Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?

Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?
LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA KIT COLETA Todo cidadão/cidadã pode buscar voluntariamente as assinaturas para o projeto. Disponibilizamos abaixo um kit com o material necessário para o diálogo nas ruas. Clique na imagem acima.

Seguidores

#naovaitergolpe

#naovaitergolpe
Acesse Frente Brasil Popular

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Peso das Eleições Municipais

O Peso das Eleições Municipais
por Marcos Coimbra

O ano mal começou, mas as atenções do meio político já se voltam para as eleições municipais de outubro. Tendemos a dar-lhes uma importância que, raramente, têm. Talvez por sermos um país marcado pela excepcionalidade da democracia – o que nos leva a considerar qualquer eleição como “fundamental” -, talvez por fazermos uma analogia equivocada com o processo político de outros países, não costumamos olhá-las pelo que, efetivamente, representam.
Elas não equivalem, por exemplo, às eleições “de meio período” norte-americanas, embora ocorram, aqui e lá, sempre no segundo ano de uma administração. Nos Estados Unidos, como em outros países, as chamadas midterm elections renovam parte do Legislativo nacional e servem de aferição de aprovação presidencial na metade do mandato. Ter nelas um mau desempenho (como aconteceu, em 2010, com o Partido Democrata), é visto como sinal de dificuldades na eleição seguinte.
No Brasil, não faz sentido imaginar que os votos nos candidatos a prefeito ou vereador sejam manifestações a favor ou contra o presidente e seu governo. Temos uma ampla evidência, baseada em estudos e pesquisas, que mostra que a vasta maioria dos eleitores não escolhe dessa maneira os ocupantes desses cargos.
Desde a redemocratização, somente em 1988 tivemos uma eleição em que uma pauta nacional foi relevante na escolha de prefeitos. É a exceção que confirma a regra. Depois de ter vencido, em 1985, as eleições em 19 capitais, e de ter feito, em 1986, 22 governadores (nos 23 estados então existentes), o PMDB de Sarney encolheu em 1988. Manteve apenas quatro capitais, enquanto os partidos de esquerda (PT, PDT e PSB) ganharam em dez, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
Muitas coisas explicam esses resultados, entre as quais os episódios de Volta Redonda, a uma semana da eleição, quando três operários em greve foram mortos por tropas do Exército, na entrada da Companhia Siderúrgica Nacional. Nem precisa dizer o quanto isso chocou o País, recém-saído da ditadura.
Em questão de dias, as pesquisas mostraram o crescimento de candidaturas de oposição ao governo, com claro indício de que estava em formação uma onda de votos de protesto. Começou a ficar claro, ali, o quadro muito desfavorável ao Sarney e ao PMDB, que se concretizaria na eleição presidencial do ano seguinte. Em 1989 foram 22 candidatos, todos contra Sarney.
Em nenhuma eleição municipal subsequente tivemos coisa parecida. Todas ocorreram na normalidade, sem eventos traumáticos que atingissem o eleitorado como um todo. Sequer o impeachment de Collor, a três dias das eleições de 1992, teve esse efeito. Por isso, o que aconteceu nelas teve pequena ou nenhuma consequência na eleição presidencial a seguir. Ao contrário do que imaginam alguns, elas nunca foram uma antessala, uma prévia, do que ocorreria dois anos depois.
Perder ou ganhar em muitas cidades não faz com que um partido se saia melhor ou pior na hora de escolher presidentes. Os partidos campeões em prefeitos (como o PMDB e, antigamente, o PFL) nunca se saíram bem, enquanto o PSDB e o PT, partidos apenas médios nesse quesito, venceram todas as últimas.
Triunfos em São Paulo, no Rio e nas grandes capitais não querem dizer (quase) nada. Nem Collor, nem Fernando Henrique, nem Lula precisaram ter prefeitos “seus”nessas cidades para chegar ao Planalto (ou lá permanecer). O mesmo aplica-se a Dilma e voltará a valer caso ela queira disputar o segundo mandato.
Quem precisa mesmo de prefeitos (e vereadores) são os candidatos a deputado de base local, para os quais o voto territorialmente determinado é fundamental ou, no mínimo, um complemento relevante da “cesta de votos”. É por seu impacto na composição da Câmara que as eleições municipais mobilizam as cúpulas nacionais dos partidos.
Em outras palavras: elas importam pouco na definição de quem vai ganhar a eleição presidencial, mas são decisivas para entender como funcionará o governo. A força relativa dos partidos, seu peso no ministério, o papel que desempenharão no Congresso, tudo isso depende de como se saírem nelas.
As eleições municipais são importantíssimas para as cidades e seus moradores. Na nossa administração pública cabe aos municípios assumir responsabilidades por políticas cruciais, especialmente para os pobres. Sem bons prefeitos e vereadores, sua vida concreta fica ainda mais difícil.
É por isso que os eleitores procuram escolher o que de melhor lhes é oferecido. Para alguns (poucos) basta saber de que lado estão os candidatos, a qual partido pertencem. Para a maioria, no entanto, a decisão costuma derivar da difícil avaliação dos atributos pessoais dos concorrentes.
Em 2008, Lula batia recordes de popularidade e a economia vivia ótimo momento. O PT fez 559 prefeituras (pouco mais que 10% do total) e só venceu em uma (Fortaleza) das cinco maiores cidades. Curado da doença, ajudará seu partido mais do que quando estava no poder? Até que ponto?


Enviada pelo autor Via mail

Um comentário: