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sábado, 6 de outubro de 2012

Portugal: Desrespeito, teimosia, arrogância e prepotência




Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru





Portugal: Desrespeito, teimosia, arrogância e prepotência. 17356.jpeg
O governo português acaba de anunciar um aumento de imposto de renda de 3,4 por cento aplicável ao sector privado, ao sector público e aos pensionistas. Esta é a resposta às manifestações maciças nas últimas semanas, quando uma décima parte da população disse de viva voz BASTA! Como de costume, o governo não está interessado.

Eis mais um exemplo da incompetência do governo de Portugal, uma coligação entre dois dos três partidos (PSD, Partido Social Democrata e CDS/PP, democratas-cristãos, conservadores; o outro é o PS, socialistas, em nome) que geriram Portugal tão habilmente desde 1974 que o país agora é governado por estrangeiros que implementam políticas através de chantagem.

A forma como aconteceu foi assim: Portugal não estava preparado para entrar na Comunidade Económica Europeia em janeiro de 1986; se tivesse sido bem gerido, seu atraso depois de quarenta anos de paragem poderia ter sido superado. Não foi. Sucessivos primeiros-ministros e governos dos três partidos mencionados acima conseguiram assistir enquanto rios de dinheiro deslizaram através das suas mãos, gerindo o país com uma abordagem de defender os interesses pessoais e do partido político, e não por consenso nacional.

Na ausência de um plano nacional (o plano é para muitos ser re-eleito para que comparsas e putas partidárias possam entrar em posições onde eles podem desviar fundos públicos) o pêndulo balouçou em duas direcções em ondas de laranja (a cor do PSD) e rosa (PS). Cada onda apagou os programas do governo anterior, idiotas e incompetentes foram colocados em posições de responsabilidade (se lembra de um certo ministro de agricultura no governo do então primeiro-ministro Aníbal Silva, que assumiu o cargo afirmando que "Sobre agricultura, eu não entendo nada", e que era incapaz de ler em voz alta uma simples cifra).

O resultado foi que a Comunidade Europeia, como era então chamado, e mais tarde a União Europeia, esfregou as mãos de contentamento, enquanto aqueles que foram eleitos para liderar Portugal e zelar pelos seus interesses, implementando políticas de desenvolvimento sustentável, venderam os activos do país, destruíram a sua agricultura, as indústrias e pescas, não entenderam os interesses estratégicos de Portugal, viraram as costas, baixaram as calças e deram de graça os poucos bens que este país médio tinha aos seus parceiros. Receberam palmadas nas costas e elogios. "O bom estudante". Enquanto falamos, há rumores de planos em curso para doar parte do espaço aéreo português para estrangeiros, privando Portugal de milhões de euros em receitas. Uma pergunta, se eles vão dar também o espaço marítimo recém-adquirido para os espanhóis em troca de nada. Ou uma transferência bancária nas Ilhas Cayman...

E a maneira como funciona hoje é esta: Em 11 de setembro, o Governo teve a audácia de anunciar estas medidas, pouco antes de uma partida de futebol: Função Pública: corte de um subsídio (igual a um salário), aumento de 7 pontos na contribuição da Previdência Social; Pensionistas: Corte de duas pensões mensais; Sector privado: Aumento de contribuições à Segurança Social por 7 pontos. Seguiu-se uma manifestação de um décimo da população do país.

O "Governo", parecendo meninos apanhados a roubar maçãs, disse pouco ou nada, foi para Bruxelas rastejando-se ao redor das pernas do BCE, FMI e CE, e agora em 3 de outubro, veio com este plano: Função Pública: Corte de um subsídio (um salário), aumento de 3,4% do imposto de renda; Pensionistas: Corte de 90% da pensão de um mês e aumento do Imposto de Renda em 3,4%; Sector Privado: Aumento de 3,4% do Imposto de Renda.

Isso significa uma tributação básica de 19,9% do imposto de renda e mais 8% em contribuições para a Segurança Social.

Com alguns dos salários e pensões mais miseráveis ​​da Europa, e preços exorbitantes nas utilidades e alimentos, este Governo irá, sem dúvida, colher o que ele, e os seus antecessores, têm semeado. Não é culpa do povo português que os sucessivos governos destruíram o país e practicaram uma gestão financeira irresponsável e, portanto, não é justo que os portugueses paguem pelos erros dos outros, que, modo geral, enriqueceram enquanto destruíram o futuro do país.

Se a União Europeia e seus "bons estudantes" meteram Portugal nesta confusão, financiando-o para destruir a sua economia, então deveria ser a União Europeia e seus bons estudantes a tirarem Portugal da situação que só eles criaram, ou Portugal deve considerar sair da UE, refinanciamento-se através de acordos bilaterais com outros parceiros internacionais, reforçando a sua economia através de laços com seu espaço histórico (a comunidade CPLP), utilizando sua própria moeda como alavanca, injectando dinheiro na economia para que possa respirar e crescer. A criação de empregos gera receita fiscal e diminui a carga sobre o Estado.

Para Portugal, da Europa, vinham sempre maus ventos e maus casamentos e se este país investiu 500 anos a encontrar outras soluções no exterior, então, mais uma vez a história se repetiu e entendemos todos por quê. A solução da UE é um país pobre, falido econômica e totalmente inviável, seu povo trilhado na miséria, governado por estrangeiros e acadêmicos incompetentes que pertencem por trás das paredes de suas Universidades, esperadamente fazendo pesquisa e longe dos alunos, cujos futuros venderam, em vez de destruírem a economia de Portugal e doar seus recursos para terceiros.

Existem alternativas, e as alternativas não roubam dinheiro dos bolsos dos cidadãos: sobretaxa sobre transações financeiras, agora, e não vagas referências à ideia no futuro distante; sobretaxa sobre as grandes empresas com volume de negócios de mais de 12,5 milhões de Euros por ano; sobretaxa sobre a distribuição de dividendos; combate contra a evasão fiscal dos grandes em vez de arruinar a vida dos pequenos que simplesmente tentam colocar comida na mesa.

Estas alternativas o governo, aparentemente, não tem considerado, excepto o anúncio de que, eventualmente, Portugal vai seguir o resto da Europa na implementação da Taxa Tobin, ainda uma promessa nebulosa para taxar as transações financeiras. O quê eles estão esperando? A imposição de um imposto de um por cento sobre transações financeiras iria fornecer dinheiro suficiente para exonerar os cidadãos de grande parte do fardo enorme de imposto que pagam.

Mais uma vez, os que governam os portugueses se vendem aos caprichos de estrangeiros, chutando seu povo nos dentes e quando eles se queixam, ainda urinam por cima deles do seu pedestal em uma atitude de teimosia, arrogância e prepotência.

Aos ilustres senhores e senhoras que governam esta faixa atlântica, pela primeira vez nas suas vidas, ouçam, e ouçam bem:
1. O espaço estratégico de Portugal não é mediterrânico, é um país atlântico e seu foco deve estar na CPLP, o espaço ao qual dedicou 500 anos;

2. Os activos de Portugal pertencem aos cidadãos portugueses, e não a um punhado de meninos mimados assentes em posições de poder, não são para vender ou dar a estrangeiros. Se vocês são incompetentes para protegê-los, então façam favor e saiam do lugar. Se vocês destruíram o país intencionalmente, e meteram o dinheiro dos cidadãos nos bolsos, então vocês são uns traidores de merda;

3. Vocês pensam seriamente que os salários e as pensões miseráveis ​que ​seu povo ganha podem resistir um aumento de um por cento em sobretaxas fiscais? Algum de vocês já pegou numa pá na mão e teve que ganhar a vida a partir de uma faixa de terra e meia dúzia de galinhas?

4. Por quê é que vocês se recusam a falar com o seu povo em vez de andar de mãos dadas com os que meteram Portugal no poço em Bruxelas, aqueles que pagaram aos agricultores para não produzir, aqueles que deram as águas portuguesas aos espanhóis, aqueles que deram a industrua portuguesa à Alemanha, aqueles que negoceiam o espaço aéreo português, que mandaram as frotas pesqueiras se afundarem, aqueles que destruíram os futuros dos jovens portugueses?
5. Finalmente, para os iluminados adiantados mentais que (des)governam Portugal, por falta de uma melhor expressão, mesmo um idiota sabe que o exercício de governo através de planilhas de Excel não funciona! Quanto mais pesada for a carga fiscal, menos receita você ganha, porque quanto menos dinheiro as pessoas têm para gastar, menos empregos se criam, portanto, as receitas são menores enquanto o Estado gasta mais em subsídios. Vocês que passaram a vida inteira estudando e ensinando, ainda não entenderam o que é um facto básico? Mas são parvos, ou quê?
Com "ministros" como estes dirigindo o país, quem precisa de ir ao circo no Natal (se ainda o Natal em Portugal não for cancelado por decreto)?

Em fim, o quê esperar de uma meia-tigela de dementes simplórios que têm a mania que o sol brilha dos seus traseiros, que não sabem absolutamente nada sobre nada, nunca fizeram um dia de trabalho nas suas miseráveis vidas, e que ainda por cima têm a audácia de chamar aos portugueses "piegas", "ignorantes", ou preguiçosos"? Resposta: Terrorismo Social.
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“Imaginem o dia do Círio de Nazaré em Belém do Pará, mas antes multipliquem por 100. Essa é a dimensão próxima do que assistimos aqui ontem. Uma verdadeira avalanche vermelha”. Foi o que declarou José Reinaldo Carvalho, secretário Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por telefone, direto de Caracas, na Venezuela, à Rádio Vermelho, ao falar sobre a multidão que tomou as ruas da capital venezuelana para reafirmar seu apoio a Hugo Chávez.


Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo





“A multidão que ocupou as ruas de Caracas nesta quinta-feira (4) é incalculável, não há nenhum parâmetro de manifestações no Brasil que já tenha visto para mensurar o que assistimos aqui na Venezuela. Neste momento, o povo, verdadeiramente, faz história. Isso demonstra que está em curso na Venezuela um novo tipo de democracia, uma democracia participativa, uma democracia efetivamente popular, em que o povo é dono do seu destino”, declarou o dirigente.

José Reinaldo, que representa o PCdoB nas atividades que estão sendo realizadas na reta final das eleições da Venezuela, externou que “o entusiasmo e a euforia são os principais combustíveis para reforçar as manifestações e ampliar a adesão das pessoas a apoiar Chávez nestas eleições”.



(Clique no título, leia reportagem completa e ouça Direto de Caracas, o editor do Vermelho falando do clima e da euforia popular para a eleição de Hugo Chávez, na Rádio Vermelho, no rodapé da matéria)
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Eleições 2012: Em Florianópolis, lava-se roupa suja na paradisíaca praia de Sambaqui



Raul Longo*



Nada mais apropriado para identificar a esquerda da capital de Santa Catarina do que a ilustração acima.

Foi utilizada pelo Portal Desacato para a publicação de matéria do respeitado jornalista Celso Martins, denunciando as ameaças de um candidato e um dirigente do PCdoB à sua pessoa, pelo simples fato de ter publicado o indeferimento de uma candidatura à vereança pelo TSE.

Como historiador que é, Celso se ateve à reprodução do documento expedido pela Ministra do Tribunal. E como jornalista, que também é, consultou a opinião do candidato e do dirigente, conforme se confere em: Problemas na filiação motivam o indeferimento da candidatura”.


Considerando que a base eleitoral do candidato se concentra na região à qual reporta e se dirigo Portal Daqui na Rede, administrado por Celso Martins, é de se questionar qual seja a dúvida sobre o processo democrático: no que se refere às normas estabelecidas pelo TSE ou quanto às funções do jornalismo que, quando sério e comprometido com a verdade, se faz necessário e útil a políticos bem intencionados?

A seriedade e o comprometimento de Celso Martins o acompanham por toda sua história jornalística, desde quando em Santa Catarina correspondia o semanário Movimento, expoente nacional da imprensa em oposição à ditadura. Realizou uma das mais completas coberturas fotográficas da Novembrada, manifestação popular contra o General Figueiredo e Bornhausen, então interventor dos militares no estado.

Isso de divergências entre as esquerdas não é de hoje, nem exclusividade de militantes e políticos catarinenses. Na verdade é coisa histórica e muito já beneficiou os interesses de direita em todo o mundo. Mas em Florianópolis toma-se de contornos de histeria personalista.

Na mesma edição do Portal Desacato onde Celso aponta as ameaças recebidas de equivocados partidários de esquerda, um ex-integrante do PT se defende das acusações de outro ainda integrado ao partido que o acusa de se opor à candidatura da aliança PCdoB e PT. E, por sua vez, o acusado denuncia aquele que se mantêm petista, embora integrado a atual administração municipal como aliado ao prefeito de Florianópolis, hoje do PMDB e antes PFL e PSDB, com candidato próprio à sua sucessão.

Como se fosse pouco, pela minha caixa de correio abaixam outros Exus Tranca-Rua e um desses, emigrado do PT ao PSOL, sugere que os ecologistas da cidade estejam perplexos pela falta de respostas da candidata da frente de esquerda liderada pela coligação PCdoB/PT ao que foi intitulado de “Plataforma Ecológica”. Na verdade se trata de um questionário sobre promessas eleitorais, distribuído a todos os candidatos -- de esquerda e direita -- pela Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses - FEEC.


Não se pergunte como é isso de uma entidade coordenada por moradores de uma mesma capital, ser uma federação! Por federação se compreende algo de representatividade nacional, mas o realmente difícil de compreender é qual seja a perplexidade pelo fato de em meio ao fim de campanha eleitoral, a equipe da candidata Ângela Albino não ter se dedicado a responder as 67 questões no prazo de menos de três dias, estabelecido pela federação da Ilha de Santa Catarina.

No entanto, perplexidade de fato é provocada pela utilização do questionário para indicar entre os candidatos majoritários a César Souza como o mais identificado aos ideais preservacionistas da FEEC. Da coligação de direita formada pelos que há décadas se sucedem nos governos do estado e do município utilizando os órgãos públicos como balcões de negócios para viabilização de empreendimentos predatórios, César pertence ao grupo político que perpetrou crimes ambientais que deram origem a operações da Polícia Federal. E Federal no sentido de federação brasileira.


Apesar da principal concorrente da [AA: concorre com/contra a] direitaÂngela Albino, ser a candidata que mais enfaticamente se pronuncia sobre questões ambientais, apresentando soluções e propostas realistas e comprometidas com a preservação do que restou de natureza após décadas de governos da coligação Amin/Bornhausen, para um segundo turno em Florianópolis os ecologistas de esquerda ou vice-versa - talvez nem tão versa ou nem tão vice quanto alardeiam - acenam apoio e voto à elite econômica do município, afamada e historicamente predatória aos interesses sociais e ecológicos. Sem dúvida, uma perplexidade!

Enquanto a capenga esquerda da capital catarinense continuar usando da foice para ceifar a si mesma, os leiloeiros da direita continuarão batendo o martelo a cada lance administrativo a que forem eleitos.

Até quando? Quando a esquerda perder todas as pernas? Ou quando a direita arrematar, aos interesses privados de todas as origens -- federais ou estrangeiras -- o pouco que ainda resta aos munícipes e demais cidadãos de todo o estado? 

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*Raul Longo, jornalista e escritor, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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O SONHO NUNCA ACABA

Para quem tem uma longa estrada atrás de si, o aniversário convida à reflexão, a fazer um inventário dos sonhos concretizados, pendentes e desfeitos.

Mais ainda quando, como é o meu caso, ocorre exatamente na véspera de um dia decisivo: no domingo saberei se o meu último sonho terá sido, parafraseando meu velho amigo Raulzito, um sonho que sonhei só ou um sonho que se sonha junto e vira realidade.

Como estou desde os 17 anos empurrando pedras para o topo da montanha e várias vezes elas despencaram (algumas de forma extremamente sofrida, como quando tantos  imprescindíveis  se imolaram numa guerra impossível de ser vencida), não encaro uma eventual derrota como tragédia. O importante é lutarmos pelos objetivos corretos, de forma íntegra e dando o melhor de nós.

Até porque os combatentes da justiça social e da liberdade perseguimos um ideal milenar, sem que a vitória até agora nos sorrisse. Aproximamo-nos e distanciamo-nos dela, apenas. A humanidade irmanada na priorização do bem comum e do pleno atendimento das necessidades humanas continua existindo apenas na imaginação de poetas como John Lennon, de profetas como Karl Marx e de bravos guerreiros como Che Guevara.

Não existe, contudo, nada de mais nobre a que dedicarmos nossa existência. Quem trava o bom combate e o faz como bom combatente é o sal da Terra, o arauto da solidariedade e o portador da esperança.

Os que nos propomos a desempenhar tal papel não nascemos prontos. Tentamos construirmo-nos como homens novos ao longo da jornada, conscientes de que as pessoas estarão sempre atentas, avaliando nossos sonhos pelo que fizermos. Ninguém sonhará junto se nós mesmos não nos mostrarmos à altura dos ideais que professamos.

Então, refleti muito antes desta incursão tardia pela política convencional. Estava consciente de que me exporia à incompreensão de alguns e à desqualificação por parte de outros; e que a mentalidade clubística ainda predominante na esquerda me faria, deixando de ser independente, perder espaços e tribunas na internet.

Havia, no entanto, valores mais importante a considerar do que meus ônus pessoais.

Desde 2007 eu vinha denunciando os balões de ensaio fascistizantes na capital paulista. Com os tucanos e seus aliados monopolizando os governos estadual e municipal, a cidade se torna, cada vez mais, o laboratório no qual se testam as fórmulas para um novo totalitarismo, aferindo-se a resistência da sociedade ao estado policial.

A escalada autoritária veio intensificando-se de ano a ano:
  • as  invasões bárbaras  da USP começaram com o ingresso das mais truculentas tropas de choque da Polícia Militar em algumas situações e acabaram com a ocupação permanente da Cidade Universitária, evocando os piores tempos da ditadura militar;
  • a repressão da Marcha da Maconha também representou uma volta àquele passado infame em que se atentava impunemente contra a liberdade de expressão e de manifestação;
  • a forma como dependentes químicos foram escorraçados da cracolândia a pontapés fez lembrar o próprio nazismo;
  • na desocupação do Pinheirinho, chegou-se ao absurdo de desconsiderar uma ordem judicial para cumprir outra e de sequestrar um idoso para que a imprensa não constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (com a agravante de que ele faleceria três semanas depois);
  • a prática, adotada pela PM sob as vistas grossas do governo do Estado, de maquilar execuções a sangue-frio como mortes decorrentes de resistência à prisão tem merecido repúdio universal;
  • a designação de oficiais da reserva da PM para gerirem 31 das 30 subprefeituras paulistanas implica a adoção da mentalidade policial no trato dos problemas sociais e para fins de controle político, com os excessos intimidatórios já sendo notados na periferia e bairros pobres (a vandalização do Sarau do Binho é um exemplo).
A DECISÃO DE LEVAR A LUTA AO CAMPO DO INIMIGO

A influência exercida pela web no Caso Battisti só se repetiu no episódio da proibição da Marcha da Maconha, quando os saudosos do arbítrio foram obrigados a recuar. Mas, mostrou-se insuficiente nos demais casos, principalmente o do Pinheirinho, quando havia gritantes motivo para se exigir o impeachment do governador Alckmin, mas nem sequer foi tentada uma mobilização neste sentido (embora eu tenha lançado sucessivas exortações e estimulado de todas as maneiras tal iniciativa).

Então, levando em conta o menor impacto atual das redes sociais em batalhas importantíssimas e o fato de estar sendo boicotado pela grande imprensa (que, macartista como nunca, fechou-se para mim como profissional e nem sequer permite que meu nome seja citado como personagem histórico e participante de acontecimentos atuais), decidi abrir uma segunda frente, levando a luta para o campo do inimigo.

Qualquer que seja o resultado do pleito, não me arrependo. Era o que havia a ser feito. Quando portas se fecham, os revolucionários temos de abrir outras, jamais deixando que nos reduzam à impotência. Cumpri o meu papel.

Também acredito ter contribuído para aclarar noções sobre como deve comportar-se um candidato de esquerda em processos eleitorais que, no nosso caso, devem ser encarados sempre como oportunidades táticas para acumulação de forças e não como objetivos estratégicos.

Por mais que este conceito seja tido como axiomático em termos teóricos, a compulsão de vencer a qualquer preço acaba contaminando muitos companheiros, que incorporam acriticamente as práticas das campanhas dos candidatos do sistema, em todos os sentidos:
  • buscando evidenciar-se melhor do que eles na gestão das miudezas paroquiais, quando nossas campanhas devem ser sempre ideológicas, por princípio e até por eficácia (correndo na mesma faixa dos direitistas e reformistas, sempre perderemos para seus recursos e sua máquina de comunicação infinitamente superiores);
  • personalizando as campanhas como eles fazem, o que vem ao encontro da intenção da burguesia e sua indústria cultural, de desideologizar as eleições, tornando-as semelhantes à escolha de ítens para consumo;
  • e até repetindo a prática repulsiva de convidar os eleitores a votarem em alguém apenas por ser filhote deste ou daquele, e não por ter as melhores aptidões e antecedentes na luta revolucionária.
Do meu pai herdei o exemplo, os princípios morais e a educação que ele, com tanto sacrifício me proporcionou. Nunca precisei de outros pais, nem os procurei. Desde os 17 anos venho escrevendo minha própria história.

E é ela que deve justificar, ou não, a escolha dos eleitores e o apoio dos companheiros que ainda venham a contribuir para uma arrancada final.

No fundo, trata-se de mais uma luta de Davi contra Golias. Mesmo quando todas as carta parecem estar todas marcadas contra nós, temos de manter o ânimo e lutar até o fim. Às vezes, como no Caso Battisti, o aparentemente impossível acontece.

Hebe Camargo, que Deus a tenha no calor de uma de Suas muitas moradas



Artigo recebido via e-mail de Rosa Pena, escritora carioca, colaboradora desta nossa Agência Assaz Atroz.

Acesse o site da Rosa e leia crônicas, contos, poesias e prosas poéticas:  ROSA PENA



Hebe Camargo e o respeito à vida (ou a falta dele)


Sérgio de Moraes Paulo

Dou aulas de Geografia há 19 anos. Talvez poucos nomes foram tão lembrados nas minhas aulas quanto o de Hebe Camargo. E tenho certeza de que jamais disse algo de bom a respeito dela. Muita gente deu risada e, de vez em quando, alguém não se continha e perguntava: "Mas por que você não gosta dela?". Para alguns alunos eu dizia as minhas razões. Na maior parte das vezes respondia com outra pergunta: "Por que deveria gostar dela?", ou ainda, "Dê-me pelo menos 3 razões para gostar dela...". Nunca me disseram uma única razão.  

Ontem Hebe Camargo morreu e não foram poucos os amigos que me avisaram. Mensagens pelo celular, recados em caixa-postal e mais de 60 notificações no Facebook me obrigaram a dizer qualquer coisa. 

A primeira coisa que pensei foi explicar, finalmente, as razões de minha implicância com a falecida. Mas julguei que tão importante quanto isso seria deixar claro que não havia motivo para debochar da sua morte. Quem respeita a vida e luta contra os abusos contra ela não tem o direito de brincar com a morte dos outros. Eventualmente uma piada ou outra acaba saindo, em ambiente privado, descontraído. Publicamente não é bom. E no mundo em que vivemos é preciso cada vez mais separar o que é íntimo, privado, daquilo que pode ser público, aberto. 

E eis que aí procuro me diferenciar de Hebe Camargo. A busca pela correção   naquilo que tornamos público. 

Já disse algumas vezes, para algumas turmas de alunos, que um professor deve ter responsabilidade com aquilo que diz. Brincadeiras à parte, manifestações racistas, preconceituosas ou que preguem qualquer tipo de mal individual ou coletivo, devem ser combatidas, mais do que evitadas. Na minha carreira de professor tive períodos de lecionar, semanalmente, para centenas de alunos. Não tive o direito de pregar ódio. E procurei ser cuidadoso com isso. Sempre, apesar de erros.

Hebe Camargo tinha um alcance maior. Em rede nacional de TV atingia milhões de brasileiros. Era descontraída e tinha uma capacidade de comunicação rara. Reconhecer isso não me traz nenhuma dificuldade. Minha repulsa era justamente o que ela fazia com essa capacidade rara de comunicação. 

Quem ler o livro "Autopsia do medo", de Percival de Souza, ficará sabendo de muitas histórias a respeito do maior torturador do regime militar, Sergio Paranhos Fleury. Nele saberá de ao menos uma das relações entre o delegado torturador e Hebe Carmargo. 

Fleury se notabilizou pela capacidade de combater opositores do regime militar, em especial os guerrilheiros.  Ele era um delegado de péssima reputação na polícia de SP, mas foi útil ao empregar suas "técnicas" para a ditadura. Um promotor público de SP, baixinho e fisicamente frágil, chamado Hélio Bicudo, ousou enfrentar o delegado torturador, assassino e ocultador de cadáveres. 

Hélio Bicudo sabia que não podia enquadrar Fleury por crimes de combate a perseguidos políticos. Usou outra estratégia. Resolveu enquadrar o delegado pelos abusos que cometeu ANTES de ser agente da repressão política. Fleury fazia parte de um esquema de assassinatos conhecido como "Esquadrão da Morte", e por ele foi processado e julgado. 

A estratégia de Hélio Bicudo foi tão engenhosa que a ditadura não tinha como livrá-lo da cadeia. A solução para a ditadura foi mudar a lei. Inventou que réu primário não precisava necessariamente ser preso. A lei ficou conhecida como "Lei Fleury". Criada para livrar a cara de um delegado torturador. 

No processo contra Fleury foram arroladas testemunhas para a sua defesa. Uma delas foi Hebe Camargo. Fleury agenciava policiais que trabalhavam como seguranças para cantores e gente da televisão. Por isso era bem relacionado com gente da TV. A estratégia da sua  defesa foi impressionar o tribunal com uma figura conhecida e muito influente. 

Muita gente pode ser poupada de críticas pelo que fez ou  deixou de fazer durante a ditadura. Hebe Camargo não. Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. 

No período pós ditadura não me impressionou que Hebe apoiasse Paulo Maluf e atacasse uma figura como Dom Paulo Evaristo Arns. Não foram poucas as vezes em que vi Hebe Camargo protestar contra defensores de direitos humanos. 

Também não me causou espanto vê-la no falido movimento "Cansei", aquele que tentou explorar politicamente a dor causada pela queda do avião da TAM. O movimento "Cansei" partiu de uma ação nojenta. Usar a morte e a tristeza para interesses político-eleitorais. Hebe Camargo mais uma vez não respeitou isso. 

Num país que valorizasse a vida humana e o respeito ao direito básicos de TODOS, Hebe Camargo não teria público. Não seria proibida de falar as bobagens e as apologias de violência que tanto apreciava. Num país mais civilizado ela simplesmente seria ignorada.

Entendo que uma figura como Hebe Camargo não aparecerá novamente, pela simples razão de que a televisão já não é a mesma. Até poucos anos atrás uma apresentadora de TV tinha um peso muito grande na opinião das pessoas, pois não havia muitas opções. Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV. É cada vez menor o número de pessoas que ainda assistem novela e que levam a sério porcarias de programas como os que são apresentados na TV brasileira. 

O que lamento nessa história toda é que a saída de Hebe Camargo da TV brasileira se tenha dado apenas por conta da sua morte. O país que desejo para o povo seria capaz de se livrar desse tipo de conduta sem a morte. 

O respeito à vida me obriga a continuar lutando e me manifestando nessa direção. O respeito à vida humana  que Hebe Camargo jamais demonstrou ter. 

Morreu Hebe Camargo e espero que um dia morra esse jeito nefasto e desumano de usar a TV no Brasil. 

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No "Aqui Agora": fama de justiceiro

O jornalista Joaquim de Carvalho, paulista de Assis, fez em 1994 o primeiro grande perfil de Celso Russomanno. Foi para a revista Veja São Paulo. Russomanno era um campeão de audiência no programa sensacionalista Aqui Agora e havia se elegido deputado federal com mais de 200 mil votos. A convite doDiário, Joaquim escreveu sobre os bastidores dessa matéria. Ele conta que Russomanno lhe suplicou, de mãos juntas, para não publicar uma denúncia. “Se você acredita que eu posso fazer alguma coisa boa por este país, pelo direito do consumidor, não publica isso. Vai ficar difícil para mim.”

Joaquim passou pelo Estadão, Veja e Jornal Nacional. Hoje, aos 49 anos, faz reportagens para a produtora Memória Magnética. É autor do livro Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias, finalista do Prêmio Jabuti de 2005.

(Clique no título e leia matéria completa)
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Nota recebida via e-mail da redecastorphoto


Vocês se lembram de quando FHC comprou votos para mudar a lei e reeleger-se?

E a PRIVATARIA TUCANA, por que não virou CPI? Por que não foi ao STF?

Resposta: porque neste país a classe dirigente é soberana. É ela que decide quem deve ou não ser julgado e condenado. O objetivo não é a tal corrupção, endêmica no país. O objetivo é desmoralizar o PT. Se a meta fosse a corrupção, o tucanato todo já estaria atrás das grades.

Baixe o especial PRIVATARIA TUCANA, do Brasil de Fato, aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/9737. (O linque para o material está no fim da página.) Distribua aos amigos, conhecidos, pelas redes sociais.

Exijamos justiça. Afinal, o PSDB vendeu o patrimônio de todas e de todos as/os brasileiras/os, ninguém sabe onde esse dinheiro foi parar e o Judiciário brasileiro nunca se interessou em investigar o caso. Façamos um movimento nacional para exigir punição aos responsáveis -- entre os quais está o intragável José Serra, o que tem o mais alto índice de rejeição do eleitorado brasileiro.

Só uma perguntinha: alguém já investigou o motivo da morte da jovem esposa de Celso Russomano, anos atrás, no hospital São Camilo? Houve exames de vísceras, de tecidos? Se não houve, ainda é tempo.

Baby


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Outra nota recebida via e-mail da nossa correspondente...

Avelina Martinez Gallego

Amigos,
Respeito a decisão de cada um de vocês em relação ao voto! Partindo desta premissa gostaria que vcs. fizessem uma reflexão sobre o que está em jogo nestas eleições:

Todos sabem que defendo a candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, porém não venho pedir seu voto para ele, venho pedir que vcs. reflitam sobre o que, realmente, está em jogo nestas eleições.

Defendo a candidatura de Haddad, pois acompanho a trajetória dele no MEC há 8 anos e não posso, conhecendo um pouco do tema educação, deixar de defender a verdadeira revolução silenciosa que ele fez nas políticas educacionais do país. Ainda não está como gostaríamos que estivesse, ma ninguém pode deixar de perceber que o ministro Haddad fez pelos estudantes mais pobres deste país o que nunca havia sido feito.

Mas o objetivo deste e-mail não  é convencer vc. de que o meu candidato é melhor que o seu, respeito sua decisão.

O perigo maior que estamos correndo é ver o candidato Serra, um moribundo político, ganhar forças para, se for eleito, largar a prefeitura de novo daqui a 2 anos nas mãos de um aventureiro como o Kassab.

 Não tenham dúvidas que, se Serra for para o 2º turno, ele ganha as eleições, pois o PSDB do Brasil inteiro jogará suas forças políticas e econômicas na candidatura dele.

Mas se não ganhar a eleição o que fizemos levando-o para o 2° turno foi dar sobrevida a um político da pior espécie que já está praticamente aniquilado.

O que Serra quer na verdade é ganhar força política pois em breve ele terá que enfrentar os tribunais para responder sobre os processos que estão descritos no livro A Privataria Tucana. ( se vc. ainda não leu, informe-se na Wikypédia :http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Privataria_Tucana

Pois bem, não há outra maneira de nos livrar desse tipo de políticos a não ser cortando pela raiz suas pretensões, não permitindo que ela vá para o 2ºturno.

A única maneira de não permitir que ele tenha uma sobrevida política é não permitir que ele vá para o 2º turno votando no Haddad. 

É isso mesmo voto ÚTIL para livrar São Paulo e o Brasil do político mais nefasto que já tivemos.

Por isso estou pedindo voto útil para Haddad. No segundo turno vc. avalia em quem votar.

Vamos pensar nisso, pelo bem do Brasil.

Se voce concorda comigo, peço-lhe que repasse para seus amigos e familiares

Abraços e obrigada

Avelina Martinez ( socióloga e consultora em educação)

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Brasil "vira-lata" vira História em livro de Aurelio Schommer




Aurelio Schommer, professor, historiador e escritor, acaba de lançar o livro “História do Brasil vira-lata”, pela Editora Casarão do Verbo, “obra que traz amplo inventário sobre o problema da autoestima entre os brasileiros ao longo dos 500 anos de nossa história”.

“As mentes letradas, iluministas, de Portugal, consideravam o índio como igual (...) Porém, a partir da Independência, as nossas autoridades, os nossos ministros, eles assumem uma postura indianista, quer dizer, o indianismo de José de Alencar, aquela coisa [no âmbito literário], mas, na prática, eles passam a tratar o índio como idiota, como imbecil, e passam a reclamar do ‘azar’ de ter encontrado índios tão atrasados no Brasil, enquanto que os espanhóis encontraram os incas e os astecas...” – Aurélio Schommer, em entrevista ao historiador Rodrigo Lopes, na Rede Bahia de Televisão.

Assista à entrevista clicando neste título:


Sinopse da rede de livrarias Saraiva:


“O mais completo inventário já realizado sobre a tradição autodepreciativa na história do Brasil, do choque com o atraso dos índios à supervalorização do imigrante europeu e ao mito da sexualidade exacerbada. Obra em linguagem literária, bem-humorada, destruindo mitos falsos, como Tiradentes, demonstrando de onde veio tanto desamor pelos naturais do país.”

Para adquirir o livro, acesse Saraiva.com:


Sobre esta nossa Agência Assaz Atroz, para o nosso deleite, Aurelio Schommer nos diz: “O seu é um blog de belíssimo conteúdo, cada vez que recebo atualizações em meu e-mail fico feliz e abro correndo”. 

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Leia também...



"O rapper paulistano Emicida estava voltando do jantar, no último sábado (29), quando deu de cara com Adelaide, personagem do "Zorra Total", na televisão da van.

Indignado, publicou uma carta no Facebook sobre a "desvalorização da mulher preta" e a "ditadura eurocêntrica de beleza".

"Estamos em um momento delicadíssimo na história do Brasil. Discute-se sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato, cria-se um plano de prevenção a violência contra a juventude negra, porém um ataque contra a etnia que mais trabalhou por este país passa despercebido desta forma, como uma piada, o mesmo tipo de piada que foi hospedeira durante todos estes séculos da doença que é o racismo", disse.

Adelaide, interpretada pelo ator Rodrigo Sant'Anna, é uma mulher negra e pobre, que circula pelo corredor do metrô com seu "tablet", pedindo "50 centarru, 25 centarru, dez centarru" aos passageiros. Para viver a personagem, cujo bordão é "a cara da riqueza", o humorista escurece a pele com maquiagem. Ele também usa um nariz falso e uma prótese na boca sem os dentes da frente.

Recentemente, entrou em cena também Brit Sprite, a filha de Adelaide, vivida pela atriz Isabelle Marques.

"Deixo aqui meu desprezo a este 'humorista' que aproveita-se da triste situação em que esta sociedade doente colocou nossas mães/irmãs/esposas/amigas. E maior ainda é minha tristeza com nossos irmãos pretos/brancos/índios que não conseguem identificar tamanha violência racial adentrando suas casas", finaliza o rapper. A íntegra da declaração está no final do texto.”

(Clique no título e leia matéria completa)


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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CAÇADA AO OBSCURANTISMO

É curiosa a CartaCapital. Desde os tempos em que a Tribuna da Imprensa (RJ) expressava, da primeira à última página, as posições do aguerrido Hélio Fernandes, eu não vejo um veículo tão identificado com seu  dono.

Pena que Mino, o arqui-super-ultra-megalomaníaco que faz questão de exibir a  certidão de propriedade  até no nome da revista, não tenha a milionésima parte do talento e da coragem de Hélio Fernandes.

Aquele, de peito aberto, confrontava ditaduras. Já o Mino foge como um fedelho quando desafiado para debater com intelectuais que travam o bom combate, como o Carlos Lungarzo, o Rui Martins e eu. Nunca fez jus ao apelido de  imperador, salvo se o paradigma forem imperadores como Nero e Honório.

Herdeiro do que o Partido Comunista Italiano tinha de pior --e não, jamais!, do extraordinário legado de Gramsci--, Mino tem uma característica inconfundível dos stalinistas: adora caçar bruxas.

Ele e seu escudeiro Walter Maierovitch ultrapassaram todos os limites jornalísticos na cruzada histérica para tentarem forçar a extradição de Cesare Battisti. Houve momentos em que textos adversos ao escritor se sucederam edição após edição; não contente em destilar seu rancor em editoriais, Mino escrevia ele mesmo as notícias sobre o Caso Battisti, sem assiná-las, mas  entregando o ouro  ao utilizar o linguajar vetusto e pernóstico que lhe é peculiar.

Depois daquela derrota acachapante, parece que o novo alvo da CartaCapital é Monteiro Lobato.

Um tal Willian Vieira adota, na patética querela dos patrulheiros cricris contra um dos maiores escritores engajados que este país já produziu, uma posição tendenciosíssima, bem ao feitio do Mino e do Maierovitch.

Enviou uma pauta simplesmente grotesca a Teresa Lajolo, que, além de doutora em Letras e professora titular da Unicamp, tem em seu passado lutas importantes, como a do resgate das ossadas de Perus. As perguntas vieram impregnadas de furor inquisitorial, como se constata neste exemplo:
"Ao contrário de Twain, que era um defensor da igualdade racial, um antirracista notório, Monteiro Lobato é reconhecidamente um autor com tintas racistas – para alguns, era um eugenista. Isso faria do livro uma situação distinta da de Twain?"
A entrevistada não se deixou coagir pelo advérbio intimidatório (é bem maior a quantidade e a qualidade dos acadêmicos e estudiosos que   reconhecem  exatamente o contrário). E retrucou:
"Minha opinião é diferente. Não acho que a posição assumida pelo narrador lobatiano manifesta atitudes que possam ser consideradas 'racistas', isto é, não creio que a obra literária lobatiana expresse ou propague atitudes de agressão e de desamor a negros".
O tal Willian concedeu à companheira Lajolo apenas um parágrafo de sua reportagem, cujo viés é o dos pupilos da Dona Solange, a censora-mor da ditadura militar. Começando pelo título: Caçada ao racismo (vide aqui).

Indignada, ela pediu ao Observatório da Imprensa que publicasse o conjunto de suas respostas ao tal Willian (vide aqui). 

Tudo que havia a dizer-se sobre essa questiúncula que, de tão ínfima, jamais deveria ter sido levada ao Supremo Tribunal Federal, está dito na resposta final de Teresa Lajolo, cujos trechos principais transcrevo e assino embaixo:
"Não acho que seja universal ('em todo mundo') a tendência a 'corrigir' obras literárias. Mas mesmo que fosse – judeus e prostitutas excluídos da obra de Shakespeare, escravos negros expulsos da Bíblia e das Mil e Uma Noites, homossexuais banidos da obra de Dante – eu seria contra.
Também discordo de incluir 'ressalvas' (como notas de rodapé, anotações & similares ) em livros. Elas manifestam uma vontade disfarçada de 'gerenciar' a leitura, impondo certos significados (e proscrevendo outros) aos leitores.
...Que tipo de cidadão forma a frase final de Caçadas de Pedrinho, na qual Tia Nastácia, tomando o lugar de Dona Benta em um carrinho, proclama: 'Agora chegou minha vez. Negro também é gente, sinhá...' (p.71).
Será que a voz da própria Tia Nastácia, no livro, não é mais convincente do que rodapés e advertências?"
Quanto ao tal Willian, a diferença entre ele e Shakespeare não está apenas na grafia do prenome (William, no segundo caso). Está na trincheira ocupada por cada um. São antípodas, inimigos irreconciliáveis, os criadores e os censores (tanto os assumidos quanto aqueles que não ousam dizer seu nome...). 

Torquemada é pior do que os vampiros: por mais que cravemos estacas no seu coração, ele sempre volta.  Só que, já não tendo o Tribunal do Santo Ofício a seu dispor, ele agora é obrigado a recorrer ao STF. 

A repetição da História é, mais do que nunca, uma farsa: no século 21 não se colocam mais livros no index, nem se condena Giordano Bruno.  

Não nos livramos da ditadura dos militares para cairmos na ditadura do  politicamente correto, autoilusão impotente dos que abdicaram de mudar o mundo e agora tentam convencer-se de que cumprem um papel revolucionário mudando a forma como nos referimos às coisas do mundo.

Marx rechaçou esta saída pela tangente há exatos 167 anos, na 11ª tese sobre Feuerbach: 
"Os filósofos nada mais fizeram do que interpretar o mundo, de diversas maneiras. Chegou a hora de transformá-lo".
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COMPANHEIROS, PRECISO DE VOCÊS!

Minha campanha para a vereança de São Paulo continua dependendo do apoio de companheiros que julguem importante quebrarmos a espinha dos reacionários e golpistas, detendo a escalada autoritária em São Paulo.

O artista gráfico Eliseu de Castro Leão, que há três décadas mora e trabalha na Itália, solidariamente produziu ótimos folhetos; eles estão à disposição dos interessados que o solicitarem a lungaretti@gmail.com

Se alguém tiver amigos/conhecidos influentes na mídia convencional ou alternativa, não custa nada propor que noticiem minha campanha. 

Outras possibilidades são as de divulgar a carta destinada ao eleitorado em geral (copiar daqui) e o vídeo que, solidariamente e por iniciativa própria, o poeta Marcelo Roque criou (disponibilizado em http://youtu.be/f76HdD34Arg).