A SEMANA


É DE CRISTINA KIRCHNER


Laerte Braga


Juan Carlos Bourbon, rei da Espanha, é filhote de Francisco Franco. Foi preparado para ser o sucessor do ditador espanhol. Tem o hábito de tirar ferias na Suíça e numa área de caça pagar cinco mil dólares por búfalo abatido. Dessa vez preferiu ir à África e pagar um pouco mais. Abate elefantes. Sua alteza real é presidente de uma sociedade protetora do meio ambiente, que inclui a preservação de espécies.


Como qualquer rei em qualquer lugar do mundo é um cínico.

A presidente da Argentina Cristina Kirchner exibiu dados na televisão de seu país provando que a REPSOL, companhia espanhola que explorava o petróleo argentino por obra graça de Carlos Menem (versão de FHC por lá), além de não investir o contratado, sonegava impostos e estava conversando por trás dos panos com os chineses. Iria passar o controle acionário para Pequim.

Expropriou a empresa, nacionalizou e já avisou que não vai pagar um único centavo por conta da quebra de contrato. Tem o apoio de 75% dos argentinos, inclusive da mídia de mercado, sem cara para defender os bandidos.

Terceirizaram a defesa. Ficou por conta de Miriam Leitão aqui no Brasil. A jornalista, cuja família é proprietária de uma rede de ensino particular, deitou falação e advertiu o governo argentino, como se Cristina estivesse assistindo/ouvindo sua fala, que outras empresas espanholas iriam reagir e pressionar o governo peronista, além das retaliações da Europa.

Nem uma coisa e nem outra. As empresas espanholas que operam na Argentina, dentre elas o banco Santander (em dificuldades) estão mudas, não se envolveram na questão e os países da Europa Ocidental se limitaram a um comunicado oficial em que não dizem nada.

No Brasil os aeroportos são privatizados sob os mais variados eufemismos e os hospitais universitários preparam-se para enfrentar o câncer maligno da terceirização.

A maior colônia norte-americana na América Latina, a Colômbia foi sede da Conferência das Américas. A vedete seria o presidente dos EUA, Barack Obama. José Manoel Santos, narco/traficante e “presidente” do país preparou todo o cenário para o hóspede ilustre. Obama ouviu um não sonoro dos presidentes que compareceram (muitos não foram) sobre o reforço do bloqueio a Cuba e novas sanções contra a ilha.

O resultado foi simples. O fim da conferência antecipado, nada de nota oficial como se costuma proceder nesses encontros e a presidente brasileira acabou regressando sem conversar com o colega colombiano. Arranjou um pretexto e caiu fora na véspera. Percebeu, até ela, a fria que estava entrando.

De qualquer forma a Colômbia é hoje parceira dos EUA no antigo SIVAM – Sistema de Monitoramento da Amazônia – e o Brasil entra ali de quebra com meia dúzia de técnicos para dizer que participa. Está guardando reforços para manter a tropa/barbárie no Haiti e se for o caso enviar soldados para “pacificar” a Síria.

As forças armadas brasileiras não se recuperaram ainda do golpe militar de 1964 (tamanho foram os expurgos de militares dignos).Qualquer Brilhante Ulstra da vida hoje vira colunista da FOLHA DE SÃO PAULO, páginas tucanas manchadas do sangue dos corpos desovados depois da tortura e do assassinato, nos caminhões de entrega.

Não sabe se são ou se deixam de ser. Restam sendo uma grande ameaça à democracia incipiente que temos.

Carlos Cachoeira é outra vedete da semana. Banqueiro do jogo bicho enveredou por caminhos outros, inclusive o de empreiteiras (o crime é mais lucrativo). Comprou um lote de políticos, a revista VEJA e vai ser objeto de CPI. No lote, bem embrulhado, governadores, prefeitos, deputados federais, estaduais, vereadores, ministros do STF – Gilmar Mendes – e uma troupe de jornalistas de outros veículos da mídia de mercado. É interessante observar que o fogo da mídia não está dirigido diretamente a Cachoeira, mas a políticos, como esses não fossem produto dos corruptores padrão o próprio Cachoeira, Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e outras.

O grande final do espetáculo ainda está por vir. Eike Batista não é nada, ou melhor, é só laranja de grupos estrangeiros e sem o estofo de Daniel Dantas, embora sejam intimamente ligados nos negócios, mesmo que possa parecer o contrário.

A Operação Monte Carlo que prendeu Cachoeira, envolveu o senador Demóstenes Torres, calou o DEM, colocou o PSDB no caso, caso do governador Marcondes Perillo, um apartamento de dois milhões de dólares, à época para o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung,  de Brasília, Agnelo das quantas,  espalhou obras por todo o País e está deixando muita gente de cabelo em pé, inclusive Aécio Neves – está em parafuso neste momento – O prefeito tucano de Juiz de Fora, MG, por exemplo, conta reeleger-se com obras feitas com verbas federais e a DELTA à frente. Vale dizer, polpudas doações.

Pior que tudo isso foi o projeto de lei do deputado Bruno Siqueira, presuntivo herdeiro do senador e ex-presidente Itamar Franco, que entre outras coisas implica na proibição da leitura de Guimarães Rosa nas escolas pública de Minas Gerais. O deputado, ele e os outros que subscreveram o malfadado projeto não foram além de Ivo viu a uva. Não conseguiram virar a página.

Na Colômbia, hoje Grande Colômbia, que inclui o Brasil nos projetos norte-americanos, inicia-se a grande marcha pela paz. A Colômbia está em guerra civil há décadas, existem nos cárceres do governo perto de 11 mil presos políticos e o número de mortos ultrapassa a centenas de milhares. A senadora Piedad Córdoba, é uma das participantes e milhões de colombianos sonhando a paz.

O governo não vê com bons olhos, pois a paz atrapalha o narcotráfico, especialidade de governantes e militares, além, evidente dos grupos paramilitares que nem pistoleiros de latifundiários aqui no Brasil.

E nem os americanos, de olho na Amazônia inteira, vale dizer a brasileira,

Um detalhe. Cristina Kirchner convidou a PETROBRAS para participar da exploração do petróleo na Argentina. Resta saber se os EUA consentirão que Dilma aceite. O chanceler Anthony Patriot já deve estar se inteirando da resposta com a secretária Hilary Clinton.

Na cabeça da presidente brasileira tudo se resume a guerra cambial.

Uma das formas de se quebrar o monopólio da mídia de mercado é a internet. Existem hoje no Brasil cerca de 70 milhões de internautas. O governo intenta oferecer a banda larga, um sistema mais barato, às teles. O que pode custar cinco reais, no máximo seis, a um brasileiro para ter acesso à rede mundial de computadores, de repente, pode virar 40 reais, no mínimo, na guerra das teles (demônios trazidos para o Brasil por FHC). Existe um projeto viável e democrático elaborado por professores da Universidade Federal de Campos, eficácia já comprovada, que se posto em prática revoluciona a comunicação e principalmente, abre caminho para que as próprias comunidades sejam as gestoras do sistema.
 

É desnecessário dizer que a guerra em torno do assunto é grande e a desobediência civil, no caso da entrega às teles será o caminho, até porque o governo tem o hábito de se chamar popular.

Sérgio Cabral e o sogro (dono de concessões de linhas de transportes coletivos no Rio), Eike Batista, o milionário de fachada – laranja de grupos estrangeiros, Daniel Dantas e os caras das teles todos movidos a dinheiro público, devem achar que popular é isso. Uma espécie de assalto aos cofres do BNDES – BANCO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL.

O dinheiro gasto no programa Bolsa Família é inferior ao lucro obtidos por qualquer um dos grandes bancos particulares do País.

O grande receio da banda larga popular, gerida pelas próprias comunidades, é exatamente o cidadão deixar de ser o Homer Simpson que William Bonner pensa que é.

A propósito, uma pesquisa feita com usuários do FACEBOOK mostra que um dos posts mais chatos é exatamente o de Bonner – “quem quer bom dia?”.

E por fim, o vexame dos oficiais norte-americanos na Colômbia antes da chegada de Obama. Prostitutas no hotel, agressões bebedeiras, o de sempre em sem tratando de militares norte-americanos. No Brasil a GLOBO encheu os peitos para acusar um iraniano de abuso sexual contra meninas brasileiras. No dia seguinte não teve jeito. Um norte-americano também estava envolvido na história, ou seja, noutra história semelhante.

PMs encarregados da pacificação de favelas no Rio, como se não fosse necessário pacificar a própria PM, vão ser julgado por crimes sexuais contra moradores da Rocinha. Com toda a certeza entenderam que pacificação significação violação. É necessário um estudo mais profundo sobre essa história de Polícia Pacificadora. Na prática é Polícia Controladora, que não controla o tráfico, não existem políticas específicas para o combate ao tráfico, o governo colombiano deita e rola na exportação para o Brasil, políticas para a recuperação de viciados acaba sendo uma fonte de renda extra para boa parte dos policiais militares, sem falar que o modelo é israelense, supervisionado por agentes da Mossad e no fim parte do projeto Grande Colômbia.

A semana, definitivamente, é de Cristina Kirchner.