O COMBATE À CORRUPÇÃO E O “BASTA” QUE É “FARSA”
Laerte Braga
Que o governo Dilma Roussef é um fiasco diante das expectativas criadas, não tenho dúvidas. Mas, que a presidente é uma pessoa íntegra e busca limpar o terreiro presidencial de quadrilhas alojadas em ministérios e organismos do Estado é outra certeza. Quadrilhas inclusive de seu partido.
Em todo esse movimento contra a corrupção o fator predominante é a hipocrisia. Não há trabalhador brasileiro que não seja contrário à corrupção, como não há banqueiro, ou grande empresário, ou latifundiário que não seja corrupto.
Isso significa que, para existir a corrupção é necessário que haja o corruptor. Quem corrompe? O motorista de táxi? O dono da padaria? Ou o banqueiro que leva 45% da receita orçamentária do País em juros escorchantes, num Banco Central em que o COPOM – CONSELHO DE POLÍTICA MONETÁRIA – é controlado por eles? Ou o grande empresário, padrão Eike Batista, Daniel Dantas, Ermírio de Moraes que cometem crimes de toda a sorte e permanecem impunes porque tanto podem comprar governadores, como deputados, senadores, prefeitos e até ministros de cortes judiciárias supremas, caso de Gilmar Mendes, especialista em habeas corpus a bandidos de grande coturno?
E o latifundiário? Que se vale de toda a sorte de trapaças possíveis para manter privilégios de terras muitas vezes roubadas à própria União? Que lesa instituições financeiras públicas buscando dinheiro para um fim e aplicando em outro? Que se vale de trabalho escravo? Que aceita as regras impostas pelas companhias que produzem agrotóxicos, ou o tal do agronegócio, o transgênico, muito bem definido por Sílvio Tendler em seu documentário “O VENENO NA NOSSA MESA”?
Para denunciar a corrupção é necessário denunciar também a empresa QUEIROZ GALVÃO e suas laranjas. Compra governadores, prefeitos, funcionários públicos (Em Minas compraram a maioria das ações do setor ambiental, inclusive e principalmente o procurador JoaQUINZINHO, bandido sem nenhum respeito pela coisa pública).
As empreiteiras que servem ao governo de São Paulo e financiam campanhas de Alckimin, Serra, etc.
Ou as que devastam o estado do Espírito Santo sem respeito pelo ambiente, pelas pessoas, tudo em nome de um progresso que é privilégio, por comum a poucas pessoas.
Sair às ruas para denunciar a corrupção e exigir a punição dos corruptos implica em denunciar os corruptores e colocá-los, também, na cadeia.
Há um processo arquivado por Geraldo Brindeiro, Procurador Geral da República ao tempo de FHC – mentor da quadrilha tucana – que prova fartamente a compra de votos para aprovação da emenda que permitiu a reeleição do bandido. Está lá.
E as privatizações? A indicação do bandido Nelson Jobim para o STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – para “acabar” com a resistência de juízes decentes contra a entrega do patrimônio público pelo governo FHC?
A corrupção é implícita ao modelo político e econômico. Está agarrada nele, faz parte do modelo. É o modelo que está falido em todos os sentidos, o mundo institucional que é braço dos corruptores.
Todas as vezes que se fala em financiamento público de campanha a mídia venal, caso da GLOBO, VEJA, etc, despejam os William Waack da vida – agente norte-americano – para comandar as críticas e por uma razão simples. Querem que deputados, senadores, governadores, em sua maioria, prefeitos, etc, possam ser comprados, literalmente, por “doações” de bancos, empresas e latifundiários. Se acabar a boca como é que os bandidos vão arranjar dinheiro para comprar votos?
E as empresas, os bancos, os latifundiários, como vão controlar a maioria do Congresso, exemplo agora do Código Florestal, onde compraram o deputado Aldo Rebelo e já estão arranjando um emprego vitalício para ele no Tribunal de Contas da União (outra farsa)?
O Tribunal de Contas de Minas, onde existe um conselheiro que esteve envolvido com drogas, Antônio Andrada, dá mostras que vai liberar Alberto Bejani, ex-prefeito de Juiz de Fora, exibido até no JORNAL NACIONAL recebendo propina e contando o dinheiro para disputar, novamente, a Prefeitura da cidade? Quanto esse cara e outros não levaram?
O modelo está podre. Não há saída dentro do chamado mundo institucional e todo o esforço da presidente, sem favor algum uma pessoa íntegra, vai se perder na incapacidade de transformar essa integridade em ações efetivas de governo, pois lhe falta o principal, estatura para o cargo e coragem para enfrentar o dragão.
Quem é a oposição? O DEM? O PSDB? O PR? Ora, ir às ruas para fazer coro a esse bandidos deixando de lado os que corrompem é fazer exatamente o jogo da corrupção.
O que eles querem é a chave do cofre para que o poder de embolsar verbas públicas seja deles. E do lado de lá não existe ninguém, repito, ninguém, íntegro. São todos eleitos/comprados por bancos, empresas e latifundiários, meros funcionários dos donos.
Só isso. Veja lá, os líderes do tal movimento. Incorpora inclusive golpistas de 1964.
Não é BASTA é FARSA.
A luta é outra, é nas ruas pela reinvenção da democracia e pela participação popular.
Vamos prender banqueiros, grandes empresários, latifundiários, os corruptores, aí sim.
De: Luciano Rezende
Para: nandatardin@yahoo.com.br
Enviadas: Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011 20:45
Assunto: Novo Pronunciamento sobre agravamento das ameaças ao ES...
Prezado(a) amigo(a),
Peço uma atenção especial a este pronunciamento. Os riscos para o Espírito Santo continuam!
Precisamos mobilizar todos os capixabas para garantir, à toda uma geração, a extraordinária perspectiva de futuro que o Espirito Santo pode consolidar.
Obrigado pela atenção,
Luciano Rezende
www.lucianorezende.com.br
ps: veja também o vídeo do primeiro alerta que fiz sobre essa ameaça aos capixabas, há 3 meses;
http://www.youtube.com/use
PRONUNCIAMENTO SOBRE AMEAÇAS AO ES
SESSÃO ORDINÁRIA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ES - N.º 072(17/08/2011)
( principais trechos)
O SR. LUCIANO REZENDE - Senhor Presidente, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados, amigos que acompanham esta sessão e cujas presenças muito nos honra, jornalistas, equipe de funcionários desta Casa, amigos que nos acompanham pela transmissão da TV Assembleia, há três meses e oito dias, exatamente no dia 9 de maio deste ano, subimos a esta tribuna para falar das ameaças que rondavam o Estado do Espírito Santo em relação às finanças do Estado.
Após esse dia tivemos inúmeras reuniões, ações, manifestações da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, da Bancada Federal, da sociedade em geral e da imprensa que deu a devida importância publicando matérias esclarecedoras.
Ontem, infelizmente ocorreu um fato que nos deixou mais preocupado e que gostaríamos de reportá-lo, aos Parlamentares desta Casa e à sociedade capixaba de forma geral. O nosso Governador esteve com a Presidenta Dilma Rousseff e os sinais dessa conversa de forma concreta em relação às ameaças do Estado, infelizmente não vieram...
Ou seja, em meados do mês de setembro acontecerá a apreciação do veto à lei que distribui os royalties de petróleo no País, e se comete o desatino, inclusive contrário à Constituição, no sentido de não entender a importância da distribuição de royalties de forma diferenciada para Estados produtores.
Lembramos no dia 9 de maio, quando nos pronunciamos pela primeira vez sobre esse tema, citamos o acidente ocorrido no Golfo do México, que é apenas um exemplo do que pode acontecer com um Estado produtor. O acidente do Golfo do México até hoje traz prejuízos para a região devido ao vazamento de petróleo que destruiu o meio ambiente local, as atividades pesqueiras, turísticas, e traz enorme impacto econômico e grande prejuízo para aquela região.
Os royalties de petróleo precisam ser distribuídos observando-se características locais, pois os Estados produtores sofrem em sua organização urbana... Chegam milhares de pessoas para trabalhar na indústria de petróleo impactando os serviços de educação, de transporte, de infraestrutura, de segurança e de saúde local. Portanto, a distribuição dos royalties precisa ser diferenciada.
Não é deixar os Estados que não são produtores à "míngua", mas estabelecer um limite razoável para o recebimento.
Ontem, os sinais da Presidenta Dilma Rousseff não vieram para o Espírito Santo!
E deixo registrado, hoje, porque em poucos dias teremos a confirmação ou não desse sentimento que me traz a esta tribuna e que é fruto de minha dedicação a esse tema nos últimos três, quatro meses, quando o estudei profundamente.
O Governo Federal não tem dado sinais - estamos acompanhando a imprensa nacional, de nenhuma articulação no Congresso para manter o veto. Podemos estar enganado, mas os sinais que estão chegando do Congresso é de que o veto será derrubado!
Restará para nós a luta na Justiça, que não é o caminho desejado para o País, porque confronta interesses e o acordo político bem feito, em benefício da população e dos Estados, no nosso modo de ver, teria que ser trabalhado pelo Governo Federal, pela força do Planalto, que tem maioria absoluta.
Sobre o ICMS o Governador Renato Casagrande também não trouxe notícias concretas, portanto não é de responsabilidade de S Ex.ª, que está fazendo sua parte, reunindo a Bancada, fazendo mobilização, mas infelizmente a imprensa não traz dados que nos tranqüilize. E há grande ameaça rondando o sistema de incentivo dos portos capixabas, o Fundap.
Nenhuma palavra foi dita sobre algum movimento no País que possa também organizar essa luta legítima dos Estados por arrecadação e que precisa de um grande mediador, no caso o Governo Federal, e a força da Presidência da República.
O Congresso funciona hoje meio que à deriva por conta das crises de corrupção que assolam o País, da falta de articulação...
Para o Estado do Espírito Santo, esperávamos que na reunião de ontem entre nosso Governador e a Presidente Dilma Rousseff tivéssemos um dado concreto e alguma tranquilidade com relação a essas ações.
Esperaremos os próximos dias com muita ansiedade e torceremos para que o veto não seja derrubado e que os Estados produtores, principalmente Rio de Janeiro e Espírito Santo, tenham sua condição mantida pelo Congresso.
Há notícias de que outros projetos começam a ser protocolizados na Câmara, projetos ruins, piores dos que os que foram colocados, enfrentando essa discussão sobre os royalties e a redistribuição de ICMS...
Se esse ambiente for deixado por conta da luta entre os Estados, poderemos ter verdadeiros "monstrengos" sendo gerados no Congresso em relação à distribuição do ICMS no País e em relação ao equilíbrio financeiro dos Estados.
Lamentavelmente, depois de três meses e oito dias de debate e discussões nesta Casa, as notícias não são boas... Um cenário que não é o desejado para o Estado do Espírito Santo. Continuamos com a ameaça cada vez maior. Temos ainda alguns dias até a apreciação do veto sobre os royalties.
Solicitamos à taquigrafia a cópia do nosso discurso, da nossa reflexão para documentar o debate que estamos fazendo nesta Casa. A Assembleia tem feito todos os esforços e o Governo do Estado tem juntado a bancada federal. Mas, infelizmente, essa é uma discussão que será decidida pela maioria do Congresso Nacional.
Nossa esperança em relação à visita, à audiência, ontem, do Governador Renato Casagrande com a Presidente Dilma Rousseff era de que as notícias chegassem de forma completa. Lamentavelmente, nem imprensa nacional, nem local, nenhuma fonte versa sobre qualquer organização na votação da apreciação desse veto que está se aproximando...
O ambiente "salve-se quem puder" não é o adequado para uma votação dessa importância, muito menos para o Espírito Santo que está em minoria...
O discurso "fácil" de que a distribuição tem que ser igualitária é muito mais disseminado do que o discurso mais responsável de que existem diferenças e de que elas têm justificativas inclusive na Constituição.
Devemos nos manter alerta porque a situação requer atenção redobrada de todo o ambiente político, empresarial e imprensa do Espírito Santo. As ameaças infelizmente estão aumentando. A data de votação se aproxima sem nenhum sinal... nenhum sinal visível de que a coisas caminham para um final feliz.
Agradecemos ao Senhor Presidente, aos Senhores Deputados e às Senhoras Deputadas a atenção e a paciência de nos ouvir. Muito obrigado.
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