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sábado, 17 de março de 2012

A pobreza é uma piada



Urariano Mota*

Como se sabe, os pobres são ridículos. Eles estão sempre metidos em situações de vexame, e o mundo inteiro para eles é um vexame, porque o mundo todo está sempre alguns palmos acima de suas posses. Então eles se metem onde não devem. Vão irrefletidos, insensatos, aonde não deviam ir. Aliás, só existe um lugar onde podiam e podem estar: debaixo e abaixo de uma vida confortável e digna. Imaginem o que é um miserável a tocar violino cercado pelo mangue, casebre e lama. E com uma carinha negra a dizer “eu não gosto deste movimento de Vivaldi”. Ridículo.

Essa reflexão me veio esta manhã ao ouvir a última piada de um pobre. Ele, o eterno a dar vexame, estava no aeroporto – lugar onde não devia estar, a não ser lavando o chão – e desprevenido foi à lanchonete e pediu uma coxinha. Ao se dirigir ao caixa, soube do preço: 7 reais. Então recusou a tantalizadora, tenra e crocante coxinha. Mas o melhor da piada, o maravilhoso desfecho vem agora: ao se ver olhado por outros que estavam onde sempre estiveram, porque ambientes de luxo lhes é familiar, o pobre comentou num acesso de verdade:

– Muito caro. Isso é um Prato Feito no Piauí.

Ridículo. Ai dos pobres que cedem ao rompante, à generosidade da fala verdadeira. Então me veio à lembrança um dos meus personagens mais conhecidos, que adolescente viajou em um navio rumo à cidade maravilhosa, mais conhecida pelo nome de Rio de Janeiro. Pobre, suburbano, e de navio. Ah, foi uma sucessão de piadas e gags, que Chaplin jamais filmou, que Cantinflas com o seu rabinho à guisa de cinto nunca pôs no cinema. Na mesa do restaurante do navio, diante do garçom, o jovem pede um abuso de culinária na sobremesa:

– Me dê um champanhe.

E o garçom, sério como um Buster Keaton:

– O jovem se refere ao refrigerante.

– Sim, um guaraná champanhe da Antártica.

Depois, mal refeito, pede um bife com macarronada. Perdoem, mas este autor não é um humorista. Pois vem o macarrão e o jovem, à sua maneira, tenta comer a iguaria que, feito de matéria elástica, não sobe completa à boca: desce em fios gordurosos pelo queixo. Então um senhor classe média, comovido e comovente, como todo bom cristão, insinua um fim àquele desespero gastronômico:

– Não sei em Pernambuco, mas nós, em São Paulo, comemos assim.

E se pôs a cortar antes o macarrão no prato, com a paciência de quem não vive com fome, que come com modos civilizados desde a corte francesa. Então o jovem, bom aluno, responde:

– Gostei do modo paulista de comer macarrão.

Todo o pobre é sempre uma piada. Ou ele é a empregada doméstica que fala a todos, sem cerimônia, que teve um câncer e amputou um seio, ou é um homem cego, em cadeira de rodas, que urina diante de visitas em plena sala. Os cegos não veem, vocês já percebem a piada. Todo pobre é ridículo. Dizem que eles, como os negros, ou fazem na entrada, ou fazem na saída. Então me lembrei de outra piada.

Um dia houve que um menino e sua mãe não tinham dinheiro nem comida para a principal refeição do dia. Comer, para toda a gente, mas principalmente para os pobres, é razão fundamental de viver. O pai do menino passara dois dias sem voltar para casa, e assim procedia porque se entregara a nova paixão. Estava de novo amor. Talvez, quem sabe, porque a mãe do menino estivesse uma senhora gorda, a disputar em programas de auditório no rádio o prêmio de igualar o peso de uma cantora ainda mais gorda. E, verdade, tantas vezes conseguiu igualar o peso da estrela que terminou por receber um prêmio de consolação, um corte de fazenda para fazer um vestido, que nunca fez, porque o vendeu. Para quê vestido, se comer era mais importante?

Mas assim como um temporal que chega sem aviso, um portador trouxe para a mãe, como prova de que o marido não fugia aos deveres do matrimônio, quando tudo era aflição, eis que um anjo lhe traz uma nota de duzentos cruzeiros. Sim, uma cédula que trazia no verso o Grito do Ipiranga. E o que ele mais lembra: mal o portador se ausentou, a mulher puxou o filho. E o que ele mais lembra, fundamente, como a sua mais íntima e guardada pele: a mãe pulava, rolava pela cama, e sua alegria era tamanha que chorava de felicidade. Nos olhos vermelhos, nas bochechas subitamente róseas, a alegria dela não se continha, pronta a gritar, a anunciar para a rua:

– Hoje temos almoço! Hoje temos galinha!

Como dizia antes, os pobres são ridículos.

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O livro de Urariano Mota publicado pela Boitempo, Soledad no Recife, já está à venda em versão eletrônica (ebook), agora com novo preço: R$10. Para comprar, clique aqui ou aqui.

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*Urariano Mota é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997). Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.


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Sexta-feira, 16 de março de 2012

A ditadura brasileira aparece na Itália

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Estranho e contraditório é o mundo. Ou a vida é um magnífico escritor de ironia. Lembro que “Os corações futuristas” foi escrito em um quartinho no quintal da casa onde eu morava, e se completou sem nenhuma esperança de publicação. E de tal modo, que contraí um empréstimo bancário para com ele inaugurar o ano de 2.000, com direito a coquetel e juros que até hoje não saldei. Há exatos seis anos, em 16 de março de 2006, sobre o livro falei em uma entrevista publicada no La Insignia, de onde recupero alguns trechos:

- Como você teve a inspiração para escrever Os Corações Futuristas?

- A inspiração, nesse caso, se houve, não foi um estalo. Não veio assim de repente, caída no cérebro sem que se esperasse. Os Corações Futuristas é um romance de formação, é a narrativa de uma geração que se fodeu e quis amar sob a pior ditadura brasileira. É o romance de uma época do lema ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’. E nós amávamos muito, muito e muito o Brasil. Disse ‘nós’ como num ato falho. Isso é esclarecedor porque Os Corações Futuristas é um livro que veio sendo escrito, sem que disso eu tivesse consciência. A vida vinha escrevendo-o comigo e para mim. Às vezes, eu dizia, numa brincadeira e meio sério, ‘no dia em que eu escrever um livro sobre a militância, ela não vai gostar’. Mas não foi bem assim, porque depois, durante a escrita, vi que meu olhar alcançava tanto a crueldade quanto a compreensão. É o livro sobre a melhor juventude que eu conheci. Uma gente generosa a ponto de jogar a vida pela força das idéias. Mas, ao mesmo tempo, assim impunha a verdade, que eu não podia alisar a cabeça, vendo-a só no heroísmo. Gente capaz de covardias também, de traições sórdidas, porque é dessa massa que a vida é feita
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(Leia mais clicando no título)
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons ( Tem mais charges sobre pobres aqui )

PressAA

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A SEMANA - UM MOMENTO DE DECISÃO

A SEMANA

UM MOMENTO DE DECISÃO


Laerte Braga


O que os militares dessa geração pós golpe 1964 precisam enxergar é que não há revanchismo nos trabalhos da Comissão da Verdade, nas denúncias de tortura, assassinatos e nas várias ações para que a História de um período brutal seja conhecida por todos os brasileiros.

Houve um golpe de estado em 1964, foi organizado e comandado por potência estrangeira através de dois agentes, o embaixador Lincoln Gordon e o general Vernon Walthers, contra um governo legítimo, dentro de um processo maior, a guerra-fria. A máxima de Nixon “para onde se inclinar o Brasil se inclinará a América Latina” foi dita anos depois, mas não passou de uma constatação da realidade daquela época. E tanto é assim que golpes semelhantes foram desfechados em países desta parte do mundo, alguns, com níveis de estupidez absolutos. Caso da Argentina e do Chile.

A ação dos governos gerados pelos golpes foi de caça pura e simples dos adversários, inclusive e grande número de militares comprometidos com o seu país. A forma de agir em momento algum fugiu do comando externo. O que foi a Operação Condor? Uma aliança de governos golpistas do chamado Cone Sul para promover o assassinato de líderes oposicionistas exilados em qualquer parte do mundo. Orlando Letelier, ex-chanceler do governo de Salvador Allende, foi morto em New York, onde ocupava um cargo de funcionário nas Nações Unidas.

Os chamados projetos nacionais, ou seja, de busca do crescimento econômico para esses países circunscreveram-se ao permitido por Washington e às políticas de dominação impostas pelos EUA. Nada além disso.

No breve momento que o Brasil virou exportador de armas, por exemplo, a ENGESA, estatal que produzia artefatos bélicos de alta qualidade, foi sufocada violentamente pelo governo dos EUA, inclusive com seqüestro em alto mar de navios brasileiros que levavam seus produtos para compradores no Oriente Médio.

Em linhas gerais não mudou essa característica nos últimos anos, com alguns intervalos no governo Lula. O Brasil não conseguiu ainda sair da rede tecida durante os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso e nosso crescimento econômico, ou nossa condição de potência emergente, não é capaz de produzir um carro nacional. Somos dependentes em tudo e por quase tudo de tecnologias estrangeiras e gradativamente, mas de forma acelerada, vamos voltando à condição de exportadores de matérias primas.

Ou seja, andando para trás, por maiores que sejam os números do PIB.

Num mundo unipolar, onde o controle se exerce a partir de um complexo militar/terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A, gerido por bancos, grandes conglomerados e latifúndio, não percebemos que estamos sendo engolidos pelas beiradas e na prática somos potência de ocasião até que caia a ficha e tenhamos que refazer um caminho que já poderia ter sido feito desde muito.

Forças armadas existem para a garantia da soberania nacional, da integridade do território nacional e para isso devem estar preparadas e equipadas. Não duvido da capacidade dos nossos militares, mas num eventual conflito hoje, só para citar, iríamos de mosquetão, contra inimigos com bombas de alto poder destrutivo.

Ignorar essa realidade é desconhecer o tamanho do buraco aberto pelos golpes militares, pelos governos inconseqüentes de Sarney e Collor e pela trama consciente e traidora de Fernando Henrique Cardoso e tucanos no todo. A primeira atitude de Collor, depois de confiscar o dinheiro dos brasileiros, foi fechar o buraco da Serra do Cachimbo, sinalizando aos EUA que estava cumprindo rigorosamente o que fora acordado com intermediação da GLOBO.

Deixar de lado as atrocidades cometidas por militares como Curió (ficou milionário achacando garimpeiros em Serra Pelada), Brilhante Ulstra e outros tantos é macular a história das forças armadas brasileiras e transformá-las, hoje, em cúmplices de um tempo sombrio, cruel e anti-nacional.

Puro espírito de corpo sem sentido e sem razão de ser, pois acaba sendo mancha. Inserir as forças armadas no processo de construção democrática e popular do Brasil, isso sim, dá um desenho claro das obrigações de garantir a soberania nacional e a integridade de nosso território.

As privatizações da VALE e da EMBRAER, para ficar em duas, foram dois crimes de lesa pátria sem tamanho. A constituição de 1946, feita por liberais em sua maioria, garantiu ao Brasil a posse do seu subsolo. Hoje sequer somos proprietários do solo que começa a ser comprado em várias regiões brasileiras por grupos estrangeiros.

Ou seja, reiterando, somos uma potência de ocasião, um entreposto do grande capital internacional. Esse papo de Eike Batista como um dos mais ricos do mundo não exclui a participação estrangeira nos seus negócios e ser mais do rico mundo, ou um dos, não significa progresso que é algo que tem que ser comum a todos e não privilégio de alguns.

Ou os militares da nova geração entendem que os golpistas de 1964, notadamente os torturadores, os assassinos, os estupradores, são criminosos e praticaram crimes imprescritíveis – já denunciados por organizações internacionais -, ou essa mancha vai atravancar o cumprimento do real papel de uma força armada nacional. Têm que responder pelos seus crimes. Esses enxovalham inclusive as forças armadas através do falso patriotismo, aquele que Samuel Johnson chama de “último refúgio dos canalhas”. Foi a estupidez dita por um general num programa de televisão que “tortura existe em qualquer época, até hoje”.

O fato da tortura existir não significa que deixa de ser crime. Pelo contrário, se existe, tem que ser combatida. E boa parte da tortura que ainda resiste no Brasil é herança acumulada desde tempos do Brasil colônia, até os tempos da ditadura militar, exatamente por nunca ter sido punida, combatida de peito aberto e através de aparelhos que, numa democracia, no chamado estado de direito, não têm sentido, caso das polícias militares. Polícia é uma instituição civil.

Nesta semana a jornalista Hildegard Angel enviou uma carta a um ato de homenagem às vítimas da ditadura militar onde fala de justiça. Sua mãe Zuzu Angel foi morta pela ditadura ao buscar o paradeiro de seu filho Stuart Angel, também executado pela ditadura. O prestígio internacional de Zuzu e a mobilização que promovia, estavam incomodando e trazendo transtornos a um regime que usou o pretexto de restaurar “a ordem e a democracia”, para derrubar um governo legítimo.

Um documento comovente e repleto de sensatez.

Dilma Roussef dá sinais que começa acordar para a realidade de seu governo. Isola o partido dos pastores, sempre com os olhos ávidos – eles pastores – nos ministérios mais rentáveis para a “obra divina”, ou o loteamento que abriram no “paraíso”. É uma das ameaças mais graves e sérias que o País enfrenta e da qual apenas começa a se dar conta. O velho expediente de transformar a fé – direito de consciência de cada um e indiscutível e inalienável – em instrumento de político a partir das cúpulas.

A débâcle da Igreja Católica Apostólica Romana, no retrocesso dos papados de João Paulo II e agora de Bento XVI (estão sendo acusados de permitir lavagem de dinheiro criminoso no banco do Vaticano e cardeais disputam abertamente o botim), a perseguição implacável aos sobreviventes da Teologia da Libertação, escancara as portas para a venda de sprays que espantam o “capeta” e transformam legiões de incautos ludibriados em sua boa fé em eleitores cegos e conduzidos qual manada de cordeiros.

The silence of the lambs. O sangue que escorre é o do trabalhador.

Ou Dilma encurrala os bandidos na beira do despenhadeiro, ou 2014 será o ano da tragédia prevista para 2012, pelo menos no Brasil, com as alianças espúrias capazes de levar qualquer Aécio Neves ao poder, seja ele José Serra ou Geraldo Alckimin e busca traduzir o seu governo em luta popular, como deveria ter feito desde o primeiro momento, a sua história sinaliza isso. Um retrocesso significa passar a escritura definitiva do Brasil e incorporá-lo ao complexo militar e terrorista que controla o que chamam de “globalização”.

FHC e dois outros ex-presidentes latino-americanos foram à Venezuela a convite de um “banco privado”, para aconselhar o candidato de oposição a Chávez. As eleições de outubro naquele país são o alvo preferencial do complexo terrorista e militar em se tratando de América Latina.

A mídia de mercado faz sua parte, vai manipulando as notícias sobre o estado de saúde de Chávez, da mesma forma que o faz em relação à Síria e ignora o prenúncio de uma crise entre Israel e o Egito, reflexo da vontade popular dos egípcios manifesta em eleições livres e democráticas.

Democracia e capitalismo são incompatíveis. Como água e óleo. Não se misturam, exceto como farsa.

Um acordo de Obama com Israel vai deixar o ataque ao Irã para depois das eleições nos EUA, em novembro. A posição da Rússia e da China contrárias as sanções maiores ao Irã, logo, contra esse tipo de ação militar, além do desconhecimento da real capacidade de defesa daquele país, recomendam cautela, caldo de galinha e prudência. Um desastre militar antes das eleições seria o caos para o presidente em seu projeto de reeleição. E ainda mais se levarmos em conta que seus adversários – Rick Santorum e Milt Romney – estão criticando a saída das tropas “humanitárias” do Iraque e do Afeganistão. Destruíram, não alcançaram a totalidade de seus objetivos, mas na Líbia e no Iraque ficaram com o petróleo.

A filha do senador John McCain, um dos arquitetos do golpe militar em Honduras, disse em seu blog que se seu pai tivesse sido eleito presidente ela seria a primeira filha “mais doida de todos os tempos”. Megham McCain afirma taxativamente que com o pai a situação no Iraque e no Afeganistão seria outra.

Em Itaguaçu, Espírito Santo, feudo de companhias como a ARACRUZ, a VALE, a CST e outras, uma estrada vicinal aumenta de custo várias vezes a inflação somada de três anos. Passa de 600 mil reais o quilômetro, para 2,3 milhões e vereadores, prefeito e a mídia local, se irritam com denúncias de irregularidades.

O latifúndio agradece.

Nos EUA um grupo de cidadãos ainda não afetados pelo vírus da mediocridade que domina boa parte da população (aquela que limpa boca depois de um sanduíche do McDonald’s com as costas da mão), inicia uma campanha contra a MONSANTO. A empresa é uma das responsáveis pelo veneno de cada dia em nossas mesas, o transgênico com molho de agrotóxicos. Querem produtos orgânicos.

Para fechar, nesta semana, nenhum tresloucado invadiu alguma escola nos EUA e disparou contra professores e colegas. O alerta deve aumentar, significa que breve outra loucura desse gênero vai acontecer, embora em território afegão um ataque de nervos – versão oficial – levou um soldado do Tio Sam a matar civis indefesos.

Brad Manning, acusado de vazar documentos secretos divulgados pelo site Wikileaks continua preso em condições desumanas, denunciam organizações internacionais dos direitos humanos. É a tática de fazer servir de exemplo para dissuadir a outros de feitos dessa natureza. Mostrar a podridão.

A STRATFOR, companhia privada de inteligência, com sede no Texas, contrata jornalistas para veicular a “verdade” do grande espetáculo de Hollywood por todo o mundo. No Brasil é desnecessário dizer quais, até Hilary Clinton, a possessa, tem um preferido.

No fundo é tudo culpa do Irã ou dos palestinos. O governo de Israel é de santos, ou de profetas enviados por Jeová. Por via das dúvidas, com um vasto arsenal nuclear. Deve ser por isso, parceria, que Edir Macedo montou umas igrejas por lá. O próprio povo judeu começa a acordar da insânia de seus governantes.

sexta-feira, 16 de março de 2012

NO QUE DEPENDER DA ADVOCACIA DA UNIÃO, CURIÓ NÃO SERÁ ENGAIOLADO

Tenho coração de revolucionário mas, para informar corretamente os meus leitores, deixo as paixões de lado e analiso os acontecimentos com distanciamento crítico.

Então, embora até preferisse estar errado, vejo a cada momento confirmar-se o que escrevi em outubro/2008, quando a União se colocou ao lado do torturador Brilhante Ustra e contra os procuradores que pretendiam entregar-lhe a conta das despesas que as execuções e torturas do DOI-Codi acarretaram para os cofres públicos:
"...as tentativas de contornar-se a Lei da Anistia, doravante, terão como adversária a União, que oficializou sua posição de endosso à impunidade dos carrascos.

Então, fica cada vez mais evidenciado que não se fará justiça sem suprimir-se mais este entulho autoritário. A anistia de 1979 tem de ser revogada, em nome das vítimas da ditadura mais brutal que o Brasil já conheceu e de nosso auto-respeito como Nação".
Tratava-se da primeira vez em que a Advocacia Geral da União era chamada a opinar em processos instaurados contra os torturadores na Justiça; definiu, portanto, um paradigma.

Tais processos eram consequência da palavra de ordem que os ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi lançaram depois de serem derrotados por Nelson Jobim na luta travada no seio do Ministério de Lula.

Ou seja, como o Executivo se posicionou pela manutenção da anistia de 1979 e o Legislativo não queria mexer nesse vespeiro, Genro e Vannucci saíram pela tangente, apontando um terceiro caminho: o Judiciário.

Fiz o papel de estraga-prazeres, pois não gosto de ver os companheiros iludidos por miragens. Adverti que, com o Executivo contra e o Legislativo fingindo que a encrenca não era com ele, nada conseguiríamos nos tribunais, em termos de punição prisional ou pecuniária. Dito e feito.

A pá de cal foi a inacreditável decisão do Supremo Tribunal Federal, concedendo aos tiranos e seus esbirros o direito de anistiarem a si próprios.

Mesmo assim, ainda há quem insista até hoje em seguir os atalhos que não levam a lugar nenhum.

Caso das ações do Ministério Público Federal contra os assassinos seriais do Araguaia.

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, acaba de antecipar qual será seu parecer, ao afirmar que tais ações "não são adequadas porque estão violando entendimento do STF" e, portanto, "não devem render frutos".

Só não vê quem não quer: mesmo que consigamos vitórias nas instâncias inferiores, o castelo de cartas desabará no Supremo.

Curió, Ustra e que tais merecem --e como!-- a prisão, mas o caminho que os leva às celas passa obrigatoriamente pela revogação da Lei da Anistia, seguida de uma reconsideração do entendimento do STF. O resto são sonhos de noites de verão.

OUTRO ARTIGO DESTA 6ª FEIRA (clique p/ baixar):
LEI SECA NOS ESTÁDIOS: ZIGUEZAGUE E LAMBANÇAS DO GOVERNO

“Quem defende torturador é monstro”, diz Capitão de Mar e Guerra – especial para o QTMD?




Militar de formação legalista, Fernando de Santa Rosa vive hoje de sua reforma, mas não recebe reparação financeira por ter sido cassado e preso em 64. Não foi torturado (fisicamente), mas, como advogado, defende os direitos de quem foi e acredita que os ministros que defenderam a anistia aos torturadores no STF devem se envergonhar disso. Para ele, a expressão “bolsa-ditadura” deveria ser aplicada aos ótimos cargos dados ao filho de um conhecido general.

Ana Helena Tavares*

Meados de 2009. O então ministro da defesa, Nelson Jobim, o ex-chefe da polícia de Lacerda, Gustavo Borges, o ex-ministro do Exército do governo Sarney, general Leônidas Pires Gonçalves, e a então ministra do STF, Ellen Gracie; se reúnem para um jantar. “O que ela estava fazendo com esse tipo de gente?”, pergunta-se Santa Rosa.

Abril de 2010. A Lei de Anistia é votada no STF (ADPF 153) e Ellen Gracie, seguindo voto do relator, Eros Grau, e de outros ministros, mantém a anistia aos torturadores.

Início de 2012. Militares da reserva, saudosos de 64 – ano em que, para eles, houve uma revolução – assinam manifesto criticando a Comissão da Verdade. Enquanto isso, dois militares legalistas, cassados em 64 – ano em que foram presos por não compactuar com um golpe – assinam carta-aberta defendendo a mesma Comissão e criticando a “insubordinação e quebra de hierarquia, inaceitáveis na vida militar” contidas no outro manifesto.

Os signatários da carta, que pode ser lida clicando aqui, são Fernando de Santa Rosa e Luiz Carlos de Souza Moreira. Ambos são advogados e militares reformados da Marinha, sendo hoje Capitães de Mar e Guerra. O Quem tem medo da Democracia? [QTMD?] conseguiu contato com os dois. Por problemas de saúde na família, Souza Moreira não pôde dar seu depoimento. Porém, disse sentir-se representado por Santa Rosa, que concedeu longa entrevista exclusiva para o QTMD?, na qual contou sobre o encontro narrado no início deste texto.

Segundo ele, o jantar foi na casa do filho do general Leônidas Pires Gonçalves. Filho este que, depois de vários bons empregos, teria enriquecido depois de ganhar o cargo de diretor financeiro da Rede Globo. Para o militar reformado, isso é o que se pode chamar de “bolsa-ditadura”.

“Mal julgados”

Como advogado, Santa Rosa atua há décadas na defesa de ex-presos políticos e acredita que todos os militantes de esquerda, que lutaram contra a ditadura, já foram investigados e punidos. “O filho de Nelson Rodrigues, que esteve preso, tratado barbaramente na prisão, tem que ser julgado de novo? Quer dizer que está mal julgado?, pergunta-se Santa Rosa. E continua: “Eles (os torturadores) é que ainda não deram a cara a tapa. Foram anistiados de quê, se não houve condenação? Só na cabeça do Peluso… Agora, se houver uma lei que anule a anterior (da Anistia), pronto… O Congresso pode fazer isso, como foi na Argentina.

“Fruto do medo”

Ele acredita que a expressão revanchismo (muito utilizada por quem é contra a Comissão da Verdade) “é fruto do medo” e não vê conexidade entre os crimes dos dois lados, como entendeu o STF. “Não pode haver conexão entre um crime de um representante do Estado e o crime daqueles que combatem o Estado ditatorial”. Além da tortura, dentre os crimes imprescritíveis cometidos pelos agentes do Estado, está a ocultação de corpos, considerado “crime continuado” (que ainda não terminou). Santa Rosa considera que o Brasil tem que cumprir a condenação da OEA e lembra que “agora até a ONU está pressionando”.

“Comunismo”

O conhecido argumento de que os militares golpistas “livraram o Brasil de uma ditadura comunista” é completamente refutado por Santa Rosa. “Não se pode ser comunista?”, pergunta ele. “E nem todos eram! Existia naquela época o maniqueísmo. Se você não era lacerdista, você era comunista. Se você não era da direita, você era comunista. Se você era legalista, você era comunista… Porque, para ser legalista, tinha que ser anti-Lacerda… Então era o quê? Comunista! Isso não era só nas Forças Armadas. Era em tudo. Se você era nacionalista, era comunista… Mas o comunista nunca foi nacionalista… Era muito mais internacionalista… E hoje quem é internacionalista é o capital… Você vê o absurdo da história… Eu vim, em 1962, para o Rio de Janeiro. Estava fervendo a luta sindical, que não tinha nada de comunismo! O que havia era uma luta muito grande de exigências dos trabalhadores com os patrões… O capital e o trabalho… Sempre! Nunca foi diferente… Mas esses caras (os golpistas), para justificar o que fizeram, começaram a dizer que era para implantar o comunismo no Brasil.”.

Contexto histórico

Todos os principais acontecimentos que antecederam o golpe de 64 – desde a 2ª Guerra Mundial, as várias fases de Getúlio Vargas, o Marechal Henrique Teixeira Lott, que garantiu a posse de JK, a renúncia de Jânio Quadros, a Cadeia da Legalidade de Leonel Brizola até a queda de João Goulart – tudo foi detalhado por Santa Rosa, no início de nossa conversa. O QTMD? disponibiliza o áudio completo, que chega a quase duas horas sem cortes, [para assistir, clique] neste link.

Falando da campanha “O petróleo é nosso”, o Capitão de Mar e Guerra reformado citou a nossa fartura petrolífera como um exemplo de que “somos um país rico que é roubado pelos enganadores do império. Você nunca viu um general americano num tribunal internacional, né? Eles fazem e pedem desculpas… ou nem pedem”.

Mídia: “o quarto poder” [Nota AA: O primeiro deveria ser a vontade do povo]

Santa Rosa comentou que ”não deu pra entender Miriam Leitão e O Globo entrando nessa história. Quando um carro da Globo está na rua, leva pedrada, por quê? Não é à toa… É a desinformação!” Lembrou ainda que “a Folha emprestava os carros de reportagem para os torturadores” e frisou que ”a mídia no Brasil, desde sempre, representou um quarto poder”.

Sobre Carlos Lacerda, recordou que ele chamava Alzirinha, filha de Getúlio, de “prostituta pra baixo” e a acusava de promover “bacanais em Paris”. Além disso, disse que “Lacerda tinha um grupo que fazia a segurança dele, que contava com oficiais da FAB e da Marinha. Daí o caso do Major Vaz, assassinado na Rua Tonelero. O que ele estava fazendo ali? Era capanga do Lacerda!”.

Desse modo, Santa Rosa deixou claro que, desde os tempos de Vargas, parte da imprensa brasileira e empresários estrangeiros representavam a ponta civil do golpe que se concretizaria em 64. Num dado momento, “as forças armadas entraram nisso também”.

Enfatizou o “também” e detalhou: “O Brigadeiro Eduardo Gomes, remanescente dos 18 do Forte, em 1945 se candidatou à presidência e perdeu para a UDN. Eles (a UDN) nunca ganharam nada democraticamente, foram sempre golpistas. Depois, ele se candidatou em 1950 e foi fragorosamente derrotado (aí, sim, no voto) por Getúlio. Então, o Brigadeiro Eduardo Gomes levou a política para dentro da FAB (Força Aérea Brasileira) e isso repercutiu na Marinha.”

A difamação de Getúlio e outras tentativas de golpe

O atentado da Rua Tonelero aconteceu em 1954, mesmo ano em que Santa Rosa fez o “juramento à bandeira” na Escola Naval. “Getúlio esteve lá (no dia do juramento), mas não deixaram a guarda dele entrar junto. Foram os aspirantes da Escola que fizeram a segurança para poderem continuar com as agressões ao presidente da República. Isso foi em 11 de Junho, eu recebi meu espadim… Depois que Getúlio se suicidou, a primeira coisa que o comandante da Escola Naval fez foi reunir o corpo de aspirantes e dizer que a carta-testamento era mentirosa. Aí cria-se uma série de histórias para continuar a desmoralizar Getúlio…”

Nos anos JK, “houve duas tentativas de golpe, conhecidas como Aragarças e Jaquereacanga.” Segundo Santa Rosa, “muitos golpistas de 64 participaram dessas tentativas anteriores. E, em 61, quando Jânio Quadros renunciou e seu vice João Goulart precisou voltar às pressas da China, houve ameaça de abaterem o avião presidencial”. (Nota AA: Tá vendo, presidenta Dilma?]

A prisão de Santa Rosa e a concretização do golpe de 64

“Um dia, eu estava de serviço aqui no RJ e soube que o meu ex-comandante em Salvador havia sido nomeado por João Goulart como superintendente da Costeira (Companhia Nacional de Navegação Costeira). Então, eu quis dar um abraço nele. Ele morava na rua Tonelero. E me convidou para ir com ele para a Costeira. Eu fui… Estava iniciando o mês de Março de 64. No dia 13, houve o comício (de João Goulart) na Central do Brasil. Meu chefe disse: ‘Vai lá e veja como está o pessoal da Costeira’. Cheguei lá… A polícia do Exército tinha feito uma área em volta do palanque para repórteres. Eu fui para essa área e a TV Rio me deu um close… Quando chegou na Semana Santa (pertinho do golpe), os marinheiros se rebelaram, mas não com armas… Fizeram um movimento de protesto dos metalúrgicos de São Cristóvão… Aí começou o bolo… Eu era Capitão-Tenente e tinha uma função de governo: eu era assessor de confiança do superintendente da Costeira. E foram me dadas instruções para acompanhar pessoalmente a crise… Houve o último discurso de Jango e um advogado amigo meu me disse: 'Pelo discurso, ele tá caído…' Dia 31, fiquei na Costeira. Dia 1º, voltei pra casa, passei pela sede da UNE e estava sendo incendiada… E tinha um monte de gente com bandeiras brancas invocando Jesus… Porque a Igreja Católica apoiou o golpe, no início. Bom, aí no dia 6 eu me reapresentei na Costeira e… fui preso! Fiquei 58 dias preso no navio Princesa Leopoldina. E aí já estavam matando gente… No dia 4 de Abril, mataram, com 7 tiros pelas costas, o coronel aviador Alfeu, na base aérea de Canoas. São esses caras (que matam pelas costas) que hoje são tidos heróis… Tem um Brigadeiro Hipólito, que desde Major, na época do 'Petróleo é Nosso', já torturava sargentos em bases aéreas do Nordeste. Isso está na 'História Militar do Brasil', do general Nelson Werneck Sodré.”, contou Santa Rosa.

E nunca acontece nada com “esses caras”?

“Nada! Eles são ótimos! Os comunistas somos nós… Os terroristas… Eles não… São todos honestos! Como era o Major Albernaz… Você sabe o que esse animal fez? Animal não! Não vou xingar os animais! Esse cara é monstro! E os que defendem essa gente são monstros também! Por omissão e por adesão… O general Paiva (que deu entrevista a Miriam Leitão) falou tanta idiotice… E olha que o militar, quando chega ao posto de general, não é um bobo… Ele chega por qualidades… Mas esse general não tem consciência de coisa nenhuma, não tem nem alma! Eu tive pena da entrevista dele. Ele não respondeu nada. Eles se apoiam numa anistia escandalosa que dizem que foi negociada. Foi nada! Isso foi o general Figueiredo que impôs. A história do Frei Tito, por exemplo… O Major Albernaz pegou ele, um rapaz de 28 anos, e disse: ‘abre a boca que vai receber a hóstia sagrada’…. Com o Frei Tito já todo escangalhado, destruído, o Major meteu dois fios de eletricidade, um positivo outro negativo, e deu uma descarga elétrica na boca dele… Isso está descrito com detalhes no livro 'Batismo de sangue', do Frei Beto. Então, esses são os homens salvadores da pátria.”, desabafou Santa Rosa, carregando na ironia.

Ministério da Defesa: “um biombo de fascistas”

A cassação de Fernando de Santa Rosa foi publicada no Diário Oficial de 25 de Setembro de 1964. E até hoje ele não foi totalmente anistiado. “Eles procuram dificultar e interpretar toda a legislação subsequente de modo a prejudicar, principalmente, os militares cassados. Porque os civis quem está tratando disso é a Comissão de Anistia e o Ministério do Planejamento, pela Lei 10559. Quanto aos militares, cabe à Comissão de Anistia e ao Ministério da Defesa, que é um biombo de fascistas! Os milicos fascistas pululam lá e conseguiram dominar o CONJUR, a Consultoria Jurídica, que nada mais é que uma parte da AGU (Advocacia Geral da União). Já chegou ao ponto de o CONJUR do Ministério da Justiça se chocar com a do Ministério da Defesa. A obrigação que o Ministério da Defesa tem é de cumprir as decisões publicadas por portaria do Ministro da Justiça. Mas eles pressionam e querem mudar”, disse Santa Rosa.

“Eles se acham a justiça”

I Curso de Direito das Funções Militares

Santa Rosa explicou que este curso foi em 2009. Segundo ele, "o problema é que a OAB não tomou conhecimento.O curso foi dado por altos oficiais militares. O que essa gente sabe de Direito para ensinar desembargadores, magistrados e juízes como julgar? E ainda põem um cadete apresentando o espadim... Cadê o símbolo da Justiça se é um curso de Direito? Eles se acham a Justiça e tem aí um desembargador fascista (sublinhado) que só julga o que eles querem..."

A ação da OAB para revisar a Lei de Anistia (ADPF – 153)

Quem entrou com a ação, em 2009, foi o então presidente da OAB, Cezar Brito. De acordo com Santa Rosa, … “para tratar desse problema desses torturadores, genocidas, assassinos. Esse pessoal estranho que está fazendo assinaturas para virar a página… Que página que vai virar? Choque elétrico, cadeira do dragão, coroa de Cristo (um aro de metal colocado na cabeça e apertado até estourar o crânio)… Esses caras querem que esqueça porque não foi na mãe deles! Nem na esposa, nem nos irmãos, nos filhos… Foi no dos outros! Aí querem que esqueça, porque eram ‘comunistas’… Como se comunista não pudesse pensar, não pudesse existir! E (como já disse) nem todos eram… Hoje, eu sei o que é comunismo. Esses porcarias não sabem nada, porque não leem! Leem 'Seleções', aquela revista americana..."

“Eros Grau teve vergonha e jogou a toga pra lá”

A relatoria da ADPF-153 caiu nas mãos do então ministro do STF, Eros Grau – que foi torturado na ditadura – e votou a favor da anistia aos torturadores. Esse foi o seu último julgamento. Para Santa Rosa, “foi um fim melancólico para Eros Grau. Ele teve vergonha, jogou a toga pra lá e nunca mais deu as caras”.

“Não se faz anistia para o futuro”

Santa Rosa diz que gostaria de perguntar ao general Luiz Eduardo Rocha Paiva (que deu entrevista a Miriam Leitão defendendo a anistia aos torturadores) se a morte de D. Lida Monteiro (durante atentado à OAB em 1980) e a bomba do Riocentro (em 1981) – onde, conta Santa Rosa, “estava o Coronel Wilson, segurando as vísceras” – estão anistiadas. Foram posteriores à Lei de Anistia, de 1979, e “não se faz anistia para o futuro”, garante o advogado e militar.

O pensamento dos militares da ativa

Segundo o general da reserva disse em entrevista a Miriam Leitão, o pensamento dele reflete o do pessoal da ativa. O militar reformado Fernando de Santa Rosa discorda. “Eu frequentava o Clube Naval. Nunca mais fui lá, porque não me sinto bem. Tinha um Capitão de Fragata, da ativa, rapaz novo, muito educado… Eu sou espírita e um dia eu o encontrei num Centro. Ouvimos uma palestra muito bonita. Somos amigos e, quando saímos, ele veio falar comigo e pediu que eu falasse um pouco sobre ‘esse negócio de tortura’… Falei… E ele disse: ‘eu acredito’. Ele foi até comandante do porta-aviões São Paulo. Então, eu digo com toda certeza que eles querem fazer uma consciência chapada, à força, mas existe liberdade de pensamento. Inclusive, nas leis militares, ordem errada pode ser contestada. E existe o direito de ir ao Judiciário. Eles põem na cabeça das novas gerações militares que não pode ir e muitos se prejudicam porque têm medo de serem perseguidos lá dentro. Dizem que a Marinha é aristocrata, mas vai ver quantas assinaturas têm (no manifesto contrário à Comissão da Verdade)… Se tiver dez da Marinha é muito. Só dá verde-oliva! O dever (dos militares) é servir ao país e não ganhar o dinheiro do povo para trair o país. É o que muitos fazem desde 64 nos Clubes Militares”, frisou Santa Rosa, que diz não ter interesse em ser integrante da Comissão da Verdade e não acha que deveria haver militares entre os membros.

“Fosso de lideranças”

Para Santa Rosa, a ditadura militar “criou um fosso de lideranças. Não houve renovação. O futuro desse país se cria num Campus Universitário. Por isso, esses Campus têm que ter liberdade de troca de idéias. Não interessa se é fascista, se é comunista, se é democrata: tem que haver discussão! E o que eles fizeram na ditadura? Invadiram as faculdades, introduziram militares espiões para prenderem as lideranças. Para amedrontarem! Eu estava na Faculdade Nacional de Direito e vi lá dentro o nascimento da luta armada. Porque essa meninada não tinha mais para onde correr… Eu chegava na minha faculdade, todo dia era faculdade cercada. Perguntava: O que houve? Diziam: ‘Nada!’”

A importância para a sociedade

Santa Rosa calcula que “cerca de 70% da população brasileira de hoje não viveram a ditadura.” E, para ele, muitos destes estão “alienados pelas mentiras contadas durante mais de 25 anos. A maioria de nossa juventude se perdeu… É preciso criar consciência para que esse povo saiba a história desse país. A educação está uma tragédia, que começou com Jarbas Passarinho. Estamos pagando esse pato até hoje”.

Clique aqui e assista a Santa Rosa falando sobre a importância dessa discussão para a sociedade.

A presidente Dilma e o Congresso

Quanto à atuação de Dilma, Santa Rosa considera que ela “recebeu uma herança maldita no Congresso e está fazendo o que pode. Está difícil para ela equilibrar isso. Não temos um Congresso confiável. Tirando meia dúzia, o resto é ladrão. O PMDB não é o de Ulysses Guimarães… Isso é a quadrilha! O PMDB não lança candidato à presidência da República… Eles querem ficar atrás pra comer! Esses partidos querem dar apoio ao governo, mas a troco de ministério com porteira fechada. Parece uma fazenda… É um loteamento do dinheiro público! E tem ralo desde o governo federal, até os estaduais e os municípios. E o pior: esse tipo de político acha que o dinheiro público é um dinheiro sem dono. Como eu já vi um prefeito dizer.”

“Se ela fizer um troço malfeitinho…”

“A Dilma está toureando isso tudo e ainda tem gente de esquerda danado com essa moça… Eu me ponho no lugar dela e não queria isso para mim! Criticar é muito fácil… Quero ver dar solução… Se ela fizer um troço malfeitinho, desaba tudo e dá brecha… Não pense você que não existe conspiração… Sempre existiu! Não vejo possibilidade de novo golpe, mas em 64 também não se via… Naquela época, era a ‘casa da mãe Joana’… Hoje, ainda é, mas o Brasil está sendo respeitado pela situação econômica”, analisa Santa Rosa.

“De que barro és feito?”


Fernando de Santa Rosa declama um poema para os torturadores: “Tu comes e dormes, apesar do teu ofício? De que barro és feito, afinal, torturador?”

“Ditadura das elites”

“Não vivemos mais numa ditadura militar, mas vivemos numa ditadura das elites. E quem representa as elites é o Congresso. O político depende da consciência do povo. Se o povo pressionar, eles mudam. Eles têm medo da democracia”, conclui Fernando de Santa Rosa.

Esta entrevista é a 11ª de uma série. Clique aqui para conferir as anteriores.
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*Ana Helena Tavares é jornalista e editora do site Quem tem medo da democracia? Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons (Charge do Latuf, extraída de Bola & Arte, foi utilizada para desenvolvimento pela AIPC)

PressAA

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quinta-feira, 15 de março de 2012

As nossas Cidades

Artigo  publicado originalmente no JORNALOREBATE em
Qui, 15 de Março de 2012 14:34 Laerte Braga
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A primeira realidade de cada um de nós, a cada manhã e ao longo de cada dia, 
está sendo depredada na orgia do que chamam progresso e constitui-se apenas 
privilégio das elites.

As ruas entupidas de automóveis e caminhões, as pessoas caminhando como zumbis
 por sobre faixas de aqui pode, aqui não pode, assim deve, assim não deve e o 
espetáculo sombrio e cinzento de cada dia no antidepressivo de cada noite.

Para acreditar que existe vida em todo o sangue que escorre em forma de suor,
 às vezes até imperceptível, ou mascarado por desodorantes que garantem 24 horas 
de proteção.

E quem nos protege contra a desordem urbana, o caos no trânsito, os transportes
 coletivos caros e inadequados, as políticas ambientais podres e que chamam de
 sustentáveis, as praças abandonadas e imundas, todo esse complexo que nos 
coloca em caixas de fósforos imensas, das quais só enxergamos as antenas e nos 
omitem as dores.

Na cidade de Itaguaçu, no Espírito Santo, estradas vicinais 
(que têm o importante sentido de permitir que se escoe a produção rural)
 custam 120 mil reais o quilômetro no projeto CAMINHOS DO CAMPO. 
Isso, em 2006. Hoje estradas custam de 2,3 milhões de reais a 4 milhões de reais.
 É impressionante como os custos oficiais superam inflação e tudo aquilo que possa 
representar aumento/propina. Batem no céu da propina e dos interesses de grupos privados.

MINHA CASA MINHA VIDA, em Juiz de Fora, MG, caixas na periferia e próximas a
 áreas consideradas de perigo, custam 70 mil cada e o prefeito estufa o peito para
 dizer que construiu mais de duas mil unidades. 
É necessário que alguém saia, para que o outro possa entrar.   
E mais que isso, como em Itaguaçu, uma baita auditoria para mostrar o tamanho da goela 
dos responsáveis pelo “progresso”.

E jorra por todos os municípios brasileiros essa monstruosidade chamada progresso.

À noite, antes do antidepressivo, a televisão coloca tudo em ordem, transformando esse
 tipo de indigência, na onírica visão hipnotizante do sonho repleto de pesadelos.

Centenas de tubarões isolam um cardume de sardinhas num raso qualquer de um 
oceano qualquer e as presas ficam à mercê dos predadores. São milhares, centenas 
de milhares de sardinhas, em algumas cidades milhões de sardinhas.

O dilema é se Bruno matou ou não a namorada e se a pena aplicada a 
criminosos/celebridades foi justa ou não.

E se o cara cismar de pular do alto de um prédio desses que tocam o céu?

Quinze minutos de glória e fama. Um corpo estatelado sobre a marquise, ou a calçada.
 Se salvo em tempo pelos bombeiros é vítima das vaias da multidão que esperava a tragédia como intervalo entre uma novela e outra, ou o início do Big Brother Brasil.
Quem quer que abra a sua janela pela manhã vai encontrar a cidade, nada além de um 
pedaço da cidade. Num desses filmes que mostra o mundo pós apocalipse nuclear – as
 guerras insensatas dos donos – mostram também o culto a um pequeno pé de tomate, 
uma espécie de esperança de um possível futuro.

E um monte de profetas profetizando a ira divina

A descoberta da vida começa na cidade. A perspectiva de vida está na cidade.

A escolha do que quer que seja está na cidade.

O sistema sob o qual vivemos transforma cidades em menores ou maiores labirintos
 sob o tacão de governos corruptos, de câmaras municipais desnecessárias, 
de especuladores imobiliários ávidos de horrendas construções cercadas de um falso verde 
por todos os lados e imensas grades protegendo a cidade da cidade.

E há sempre uma piscina para que se possa desfrutar do lazer confinado.

A agricultura familiar some na devastação do agronegócio.

A educação é quimera, a saúde é segundo os ditames da ordem instituída em imensos
 livros e segredos aos quais as pessoas não têm acesso.

Sobre a saúde Debord afirma o seguinte – “é fácil perceber que hoje a medicina já não tem o
 direito de defender a saúde da população contra o ambiente patógeno, porque isso 
significa opor-se ao Estado, ou apenas à indústria farmacêutica”
 (A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, DEBORD, Guy, Ed. CONTRAPONTO, Rio de Janeiro).

“A ciência da justificação mentirosa”, segundo o mesmo autor.

Ou,
 “a imbecilidade acha que tudo está claro quando a televisão mostra uma imagem bonita,
 comentada com uma mentira atrevida. 
A semi-elite contenta-se em saber que quase tudo é obscuro, ambivalente, montado em
 função de códigos desconhecidos. 
Uma elite mais fechada quereria saber a verdade, difícil de distinguir com clareza em 
cada caso particular, apesar de todos os dados reservados e de todas as confidências 
de que ela dispõe. 
Eis por que ela gostaria de conhecer o método da verdade, embora para ela esse gosto
 se revele, em geral, azedo”
 O mesmo Debord.

O lazer do supermercado e das gôndolas cheias de atrativos, 
boa parte deles desnecessários, mas vitais para os armários guardarem a vida transformada 
em um petisco.

O resgate dos pássaros e das rosas, das flores que não conhecemos espalhadas 
pelos cantos, passa pela percepção que a vida em si só tem sentido e essência 
se livre dos passos apressados nos horários marcados, dessas figuras excelsas 
que “monstruam” a existência escoradas na repetição mentirosa em cada cidade, 
qualquer que seja o seu tamanho.

Em Istambul, anos atrás, num seminário sobre cidades e urbanismo chegou-se a
 conclusão que cidades como Rio, São Paulo, México, 
Pequim, são inviáveis, por não existir solução para os muitos problemas sempre 
crescentes que enfrentam. 
Toda aquela multidão à espera do sinal verdade é só uma solidão.

A faca e um corpo estendido canta Gilberto Gil.

E uma roda gigante.

Um moinho que esmaga pessoas.

O resgate das cidades é o início do processo de virar as mesas e reorganizá-las segundo 
o comum das pessoas. 
Jogando fora todo o apetite do capitalismo.

E antes, bem antes, que nos transforme, por completo, em bestas/feras silenciosas e 
desconfiadas.

É na cidade que se começa a revolução. 
Na soma das cidades que será possível construir um outro mundo.

Luta de sobrevivência.   

Madre de Plaza de Mayo sofre agressão- DENUNCIEMOS

From: Suzana Lisbôa
Sent: Thu, 15 Mar 2012 00:00:27 -0300

que horror sabiam dissO???


O fato ocorreu no sábado

Madre de Plaza de Mayo sofre agressão

Nora Centeno, militante das Madres de Plaza de Mayo, foi assaltada, golpeada violentamente e ameaçada por homens que entraram em sua casa na cidade de La Plata, no último sábado. “Eles ficaram uma hora em minha casa e me torturaram. Não foi um assalto ou roubo. Eram jovens, mas não pareciam marginais”, disse Nora, mãe de um desaparecido pela ditadura argentina em 1976 e integrante da linha fundadora das Madres de Plaza de Mayo.

Francisco Luque - De Buenos Aires
Buenos Aires -Nora Centeno, militante das Madres de Plaza de Mayo, foi assaltada, golpeada violentamente e ameaçada por homens que entraram em sua casa na cidade de La Plata, no último sábado. Centeno contou que estava na cozinha quando três pessoas entraram em sua casa por um terreno vizinho. Quando perguntou o que estava acontecendo, um dos sujeitos golpeou-a na cabeça e a jogou no chão. Logo em seguida, a amarrou e a arrastou até o quintal de sua casa, onde também estavam sua nora, a companheira desta e sua filha.

“Como disse a eles que não tinha nada me arrastaram até o quintal uns vinte metros. Neste momento lhes disse que era uma Madre de Plaza de Mayo e pedi que não me batessem mais”, relatou Centeno. “Eles se irritaram mais ainda, me deram uma coronhada e me arrastaram de novo até a casa porque disse que tinha 500 pesos guardados”.

“Eles ficaram uma hora em minha casa e me torturaram. Não foi um assalto ou roubo”, disse Nora, mãe de um desaparecido pela ditadura argentina em 1976 e integrante da linha fundadora das Madres de Plaza de Mayo, ao diário platense Diagonales.

“Vocês sabem como é isso. Vamos te dar um tiro”, disse um dos assaltantes quando a mulher se apresentou com Madre de Plaza de Mayo. Logo em seguida, os sujeitos começaram a gritar e a golpeá-la, ainda com mais força. “Denunciei três dias mais tarde porque quero saber quem está por trás disso”.

Ainda que possa ter sido um delito comum, chamou a atenção o fato de que a única pessoa agredida foi ela, apesar de outros familiares estarem juntos naquele momento. Nora ficou com graves ferimentos no rosto por causa dos golpes. “Eram jovens, mas não pareciam ser marginais. O que bateu em mim não estava drogado. Falavam bem. Não foi um assalto ou roubo. O que fizeram comigo foi uma verdadeira tortura. Quero que a Justiça investigue o caso a fundo para ver quem os mandou aqui”, completou Nora Centeno.


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Esquecer NUNCA!
 

Enviado por Safrany

LEI SECA NOS ESTÁDIOS DA COPA: GOVERNO RECUA E O MUNDO RIRÁ DE NÓS

O Brasil será visto como um país onde ainda
subsistem as bizarrias do tempo de Al Capone
A querela sobre a venda ou não de bebidas alcoolicas nos estádios, durante a disputa da Copa do Mundo de 2014, expõe, de um lado, a mentalidade autoritária que continua subsistindo no Brasil, em plena democracia; e, do outro, a pusilaminidade de nossos governantes face à chantagem de bancadas retrógradas.

Para nossa vergonha, estávamos recebendo uma lição da Fifa sobre como devem ser tratados os cidadãos: numa democracia, cabe-lhes o direito de decidirem se, quando e quanto querem beber, mais o dever de manterem comportamento civilizado a despeito da quantidade de álcool ingerida.

Quem não segurar a onda, que seja expulso do estádio ou preso.

Mas, que não seja imposta à maioria uma ridícula e extemporânea  Lei Seca  por conta da imaturidade de alguns. [Assim como é uma aberração fascistóide obrigar motoristas laçados a esmo a se submeterem a testes de bafômetros, como se fossem culpados até provarem a inocência... antes mesmo de qualquer crime ter sido cometido!]

São as ditaduras que tratam adultos como crianças no internato, privando-os das oportunidades de errar. Nas democracias, eles são respeitados como adultos e, quando erram, recebem a punição cabível.

Na singular democracia brasileira, torcedores de futebol são encarados como crianças ou deficientes mentais, a quem se nega até o ínfimo prazer de uma cervejinha. 

Seria cômico, se não fosse trágico:
continuamos até hoje no tempo do Onça?!
Quem quiser, que engula a intragável cerveja sem álcool. Nossos tutores assim decidiram.

Sob vara da Fifa, o Governo brasileiro propôs a suspensão temporária desta prática vexatória que deveria ter sido abolida há muito tempo.

Mas, firme como geléia, acaba de recuar diante da rabugice da pior espécie de totalitários: os fanáticos religiosos, que só não chamo de herdeiros de Tomás de Torquemada porque o inquisidor-geral dos reinos de Castela e Aragão era sincero nas suas convicções monstruosas, enquanto os atuais parecem mais ser devotos do bezerro de ouro.

Mas, ainda que por mero oportunismo, representam o atraso e são infames pregadores do ódio (contra os cultos afrobrasileiros e os gays, principalmente), satanizando pessoas como forma de imantarem suas fileiras, à maneira de Hitler com os judeus.

Ou seja, tudo que a esquerda tem como obrigação combater e com o qual não pode fazer acordo nenhum, ter complacência nenhuma.

Estava certíssimo Gilberto Carvalho ao propor o combate ideológico a esses evangélicos.

Está terrivelmente errado agora o Governo, refugando diante dos que tentam nos fazer retroceder à Idade Média.

Torço para que a Fifa tire o Mundial do Brasil --ainda está em tempo de o fazer.

Enquanto não nos assumirmos plenamente como uma nação civilizada do século 21, sediarmos grandes eventos só servirá para escancarar nosso atraso, colocando-o sob holofotes para que o mundo ria de nós.

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VAMOS DENUNCIAR ALCKMIN AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Governador pode ser transferido da Opus Dei para o Caldeirão 666




VAMOS DENUNCIAR ALCKMIN AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL!


Celso Lungaretti*


O incansável companheiro Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, lançou uma petição on line requerendo do promotor geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, o julgamento internacional dos cinco maiores responsáveis pela barbárie no Pinheirinho, começando pelo governador Geraldo Alckmin. Acesse aqui.

Recomendo enfaticamente a todos os meus leitores que apoiem a iniciativa, não só assinando como a divulgando e recomendando. É importante que o documento chegue às mãos de Ocampo com o endosso de um grande número de brasileiros inconformados com a volta às práticas da ditadura militar um quarto de século depois de o País ter voltado à civilização.

Os signatários manifestam sua preocupação com a "onda de violência oficial deflagrada pelo governo, a justiça e a polícia do estado de São Paulo, que vitima brutalmente trabalhadores, estudantes, pessoas vulneráveis, habitantes de favelas e outros setores carentes ou etnicamente perseguidos da sociedade".

Lungarzo faz um extenso e impecável levantamento dos crimes e abusos cometidos na desocupação do Pinheirinho, concluindo com a solicitação de "uma ampla e rigorosa investigação independente" e o indiciamento de cinco autoridades por crimes contra a humanidade. São elas:

o governador Geraldo Alckmin;
o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori;
o secretário de Segurança do estado de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto;
o prefeito da cidade de São José dos Campos, Eduardo Pedrosa Cury; e
a magistrada interveniente da comarca de SJC, Márcia Faria Mathey Loureiro.

Segundo ele, uma intervenção do Tribunal Penal Internacional se faz necessária porque nenhuma medida está sendo adotada pelo governo paulista ou pelo federal, no sentido da apuração das responsabilidades e punição dos crimes.

Em artigo sobre o mesmo assunto (ver íntegra aqui), Lungarzo argumenta que "o indiciamento e acusação dos culpados, mesmo se não puderem ser detidos, servirá de estímulo para que outros setores populares não se deixassem arrasar, humilhar, balear, estuprar, queimar e, eventualmente... matar".

E destacou a integridade do promotor Ocampo e sua "equipe inteligente, corajosa e eficiente, em perpétuo alerta e correndo grandes riscos". Assim, apesar de contar com efetivos muito aquém dos necessários e de ser sabotado "pelos Estados Unidos e por todas as ditaduras e governos neofascistas", o Tribunal Penal Internacional tem obtido algumas vitórias, como a sentença que já decidiu e anunciará nesta 4ª feira (14) contra Thomas Lubanga, por seus crimes de lesa-humanidade no Congo.

Por último, quero registrar e aplaudir este ótimo comentário de Lungarzo sobre as autoridades que decidiram dar bestial demonstração de força no Pinheirinho, passando por cima de uma decisão judicial e optando por cumprir outra, como se coubesse aos governos e não à própria Justiça dirimir dúvidas sobre a competência de diferentes cortes e magistrados numa mesma questão:

"Não lutamos com inimigos normais. Estamos nas mãos de psicopatas, místicos e racistas, e é um preconceito pensar que eles são mais humanos que os da Gestapo, da Falange, do Fascio, da Ustasha, do stalinismo. Afinal, alguns dentre eles são comprovadamente discípulos do Opus Dei, a forma ideológica mais tortuosa e patológica do fascismo espanhol. Outros se nutriram no Integralismo, a versão mais irracional do fascismo italiano, que foi amplamente popular em São Paulo".

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*Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mantém o blog Náufrago da Utopia. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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Leia também...





EUA: 50 números estarrecedores sobre 2011

Apesar de a maioria dos norte-americanos estar bastante furiosa com esta economia, a realidade é que grande parte deles continua a não ter ideia do quão intenso tem sido o declínio económico do país.

Por Redação

Publicado no blogue The Economic Collapse. Traduzido por Sofia Gomes para Esquerda.net.

#1 48% dos Americanos são considerados como tendo “baixos rendimentos” ou vivem na pobreza.

#2 Aproximadamente 57% de todas as crianças dos EUA vivem em lares que se consideram de “baixos rendimentos” ou empobrecidos.

#3 Se hoje o número de norte-americanos que “queriam trabalho” fosse o mesmo que em 2007, a taxa de desemprego “oficial” do governo chegaria aos 11%.

#4 A média de tempo que um trabalhador fica no desemprego nos EUA é agora mais de 40 semanas.

#5 Uma sondagem recente descobriu que 77% das pequenas empresas dos EUA não planejam contratar mais pessoas.

6# Hoje existem menos empregos pagos do que em 2000 apesar de termos mais 30 milhões de pessoas desde essa altura.

#7 Desde dezembro de 2007, a média dos rendimentos familiares diminuiu 6,8% depois da inflação.

#8 De acordo com o Gabinete de Estatística para o Trabalho, em dezembro de 2006, 16,6 milhões de norte-americanos encontravam-se em situação de auto-emprego. Hoje o número diminuiu para 14,5 milhões.

#9 Uma sondagem Gallup do início de 2011 revelou que aproximadamente um em cada cinco norte-americanos que têm trabalho consideram-se subempregados.

#10 De acordo com o autor Paul Osterman, cerca de 20% de todos os adultos têm empregos onde ganham salários ao nível da pobreza.

(Clique no título e leia matéria completa)

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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Questão de igualdade: Cotas não bastam para aumentar participação feminina na política

 

Ministra defende reforma política com igualdade de gênero


 Uma reforma política que contemple a equiparação de gênero é o que defende a ministra Eleonora Menicucci, da Secretária de Políticas para Mulheres da Presidência da República, para que o País possa avançar em termos democráticos. No contexto das comemorações dos 80 anos do voto feminino no Brasil, tema escolhido pelo governo para as comemorações do Dia Internacional da Mulher, lembrado neste 8 de março, a ministra defende a mudança nas regras de cargos eletivos como um dos pontos fundamentais para dar mais visibilidade às mulheres.

companheiros  segue debate a partir de pronunciamento da ministra  e o pedido de manifestação referente as colocações no debate.JSF Em apoio corroboro com um debate suprapartidario:http://conscienciapoliticarazaosocial.blogspot.com/2012/03/ministra-defende-reforma-politica-com.html

quarta-feira, 14 de março de 2012

BANDA LARGA DO POVO E PARA O POVO Reta final da luta. Bora gente