O
motivo certo para demitir Nelson Jobim é o mesmíssimo pelo qual ele
jamais deveria ter sido confirmado no posto em que o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva o colocou, na pior de todas as suas escolhas
ministeriais: Jobim nunca se comportou como um verdadeiro ministro da
Defesa, a quem cabe dar voz de comando às Forças Armadas.
Pelo
contrário, seu papel foi o de porta-ultimatos dos fardados no
Ministério. Toda vez em que alguém pensou em apurar seriamente as
atrocidades perpetradas pela ditadura militar, Jobim fez alarmismo com
as ameaças da caserna, conseguindo frustrar as iniciativas dos Genros e
Vannuchis.
O pior é que tais ameaças não passavam de blefes: os gorilas comprometidos com o festival de horrores dos anos de chumbo são vistos como relíquias do passado e não têm, nem de longe, o apoio da tropa para novas quarteladas.
Aliás,
não se derruba governo brasileiro sem o sinal verde dos EUA e dos
grandes capitalistas, que estão se lixando para eventuais punições a
Ustras e Curiós. Enquanto o Brasil continuar rezando pela cartilha do
capitalismo globalizado, não verão motivo para aventuras
institucionais. É simples assim.
Essa gente não troca o certo pelo incerto, como aprenderam os cansadinhos
e as aves de mau agouro (aqueles tucanos que têm passado de esquerda,
mas apostaram num voo cego para a direita como forma de conquistar o
poder... acabando por quebrar o bico e a cara).
No
fundo, Jobim pertencia mesmo, de corpo e alma, ao Ministério do FHC.
Nele não destoariam suas ridículas exposições públicas em uniforme de
campanha, qual garotinho deslumbrado a sonhar com o marcha-soldado-cabeça-de-papel...
Então,
já passou do tempo da presidente Dilma Rousseff lembrar-lhe que porta
da rua é serventia da casa. Sua última incontinência verbal, espero e
torço, será a gota d'água a entornar o copo.
Mesmo porque, se lhe causam tanto asco os idiotas
com os quais ele está convivendo no governo da Dilma, o sentimento é
recíproco, pelo menos por parte de quem ainda se mantém fiel aos
valores originais do PT. A estes, decerto, repugnam os quintas-colunas
e as viúvas da ditadura.
E
não dá para acreditarmos que ele verdadeiramente se referia aos idiotas
dos jornalistas. Trata-se, claro, de uma saída pela tangente idêntica à
do Jair Bolsonaro, que optou pelo mal menor, preferindo ser acusado de
homofobia que de racismo.
Ainda assim, todos os jornalistas que não se veem como idiotas e têm vergonha na cara deveriam engrossar o coro de Dilma, demita o Jobim!
Obs.: há muito circulam rumores da saída de Jobim do Ministério no meio do ano. Cheguei até a levantar a hipótese de que José Genoíno estivesse sendo preparado para o suceder. Então, é bem provável que as farpas em seu discurso louvaminhas a FHC tenham visado exatamente provocar as reações que lhe permitissem deixar o cargo atirando, com pose de injustiçado e perseguido...
Obs.: há muito circulam rumores da saída de Jobim do Ministério no meio do ano. Cheguei até a levantar a hipótese de que José Genoíno estivesse sendo preparado para o suceder. Então, é bem provável que as farpas em seu discurso louvaminhas a FHC tenham visado exatamente provocar as reações que lhe permitissem deixar o cargo atirando, com pose de injustiçado e perseguido...


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