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sábado, 11 de fevereiro de 2012

URGENTE - Estudante Preso por desacato em manifestação está em PRESIDIO superlotado de SEGURANÇA MAXIMA.

há 35 minutos

Vamos divulgar galera, quem puder imprima e tire cópias para colar pela cidade, a população precisa saber que existe uma pessoa do Movimento Contra o Aumento que está num presídio por denunciar essa Máfia que é o Transporte "Público". Essa é a "Democracia" de Casa Grande
 
 
 COM COMENTÁRIOS:
  • Fernanda Tardin PRA ISTO a PM não FAZ GREVE. queria ver os 'trabalhadores' negando a atender o mando de ordem boçal. " Quem serve ao Diabo, não serve a Deus'.
    LUTAR NÃO É CRIME, Vamos Juntos  divulgar mais esta arbitrariedade. 
     
     
    Um estudante foi preso em Vitória ao participar de manifestação contra o aumento das tarifas de transportes coletivos urbanos. O Espírito Santo tem um governador fantoche, Renato Casagrande e um chefe de quadrilha que controla o Estado. Paulo Hartung, inclusive mandante de assassinatos. A prisão foi feita pelos "bravos policiais" que se afirmam "trabalhadores. O pior. O estudante foi tranferido para um presídio de segurança máxima em Viana. Será que o ministro da justiça, que é originário do Ministério Publico vai ficar omisso como ficou no caso de Pinheirinho? O fato é grave, o crime do estudante segundo os "trabalhadores" policiais foi "desacato a autoridade". Que autoridade. Só vai ser autoridade quando esses trabalhadores ao lado de suas greves lançarem manifestos ou se comprometerem a não espancar professores, trabalhadores, não assassinar, não receber propina de traficante, toda a sorte de crimes que cometem diariamente. Onde está a tal democracia. A prisão foi uma arbitrariedade e no caso, o governador nem pode mandar soltar, pelo simples fato que não manda nem nele.

A SEMANA - A BOLHA CAPITALISTA

A SEMANA

A BOLHA CAPITALISTA


Laerte Braga


Governos de países ditos democráticos são cada vez menos produto da vontade popular. Há uma bolha que envolve banqueiros, grandes corporações e latifúndio, controla executivos, legislativos e judiciários e mantém o povo à distância. O pilar desses novos barões de uma nova Idade Média é a tecnologia. A Idade Média da Tecnologia.

A Grécia é um exemplo claro, como claras são as manifestações em países da extinta Comunidade Européia, principal base do terrorismo nazi/sionista de ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.

No Brasil, por exemplo, o Partido dos “Trabalhadores” se vale do eufemismo concessão, para justificar a privatização de aeroportos e o principal mentor do governo, o ex-ministro José Dirceu considerou o fato um “gol de placa”. Consultor de várias empresas, a palavra gol não entra aí por acaso, é ato falho. A Gol leva você a qualquer lugar.

Do lado de fora da bolha a multidão de pessoas massacradas nas mais variadas formas de massacre que o capitalismo usa. Desde os assassinatos seletivos (defendidos por um boçal chamado Caio Blinder num programa da GLOBO (canal fechado), aos bombardeios que destruíram a Líbia, passando pelas desesperadas tentativas de entrar na Síria e atacar o Irã. Virou rotina a chacina contra egípcios que protestam contra a ditadura

Outros países, caso do Brasil, são domesticados pela mídia. A mídia de mercado é venal e podre.

No filme Tropa de Elite, num determinado momento um oficial da PM afirma que “o governador é corrupto”. Qualquer paralelepípedo, como costumava dizer Nelson Rodrigues, sabe que se trata de Anthony Garotinho. Dublê de emissário divino e político. O filme a despeito do sucesso é uma ode a violência e a barbárie. Garotinho é um Beira-mar que enveredou pela política. Tentou insuflar as lideranças da Polícia Militar do Rio de Janeiro para “estender o conflito” – motim que chamam de greve – para o seu estado com objetivos políticos.

Não é difícil entender porque o juiz espanhol Baltazar Garzón foi afastado de suas funções pela corte suprema daquela colônia norte-americana, a Espanha. Estava tentando recobrar a dignidade nacional ao processar torturadores do regime franquista. El rei, o que gosta de caçar búfalos na Suíça a cinco mil dólares por cabeça não gosta desse tipo de ação. De independência, de coragem. Tem o hábito de dizer “porque non te calas”. É produto das masmorras franquistas.

Egito, Síria e Irã continuam na ordem do dia. Quanto ao Egito a situação, pelo menos por enquanto, está sob controle, os norte-americanos continuam a comandar as forças armadas daquele país. Na Síria são ignorados os mercenários da CIA que provocam conflitos, explodem prédios públicos e matam pessoas para justificar uma eventual intervenção. No Irã, o secretário de Defesa – desmentido por Obama – fala em ataque de Israel às instalações militares daquele país.

O privilégio de armas nucleares é dos EUA e seus aliados, inclusive Israel.

É sempre bom lembrar que quando o governo branco da África do Sul enfrentava revolta da população negra, Tel Aviv se ofereceu para “emprestar” algumas bombas atômicas para “garantir a supremacia branca”. É o IV Reich, com direito a campos de concentração – Guantánamo –, prisões secretas e o discurso de sempre, é preciso ser assim para sobreviver.

Aí, tem sempre um boçal – Caio Blinder – para assumir sem escrúpulo algum o papel de “vida inteligente na bolha”.

Policiais militares são trabalhadores, é óbvio. Ganham pouco, é cristalina essa verdade. As greves/motins que promovem na Bahia, tentam emplacar no Rio e espalhar por outros estados representam apenas o grito da pistolagem oficial para que os donos paguem mais. Querem mais para reprimir, prender, torturar, achacar, e matar cidadãos inocentes em nome da lei.

Polícia é outra coisa. E Garotinho deve ter recebido algum aviso divino para tentar insuflar o movimento no Rio. Está de olho nas eleições de outubro deste ano.

Uma revista norte-americana diz que Pelé é o quarto melhor jogador do mundo em toda a história do futebol e coloca Messi em primeiro lugar. É incrível a incapacidade de norte-americanos de saber que Manágua fica na América Central e não na Ásia. Pelé é como diz Romário – “se fosse mudo seria um gênio completo” – Foi o maior jogador de futebol de todos os tempos. A revista coloca Zico à frente de Gerson, se esquece de fenômenos como Alfredo Di Stefano e nem passa pela idéia dos “especialistas” que Zizinho foi um craque fantástico.

Os caras da revista devem achar que Garrincha era extraterrestre, só pode. Ou que Nestor Rossi – toco y me voy – é produto da imaginação dos argentinos e dos que conhecem futebol.

Entendem de estupidez, característica de dois dos principais esportes dos EUA. o rugby e o hóquei. O dia que desaparecer o milho de pipoca, a mostarda e o catchup acaba o esporte, qualquer um, naquele conglomerado. Não é uma nação, é apenas um complexo de banqueiros, corporações, latifundiários espalhados pelo mundo e um presidente que finge que decide alguma coisa.

E agentes que assassinam seletivamente ao lado da turma da MOSSAD.

Se Garotinho é uma afronta à democracia, um escárnio, não significa que Sérgio Cabral e Jaques Wagner sejam santos. Pelo contrário. Quem viu o quebra quebra dos trens da Supervia no Rio de Janeiro talvez não saiba que o sogro de Cabral é o dono do negócio.

De uma certa forma é um erro comparar esses caras à máfia, ou às máfias. Havia uma espécie de honra nessas organizações criminosas originadas na Itália. Hoje sumiu, não há honra alguma nas máfias que controlam o poder no Brasil, só sede de dinheiro. O BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – está empenhado em mais uma conquista. Com dinheiro do povo transformar Eike Batista no homem mais rico do mundo.

Nessa hora vão estufar o peito e proclamar o caráter irreversível de potência.

É outro eufemismo para entreposto do capital estrangeiro.

No Coliseu o imperador costumava conceder aos cidadãos o direito sobre a vida dos gladiadores. Polegar para cima, polegar para baixo. Nos nossos tempos Pedro Bial convida os distintos a pegar o celular, pagar para isso, é definir quem sai e quem fica na casa do estupro, o BBB. Um bordel televisivo. Bordeis em seus bons tempos abrigaram figuras como Toulouse Lautrec. Eram lugares de respeito e uma ética própria que nem de longe passa pelos “heróis” de Bial. São robôs.

Marta Suplicy, senadora e ex-prefeita de São Paulo, confessou que teme acordar e “estar de mãos dadas com Gilberto Kassab”, prefeito de São Paulo e figurinha carimbada na entourage de Lula nessas andanças de montar chapas para vencer eleições na capital paulista e outras mais.

Quando Churchill falou “vou às profundas do inferno aliar-me ao diabo se isso for necessário para derrotar Hitler”, não estava prevendo um futuro medíocre em quase todos os cantos do mundo. A Grã Bretanha ainda era uma nação – hoje é a principal colônia norte-americana na Europa. Estava falando só de Hitler e seu significado. Não podia prever o governo de Israel e nem os rumos dos EUA.

Domingo 12 é dia de OCUPA GLOBO. Gente sensata vai para a porta da sede da principal rede da mentira midiática no Brasil protestar contra toda a sorte de trapaças, distorções, omissões, etc, do dia a dia do grupo, inclusive abocanhar verbas que deveriam servir para obras de contenção de “desastres naturais”.

Luciano Huck ganhou na justiça o direito de praia particular. Ele e Fausto Silva deviam doar o cérebro à medicina para estudos sobre a mediocridade. Não é o caso de William Bonner. É robô. Nem de William Waack, é norte-americano e o preferido de Hilary Clinton para análises políticas, tem assento garantido à direita do touro de Wall Street. Não na primeira fila, lógico, mas lá para trás, junto de Miriam Leitão.

Os britânicos teimam em manter as ilhas Malvinas como sendo possessão de um antigo império, decadente e caquético. No duro mesmo é o petróleo e a velha arrogância. Millôr Fernandes tem uma frase estupenda para definir essas características. O inglês que numa expedição chega à África, no meio da selva e ao encontrar um igual pergunta com aquele ar blasé – “doctor Livingstone? I presume”.

A nova ministra das mulheres chegou montada em cavalo que solta fogo pelas narinas. D. Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo já já vai fumegar também. Vai querer fogueiras na Sé e fazer questão de acendê-las. A senhora em questão afirmou que as mulheres devem ter direito sobre o aborto. Isso, no mínimo, dá marcha da família com Deus pela liberdade. Edir Macedo não. Um bom acordo financeiro e ele apóia sem problema.

As eleições municipais acirram as disputas, alianças, Serra chama Aécio de “balão murcho”, Marta tem pesadelos de acordar e estar de mãos dadas com Gilberto Kassab, Aécio veraneia ora em Paris, ora no Senado, vai comendo Serra como míngua, pelas beiradas, Paulo Hartung continua chefiando o crime organizado no Espírito Santo, professores ganham miséria – novidade? – no Rio Grande do Sul e em todos os rios caudalosos ou não do Brasil e por fim, um tresloucado tipo gerente de loja da rede McDonald’s parece que vai ser o adversário de Obama. O tal que “adoro demitir pessoas”.

CONVOCATÓRIA: Diga Não ao CODIGO FLORESTAL COMPAREÇA Juntos Somos Fortes

Entrevista na TV Capixaba (BAND) sobre o "Novo" Código Florestal Brasileiro da Motosserra...
...que se aprovado pela Dilma, permitirá o desmatamento de 300 BILHÕES de m² de Florestas Nativas, junto com toda sua biodiversidade...

Agradecemos a inciativa do Programa Espaço Sustentável em romper o silêncio nefasto da mídia, sobre o assunto!

http://www.youtube.com/watch?v=5CYvCZJRxGQ
· · · · há 3 horas próximo a Vitória
    • Alessandro Chakal
      Obrigado pelo apoio, gente!
      Hasta la vitória siempre!
       TODOS  em DEFESA DA VIDA-

      >>> DOMINGO (12/fev), 10h, PROTESTO NACIONAL em Vitória-ES (Praia de Camburi), do SOS Mata Atlântica::::
      CORTEJO FÚNEBRE contra a destruição dos Manguezais do Brasil, caso seja aprovado o "Novo" Código Florestal da Motosserra pela Dilma...
      COMPARTILHEM e ajudem a divulgar, para que mais pessoas se interessem no movimento ambiental e revertamos este absurdo em Brasília-DF!!

PRIVATIZAÇÕES: O XÍS DA QUESTÃO

Os reformistas (e também alguns cidadãos que se enxergam como sendo de esquerda, mas cujo discernimento político deixa a desejar...) fizeram enorme alarde a respeito de um dossiê de denúncias eleitoreiras transformado em livro.

Agora, os direitistas contra-atacam questionando a privatização de aeroportos.

Então, vamos combinar: um seguidor de Marx ou Proudhon só pode considerar defensáveis as empresas estatais QUE SEJAM GERIDAS POR CONSELHOS DE TRABALHADORES E ESTEJAM PRIORIZANDO AS NECESSIDADES  E INTERESSES DO POVO.

As que existem, tanto dá que estejam nas mãos do estado burguês ou de capitalistas. Ao povo é que não pertencem. E o povo não tem motivo nenhum para defender um bem que não é nem jamais foi seu.

[As voltas que o mundo dá: bem no comecinho da campanha presidencial de 1989, entrevistei o Lula e lhe fiz a mesmíssima objeção acima. Ele respondeu que não pretendia deixar as estatais como estavam, mas sim colocá-las sob a direção de conselhos de funcionários. Parece que em 2002 ele já mudara de idéia. Eu não mudei.]

Vamos parar de perder tempo com essas tolices e voltar ao que realmente importa: o imperativo de substituirmos o capitalismo por um regime cujos pilares sejam a justiça social e a liberdade.

Repito pela enésima vez: O CAPITALISMO, NO ATUAL ESTADO DE PERVERSIDADE E PUTREFAÇÃO, NÃO PODE SER REDIMIDO NEM TER SUA MALIGNIDADE ATENUADA

Ou nos livramos dele, ou ele nos destruirá a todos, dando fim à espécie humana.

Precisa de coveiros que o enterrem de uma vez por todas, não de enfermeiros que lhe apliquem esparadrapos.

é amanha 12/02 as 12 hs OCUPE A REDE GLOBO-

via Neusah Cerveira
‎"...a classe média feliz, sendo cúmplice de assassinato para poder tomar uma cerveja e sambar no sol sem que a miséria humana a engula. Quem não se revolta tem sangue na mão. Não existe justiça no Brasil. A sociedade não é vítima do estado. A sociedade é vítima de seu próprio senso torpe de justiça e do seu apego por privilégios. Um dia os acomodados irão se envergonhar". (Pedro Rios)
 
 OCUPE A REDE GLOBO! -
Domingo: 12 de fevereiro de 2012, 
às 12:00 na Globo RJ.'

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"O comunismo é a ideia da emancipação de toda humanidade"

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O filósofo francês Alain Badiou é um homem que não teme riscos: nunca renunciou a defender um conceito que muitos acreditam ter sido queimado pela história: o comunismo. Em entrevista à Carta Maior, Badiou fala da “ideia comunista” ou da “hipótese comunista”. Segundo ele, tudo o que estava na ideia comunista, sua visão igualitária do ser humano e da sociedade, merece ser resgatado em um mundo onde tudo passou a ter um valor mercantil. Pensador crítico da modernidade, Badiou define o processo político atual como uma “guerra das democracias contra os pobres”.




Eduardo Febbro - Direto de Paris (Carta Maior)

Paris - Alain Badiou não tem fronteiras. Este filósofo original é o pensador francês mais conhecido fora de seu país e autor de uma obra extensa e sem concessões. Filosofia, matemática, política, literatura e até o amor circulam em seu catálogo de produções e reflexões. Sua obra, de caráter multidisciplinar, traz uma crítica férrea ao que Alain Badiou chama de “materialismo democrático”, ou seja, um sistema humano onde tudo tem um valor mercantil.

Este filósofo insubmisso é também um homem de riscos: nunca renunciou a defender um conceito que muitos acreditam ter sido queimado pela história: o comunismo. Em sua pena, Badiou fala mais da “ideia comunista” ou da “hipótese comunista” do que do sistema comunista em si. Segundo o filósofo francês, tudo o que estava na ideia comunista, sua visão igualitária do ser humano e da sociedade, merece ser resgatado.

Defensor incondicional de Marx e da ideia de uma internacionalização positiva da revolta, o horizonte de sua filosofia é polifônico: seus componente não são a exposição de um sistema fechado, mas sim um sistema metafísico exigente que inclui as teorias matemáticas modernas – Gödel – e quatro dimensões da existência: o amor, a arte, a política e a ciência. Pensador crítico da modernidade numérica, Badiou definiu os processos políticos atuais como uma “guerra das democracias contra os pobres”.

O filósofo francês é um teórico dos processos de ruptura e não um mero panfletário. Ele convoca com método a repensar o mundo, a redefinir o papel do Estado, traça os limites da “perfeição democrática”, reinterpreta a ideia de República, reatualiza as formas possíveis e não aceitas de oposição e coloca no centro da evolução social a relegitimação das lutas sociais.

Alain Badiou propõe um princípio de ação sem o qual, sugere, nenhuma vida tem sentido: a ideia. Sem ela toda existência é vazia. Com mais de 70 anos, Badiou introduziu em sua reflexão o tema do amor em um livro brilhante e comovedor, no qual o autor de “O ser e o acontecimento” define o amor como uma categoria da verdade e o sentimento amoroso como o pacto mais elevado que os indivíduos podem firmar para viver. Sua lucidez analítica o conduz inclusive a dizer que o amor, porque grátis e total, está ameaçado pelo mundo contemporâneo.

Revoluções árabes, movimento dos indignados, mobilização crescente dos grupos que estão contra a globalização, a luta ou a oposição contra as modalidades do sistema atual se multiplicaram e sofisticaram. Analisando o que ocorreu, o que você diria hoje a todos esses rebeldes do mundo para que sua ação conduza a uma autêntica construção?

Eu diria a eles que, para mim, mais importante que a consigna da anti-globalização, a qual parece sugerir que, por meio de várias medidas, pode-se re-humanizar a situação, incluindo a re-humanização do capitalismo, é a globalização da vontade popular. Globalização quer dizer vigor internacional. Mas essa globalização internacional necessita de uma ideia positiva para uni-la e não só a ideia crítica ou a combinação de desacordos e protestos. Trata-se de um ponto muito importante. Passar da revolta à ideia é passar da negação á afirmação. Somente no plano afirmativo poderemos nos unir de forma duradoura.

Um dos princípios de sua filosofia consiste em dizer que uma vida que não está regida pelo signo da ideia não é uma vida verdadeira. Agora, como defender hoje essa ideia sob a ameaça do hiper-consumo, das falsidades e injustiças da democracia parlamentar e em um mundo onde nossa relação com o outro passa pela relação com o objeto e não com as ideias ou com os indivíduos? No mundo contemporâneo, a ideia é o produto e não a relação humana.

A verdadeira vida é uma vida que aceita estar sob o signo da ideia. Dito de outro modo, uma vida que aceita ser outra coisa do que uma vida animal. Alguns dirão que há valores transcendentes, religiosos, e que é preciso submeter o animal; outros dirão, ao contrário, que devemos nos libertar desses valores transcendentes, que Deus está morto, que viva os apetites selvagens. Mas, entre ambas, há uma solução intermediária, dialética, que consiste em dizer que, na vida, através de encontros e metamorfoses, pode haver um trajeto que nos liga à universalidade. Isso é o que eu chamo “uma vida verdadeira”, ou seja, uma vida que encontrou ao menos algumas verdades.

Chamo "ideia" esse intermediário entre as verdades universais, digamos eternas para provocar um pouco os contemporâneos, e o indivíduo. Que é então uma vida sob o signo da ideia em um mundo como este? Faz falta uma distância com a circulação geral. Mas essa distância não pode ser criada só com a vontade, faz falta algo que nos ocorra, um acontecimento que nos leve a tomar posição frente ao que se passou. Pode ser um amor, um levante político, uma decepção, enfim, muitas coisas. Aí se põe em jogo a vontade para criar um mundo novo que não estará baseado na ordem do mundo tal como é, com sua lei de circulação mercantil, mas sim em um elemento novo de minha experiência.

O mundo moderno se caracteriza pela soberania das opiniões. E a opinião é algo contrário à ideia. A opinião não pretende ser universal, é minha opinião e vale tanto quanto a opinião de qualquer outra pessoa. A opinião se relaciona com a distribuição de objetos e a satisfação pessoal. Há um mercado das opiniões assim como há um mercado das ações financeiras. Há momentos em que uma opinião vale mais do que outra; mais tarde essa opinião quebra como um país. Estamos no regime geral do comércio da comunicação no qual a ideia não existe. Inclusive se suspeita da ideia e se dirá que ela é opressiva, totalitária, que se trata de uma alienação. E por que isso ocorre? Simplesmente porque a ideia é grátis. Ao contrário da opinião, a ideia não entra em nenhum mercado. Se defendemos nossa convicção, o fazemos com a ideia de que é universal. Essa ideia é, então, uma proposta compartilhada, não se pode colocá-la à venda no mercado. Mas como tudo o que é grátis, a ideia está sob suspeita.

Pergunta-se: qual é o valor do que é grátis? Justamente, o valor do grátis é que não tem valor no sentido das trocas. Seu valor é intrínseco. E como não se pode distinguir a ideia do preço do objeto a única existência da ideia está em um tipo de fidelidade existencial e vital para a ideia. A melhor metáfora para isso é encontrada no amor. Se queremos profundamente a alguém, esse amor não tem preço. É preciso aceitar os sofrimentos, as dificuldades, o fato de que sempre há uma tensão entre o que desejamos imediatamente e a resposta do outro. É preciso atravessar tudo isso.

Quando estamos enamorados, trata-se de uma ideia e isso é o que garante a continuidade desse amor. Para se opor ao mundo contemporâneo pode-se atuar na política, mas estar cativado completamente por uma obra de arte ou estar profundamente enamorado é como uma rebelião secreta e pessoal contra o mundo contemporâneo. Esse é o principal problema da vida contemporânea. Estabeleceu-se um regime de existência no qual tudo deve ser transformado em produto, em mercadoria, inclusive os textos, as ideias, os pensamentos. Marx havia antecipado isso muito bem: tudo pode ser medido segundo seu valor monetário.

Você é um dos poucos filósofos que defende o que você mesmo chama “a ideia comunista”. Como é possível defender a ideia comunista quando seu conteúdo histórico foi desastroso.

Penso que o conteúdo histórico das ideias sempre pode ser declarado desastroso. Os democratas nos falam da democracia, mas se olhamos de perto a história das democracias, ela está cheia de desastres. Para tomar o exemplo mais elementar, se tomamos a Primeira Guerra Mundial, ela foi lançada por democratas, democratas alemães, ingleses e franceses. Foi um massacre inimaginável, o qual já se demonstrou esteve ligado a apetites financeiros nas colônias africanas, apetites que não diziam respeito aqueles que seriam massacrados mais tarde. Houve milhões de mortos e de sacrificados em condições espantosas e, aceite-se ou não, isso é parte da história das democracias. Se interrogamos o conjunto das experiências históricas veremos que todo o mundo tem sangue até as orelhas.

No que se refere à palavra “comunista” em si, da mesma maneira que ocorre com a palavra “democracia”, sempre se pode argumentar que ambas tem sangue até as orelhas. Mas, por acaso, é preciso sempre inventar outra palavra? Tomemos, por exemplo, o cristianismo. O cristianismo é São Francisco de Assis, a santidade verdadeira, o advento da ideia de uma verdadeira generosidade para com os pobres, a caridade, etc.,etc. Mas, do outro lado, também é a inquisição, o terror, a tortura e o suplício. Por acaso vamos dizer que é um crime alguém se chamar de cristão? Ninguém diz isso. Eu defendo uma espécie de absolvição dos vocábulos. Eles têm o sentido dado pela sequência histórica da qual falamos.

De fato, o comunismo conheceu duas sequências histórias. A sequência histórica do século XIX, quando a palavra foi inventada e propagada para designar uma esperança histórica humana fundamental, a esperança da igualdade, da emancipação das classes oprimidas, de uma organização social igualitária e coletiva. Depois há outra sequência muito diferente onde se experimentou o comunismo, ou seja, se construiu uma forma de poder particular que buscou coletivizar a indústria e essas coisas, mas que, no final, se tornou uma forma de Estado despótico.

Eu proponho que não se sacrifique a palavra “comunismo” por causa desta segunda sequência, mas sim que ela seja resgatada com base na primeira sequência, possibilitando assim a abertura de uma terceira sequência.

Nesta terceira sequência, a palavra “comunismo” significaria o que sempre significou: a ideia de uma organização social totalmente distinta da que conhecemos e que já sabemos que está dominada por uma oligarquia financeira e econômica absolutamente feroz e indiferente aos interesses gerais da humanidade. Eu proponho então voltar ao comunismo sob a forma da ideia comunista: a ideia comunista é a ideia da emancipação de toda a humanidade, é a ideia do internacionalismo, de uma organização econômica mobilizando diretamente os produtores e não as potências exteriores; é a ideia da igualdade entre os distintos componentes da humanidade, do fim do racismo e da segregação e também é a ideia do fim das fronteiras.

Não esqueçamos que as fronteiras são uma grande característica do mundo contemporâneo. O comunismo é tudo isso. Se alguém inventar uma palavra formidável para designar tudo isso, que não seja a palavra comunismo, eu aceito. Mas a história da política não é a história das palavras, mas sim a história dos novos significados que podem ter as palavras. Em geral se opõe a palavra “democracia” à palavra “comunismo”. Eu digo que uma palavra não é mais inocente do que a outra. Não lutemos pela inocência das palavras. Discutamos sobre o que significam e o que significa aquilo que eu digo.

Agora chegamos a Marx, ou melhor dizendo, aos dois Marx: o Marx marxista e o Marx de antes do marxismo. Qual dos dois você reivindica?

Marx e marxismo têm significados muito distintos. Marx pode significar a tentativa de uma análise científica da história humana com base nos conceitos fundamentais de classe e de luta de classe, e também a ideia de que a base das diferentes formas que a organização da humanidade adquiriu no curso da história é a organização da economia. Nesta parte da obra de Marx há coisas muito interessantes como, por exemplo, a crítica da economia política. Mas também há outro Marx que é um Marx filósofo, que vem depois de Engels e que tenta mostrar que a lei das coisas deve ser buscada nas contradições principais que podem ser percebidas dentro das coisas. É o pensamento dialético, o materialismo dialético. No concreto, há uma base material de todo pensamento e este se desenvolve através de sistemas de contradição, de negação. Este é o segundo Marx. Mas também há um terceiro Marx que é o militante político. É um Marx que, em nome da ideia comunista, indica o que fazer: é o Marx fundador da Primeira Internacional, é o Marx que escreve textos admiráveis sobre a Comuna de Paris ou sobre a luta de classes na França.

Há pelo menos três Marx e o que mais me interessa, reconhecendo o mérito imenso de todos eles, é o Marx que tenta ligar a ideia comunista em sua pureza ideológica e filosófica às circunstâncias concretas. É o Marx que se pergunta pelo caminho para organizar as pessoas politicamente na direção da ideia comunista. Há ideias fundamentais que foram experimentadas e que ainda permanecem e, em cujo centro, encontramos a convicção segundo a qual nada ocorrerá enquanto uma fração significativa dos intelectuais não aceite estar organicamente ligada às grandes massas populares. Esse ponto está totalmente ausente hoje em várias regiões do mundo. Em maio de 68 e nos anos 70, este ponto foi abandonado. Hoje pagamos o preço desse abandono que significou a vitória completa e provisória do capitalismo mais brutal.

A vida concreta de Marx e Engels consistiu em participar nas manifestações na Alemanha e em tentar criar uma Internacional. E o que era a Internacional? A aliança dos intelectuais com os operários. É sempre por aí que se começa. Eu chamo então a que comecemos de novo: por um lado com a ideia comunista e, por outro, com um processo de organização sob esta ideia que, evidentemente, levará em conta o conjunto do balanço histórico, mas que, em certo sentido, terá que começar de novo.

Caído, derrotado no abismo ou simplesmente ferido? Na sua avaliação, em que fase se encontra o capitalismo: em seu ocaso, como acreditam alguns, ou somente vivendo um recesso devido a suas enormes contradições internas?

O capitalismo é um sistema de roubo planetário exacerbado. Pode-se dizer que o capitalismo é uma ordem democrática e pacífica, mas é um regime de depredadores, é um regime de banditismo universal. E digo banditismo de maneira objetiva: chamo bandido a qualquer um que considere que a única lei de sua atividade é seu próprio proveito. Mas um sistema como este que, por um lado, tem a capacidade de se estender e, por outro, de deslocar seu centro de gravidade é um sistema que está longe de estar moribundo.

Não é o caso de acreditar que, pelo fato de estarmos em uma crise sistêmica, nos encontramos à beira do colapso do capitalismo mundializado. Acreditar nisso seria ver as coisas através da pequena janela da Europa. Creio que há dois fenômenos que estão entrelaçados. O primeiro é a derrocada da segunda etapa da experiência comunista, a falência dos Estados socialistas. Essa falência abriu uma enorme brecha para o outro termo da contradição planetária que é o capitalismo mundializado. Mas também abriu novos espaços de tensões materiais. O desenvolvimento capitalista de países do porte da China e da Índica, assim como a recapitalização da ex-União Soviética tem o mesmo papel que o colonialismo no século XIX. Abriu espaços gigantes de manobra, de clientela de novos mercados.

Estamos vivendo agora esse fenômeno: a mundialização do capitalismo que se fez potente e se multiplicou pelo enfraquecimento de seu adversário histórico do período precedente. Esse fenômeno faz com que, pela primeira vez na história da humanidade, se possa falar realmente de um mercado mundial. Esse é um primeiro fenômeno. O segundo é o deslocamento do centro de gravidade. Estou convencido de que as antigas figuras imperiais, a velha Europa, por exemplo, a qual apesar de sua arrogância tem uma quantidade considerável de crimes que ainda aguardam perdão, e os Estados Unidos, apesar do fato de ainda ocupar um lugar muito importante, são na verdade entidades capitalistas progressivamente decadentes e até um pouco crepusculares. Na Ásia, na América Latina, com a dinâmica brasileira, e inclusive em algumas regiões do Oriente Médio, vemos aparecer novas potências. O sistema da expansão capitalista chegou a uma escala mundial, mas o sistema das contradições internas do capitalismo modifica sua geopolítica. As crises sistêmicas do capitalismo – hoje estamos em uma grave crise sistêmica – não têm o mesmo impacto segundo a região. Temos assim um sistema expansivo com dificuldades internas.


Mas esses novos polos se desenvolvem segundo o mesmo modelo.
Sim, e não creio que esses novos polos introduzam uma diferenciação qualitativa. É um deslocamento interno ao sistema que dá a ele margem de manobra.

Há duas versões de um de seus livros mais importantes: trata-se do Manifesto para a Filosofia. O primeiro Manifesto foi publicado há vinte anos, o segundo há dois. Se levamos em conta as revoluções árabes e as crises do sistema financeiro internacional, o que mudou fundamentalmente no mundo e no ser humano entre os dois manifestos?

O que mudou mais profundamente é a divisão subjetiva. As escolhas fundamentais às quais estiveram confrontados os indivíduos durante o primeiro período estavam ainda dominadas pela ideia da alternativa entre orientação revolucionária e democracia e economia de mercado. Dito de outro modo, estávamos na constituição do debate entre totalitarismo e democracia. Isso exige dizer quer todo o mundo estava sob o influxo do balanço da experiência histórica do século XX. O primeiro Manifesto foi publicado em 1989, quase ao final do século XX. Em escala mundial, esta discussão, que adquiriu formas distintas segundo os lugares, se focalizou em qual poderia ser o balanço deste século XX. Por acaso, temos que condenar definitivamente as experiências revolucionárias? É preciso abandoná-las porque foram despóticas, violentas? Neste sentido, a pergunta era: devemos ou não nos unir à corrente democrática e entrar na aceitação do capitalismo como um mal menor?

A eficácia do sistema não consistiu em dizer que o capitalismo era magnífico, mas sim que era o mal menor. Na verdade, tirando um punhado de pessoas ninguém pensa que o capitalismo é magnífico. Mas o que se disse nesse período foi que a alternativa era desastrosa. Há 20 anos estávamos neste contexto, ou seja, a reativação da filosofia inspirada pela moral de Kant. Ou seja, não é o caso de ter grandes ideias de transformação política voluntaristas porque isso conduz ao terror e ao crime, mas sim velar por uma democracia pacificada dentro da qual os direitos humanos estarão protegidos. Hoje esta discussão está terminada e está terminada porque todo mundo vê que o preço pago por essa democracia pacificada é muito elevado. Todo mundo toma consciência que se trata de um mundo violento, com outras violências, que a guerra segue rondando todo o tempo, que as catástrofes ecológicas e econômicas estão na ordem do dia e que, além disso, ninguém sabe para onde vamos.

Podemos imaginar que esta ferocidade da concorrência e esta constante submissão à economia de mercado durem ainda vários séculos? Todo mundo sente que não, que se trata de um sistema patrológico. Foi revelado que este sistema, que nos foi apresentado como um sistema moderado, sem dúvida em nada formidável, mas melhor que todos os demais, é um sistema patológico e extremamente perigoso. Essa é a novidade. Não podemos mais ter confiança no futuro desta visão das coisas. Estamos em uma fase de transição e incerteza. Introduziu-se a hipótese de uma espécie de humanismo renovado que poderíamos chamar de humanismo de mercado, o mercado, mas humano. Creio que essa figura, que segue vigente graças aos políticos e aos meios de comunicação, está morta. É como a União Soviética: estava morta antes de morrer. Creio que, em condições diferentes e em um universo de guerra, de catástrofes, de competição e de crise, esta ideia do capitalismo com rosto humano e da democracia moderada está morta. Agora será preciso não mais escolher entre duas visões constituídas, mas sim inventar uma.

Dessa ambivalência provém talvez a sensação de que as jovens gerações estão perdidas, sem confiança em nada?

Isso é o que sinto na juventude de hoje. Sinto que a juventude está completamente imersa no mundo tal como é, não tem ideia de outra alternativa, mas, ao mesmo tempo, está perdendo confiança neste mundo, está vendo que, na verdade, este mundo não tem futuro, carece de toda significação para o futuro. Creio que estamos em um período onde as propostas de ideias novas estão na ordem do dia, mesmo que uma boa parte da opinião não saiba disso. E não sabe porque ainda não chegamos ao final deste esgotamento interno da promessa democrática. É o que eu chamo de período intervalo: sabemos que as velhas escolhas estão acabadas, mas não sabemos ainda muito bem quais são as novas escolhas.

Vários filósofos apontam o fato de que os valores capitalistas destruíram a dimensão humana. Você acredita, ao contrário, que ainda persiste uma potência altruísta no ser humano.

Devemos olhar o que ocorreu nas manifestações dos países árabes. Nunca acreditei que essas manifestações iam inventar um novo mundo de um dia para o outro, nem pensei que essas revoltas apresentavam soluções novas para os problemas planetários. Mas o que me assombrou foi a reaparição da generosidade do movimento de passa, quer dizer, a possibilidade de agir, de sair, de protestar, de pronunciar-se independentemente do limite dos interesses imediatos e fazê-lo junto a pessoas que, sabemos, não compartilham nossos interesses. Aí encontramos a generosidade da ação, a generosidade do movimento de massa, temos a prova de que esse movimento ainda é capaz de reaparecer e reconstituir-se. Com todos os seus limites, também temos um exemplo semelhante com o movimento dos indignados.

O que fica evidente em tudo isso é que estão aí em nome de uma série de princípios, de ideias, de representações. Esse processo, obviamente, será longo. O movimento da primavera árabe me parece mais interessante que o dos indignados porque tem objetivos precisos, ou seja, a desaparição de um regime autocrático e o tema fundamental que é o horror diante da corrupção. A luta contra a corrupção é um problema capital do mundo contemporâneo. Nos indignados vimos a nostalgia do velho Estado providência. Mas volto a reiterar que o interessante em tudo isso é a capacidade de fazer algo em nome de uma ideia, mesmo que essa ideia tenha acentos nostálgicos. O que me interessa saber é se ainda temos a capacidade histórica de agir no regime da ideia e não simplesmente segundo o regime da concorrência ou da conservação. Isso para mim é fundamental. A reaparição de uma subjetividade dissidente, seja quais forem suas formas e suas referências, isso me parece muito importante.

Você publicou um livro sobre o amor, que é de uma sabedoria comovedora. Para um filósofo comprometido com a ação política e cujo pensamento integra as matemáticas, a aparição do tema do amor é pouco comum.

O amor é um tema essencial, uma experiência total. O amor está ameaçado pela sociedade contemporânea. O amor é um gesto muito forte porque significa que é preciso aceitar que a existência de outra pessoa se converta em nossa preocupação. No amor, o fundamental está em que nos aproximamos do outro com a condição de aceita-lo em minha existência de forma completa, inteira. Isso é o que diferencia o amor do interesse sexual. Este se fixa sobre o que os psicanalistas chamaram de “objetos parciais”, ou seja, eu extraio do outro alguns emblemas fetiches que me interessam e que suscitam minha excitação desejante. Não nego a sexualidade, pelo contrário. Ela é um componente do amor. Mas o amor não é isso. O amor é quando estou em estado de amar, de estar satisfeito e de sofrer e de esperar tudo o que vem do outro: a maneira como viaja, sua ausência, sua chegada, sua presença, o calor de seu corpo, minhas conversas com ele, os gostos compartilhados. Pouco a pouco, a totalidade do que o outro é torna-se um componente de minha própria existência. Isso é muito mais radical que a vaga ideia de preocupar-me com o outro. É o outro com a totalidade infinita que representa e com o qual me relaciono em um movimento subjetivo extraordinariamente profundo.

Em que sentido o amor está ameaçado pelos valores contemporâneos?

Está ameaçado porque o amor é gratuito e, desde o ponto de vista do materialismo democrático, injustificado. Por que deveria me expor ao sofrimento da aceitação da totalidade do outro? O melhor seria extrair dele o que melhor corresponde aos meus interesses imediatos e aos meus gostos e descartar o resto. O amor está ameaçado hoje porque é distribuído em fatias. Observemos como se organizam as relações nestes portais de internet onde as pessoas entram em contato: o outro já vem fatiado em fatias, um pouco como a vaca nos açougues. Seus gostos, seus interesses, a cor dos olhos, o corte dos cabelos, se é grande ou pequeno, loiro ou moreno. Vamos ter uns 40 critérios e, ao final, vamos nos dizer: vou comprar este. É exatamente o contrário do amor. O amor é justamente quando, em certo sentido, não tenho a menor ideia do que estou comprando.


E frente a essa modalidade competitiva das relações, você proclama que o amor deve ser reinventado para nos defendermos, que o amor deve reafirmar seu valor de ruptura e de loucura.

O amor deve reafirmar o fato de que está em ruptura com o conjunto das leis ordinárias do mundo contemporâneo. O amor deve ser reinventado como valor universal, como relação em direção da alteridade, daquilo que não sou eu e onde a generosidade é obrigatória. Se não aceito a generosidade, tampouco aceito o amor. Há uma generosidade amorosa que é inevitável. Sou obrigado a ir na direção do outro para que a aceitação do outro em sua totalidade possa funcionar. Essa é uma excelente escola para romper com o mundo tal como é. Minha ideia sobre a reinvenção do amor quer dizer o seguinte: uma vez que o amor se refere a essa parte da humanidade que não está entregue à competição, à selvageria; uma vez que, em sua intimidade mais poderosa, o amor exige uma espécie de confiança absoluta no outro; uma vez que vamos aceitar que este outro esteja totalmente presente em nossa própria vida, que nossa vida esteja ligada de maneira interna a esse outro, pois bem, já que tudo descrito acima é possível isso prova que não é verdade que a competitividade, o ódio, a violência, a rivalidade e a separação sejam a lei do mundo.

A política não está muito afastada de tudo isso. Para você, há uma dimensão do amor na ação política?

Sim, inclusive pode resultar perigoso. Se buscamos uma analogia política do amor eu diria que, assim como no amor onde a relação com uma pessoa tem que constituir sua totalidade existencial como um componente de minha própria existência, na política autêntica é preciso que haja uma representação inteira da humanidade. Na política verdadeira, que também é um componente da vida verdadeira, há necessariamente essa preocupação, essa convicção segundo a qual estou ali enquanto representante e agente de toda a humanidade. Do mesmo modo que ocorre no amor, onde minha preocupação, minha proposta e minha atividade estão ligadas à existência do outro em sua totalidade.

O que pode fazer um casal jovem e enamorado neste mundo violento, competitivo, onde o projeto do casal já está ameaçado pela própria dinâmica do consumo e da competição?

Creio que o projeto de um casal pode ser uma rama se não se dissolve, se não se metamorfoseia em um projeto que acabe se transformando, no fundo, na acumulação de interesses particulares. Na situação de crise e de desorientação atual o mais importante é segurar as mãos no timão da experiência pela qual estamos passando, seja no amor, na arte, na organização coletiva, no combate político. Hoje, o mais importante é a fidelidade: em um ponto, ainda que seja em apenas um, é preciso não ceder. E para não ceder devemos ser fieis ao que ocorreu, ao acontecimento. No amor, é preciso ser fiel ao encontro com o outro porque vamos criar um mundo a partir desse encontro. Claro, o mundo exerce uma pressão contrária e nos diz: “cuidado, defenda-se, não deixe que o outro abuse de ti”. Com isso está dizendo: “voltem ao comércio ordinário”.

Então, como essa pressão é muito forte, o fato de manter o timão no rumo certo, de manter vivo um elemento de exceção, já é extraordinário. É preciso lutar para conservar o excepcional que ocorre em nossas vidas. Depois veremos. Dessa forma salvaremos a ideia e saberemos o que é exatamente a felicidade. Não sou um asceta, não sou a favor do sacrifício. Estou convencido de que se conseguimos organizar uma reunião com trabalhadores e colocamos em marcha uma dinâmica, se conseguimos superar uma dificuldade no amor e nos reencontramos com a pessoa que amamos, se fazemos uma descoberta científica, então começamos a compreender o que é a felicidade. A felicidade é uma ideia fundamental. A construção amorosa é a aceitação conjunta de um sistema de riscos e de invenções.

Você também introduz uma ideia peculiar e maravilhosa: devemos fazer tudo para preservar o que nos ocorre de excepcional.

Aí está o sentido completo da vida verdadeira. Uma vida verdadeira se configura quando aceitamos os presentes perigosos que a vida nos oferece. A existência nos traz riscos, mas, na maioria das vezes, estamos mais espantados que felizes por esses presentes. Creio que aceitar isso que nos ocorre e que parece raro, estranho, imprevisível, excepcional, que seja o encontro com uma mulher ou o maio de 68, aceitar isso e suas consequências, isso é a vida, a verdadeira vida.

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Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Entrevista extraída do site Carta Maior


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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

PressAA

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50 anos de bloqueio econômico contra Cuba. Pelo Ópera Mundi

 50 anos de bloqueio econômico contra Cuba. Pelo Ópera Mundi
Enviado por mail por Carlos Alberto Perim

Publicado em 08-Fev-2012


No portal, reportagens sobre a Ilha, suas escolhas e seu destino...Imperdível. Para denunciar os 50 anos de bloqueio econômico norte-americano contra Cuba, o site Opera Mundi publica, entre hoje e sábado, uma série de reportagens especiais sobre as reformas e ajustes no país. As matérias dão um panorama detalhado da história da Ilha e do contexto em que se encontra (confira aqui).

http://operamundi.uol.com.br/

Seis reportagens já estão no ar. Nelas, o início do bloqueio econômico, em fevereiro de 1962, assinado pelo presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, o baque inicial para Cuba e as reformas econômicas que começaram a ser adotadas na década de 1990 são detalhados. Dentre as passagens citadas, estão as sanções aos bancos que operavam com o país caribenho, atingindo, inclusive, uma transferência de recursos do Fundo Mundial de Luta contra a AIDS, a Tuberculose e a Malária.

O portal também traz uma retrospectiva dos altos e baixos do PIB cubano e a nova postura do país frente ao empreendedorismo privado. Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular (parlamento cubano) e alto dirigente do Partido Comunista, comentou ao Opera Mundi: “Para essa tarefa, [de defender o socialismo e levá-lo ao futuro] precisamos entender qual o socialismo possível, capaz de trazer desenvolvimento e prosperidade para as novas gerações. Não temos medo de criticar nossos próprios erros, pois não há outra forma de construir um projeto histórico de nação.”

Bloqueio sobrevive a Barack Obama

Recomendo a leitura dessa série de reportagens. Elas foram feitas in locu. Revelam o drama, a luta e a opressão a que os cubanos foram submetidos. E trazem as indações de uma nova geração de cubanos e as discussões de uma sociedade que se reinventa. Relatos como esses têm muito a contribuir para melhor compreendermos a situação de Cuba e como o bloqueio norte-americano afetou o país. Aliás, bloqueio este que continua pressionando a economia local: mesmo com a eleição de Barack Obama, as diretrizes norte-americanas para com a Ilha pouco mudaram. Isto apesar de, pela 20ª. vez, a Assembleia Geral das Nações Unidas ter deliberado contra a política dos Estados Unidos em relação a Havana. Tio Sam sofreu a sanção de 186 nações que subscreveram a decisão, com três abstenções. Na ocasião, apenas Israel votou com os EUA.

UPALC SE ANEXA A LA INTERNACIO​NAL CRISTIANA-​BOLIVARIAN​A DE IZQUIERDA

Fernando Yépez Rivas Comunica

Quito DM, 09 de febrero del 2012

Compañero
Adríán Méry Viancos
Coordinador Fundador Protémpore de la
INTERNACIONAL CRISTIANA- BOLIVARIANA DE IZQUIERDA
Ocumare del Tuy-Miranda
VENEZUELA.-

Saludos cordiales camarada Adrián:

Luego de saludarlo afectuosamente, permítanos celebrar la importante e histórica iniciativa de crear esta nueva Organización de la Izquierda Progresista en Latinoamérica. Como existen sólidas coincidencia de principios y compromisos de lucha Revolucionaria, entre ustedes y La Unión de los Pueblos de América Latina y El Caribe-UPALC. Por medio de esta misiva que tiene el carácter de oficial, manifestamos nuestra decisión de anexarnos como organización al trabajo coyuntural con la INTERNACIONALCRISTIANA-BOLIVARIANA DE IZQUIERZA.

Por el momento seguiremos en contacto por este medio electrónico. Y dejamos la oportunidad abierta, para planear en el tiempo menos posible una reunión , para firmar el documento que nos vincula orgánicame con la Internacional Cristiana-Bolivariana de Izquierda-ICBDI.

¡VIVIREMOS Y VENCEREMOS...JUNTOS SOMOS MÁS FUERTES!

Atentamente;

Fernanda María Tardin
Fernando Yépez Rivas
Miembros-Fundadores de UPALC ( Union de Los pueblos de Nuestra America)
Vitoria-ES/Brasil e Quito-Ecuador
 
 
 
 CONVOCATÓRIA de INTEGRAÇÃO: O QUE É  e COMO INTEGRA A -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 
En la Internacional Cristiana-Bolivariana de Izquierda: pasamos a la etapa de la CONSOLIDACIÓN, se invita a los líderes o asambleas direccionales de los partidos políticos, movimientos políticos, sociales, células y/u organizaciones que se quieran adherir a esta fundacional, con motivo de su adhesión a la asamblea ALBA-TCP (Alternativa Bolivariana para la América -Tratado de Comercio de los Pueblos); formular su petición escrita de adhesión a esta Internacional con comunicación dirigida a: Adrián Méry Viancos - Coordinador fundacional protempore de la Internacional Cristiana-Bolivariana de Izquierda, Presidente de la Izquierda Cristiana de Venezuela; al correo: icvenezuela@hotmail.com o a la dirección: , Centro Comercial Los Ángeles. Nivel plaza, local 4: Sede Izquierda Cristiana de Venezuela; plaza Miranda. Av Rivas. Ocumare del Tuy. Estado Miranda. República Bolivariana de Venezuela. Favor si es posible esta semana. Gracias por su lucha compañer@s !
NOTA: posee persona jurídica indicarlo, si no, favor indicar número de identidad del (@s) responsable (s).

"Pongamos sin temor la piedra fundamental de la libertad suramericana. Vacilar es perdernos." Simón Bolívar

Internacional Cristiana-Bolivariana de Izquierda
Revolución con Integración !!!
No internacional Cristiana-Bolivariana da esquerda: chegamos à fase de consolidação, convida os líderes ou assemblies direcionais partidos políticos, políticos, movimentos sociais, células e/ou as organizações que desejam aderir a esta Fundação, aquando da sua adesão para o Assembly de ALBA-TCP (Alternativa Bolivariana para as Américas - Tratado de comércio dos povos); formular o seu pedido escrito adesão à presente comunicação internacional dirigida r: Adrian Méry Viancos - fundador coordenador tempore da Internacional Cristiana-Bolivariana da esquerda, Presidente da esquerda cristã da Venezuela; e-mail: icvenezuela@hotmail.com ou para o endereço:, Centro Comercial Los Angeles. Nível plaza, 4 local: sede da esquerda cristã da Venezuela; Praça Miranda. AV Rivas. Ocumare del Tuy. Estado de Miranda. República Bolivariana da Venezuela. Por favor, se possível esta semana. Obrigado por seus companheiros de luta!
Nota: tem entidade jurídica indicá-lo, se não, por favor, indique o número de identidade do (@ s) responsável (s).

"Vamos sem temor a pedra angular da liberdade Sul-americana." "Hesitação está a perder-nos." Simón Bolívar internacional Cristiana-Bolivariana da revolução à esquerda com integração! (Traduzido por Bing)

Os Candidatos a Prefeito de Vitória são os 'procurados' por cx. 2 de FURNAS.ó ES de Deus, Olhaí por nós.

a relação documentada abaixo é o cx. 2 de Furnas aos capixabas. Notem que TODOS os candidatos de el rei ( hartung) estao incluidos como beneficiados na lista de furnas. Os candidatos de el rei: http://www.seculodiario.com.br/exibir_not_coluna.asp?id=17180 , ( confira) .

São elles: Luiz Paulo Veloso Lucas, Ricardo Ferraço e Cesar Colnago. rsrs ó ES de DEUS, olhaí por nós capixabas, livrai-nos deste mal, amem.
 


  • 15 compartilhamentos

    • Dagmar Vulpi Nanda em uma de nossas postagens no blog do Consciência Política já haviamos divulgado este documento. Muito bom o SD fazer esta matéria. bjs
      há 12 horas · · 1

    • Fernanda Tardin bjao hermano, saudades, mas sei que caminhamos colados. bj
      há 12 horas ·

    • Dagmar Vulpi Sempre!
      há 12 horas · · 1

    • Manancial de Paz Se a LIGHT for a daqui do RJ, qual será o interesse em patrocinar suas excelências do ES e o Serra? Energia elétrica do RJ está sendo paga pelos cariocar para financiar candidatos capixabas? É isso? ABSURDO! Não deveriam patrocinar campanha nem dos de cá, nem tão pouco dos de outros Estados. Pior, é como as excelências irão e de que forma os favores benevolentes dos tubarões da infra estrutura brasileira.
      há 12 horas · · 1

    • Iran Caetano Pois é querida companheira. Essa coisa já sabíamos. Somente não estava tão escancaradamente explicitada.
      há 11 horas · · 1

    • Maria Bethania Tardin Waichert Seria muito bom se estas verdades fossem publicadas nos jornais, o capixaba precisa conhecer sua história e seus políticos, pois um povo que vota em magno malta para o senado....
      há 2 horas · · 1

    • Fernanda Tardin Iran Caetano e Maria Bethania Tardin Waichert, camaradas de ontem , mestrs e cmpas de Hoje ( Iran a Betha além de tudo é minha tia e comadre- ' bença ' tia) temos MIMIOGRAFOS PRA QUE? Temos história e retomaremos. Bora 'mimiografar' e distribuir. bj
      há ± um minuto ·

    • Fernanda Tardin DETALHE o tesoureira era Ferracinho.
      alguns segundos atrás ·

Supremo valida lei Maria da Penha mesmo sem denúncia da vítima

Supremo valida lei Maria da Penha mesmo sem denúncia da vítima

Julgamento: relator valida Lei Maria da Penha


O ministro Marco Aurélio de Mello recomendou nesta quinta-feira (9) ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que a Lei Maria da Penha (11.340/06) deve ser aplicada independente das vítimas de violência doméstica denunciarem seus agressores. Mais cedo, a mais alta corte do Brasil referendou a constitucionalidade da legislação, que foi julgada em uma ação direta, que tem o ministro Marco Aurélio como relator.


STF julga lei maria da penha
A farmacêutica Maria da Penha, vítima de violência doméstica que deu nome à lei que pune agressores

“A mulher é vulnerável quando se sujeita a afeição afetiva e também é subjugada pela diferença na força física”, avaliou. “A Lei Maria da Penha retirou da clandestinidade as milhares de mulheres agredidas”, defendeu o relator.

O Supremo julga duas ações propostas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que pretendem garantir a aplicação da lei para coibir a violência doméstica.O julgamento prosseguia até às 19h30 desta quinta.

Atualmente, para que seja cumprida a Lei Maria da Penha, a mulher que sofre agressão precisa tomar a iniciativa e entrar com uma representação contra o agressor, que normalmente é seu companheiro. A ação de iniciativa da Procuradoria-Geral da República defende que a violência contra mulheres não é uma questão meramente privada, mas sim merecedora de uma ação penal pública. Se o plenário do Supremo seguir a recomendação do relator e aprovar, o Ministério Público passará a ter a prerrogativa de denunciar agressores e as vítimas não poderão voltar atrás.

Marco Aurélio lembrou que estudos indicam que 90% das mulheres que chegam a fazer o boletim de ocorrência desistem de processar seus agressores. Para o ministro, deixar a denúncia a cargo da vítima “significa desconsiderar o temor, a pressão psicológica e econômica, as ameaças sofridas, bem como a assimetria de poder decorrente de relações histórico-culturais, tudo a contribuir para a diminuição de sua proteção e a prorrogação da violência”.

A mais eloquente durante o primeiro dos dois julgamentos foi a ministra Cármen Lúcia. “Gostamos dos homens. Mas não queremos carrascos”, disse. Ela fez questão de mencionar que, enquanto mulheres sofrerem violência doméstica, sem amparo da lei, ela mesma se sentirá agredida.

As exceções da decisão, se aprovada, serão nos casos de lesões culposas (acidentais). Os críticos da Maria da Penha alegam exatamente que ela fere o princípio da isonomia ao tratar a mulher de forma diferenciada.

Ainda será avaliada a autonomia política de cada Estado para definir os casos de agressão e firmar que a violência contra as mulheres seja equiparada a crimes menos danosos e com penas menores.

Lei válida

O STF referendou por unanimidade a validade da lei. Para Marco Aurélio, “a mulher é eminentemente vulnerável quando se trata de constrangimentos físicos, morais e psicológicos em âmbito privado” e a Justiça deve tratar os desiguais de forma desigual para que haja igualdade real. “A abstenção do estado na promoção da igualdade de gêneros implica situação da maior gravidade político-jurídica”, disse.

Surpresa

O advogado do Senado, Alberto Cascais, causou polêmica no plenário do Supremo Tribunal Federal ao defender a manutenção dos dispositivos na Lei Maria da Penha que exigem a representação da vítima para realização de processos criminais. Para ele, um processo sem o consentimento da suposta vítima, não solucionaria o problema da violência doméstica. “E causariam repercussão negativa no seio familiar. Inviabilizariam a conciliação (do casal), seria uma decisão contrária à vontade da vítima”, resumiu”.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Iriny Lopes, se disse surpresa com a declaração: “Não acredito que ele represente o Senado, representa a posição do próprio advogado”.

A senadora Marta Suplicy (PT) disse que já pediu uma apuração sobre a declaração do advogado para saber quem ele representa, de fato: “O que ele defendeu foi o contrário do aprovado pelo Senado, que é favorável a constitucionalidade da Lei Maria da Penha”.

FONTE:
http://www.vermelho.org.br/prosapoesia/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=175340
Com agências e Secretaria de Política para Mulheres