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sábado, 28 de julho de 2012

Apareceu o novo e, provavelmente, verdadeiro documento que comprova o valerioduto tucano


Fernando Soares Campos


Existem várias versões sobre a legitimidade ou falsidade da Lista de Furnas, aquela distribuída no início de 2006 pelo lobista e estelionatário Nilton Monteiro, que, segundo o jornal Estado de Minas, responde a 97 processos por estelionato, falsidade ideológica e de documentos públicos e formação de quadrilha nos tribunais de Justiça de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF)”.

. O “documento” relaciona 156 políticos, a maioria deles pertencente aos quadros do PSDB e PFL (atual DEM), que teriam recebido dinheiro para suas campanhas políticas em 2002. Dinheiro proveniente de propinas pagas por empresas colaboradoras, fornecedoras e prestadoras de serviços, relacionadas com a estatal Furnas Centrais Elétricas, no governo do sociopata Fernando Henrique Cardoso. As propinas teriam sido arrecadas por Dimas Toledo, diretor de obras de Furnas, diretoria essa que lidava com as inspeções de controle de qualidade sobre os serviços prestados por empreiteiras que trabalhavam em obras empreendidas por Furnas. E aí é fácil, sim, arrancar dinheiro dessa gente. E não dá para duvidar que Dimas Toledo não tenha arrecadado e distribuído as propinas com a maioria dos políticos relacionados na tal “Lista de Furnas”.

Mas há um “porém” nessa história.

Lembram-se dos petistas que Lula chamou de “aloprados”, por terem caído numa armadilha preparada por elementos ligados ao PSDB? Hoje essa história dos aloprados está esclarecida: foi a quadrilha do Cachoeira que armou a arapuca contra o PT, usando falsos petistas, que foram presos, mesmo sem terem cometido crime algum, e soltos em seguida. Eram infiltrados, que se diziam influentes no partido, mas que não passavam de elementos de pouca importância dentro da agremiação.

O “porém”, no caso das planilhas de Furnas, está no fato de terem sido divulgadas por um conhecido 171, o Nilton Monteiro, e, também muito provável, ter sido ele assessorado, ou estimulado, com promessas de recompensa, por Rogério Correia, deputado estadual do PT de Minas Gerais. (Este não parece ser simplesmente “aloprado”, mas, sim, um político malandro, exasperado, acostumado a mandar “fogo amigo” contra autoridades do próprio governo petista.)

No site “Polícia Federal – Agência de Notícias” há uma postagem intitulada Apelo à comissão de ética”, de dezembro de 2011..

 A matéria é aberta com a seguinte epígrafe: “Representantes do PSDB, PPS, PP e DEM pedem à Assembleia Legislativa [MG] para investigar a participação do deputado Rogério Correia (PT) na elaboração do documento forjado [a “Lista de Furnas”].

E encerra com este parágrafo: “Documento de cinco páginas com supostas contribuições de campanha não contabilizadas a 156 políticos nas eleições de 2002. As denúncias de irregularidades se baseiam em transcrições de gravações em que o assessor do deputado Rogério Correia (PT) Simeão de Oliveira e o ex-deputado Agostinho Valente (PDT) aparecem conversando com Nilton Monteiro sobre a elaboração da lista. Segundo representantes dos partidos citados, ‘a lista seria uma trama para constranger e caluniar adversários políticos’”.

Quando a tal “Lista de Furnas” foi tornada pública na internet, a militância petistas e simpatizantes do governo Lula comemoraram: “Aí está a podridão dessa gente que ataca o PT!”

Ora, podridão mesmo a gente já acompanhava pela internet lendo as matérias que desnudam a Era FHC e tratam das corrupções nos casos de privatização das empresas estatais, agora ainda mais esclarecidas no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr. A “Lista de Furnas” é fichinha, se levarmos em conta do que o governo FHC do PSDB foi capaz.

Se for comprovado mesmo que o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) encomendou a falsificação da lista ao estelionatário Nilton Monteiro, pode ter a certeza de que este, antes de aprontar o serviço e distribuir a falsificação, consultou alguém da oposição (do PSDB ou do PFL, ou de ambos), passando a informação da “encomenda” e esperando uma contraproposta. Um sujeito desses “trabalha” para qualquer um, principalmente para quem lhe pagar mais. (Quando foi preso, ofereceram-lhe o benefício da delação premiada, mas nem assim o cara abriu o bico, pois quem tem “asterisco” tem medo).

Apostando na impunidade, os demotucanos deixaram correr solto, até gostaram da “brincadeira”, não fizeram nada para impedir o “trabalho” de Nilton Monteiro e de quem quer que o tenha encomendado. (O estelionatário não faria aquilo gratuitamente, nem por “vingança”, nem para oferecer munição aos petistas, que ainda estavam acossados pelas denúncias do “mensalão”.) A oposição sabia que a Polícia Federal já estava investigando o valerioduto tucano, o esquema que irrigou a campanha de Eduardo Azeredo para reeleição ao governo de Minas em 1998. E aquele “trabalho sujo” de Milton Monteiro viria a calhar, tumultuaria tudo.

Mas vamos continuar fazendo nossas “elucubrações” sobre o caso.

Cientes de que a tal “Lista de Furnas” divulgada pelo falsário Nilton Monteiro era um engodo que misturava verdades (Dimas Toledo era realmente um arrecadador e distribuidor de propinas para alavancar campanhas eleitorais, sim) e mentiras (a tal lista relaciona pessoas que não participaram do processo eleitoral de 2002, como se estas tivessem recebido dinheiro para suas campanhas; também se atribui a sua elaboração ao ano de 2002, porém existe empresa “doadora”, incluída na lista, mas que ainda nem existia naquele ano; portanto, a lista deve ter sido feita mesmo no final de 2005, início de 2006), pois bem, ciente disso, a oposição falou grosso: “É tudo falso!”, “Foi tudo feito pela ‘cúpula’ do PT para desviar o foco do ‘mensalão’!” “Provem!”

Escrevi em fevereiro de 2006, no diário iberoamericano La Insígnia, editado em Madri:

“A Oposição, por diversas ocasiões nas duas últimas semanas, denunciou que a divulgação da lista de Furnas teria sido uma manobra do PT, associou os seus distribuidores e divulgadores aos quadros do partido. Acusou o PT de ter divulgado a lista através da internet. Também pressionou a Polícia Federal a se manifestar sobre a legitimidade da tal lista. Ou seja, exigiu que o ministro Márcio Thomaz Bastos fosse irresponsável e se adiantasse informando que a lista teria, pelo menos, fortes indícios de autenticidade. O que não seria difícil fazê-lo, pois se trata de um documento autenticado e com a assinatura do autor reconhecida em cartório. Nos últimos dias, fizeram manobras para arrancar de políticos do PT declarações precipitadas, nas quais estes assumissem que acreditavam na legitimidade lista. No entanto, os petistas se portaram decentemente, defendendo o princípio da presunção de inocência. A oposição está inconformada com a forma cautelosa adotada pelo PT. (Leia o pronunciamento do senador Aloizio Mercadante na tribuna do Senado, em 07/02, artigo "Droga de lista, excelências!", La Insignia.) [Artigo intitulado “A lista é golpe”, 2006 – que pode ser lido em Mensalões e canastrões - a ópera bufa de Roberto Jefferson et caterva”]

A pressão para que o PT declarasse que a lista seria autêntica ou não

Em 07/02/2006, o senador Arthur Virgílio, em pronunciamento na Tribuna do Senado, desafiou o senador Aloisio Mercadante a dar sua opinião sobre a autenticidade ou não da “Lista de Furnas”

Trecho do pronunciamento do senador Arthur Virgílio:

Quero perguntar ao Líder Aloizio Mercadante algo bem simples: o Líder concorda? Acha que é verdadeira a lista de Furnas? Acha que aquilo é uma falsidade parecida com o Dossiê Cayman ou acha que é verdadeira a lista de Furnas? Quero essa opinião exposta com clareza para que façamos aqui o que S. Exª sempre chama, com muita elevação, de debate qualificado. Vamos fazer o debate qualificado sobre essa questão que envolve até o caráter, como enfrentamos a luta política.”

Claro que, se Mercadante declarasse que a lista era verdadeira ou falsa, em qualquer das hipóteses, Arthur Virgílio vibraria. Mas vibraria bem mais arrogante se o senador petista, de cúpula, afirmasse que a lista era “verdadeira”, pois provariam a falsidade do documento, apontando os seus erros. Mas não arrancaram uma só palavra, nesse sentido, de qualquer petista ou autoridade do governo Lula.

Vejamos alguns trechos do pronunciamento do senador Aloísio Mercadante, em resposta a Arthur Virgílio:

Sr. Presidente, um convite feito pelo Líder Arthur Virgílio, evidentemente, tem de ser considerado e acatado. É uma honra para mim poder falar e, sobretudo, tratar de um tema como esse que diz respeito a vários Parlamentares desta Casa.”

(...)

“Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, não vi, ao longo de todo esse processo, em nenhum momento, qualquer liderança do meu Partido apresentar essa lista para atacar membros da Oposição. Não o vi, não o vi. Tampouco posso aceitar essas críticas que estão sendo feitas ao Ministro da Justiça. O Ministro Márcio Thomaz Bastos, não só por essa longa vivência como advogado militante de direitos humanos, de direitos da cidadania, tem-se portado sempre com muito equilíbrio e com muita responsabilidade, dizendo que a Polícia Federal não vai proteger, nem poupar quem quer que seja. E a Polícia Federal tem dado exemplos de firmeza, de isenção, investigando toda e qualquer denúncia que lhe é apresentada, com todo o rigor necessário.”

(...)

“Essa denúncia sobre essa suposta lista de Furnas foi apresentada, ao que me consta, pelo Sr. Nilton Monteiro, que foi chamado a depor no dia 29 de agosto, em um inquérito que corre na Justiça Federal do Rio de Janeiro, responsável pela apuração dessa suposta lista, que foi encaminhada ao Instituto Nacional de Criminalística, que está procedendo às apurações. Destaco que o único fato que trouxe essa lista ao debate público foi o depoimento à Polícia Federal do Sr. Roberto Jefferson, que disse ter recebido a quantia mencionada na lista e que, portanto, trouxe a público a discussão desse episódio.”   

(...)

(O senador Antonio Carlos Magalhães solicita um aparte.)

“O Sr. Antonio Carlos Magalhães (PFL – BA) – V. Exª é cuidadoso, mas diz que acredita que não. Posso garantir que é falsa e disse isso ao Ministro Márcio Thomaz Bastos hoje. Dele ouvi a resposta que V. Exª está dando, que não me convence muito, embora minha amizade com S. Exª seja muito grande. Mas uma coisa é importante: V. Exª já acredita em Roberto Jefferson.”
“O SR. ALOIZIO MERCADANTE (Bloco/PT – SP) – Senador Antonio Carlos Magalhães, não ponha palavras que eu não disse na minha boca. Por sinal, quem, o tempo inteiro, tratou Roberto Jefferson como uma fonte fidedigna foi a Oposição e não nós.”

Para quem tiver tempo e paciência, acesse e leia os pronunciamentos dos senadores Arthur Virgílio e Aloisio Mercadante:



A oposição provocou, em diversas ocasiões, para que os petistas “de cúpula” afirmassem categoricamente, ou mesmo em meias palavras, que a “Lista de Furnas”, conforme a divulgação feita pelo lobista falsário Nilton Monteiro, seria verdadeira em todos os seus aspectos. Mas isso não ocorreu em momento algum, e os demotucanos espumaram de raiva. Eles sabiam que estavam blindados pelo PIG – Partido da Imprensa Golpista –, que praticamente não tratava do assunto nos telejornais, que é a informação no atacado, para o grande público. Somente uma vez fizem um arremedo de reportagem sobre o caso do valerioduto tucano oriundo de Furnas, mesmo assim abordaram de tal forma que, bem sei, grande parte dos telespectadores acreditou que a matéria tratava do “mensalão petista”. Escrevi sobre isso também: “O Dimasduto e os telejornais".

“Lista de Furnas” de 2002?! Ora, o buraco é bem mais embaixo

Agora, talvez, tudo venha a ser esclarecido.



“Valerioduto – O ministro Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo em 1998, operado por Marcos Valério”

(...)

A lista está metodicamente organizada. Sob o enunciado “Relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. São quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão”petista.

Esse pacote de documentos foi entregue na quinta-feira 26 à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A papelada desnuda o submundo das campanhas eleitorais inalcançado pela Justiça. Há registros de doações de prefeituras, estatais e outros órgãos públicos impedidos por lei de irrigar disputas políticas.

Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999. Há ainda uma declaração assinada por Souza de 12 de setembro de 2007 e apresentada à Justiça de Minas Gerais. Souza informa um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo. Intitulado “Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial”, o documento de apresentação assinado pelo publicitário afirma que o depósito milionário a favor de Azeredo foi feito “com autorização” dos coordenadores financeiros da campanha tucana Cláudio Roberto Mourão e Walfrido dos Mares Guia. As origens da quantia, diz o texto, são o Banco do Estado de Minas Gerais (BRMGE), Banco Rural, COMIG (atual CODEMIG, estatal de infraestrutura mineira), COPASA (companhia estadual de saneamento), Loteria Mineira (estatal de loterias) e as construtoras Andrade Gutierrez e ARG, “conforme declaração de reembolso assinada pelo declarante”.

Segundo a papelada, Souza afirma ter elaborado a lista em comum acordo com Mourão, principal tesoureiro da campanha de Azeredo, no mesmo dia 28 de março de 1999 que consta ao lado de sua assinatura. Chamada formalmente de “Relatório de movimentação financeira”, a lista teria sido montada “sob a administração financeira” das agências SMP&B Comunicação e DNA Propaganda. No fim, o publicitário faz questão de isentar o lobista Nilton Monteiro, apontado como autor da famosa lista de Furnas, de ter participado da confecção do documento. [Nota Assaz Atroz: Claro que não participou deste documento agora apresentado. Isso aí está muito além do alcance de um sujeito como ele.]

Monteiro provavelmente tem alguma ligação com a história. Há muitas semelhanças entre os dois documentos. A lista de Furnas, cuja autenticidade foi comprovada pela perícia técnica da Polícia Federal [Nota Assaz Atroz: Conforme pesquisas nossas em sites de busca, encontramos várias alegações de que a PF nunca comprovou a autenticidade da “Lista de Furnas”, em conformidade com o que Milton Monteiro divulgou pela internet e cópias xerográficas distribuídas. Fala-se que, ao ser pressionado a apresentar documentos originais, Monteiro os teria falsificando, aperfeiçoando-os em detalhes, e os entegou à PF, mas que não batem com as cópias anteriormente divulgadas], igualmente trazia uma lista de nomes de políticos, a maioria do PSDB e do ex-PFL (atual DEM), todos beneficiados por recursos de Caixa 2. Além de Monteiro, assinava o documento Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, que até hoje nega ter rubricado aqueles papéis. A diferença agora são os comprovantes de depósitos, as autenticações em cartório e uma riqueza de detalhes raramente vista em documentos desse tipo.

(Leia completo clicando AQUI

Minha “teoria” (ou “especulações”) sobre a divulgação da "Lista de Furnas" pode ser considerada delirante, como já me disseram, mas disseram apenas assim, “delirante”, não me apresentaram nada mais esclarecedor. Entretanto, onde encontrar esclarecimento de verdade sobre o caso da divulgação da “Lista de Furnas” pelo falsário Nilton Monteiro se o próprio Judiciário e as autoridades policiais não têm certeza de nada?

Agora, com esse novo documento, vamos ver se o PIG se manifesta.
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Leia também...


“Reportagem de Carta Capital mostra destinações à mídia de dinheiro do caixa dois da campanha de reeleição de  Eduardo Azeredo, em 1998; Abril, de Roberto Civita, teria recebido duas de R$ 49,5 mil cada; jornais mineiros e de Brasília na lista."

(Clique no título e leia nota no site BRASIL! BRASIL! )
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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons
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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A droga da política de combate às drogas fracassou!


Pedro Abramovay: “Usuário pobre está sendo tratado como traficante”


Advogado foi demitido de Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas ao defender penas alternativas para pequenos traficantes | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Felipe Prestes


O advogado Pedro Abramovay foi secretário nacional de Justiça durante o Governo Lula, mas sua atuação chamou atenção do grande público no início do Governo Dilma. Convidado pela presidenta para ocupar a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, ele foi demitido algumas semanas depois, após o jornal O Globo ter publicado uma entrevista na qual ele teria defendido penas alternativas para pequenos traficantes. “Na entrevista eu não usei o termo “pequenos traficantes”, porque não é disto que estamos falando. Estamos falando muito mais de usuários que de traficantes. Não é uma fronteira muito clara, mas estamos falando, sobretudo, de usuários”, explica.

Agora, Abramovay continua defendendo mudanças na legislação antidrogas do país à frente do projeto Banco de Injustiças, que tem como objetivo mostrar que muitos usuários têm sido classificados como traficantes e presos equivocadamente. “O usuário pobre está sendo classificado como traficante e isto é uma injustiça brutal”.

O Sul21 conversou com o advogado durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado em Porto Alegre na semana passada. Abramovay falou sobre vários temas relacionados às drogas, como a proposta de José Mujica, de que o governo uruguaio plante maconha e forneça determinadas quantidades aos usuários.
“Estamos em uma política de produção e reprodução da dor e do sofrimento. É uma política que não soluciona nenhum dos problemas que a droga causa”
Sul21 – Há organizações, o Banco de Injustiças entre elas, apontando que a nova legislação sobre drogas tem causado uma série de situações injustas. Que situações são estas?

Pedro Abramovay – A lei de 2006 disse que não cabe prisão para o consumidor e determinou penas altas para o traficante. Mas como ela não define quem é o consumidor e quem é o traficante, tem uma área cinza entre o consumidor e o traficante – que vai desde o consumidor até a pessoa que, eventualmente, vendeu droga para sustentar seu uso – que passou a ir para a cadeia. Se a gente olhar quem está sendo preso no Brasil hoje, 60% eram réus primários, com pequeníssimas quantidades, estavam sozinhos quando presos e desarmados. Este não é o perfil do traficante, é um perfil muito mais próximo do usuário. Só que são pessoas pobres – 80% destas pessoas só tinha até 1º grau completo. O usuário pobre está sendo classificado como traficante e isto é uma injustiça brutal.


"Se a gente olhar quem está sendo preso no Brasil hoje, 60% eram réus primários, com pequenas quantidades, estavam sozinhos quando presos e desarmados. Este não é o perfil do traficante" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – O senhor falou na palestra sobre uma série de arbitrariedades que estariam sendo cometidas em nome da Guerra às Drogas. Como está ocorrendo isto?

Pedro Abramovay – A lei de drogas fala que a pessoa tem que esperar o julgamento presa. Então, se você mata alguém, pode esperar em liberdade, mas se você é acusado de tráfico de drogas você tem que ficar preso até ser julgado. O Supremo já disse que isto é inconstitucional, mas muitos juízes continuam descumprindo esta decisão. No Banco de Injustiças, há o caso de uma senhora de 70 anos que foi presa, porque a polícia chegou na casa dela e encontrou crack que era do filho dela. Ela ficou três meses na prisão, porque tinha que aguardar julgamento, até perceberem que não tinha nada a ver com aquilo. Quem devolve este tempo de vida para ela? Ela ficou deprimida, foi internada. Este tipo de injustiça não é pontual. Está acontecendo o tempo inteiro, com pessoas pobres, sobretudo. Estamos em uma política de produção e reprodução da dor e do sofrimento. É uma política que não soluciona nenhum dos problemas que a droga causa, que são muitos, e agrava este problema. A gente precisa sair disto, precisa construir uma política que solucione problemas.

Sul21 – Então, quando o senhor deu aquela declaração que gerou polêmica, de que pequenos traficantes deveriam ter penas alternativas, não se referia a pequenos traficantes, mas a pessoas que, muitas vezes, estão sendo acusadas de forma equivocada.

Pedro Abramovay – Na entrevista a O Globo eu não usei o termo “pequenos traficantes”, porque não é disto que estamos falando. Estamos falando muito mais de usuários que de traficantes. Não é uma fronteira muito clara, mas estamos falando, sobretudo, de usuários. A gente está, sim, prendendo usuários no Brasil. A gente precisa desarmar o que montamos para nós mesmos.


Na visão de Pedro Abramovay, modelo brasileiro retira pessoas da sociedade, as coloca na prisão e as devolve com a pecha de criminosos | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Que efeito traz para estes usuários pobres estarem indo para a cadeia?

Pedro Abramovay – Tem uma pesquisa feita em São Paulo que mostra que, destas pessoas que estão indo presas, 62% tinham emprego e 9% tinham estudado. Estamos falando de pessoas produtivas, de alguma maneira, que a gente retira da sociedade, coloca na prisão e devolve para a sociedade com ligação com o crime organizado, com estigma de criminoso, que ninguém vai empregar. Então, a gente pega pessoas que não são criminosas e devolve para a sociedade criminosas. Não me parece um modelo adequado.

Sul21 – Quais poderiam ser as penas alternativas?

Pedro Abramovay – Podem ser diversas. Tem que dosar a partir de qual seja a conduta. No caso do usuário, o que a gente propõe não é nem que tenha pena alternativa, mas que sejam medidas administrativas, que podem ser desde advertência, frequentar um curso. Podem ser várias medidas, mas que não passem pelo sistema penal, porque o sistema penal impede o tratamento. Quando você diz que alguma coisa é crime, a primeira pessoa que vai olhar o usuário é o policial, não é um médico, não é uma assistente social. Enquanto for o policial, a saúde não entra.

Sul21 – As pessoas refutam o tratamento por medo?

Pedro Abramovay – Claro, o próprio médico também fica com uma aflição. Ele não é preparado para lidar com criminosos, mas com doentes.
“Os indicadores da guerra às drogas são apreensões, prisões, mortes de traficantes. Se não significam que o consumo e a violência estão caindo, não são indicadores de sucesso, mas de fracasso”
Sul21 – A comissão de juristas que discutiu o novo Código Penal previu a descriminalização do consumo de drogas.

Pedro Abramovay – Acho um grande passo. Mas acho que Portugal ensina para a gente que, além de não criminalizar, tem que ficar muito claro que aquela pessoa não vai para o sistema penal. Não é o juiz que tem que cuidar do usuário. Ninguém é a favor de legalizar passar (um carro) no sinal vermelho, mas ninguém acha que isto tem que ser crime, que o Ministério Público tem que fazer uma denúncia e que um juiz tem que condenar esse infrator. Não é esta a estrutura, é uma estrutura administrativa. O que a gente quer é que a pessoa que seja pega com drogas vá para uma comissão de especialistas que pense qual a melhor alternativa para ela, se uma advertência, uma multa, um tratamento, e construir uma saída, que não seja a saída criminal. Isto para pessoas que sejam pegas com uma quantidade abaixo de um determinado valor fixo, para que não se tenha a possibilidade de se cometer as arbitrariedades que são cometidas hoje – um modelo semelhante ao que é feito em Portugal.


Guerra às Drogas fracassou, defende Abramovay: "está se trabalhando muito, gastando muito dinheiro e muita energia para não alcançar os objetivos mais importantes" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – O senhor critica que os resultados da política de drogas sejam mais prisões e apreensões. Por quê?

Pedro Abramovay – Uma política consistente de drogas tem que ter como objetivos a redução da violência e acesso à saúde, que as pessoas tenham uma vida mais saudável. Como a repressão e a Guerra às Drogas nunca conseguiram reduzir o consumo nem a violência, os indicadores que se criam são indicadores que não dizem nada. São apreensões, prisões, mortes de traficantes. Se estes indicadores não significam que o consumo e a violência estão caindo, não são indicadores de sucesso, mas de fracasso. Significa que está se trabalhando muito, gastando muito dinheiro e muita energia para não alcançar os objetivos mais importantes.

Sul21 – O indicador deveria ser, por exemplo, quantas pessoas foram ressocializadas?

Pedro Abramovay – Mortes por overdose, quanto é? Em Portugal, ao descriminalizar, despencou o número de mortes por overdose. Este é um indicador de sucesso. As pessoas muitas vezes imaginam que a descriminalização aumenta o consumo, mas foi feita uma pesquisa por um instituto inglês em 21 países que tiveram medidas de flexibilização da legislação. Em nenhum deles aumentou o consumo. Em alguns até caiu. Não se diminuiu o consumo de nenhuma droga ilícita por meio da repressão. A única droga que se conseguiu diminuir o consumo por meio de atitude do Estado foi uma droga lícita: o tabaco. O caso do tabaco mostra que é possível reduzir consumo, mas se faz isto com regulação, não com cadeia. Com a criminalização, todo mundo tem acesso à droga, mas você não consegue tratar ninguém e prende pessoas que não cometeram violência contra ninguém.

Sul21 – Num segundo momento, o senhor defende a legalização do comércio, ou o plantio (de cannabis) em casa?

Pedro Abramovay – O tema do plantio em casa sem dúvida deve ser discutido. Há experiências bastante bem-sucedidas na Espanha. Acho que temos que debater isto no Brasil. A legalização é algo que nenhum país fez. Eu me sinto mais confortável em falar sobre a descriminalização, que é um modelo que deu certo onde tentaram, do que no modelo de legalização, que nunca ninguém testou.

Sul21 – Na Holanda não foi testado?

Pedro Abramovay – Na Holanda não é legalizado, porque a venda é permitida em pequenas quantidades, mas a produção não é. Então, os coffee shops compram ilicitamente a droga. Então, é um modelo que tem uma hipocrisia. A impressão que eu tenho é que pior que a atual política (do Brasil) não tem, uma política que não consegue frear o consumo e que causa tantos danos. Tem coisas que claramente já deram certo, como a descriminalização e o cultivo pessoal. Os outros passos têm que ser debatidos com muito cuidado e com atenção às experiências que outros países têm feito. Na Califórnia, por exemplo, se diz que foi regularizada a maconha medicinal, mas existe um milhão de pacientes cadastrados. A pessoa vai na farmácia, compra, e a sociedade californiana não teve nenhum prejuízo com esta medida. A gente tem que ter um debate baseado em dados concretos, na ciência, e não baseado na ideologia, no medo, na raiva – em geral, o tema de drogas é debatido assim. A gente quer debater como quem quer resolver o problema, e não como quem quer fazer barulho, dar a impressão de que está dando uma resposta sem, até agora, ter chegado perto de solucionar o problema.
“Até pouco tempo atrás, o tema das drogas no Brasil estava sob a guarda dos militares. Hoje, a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas está no Ministério da Justiça. É um avanço extraordinário”

Fracasso da política de guerra contra drogas cria necessidade de testar outros mecanismos, defende Pedro Abramovay | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Como o senhor vê a proposta do presidente José Mujica, do Uruguai, de que o Estado plante maconha e de que isto separaria o usuário de maconha das drogas mais pesadas?

Pedro Abramovay – Nesta lógica de tanto esgarçamento da atual política é o momento de testar novas coisas, porque insistir no erro a gente sabe que não funciona. O caso do Uruguai tem algumas questões. Primeiro: a gente precisa descriminalizar não só a maconha, mas todas as drogas. Quanto maior efeito da droga sobre a pessoa, mais próxima de um doente esta pessoa vai estar e mais atenção de saúde, e não de prisão, esta pessoa deve ter. Então, não é que a droga mais grave deve ser criminalizada e a mais leve não. A gente não pode tratar nenhum usuário como criminoso. Do ponto de vista da legalização, muitas pessoas dizem que a maconha é a porta de entrada para outras drogas. Tem um estudo neozelandês que afirma isto, mas o próprio autor diz que a maconha é a porta de entrada porque a gente força os jovens a comprarem maconha da mesma pessoa que vende cocaína, que vende crack. Quando você vai no supermercado comprar arroz, você acaba comprando outras coisas. Então, o que torna a maconha uma porta de entrada é o fato de ela ser considerada ilícita. Acho que, de alguma maneira, separar a maconha — que é a droga responsável, de longe, pela maior parte do consumo de drogas ilícitas — é afastar os jovens do crime. Então, acho que tem algum sentido nisto. São experiências, inovações que a gente tem que olhar com calma, avaliar, ter a serenidade de ver quais são os resultados concretos disto, sem nenhum clima de oba-oba e nem de cegueira, como é o clima com que se convive com a política atual.

Sul21 – Qual é a visão do senhor sobre a internação compulsória dos dependentes químicos?

Pedro Abramovay – Eu não sou médico, mas li muitos artigos científicos sobre isto e vários mostram que a eficiência da internação compulsória é baixíssima, de menos de 10%. É claro que existem situações absolutamente excepcionais – menos de 5% dos casos – em que a pessoa pode ser avaliada como psicopata e não tem juízo sobre a situação e pode se matar, ou matar outra pessoa. Mas estes casos são exceção até no caso do crack. Na grande maioria dos casos, as pessoas têm, sim, total consciência nos momentos de abstinência e podem decidir por tratamento. Quando elas tomam esta decisão, a eficiência do tratamento é muito maior. E o tratamento ambulatorial e a rua têm eficiência muito maior que a internação, porque a relação da droga com a dependência não está na própria substância. O que faz a pessoa se tornar dependente é a relação da pessoa com a droga dentro de uma circunstância social específica. Então, se a pessoa está desempregada, vê naquilo uma muleta para seus problemas ou algo assim, a chance dela se tornar dependente é muito maior. Quando você interna a pessoa, desintoxica ela, mas devolve para o meio que gerou a dependência, ela vai voltar a ser dependente. Por isto é que a maioria dos casos de internação não funciona. Quando você consegue tratar a pessoa no meio em que ela vive e fazer ela lidar com os problemas que levaram à dependência, aí a pessoa consegue sair da tragédia das drogas.


"Hoje é possível debater o tema das drogas no Brasil. Antes, qualquer pessoa que levantasse essas questões era tachada de maluca" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Como o senhor avalia a atual política do Governo Federal na questão de drogas?

Pedro Abramovay – Acho que o Governo Federal avançou em várias áreas no tema das drogas. Até pouco tempo atrás, o porta-voz do tema das drogas no Brasil era um general, o tema estava sob a guarda dos militares. Hoje, a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas está no Ministério da Justiça e o grande porta-voz do plano tem sido o ministro da Saúde. É um avanço extraordinário que a gente possa ter este olhar sobre o tema e não o olhar de guerra. O Plano de Enfrentamento ao Crack pela primeira vez dá dinheiro para o tratamento ambulatorial, mas também dá dinheiro para a internação, e aí é uma contradição. Claro, há momentos em que você precisa de internação, mas são casos mais raros. Mas como não é o Governo Federal que executa, lá na ponta, nos municípios, você pode transformar o consultório de rua em uma carrocinha de pegar usuários pobres e levar para esconder na internação. Então, a gente tem quer vigiar muito de perto o plano para apoiar o que ele tem de muito positivo, que é incentivar o tratamento de rua, incentivar o olhar de saúde, e não deixar que setores mais conservadores se apropriem deste plano pelo lado da internação compulsória, não respaldada na ciência.

Sul21 – Em que pé está o debate sobre drogas neste momento no país? Avançamos?

Pedro Abramovay – Acho que pela primeira vez a gente tem o debate aparecendo de maneira séria. Agora, é possível debater o tema. Antigamente, qualquer pessoa que levantasse essas questões era taxada de maluca. Agora, é um tema sério, há grandes personalidades que discutem este tema, apresentam suas propostas. Acho que é um cenário positivo. Ainda está longe de ser um tema discutido sem preconceito, mas acho que a gente pode finalmente discutir o tema com base em dados, em pesquisas, e não só em ideologia e impressões.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

SERRA ESCORREGA DE NOVO. E TOMBA SOBRE SEU PASSADO

José Serra perdeu o equilíbrio de novo.

Fez triste figura mais uma vez.

Desonrou novamente os ideais de outrora.

Embora tenha terceirizado o ataque jurídico e verbal contra o blogue Conversa Afiada  (do Paulo Henrique Amorim) e o site Luís Nassif OnLine, as responsabilidades política e moral são dele, Serra. Só dele. Pessoais e intransferíveis.

Pois foi em benefício de sua candidatura que o PSDB fez uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral, pedindo investigações... com o evidente objetivo de promover intimidações!

E foi para evitar que Serra aparecesse como paladino da imposição da censura na internet, qual um  velho cavalheiro indigno  (1) a clamar pela volta da Dª Solange (2), que o presidente tucano Sérgio Guerra incumbiu-se de tentar justificar o injustificável nos papos com a imprensa.

Assim como era seu vice, Índio da Costa, quem cortejava os eleitores de extrema-direita durante a campanha eleitoral de 2010, poupando o ex-presidente da UNE da  saia justa  de aderir ele próprio à retórica de quem fechou a UNE.

Que moral tem para falar em "atentado à democracia brasileira" o dirigente máximo do partido de Geraldo Alckmin?!

A barbárie no Pinheirinho e a ocupação militar da USP não passam de balões de ensaio golpistas, para aferir a resistência da sociedade brasileira a uma recaída totalitária, a um novo 1964. 

Ou seja, estes episódios sim merecem ser qualificados de atentados à democracia --pois são reais, bem reais, tanto que houve até uma vítima fatal (ver aqui). Não virtuais e supostos.

Pior do que escorregar do skate é vacilar em relação ao próprio passado, perdendo a identidade que o sustentava e esborrachando-se no chão dos oportunistas.
  1. aos patrulheiros do politicamente correto, informo que não se trata de afronta aos idosos, mas sim de alusão irônica ao título de uma peça do Brecht, A velha dama indigna. 
  2. Solange Teixeira Hernandes, a censora-símbolo da ditadura militar.
TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "DIÁRIO DE CAMPANHA DO LUNGARETTI" (clique p/ abrir):
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A SOLIDARIEDADE AOS INJUSTIÇADOS
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A REVOLUÇÃO MUNDIAL DO MARX
UM IDEAL QUE ME INSPIRA: A "SOCIEDADE ALTERNATIVA" DO RAULZITO

TEXTOS RECENTES DO BLOGUE "NÁUFRAGO DA UTOPIA"  (clique p/ abrir):
PARA LER E MEDITAR (É ESTA A POLÍCIA QUE QUEREMOS?)
É HORA DE NOS LIVRARMOS DE MAIS UM ENTULHO AUTORITÁRIO: A PM
A VIDA IMITA A ARTE: "DESEJO DE MATAR"

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Serrassuga e a campanha contra os blogs "sujos", pseudonazistas




"Não sei o que moveu o PSDB. Provavelmente, pela escolha dos alvos, José Serra. Tenho comigo que algum mago, daqueles que cobram fortunas para fazer campanha, tenha concluído que existe uma relação entre a altíssima taxa de rejeição de Serra e a blogosfera/mídias sociais." - Luiz Carlos Azenha, no Viomundo", tratando de...

A crença míope [de Serra] nos superpoderes de blogueiros




(Clique no título e lei artigo completo no Viomundo do Azenha)


RodapéNews

GENOCÍDIO EM SP PRATICADO PELA POLÍCIA MILITAR MOSTRA INEFICÁCIA DA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA DOS GOVERNOS DO PSDB

PM DE SP, A Nº 1 EM MORTES, MUITAS DAS QUAIS SE CONSTITUEM EM VERDADEIROS ASSASSINATOS DE CIDADÃOS INDEFESOS

Folha

Em cinco anos, a PM do Estado de São Paulo matou quase nove vezes mais do que a polícia norte-americana.

(Recebido por e-mail da redecastorphoto. Clique no título e leia matéria completa)

Tucano José Serra é o mais novo alvo da CPMI do Cachoeira

“O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, é o mais novo alvo das investigações da CPMI do Cachoeira. Candidato à presidência da república em 2010, ele recebeu uma doação milionária de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa de José Celso Gontijo, acusado de participar do esquema criminoso do contraventor." (Clique no título e leia tudo no site BRASIL! BRASIL! )


Mídia tenta intimidar Lula e o PT para proteger Serra da CPI

A convocação de Serra seria, também, um desastre eleitoral para a sua cambaleante candidatura a prefeito de São Paulo, recentemente ferida de morte pela crescente desmoralização da administração Gilberto Kassab.

É nesse contexto que entra Roberto Jefferson, o golden boy da mídia tucana, o patrono de toda a sua cruzada contra o PT desencadeada em meados da década passada e que até hoje constitui a grande aposta da oposição para ao menos se manter viva.

Jefferson, que teve seu mandato de deputado cassado por não ter conseguido comprovar a existência do mensalão e que, à época de sua denúncia, inocentou Lula, agora muda a versão e tenta envolver o ex-presidente acusando-o de ser o mentor de tudo.

A acusação de Jefferson está sendo fermentada pela mídia apesar de ser um nada, inverossímil e descartável, pois, à época da denúncia do mensalão, a Polícia Federal e todos os órgãos de controle investigaram Lula exaustivamente e nada encontraram.

(Clique no título e leia tudo no Blog "sujo" da Cidadania )

Moradores de rua são agredidos pela Guarda Civil Metropolitana


Em São Paulo, na região central da capital, a reportagem do SBT fez novos flagrantes de homens da Guarda Civil Metropolitana agredindo e humilhando moradores de rua. Registros de violência anteriores, feitos pelo SBT no ano passado, renderam uma ação civil do Ministério Público para que a prefeitura pague R$ 10 milhões de indenização para um fundo coletivo.   

Em uma das agressões registradas, no último sábado - 14 de julho -,  membro da GCM disfarçadamente pega o spray de pimenta que está no cinto e espirra, à queima roupa, no rosto do mendigo.

Outro flagrante, no Largo São Francisco, guardas civis retiram roupas, cobertores e até documentos das pessoas que vivem na rua. Os mendigos tentam fazer uma leve resistência, mas são vencidos pelos GCMs.

(Clique no título e assista à reportagem do SBT)



Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

(Clique no título e leia tudo no Blog do Leandro Fortes, da CartaCapital )

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Globo anuncia seu próximo show: o julgamento do “mensalão" e o linchamento de José Dirceu




Dirceu tem de ser julgado pelo STF e não pela imprensa.

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre


Hoje pela manhã e antes de sair para trabalhar liguei a televisão e acessei o canal da Globo News, que se prepara para a cobertura do seu próximo show, o “julgamento do mensalão”, pois é dessa forma que a imprensa comercial e privada trata as realidades que se apresentam em forma de notícia: como show. Evidentemente, este “fenômeno” acontece quando há interesse político e eleitoral do sistema midiático conservador e de oposição ao Governo Federal, como se transformou o caso do mensalão, que até hoje está por se provar.

Duvido, porém, que algum juiz do STF, mesmo ideologicamente conservador, vai ter a capacidade e a desfaçatez de, por exemplo, condenar sem provas o mais conhecido dos réus, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, ou até mesmo o pivô da crise, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, que, em 2005, conspirou com políticos e empresários para derrubar do poder o presidente Lula, que, consciente do grave momento com o qual se deparava, foi às praças, à sociedade civil para denunciar o que estava a acontecer, principalmente no Nordeste, e, por conseguinte, fez a direita golpista recuar.

Para concretizar esse intento, o sistema midiático burguês passa a pressionar os ministros do STF e tenta pautar o processo, sem, no entanto, ter condições técnicas e de conhecimento jurídico para isso, o que, sem sombra de dúvida, leva o cidadão consciente do que é cidadania perceber que os barões da imprensa e seus asseclas que os representam tem enorme interesse na condenação dos envolvidos com o mensalão, e, consequentemente, tentam interferir no processo eleitoral, além de beneficiar e promover seus aliados políticos, que são os candidatos do DEM e principalmente os do PSDB, prioritariamente os de São Paulo.

Olho para a tela da Globo News e ouço e leio uma propaganda, com letras garrafais: “Mensalão: cobertura completa, em agosto”. É realmente um show preparado para convencer o brasileiro conservador de classe média e média alta da culpabilidade dos que respondem ao processo. No dia 2 do próximo mês os juízes do Supremo abrem seus trabalhos que visam o julgamento dos réus incansavelmente repercutido pela mídia empresarial de direita, que, contraditoriamente, nunca deu muita relevância aos mensalões do DEM e do PSDB, partido que, por intermédio do ex-governador de Minas Gerais (1995/1999), Eduardo Azerêdo, criou o mensalão, cujo gerenciamento era a cargo do empresário do ramo de publicidade, Marcos Valério, que, provavelmente, era um dos responsáveis pela movimentação do caixa 2 das campanhas dos tucanos, não somente dos mineiros, mas também dos paulistas.


Jefferson: pivô do "mensalão", tentativa de golpe e se defenderá atacando Lula.



 Outra evidência do falso moralismo e do jornalismo sempre pontual da imprensa golpista é quanto às denúncias relativas aos seus aliados políticos, como as provas publicadas no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro, que foram boicotadas e não difundidas pela imprensa, apesar de o livro bater recordes de venda em todo o Brasil. O escândalo do Rodoanel, dos pedágios, que lesam há décadas o bolso do contribuinte paulista, do metrô, do Caixa 2 de José Serra e de seus aliados, administrado pelo engenheiro Paulo Preto, que Serra, em plena campanha a presidente, em 2010, teve a desonestidade de dizer que não o conhecia, quando em inúmeras fotos e filmagens aparece o tucano com a pessoa que ele nega ter contato e conhecimento.

Mas a questão que chama mesmo a atenção é o tratamento que a imprensa hegemônica e colonialista dá a José Dirceu, que renunciou à chefia da Casa Civil para se defender na Câmara dos Deputados, e, posteriormente, cassado, sem provas, em um julgamento político no qual a defesa foi apenas formal, porque até mesmo o Governo queria dar fim a esse processo draconiano, com o propósito de restabelecer a rotina da governança, bem como diminuir o assédio midiático, que atuava de forma extremamente passional, partidária, feroz e, indiscutivelmente, golpista. Esta é a verdade.

Dirceu, sem sombra de dúvida, é o político, juntamente com Lula e Brizola, mais agredido das últimas décadas. A direita partidária, com o apoio irrestrito dos barões da imprensa, locupletou-se até se lambuzar e se sentiu forte o suficiente para dar um golpe branco, de perfil parlamentar e jurídico, como aconteceu recentemente no Paraguai. Para isso, os golpistas precisavam de um homem de caráter simbólico, partícipe da esquerda armada, um dos ideólogos do PT, com efetiva participação na Constituinte (1987/1988) e influente no governo trabalhista de Lula, pois, obviamente, era a segunda personalidade mais poderosa da República.

Por tudo isso e por causa disso, armou-se uma armadilha mortal, que tinha e ainda tem a finalidade de manter indefinidamente o nome de José Dirceu nas manchetes das principais publicações e mídias brasileiras, como se fosse um trunfo da direita corporativa, comercial e privada para futuros combates políticos, como as eleições de outubro para prefeito de São Paulo, a preço do linchamento moral de um dos políticos históricos do Brasil, que nunca se acovardou para se defender, bem como jamais se recusou a dar explicações e falar do assunto mensalão em qualquer parte e lugar, inclusive em programas televisivos com jornalistas ideologicamente conservadores, de oposição, a exemplo dos que participam de programas sobre política das televisões Bandeirantes e Cultura de São Paulo, que, indubitavelmente, tem vocação favoravelmente tucana.


Gilmar é juiz, atacou Lula, falou do "mensalão" e se diz apto a julgar o processo.



  Muitos dos companheiros de José Dirceu, que respondem como réus do caso mensalão, abaixaram a cabeça, ficaram deprimidos, temerosos e se recolheram ao ponto de não aparecerem em público. Sumiram, creio eu, não por se sentirem culpados, como é o caso de alguns, mas por considerarem que a sociedade vai rejeitá-los, maltratá-los, ainda mais que a imprensa alienígena faz do mensalão a ponta de lança de seus interesses comerciais, políticos e ideológicos, além de ser um processo que está indelevelmente na memória da população brasileira, porque desde 2004, ou seja, há oito anos a imprensa burguesa o mantém nas manchetes, como se fosse a única coisa que aconteceu no Brasil em termos de casos considerados efetivamente como corrupção ou malfeitos, como afirma a presidenta trabalhista Dilma Rousseff.

A realidade é que corrupção para valer e comprovada por documentos publicados pelo livro “A Privataria Tucana” e propositalmente “esquecido” e censurado pela imprensa burguesa e de retórica aconteceu mesmo no governo do presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso, aquele mandatário sociológico do apagão de dez meses e que foi três vezes ao FMI, de joelhos e com o pires na mão, ou seja, por três vezes ele quebrou o Brasil. FHC, o Neoliberal, vendeu o patrimônio que ele não construiu e nem ajudou a construir, além de jamais e em tempo algum se dispôs a governar para os mais pobres, os mais fracos e os que podem menos. Pelo contrário, governou para os ricos e se submeteu aos ditames dos países colonialistas por ter uma mente colonizada. O Governo tucano e neoliberal de FHC foi o governo Cavalaria de Átila, ou seja, por onde passava nem a grama nascia.

FHC, o Neoliberal, está solto, serelepe, a sorrir e a mendigar reconhecimento, medalhas e moções pelo mundo, como aconteceu recentemente quando recebeu um prêmio de US$ 1 milhão — ele disse que não vai doá-lo, quando geralmente os ex-chefes de estado e governo doam — da biblioteca do congresso estadunidense, que, talvez entediada e cansada dos pedidos dos assessores do tucano-mor, resolveu conceder medalha, pois a tucanada emplumada ficou deveras insatisfeita e profundamente invejosa com as dezenas de comendas, medalhas, moções e prêmios que o estadista Lula recebeu, espontaneamente, no nosso País e no mundo, por ter realizado o que o neoliberal FHC não realizou: um governo que desenvolveu economicamente e socialmente o Brasil, ao permitir que o povo brasileiro experimentasse depois de quase 50 anos uma ascensão social e financeira que somente ocorreu nos governos do grande estadista gaúcho, o trabalhista Getúlio Vargas, líder da Revolução de 1930, que, irrefutavelmente, tal qual à revolução silenciosa de Lula, mudou o Brasil para sempre. Diferentemente da velha imprensa alienígena, os historiadores, seguramente, vão mostrar, isentos de paixões, o que o presidente Lula realizou para desenvolver o Brasil e beneficiar dezenas de milhões de brasileiros.


A imprensa questiona Toffoli por causa do PT, enquanto Gilmar pode dar piti.



 No dia 2 de agosto, o STF que está a ser pressionado por uma mídia de negócios e perversa que quer pautá-lo, vai dar início ao tão propalado caso do mensalão. Ministros foram absurdamente pressionados e inclusive alguns, a exemplo dos juízes Antônio Dias Toffoli e Joaquim Barbosa, considerados pelos barões da imprensa e seus jornalistas de confiança e comentaristas de prateleira como incapazes de julgar o processo, porque, segundo esses “gênios” analíticos, Toffoli trabalhou no passado para o PT e Joaquim Barbosa, de forma recorrente, conflitou-se com os juízes de perfis conservadores e claramente oposicionistas ao Governo Federal, como os senhores Gilmar Mendes, Antônio Cezar Peluso e Marco Aurélio de Mello, além de outros menos midiáticos, que, inclusive, saíram do STF.

Toffoli, de acordo com a imprensa golpista, não pode julgar o mensalão. Um juiz que nunca se meteu em confusão e nem se envolve com gente do perfil de Demóstenes Torres, conforme gravações da PF, o que não ocorre com certo juiz tão admirado por essa imprensa de vocação oportunista e contraditória. Contudo, sabe-se que o Gilmar Mendes deu, recentemente, um verdadeiro piti, e, de maneira apoplética e desonrosa para um ministro do Supremo, tentou envolver o presidente Lula em fofoca de baixo nível junto ao ex-ministro do STF e da Justiça, Nelson Jobim, que, prontamente, desmentiu o vaidoso e direitista juiz, que é a herança maldita de FHC — também conhecido como o Neoliberal.

Como a mentira tem perna curta, percebeu-se, em tempo curto, que Gilmar, a Veja e a Globo estavam mancomunados, pois queriam trazer Lula para o olho do furacão do caso mensalão, e, consequentemente, pressionar o STF, bem como manchar o nome do político mais popular da história do Brasil, além de atingir a presidenta Dilma Rousseff. Tudo isso ocorreu e ocorre por causa da luta política que recrudesce a cada eleição, além de, evidentemente, de o mensalão e, especificamente, o ex-ministro José Dirceu serem pauta e alvos constantes por parte da imprensa de direita, como forma de desviar a atenção sobre os escândalos dos tucanos de Minas e principalmente de São Paulo, dois estados importantes, populosos e com uma parcela grande de eleitores conservadores.

Os barões da imprensa e outros segmentos empresariais reacionários vão fazer de tudo para que o PSDB paulista não seja derrotado eleitoralmente. Para eles, é fundamental manter vivo o mensalão, mesmo a ter conhecimento que tal esquema não foi provado como pagamento contínuo e sistemático a deputados para que apoiassem as votações de interesse do governo. É o que afirmam os juristas que comentam sobre o caso, além de políticos e comentaristas independentes dos interesses da imprensa burguesa. Isto é importante e tem de ser ressaltado, pois não é observado propositalmente pelos homens e mulheres que trabalham em órgãos privados de imprensa.


Merval é do Millenium e quer condenar Dirceu. Só que ele não é juiz do STF.



 Além disso, há três questões muito importantes e que nunca são divulgadas propositalmente pela imprensa e seus comentaristas e especialistas de prateleira: 1- apesar do mensalão, Lula se reelegeu, em 2006, e, por conseguinte, elegeu sua sucessora Dilma Rousseff, em 2010; 2- é inquestionável o equívoco e a obsessão da imprensa colonialista, que apesar das derrotas eleitorais de seus aliados tucanos, ainda acredita que o mensalão possa influenciar no que concerne ao voto dos brasileiros, e 3- o mensalão não é um processo que cita apenas parlamentares do PT. Na realidade, é um processo multipartidário, no qual parlamentares de inúmeros partidos estão envolvidos com o caso.

Só que a imprensa monopolista ataca apenas o PT, porque esta agremiação política efetiva um programa de governo distributivista, o que, historicamente, contraria os interesses das elites empresariais não apenas do Brasil, bem como do exterior. O PT é trabalhista, com muitos parlamentares, dirigentes e militantes ideologicamente socialistas, o que, sem sombra de dúvida, causa urticária à direita brasileira e internacional, principalmente à categoria mais atrasada dos segmentos da sociedade, que é a dos proprietários dos meios de comunicação cartelizados, que, para mim, superam até mesmo os ruralistas representados pelo deputado Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás, que, no decorrer da Constituinte (1987/19088), na condição de presidente da UDR, tentou, de todas as maneiras e formas possíveis, boicotar os trabalhos que, presididos pelo deputado Ulysses Guimarães, visavam edificar uma constituição democrática e progressista para a Nação brasileira, o que, sobremaneira, foi feito.  Portanto, é inenarrável a desfaçatez, a insensatez e a mesquinhez daqueles que controlam um sistema midiático dos mais poderosos do mundo. Todavia, não esqueçamos: poderoso, mas uma concessão pública.

Por sua vez, José Dirceu afirma há tempos que quer apenas um julgamento justo, técnico e que comprove ou não se ele realmente incorreu em malfeitos. A verdade é que o que foi comprovado realmente foi o mensalão do DEM, cujo governador do DF, José Roberto Arruda, ficou preso no presídio da Papuda, além da comprovação do mensalão do PSDB mineiro, cujo criador de todos os mensalões é o ex-governador tucano Eduardo Azeredo, que tinha como gerente desse caixa 2 o publicitário e empresário Marcos Valério. Os barões da imprensa hegemônica e gente como o Merval Pereira, Ricardo Noblat, as jornalistas “meninas” do Jô, o pseudointelectual verborrágico, Arnaldo Jabor, além de muitos outros fazem questão de esquecê-lo. Afinal, para eles, o mensalão que existiu se resume apenas ao do PT, que está no poder em um tempo de dez anos e demonizado pelas “elites” brasileiras desde sua criação, em 1980.

A direita é insistente com seus dogmas (muito dinheiro e sectarismo social para manter privilégios) e refratária às mudanças, mesmo se ela for beneficiada e auferir lucros maiores dos que sempre teve anteriormente a Lula e Dilma. Não importa. Sua essência é de escorpião, que mata com seu veneno aquele que o beneficia. Por isso, a direita não é confiável. Jamais governantes trabalhistas devem confiar na direita, mesmo que por motivo de governança em dado momento por ser necessário compor com ela. Compõem-se em nome do desenvolvimento, das mudanças e das reformas, mas sempre procurar ter o cuidado com seus dentes para se evitar, por exemplo, “escândalos” artificiais montados pelos conservadores golpistas, como ocorreu com as revistas Veja e Época, cujos diretores se envolveram com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, com o objetivo de criar celeumas, intrigas e dessa forma desestabilizar os governos trabalhistas, que, inclusive, exoneraram ministros importantes e sem culpabilidade comprovada.


 José Dirceu quer o julgamento. Ele quer ser julgado. Entretanto, não quer ser linchado e muito menos que o STF seja pautado por quem quer que seja. É um absurdo. O Jornal Nacional, o Mau Dia Brasil e os jornais da Globo News e seus comentaristas de prateleira estão a postos, prontos para pressionar a mais alta Corte judicial deste País, mas não vai ser possível atender a tão pueril e bárbaro desejo do sistema midiático empresarial que boicota o Brasil e faz oposição sistemática ao governo central, como se fosse um partido político, o Partido da Imprensa Golpista — o PIG. Contudo, publico esta frase para resumir o que está a acontecer:

"Não serei condenado. Não há condição de me condenarem. É um absurdo jurídico tão grande que penso que o Supremo não vai fazer isso".

Quem pensa que esta frase é do ex-ministro José Dirceu está enganado, redondamente equivocado. Quem vocalizou tal afirmação não é nada mais e nada menos que o pivô da crise do mensalão, o ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson. O mesmo homem que negou a existência do mensalão aos ministros do STF percebeu que foi usado ou se permitiu a ser usado como bucha de canhão. Em minha opinião e de outros analistas, bem como de historiadores, Jefferson, com o apoio de setores do DEM e do PSDB, além de certo empresariado encastelado em suas federações e confederações, foi o cão da arma que foi acionado para dar início ao golpe de estado, em 2005.

Não deu certo. O tiro saiu pela culatra. Agora, esperemos pelo julgamento no início de agosto, apesar da pauta da mídia alienígena já ter condenado José Dirceu, vítima de um linchamento moral, político e midiático dos mais cruéis e graves que já vi em toda minha vida, o que contraria o Direito e a Constituição. A Globo, cabeça da mídia cartelizada, prepara um show em prol de seus interesses, enquanto a sociedade brasileira quer, irremediavelmente, a verdade dos fatos. E vai saber deles pelo STF. José Dirceu tem de ser julgado pelo Tribunal e não pela imprensa. É isso aí.