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domingo, 31 de julho de 2011

Do show midiático na morte de Zapata à parcialidade e o silêncio no caso Hamdaoui


Por Sturt Silva

Tohuami Hamdaoui, um imigrante marroquino que estava preso em um presídio de Teruel (Espanha) morreu na ultima terça-feira (26 de julho) depois de prosseguir com uma greve de fome que já durava cinco meses.

Hamdaoui cumpria pena de 16 anos, acusado de roubo e agressão sexual a uma menor. Declarando inocência, Hamdaoui havia pedido reabertura do processo que foi negado pela justiça espanhola. Assim o prisioneiro iniciou uma greve de fome em sinal de protesto. Apesar da menor ter afirmado que era o marroquino seu agressor, o sêmen encontrado no casaco da vítima não concedia com o DNA do acusado.

Espanha repercutiu o caso ao contrário das agências internacionais 

Segundo o site CubaDebate, veiculo criado para defender a revolução cubana de agressões midiáticas, o comportamento da grande mídia, inclusive da espanhola, mostra mais uma vez, uma parcialidade em termos de critérios editorias.

Enquanto a morte, pós greve de fome do preso cubano comum Orlando Zapata, em fevereiro de 2010 teve destaque durante semanas na televisão, nos noticiários de rádios e nas páginas inteiras dos principais jornais, o "caso Hamdaoui" se resumiu a uma cobertura parcial pela mídia espanhola e um silêncio total pela mídia internacional.

No caso cubano, a versão oficial da justiça cubana foi ignorada e jornalistas e editores internacionais passaram a orientarem, quase que exclusivamente, seus noticiários e editoriais através de relatos de oposicionistas do governo cubano. Muitas vezes as agências e os grandes meios de comunicação baseavam suas reportagens em boatos, antes mesmo de checar à veracidade dos depoimentos e das informações. No caso espanhol prevaleceu o ponto de vista das instituições espanholas. Veículos de comunicação do país catalão limitou a dar espaço ao prisioneiro e seus defensores. No geral prevaleceu foi à versão das autoridades espanholas, que disseram não houver negligência no caso, inocentando o estado, pela greve de fome e pela morte do prisioneiro respectivamente.

Essa é a mesma mídia que não importa com as greves de fome coletivas, seja dos Mapuches no Chile, seja dos prisioneiros californianos em solo estadunidense.

Não custa lembrar que a situação política da Espanha é um das mais graves. Dentro da Espanha pelo menos três nacionalidades são reprimidas pela política de estado espanhol em suas lutas por liberdade e independência. Sem contar que país esta sendo afetado gravemente por uma crise econômica, derivada da crise global do capital.

Parafraseando os editores do CubaDebate, nem todos humanos tem os mesmo direitos, pois o que importa não são os direitos humanos e sim as repercussões dos fatos para uma parte privilegiada de pessoas.

Artigo publicado originalmente no Diário Liberdade.

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