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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Camilo Cola, o empresario BOÇAL

Guerra acusa dono da Itapemirim pelo assassinato de jornalista

Em livro, ex-delegado afirma que Camilo Cola pediu para linha dura do regime militar matar dono do jornal Povão, nos anos 80.

Tales Faria e Adriano Ceolin, iG Brasília | 04/05/2012 08:00:10

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Em uma das revelações do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra acusa o ex-deputado Camilo Cola (PMDB-ES) – proprietário da Viação Itapemirim – de encomendar a morte do dono de um jornal sediado em Vitória (ES).
Na versão de Guerra, Cola apoiava ações clandestinas da linha dura do regime militar. O delegado afirma que ele era próximo ao coronel Freddie Perdigão, um dos líderes das ações contra movimentos de esquerda.
“Muito próximo do coronel Perdigão, ele (Cola) arrecadava recursos entre grandes empresas, como a Gasbrás e a White Martins, e levava em mãos para o coronel”, afirma Guerra, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.
Por conta dos serviços prestados ao grupo, Cola, no começo dos anos 80, pediu a Perdigão que se encarregasse do assassinado o jornalista José Roberto Jeveaux.
"Já fora do SNI (Serviço Nacional de Informações), o coronel havia criado uma empresa de investigação, e Camilo encomendou uma crime de mando. O jornalista José Roberto Jeveaux, dono de um periódico de pouca expressão em Vitória, o Povão, estaria chantageando o empresário", acusa Guerra.
Segundo o livro, ele estaria chantageando o empresário capixaba.
“Ele tinha perdido a paciência e queria uma solução definitiva para o caso. Perdigão escalou uma equipe mista, com gente do Rio e de Minas, para dar um fim no jornalista. Seu corpo nunca apareceu”, afirma Guerra em depoimento aos jornalistas.
“José Roberto Jeveaux havia patrocinado um livro sobre mim, O cana dura, redigido por Pedro Maia, e eu não quis participar da sua execução. Frequentávamos a casa um do outro, e não me envolveram nisso. Todo o grupo que participou do crime sumiu também”, completa Guerra.
A reportagem do iG entrou em contato com a assessoria do empresário Camilo Cola na tarde de ontem, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta.


Enviada por Safrany- Comite de Familiares e Desaparecidos Politicos de SP

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