A SEMANA
COMO VENDER UM PAÍS –
FHC
Laerte Braga
Ao mesmo tempo em que a Mercedes (e outras empresas)
financiavam a Operação Bandeirantes para dar suporte à repressão contra os
resistentes ao golpe de 1964, Fernando Henrique Cardoso desfilava de Mercedes
em Santiago do Chile (onde estava “exilado”), já dentro do bolso da Fundação
Ford.
Foi um dos fundadores de um organismo voltado para a América
Latina cujo principal objetivo era abrir as portas para o controle
norte-americano sobre essa parte do mundo e em particular o Brasil, até então,
a principal potência latino-americana.
O grande receio dos EUA é que o Brasil retomasse programas
nucleares com caráter militar, acentuasse o controle de tecnologias de foguetes
e satélites e recuperasse o poder de empresas como a ENGESA e a IMBEL
(indústria bélica).
Uma força armada bem equipada, detentora de tecnologias de
ponta nesses setores considerados estratégicos para o domínio que mantêm sobre
o mundo, não interessava e nem interessa aos norte-americanos.
E principalmente independente. Livre das lavagens cerebrais
das escolas de formação de golpistas e torturadores espalhadas por todo o
mundo.
Fernando Henrique foi decisivo nesse processo de submissão e
isso vem a tona agora com novas revelações do site WIKILEAKS, como explica a
sede que os Estados Unidos têm sobre Julian Assange, ora refugiado na embaixada
do Equador em Londres.
Telegramas da Embaixada norte-americana em Brasília mostram
o inteiro teor das pressões e do controle sobre as pretensões brasileiras e
sobre FHC, homem chave no processo de recolonização do Brasil, como de resto, o
tucanato.
Num dado momento as esperanças foram depositadas em Collor
de Mello. Empossado na presidência da República o caçador de marajás foi até a
Serra do Cachimbo fechar um “buraco”, aparentemente destinado a experimento com
armas nucleares desenvolvidas pelo Brasil.
Os telegramas mostram as pressões sobre o governo da Ucrânia
no caso do acordo de uso da base de lançamentos em Alcântara.
A mídia, dócil e no bolso dos EUA, nunca tratou dessa
questão.
Para reconstruir a avidez com que FHC se jogava no braço do
poder na tentativa de implementar o projeto norte-americano para o Brasil basta
lembrar alguns episódios.
No início do processo de impedimento do ex-presidente Collor
de Mello, em meio ao naufrágio, Collor tentou salvar-se oferecendo ao País a
nomeação de FHC como uma espécie de primeiro-ministro, na presunção de dar
credibilidade ao seu governo. Sem consultar a ninguém em seu partido, mas
recebendo ordens de fora, o então senador disse a imprensa que estava pronto
para colocar ordem na casa.
Houve fortes reações, a queda de Collor era inevitável e FHC
ficou falando às moscas.
Quando Tancredo foi eleito presidente da República FHC
ofereceu-se para ser ministro e foi rejeitado com um comentário jocoso e
depreciativo do ex-presidente. Virou ministro de Itamar, terminou candidato a
presidente e traiu ao próprio Itamar no golpe branco da reeleição.
E foi por aí que a venda do Brasil ganhou contornos nítidos
através de privatizações, abertura do mercado financeiro para bancos
estrangeiros, controle da mídia por grupos estrangeiros (o grupo Murdoch é
sócio das Organizações GLOBO e se tirar o capital que tem lá a empresa quebra).
O fim do monopólio estatal do petróleo (na hora agá faltou
peito para privatizar a PETROBRAS, nem a direita das forças armadas aprovava),
mas entregou o subsolo de boa parte de nosso território à VALE, abriu as portas
para a crescente internacionalização da Amazônia e entregou setores estratégicos
como a EMBRAER, a essa altura, já detentora de tecnologias capazes de em curto
prazo transformá-la em concorrente das grandes empresas do mundo, notadamente
as norte-americanas.
Assinou o tratado de prescrição de armas nucleares e colocou
o Brasil a reboque dos EUA, mais ou menos como nossas forças armadas
responsáveis pelo trânsito nas ruas do Haiti, isso já no governo Lula.
Alcântara só não virou território norte-americano dentro do
Brasil por conta da rejeição pelo Congresso e pelo governo Lula de um tratado
nesse sentido.
O principal acionista dos EUA, o Estado terrorista de
Israel, em função de toda essa engenharia de entreguismo tucano/FHC, é hoje o
controlador também da indústria bélica brasileira.
A Lula coube, no início de seu governo, rejeitar o tratado
que cedia Alcântara e depois escancarar o País no acordo de livre comércio com
Israel (uma no cravo e outra na ferradura).
As tecnologias essenciais a uma independência real e efetiva
nesse novo mundo neoliberal, capazes de permitirem uma alternativa a essa forma
de totalitarismo capitalista, foram para o espaço. FHC foi mais ou menos 50
anos para trás.
O caráter de FHC pode ser visto em mais dois fatos
determinantes.
Quando George Bush decidiu invadir o Iraque com a desculpa
das armas químicas e biológicas a AGÊNCIA INTERNACIONAL NUCLEAR era presidida
pelo embaixador brasileiro José Maurício Bustani, um dos mais categorizados
diplomatas brasileiros. Bustani reagiu às pressões dos EUA e os relatórios dos
inspetores enviados ao Iraque não eram conclusivos sobre a presença das ditas
armas.
Bush passou por cima do Conselho de Segurança depois de
criar armadilha para Bustani e destituí-lo da Agência com falsas acusações.
Países que estavam em débito com a citada Agência tiveram suas dívidas quitadas
pelos EUA e adquiriram direito de voto destituindo Bustani. FHC ficou calado,
aceitou o insulto sem reagir, típico de canalhas. É remunerado pela Fundação
Ford, está na “folha”.
Na eleição de 2010, fato denunciado por este jornalista com
fotos e testemunhos, participou de um evento em Foz do Iguaçu, junto a
investidores norte-americanos, onde anunciou que a eleição de Serra
significaria a privatização de tudo aquilo que não fora possível privatizar em
seu governo (a denúncia que fiz foi a partir de corajosos companheiros que
fotografaram FHC no evento, anotaram seu discurso e o evento foi promivod por
um “ex” diretor da GLOBO).
Por mais graves que sejam quaisquer outros fatos desta
semana que termina, esse é o mais grave, pois mostra o tamanho do processo de
ocupação do Brasil. É preciso repensar a luta. O governo Dilma é fraco, tem se
mostrado incapaz de enfrentar e reverter esse processo, pratica políticas
neoliberais, o PT hoje é um PSDB disfarçado no clube de amigos e inimigos
cordiais do mundo institucional. O mundo do sai Demóstenes, entra outro
empregado de Cachoeira.
Toda essa história pode ser lida, inclusive alguns
telegramas, no artigo do jornalista Beto Almeida no link
Esse é o perfil de FHC, o real, esse é o caráter tucano.
Essa é a demonstração cabal que a luta é nas ruas, não no mundo
institucional.
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