Em 11 de abril de 2002, a Venezuela sofre uma forte agitação política.No
núcleo da agitação existia um golpe militar, coordenado por um setor do
exercito venezuelano e seu comandante era o General Vázquez Velasco.
No dia 12, o presidente Hugo Chávez liga para Fidel Castro eram
12:38h. Fidel atende o telefone e recebe informes sobre os
acontecimentos no país.
Entre os informes, Chávez diz: "Estamos en el Palacio atrincherados
hemos perdido la forza militar que podia decidir y nos quitaran la señal
de televisión". Dito isso, Fidel pergunta: "que forças tens"? Hugo
Chávez respondeu que contava com 200 a 300 homens e que estavam todos
esgotados. Fidel indaga uma vez mais: "Tanques tienes"? Não temos, havia
tanques, mas retiraram estão agora nos quartéis. Fidel faz a última
pergunta, queria saber se o presidente contava com outras forças. Mas a
resposta não foi satisfatória, o presidente Hugo Chávez disse que havia
outras forças, mas estavam longe e sem comunicação; falou também de um
aliado, tratava-se do General Raúl Isaias Baduel, chefe da Divisão de
Brindados.
Após o informe Fidel pediu ao presidente Chávez para expressar um
ponto de vista sobre a situação; com a devida permissão do presidente,
Fidel disse: "propunha uma saída, através de um acordo digno, pois é
necessário preservar a vida dos homens que tens, eles são fieis, não os
sacrifique. Mas Chávez respondeu que todos estavam dispostos a morrer
lutando.
Eu sei que esses homens são valiosos, mas penso que nestas
circunstâncias tenho melhores condições de refletir que você. Peço que
não renuncies em nenhuma condição, exija garantias honoráveis e
garantias para que não sejas vítima dessa tragédia. O esforço primordial
é para que preserves a tua vida e a de teus companheiros. É importante
que procure alguém com autoridade entre as fileiras golpista e propunha
sua disposição para sair do país, contanto que não renuncie.
Aqui de Cuba, eu tratarei de mobilizar o corpo diplomático em nosso
país e na Venezuela. Também enviaremos dois aviões com nossos
conselheiros e um grupo de diplomatas para transladá-lo.
Hugo Chávez pensou um pouco e finalmente aceitou a proposta do comandante Fidel.
O Comandante cubano elaborou três possibilidades estratégicas para o
problema do golpe. A primeira era ficar dentro do palácio Miraflores e
resistir até a morte; a segunda era sair do palácio e tentar reunir-se
com o povo para desencadear uma resistência nacional com ínfimas
possibilidade de êxito e a terceira era exatamente sair do país de forma
segura e ganhar tempo para reorganizar as forças necessárias para a
vitória.
Em plena madrugada Fidel se reuniu com o corpo diplomático e propôs
que os embaixadores seguissem com Filipe Pérez Roque, Ministro das
Relações Exteriores, à Caracas para, pacificamente, resgatar vivo o
presidente da República.
Inicialmente a proposta não pode ser concretizada, porque os
golpistas não concordaram, comunicando ainda que Hugo Chávez seria
submetido a um Conselho de Guerra.
Chávez tenta conversar com o comando golpista, colocou seu uniforme
de pára-quedista e seguiu acompanhado de seu ajudante, Jesús Suáres
Chourio, para o Forte de Tiuna; Quartel General e posto de mando militar
do golpe.
Nesse momento não havia comunicação, ninguém sabia o que estava
acontecendo; apenas a televisão divulgava esporadicamente que Chávez
tinha se demitido. O objetivo era desmobilizar os partidários de Chávez e
também o povo. Fidel liga para Chávez, mas não consegue completar a
ligação, ele já estava preso.
No dia 12 de abril Fidel fala com a filha do presidente Chávez, Maria Gabriela, que comunicou a prisão do presidente.
Às 10:02h do mesmo dia, Maria Gabriela chama outra vez Fidel e
transmite as palavras de Chávez. De imediato, Fidel pergunta: "tu
estarias disposta a informar ao mundo com tuas próprias palavras"? Ela
responde: "Qué no haria jo por mi padre"?
Então Fidel chama Randy Alonso, jornalista e diretor do Mesa Redonda.
Antes das 11:00h, Randy chama Maria Gabriela, através do telefone
informado por Fidel, e faz a gravação, que Cuba entregou as agencias
credenciadas em Havana e também as transmite pelo noticiário de
televisão.
Às 12:40h do dia 12 de abril de 2002, a informação cubana na própria
voz de Maria Gabriela desmoraliza a CNN, que publicava as mentiras
divulgadas pelos militares. A desmoralização foi motivo de reunião por
parte da direção da CNN.
As noticias veiculadas em Cuba foram escutadas por milhões de
venezuelanos e pelos militares fieis a Hugo Chávez, e ainda serviram
para que a CNN parasse com as mentiras de que o Chávez havia renunciado.
Há noite, precisamente às 11:15h. Maria Gabriela liga para Fidel e
começa falar com voz trágica. O Comandante nem deixou que ela
terminasse, interrompeu a e perguntou: "o que aconteceu?" Maria Gabriela
responde: "Levaram meu pai em um helicóptero, e não sabemos onde ele
está agora". Fidel a interrompe novamente dizendo: "Você tem que
denunciar isso com a sua própria voz". Randy Alonso, estava com Fidel e
também um grupo de dirigentes da juventude, pararam a reunião e Randy
fez a denúncia com a própria voz da filha do Chávez. Mais uma vez, o
mundo sabe a verdade, através de Cuba.
No dia 13 sábado, às 10:00h. Maria Gabriela liga novamente para Fidel
e comunica que os pais do presidente queriam falar com o comandante
Fidel e fazer uma declaração.
Na fala a mãe de Chávez, informa que o chefe militar da Guarnição
acabara de falar com seu esposo, Hugo de los Reyes Chávez e, que esse
havia dito que seguia firme a constituição.
Em seguida Fidel fala com Lucas Rincón, Inspetor Geral das Forças
Armadas, o qual afirmou que a Brigada de Paraquedista, a Divisão
Brindada e a Base de Caça Bombardeiro F-16 estavam contra o golpe e
prontas para atuar. Após o informe Fidel pede para que fossem evitados
confrontos entre militares.
Alguns minutos depois a brava Maria Gabriela liga para Fidel e diz
que o General Baduel, chefe de Brigada de Paraquedistas estava querendo
comunicar-se com Fidel e que as forças leais de Maracay desejavam fazer
uma declaração ao povo da Venezuela e a opinião pública internacional.
Fidel fala com o General Badual e diz: "tudo bem, a declaração pode
ser feita agora mesmo". Espere, disse o General; e passou o telefone ao
General Julio García Montoya, secretário permanente do Conselho Nacional
de Segurança e Defesa. O General Montoya fala com Fidel que logo o
coloca em contato com Randy, para que fizesse a declaração, que
consistiu no seguinte: "Las Fuersas Armadas venezolanas são fieles a la
Contitución". Nesse instante Fidel declara a seus assessores que o golpe
estava derrotado. Mas restava uma preocupação, era com a vida de
Chávez.
Às 4:15h da tarde, Fidel telefonou ao embaixador de Cuba na
Venezuela, Germán Sánchez e perguntou se era possível fazer um contato
com o General golpista, Vázquez Velasco. O embaixador respondeu que sim.
Neste caso, disse Fidel fale em meu nome e expresse a opinião de que um
rio de sangue pode correr na Venezuela e que somente um homem poderia
evitar essa possibilidade perigosa; esse homem é Hugo Cháves.
O General Vásquez respondeu a chamada e afirmou que Chávez estava sob
seu poder e garantiu que a vida do mesmo seria preservada, mas não
podia libertá-lo. Na ocasião o embaixador insistiu, mas o General
interrompeu a ligação desligando o telefone.
Fidel imediatamente chama a Maria Gabriela e comunica sobre as
palavras de Vázquez, especialmente no que se relacionava com as
garantias de preservar a vida do presidente. Ao mesmo tempo pediu para
comunicar-se com o General Baduel.
Eram 4:49h da tarde, com Baduel Fidel expressa a opinião de continuar
fazendo pressão sobre o General chefe dos golpistas. O General Baduel
aproveitou para comunicar ao Comandante Fidel que estava selecionando os
homens e também preparando os helicópteros para fazer o resgate do
presidente Chávez.
Durante o resto do dia até à 0:00h da noite do dia 13, Fidel Castro
tratou de fazer contatos com várias pessoas sobre o resgate e sobretudo
com a preservação do vida do resgatado. Falou com Diosdado Cabello
Hector Navarro, ministro da Educação Superior sugerindo que ordenasse a
Vázquez a liberação do Chávez e que o advertisse da grave
responsabilidade, caso desacatasse essa ordem.
Os golpista permaneciam irredutíveis e esperavam um avião de um empresário para transladar o presidente a um lugar desconhecido.
Estou convicto de que Fidel Alejandro Castro Ruz foi o grande
estrategista da batalha para salvar a vida e também a Revolução
Bolivariana. A inteligência do comandante e sua capacidade de dirigir
conflitos de alto risco fez a diferença naquela situação em que o povo
venezuelano poderia ter se confrontado em uma desnecessária e violenta
guerra civil, pondo em risco a vida de milhares de pessoas.
Fidel sabia que a guerra era suja, que por trás daquela desordem
estavam os Estados Unidos e a CIA mancomunada com o gusano Pedro
Carmona, para desestabilizar o governo legitimo e o povo, e assim
alterar o curso da Revolução, para fazer prevalecer a concepção
metafísica, porque essa correspondia naquele momento conjuntural os
interesses das classes dominantes.
De fato o golpe foi arquitetado pelos Estados Unidos, para impedir a
ideia dos revolucionários venezuelanos de querer mudar o histórico
regime social vigente no país de Bolívar, de Dom José Maria Gual, de Dom
José Maria Espanha e do contemporâneo e heróico povo, que hora lutava
por um mundo em que todos e todas tivessem direito ao bem estar e a
vida.
Antonio Ibiapino da Silva é advogado e sindicalista. Autor do
livro "Fidel e a democracia" também é membro do Partido dos
Trabalhadores no estado do Ceará