From:Nilva Souza
PINHEIRINHO - RELATÓRIO PRELIMINAR DA
VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL
Introdução
No dia 22 de janeiro de 2012, um grande efetivo policial, formado por aproximadamente dois mil
homens da Polícia Militar de São Paulo (provenientes de batalhões de municípios do Vale do Paraíba,
do Litoral Norte e até da capital) e da Guarda Civil Municipal de São José dos Campos, apoiado por
dois helicópteros e pelo menos um carro blindado da PM, além de várias viaturas policiais, ambulâncias
e um caminhão dos bombeiros, invadiu e despejou centenas de famílias - um número incerto entre
3000 e 9000 pessoas - que há oito anos ocupavam um terreno de cerca de 1 milhão de m2 no local
conhecido como Pinheirinho, Zona Sul de São José dos Campos.
A operação iniciou-se por volta das 5:30h de domingo e pegou a grande maioria dos moradores ainda
dormindo ou despertando. Moradores e ativistas de movimentos sociais, que se encontravam na cidade
há cerca de uma semana, apoiando os sem-teto e aguardando o desfecho da batalha jurídica e política
em torno do despejo, imediatamente começaram a registrar e divulgar por sites e redes sociais da
Internet, imagens de policiais fazendo uso abusivo de violência contra moradores desarmados,
utilizando indiscriminadamente bombas de gás, spray de pimenta e projéteis de borracha. Algumas
imagens mostraram guardas municipais empunhando armas com munição letal. Como relatou o jornal
britânico The Guardian1, somente após e devido essa mobilização de informação alternativa, a mídia
corporativa brasileira começou a divulgar algumas imagens e relatos da brutalidade das forças estatais
na operação.
Os fatos divulgados publicamente desde então são suficientes para caracterizar violações em massa
cometidas durante o despejo. A OAB federal, a relatoria sobre moradia da ONU e o próprio governo
federal (que poderia ter agido muito antes e com muito mais empenho para evitar o desfecho brutal) já
se pronunciaram neste sentido2. Entretanto, o caso é muito mais grave: envolveu conflitos sérios entre
as esferas federal e estadual, ao nível do judiciário e do executivo, tratamentos degradantes aos
despejados durante e após a operação, obstrução ao trabalho da imprensa e de organizações e
instituições defensoras dos direitos humanos, destruição e abandono ao saque dos bens das famílias
despejadas por parte do poder público.
Até o momento de conclusão deste relatório preliminar não foi possível comprovar as mortes que,
segundo relatos de alguns dos moradores removidos, teriam acontecido na ação de despejo e nos
confrontos posteriores em que as forças policiais agiram contra moradores nos bairros vizinhos. Por
exemplo, segundo um dos moradores do Campo dos Alemães, Edson, “tem famílias de pessoas
desaparecidas que estão sendo ameaçadas. Se falar vão morrer. Só que nem consegue achar os corpos.
Ninguém sabe onde estão os corpos”.
Pudemos, porém, comprovar que famílias ficaram dispersas, com seus integrantes sem contato entre si
por horas ou mesmo dias, como no caso de Antônio Carlos dos Santos, funcionário da Prefeitura de
Caçapava, que, ao menos até os dias logo subsequentes à desocupação, estava procurando sem êxito
por sua família. Crianças sofreram com disparos e ação de gás, e se perderam de seus pais. Alguns
feridos ficaram em estado grave e podem sofrer sequelas permanentes. Os repetidos relatos de
desaparecimentos e óbitos sugerem que as buscas e investigações nesse sentido devem prosseguir.
Mais de uma fonte de nossos relatos mencionou a existência de vítimas fatais do despejo enterradas na
localidade conhecida como Mangueira, nos limites do terreno, e membros das organizações que assinam este
documento foram ao local no dia 27/01, porém não foi possível efetuar uma busca exaustiva devido à grande
área envolvida, bastante acidentada e com muita vegetação.
Curiosamente, no dia 28/01, o jornal local “O Vale” publicou notícia, dando como fonte “traficantes que atuam na
região”, de que na mesma localidade existiria um cemitério clandestino do tráfico, e a policia civil teria
afirmado já ter ouvido “boatos” nesse sentido3. Ressaltamos a estranheza da notícia, pois é totalmente
incomum criminosos se auto-incriminarem divulgando informações como essa.
Leia mais :
http://xa.yimg.com/kq/groups/11057780/2081157165/name/Pinheirinho_relatorio_peliminar_da_violencia_institucional.pdf
PINHEIRINHO - RELATÓRIO PRELIMINAR DA
VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL
Introdução
No dia 22 de janeiro de 2012, um grande efetivo policial, formado por aproximadamente dois mil
homens da Polícia Militar de São Paulo (provenientes de batalhões de municípios do Vale do Paraíba,
do Litoral Norte e até da capital) e da Guarda Civil Municipal de São José dos Campos, apoiado por
dois helicópteros e pelo menos um carro blindado da PM, além de várias viaturas policiais, ambulâncias
e um caminhão dos bombeiros, invadiu e despejou centenas de famílias - um número incerto entre
3000 e 9000 pessoas - que há oito anos ocupavam um terreno de cerca de 1 milhão de m2 no local
conhecido como Pinheirinho, Zona Sul de São José dos Campos.
A operação iniciou-se por volta das 5:30h de domingo e pegou a grande maioria dos moradores ainda
dormindo ou despertando. Moradores e ativistas de movimentos sociais, que se encontravam na cidade
há cerca de uma semana, apoiando os sem-teto e aguardando o desfecho da batalha jurídica e política
em torno do despejo, imediatamente começaram a registrar e divulgar por sites e redes sociais da
Internet, imagens de policiais fazendo uso abusivo de violência contra moradores desarmados,
utilizando indiscriminadamente bombas de gás, spray de pimenta e projéteis de borracha. Algumas
imagens mostraram guardas municipais empunhando armas com munição letal. Como relatou o jornal
britânico The Guardian1, somente após e devido essa mobilização de informação alternativa, a mídia
corporativa brasileira começou a divulgar algumas imagens e relatos da brutalidade das forças estatais
na operação.
Os fatos divulgados publicamente desde então são suficientes para caracterizar violações em massa
cometidas durante o despejo. A OAB federal, a relatoria sobre moradia da ONU e o próprio governo
federal (que poderia ter agido muito antes e com muito mais empenho para evitar o desfecho brutal) já
se pronunciaram neste sentido2. Entretanto, o caso é muito mais grave: envolveu conflitos sérios entre
as esferas federal e estadual, ao nível do judiciário e do executivo, tratamentos degradantes aos
despejados durante e após a operação, obstrução ao trabalho da imprensa e de organizações e
instituições defensoras dos direitos humanos, destruição e abandono ao saque dos bens das famílias
despejadas por parte do poder público.
Até o momento de conclusão deste relatório preliminar não foi possível comprovar as mortes que,
segundo relatos de alguns dos moradores removidos, teriam acontecido na ação de despejo e nos
confrontos posteriores em que as forças policiais agiram contra moradores nos bairros vizinhos. Por
exemplo, segundo um dos moradores do Campo dos Alemães, Edson, “tem famílias de pessoas
desaparecidas que estão sendo ameaçadas. Se falar vão morrer. Só que nem consegue achar os corpos.
Ninguém sabe onde estão os corpos”.
Pudemos, porém, comprovar que famílias ficaram dispersas, com seus integrantes sem contato entre si
por horas ou mesmo dias, como no caso de Antônio Carlos dos Santos, funcionário da Prefeitura de
Caçapava, que, ao menos até os dias logo subsequentes à desocupação, estava procurando sem êxito
por sua família. Crianças sofreram com disparos e ação de gás, e se perderam de seus pais. Alguns
feridos ficaram em estado grave e podem sofrer sequelas permanentes. Os repetidos relatos de
desaparecimentos e óbitos sugerem que as buscas e investigações nesse sentido devem prosseguir.
Mais de uma fonte de nossos relatos mencionou a existência de vítimas fatais do despejo enterradas na
localidade conhecida como Mangueira, nos limites do terreno, e membros das organizações que assinam este
documento foram ao local no dia 27/01, porém não foi possível efetuar uma busca exaustiva devido à grande
área envolvida, bastante acidentada e com muita vegetação.
Curiosamente, no dia 28/01, o jornal local “O Vale” publicou notícia, dando como fonte “traficantes que atuam na
região”, de que na mesma localidade existiria um cemitério clandestino do tráfico, e a policia civil teria
afirmado já ter ouvido “boatos” nesse sentido3. Ressaltamos a estranheza da notícia, pois é totalmente
incomum criminosos se auto-incriminarem divulgando informações como essa.
Leia mais :
http://xa.yimg.com/kq/groups/11057780/2081157165/name/Pinheirinho_relatorio_peliminar_da_violencia_institucional.pdf
Via REDE [A rede castorphoto
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