia, indo aos seus rincões no Peru e na Colômbia.

Seu olhar arguto, clivou páginas célebres contra a escravidão explícita e velada, descrevendo horrores contidos pela selva amazônica e na África , ajudaram a alicerçar a luta para que a população da Europa fosse esclarecida das injustiças, explorações e barbárie que seus pares, governamentais e empresariais, estavam patrocinando em áreas remotas do planeta.

Colecionando inimigos, durante algum tempo neutralizados pela contundência de seus relatos, Roger Casement encontrou problemas e inimigos intransponíveis materialmente. Sua provável homossexualidade, foi usada pelos DEDO-DUROS DA inteligência britânica para "desqualificar" sua luta corajosa e humanista e adiar decisões necessárias que só vieram ocorrer mais de meio século após sua saga.

Querer construir relações sob a égide do humanismo lhe era imperdoável, mas a gota d'água adveio quando foram reveladas suas relações com nacionalistas irlandeses que lutavam pela independência da Irlanda, essa conspiração foi a gota d'água que levou Roger Casement à prisão e à condenação à forca. Lembrem-se do obscurantismo imposto à Irlanda pela coroa e dos conflitos do século passado, para observarem como a Coroa Inglesa pode ser prepotente e tirana.

A postura da Inglaterra diante do primeiro herói da era digital, Assange, tem as mãos sujas dos que difamaram, desqualificaram e trucidaram Roger Casement e das vítimas dos seus relatos. Igualmente perverso, o papel desempenhado pela Justiça sueca, mero títere do país "dirigido" por Obama, cuja tirania ficou nua, após a coragem do soldado americano e de Assange.

Mas na contramão na decadência inglesa, da truculência norte-americana e do rebaixamento sueco, se levanta o pequeno e bravo Equador. Ensinando que uma norma ordem mundial está porvir, baseada na cooperação e nos direitos humanos.

Direitos Humanos não são dádivas, são conquistas! A ousadia de Assange precisa encontrar apoio nos sonhadores pela liberdade em todo planeta terra.

Chega de suplícios como os que padeceram Allende, Fernando Santa Cruz, Sílton Pinheiro, Victor Jara, Luis Maranhão e Roger Casement. Sem seus martírios a humanidade hoje seria outra.

Queremos Assange escancarando os bastidores dos Senhores da Guerra e do Obscurantismo, para construirmos um mundo que foi sonhado por milhares de jovens em todo o planeta através dos séculos: um mundo sob o império do humanismo, reinventando-se o socialismo.

Busquem nas livrarias O SONHO DO CELTA, de Vargas Llosa(Alfagara Brasil), dígno de um Nobel. Leitura obrigatória para entender esse quadro atual, onde governos, como o inglês e o norte-americano, querem impedir o futuro trazendo as trevas do passado.

Marcos Dionisio Medeiros Caldas, Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos(RN) e da Coordenação do Comitê Popular Copa 2014- Natal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O FRACASSO DE UMA GRANDE CRUZADA REACIONÁRIA DE LINCHAMENTO JUDICIAL

O professor universitário e defensor dos direitos humanos Carlos Lungarzo estará lançando nesta 5ª feira (6), na capital paulista, seu abrangente livro sobre uma das maiores vitórias já conquistadas pelos homens justos contra uma grande cruzada reacionária de linchamento judicial: Os cenários ocultos do Caso Battisti Geração Editorial, 2012, 384 p.).

Trata-se de uma oportunidade para o grande público ficar conhecendo tudo que foi escamoteado pela grande imprensa ao longo dessa longa batalha que deverá ser reconhecida, com o passar do tempo, como tão importante quanto os casos de Dreyfus e de Sacco e Vanzetti, com a diferença de haver terminado num quase impossível triunfo, dada a extrema disparidade de forças: foram derrotados o governo fascistóide de um país do 1º mundo, os reacionários de dois continentes e a mídia tendenciosíssima que exerceu influência avassaladora sobre a  maioria bovinizada.

Como ocorreu com Alfred Dreyfus, o malogro final da conspiração não impediu que o injustiçado tivesse sua carreira (a dele militar, a de Battisti literária) muito prejudicada, além de passar vários anos na prisão. Mas, ao menos, ambos viram o castelo de cartas desabar ainda em vida, ao contrário de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, cuja inocência só foi oficializada postumamente, no cinquentenário de sua execução, pelo governador de Massachusetts. 

Com recapitulação bem didática e análises impecáveis, Lungarzo leva a cabo a árdua tarefa que se propôs, qual seja a de identificar "os fatores ocultos que fazem possível uma maré de linchamento dessas dimensões". Eis sua proposta de trabalho: 
"Percebi que deveria aplicar as teorias usadas por pesquisadores europeus para descrever os mecanismos de ódio dos nazistas antes e durante a 2a Guerra Mundial.
Também foi determinante para a compreensão desse fato o terrorismo de estado incubado na Itália já em 1947. Os patrocinadores desse terrorismo, os EUA e a Aliança Atlântica (OTAN), resgataram o antigo fascismo e o adotaram como parceiro na Operação Gladio, que contou com o apoio dos neofascistas, da centro-direita, da Igreja, das Forças Armadas, da máfia e das empresas.

O caso Battisti se desenvolveu, aparentemente, em cenários visíveis, como a corte suprema brasileira, mas os fatos reais foram incubados em cenários ocultos, onde se fabricaram as armas psicológicas, midiáticas e jurídicas usadas para forçar a extradição".
A programação do lançamento inclui debate, do qual participarei, juntamente com o senador Eduardo Suplicy e outros. A partir das 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon (rua Turiassu, 2.100, Pompéia).

O ENCANTO DAS ESTRELAS E O CAPITALISMO



O ENCANTO DAS ESTRELAS E O CAPITALISMO


Laerte Braga


A extinção das estrelas como astros capazes de gerir, influenciar, ou despertar o amor, a solidariedade, a beleza da Criação, está determinada.. O jornalista Natan de Guarulhos divulgou em seu JORNAL REGIONAL NEWS, notícia publicada no JORNAL DA CHAPADA, anunciando a descoberta de uma nuvem de petróleo no interior da nebulosa de Orion, com 200 vezes a quantidade de água existente nos oceanos da Terra.

Tudo bem que a distância de 1 400 anos luz de nosso planeta dificulta a exploração desse petróleo por empresas do setor, mas, certamente, a partir de agora, o perfil da corrida espacial tem um ingrediente dominante. O petróleo. É o capitalismo se expandindo para além das galáxias, ameaçando o Universo com sua sanha destruidora.

Imagino que os republicanos, por exemplo, nos EUA, vão querer verbas astronômicas para pesquisas e investimentos em viagens de espaçonaves tanques para buscar o petróleo farto e capaz de assegurar o futuro do modelo de exploração do homem pelo homem. Os astronautas, terão que ser muitos, deverão ser as próximas vítimas do sistema.

“Ora direis ouvir estrelas...” É por aí que o fim – nada a ver com os Maias, vai se espraiando de forma irreversível. É na destruição pura e simples do que existe, inclusive o próprio ser.

A descoberta foi feita por astrônomos do Instituto Max Planck, Alemanha, usando um radiotelescópio de 30 metros, do Instituto de Radioastronomia Milimétrica, esse na Espanha.

O endereço do jornal onde a notícia pode ser lida in totum é


O brilho intenso de uma estrela próxima faz com que determinadas partículas no interior da nebulosa se transformem em petróleo.

Deve ser sina.

No Fórum Social Mundial de 2003, em Porto Alegre, a freira conhecida como irmã Sherine, em palestra para mais de 15 mil pessoas, falou sobre a perspectiva de guerra contra seu país, o Iraque (começou em março) e ao final disse que “nossa maior riqueza, o petróleo, é também a nossa maior tragédia”.

Não deu outra.

No Brasil não é muito diferente. O pré-sal está sendo quase que inteiramente entregue a empresas estrangeiras e a PETROBRAS, desde o fim do monopólio estatal do petróleo (governo FHC), vive um constante processo de esvaziamento e transformação em acessório do mundo capitalista do petróleo. Um pouco foi disfarçado no governo de Lula, está escancarado o seu sucateamento no governo neoliberal de Dilma Roussef (a que não sabe para que lado vai e não vai a lado algum, é refém das elites políticas e econômicas).

Se pensarmos, por um instante, que Mitt Romney tivesse vencido as eleições presidenciais dos EUA, lógico que ele diria aos norte-americanos que “Deus nos abençoou com um futuro de poder para guiar o mundo”. Ou palavras semelhantes. Obama disfarça, enfrenta a jocosa tentativa de separação do Texas. O estado de George Bush quer se desligar da União e virar república. Segundo os especialistas seria a 15ª economia do mundo.

Um novo Álamo? A história desmentiu a “tragédia” transformada em filme. Não foi bem aquilo que se vê nas telas.

Orion seria entronizada no altar do capitalismo como uma espécie de anjo e logo cuidariam de um tratado internacional, nos moldes do que rege a exploração do continente Antártico, assegurando os direitos dos primeiros a chegar.

Em caso de problema diriam que uma parte da nebulosa, particularmente a do petróleo, seria reservada ao estado de Israel, como forma de reparar as atrocidades cometidas pelo nazismo. Hoje a versão é nazi/sionismo, só questão de atualizar a barbárie.

E como a Igreja Católica passou a admitir a tese de ser possível a existência de vida além das fronteiras de nosso planeta, no espaço sideral, com algum atraso aquela canção que Tony Campelo cantava na década de 60, “ESPERADA MARCIANITA” vai se transformar em realidade, só que “ESPERADO PETRÓLEO”, ou “ABENÇOADO PETRÓLEO” se os republicanos estiverem no governo quando da chegada da primeira espaçonave tanque.

Foi-se o encanto das estrelas, foi-se a poesia, o universo, pelo jeito, vai virar um mar de petróleo e ao invés de “tu pisavas os astros distraída...” vamos ter refinarias e todo o complexo tecnológico do poder capitalista. Se pisar os “astros distraída”, vai sujar os pés e sumir também a doce imagem de “sem saber que a maior ventura dessa vida é o luar, a cabrocha e o violão” (versos de Orestes Barbosa, que alguns pretendem seja o Hino Nacional). 

Já imagino o JORNAL NACIONAL transmitindo ao vivo a chegada do homem a Orion e aquele jorro tradicional de petróleo, com William Bonner anunciando uma “nova era para o mundo”.  Ao fundo, ao invés do plim plim, o símbolo, a bandeira dos EUA.