Por Sturt Silva
Tohuami Hamdaoui, um imigrante marroquino que estava preso em um presídio de Teruel (Espanha) morreu na ultima terça-feira (26 de julho) depois de prosseguir com uma greve de fome que já durava cinco meses.
Hamdaoui cumpria pena de 16 anos, acusado de roubo e agressão sexual a
uma menor. Declarando inocência, Hamdaoui havia pedido reabertura do
processo que foi negado pela justiça espanhola. Assim o prisioneiro
iniciou uma greve de fome em sinal de protesto. Apesar da menor ter
afirmado que era o marroquino seu agressor, o sêmen encontrado no casaco
da vítima não concedia com o DNA do acusado.
Espanha repercutiu o caso ao contrário das agências internacionais
Segundo o site CubaDebate,
veiculo criado para defender a revolução cubana de agressões
midiáticas, o comportamento da grande mídia, inclusive da espanhola,
mostra mais uma vez, uma parcialidade em termos de critérios editorias.
Enquanto a morte, pós greve de fome do preso cubano comum Orlando
Zapata, em fevereiro de 2010 teve destaque durante semanas na televisão,
nos noticiários de rádios e nas páginas inteiras dos principais
jornais, o "caso Hamdaoui" se resumiu a uma cobertura parcial pela mídia
espanhola e um silêncio total pela mídia internacional.
No caso cubano, a versão oficial da justiça cubana foi ignorada e
jornalistas e editores internacionais passaram a orientarem, quase que
exclusivamente, seus noticiários e editoriais através de relatos de
oposicionistas do governo cubano. Muitas vezes as agências e os grandes
meios de comunicação baseavam suas reportagens em boatos, antes mesmo de
checar à veracidade dos depoimentos e das informações. No caso espanhol
prevaleceu o ponto de vista das instituições espanholas.
Veículos de comunicação do país catalão limitou a dar espaço ao
prisioneiro e seus defensores. No geral prevaleceu foi à versão das
autoridades espanholas, que disseram não houver negligência no caso,
inocentando o estado, pela greve de fome e pela morte do prisioneiro
respectivamente.
Essa é a mesma mídia que não importa com as greves de fome coletivas,
seja dos Mapuches no Chile, seja dos prisioneiros californianos em solo
estadunidense.
Não custa lembrar que a situação política da Espanha é um das mais
graves. Dentro da Espanha pelo menos três nacionalidades são reprimidas
pela política de estado espanhol em suas lutas por liberdade e
independência. Sem contar que país esta sendo afetado gravemente por uma
crise econômica, derivada da crise global do capital.
Parafraseando os editores do CubaDebate, nem todos humanos tem os
mesmo direitos, pois o que importa não são os direitos humanos e sim as
repercussões dos fatos para uma parte privilegiada de pessoas.
Artigo publicado originalmente no Diário Liberdade.

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