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sábado, 20 de novembro de 2010

COM O PROCESSO DE DILMA, A "FOLHA" PARIU UM RATO

Bem que, há quatro dias, eu antecipei: depois de tanto haver lutado para obter o processo a que Dilma Rousseff respondeu durante o regime militar em tempo de produzir algum factóide capaz de influir na eleição presidencial, a Folha de S. Paulo seria agora "obrigada a soltar alguma reportagem" baseada no entulho ditatorial que tardiamente desencavou.

A matéria Dilma tinha código de acesso a arsenal usado por guerrilha, da edição deste sábado (20), confirma tal previsão e também a que fiz em seguida:
"Pela qualidade atual do jornalismo da Folha, canto a bola desde já: vai ser imensamente inferior à da Época".
Ou seja, a revista Época publicou em agosto uma matéria de capa sobre Dilma que, se não foi perfeita, pelo menos tentou manter tanto equilíbrio e isenção quanto são possíveis em nossa grande imprensa.

Os questionamentos dos partidários de Dilma foram muito mais quanto ao momento escolhido para se dar tamanho destaque a seu passado de resistente e presa política, do que à forma como ele foi abordado.

Bem diferente da Folha, que produziu texto tão malicioso quanto aquele com o qual tentou vincular Dilma a um mirabolante plano de sequestro, nem sequer tentado; ou quanto o ridículo e rapidamente desmoralizado artigo de um seu colunista, tomando ao pé da letra uma piada de mau gosto do Lula sobre estupro.

Desta vez, o jornal intriguento força a barra para dar a impressão de que Dilma estava envolvida com as ações armadas da VAR-Palmares, embora as informações que encontrou no inquérito sem a mais remota credibilidade dos órgãos repressivos da ditadura só permitam depreender que ela era a militante a quem caberia cuidar da transferência do arsenal da Organização para outro local caso fossem presos os companheiros incumbidos das operações militares.

Enfim, o que o jornal quis foi martelar na cabeça dos leitores uma mensagem subliminar: a de que Dilma pertencia a uma organização  da pesada, que enfrentava policiais com metralhadoras e bombas caseiras.

Para despistar, faz alusões às torturas contra resistentes, mas elas não chocam tanto, já até hoje continuam sendo largamente utilizadas contra suspeitos de ocorrências policiais.

Ficou faltando, claro, a caracterização do inimigo combatido pela VAR-Palmares como a mais bestial ditadura que o Brasil já conheceu, responsável não só por sevícias as mais violentas e degradantes, como também por centenas de assassinatos (incluindo a execução a sangue frio de prisioneiros que deveriam estar sob a proteção do Estado), estupros, ocultação de cadáveres e outras abominações.

Sem tal contextualização, o que prevalece e transparece é a visão dos esbirros da ditadura sobre aqueles que os combatiam, pois a isto se resumiam os Inquéritos Policiais Militares do regime de exceção: peças de propaganda enganosa concebidas para causar impacto na opinião pública, seguindo a orientação dos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas.

Que podemos dizer, p. ex., de quem, quando eu tinha 18 anos, espalhou cartazes no Brasil inteiro, com meu nome e minha foto, acusando-me falsamente de haver assaltado e matado pais de família?!

Rodoviárias, estações ferroviárias, aeroportos, correios e outras repartições, e até restaurantes exibiam tal acusação, cujos autores sabiam muito bem ser falaciosa: minhas funções eram organizativas e, quando enfim me processaram e condenaram, não me imputaram nada desse gênero.

A verdade e a verossimilhança eram o que menos importava nesses papeluchos ensanguentados -- síntese deturpada e tendenciosa do que os prisioneiros confessavam ou inventavam sob brutais torturas.

Tratando-se do jornal da  ditabranda  - que, nos anos de chumbo, cedia suas viaturas para a captura de resistentes e outros serviços sujos da repressão política -- faz todo sentido que  a Folha esteja até hoje trombeteando a versão dos déspotas.

É apenas uma nova forma de tentar justificar seu passado vergonhoso: ora afirma que a ditadura era amena, ora carrega nas tintas para que os resistentes fiquemos parecendo muito mais violentos do que éramos.

E, aliás, tínhamos todo direito de ser, já que enfrentávamos uma tirania -- a de usurpadores do poder que recorriam ilimitadamente ao terrorismo de estado para manter subjugado o povo brasileiro.

BRASIL, até quando braZil?

)

J. Vidal:

http://www.youtube.com/watch?v=tuobK_9svAU&feature=player_embedded

BRASIL... ATÉ QUANDO?
UMA SIGNIFICATIVA PARCELA DO POVO BRASILEIRO ADORA A LEI DA VANTAGEM E SENTE-SE REALIZADA QUANDO DESFAZ DE ALGUÉM QUE NÃO ADMIRA. ACONTECEU ISSO QUANDO FIZERAM UMA PÉSSIMA E MAL SUCEDIDA COMPARAÇÃO DE MARADONA COM BIRO BIRO. O CRAQUE ARGENTINO ESTÁ À ALTURA DE PELÉ E MANÉ GARRINCHA, ENTRE TANTOS OUTROS ATLETAS DE PAÍSES DIVERSOS. POIS BEM, A MALICIOSA REDE GLOBO NESTA QUINTA-FEIRA NO JORNAL DO MEIO DIA USOU UM PRINCÍPIO QUE É DO DIREITO PENAL. NO DIREITO PENAL A LEI RETROAGE PARA BENEFICIAR O RÉU, NO CASO DA GLOBO O PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE FOI USADO PARA BENEFICIAR A VÍTIMA (BRASIL). INCONFORMADOS COM A DERROTA CONTRA A ARGENTINA AS MARIONETES DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO COLOCARAM O TAPE DO JOGO BRASIL X ARGENTINA, AQUELE QUE O BRASIL DEU UMA GOLEADA NA ARGENTINA. USANDO O RACIOCÍNIO LÓGICO PERCEBE-SE QUE ESTA FORMA DE MAQUEAR A VERDADE É PRAXE DA CITADA EMISSORA QUE EM TUDO METE SEU NARIZ. A GLOBO DITA O QUE O POVO DEVE CONSUMIR , TEM A MAIOR FATIA NA PARTICIPAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DE SEUS PROGRAMAS, ALICIA JOVENS E ADULTOS COM SUAS INSINUANTES NOVELAS, INCENTIVAM A DESCARACTERIZAÇÃO DA PERSONALIDADE E DO CARÁTER DAS PESSOAS ENTRE TANTOS OUTROS MALES, DOS QUAIS UM MERECE MAIOR ATENÇÃO: A FORMA COMO EXPLORAM O TRABALHO INFANTIL JUNTAMENTE COM SUAS CONCORRENTES, PAGAM BEM EM TROCA DO MUNDO INFANTIL-AS CRIANÇAS DEIXAM DE SER CRIANÇAS EM TROCA DE FAMA E DINHEIRO. NINGUÉM PERCEBE ISSO PORQUE SE TRATA DE UMA EXPLORAÇÃO BEM REMUNERADA, ALÉM DE UMA CARREIRA PROMISSORA, SEJA AMORAL OU IMORAL. VALE À PENA TIRAR A INFÂNCA DE UMA CRIANÇA EM TROCA DE CAPITAL?
ÊITA BRASIL BEM DEFINIDO POR CHARLES DE GAULE!

EXCELENTE FIM DE SEMANA!
ABRAÇOS DO CAMARADA
DE SEMPRE, J.VIDAL

Navio Negreiro e as nossas Desculpas aos Irmãos . - 20/11 Dia da Consciencia Negra

Navio Negreiro - imagens reais


O vídeo abaixo mostra o poema de Castro Alves, declamado por Paulo Autran, com cenas de Amistad (Steven Spielberg)

***

Eu, filho, neto, bisneto, tataraneto de portugueses, neste dia, peço perdão aos negros africanos pelo crime hediondo cometido pelo país de origem dos meus ancestrais.

***

http://www.youtube.com/watch?v=IPbetX97Q_8


Augusto da Fonseca

O ' BANDIDO' Protogenes e o 'MOCINHO' Gilmar DANTAS Mendes



Brasil

Luiz Carlos Antero: A incômoda biografia de Protógeneshttp://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=412758d043dd247bddea07c7ec558c31&cod=6576


A perseguição a Protógenes é a absolvição de Dantas

Protógenes prendeu Dantas duas vezes e Gilmar soltou Dantas duas vezes

 Desde as duas prisões e condenação do banqueiro Daniel Valente Dantas, em julho de 2008, comemoradas em todo o País, uma surreal perseguição foi iniciada contra Protógenes Queiroz, o homem que logrou atingir uma forte simbologia das elites rentistas do País após extensas e profundas investigações.


Por Luiz Carlos Antero*
O momento culminante e mais recente dessa invertida e grotesca caçada foi a anunciada condenação em primeira instância (“por fraude processual e violação de sigilo funcional a três anos e quatro meses de prisão – pena substituída pela prestação de serviços comunitários”) do deputado eleito pelo PCdoB, justamente pelas alegadas circunstâncias em que logrou produzir as provas contra o banqueiro, duas vezes devidamente algemado.
Mas, agora, o fato mais curioso e revelador foi o encadeamento orquestrado de diversas ações simultâneas que buscam atenuar a vida do banqueiro e cristianizar Protógenes por “erros” cometidos nas investigações.

Nassif e a “coincidência”

O primeiro a atentar para o fato foi o jornalista Luiz Nassif, que, em seu blog, indicou a sequência de acontecimentos que poderiam ser “coincidência”: “Agora se tem, simultaneamente, a) o livro do Raimundo Pereira (NR: “O Escâ ndalo Daniel Dantas: duas investigações”, apresentado como uma crítica a Protógenes); b) a ofensiva midiática de jornalistas ligados a Dantas, procurando repercutir o máximo possível o livro; c) a suspensão do julgamento de Ricardo Sérgio pelo STF, em cima de operações envolvendo Daniel Dantas; d) a sentença de Ali Mazloum”.

Longe de alimentar uma “folha corrida” para Protógenes, os que o perseguem por ter algemado Dantas, conseguiram produzir mais uma contribuição para sua biografia efetivamente política, turbinada por suas bem sucedidas investigações da bilionária evasão fiscal e da fraudulenta progressão da dívida externa no governo FHC.

Biografia incubada

Quando o Vermelho publicou o artigo
“Um Dantas por cem Valérios” no dia 12/05/2006, não se imaginava qu e essa biografia já estivesse incubada e em plena fermentação.

Para se converter numa evidência nacional, Protógenes penetrou cirurgicamente o fétido ambiente do capital em sua feição mais moderna, dissociada da sociedade e de suas instâncias produtivas, atingindo o cerne do protegido segredo tucano e das corrosivas elites brasileiras.

Com isso, cumpriu um prodigioso serviço ao povo brasileiro, que consistiu em tocar fundo nas sequelas ocasionadas pela era neoliberal. E, nesse propósito, simbolicamente algemou em duas ocasiões o sistema que confrontou nas ousadas investigações sobre as estripulias em andamento no sistema financeiro.

Até ali, contribuíra para fundar um grêmio estudantil, em pichações no tempo do regime militar (“Terrorismo é ditadura que mata e tortura”), defender eleições diretas, o poder civil, o ensino público de qualidade, um jornal de resistência; foi delegado a um Congresso da UNE, em 1980; op tou por cursar Direito, estagiou em defensoria pública, estabeleceu contato com os movimentos sociais, Contag, Via Campesina, conviveu com velhos comunistas; processou a construtora Queiroz Galvão por corrupção; largou uma rentável banca de advocacia para se tornar delegado da polícia federal (antes “uma guarda pretoriana do regime militar”); lutou para fechar contas CC5, encontrou o caminho do confronto com empreiteiras e banqueiros, com o capital financeiro, esbarrou no “sistema”, recusou propina milionária, passou a ser ameaçado de execução, sofreu atentados e não se rendeu.

A CIA com a Kroll no caminho

Protógenes deu de cara com figuras notórias — a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, Jorge Bornhausen, Armínio Fraga, Reinhold Stephanes —, nas descobertas das fronteiras e limites de sua ação institucional contra o “sangramento” de divisas do país.

Na PF, prendeu diversos meliantes de col arinho branco, entre os quais o contrabandista Law Kim Chong, o ex-governador Maluf, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e, mais recentemente, o empresário Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, durante a mais importante das operações contra corrupção já ocorrida no Brasil.

No percurso, descobriu na “Kroll” uma empresa americana de espionagem, uma estação privada da CIA no Brasil. E, nesse braço da espionagem, serviços ao grupo Opportunity, à BrasilTelecom, ao banqueiro que depois algemou. E, ainda, esteve no ambiente de uma empreitada para investigar a Kroll, a Operação Chacal.

“Mensalão”: penetras no banquete

Nesta Operação, quando ficou evidente que Daniel Dantas usava a Kroll (e, portanto, a CIA) para espionar adversários, surgiram todas as iniciativas para lacrar um HD apreendido do Opportunity, no STF (Supremo Tribunal Federal), com o respaldo da ministra Ellen Gracie. A decisão conteria por cerca de dois anos a investigação.

Foi quando surgiu o chamado “mensalão”, que permitiu aos tucanos e a aliados do então PFL, jogar sobre os ombros de outros protagonistas mais recentes, que também se vincularam ao banqueiro, responsabilidades sobre as quais tiveram historicamente total exclusividade.

O fato foi descrito nos moldes daquele banquete no qual os novos “penetras”, pilhados em confraria, foram incriminados e publicamente expostos e ridicularizados numa CPI que manteve incólumes Dantas e seus patrocinadores nas privatizações da era FHC.

Venda do país in natura
Protógenes penetrou, desse modo, na complexa capilaridade formada em torno do banqueiro ao longo de 20 anos, com o especial protagonismo de Fernando Henrique Cardoso. Debruçou-se sobre numerosas descobertas, a exemplo de uma empresa de exploração de mineração (de Dantas), a MG4, que reunia inà ºmeras concessões de exploração de solo urbano.

E declarou numa entrevista à revista
Caros Amigos: “É necessário você ter uma força muito grande dentro do governo. Eles já estavam ofertando a empresa lá fora, no Oriente Médio. O intermediário era o Naji Nahas. Isso significa vender nosso país in natura”.

Quando a Operação Satiagraha já estava na pauta dos noticiários, o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu
blog Conversa Afiada, anunciou que Dantas não estava interessado em fazendas, mas em seu subsolo.

Com base em revelações do MST, PHA afirmou: “Aos que não entendem o interesse de Daniel Dantas em fazendas do Pará, cabe explicar que o objetivo dele não é criar gado. Por trás da fachada agropecuária, Dantas e a Vale do Rio Doce estão em processo de reconcentração fundiária, com o objetivo de investir em mineração (…). O MST chama a atenção para o fato de o Sul e o Sudeste do Pará constituírem uma grande região mineradora. Nos últimos cinco anos, Daniel Dantas comprou 52 fazendas em oito municípios, num total de 800.000 hectares. Entre elas, encontram-se as fazendas Maria Bonita, Espírito Santo e Cedro, ocupadas pelos sem-terra, que são áreas públicas, compradas de forma ilegal. Há poucos dias, um conflito entre seguranças e milicianos armados a serviço de Dantas na fazenda Santa Bárbara foi testemunhado por um cinegrafista da Globo, que viajou em avião de Dantas”.

Dívida artificial e fraudulenta
Mas a pirataria no subsolo foi apenas um aperitivo revelado num panorama maior. “Tem a dívida externa, que é a coisa mais nojenta que já vi”, afirmou Protógenes. E aí chegou novamente ao ambiente consolidado no governo Fernando Henrique Cardoso, onde se sustentou a cumplicidade e comando fundamental para a consagração, no período pós-ditadura, de uma dívida artificial, inflada e fruto da especulação com títulos da dívida pública brasileira, vendidos a 15% (e menos) de seu valor de face, e à base das manipulações em dólar.

Daí resultou a sangria formada por uma dívida substancialmente arranjada e pela evasão de divisas, com a permissividade do Banco Central brasileiro. E, a exemplo do caso Paribas (Alberto participações), com a conversão de títulos da dívida na gestão Armínio Fraga — um episódio no qual FHC esteve envolvido pessoalmente.

“Nossa dívida externa é artificial e eu provei isso na investigação. Houve repulsa minha porque quando era estudante empunhei muita bandeira ‘Fora FMI’, ‘Nós não devemos isso’, ‘A dívida já está paga’. E foi muito jato d’água, muita cacetad a, muito gás lacrimogêneo: ‘bando de doido, tem que tomar porrada’. Você cresce achando que era um idiota, não é? Chega um momento que pensa: ‘a dívida foi criada no regime militar, mas a gente precisa pagar’”.

Evasão tresloucada de divisas
O delegado que comandou a operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, revelou, na investigação sobre Dantas, indícios de desvios de cerca de US$ 16 bilhões do Brasil para paraísos fiscais no exterior. Em janeiro de 2009, foram bloqueados US$ 2 bilhões que haviam sido enviados ao exterior pelo grupo Opportunity “na maior paralisação da movimentação dos ativos suspeitos da história do Brasil”.

As investigações contra o grupo Opportunity passaram a existir em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, a partir de setembro, por decisão do juiz Fausto De Sanctis, num volume de quase meio bilhão de dólares; na Inglaterra (US$45 milh ões), Suíça e Estados Unidos, totalizando quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, evidenciou-se que o dinheiro desviado era dos cofres públicos e da corrupção, desde as privatizações.

Orquestração para o desmonte
Com revelações assim, sórdidas e de tal monta, o processo investigativo sofreu novas ameaças de estagnação. Sucessivas defecções retiraram suporte de Protógenes para contê-lo na investida contra Dantas — que, na segunda prisão, ameaçou “falar”. Ficou evidente a orquestração. E alguém lhe disse: “Protógenes, se o Daniel Dantas falar, eu prefiro que ele fique preso”.

Protógenes considerava que no STJ (Superior Tribunal de Justiça) “estava tranquilo”, mas após estruturar a segunda prisão, não pensava que o STF (Supremo Tribunal Federal) “iria contrariar toda a opinião pública, todas as regras jurídicas, todas as normas processuais”, soltando rapidamente o banquei ro contraventor por decisão inspirada pelo ministro Gilmar Mendes. E não imaginava encontrar diante de si “um poder sem precedentes”.

Concluiu: “Foram sucessivos atos que dão conta de que ele é uma pessoa muito poderosa e que esse poder viria com uma velocidade e uma força que se moveria contra quem quer que se opusesse a esse grupo, um grupo de interesses determinado, um segmento bem solidificado durante a redemocratização, que construiu um poder criminoso; um PC Farias que deu certo”.

Entretanto, a coragem registrou-se numa das inúmeras narrativas da proeza final – na matéria publicada pelo Terra Magazine:
“O senhor está preso”, diz delegado a Dantas – que descreve a segunda prisão de Daniel Dantas diante de uma dezena de advogados e desembargadores aposentados.

Em cena, o livro sobre Dantas contra Protógenes
Com tal biografia e tantas evidências que favorecem a defesa dos interesses do País e do povo brasileiro, quem arremeteria contra Protógenes sob o pretexto de que teria cometido erros na investigação?

Uma das respostas veio no próprio do sítio da
Federação Nacional dos Policiais Federais (Funapef), onde um texto informou: “Um artigo do respeitado jornalista Raimundo Pereira na revista Piauí, intitulado ‘Protógenes e eu’, fustiga o conhecido delegado e candidato a deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Estado de São Paulo. Denso, o texto pergunta: ‘Quem é Daniel Dantas, que interesses ele representa?’”

O sítio diz que “Raimundo Pereira não entra nos méritos dessas respostas, no artigo”, mas, sobre a publicação, destaca um trecho da sua Introdução: “Este livro é uma crítica ao trabalho do delegado Protógenes Queiroz na condução da famosa Operação Satiagraha, que levou à prisão Daniel Dantas, desde então, a mais famosa figura dos meios financeiros do país”.

Um outro comentário, assinado por
Thiago Domenici, comenta: “Este livro tem uma conclusão política. Ela surge a partir de uma investigação jornalística feita para entender a razão dos erros gritantes de uma investigação policial”.

O sítio
Conjur, afirma, entre outras pérolas, em artigo assinado por Mauricio Cardoso: “Para Raimundo Pereira, a transformação de Daniel Dantas no bode expiatório de todos os males do Brasil foi uma decisão política do presidente Lula. (…) O livro funciona mais ou menos como um Habeas Corpus da informação. Ele não prova a inocência de Daniel Dantas, mas tenta mostrar que o maior escândalo financeiro do país foi, na verdade, a maior campanha política, policial, judicial e midiática feita no país contra um cidadão”.

Mas nem aí houve consenso: uma diretora do Opportunity, Maria Amalia Coutrim, não concordou com a interpretação e se manifestou indignada com a resenha, afirmando que o autor não respeitou as conclusões de Raimundo e foi “contaminado” pelo pensamento de Protógenes.

Forte inspiração tucana
Na verdade, todos os pressupostos levantados apontam para o mesmo falso dilema típico das armações das campanhas tucanas — a exemplo desta que todo o Brasil presenciou nas eleições de 2010: busca-se converter a verdade em mentira e seu autor em réu, ou a mentira em verdade mediante artifícios que consagram o meliante em vítima ou heroi.

A condenação de Protógenes Queiroz deve ser assim qualificada e compreendida em sua real dimensão. Não somente para produzir efeitos de solidariedade, mas para que se compreenda que sua ação esteve à altura de um brasileiro que atua em defesa do País e honra o seu povo, mostrando coragem, ousadia, destemor naquele perfil que destaca “os melhores filhos do povo”.

E não encontra paralelo na chamada “oposição”, que não conhece limites: “Senti vontade de prendê-lo a terceira vez. Quase que o prendi. Tinha um fato para poder prendê-lo, mas iria criar uma crise. Já tinha manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal, membros dos três poderes uns acusando os outros, determinado grupo político querendo criar uma nova situação, um passo atrás”.

Protógenes, ao que tudo indica, optou por dar um passo adiante.

* Luiz Carlos Antero é jornalista, escritor, colunista e membro da
Equipe de Pautas Especiais do Vermelho

Estaleiro OSX a culpa é da Sinergia

Estaleiro OSX a culpa é da Sinergia

Por Eduardo Lima*

Sinergia ou sinergismo deriva do grego synergía, cooperação sýn, juntamente com érgon, trabalho. É definida como o efeito ativo e retroativo do trabalho  ou esforço coordenado de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa ou função.

Essa definição extrai sem muita pressa do wikipédia.Poderia ter buscado outras fontes mas valeu essa.

Pois bem, temos em mente o que a palavra representa acho que sinergia pode então ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Depende da visão de cada um sobre essa dicotomia.

Ontem fomos surpreendidos com uma decisão que se chama Fato Relevante, ou seja, quando uma empresa que opera em mercados mobiliários tem por obrigação legal informar a esse mesmo mercado e por via de consequencia seus acionistas uma determinada decisão que irá tomar.

E foi mais ou menos nesse sentido:
A UCN Açu oferece ainda as seguintes vantagens competitivas, dentre outras:  Possibilidade de significativa expansão de cais, calado e capacidade produtiva;  Maior espectro de serviços que poderão ser prestados pela UCN Açu, incluindo reparos;  Sinergias logísticas com os demais empreendimentos em implantação no Açu, destacando-se o Terminal Portuário de Uso Privado do Açu, siderúrgicas, geração de energia termelétrica e pólo metal-mecânico; - Posição geográfica central entre as principais bacias petrolíferas do País: Campos, Espírito Santo e Santos; - Condições de solo que possibilitam maior velocidade na construção da UCN Açu; - Localização no Estado do Rio de Janeiro, principal pólo brasileiro da atuação integrada das indústrias naval e de petróleo e gás.

Ora ai questiono, mas essa sinergia já não existia no Rio de Janeiro quando foi proposta a idéia de trazer o projeto de estaleiro para Santa Catarina? Ou a sinergia era inexistente? Foi de uma hora para outra que as vantagens competitivas surgiram?

De um momento descobriram que : A UCN Açu contará com um cais de 2400m (aproximadamente 70% maior do que o previsto para o projeto de Biguaçu), com capacidade de expansão para até 3525m.

Essa sinergia já não existia quando a consultoria deixou de apresentar um estudo que demonstrava a inviabilidade do empreendimento no local escolhido e que por essa omissão acabou multada?

Não existia essa sinergia quando fora constituida a Frente Parlamentar em Defesa do Estaleiro e por extensão em defesa da exoneração de servidores públicos?

E depois de dois pareceres negativos onde estava essa sinergia?

Ao que tudo indica existiram duas sinergias, uma  a favor do estaleiro e outra contra a localização do estaleiro entre três unidades de conservação, que poderia afetar muito mais do que os golfinhos. Poderia afetar a pesca, a maricultura, o turismo que podem também ter alguma sinergia entre elas.

A palavra sinergia está sendo propositalmente repetida pois parece que todo esforço empreendido possa ter sido de cria uma condição comercial já sabida impossivel e quiça, naquilo que os bastidores chamam de Guerra Fiscal, obter uma melhor relação para implantação do empreendimento, e assim de beneficio em beneficio a lucratividade é melhor, não necessariamente o retorno social.

Não fosse isso, porque então não esperar o resultado oficial do Grupo de Trabalho criado especialmente para dar uma posição derradeira a respeito do estaleiro. Talvez porque já se pudesse antever o resultado que antes da sinergia  era conhecido, ou então porque toda sinergia não foi suficiente para alterar o resultado: inviabilidade locacional.

Nesse embate sinérgico, a principio, e somente em tese, parece que o lado cuja sinergia buscou a verdade, a não omissão, o diálogo mais franco, a participação efetiva, consegui demonstrar que quem manda mesmo é o MERCADO. É ele que denfine ou que faz aparecer sinergias tão relegadas.

Até porque não se constroe uma viabilidade com tanta rapidez, e é por isso que o Rio de Janeiro vai receber o estaleiro, as condições de lá são melhores dos que as daqui, a começar pela localização. Porém não era preciso criar uma todo um enredo.

*Eduardo Lima é advogado, integrante da ONG Montanha Viva.

Enviado por Celso Martins

FATOX RELEVANTEX



FATOX RELEVANTEX

Por Everton Balsimelli Staub*

No dia 17 de novembro de 2010, o Estado de Santa Catarina acordava com as manchetes dos veículos do grupo de comunicação que detêm o monopólio deste ramo no Estado (segundo o Procurador Celso Antônio Três), anunciando que a empresa OSX Brasil S/A havia desistido de implantar um estaleiro no Município de Biguaçú, optando por fazê-lo no Estado do Rio de Janeiro.

Todos os veículos de comunicação do grupo realizaram intensas coberturas em todos os programas, abordando o assunto e cobrindo reuniões da empresa com chefes do Poder Executivo, entrevista coletiva com o alcaide de Biguaçú, redes sociais, blogs e outras mídias sendo infladas com informações sobre a desistência.

Seguiram-se manifestos de contrariedade daqueles que apoiavam o empreendimento e comemorações de alguns que eram contrários.

Esta foi “à notícia” vendida de forma articulada pelos veículos do grupo de comunicação. Os menores veículos por sua vez, reproduziram as informações que recebiam dos grandes, de forma que restou emplacado que a OSX desistia de instalar o estaleiro em Biguaçú.

Passei a analisar o fato de forma crítica e me detive a avaliar o “Fato Relevante” distribuído ao mercado financeiro e concluí que não há na informação distribuída por OSX Brasil S/A qualquer afirmação ou conclusão, sobre a desistência do projeto naval em Biguaçú.

O que existiu sim, foi uma manchete criada com “exclusividade” por jornalista ligada ao citado grupo de comunicação, de que estava sacramentada a desistência. Diante do elemento evidentemente polêmico e da ansiedade social sobre o tema, a imensa maioria considerou a conclusão do grupo de comunicação como “fato consumado” e sequer prestou atenção na origem de toda esta “campanha de anúncio da desistência”, que é o documento anunciado pela OSX Brasil S/A em seu site oficial.

São diversas as conclusões possíveis de serem tiradas, diante da informação oficial da empresa, entre elas:

a)     Que o início das operações de produção da OSX Brasil S/A se dará no Rio de Janeiro, mas este fato não exclui os evidentes planos de expansão da empresa;

b)    Que neste momento, o Rio de Janeiro oferece “sinergias” mais benéficas aos interesses da empresa, uma vez que a empresa necessitar iniciar suas operações, mas como toda empresa, necessita crescer;

Em nenhum momento, sob qualquer interpretação, a OSX Brasil S/A manifestou de forma objetiva que desistia do empreendimento em Biguaçú, quiçá poder-se-ía dizer que o projeto foi postergado, mas jamais abandonado.

Esta conclusão fica robustecida pelo singelo fato que diante de tantas reportagens e entrevistas feitas pela mídia, com políticos e formadores de opinião, em nenhuma delas pudemos escutar com palavras próprias dos dirigentes da OSX Brasil S/A, que estes desistiam do empreendimento. Aliás, diante de fatos tão polêmicos, para evitar mal-entendidos, até mesmo com o mercado financeiro, teria sido mais lógico, que a OSX convocasse uma entrevista coletiva e realizasse o anúncio de forma direta e objetiva, mas a empresa preferiu não se manifestar diretamente com sua palavra perante nenhum meio de comunicação, mas seus articuladores, entre eles alguns políticos, se manifestaram nos meios de comunicação utilizando até pontos de escuta no ouvido, de forma que resta evidente que jamais a empresa desistiu.

Diante destes fatos, existe uma possibilidade, ainda que remota, de que o anúncio de fato relevante, tenha atendido ao objetivo de acalmar investidores, porém os principais objetivos do “anúncio de desistência” repercutido pelo grupo de comunicação, podem ser:

a)     Desativar o movimento contrário a instalação do estaleiro, que diante das notícias, consideraria o assunto como “liquidado”;

b)    Liberar o ICMBIO e a FATMA da pressão social que vem recebendo perante o processo de licenciamento, para que possam se articular sem o intenso monitoramento que vinham recebendo;

c)     Criar perante a opinião pública, com as manchetes do grupo e comunicação, um clima de desconforto, uma espécie de culpabilidade daqueles que eram contrários ao empreendimento naquele local, tentando reverter a crescente repulsa que o empreendimento recebeu da sociedade nos últimos 3 meses;

d)    Criar um “ambiente” favorável para uma “triunfante” retomada do processo de implantação do empreendimento, justamente as vésperas do natal, quando o ICMBIO prometeu entregar o parecer, momento este em que toda a sociedade acaba se recolhendo em seu seio familiar e os movimentos sociais geralmente oferecem pausas de atuação e não teria motivação e articulação para fazer pressão contrária;

e)     Informar a sociedade no futuro, que jamais a OSX Brasil S/A afirmou que desistia do projeto em Biguaçú.

Diante destes raciocínios, o projeto de um estaleiro na Baía Norte de Florianópolis só estará definitivamente sepultado quando a OSX Brasil S/A informar este fato diretamente e objetivamente e sobretudo, quando forem protocolados os pedidos de desistência do licenciamento ambiental junto aos órgãos ambientais competentes.

Para espancar dúvidas ou raciocínios possíveis, urge que o ICMBIO torne público, no prazo mais breve possível, as conclusões do parecer elaborado pelo Grupo de Trabalho criado para avaliar o EIA/RIMA da operação naval em Biguaçú.

*Everton Balsimelli Staub é advogado

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(Publicado no site Montanha Viva)

Enviado por Celso Martins

Votar es un placer

Equador

'No Equador, todos os quadros de inteligência trabalhavam para a CIA', afirma Rafael Correa


O presidente Rafael Correa chega com um pequeno atraso ao seu escritório no Palácio de Carondelet, onde concedeu entrevista ao La Jornada, porque antes disso havia ido visitar no Hospital Infantil um menino de 11 anos que, no dia 30 de setembro, entre o caos e a violência que se armou, levou um tiro na perna. O menino sofreu duas paradas cardíacas, mas no fim, quase um mês depois, se restabelece satisfatoriamente.
Durante a entrevista, Rafael Correa se expressa aos poucos com uma franqueza pouco comum em chefes de Estado: estamos cegos, a zero, em matéria de inteligência para a segurança interna. Indignado com os setores que participaram da conspiração, inclusive as organizações indígenas que agora fazem política em aliança com a oposição de direita. Cauteloso antes de avalizar a lealdade das Forças Armadas ao seu governo: se comportaram de maneira profissional. Nem todos, mas em geral. Aí também há infiltração.
Basta tocar no tema das horas de perigo que viveu no dia 30 de setembro para que reviva com veemência e evidente tensão os três ou quatro momentos em que sentiu que poderia morrer, sobretudo durante o tempo em que esteve preso no Hospital da Polícia: “Houve um momento em que a única coisa que fiz foi rezar um pai-nosso e deitar no chão. Mais que medo sentia indignação pela traição dessa gente. E tristeza. Se fosse morrer, deixava este processo pela metade, deixava a minha família e meus filhos”.
Em uma sociedade civilizada, com pessoas como os golpistas não se conversa: se aplica a lei. Desencantado: “eu me sinto como um perdedor; todos perdemos”. E desafiado: “não vamos ceder, vamos radicalizar este processo. É uma dívida com os cidadãos heróicos que saíram às ruas em defesa da democracia”.
Mas, o que realmente o irrita é a estratégia de setores conservadores, repetida pela mídia de peso como a CNN e o The Washington Post, de negar que os acontecimentos de um mês atrás sejam um complô: “Negam a tentativa de assassinato do presidente, negam que fui sequestrado, dizem que isto é um show. Quem pode engolir essa mó? As provas estão aí, aí estão os mortos, por Deus!”.
É uma dor pessoal. E se nota. Alguém próximo ao presidente nos contaria que nas primeiras horas do conflito, quando se apresentou ao regimento Quito para atender os protestos dos policiais e se viu acossado por estes, um dos sublevados portava um bastão e lhe deu um golpe direto no joelho machucado, por causa do qual já está há meses entrando e saindo da sala de cirurgia, usando muletas e até cadeira de rodas. Uma escolta se interpôs. Fraturaram-lhe o tornozelo.
Mais tarde outro guarda, um de seus mais próximos, tirou o seu colete à prova de balas para colocá-lo no presidente. Levou um tiro nas costas e se teme que fique paraplégico. Finalmente, mais outro, um jovem do Grupo de Operações Especiais, caiu abatido no momento do resgate quando cobria com seu corpo a janelinha do veículo não blindado com que tiravam o presidente em meio a um intenso tiroteio.
A reportagem e a entrevista são de Blanche Petrich e estão publicadas no jornal mexicano La Jornada, 25-10-2010. A tradução é do Cepat.
Depois de Zelaya, o próximo sou eu
Depois do golpe perpetrado contra Manuel Zelaya, em Honduras (28 de junho de 2009), você declarou: o próximo sou eu. Que sinais você via?
Desde o primeiro dia do meu governo vivemos uma conspiração permanente, como todos os governos de mudança na América Latina. Que casualidade que sejamos nós – 2002 Venezuela, 2008 Bolívia, 2009 Honduras, 2010 Equador – que sofremos tentativas de golpe. A possibilidade de que isto seja casualidade é nula. Por quê? Porque estamos mudando as coisas.
Surpreende a forma como você reconhece que as estruturas de inteligência foram penetradas pela CIA.
É que é assim. Quando chego ao governo, sinceramente, por minha origem acadêmica, esse tema nem sequer era uma prioridade. Foi meu grande erro. O que é que me devolve à realidade? Em primeiro de março de 2008, quando tivemos evidências de que as instâncias de segurança do Estado equatoriano souberam com antecedência do ataque colombiano a Angostura e não nos informaram. Avisaram a Embaixada dos Estados Unidos.
Aí nos damos conta de que essas unidades recebiam orçamento dos Estados Unidos. Cria-se uma comissão que passa a fazer uma investigação e entre suas recomendações está a de que sejam desmanteladas. Temos evidências de que seu chefe, o coronel Mario Pazmiño, era empregado da CIA. Quando o demito e decidimos que nós vamos nomear a direção da unidade, a Embaixada dos Estados Unidos decide tirar a equipe que havia concedido. Mas os diretores entregam não apenas as equipes, os veículos, os computadores, mas as informações contidas nos computadores! Imagine o servilismo desta gente.
Que de tão grande foi o abismo em que a segurança interna foi lançado?
Ficamos no zero. Todos os quadros de inteligência trabalhavam para a CIA. Tivemos que buscar quadros alternativos, algo que não se forma da noite para o dia. Somente em 2009 conseguimos aprovar a lei do sistema nacional de inteligência.
É esta fragilidade que se manifestou no dia 30 de setembro?
Evidentemente. Houve traição em certos setores de inteligência da polícia.
E das Forças Armadas?
Também. O Partido Sociedade Patriótica esteve envolvido. Sua origem é militar. Há núcleos duros que, segundo consta no relatório da Comissão da Verdade, atentaram contra os direitos humanos e se sentem identificados com estes partidos.
Nesta hora você pode confiar na lealdade das Forças Armadas?
Bom, se comportaram de maneira profissional. Nem todos. E em geral têm um agradecimento com este governo, já que dobramos o seu salário e os equipamos. Quando chegamos, os encontramos em um estado de indefesa. Apenas 7.000, dos 42.000 policiais, tinham armas. Os dotamos com patrulhas, munições, equipes de telecomunicações. Fizemos o mesmo com a Força Aérea. No começo tínhamos praticamente nada, nem helicópteros. Agora já temos 14 Super Tucanos.
Mas há grupos duros com vinculações políticas que não tem interesse nem na Força Aérea nem na democracia, mas em manter seus privilégios e suas condutas repressivas.
Que mecanismos os cidadãos têm para se defenderem de conspirações deste tipo?
Nisto Hugo Chávez e Evo Morales levam vantagem. Chávez vem de uma formação militar, conhece isto e transformou o imenso capital político que tem em estruturas organizadas. Evo vem dos movimentos sociais, de uma longa luta, e tem o apoio de todas essas bases. No Equador, o projeto da Aliança País é uma reação da cidadania diante de tanto desastre, tanto saque. E sinceramente não sou um expert em questões militares ou policiais. O desafio da revolução cidadã é transformar o apoio popular que temos em estruturas mobilizadas como a melhor maneira de dissuadir estas intentonas.
Desencontros
Você vem da academia, mas com o apoio de um movimento popular. O Equador, nos anos 90, foi pioneiro na participação do movimento indígena. Essa já não é mais a base de seu governo?
Temos o apoio de muitos movimentos sociais, mas cuidado: o movimento social foi muito instrumentalizado. Agora qualquer coisa é movimento social, quando muitos de seus dirigentes são na realidade políticos fracassados que foram derrotados nas eleições e fazem política a partir de suas estruturas para impor sua agenda.
Há um movimento social e indígena que está com o status quo, com a direita. Devemos separar o joio do trigo. Tem razão em que o despertar do movimento indígena no Equador nos anos 90 foi o movimento social mais importante da América Latina. Nós estamos com eles.
Mas essa pureza inicial foi muito distorcida. Esse movimento criou um partido político, o Pachakutik. Sua direção está tomada por certos líderes que votam com a direita, e em 30 de setembro pediam a renúncia do presidente. É uma pena. A CONAIE e o Pachakutik perderam totalmente a bússola.
O primeiro pronunciamento da CONAIE foi um rechaço do golpe.
Depois se desdisseram. Os participantes do Pachakutik estiveram e estão com os golpistas. Tibán usou expressões muito grosseiras alguns dias atrás. Disse que se o presidente tivesse morrido não era por valentia, mas por idiotice. Seu irmão, diga-se de passagem, é policial e está preso.
Você descarta um reencontro com estes setores?
Não. Eu estou aberto. Mas, atenção: movimento indígena como processo histórico de emancipação, aí estamos totalmente de acordo. Nosso governo é dos indígenas. Nas eleições passadas a província onde tivemos maior votação foi a de Embaburo, que tem a maior população indígena do país. Com os dirigentes da CONAIE, com sua miopia, com as barbaridades que disse – me chamaram de genocida, xenófobo, etnocida –, com eles será muito difícil.
Você fala da penetração da CIA, mas não do governo norte-americano. Qual foi seu papel neste episódio?
Como governo, eu creio que os Estados Unidos não intervieram aqui. Não excluímos a participação de certos setores que atuam inclusive contra o presidente Barack Obama. Deles não tenho nenhuma prova, mas não excluo que tenham intervindo de algum modo. Quem excluo, pela confiança que tenho neles, é a Hillary Clinton e o presidente Obama.
Disse que a sua relação com Obama é de confiança?
Ele me telefonou algumas vezes depois do dia 30, de forma muito cortês, preocupado com o que se dizia em certas publicações. Me garantiu que não teve nada a ver com isso. Lhe respondi que não tinha que me dar explicações. É uma pessoa boa, mas não conseguiu mudar a inércia de grande parte do aparelho político dos Estados Unidos.
A versão de que no 30 de setembro não houve uma tentativa golpista teve muito eco. O que se pretende negando as evidências?
A ignorância da direita e de alguns meios de comunicação é tamanha que nem sequer conhecem que uma das categorias básicas da sociologia política latino-americana é que qualquer levantamento de força pública já é considerado um golpe de Estado. O que houve foi uma agenda política que se pôs em marcha desde o momento em que eu cheguei ao Regimento Quito e cercaram a comitiva presidencial. Aí estava o substituto do coronel Lucio Gutiérrez (ex-presidente golpista e derrocado, fundador do partido Sociedade Patriótica, de oposição), Fidel Araujo, com um colete à prova de balas dirigindo a operação. (Araujo foi preso sem direito a fiança em 5 de dezembro.) Em suas declarações disse que estava aí porque havia ido visitar sua mãezinha que estava perto.
Por que esta estratégia?
Porque querem nos desacreditar. Negam a tentativa de assassinato, que fui sequestrado. As provas estão aí, aí estão os mortos, os registros das telecomunicações das radiopatrulhas com a ordem “matem o Correa”. Em uma manifestação policial por melhores salários tratas de tomar as antenas de televisão, o canal oficial, fechas o aeroporto? Creio que com estas mentiras estão caindo no ridículo. Em boa hora.
De La hoguera bárbara e a proximidade da morte
Por estes dias, a propósito do plano B, o do magnicídio, há aqueles que recordaram o livro La hoguera bárbara, sobre o brutal assassinato, há um século, de Eloy Alfaro. O relato de Alfredo Pareja sobre como arrastaram até à morte o nosso líder liberal. Não, não vou me comparar a Eloy Alfaro, o único que fez uma verdadeira revolução neste país e que para nós é uma inspiração. Mas o que aconteceu no dia 30 tem muito de bárbaro. Venho de uma visita a um menino que a três quadras daqui foi ferido naquele dia. Estes desalmados deram 17 tiros em uma ambulância, feriram o motorista e o assistente, e nesse tiroteio uma bala atravessou a perna do menino.
O que passou por sua cabeça, pensou que realmente poderia morrer?
Sim, claro, não em um, mas em vários momentos. Agora sei que quando me levaram ao hospital, entre os gases e os sublevados que me atacaram, o diretor do Hospital da Polícia (César Carrión) mandou colocar cadeados para que não pudessem entrar. A minha segurança teve que rastrear a área, penetrou pelo outro lado, tirou os cadeados e abriu. Depois declarou à CNN que eu não fui sequestrado, mas que fui perfeitamente atendido.
Qual é a verdade? Quando nos levam à emergência e não nos deixam sair, tivemos que nos refugiar no terceiro andar com a pouca segurança que tinha nesse momento e fechamos as portas. Quiseram arrombá-las. Sempre estivemos encurralados, até que chegou uma unidade de elite para nos dar proteção.
Houve três ou quatro momentos em que senti que a morte estava muito próxima. Um, quando estes selvagens bateram na porta do terceiro andar para nos pegar. Não vieram nos saudar, verdade? E depois...
Correa se detém alguns segundos, dá um grande suspiro. É notório que está revivendo momentos de grande intensidade. Recompõe-se instantaneamente e continua:
Depois veio a minha segurança e me diz que interceptou comunicações com a ordem de me matar, que já estariam vindo, que franco-atiradores estariam subindo. Dava para ouvir o tiroteio. A única coisa que fiz foi rezar um pai-nosso e deitar no chão.
Outro momento foi durante o resgate. Balas por todos os lados. Vieram para me resgatar com uma cadeira de rodas; tenho 25 pontos no joelho da última cirurgia. Não se podia sair pela porta principal. Tiveram que me esconder por cerca de 10 minutos em um quartinho de limpeza, escuro. Deram a ordem de sair por trás e aí também atiraram. Toda a equipe sentiu a morte muito próxima, mas houve muita serenidade.
Perdão pela pergunta, mas o que sentiu?
Mais que medo, uma indignação pela traição. E tristeza. Se fosse morrer, deixava este processo pela metade, deixava a minha família e meus filhos (Balança a cabeça quase imperceptivelmente.).
Houve cinco mortes e dezenas de feridos entre a minha gente. É um verdadeiro milagre que esteja vivo, porque, como deram tiros!
Politicamente, como se sente agora? Quais são as perspectivas de seu projeto?
Dizem que no 30 de setembro houve uma vitória porque o nosso índice de popularidade aumentou. Mas me sinto um perdedor. Renunciaria a esses pontos de popularidade se pudesse devolver a vida a estes jovens que morreram nesse dia infeliz. Estou com um homem da minha escolta em um hospital dos Estados Unidos. Queira Deus que não fique paraplégico. Todos perdemos.
É hora de mudar, de frear a revolução ou, ao contrário, de radicalizar algumas medidas?
Evidentemente, radicalizar. Mudar o quê, por quê? Se temos mais apoio do que nunca. Não podemos ceder diante de balas assassinas. Seria trair aqueles que morreram nesse dia, a essa cidadania heróica que saiu desarmada para defender a democracia. Fazer a reconciliação com criminosos é impossível, isso seria permitir a impunidade. Vamos continuar. Mais ainda: vamos radicalizar a revolução.
Para ler mais:
• Equador. ‘A rebelião policial foi preparada com antecedência’
• ‘Me perguntaram se eu assumiria e lhes disse que não’, revela vice de Correa
• Equador. ‘Não há dúvidas que foi uma tentativa de golpe’
• Após rebelião, Correa detém policiais
• País vive clima tenso por causa do motim de policiais e militares
• Correa denuncia tentativa de golpe e decreta estado de exceção no Equador
• ''Aqui tentaram assassinar o presidente''
• Lula pede que região dê apoio ''irrestrito'' a Correa
• Correa diz que policiais tentaram iniciar guerra civil no Equador
• 'Não haverá perdão' para golpistas', afirma Correa
• Equador. Indícios de um golpe?
• Os insubordinados estão isolados
• O que aconteceu no Equador?
• A emboscada contra Rafael Correa
• 'Boatos podem derrubar um governo'
• Analistas no Equador discordam se revolta policial foi tentativa de golpe ou não
• ''Correa sai fortalecido no curto prazo''
• (Inst. Humanitas Unisinos)

Ateismo

Ateísmo militante
Escrito por Frei Betto
30-Out-2010

No decorrer da campanha presidencial afirmei, em artigo sobre Dilma Rousseff, que ela nada tem de "marxista ateia" e que "nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar com violência os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte".

O texto provocou reações indignadas de leitores, a começar por Sr. Gerardo Xavier Santiago e Daniel Sottomaior, dirigentes da ATEA (Associação Nacional de Ateus e Agnósticos).

Desfruto da amizade de ateus e agnósticos e pessoas que professam as mais diversas crenças. Meus amigos ateus leram o texto e nenhum deles se sentiu desrespeitado ou comparado a torturadores.

O que entendo por "ateísmo militante"? É o que se arvora no direito de apregoar que Jesus é um embuste ou Maomé um farsante. Qualquer um tem o direito de descrer em Deus e manifestar essa forma negativa de fé. Não o de desrespeitar a crença de cristãos, muçulmanos, judeus, indígenas ou ateus.

A tolerância e a liberdade religiosas exigem que se respeitem a crença e a descrença de cada pessoa. Defendo, pois, o direito ao ateísmo e ao agnosticismo. Minha dificuldade reside em acatar qualquer espécie de fundamentalismo, seja religioso ou ateu.

Sou contrário à confessionalidade do Estado, seja ele católico, como o do Vaticano; judeu, como Israel; islâmico, como a Arábia Saudita; ou ateu, como a ex-União Soviética. O Estado deve ser laico, fundado em princípios constitucionais e não religiosos.

Não há prova científica da existência ou inexistência de Deus, lembrou o físico teórico Marcelo Gleiser no encontro em que preparamos o livro "Conversa sobre Ciência e Fé" (título provisório), que a editora Agir publicará nos próximos meses. Gleiser é agnóstico.

Assim como não tenho direito de considerar alguém ignorante por ser ateu, ninguém pode "chutar a santa" (lembram do caso na TV?) ou agredir a crença religiosa de outrem. Por isso, defendo o direito ao ateísmo e me recuso a aceitar o ateísmo militante.

Advogar o fim do ensino religioso nas escolas, a retirada dos crucifixos nos lugares públicos, o nome de Deus na Constituição e coisas do gênero, nada têm de ateísmo militante. Isso é laicismo militante, que merece minha compreensão e respeito.

O Deus no qual creio é o de Cristo, conforme explicito no romance "Um homem chamado Jesus" (Rocco). É o Deus que quer ser amado e servido naqueles que foram criados "à sua imagem e semelhança" – homens e mulheres.

Não concebo uma crença abstrata em Deus. Não presto culto a um conceito teológico. Nem me incomodo com os deuses negados por Marx, Saramago e a ATEA. Também nego os deuses do capital, da opressão e da Inquisição. O princípio básico da fé cristã afirma que o Deus de Jesus é reconhecido no próximo. Quem ama o próximo ama a Deus – ainda que não creia. E a recíproca não é verdadeira.

Ateísmo militante é, pois, profanar o templo vivo de Deus: o ser humano. É isso que praticam torturadores, opressores e inquisidores e pedófilos da Igreja Católica. Toda vez que um ser humano é seviciado e violentado em sua dignidade e direitos, o templo de Deus é profanado.

Prefiro um ateu que ama o próximo a um devoto que o oprime. Não creio no deus dos torturadores e dos protocolos oficiais, no deus dos anúncios comerciais e dos fundamentalistas obcecados; no deus dos senhores de escravos e dos cardeais que louvam os donos do capital. Nesse sentido, também sou ateu.

Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas a religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, pré-existe aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas. Livre dos teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.
Creio no Deus que não tem religião, criador do Universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos.

Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda de nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.

Creio no Deus de Jesus. Seu nome é Amor; sua imagem, o próximo.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Vozes), entre outros livros.
(Correio da Cidadania)

Índios

A cosmologia guarani: um discurso próprio e intransferível


Há mais de quatro décadas trabalhando com os guarani, o jesuíta Bartomeu Melià salientou que sua existência pessoal está imbricada até seus meandros pelas vivências e aprendizados com esse povo. “Fui evangelizado pelos índios”, disse à plateia que assistiu à sua conferência A cosmologia indígena e a religião cristã: encontros e desencontros, na noite de 26-10-2010, dentro da programação do XII Simpósio Internacional IHU: a experiência missioneira: território, cultura e identidade.
Melià contou que nesses 400 anos de missões, os jesuítas sempre procuraram aprender a língua do povo, do lugar para onde eram enviados. Tal aprendizado se tornava uma verdadeira paixão e, às vezes, uma obsessão. Alguns missionários chegaram mesmo a enlouquecer, tamanha a dedicação e exaustão em aprender o idioma no qual estavam inseridos. Além disso, observou, um idioma precisa ser aprendido “apalpando-o”, “cheirando-o”. A língua é a “pele do povo”, e para o missionário deve ser a pele onde irá habitar desde então. A situação torna-se problemática quando se quer aprender o idioma sem viver a sua realidade. Por isso, disse Melià, não bastava traduzir o Evangelho para o guarani, mas era fundamental aprender as particularidades desse povo. No contexto da experiência missioneira a língua serviu como ponte entre missionários e indígenas.


A cosmologia em seu sentido estrito não se efetivou no contato entre padres e índios. Os missionários daquela época não estavam em condições de compreender a palavra dos índios sobre a sua cosmologia. Ademais, praticar uma religião indígena era considerado um grave equívoco pela igreja, basta lembrar da Controvérsia dos Ritos ocorrida na China, cujo protagonista foi o missionário italiano Matteo Ricci.

Padres “xamãs”?
De acordo com Melià, os índios não temem a morte, e sim as almas saídas dos corpos. “Eles não tem medo de morrer, mas medo dos mortos”. A Terra Sem Males já era um horizonte desejado pelos guarani, e a inspiração xamânica de sua religião era evidente. Nesse momento, Melià recordou a experiência do Padre Montoya, que em 1728 fala sobre aspectos da religião indígena como a existência do Curupira e da cerimônia de nascimento, na qual o pai da criança é quem fica de resguardo após o parto, deitado na rede, e recebe os cumprimentos. Outra particularidade é a inexistência de ídolos ou sacrifícios, além da saudação lacrimosa, caracterizada por lágrimas copiosas derramadas pelos guarani quando se cumprimentavam.


Melià recordou, ainda, que entre esse povo ele foi tido como uma espécie de xamã, já que tinha “profetizado” que suas matas seriam destruídas, que era preciso cuidar delas e preservá-las. Com o passar o tempo, o homem branco tornou esse alerta uma triste verdade. O próprio padre Montoya era tido como a reencarnação de um xamã guarani, e seu nome sagrado significava Sol Resplandecente. Essa estreita imbricação entre padres e índios demonstra o quanto suas culturas e crenças se enriqueceram mutuamente. A antropofagia foi outro dos temas trazidos pelo jesuíta à conferência. “Graças a essa prática os adultos trocavam de nome e as crianças podiam receber um”.

Religião, palavra inspirada
Entretanto, o aspecto mais importante destacado por Melià foi a estreita imbricação entre religião e palavra para os guarani. A religião é inspirada na palavra, e na palavra inspirada. Considerados “finos ateístas”, os guarani não acreditavam em ídolos e compreendiam a religião como palavra inspirada, sacramentada pelo canto e pela dança. Dentro do contexto de importância da palavra, o jesuíta recordou que entre os guarani uma das saudações matinais mais comuns é perguntar “o que você viu em seus sonhos?” Segundo Melià, é através dos sonhos que vem a palavra. É através dos sonhos que essa palavra se “deposita” no ventre de uma mulher e traz a vida. Para que uma criança nasça, é preciso que ela venha em forma de palavra aos sonhos de seu pai e de sua mãe. Só aí é que acontecerá a entrada da pessoa em forma de palavra no corpo da mãe. “O guarani sabe sonhar. Sonhar é dizer palavras, e as palavras são a história do povo guarani”. Essa é uma das razões por que a escola do homem branco não ressoa positivamente entre os índios: “não pode haver um professor de palavras. As palavras se recebem”.
Finalizando sua conferência, Melià mencionou a verdadeira amizade que se formou entre inúmeros missionários jesuítas e índios. Caciques, pajés e xamãs criaram estreitos laços de afeto com os padres vindos da Europa. Nesse sentido é fundamental a escuta do Outro, o respeito por sua palavra, apontou. Uma homenagem nominal a inúmeros índios selou o agradecimento do pesquisador a tudo que aprendeu com os guarani, “autores de um discurso cosmológico próprio e instransferível”.


Melià é pesquisador do Centro de Estudos Paraguaios Antonio Guasch e do Instituto de Estudos Humanísticos e Filosóficos. Sempre se dedicou ao estudo da língua guarani e à cultura paraguaia. Doutor em Ciências Religiosas pela Universidade de Estrasburgo, conviveu com os indígenas Guarani, Kaigangue e Enawené-nawé, no Paraguai e no Brasil. É membro da Comissão Nacional de Bilinguismo, da Academia Paraguaia da Língua Espanhola e da Academia Paraguaia de História. Entre suas publicações, citamos El don, la venganza y otras formas de economía (Assunção: Cepag, 2004). Ele esteve na Unisinos em 2006, por ocasião do Seminário Internacional A globalização e os jesuítas.
Reportagem: Márcia Junges






Para ler mais:
• Missão jesuítica, uma experiência de contato. Entrevista com Bartomeu Melià. Revista IHU On-Line nº 338
• "A história de um guarani é a história de suas palavras". Entrevista com Bartomeu Melià, Revista IHU On-Line nº 331
• A experiencia missioneira: territorio, cultura e identidade. Revista IHU On-Line nº348
• A globalização e os jesuítas. Revista IHU On-Line nº 196
• Jesuítas. Quem são? Revista IHU On-Line nº 186
• Jesuítas e a América Latina. Revista IHU On-Line nº 25
• As sociedades indígenas e a economia do dom: o caso dos guarani. Entrevista com Maria Cristina Bohn Martins
• (Inst. Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Como Vencer a Pobreza e a desigualdade" REDAÇÃO DE ESTUDANTE VENCE CONCURSO DA UNESCO

Comentário de Safrany Lider estudantil na DITADURA Brasileira

O chamamento da estudante, que ganhou o prêmio, está correto!: falta posicionamento de todos perante a nação para realizar a transformação radical (palavra tão criticada...), estrutural, da sociedade em que vivemos! E, como se faz isso? Agindo, lutando, todos por todos e não cada um(a) para si, como efetivamente prega o capitalismo, sociedade do egoísmo, do personalismo, do "leve vantagem", da exploração de uns poucos para cima da maioria.
Para acabar com a pobreza (não só física, mas a espiritual também), concordo plenamente com essa brasileira que mostra lucidez e coragem para escrever o que escreveu, precisamos nos unir, nos organizar e direcionar nossas energias para pôr fim a essa sociedade da exclusão, da mentira, alienação, da agressão aos seres humanos e meio ambiente, do atraso e exploração!
Precisamos de patriotas, convictos, que lutem pela brasilidade e não de pseudo dirigentes que trabalham para potências estrangeiras, de ontem e de hoje, entregando-lhes e a seus aliados, daqui e de outras paragens, nossas riquezas, patrimônio, trabalho vilmente pago, quando não escravo e até a soberania, como o fazem quase todos os que se locupletam desse sistema sórdido, injusto e autofágico. Precisamos, realmente, fazer a nossa REVOLUÇÃO, a de verdade e banir os vende-pátria, privatistas!!!
Parafraseando a música popular, nesse caso, Clarice não tem nenhum mistério (lembra-se da canção - "Que mistério tem Clarice?" -?)
Ela desmistifica, muito bem para quem tem olhos para ver, essa sociedade hipócrita em que vivemos e nos chama às falas para assumirmos a nossa condição de brasileiros, para sermos dignos desse país e da Humanidade!
Parabéns a ela e coragem para todos se levantarem!
Saudações Revolucionárias!
Safrany.

"Como Vencer a Pobreza e a desigualdade"
REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de  jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases.   REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ

'PÁTRIA MADRASTA VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil  está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.
 
 
Favor divulguem, aos poucos iremos acordar este "Brasil".

Lula recebe prêmio Indira Gandhi para a Paz 19 de novembro de 2010 • 10h42 • atualizado às 10h51 http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4800357-EI7896,00-Lula+recebe+premio+Indira+Gandhi+para+a+Paz.html Comentários 21 1. Notícia Presidente Lula acena ao final de cúpula do G20. Foto: AFP Lula já recebeu outras premiações internacionais, como o de "Estadista Global" e o prêmio Pela Paz Foto: AFP * 1. Reduzir 2. Normal 3. Aumentar * Imprimir O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido para receber o prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento de 2010 em uma decisão de um jurado internacional presidida pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. As informações são da Agência Ansa. O presidente, que deixará o cargo em 31 de dezembro de 2011, foi premiado porque trabalhou "pelo reforço das relações entre as nações em desenvolvimento, e em particular por seu importante apoio à cooperação" entre Índia e Brasil, explicou Singh. Ele também disse que o brasileiro se esforçou para adotar políticas com o objetivo de eliminar a fome e promover o crescimento do Brasil. Lula já recebeu outras premiações internacionais, como o de "Estadista Global" em janeiro deste ano no Fórum Econômico Mundial, e o Prêmio Pela Paz 2008, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em maio do ano passado. Criado em 1986, o troféu indiano já foi concedido ao ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev, em 1987; o primeiro presidente da República Tcheca, Václav Havel, em 1993; o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, em 1997; e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, em 2008.

 Como a mídia só divulga a PAZ manipulada de Obama e da chinesa fascista ( últimos ganhadores do nobel da paz), divulgaremos a PAZ SEM DEMAGOGIA e MANIPULAÇÕES:

Lula recebe prêmio Indira Gandhi para a Paz
19 de novembro de 2010 10h42 atualizado às 10h51
 
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Presidente Lula acena ao final de cúpula do G20. Foto: AFP Lula já recebeu outras premiações internacionais, como o de "Estadista Global" e o prêmio Pela Paz
Foto: AFP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido para receber o prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento de 2010 em uma decisão de um jurado internacional presidida pelo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. As informações são da Agência Ansa.
O presidente, que deixará o cargo em 31 de dezembro de 2011, foi premiado porque trabalhou "pelo reforço das relações entre as nações em desenvolvimento, e em particular por seu importante apoio à cooperação" entre Índia e Brasil, explicou Singh.
Ele também disse que o brasileiro se esforçou para adotar políticas com o objetivo de eliminar a fome e promover o crescimento do Brasil.
Lula já recebeu outras premiações internacionais, como o de "Estadista Global" em janeiro deste ano no Fórum Econômico Mundial, e o Prêmio Pela Paz 2008, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em maio do ano passado.
Criado em 1986, o troféu indiano já foi concedido ao ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev, em 1987; o primeiro presidente da República Tcheca, Václav Havel, em 1993; o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, em 1997; e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, em 2008.
 

IDELI , fantástica na luta contra o PRECONCEITO. Salve!!!!!!!!!!

Ideli dá um “porradão” no preconceito, a partir de comentário imbecil na TV
http://migre.me/2k9pk

Preconceito do jagunço da RBS/Globo

http://migre.me/2k9nS

--
Mª Stela Cabral
Ponto de Cultura Tarsila do Amaral
CNPdC-GT Legislação - Comissão de Mobilização

Pontão Setecidades
Rede Pontos de Cultura de Diadema

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Marcelo Bancalero

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Lula reage para barrar 'blocão' do PMDB

Sabrininha Craft
Lula reage para barrar 'blocão' do PMDB
18 de novembro de 2010 | 8h 02

AE - Agência Estado

Foi rápida e forte a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à montagem de um "blocão" na Câmara dos Deputados liderado pelo PMDB, com 202 deputados, do qual participariam também o PR, PP, PSC e PTB. Menos de cinco horas depois do anúncio do bloco, o presidente Lula deu o troco. E arrancou de lá o PR e o PP.

Primeiro, Lula convocou ainda na noite de terça-feira ao Palácio da Alvorada a presidente eleita, Dilma Rousseff, e o ex-ministro Antonio Palocci, para orientá-los a não ceder espaço no futuro governo aos partidos que formaram o bloco. Depois, foi deflagrada uma operação nos partidos médios para desfazer o que havia sido montado pelo PMDB.

"O PR é aliado do governo e da presidente Dilma. Faz parte do governo. Não faremos nada em desacordo com o governo", declarou a seus comandados o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente da legenda e ex-ministro de Lula. Ele disse que qualquer decisão terá de passar pela Executiva e não está nos planos a formação de um bloco.

Nascimento teve o cuidado de não desautorizar publicamente o líder do partido na Câmara, Sandro Mabel (GO), que participara da formação do bloco na terça-feira, ao lado do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Mas deixou claro que não haverá nenhuma decisão agora, taxando a hora de "inoportuna".

De acordo com um interlocutor de Lula, o presidente falou a Dilma das armadilhas que são preparadas pelos aliados no Congresso - como a da formação do blocão - e a orientou a evitar reação mais forte, pois ele trabalharia para abortar o movimento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Claudia Wasilewski: "Brasil perde um mestre”.

Claudia Wasilewski: "Brasil perde um mestre”.: "Via Isabella Ferreira. Perto de completar 90 anos, falece em Curitiba, na manha desta quinta-feira (18), o comunista, guerreiro e artista pl..."

Lula

Após 8 anos, irmãos de Lula mantêm vida modesta
FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO
Vavá tinha 108 canários do reino, hoje não resta nenhum. O motivo: os ratos de telhado que invadiam o viveiro do seu sobrado na periferia de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo.
A casa simples onde mora Vavá, ou Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Lula, é a mesma há 36 anos.
Às vésperas do segundo turno da eleição, ele conversou por uma hora com a Folha. De início, gritou para a mulher, que atendeu o portão, que não queria papo. Mas logo cedeu e convidou a reportagem a entrar.
Primeiro falou na apertada sala (5 m²), decorada com móveis tipo Casas Bahia, azulejo barato, uma TV grande e três quadros: uma foto oficial do presidente (com o autógrafo “Para o meu querido irmão Vavá, um abraço do Lula”); um retrato em preto e branco da mãe, dona Lindu; e um quadro bordado de uma mulher-anjo.
Depois, no terraço do primeiro andar nos fundos da casa, onde havia a criação, contou que os ratos arruinaram os canários e ele foi forçado a dar os que restaram.
Personagem do noticiário em 2007, quando foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência e exploração de prestígio, na Operação Xeque-Mate (que investigou máfia de caça-níqueis), Vavá foi excluído da denúncia do Ministério Público.
“Os caras pensam que a gente é milionário, quebraram a cara. Desmoralizam você, te jogam no lixo. Se não tiver cabeça, acabou.”
Aposentado como supervisor de transporte da Prefeitura de São Bernardo, pouco sai de casa. Ainda se ressente de seis cirurgias nos últimos anos (no fêmur e na coluna).
DUREZA
A poucos dias de Lula deixar a Presidência, após oito anos no cargo, os seus seis irmãos vivos moram em situação semelhante à de Vavá, alguns com maior dureza.
O primogênito, Jaime, 73, vive numa periferia pobre de São Bernardo, acorda diariamente às 4h30 e vai de ônibus para o trabalho, numa metalúrgica na Vila das Mercês, zona sul de São Paulo.
Marinete, 72, a mais velha das mulheres, que foi doméstica na juventude e hoje não trabalha, é vizinha de Vavá.
Quando a Folha o entrevistava, ela surgiu no terraço dos fundos do seu sobrado, colado ao dele, para checar um contratempo. “Não tem água. Acabou a água da rua e estou sem água”, queixou-se. “Marinete do céu, nenhuma das duas [da rua ou do tanque]?”, questionou Vavá.
O fotógrafo Lalo de Almeida subiu no muro para checar o registro da caixa d’água. “Ó o sujeito… Ah, você não vai subir, não. Filhinho de papai, não sabe subir em muro”, gracejou Marinete.
Vavá, 71, é o terceiro. É seguido por Frei Chico (José Ferreira da Silva), 68, o responsável por introduzir Lula no sindicalismo. Metalúrgico aposentado, Frei Chico recebe ainda uma indenização mensal de R$ 4.000 por ter sido preso e torturado na ditadura. Presta assessoria sindical e mora em São Caetano.
Maria, a Baixinha, 67, e Tiana (cujo nome de batismo é Ruth), 60, a caçula –Lula, 65, está entre as duas–, completam a família. A primeira vive no mesmo bairro que Vavá e Marinete e não trabalha; Tiana, merendeira numa escola pública, mora na zona leste de São Paulo.
Esses são os sobreviventes dos 11 filhos de dona Lindu com o pai de Lula, Aristides –que teve vários outros filhos com outras mulheres.
SAÚDE
Todos os irmãos do presidente Lula têm problemas de saúde. Jaime e Maria enfrentaram cânceres. Frei Chico é cardíaco. Vavá tem complicações ósseas. Marinete está com uma doença grave que os irmãos não revelam.
“Só tem o Lula bom ainda”, afirma Frei Chico.
Os parentes dizem não receber auxílio financeiro do presidente e não se queixam disso. “Ele não foi eleito presidente para ajudar a família. Seria ridículo se desse dinheiro”, declara Vavá.
“Não tem o que dizer. O Lula tem a vida dele, temos a nossa. Ainda posso trabalhar, trabalho”, diz Jaime.
Frei Chico conta estar aliviado com o fim do mandato de Lula na Presidência. Ele acredita que vai cessar o assédio aos irmãos em busca de atalhos até o Planalto.
“Para nós, só tem a melhorar. Vamos ficar mais tranquilos em relação à paparicagem. É muita gente enchendo o saco, gente que achava que a gente podia fazer alguma coisa”, afirma.
Os irmãos não têm ilusão de que, ao deixar Brasília, Lula seja assíduo nas reuniões familiares. “Estamos envelhecendo, a família vai chegando ao fim e assumem os filhos e sobrinhos, a família lateral”, diz Vavá.
O consolo é pensar que o irmão famoso estará mais perto. “Ele disse que não vê a hora de voltar [para São Bernardo] para descansar um pouco. Ele está muito cansado. O Lula tem trabalhado muito”, afirma Marinete.
(Blog do Rovai)