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domingo, 25 de novembro de 2012

Riocentro - MODUS OPERANDI atualissimo: Bomba no Riocentro: dossiê revela farsa de militares


Um dos assassinos, o então capitão Wilson Luiz Chaves Machado, é, hoje,
coronel e vive à custa dos impostos pagos pelos contribuintes.
E, pior, esse assassino é professor no Colégio Militar de Brasília. 
Imaginem o que ele ensina por lá.
É acobertando tipos como esse que o exército quer ser respeitado?
---
Silvio de Barros Pinheiro.
Santos.SP.
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Bomba no Riocentro: dossiê revela farsa de militares

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Bomba no Riocentro: dossiê revela farsa de militares



Bomba no Riocentro: dossiê revela
farsa dos militares
Documentos mostram como comandante do DOI-Codi agiu para responsabilizar esquerda 

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Documentos mostram como comandante do DOI-Codi agiu para responsabilizar a
esquerda 
PORTO ALEGRE - Missão Nº 115. Esse era o nome oficial da vigilância desencadeada
pelos serviços de espionagem do Exército no centro de convenções Riocentro, no Rio,
em 30 de abril de 1981, quando 20 mil pessoas ali se reuniam para um show musical
em protesto contra o regime militar. Duas bombas explodiram lá, e os agentes
“supervisores” da ação foram as únicas vítimas do episódio, que lançou suspeitas sobre
atividades terroristas praticadas por militares e mergulhou em agonia uma ditadura
que vinha desde 1964 e acabaria sepultada em 1985. Tudo isso a população brasileira já
intuía, por meio de depoimentos.
O que até agora permanecia oculto — e está sendo revelado pelo jornal “Zero Hora” —
são registros de militares envolvidos no episódio e manobras de abafamento do incidente,
arquitetadas por servidores da repressão.


No dia 30 de abril de 1981 uma bomba explodiu dentro de um carro no estacionamento do Riocentro
Foto: O Globo / Arquivo

Documentos mostram como comandante do DOI-Codi agiu para responsabilizar esquerda 

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No dia 30 de abril de 1981 uma bomba explodiu dentro de um carro no estacionamento do Riocentro O Globo / Arquivo

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No dia 30 de abril de 1981 uma bomba explodiu dentro de um carro no estacionamento do Riocentro O Globo / Arquivo 

O segredo está em arquivos que eram guardados em casa pelo coronel
reformado do Exército Julio Miguel Molinas Dias — assassinado aos 78 anos,
em 1º de novembro, em Porto Alegre, vítima de um crime ainda nebuloso.
Molinas Dias era, na época do atentado, comandante do Destacamento de
Operações e Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi)
do Rio de Janeiro, o Aparelhão. O arquivo do coronel continha 200 páginas,
várias delas encabeçadas pelo carimbo “confidencial” ou “reservado”.
O calhamaço evidencia que o aparelho repressivo militar tentou maquiar o cenário
do Riocentro para fazer com que as explosões parecessem obra de guerrilheiros
esquerdistas.

Os registros estavam guardados pelo minucioso oficial. A unidade comandada por
Molinas era responsável por espionar e reprimir opositores ao regime militar.
O DOI-Codi era localizado dentro do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão
de Mesquita, no bairro da Tijuca. Ao se aposentar, o coronel levou para casa documentos
preciosos, contando pormenores da sigilosa rotina da caserna. O dossiê deixa transparecer
que a bomba no Riocentro também fez estragos dentro da sede do DOI-Codi, distante
30 quilômetros do centro de eventos.

 
Oficiais forjaram o cenário

Em meio aos papéis, surgem evidências de que oficiais forjaram fatos. Há inclusive uma
orientação para simular o furto do veículo pertencente ao sargento que morreu na explosão,
no sentido de desaparecer com pistas que seriam comprometedoras.

O acervo de Molinas foi arrecadado pela Polícia Civil gaúcha após o assassinato dele e revela
detalhes inéditos do lado de dentro dos portões de uma das mais temidas unidades das Forças
Armadas durante os anos de chumbo

“Zero Hora” teve acesso a memorandos datilografados e também manuscritos, no qual o
coronel registra a mobilização que se instalou naquele quartel-sede da espionagem política do
Brasil, imediatamente após a explosão. São ordens, contraordens e telefonemas com a
finalidade de evitar que fatos e versões indigestas ao Exército viessem à tona.
Os papéis contêm medidas de prevenção para segurança de militares, recomendações para
não serem fotografados e relação de bombas e artefatos explosivos no paiol do quartel para
destruição coletiva e individual. Mas o mais espesso lote de documentos do coronel é do tempo
em que ele dava as ordens no comando do DOI.

De próprio punho, o coronel Molinas teria redigido parte desses memorandos, divididos em dias,
horas e minutos. Trabalho facilitado porque era detalhista. Em meio à papelada sobressaem-se
relatórios sobre o desastroso atentado no centro de convenções Riocentro. Uma das duas bombas
que explodiram durante um show musical acabou matando o sargento Guilherme Pereira do Rosário
e ferindo com gravidade o capitão Wilson Luiz Chaves Machado, chefe da seção de Operações do
DOI-Codi.

Os papéis do coronel Molinas mostram que Rosário tinha o codinome de Agente Wagner e Wilson
era chamado Dr. Marcos (militares de baixa patente eram chamados de agentes e oficiais eram
doutores, na gíria da espionagem).


Via SILVIO PINHEIRO

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