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sábado, 15 de setembro de 2012

Hermano Jimenez: '“Outra Colômbia é possível e juntos podemos modelá-la”.


Timoleón Jiménez: “Outra Colômbia é possível e juntos podemos modelá-la”

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imagemCrédito: 3.bp.blogspot
Transcrição Stolpkin.net: Nota Stolpkin.net:  A seguinte transcrição, completa, é a declaração das FARC-EP, através do seu comandante-em-chefe Timoleón Jiménez, sobre o “anúncio oficial do início das negociações de paz com o Governo da Colômbia”.
Comandante Timoleón Jiménez:
As FARC-EP desejamos também tornar público o anúncio oficial do início das negociações de paz com o Governo da Colômbia.
De fato, na cidade de Havana, na Cuba revolucionária de Fidel e Che, na pátria socialista de José Martí, nossos delegados assinaram em 27 de agosto deste ano, o Acordo Geral convocada Para o Término do Conflito e a Construção uma Paz Estável e Duradoura.
Timoleón Jiménez
Com isto inicia-se novamente um processo de diálogo para a obtenção da paz em nossa pátria; uma aspiração nobre e legítima que a insurgência colombiana defende faz meio século. Anexamos o texto do citado acordo.
Consideramos um dever incontornável reconhecer a ajuda inestimável do Governo da República Bolivariana da Venezuela, liderado pelo senhor presidente Hugo Rafael Chávez Frias, que foi determinante para a conclusão deste acordo; bem como a imensurável atuação do Governo do Reino da Noruega, que desempenhou um papel fundamental ... (interrupção).
Sem a preocupação e gestão do governo liderado pelo comandante Raul Castro, esta tarefa longa não teria alcançado um ponto tão exitoso. A todos eles, os nossos agradecimentos formais e sinceros. Temos certeza de que toda a nossa América aplaude sua atuação generosa. Nós não temos nenhuma dúvida de que novas nações continuarão a se somar com a finalidade ajudar este novo esforço.
Passaram-se 10 anos desde quando Andrés Pastrana decidiu jogar no lixo seus objetivos de paz e decretar uma nova etapa no longo confronto civil colombiano. Colocava assim em prática a persistente ameaça de seu ministro da defesa, que nos advertia, começando o processo de Caguán, que teríamos dois anos para chegar a um termo sobre a nossa entrega. Sob pena de sofrermos um extermínio exemplar, por conta do ataque que o Estado preparava contra nós. É claro que foi tudo uma manobra oficial para ganhar tempo. Quanta morte e destruição; quanta dor e quantas lágrimas; quanto luto e desapropriações inúteis; quantas vidas e sorrisos ceifados para finalmente concluir que a saída não é a guerra, mas o diálogo civilizado. Pode ocorrer a mesma coisa, e toda a Colômbia deve colocar-se de pé para impedí-lo. Que não aconteça o mesmo desta vez, a nossa pátria não merece esta guerra que declararam contra ela. Mas, uma década atrás, recaiu sobre a Colômbia e seu povo uma terrível investida militar, paramilitar, judicial, econômica, política e social que agora parece reconhecer-se como vã; também caíram sobre nós como aves de rapina os propagandistas do regime, com seu discurso difamatório e venenoso. Que adjetivos dos mais vis não foram lançados sobre aqueles que tomaram uma posição política ao lado de nossa palavra; de que estigmas infamantes não fomos cobertos ao enfrentarmos a guerra e a violência desencadeada com frenesi pelo Poder; qual dos mais horríveis crimes deixaram de imputar sobre nós? Também esta humilhante deturpação da linguagem acabou sendo inútil.
Voltamos a uma mesa. Reconhecidos como adversários militares e políticos; convidados e protegidos pelos que nos perseguiram; acompanhados e apoiados pela Comunidade Internacional.
Definitivamente, tanta manifestação de ódio carece de sentido. Talvez para a satisfação daqueles a quem o Governo tem reiterado milhares de vezes, tanto nos bastidores quanto em suas múltiplas declarações públicas, a sua inabalável decisão de não permitir nada do que qualifica como concessões no campo de guerra. Em seu estranho parecer, qualquer possibilidade de cessar-fogo, trégua ou armistício, só contribui para a criação de incentivos perversos.
É claro para nós, então, que, apesar das manifestações oficiais de paz, os rebeldes chegamos a esta nova tentativa de reconciliação considerando não somente o ataque  militar desencadeado contra nós uma década atrás, mas sob o assédio e a tentativa de nos compelir abertamente a retirar nossas aspirações políticas e sociais em troca de uma miserável rendição e entrega. Apesar destes sinais, as FARC-EP mantém a aspiração sincera de que o regime não tentará repetir a mesma trama do passado. Pensamos simplesmente que estão em evidência as enormes dificuldades que se enfrentará neste esforço, pois a obtenção de uma paz justa e democrática justifica enfrentar os desafios mais difíceis.
Apesar deles, estamos otimistas. A história sempre foi moldada por forças sociais que apontam para o futuro. Estamos convencidos de que a realidade nacional vai impor a vontade das grandes maiorias, que acredita na necessidade da paz com justiça social.
Ao largo do processo devem ficar os signatários de fabulosos contratos derivados da guerra; os que encontram nos grandes pressupostos de Defesa um rápido caminho para o enriquecimento; os que agregam rapidamente suas propriedades e lucros com base na pilhagem contra os indefesos.
Contra a obsessiva e indolente posição de identificar a paz exclusivamente com a vitória; de alcançá-la mediante brutais operações militares e policiais de aniquilamento; de conquistá-la com base em devastadores bombardeios e fuzilamentos; de identificá-la com a consagração da impunidade para a arbitrariedade de seus agentes; de tê-la com milhares de capturas massivas, ataques, perseguições, desapropriações e todos os tipos de repressão contra o povo colombiano que reivindica seus direitos; de assimilá-la à aceleração da locomotiva da infâmia, é urgente enfrentar uma concepção distinta, justa, realista e construtiva.
Uma paz verdadeira baseada na reconciliação, no entendimento fraterno, nas transformações econômicas, políticas e sociais, necessárias para alcançar o ponto de equilíbrio aceitável para todos; na remoção definitiva dos motivos que alimentam o confronto armado. Sobre tais certezas, elaborou-se conjuntamente a parte introdutória do Acordo Geral.
Uma grande conquista nas discussões das reuniões exploratórias. Percebe-se ali, entre outros fatos, incontestáveis, que este processo de paz atende o clamor da população como um todo e, portanto, requer a participação, sem distinção, de todos; que se deve respeitar os direitos humanos em todos confins do território nacional; que o desenvolvimento econômico com justiça social e harmonia com o meio ambiente é uma garantia de paz e progresso; que o desenvolvimento social com equidade e bem-estar, incluindo as maiorias, nos permitirá crescer como país; que a ampliação da democracia é condição para alcançar bases sólidas para a paz. No entanto, ainda se fazem ouvir  vozes oficiais que abertamente persistem na saída militar. Deixe-os. As FARC-EP assumimos, identificados com o povo da Colômbia, que a introdução desses axiomas no Acordo Geral constitui o marco teórico de princípios que deverão ser materializados nos acordos finais da agenda negociada.
Seis meses batalhando por estas verdades nos permitiu por fim conseguir do Governo Nacional sua inclusão.
Para nós é perfeitamente claro que a chave da paz não repousa no bolso do presidente da República, tampouco no comandante das FARC-EP; o verdadeiro e único depositário de tal chave é o povo deste país. É aos milhões de vítimas deste regime elitista e violento, aos afetados pelas suas políticas neoliberais de exploração, que sonham com uma verdadeira democracia em um país amigo, de desenvolvimento e de paz, que corresponde a responsabilidade de desempenhar o seu papel rumo a uma nova Colômbia. E para eles que estamos, as FARC, nos dirigindo com nossos corações nas mãos. Porque voltou a se abrir a porta da esperança; porque batem os sinos que chamam alto para a praça central, a saírem de suas aldeias, de suas antigas minas, de suas comunidades, de seus bairros pobres, de seus centros de trabalho, das fábricas que os consomem, de suas oficinas domésticas, de seu trabalho agônico diário, de seus centros de estudo, do confinamento da prisão, da sua busca incansável de emprego, de suas pequenas empresas, suas fábricas ameaçadas pela falência, de suas culturas ignoradas, de seu abrigo de desalojados, de seus esconderijos de ameaçados, de seus rincões de vítimas, de suas casas destruídas.
Trata-se de marchar para a paz, para a construção entre todos de um novo país; trata-se de fechar as portas aos senhores violentos; de lutar por profundas modificações da ordem vigente.
O espaço para a luta dos milhões de colombianos está aberta. É isso o que significa que a paz é uma questão de todos.
Temos que fazer desta oportunidade um novo grito pela independência.
Há pouco mais de dois séculos atrás, afirmou José Acevedo y Gómez, de uma sacada da capital: "Se deixeis esta oportunidade única e feliz escapar, amanhã sereis tratados como insurgentes. Eis as masmorras, as cadeias e algemas que vos esperam."
A situação de hoje é assombrosamente semelhante.
Ou os colombianos das montanhas, os secularmente humilhados e ofendidos, os oprimidos e explorados nos colocamos de pé em defesa do nosso território e suas riquezas, do nosso trabalho, das nossas liberdades, das famílias, vidas e culturas ameaçadas por completo, ou acabaremos com a marca do ferro quente nas costas, forçados pelas baionetas, lamentando sem consolo por termos feito pouco pela pátria e nossos filhos; ou vamos seguir sofrendo o prolongamento indefinido e lacerante do conflito e o impedimento do seu desfecho.
Nos últimos dias, alguma revista comentava como que uma dama da alta sociedade, renunciou com enorme raiva a sua participação como sócia em um clube exclusivo da capital, depois de ter visto dançando em um dos corredores um atrevido jovem que portava, ademais, um cigarro na mão. Uma "afronta intolerável", em sua opinião.
Que as pessoas da alta sociedade procedam deste modo dentro de seus clubes sociais, é um problema delas. Mas que não pretendam seguir agindo da mesma forma no país inteiro. Não pode ser descrita como agitação e confusão desnecessária  a participação global do povo colombiano nas discussões de paz. Menos ainda quando se trata daqueles que colocaram a maior cota de sangue e sofrimento neste conflito.
Chamamos assim a Colômbia inteira a pronunciar-se; a exigir sua participação ou assumí-la nas ruas e rodovias, como aprenderam a fazer por séculos. Ela também tem sua agenda.
Em nosso país se vê de tudo. Vampiros sedentos de sangue assediam hoje os quartéis para encher de conselhos os membros das Forças Armadas, a fim de conseguir que atravessem os esforços de paz e reconciliação. Assunto perigoso. Porém sairão também derrotadas. Ninguém como as guerrilhas para confiar na integridade e valor dos soldados e policiais da Colômbia. Combatemos diariamente em todo o território nacional. Eles causam nossas baixas e são por sua vez alcançados com o fogo de nossas armas. Sabem bem que a necessidade os impeliu a ganhar a vida; que alimentam suas famílias com o medo permanente da morte ou da invalidez; são colombianos do povo que amam a vida e sonham em prolongá-la; que sofrem ao verem seus filhos crescerem no medo de um panorama tão aziago de incerteza social e violência, que junto aos seus não podem querer esta guerra. Haverá em suas cúpulas elementos belicistas e ambiciosos, que se prestam aos mais sujos propósitos; gente como Rito Alejo del Río ou Santoyo, comprometidos até a medula pelas doutrinas imperialistas de Segurança Nacional que convertem os homens em parasitas. Mas também deve haver patriotas; militares honestos que se perguntam por que razão as Forças Armadas colombianas se encontram a serviço de poderosas multinacionais que saqueiam as riquezas do país; porque seu papel se reduz à intimidação, à contenção da população inconforme com as políticas antipatrióticas de governos corruptos; que se questionam pelo seu papel de garantes de uma ordem de coisas injusta; que se irritam ao ver como seus altos mandatários se submetem aos generais estrangeiros. A todos eles, estendemos nesta hora nossas mãos abertas a procura de reconciliação. Outra Colômbia é possível e entre todos podemos mudá-la.
Ter chegado a Havana foi fruto da resistência inflexível da insurgência colombiana. É, sobretudo, o triunfo do clamor nacional pela paz e a solução política. É o resultado de cada palavra-de-ordem pintada num muro; de cada ato de massas promovido em centenas de lugares; dessa mobilização campesina, indígena e de negritudes que confluiu em Barrancabermeja em agosto de 2011; das crescentes marchas em cada departamento e na capital do país; do protesto social; da luta contra as fumigações; das paralisações e greves contra o grande capital transnacional; de todos esses encontros de mulheres, de artistas, de estudantes e jovens; de colombianos e colombianas pela paz; do Congresso dos Povos; da Minga indígena; da mobilização de múltiplos setores, do grito dolorido dos habitantes de Cauca e Putumayo, do Cesar, de Huila e Guajira, do Caquetá, os Santanderes e Arauca; de todos os rincões de nossa geografia pátria. Semelhante torrente já não poderá ser detida, estamos seguros que seguirá crescendo; que serão levados embora os planos imperialistas, os aviões caças, os tanques de guerra, os infernais desembarques, os batalhões de combate terrestre, os brutais esquadrões antimotins, os falsas suspeitas, as ameaças e os enquadramentos, o paramilitarismo, os pedantes jurisconsultos, a falsidade midiática, a politicagem rasteira; as políticas neoliberais.
Por nossa parte, chegamos à mesa de diálogos sem rancores nem arrogâncias, pleiteando que o Governo Nacional considere importantes os de baixo; que não julgue ingênuos seus desejos, que não acredite serem eles incapazes de empreenderem projetos e que reconheçam o seu direito de tomar parte nas principais decisões nacionais.
Com o apoio cerrado de enormes multidões, não pensamos em sair da mesa sem realmente ter tornado realidades essas bandeiras.
Juramos vencer e venceremos!!!
Viva a memória e o exemplo de Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Efraín Guzmán, Raúl Reyes, Ivan Rios, Jorge Briceño, Alfonso Cano, Marianita Páez, Lucero Palmera, e todos os guerreiros e guerreiras que deram seu sangue pela paz na Colômbia!!!

O caso JK poderá ser reaberto pela Comissão da Verdade



O caso JK poderá ser reaberto pela Comissão da Verdade

Exame da medicina legal realizado no IML/BH, na época da exumação do corpo do motorista de JK, Geraldo Ribeiro, em 1996, de
scobriu que havia fragmento metálico no interior de seu crânio, revelado por raio X. O fragmento é compatível com munição de arma de precisão, de calibre exclusivo das forças armadas. Na época, o processo foi arquivado, por canta das conclusões do perito, por tratar-se de um "prego de caixão", dentro do crânio. (sic...)

Agora, sob suspeita de fraude nas conclusões da perícia, as comissões da OAB pedem a reabertura das investigações sobre a morte de JK. O mais estranho é que:na época, o Ministro José Gregori, do governo de Fernando Henrique Cardoso manifestou, por escrito, o desinteresse do governo sobre a reabertura do caso. Recuperado o processo, a verdade poderá ser apurada. Ao que se depreende desta suposta bala radiografada, JK pode ter sido vítima fatal de um atentado, como sempre se suspeitou!.

Nesta próxima segunda-feira, 17 de setembro de 2012, a comissão de Direitos Humanos, através do Dr, Willian Santos e a Comissão da Verdade, através do Dr.Márcio Santiago da OAB-MG entregarão cópia do processo para o Presidente da Comissão da Verdade, Ministro Gilson Dipp (atual Vice presidente do STJ) em Brasília. A entrega está marcada para as 17 horas, no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Professor Luiz Fernando Carceroni
Belo Horizonte, 15 de setembro de 2012
há 5 hora via facebook

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

a Líbia contra ataca- Enfim a reação - CHARGES de LATUFF

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Por uma resistência nacional na Líbia e por uma não “libianização” da Síria





13 SETEMBRO 2012http://ousarlutar.blogspot.com.br/2012/09/por-uma-resistencia-nacional-na-libia-e.html

Por uma resistência nacional na Líbia e por uma não “libianização” da Síria


Por Sturt Silva

Com a morte do embaixador dos EUA na Líbia, num atentado ao consulado dos ianques em Benghazi, o país voltou a ser manchete na grande mídia mundial. No entanto, como será que realmente está a Líbia depois da derrubada de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi? 

Lembrando que a Líbia foi governada pelo Coronel Gaddafi até o ano passado, quando esse foi assassinato por mercenários durante o período que ficou conhecido como a “primavera árabe”. Nos anos 60, com a liderança do Coronel, a Líbia concretizou uma revolução nacional libertadora experimentando a partir dai uma espécie de “socialismo islâmico”, baseado principalmente no livro verde (de autoria do seu líder), passando a ter assim o melhor IDH da África. 

Mas isso tudo foi antes do imperialismo ianque e europeu, através da OTAN, bombardear o país. Além dos ataques aéreos, os inimigos de Gaddafi contaram com apoio das milícias (muitas delas davam apoio e sustentabilidade ao governo) de terroristas (principalmente membros da Al-Queda) e dos burocratas do seu próprio governo, que preferiram se render ao imperialismo a resistir na manutenção de um projeto nacionalista burguês, para iniciar um processo contrarrevolucionário, embora chamado pelos liberais, erroneamente, em minha opinião, de revolucionário.

Recentemente o jornalista Thomas C. Mountain publicou na Counterpunch um artigo em 25/07/12, cuja versão portuguesa pode ser encontrada no Diário Liberdade com tradução do Vila Vudu, bem interessante sobre a Líbia pós Gaddafi.

Reproduzo trechos, seguido por alguns comentários meus.

“A Líbia dá sinais de estar-se convertendo na próxima Somália, com grande parte do país já controlado por milícias armadas de clãs ou tribos.

Como se viu acontecer na Somália, a Líbia está no processo de dividir-se, criando-se a leste a Cirenaica, rica em petróleo, que já lançou sua proclamação de independência de facto.
Trípoli, a capital da Líbia, parece estar andando na direção de converter-se no que foi Mogadishu, capital da Somália há 20 anos, com incontáveis milícias bem armadas, de áreas das periferias urbanas, que se instalam nas cidades e envolvem-se em infindáveis confrontos por território, disputando os restos de poder.

O único governo nacional real e modernizante que a Líbia jamais conheceu foi o governo de Gaddafi, assim como o único governo modernizante que houve na Somália foi o governo de Siad Barre.

Os dois países foram criados pelo colonialismo italiano e passaram a integrar o Império Colonial Italiano na África. Nenhum dos dois jamais teve qualquer unidade histórica. Antes do colonialismo italiano, a Líbia era algumas cidades-estado e as tribos, a maioria das quais absolutamente nômades.
Antes do colonialismo italiano, jamais existiu nem algum Rei da Somália nem alguma Terra da Somália governada por conselho tribal ou clânico, chefes ou conselhos de grandes chefes.

Nem num país nem no outro jamais se constituiu nação, antes exatamente o contrário. Mesmo assim, durante algum tempo, os dois países viveram bem – por difícil que seja acreditar, no caso da Somália.”.

Ou seja, fala-se em "somalização" da Líbia. Em outro trecho do mesmo artigo o jornalista continua, agora questionando a renda do petróleo líbio.

“A Líbia hoje exporta mais de 90% de sua produção de petróleo e gás de antes da guerra, quase 2 milhões de barris/dia, de um dos melhores tipos de petróleo que há no planeta. Para onde vão os quase 200 milhões de dólares diários, 6 bilhões por mês, mais de 70 bilhões de dólares ao final de 2012, permanece mistério quase absoluto.

O chefão da Al-Qaeda e dos rebeldes líbios que fez o serviço mais sujo depois do bombardeio pela OTAN é o muitas vezes infame Abdelhakim Belhadj, ex-comandante da Al-Queda no Iraque e capo da Al-Queda no Norte da África. Hoje, comanda a maior, a mais militarmente bem organizada e a mais eficiente milícia que opera em Trípoli. Sob seu comando, operam milícias tribais de diferentes tamanhos e competências, entre as quais as milícias de Zintan que mantêm preso Saif al Islam Gaddafi.

Em relações de uma paz difícil com essas milícias, está o Conselho Nacional de Transição, chefiado, pelo menos em parte, por vários dos ex-comandantes de Gaddafi.

Eleições comandadas por um "governo" lá implantado pela OTAN não passam de artifício para encobrir a ilegitimidade do atual regime, cujo único projeto de governo é receber os 70 bilhões anuais da renda do petróleo e os dividendos dos $100 bilhões do fundo soberano líbio depositado em bancos ocidentais.

No campo oposto, contra, ao mesmo tempo, Belhaj e o Conselho Nacional de Transição, está o que se conhece como "Resistência Verde", que a imprensa-empresa ocidental chama de "militantes pró-Gaddafi". São grande parte da maior tribo que há na Líbia, os Warfalla, tribo da mãe de Saif al Islam, e dos quais se diz que, aos poucos, começam a organizar forças de autodefesa, para proteger suas comunidades contra ataques de senhores-da-guerra e respectivas milícias.

Belhaj esteve preso na Líbia, onde foi torturado por gente que, hoje, circula entre os capi do Conselho Nacional de Transição, entregue a eles como prisioneiro, pela CIA-EUA, num dos programas pelos quais prisioneiros da CIA eram entregues a outros países para serem interrogados. A tortura de Belhaj só acabou quando Saif al Islam Gaddafi convenceu seu pai a perdoar Belhaj e seus chefes, em troca de uma promessa de coexistência pacífica que Belhaj imediatamente traiu.

O que se sabe é que Belhaj tem manifestado alguma espécie de benevolência em relação à Saif al Islam, o que pode explicar por que o filho de Gaddafi continua vivo, mantido a salvo, longe do alcance, ao mesmo tempo, da Corte Internacional de Justiça e do Conselho Nacional de Transição, entregue à proteção de aliados de Belhaj em Zintan.

É altamente provável que Belhaj esteja operando para assumir o controle sobre os bilhões do petróleo, mantendo-os fora do alcance do governo imposto pela OTAN, ao mesmo tempo em que trabalha para vingar-se de seus ex-torturadores, hoje no Conselho Nacional de Transição confinados em Benghazi (quando não estão fora do país).

Para conseguir o que almeja, Belhaj pode bem se interessar por aceitar um acordo de cessar-fogo com a Resistência Verde, a qual também quer o fim do governo do Conselho Nacional de Transição fantoche da OTAN. Descartado o Conselho Nacional de Transição, poder-se-á talvez cogitar de um acordo de paz entre Belhaj e Saif al Islam, para tentar pôr fim ao fogo e ao sangue que ainda pinga dos sabres, na Líbia.

Mas isso também pode não passar de delírio desejante, e depende de a OTAN não intervir militarmente para defender "seu" Conselho Nacional de Transição – ameaça presente que, por sua vez, pode explicar a paciência de que Belhaj e seus aliados têm dado várias provas.

Quem sabe? A verdade muitas vezes é mais estranha que qualquer ficção. E o que hoje parece delírio desejante pode converter-se em realidade, amanhã ou depois de amanhã. Mas, no que tenha a ver com a Líbia estar caminhando na direção de converter-se numa nova Somália, sim, a história indica precisamente esse rumo.”.

Basta também lembrar que a situação líbia não é só instável no campo político e totalmente dependente no campo econômico, mas retrocedeu, e em muito, no campo social. As conquistas que vieram com governo Gaddafi foram para o ralo, assim como foram a estabilidade e a soberania do país.

O pior disso tudo é que se depender da vontade da famigerada “opinião pública mundial” esse método deve ser seguido na Síria. Seria a "libianização" da Síria. Terroristas financiados principalmente pelas duas mais reacionárias monarquias do Golfo, Katar e Arábia Saudita, tem travado uma guerra, já com características de uma guerra civil, com o atual governo de Bashar al-Assad.  No entanto, as mesmas forças populares e democráticas que pediam mudanças no regime sírio, no auge da primavera árabe, atualmente vendo os perigos dessa estratégia, vide o caso líbio, mudou de tática, inclusive entre elas se encontra o Partido Comunista Sírio. 

Para os comunistas sírios e demais forças progressistas o objetivo em primeiro lugar agora é manter a soberania nacional e pressionar o estado internamente por reformas políticas, como já vem acontecendo e dando resultado. No caso do Partido Comunista essas reformas políticas tem em sua essência a defesa do povo a partir de suas organizações reivindicativas. Além disso, se defende o enfretamento da política liberal e o incentivo a um projeto desenvolvimentista da econômica nacional com forte interferência do estado.

Como resume muito bem Ammar Bagdash, Secretário-Geral do Partido Comunista,em entrevista ao jornal Imprensa Popular, do Partido Comunista Brasileiro. Segundo o dirigente sírio há três tarefas fundamentais para ser enfrentadas na atual conjuntura síria:

1 - Defesa da independência nacional e da soberania, enfrentando as conspirações imperialistas e os movimentos reacionários árabes e locais. Mobilização das massas nessa direção, sob a grande palavra de ordem nacional “A Síria não vai se ajoelhar!”. Ativação das atividades e relações internacionalistas do partido de modo a mobilizar a opinião pública em diversos países progressistas do mundo no apoio à unidade e firmeza nacional Síria.

2- Enfrentamento da política econômica liberal em todas as suas formas e manifestações, de modo a defender a produção nacional e os interesses dos produtores, propondo alternativas concretas, com ênfase na orientação geral adotada pela 11ª Conferência de fortalecimento do setor público e do papel intervencionista do Estado, nos marcos de um capitalismo de Estado nacional que tem tarefas a cumprir e uma natureza social.

3- Firme defesa dos interesses das massas trabalhadoras, no sentido de elevar o patamar de suas lutas reivindicativas. Ênfase em elevar essa tarefa à prioridade máxima das organizações partidárias, levando em conta as condições objetivas de cada província e as demandas específicas de suas populações, bem como as demandas públicas de grupos de trabalhadores em nível nacional. Independentemente do quadro de liberdades democráticas, independentemente do nível de efetividade das lutas reivindicativas de massas, defender os interesses do povo é a essência da essência do Partido Comunista Sírio.

Assim como a resistência antiimperialista síria, ficamos também na torcida para que a resistência líbia adquira força e apoio popular e consiga montar um bloco popular e de unidade nacional para concretizar sua segunda revolução de libertação nacional.  Este é o único caminho, embora difícil, porém não impossível, para os líbios recuperarem sua soberania e voltar a pensar em reconstruir seu país com dignidade.


SAÚDE - "TEORIA E PRÁTICA"



SAÚDE - “TEORIA E PRÁTICA”


Laerte Braga


No primeiro debate envolvendo os candidatos a prefeito em Juiz de Fora o atual chefe do Executivo citou números para tentar demonstrar que a saúde pública é de boa qualidade, atende às necessidades da população e o modelo desenvolvido em seu governo é aquele que, com continuidade, vai resolver os problemas, ou chamados gargalos do setor.

Um dos candidatos participantes respondeu de forma simples aos fartos números do prefeito. “Ele exibiu os números positivos e ocultou os números negativos”.

É mais que isso. Bem mais.

O atual prefeito ao citar tantos milhões de consultas se esquece de dizer que consultas médicas são dever mínimo do Poder Público e números como esse, o de consultas, ou mesmo o de exames, são os mesmos em cidades do porte de Juiz de Fora.

É como usar o número de usuários dos serviços de transportes coletivos urbanos num mês, qualquer mês. É claro que serão elevados. As pessoas têm necessidade dos serviços de transportes coletivos e usam esses serviços. Qualquer que seja o prefeito.

Número não significa excelência em termos de qualidade.
O modelo é perverso, beneficia o setor privado num direito público fundamental e revela uma característica do PSDB em todo o País. A de privatizar, qualquer que seja o sinônimo usado. Terceirização, Parceria Público Privada, Concessão, etc (como afirma o jornalista José Simão em sua coluna na FOLHA DE SÃO PAULO, há um dicionário para tucanos). Um jeito tucano de tucanar as palavras e expressões, as situações e tentar mascará-las com números, estatísticas, dados, enfim, um processo que na essência reduz o ser humano a número.

O nó górdio da saúde pública em Juiz de Fora é o modelo privatista. A transformação da saúde em negócio.

Vamos a um exemplo concreto. No primeiro governo de FHC o então ministro da Saúde Adib Jatene propôs a criação da CPMF para suprir a deficiência de recursos para a área de saúde pública. FHC concordou, a mensagem com o projeto de lei foi enviada ao Congresso e aprovado.

O segundo ato dessa história foi o pedido de demissão do ministro Jatene – um médico sério, respeitável. FHC começou a usar o dinheiro que seria para a saúde no pagamento de juros da dívida pública externa e interna.

No governo Lula, quando da tentativa de transformar a CPMF em imposto permanente com o compromisso de usar os recursos na saúde pública, o mesmo PSDB que havia criado o imposto, votou contra, derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, o único imposto, segundo Adib Jatene, que as elites econômicas não conseguiam sonegar.

Há uma discussão que tenta impedir o entendimento claro das propostas do PCB – Partido Comunista Brasileiro – sobre saúde. Para o prefeito são propostas oriundas de fantasia, teoria, sonho e não levam a lugar algum, é preciso prática.

Que tipo de prática? Privatizar, exibir números favoráveis que são comuns a todas as prefeituras, porque atos de rotina na saúde e jogar para debaixo do tapete os números reais do caos que vive o setor?

Ou fantasia, como ele afirma, seria o Poder Público assumir o controle da saúde pública?

A terceirização implica em precarizar a saúde. É simples. O que é terceirizado/privatizado significa gerar lucro para alguém, mesmo que seja uma Fundação. Custódio citou o exemplo da Maternidade Teresinha de Jesus com atendimento 100% do SUS. Não citou que aquele hospital é conveniado e pertence à iniciativa privada – Faculdade Suprema – servindo inclusive para o processo de formação dos alunos da referida faculdade. É privado e a Prefeitura paga por esse atendimento pleno com o dinheiro do contribuinte.

Quem se dispuser a percorrer as unidades de saúde, postos, etc da cidade num sábado não vai achar um pediatra. Essencial naquilo de que chamam de “atenção primária”, ou seja, a tucanização do atendimento imediato, do atendimento primeiro.

A expressão ou jargão técnico ou não, não substitui as falhas do setor.

O que é fantasia? Propor à cidade que o Poder Público assuma as responsabilidades plenas pela “gerência” – vá lá – da saúde pública e realize concursos públicos para todos os profissionais da área suprindo as carências e ampliando todos os estágios de atendimento? É fantasia chamar os profissionais de saúde para um diálogo com o Poder Público em torno de um plano de cargos, salários e carreiras? É fantasia ouvir a população diretamente, vale dizer construir o Poder Popular, ao invés de tentar decifrar a vontade popular por pesquisas e assim fugir ao debate, ao diálogo com o cidadão?

Fantasia é vender o modelo atual como perfeitose valendo de dados que são comuns a todas as cidades do mesmo porte da nossa e tentar transformá-los em conquista da administração pública.

Essa é uma das características do mundo contemporâneo. Seja nas cidades, seja nos países. A transformação de dados em espetáculo, em show de números, em jeito de desviar o olhar dos problemas para um lado e ignorar o outro, o lado sombrio.

Não há fantasia nas propostas do PCB para a saúde pública. O que há é realidade.

Ao falar em “teoria e prática” e tentar transformar a “prática tucana” em caminho seguro e as propostas de mudanças concretas e efetivas, de mudança das estruturas, em fantasia, é só um jeito de não discutir o assunto, de criar rótulos e buscar iludir as pessoas numa característica que permeia tudo no País hoje. Até o nosso esporte mais popular o futebol. A prática de contar o número de escanteios, de faltas, de bolas perdidas, de chutes a gol, que é natural e cabe para o exame de uma partida, para as definições de um técnico, mas não são valores absolutos, à medida que um chute às vezes resulta em gol e cem chutes são desperdiçados.

O prefeito chuta os números e chuta todos para fora. Nem raspando passam pelas traves.

Na saúde, em todos os problemas que afligem a cidade, faz o mesmo. É só pegar o vasto e extenso programa de governo da eleição anterior, comparar o que lá está escrito, os prazos, as iniciativas, as decisões e perceber  que nem um terço do que foi prometido foi feito, nem um terço da participação do governo estadual existiu, exceto agora, na avalanche de maquetes e obras de maquiagem, exatamente porque é ano eleitoral.






Nas últimas cinco décadas, após o triunfo da Revolução em 1959, a medicina cubana atingiu avanços notáveis em várias áreas. Este artigo propõe um resumo cronológico, separado por temas, desses avanços. O desenvolvimento de novos fármacos, a educação sanitária da população, a criação de hospitais e policlínicas e o acesso gratuito ao atendimento médico para toda a população são alguns dos fatores centrais analisados. O aumento do número de profissionais na área médica também possibilitou a aproximação dos serviços básicos e preventivos (vacinação) para todos os setores da população. Na mesma linha, e respondendo aos valores humanitários da Revolução, as campanhas solidárias realizadas pelos médicos cubanos são exemplo mundial de solidariedade.http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142011000200008&script=sci_arttext




A fantasia é o prefeito que veste e é o prefeito quem desfila com a mesma por entrevistas, programa eleitoral gratuito, debates, todas as formas possíveis de exibir os tais números.

Realidade é o usuário da saúde pública chegar a uma unidade de saúde com uma receita médica e não achar paracetamol, um analgésico e antitérmico de uso corriqueiro no dia a dia.

E há sim, espera de horas em UPAS, por falta de um quadro efetivo, estável e bem remunerado de profissionais da área de saúde, além de infraestrutura para que o que chamam de “equipamentos” (prédios, aparelhos para exames, etc).

Fantasia é dizer o contrário, é defender a privatização ou terceirização e transformar a saúde pública em negócio, sujeitando a população a um modelo perverso, que por milhões que sejam as consultas, ato corriqueiro e mínimo, mantêm o cidadão à margem do processo.

A prática tucana é essa, historicamente. A “teoria” do PCB é outra prática. A da mudança. A da percepção do ser humano como indispensável na construção da saúde pública gerida pelo Poder Público e ao lado dos profissionais. Isso não é mistério, não é idéia fantasiosa. 
Falo do Poder Popular, é apenas retomar para o cidadão aquilo que é direito básico, fundamental, fazer com que a saúde seja pública e de boa qualidade e não um negócio.


Integrar saúde, educação, assistência social, transformar a saúde bucal em processo permanente e real e isso só vai ser conseguido com o Poder Público somado ao Poder Popular e os profissionais do setor.

Teoria sem aspas é a prática tucana. Prática sem aspas são as propostas do PCB.


Lei de Causalidade X Lei de Casualidade

 

Fernando Soares Campos


Eu gostaria de entender melhor a aplicação e o funcionamento da Lei de Causalidade, que também é conhecida como Lei de Causa e Efeito ou Lei de Ação e Reação. Mas não quero me limitar a princípios sintetizados: “toda causa gera um efeito” ou “toda ação gera uma reação”. Isso realmente pode ser verificado através de experimentações científicas, ou simplesmente observado na sucessão contínua de nossas próprias experiências pessoais.

Também não quero me ater a exemplificações específicas sobre causas e efeitos de ordem pessoal, consequentes à vontade e ação do indivíduo, nem a exemplos precisos de causas oriundas de decisões coletivas e que gerem efeitos isolados sobre indivíduos ou atinjam o âmbito total de uma sociedade.

O que pretendo mesmo é compreender por que um princípio tão lógico como a Lei de Causalidade pode ser preterido quando da investigação de certos acontecimentos e, em seu lugar, admitir-se a incidência de “casualidade”, “acaso” – sorte, destino, fatalidade, milagre, vontade de Deus...

As crianças parecem ser as mais renitentes criaturas interessadas em conhecer as causas e as conexões dos acontecimentos.

Por exemplo...

Pai: “O velho Pedro morreu”. Filho: “Morreu por quê?” “Foi atropelando quando atravessava a rua.” “E por que ele foi atravessar a rua?” “Ele ia à padaria.” “E por que ele ia à padaria?” “Ia comprar pão, ora!” “E por que ele ia comprar pão ora?” “Porque estava com fome, claro!” “E por que ele tava com fome claro?” “Ele estava com fome porque já fazia muito tempo que não comia!” “E por que fazia muito tempo que ele não comia?” “Para! Você está me deixando louco!”

Aí, chega a mãe e fala carinhosamente: “Filho, ele morreu por que Deus o chamou”.  “E por que Deus o chamou?” “Porque chegou sua hora.” “E por que chegou sua hora?” “Vá dormir, vá, filhinho. Amanhã você precisa acordar cedo, tem que ir pra escola.” “E por que eu tenho que ir pra escola?”

O problema é que os fatos geralmente se encadeiam em causa e efeito-causa (efeito dominó); por isso, às vezes não conseguimos argumentar com objetividade, priorizando o núcleo da argumentação e identificando seus elementos periféricos, supostamente secundários. Ainda mais se alguém nos bombardear com perguntas fixadas no efeito cascata.

A gente nem sempre consegue enxergar a verdadeira relação entre os acontecimentos, aquilo que possa revelar ligação entre as ações de causa e efeito, a “causalidade” dos fatos.

E as “casualidades”? Como se explica um fato ocorrido de maneira aparentemente fortuita, ao acaso, sem que possamos identificar qualquer motivo que justifique seu acontecimento, sem qualquer explicação plausível sobre aquilo que o gerou?

Existiria efeito sem causa, como dizem que alguns especialistas em física quântica pretendem provar? Não seria apenas o orgulho, ou arrogância, de certos cientistas que não admitem assumir que desconhecem as causas de tal ou qual fenômeno? Isso implicaria afirmar que o “acaso” existe. Acredito que a diferença básica entre tais cientistas e determinados religiosos é que estes, invariavelmente, atribuem a suposta ocorrência de um “acaso” à vontade de Deus (sorte, destino, milagre); enquanto aqueles, provavelmente, identificam a fonte do “acaso” no próprio “acaso”. É como se do “nada” pudesse surgir "alguma coisa".

Assim como existe a Lei de Causalidade, existiria uma “Lei de Casualidade”?

Ora, terá pensado você, leitor atento: “Se a 'casualidade’ ocorresse sob as determinações de uma regra, uma lei, nesse caso, deixaria de ser casualidade”.

Concordo, mas veja o que o outro leitor igualmente atento diria: “A lei de Casualidade é a sorte ou o destino”.

Ou seja: a casualidade seria fruto da casualidade. É isso? Então, voltamos à questão do cientista ateu e do religioso fanático.

Porém, nesse específico caso, o religioso fanático está mais próximo da razão que o cientista ateu, pois este pretende explicar o surgimento de “alguma coisa” a partir do “nada”; enquanto o religioso fanático admite, pelo menos, uma causa a determinado fenômeno “inexplicável”: sorte, destino, vontade de Deus....

Analisando “sorte” e “destino” através de conceitos que conotem, ou denotem, casualidade, ou seja, quando a gente classifica certos acontecimentos como tendo sido o resultado da sorte ou do destino, tais como dependentes do acaso, estamos apenas buscando justificativa para o que ainda não entendemos, ou para as causas que ainda não identificamos.

Acontece que aquilo que costumamos chamar de sorte ou destino tem, na verdade, pai e mãe. E não é a Providência Divina interferindo em determinados casos, beneficiando uns ou castigando outros; mas apenas a própria Legislação Universal, natural, perfeita, atuando em todos os sentidos.

O que chamamos de sorte ou destino são fatores que ocorrem em consequência de nossas próprias ações, reações ou inações: as formas ativas ou passivas como nos comportamos em determinados momentos, diante das situações que se nos apresentem. A “sorte” ou o “destino” seria, portanto, o “efeito” de como agimos, reagimos ou “inagimos”, fazendo uso adequado ou inadequado dos recursos de que dispomos. Daí, a boa ou má sorte, o bom ou mau destino. Por isso mesmo, sorte e destino têm “causas”, não são simples frutos de “acasos”. Assim, podemos continuar chamando de “sorte” ou “destino” aquilo que ainda não entendemos ou não identificamos a origem.

A “lei de casualidade” só “existiria” em função da nossa ignorância, dos nossos parcos conhecimentos, da nossa pouca compreensão do mundo e de suas realidades. Seria ela apenas uma abstração, ou um “cover”, da Lei de Causalidade, pois a distinção entre uma e outra só pode ser estabelecida considerando-se apenas o grau de facilidade ou de dificuldade que tivermos para identificar razões, motivos, causas dos acontecimentos. A questão é que, quando não enxergamos claramente a “causa”, tendemos a atribuir tudo ao “acaso”.

Milagre, por exemplo, é um fenômeno inexplicável através das leis naturais “reveladas” pela Ciência, até onde o processo científico alcançou. Ou seja: inexplicável devido ao nosso limitado grau de conhecimento das leis naturais (não confundir com leis do Direito Natural).

Trocando em miúdos.

Para muita gente, ainda hoje, o simples ribombar de trovões e a precipitação de raios no céu seriam fenômenos milagrosos, ocorridos apenas em função da vontade de Deus, com momento e hora marcada, por merecimento ou necessidade, anunciando boa-venturança ou desgraça... E assim foi para toda a Humanidade, durante séculos e séculos, porém já não é mais isso para a maior parte dos humanos (supõe-se), ou para os humanos razoavelmente instruídos.

Como nos comportamos diante de relatos sobre “milagres” testemunhados?

Ou nos negamos a acreditar nas testemunhas, tratando o caso como fruto de imaginação fantasiosa ou de possível alucinação (individual ou, o que é mais difícil de se aceitar, “coletiva”). Ou atribuímos o fato a certa revogação momentânea e localizada das leis naturais (“sobrenaturalidade”), pela “vontade de Deus”, com o propósito de realizar o tal “milagre” e de transmitir uma mensagem. Ou nos munimos de razões naturais, alicerçadas em conhecimentos científicos, e, a partir daí, elaboramos fundamentos de caráter essencialmente teórico, transcendentes às experiências verificadas pelas nossas funções sensoriais imediatas.

Milagre seria, portanto, para algumas pessoas, uma mentira, invencionice, fantasia, ou nada mais que alucinação; para outros, obra da vontade de Deus, que teria promovido uma eventualidade a fim de atender determinado propósito. Outros tantos tentariam explicá-lo através do conhecimento intuitivo, supra-sensível; mas, na medida do possível, ratificado por detalhes qualitativos e quantitativos do fenômeno, detalhes estes identificados e classificados com base em processos científicos.

Dessas três proposições, cabe desenvolver apenas a terceira, pois as duas primeiras, por si mesmas, pelas suas próprias formulações, pretendem responder à questão.

Quando à explicação “científica” de um “milagre” (explicação em que se leva em consideração a ocorrência de leis naturais reveladas – ocorrência daquilo que delas temos comprovado conhecimento – e, com isso, elabora-se fundamentos teóricos que, por sua vez, possam fornecer subsídios instigantes a pesquisas através de ciências diversas... ), pois bem, quando a essa explicação acrescentamos, além dos caracteres científicos e filosóficos (metafísicos), elementos de “paranormalidade”, afastamo-nos da compreensão da Lei de Causalidade e enveredamos no campo das “casualidades”, simplesmente porque “sobrenaturalidade” e “paranormalidade” redundam em fé cega, crença fanática (apesar de ambas as palavras terem relação semântica entre si, a primeira é bastante utilizada para justificar fatos sob o ponto de vista religioso, e a segunda é muito empregada nas explicações de fenômenos ufológicos, por exemplo).

“Sorte” no jogo “de azar”

Sabemos que ganhar ou perder nos chamados jogos de azar é uma questão inerente à Lei de Probabilidade.

Ao lançarmos um dado, cada face dele tem uma possibilidade de ficar para cima; uma entre seis possibilidades de posição (1/6).

O mesmo acontece quando giramos uma roleta numerada: cada número tem uma possibilidade de parar em posição de premiado; uma entre um número maior de possibilidades de posição (1/n).

(Os matemáticos podem desenvolver teorias baseadas em fatores que devem ser levados em consideração quando dos cálculos estatísticos que determinam as probabilidades, fatores esses que podem interferir no resultado do jogo. Entretanto, sob um conceito geral, tal resultado está sempre determinado por uma possibilidade de ganhar entre tantas de perder.)

Nos jogos de azar, uma das características da Lei de Probabilidade é cada tentativa resultar em um acontecimento, tendo-se um estabelecido número de possibilidades de que ele venha a acontecer. Sendo assim, só haveria razão para se falar em “acaso” se as probabilidades fossem infinitas, o que, por si mesmo, descaracterizaria o sentido do termo, por não haver mais a determinação de como o fato ocorre.

As probabilidades nos jogos de azar somente variam em função da modalidade ou de defeito no sistema de jogo. E nada indica que haja influência de suposto acaso, sorte, boa estrela. A primeira causa de alguém ganhar ou perder num desses jogos é a decisão de jogar. A segunda está submetida à Lei de Probabilidade.

Em se tratando de jogos de azar que exijam atenção, raciocínio e habilidade dos jogadores, como acontece, por exemplo, nos jogos de carta, as probabilidades podem variar no tempo, de acordo com a jogada. Não se pode dizer que, porque alguém deitou, passou ou comprou tal carta, tenha, com isso, aumentado ou diminuído sua “sorte”; mas, sim, suas chances, as probabilidades.

A Lei de Probabilidade, assim como todas as leis naturais, está inserida no complexo da Legislação Universal.
  
Sincronismo e coincidência de acontecimentos idênticos

Acontecimentos idênticos podem ocorrer ao mesmo tempo ou numa sequência temporal, mas sem relação imediata de causa e efeito entre si, aquilo que a gente costuma dizer: “Um não tem nada a ver com o outro”. Ou: “Um não é a causa nem o efeito do outro”. Em cada um dos acontecimentos, podemos identificar, isoladamente, agentes e motivos que os provocaram Sendo assim, cada ocorrência tem seu relacionamento íntimo-causal independente. No caso, por exemplo, de uma série de incêndio: a causa que levou alguém ou alguma coisa fazer arder as chamas aqui não é a mesma causa (agente e ação) que fez arder as chamas ali ou acolá.

Em acontecimentos meramente sincrônicos, as relações entre eles residem em fatores fenomenais. Ainda como exemplo, analisemos a série de incêndio:

a) Têm causas (agentes e ações) e efeitos. Lei de Causalidade.

b) Ocorreram sob a determinação do mesmo princípio, ou seja: o fogo que queima aqui e o fogo que queima lá ou acolá obedecem à mesma Lei de Combustão.

(Porém não se pode atribuir a causa do fogo à própria Lei de Combustão, visto que não existe autocombustão – combustão espontânea –, como alguns cientistas pretendem provar. Seria basicamente o mesmo que dizer que existe efeito sem causa.)

c) Fatos idênticos podem ocorrer em vários pontos ao mesmo tempo (momento exato, rigorosamente pontual – sincronização linear no tempo e no espaço), ou em tempos distintos; neste caso, poderíamos considerá-los sincronizados em função da abrangência espacial e da frequência temporal: a cada tantos minutos, tantas horas, tantos dias, tantas semanas, tantos meses, tantos anos... tal número de fatos idênticos aconteceram ou acontecem numa determinada área (bairro, cidade, estado, país, continente...). Lei de Probabilidade.

Epa! Mas essa tal Lei de Probabilidade não é para os chamados jogos de azar?

A questão espaço-temporal dos acontecimentos sincrônicos pode ser definida pela abrangência territorial e frequência temporal das ocorrências, e, colhidos estes dados, pode-se estabelecer as probabilidades, usando cálculos fundamentados na teoria de probabilidade, a Lei de Probabilidade.

Coincidência

Os acontecimentos idêntico-sincrônicos são muitas vezes chamados de “coincidentes”, porém o significado de “coincidência” deveria ficar restrito ao fato de que eles se realizaram ao mesmo tempo ou numa definida sequência de tempo.

O problema é que costumamos usar a palavra “coincidência” ou “coincidente” para designar acontecimentos que teriam ocorrido “ao acaso”, ou seja, acreditando que a simultaneidade teria acontecido “por acaso”, sem levar em conta fatores naturais e artificiais preestabelecidos, os quais podem fornecer elementos para cálculos probabilísticos: frequência dos acontecimentos, área de incidência, condições climáticas dessas áreas, condições geológicas dessas áreas, condições de uso social dessas áreas, enfim, ene fatores que podem influenciar a incidência de certos acontecimentos. De posse desses dados e mais os que aí couberem, qualquer matemático pode calcular as probabilidades de vir a ocorrer tal ou qual fenômeno, em tal ou qual área, com tal ou qual frequência. Dessa forma, deixaríamos de chamá-los de “coincidentes casuais” (coincidentes ao acaso) e passaríamos a chamá-los de “coincidentes probabilisticos”.

Conclusão

Se acontecimentos idênticos ocorrerem em série, existem aí três fatores naturais e generalizantes que os relacionam:

1) Qualquer acontecimento encerra, obrigatoriamente, a Lei de Causalidade, nenhum ocorre por acaso.

2) Em todo acontecimento ocorre um fenômeno natural, ou conjunto de fenômeno, que caracteriza sua dinâmica: incêndio/combustão, desabamento/fadiga...

3) A sincronia entre os acontecimentos pode ser evidenciada através de cálculos probabilísticos;

Se fugir aos padrões probabilísticos, há fortes razões para se admitir relação de intencionalidade na produção da série.

Mas nós podemos continuar acreditando na existência de suposta Lei de Casualidade, só não podemos atribuir sua existência à vontade de Deus, mas tão-somente à nossa ignorância. Deus compreende, tanto que já me perdoou por eu ter induzido alguém a ler tudo isso.

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Leia também...





Estudo estatístico mostra notável coincidência entre os incêndios e…
as áreas de  interesses do mercado imobiliário

Por João Finazzi, no PET RI-PUC
[Título original:"Não acredite em combustão espontânea"]

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, até o dia 3 de setembro de 2012, houve 32 incêndios em favelas do estado – cinco somente nas últimas semanas. O último, no dia 3, na Favela do Piolho (ou Sônia Ribeiro) resultou na destruição das casas de 285 famílias, somando um total de 1.140 pessoas desabrigadas por conta dos incêndios em favelas.
O evento não é novo: em quatro anos foram registradas 540 ocorrências. Entretanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em abril deste ano para investigar os incêndios segue parada, desrespeitando todos os trabalhadores brasileiros que tiveram suas moradias engolidas pelo fogo.
Juntamente com o alto número de incêndios, segue-se a suspeita: foram coincidências?
(Clique no título e leia matéria completa no site Outras Palavras, seção Outras Mídias)
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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