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sábado, 13 de novembro de 2010

os USA balança mas não caí?Considerações de Marcos Rebello


Por que os EUA cogitam (e tem como certo) injetar esses $600 bi no mercado de capitais? Essa é a pergunta certa, e não perguntar por que impedir que a economia norteamericana melhore com os "quantitative easing" atraves do "guidelines" de 4% do PIB para mais ou para menos nas contas correntes!

Respondendo ... Porque Geithner, que é do Tesouro, representa o governo, mas ele é o testa de ferro de Bernenke do FED. Isso para fazerem crer que o problema é econômico na parte comercial quando na verdade não é. O problema é financeiro, sobre quem tem a autoridade de emitir crédito, que nesse caso é a torto e a direito para garantir monopólio de um sistema que está corroendo toda a base econômica de países produtores inclusive os EUA. O FED é instituição privada que age em nome de interesses privados mais obscuros. A briga aí é por supremacia de sistemas financeiros e nada mais.

Porque o motivo dos $600 bi não é nem a desvalorização do dólar! O real motivo é anterior, manter o poder do dólar como moeda franca para garantir o controle político através do monetarismo. Esse é o motivo real de toda essa charada.

Mas nessas cúpula esses ministros não tem a coragem necessária para colocar a realidade na mesa e desmascarar tudo - mesmo porque a maioria deles tem MBA nessas universidades criadoras de fantoches e passam a ser agentes de influencia sem saberem. Eles então preferem ficar jogando para fazerem de conta que são inteligentes e polidos pretendendo navegar nesse mar de lama e arrecifes quando muitos não têm a mínima noção do que estão fazendo. Mas alguns tem porque nos seus Congressos, como em quase todos no mundo, existe aquela patota de pelegos comprados nas eleições que pressionam todas as propostas decentes, assim como no Brasil. Como tem também os caciques de partidos que negociam com esses tiranos pelas costas do povo. Isso é a democracia que conhecemos. Quando sai disso, quando aparece um dirigente decente, o chamam de populista, e ... ai ai ai, derrubam o cara.
O FMI decidiu aumentar a cota de alguns na diretoria para apenas demonstrar uma aberturinha de boa vontade, porque simplesmente não há saída. Alem do mais essa cota é de apenas 6%. O papel do FMI é garantir que essa porcaria de sistema prossiga sem alteração na base monetária que é o que eles realmente querem. O resto é migalha. E a economias do mundo seguem igual nessa de cambio flutuante totalmente sem parâmetros mas absolutamente controladas pelos emissores de crédito baseados exclusivamente em emissão de moedas.

Agora voltando aos $600 bi. Porque vc acha que foram 600? Veja no mês de outubro quantos bi o Brasil jogou no mercado para ver se sustentava o Real dentro de um parâmetro aceitável? Era $1 bi por dia durante duas ou três semanas. Pergunte agora o que representa isso frente a $600 bi, e isso de um BC (o FED) que é TOTALMENTE controlado pelos monetaristas que ja provaram poder e querer emitir o quanto quiserem no mercado? Essa merreca do Brasil não representa nada! E quem iria agüentar mais emissões no futuro que serve para garantir a supremacia de um sistema falido mas que exige se manter no controle? Quem iria peitar essa gente depois de saudáveis novamente? Ninguém! Tem que ser agora o arrocho.

Essas são as questões de fundo que devem ser discutidas e satisfatoriamente respondidas para que se tenha uma compreensão do que é a política econômica geradora de guerras mundiais.
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G20 se compromete a evitar desvalorizações competitivas

G20 se compromete a evitar desvalorizações competitivas

12 de novembro de 2010 • 05h27 • atualizado às 06h03

Reduzir Normal Aumentar Imprimir Os líderes do G20 se comprometeram nesta sexta-feira a evitar desvalorizações competitivas de moedas e a fortalecer a cooperação internacional para reduzir os desequilíbrios globais, segundo o comunicado final da quinta reunião de cúpula do grupo, celebrada em Seul.

No 'Plano de Ação de Seul', incluído no comunicado, o G20 destaca que se movimentará para um "sistema de taxas de câmbio mais determinado pelo mercado" e deve "abster-se de desvalorizações competitivas de moedas".

"As economias avançadas, incluindo aquelas com moedas de reserva, permanecerão vigilantes à volatilidade excessiva e aos movimentos desordenados das taxas de câmbio. Estas ações ajudarão a reduzir o risco de excessiva volatilidade nos fluxos de capital que alguns países emergentes enfrentam", afirma o texto.

Após dois dias de discussões, as 20 maiores economias do planeta alertaram que políticas econômicas não coordenadas podem ter consequências desastrosas para todos. Por este motivo, o G20 se comprometeu a "fortalecer a cooperação multilateral para reduzir os desequilíbrios excessivos na economia mundial".

O grupo de países ricos e emergentes também concordou em aplicar mecanismos para manter os níveis de conta corrente em categorias sustentáveis, de acordo com critérios que serão definidos por grupos de trabalho com apoio técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A reunião de cúpula de Seul do G20 tinha como principal objetivo reduzir a tensão provocada pela "guerra cambial" e os desequilíbrios de contas correntes, principalmente entre Estados Unidos e China, que acentuaram as divergências dentro do grupo nos últimos meses.
O debate sobre as intervenções para desvalorizar as moedas e estimular as próprias exportações ficou tenso após a decisãoo da semana passado do Federal Reserve (Fed, banco central americano), de injetar 600 bilhões de dólares no circuito financeiro.

O anúncio foi muito criticado por China, Alemanha e Brasil porque debilita a cotização do dólar.
.http://invertia.terra.com.br/g20/noticias/0,,OI4787869-EI16692,00.html

Enviado por Marcos  Rebello

Drummond

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

(Poemblog)

Israel

Na fila de um check-point
12/11/2010 | Soraya Misleh

Logo no primeiro dia do Fórum Mundial da Educação na Palestina, 28 de outubro, após a marcha, vivemos um constrangimento que os habitantes sob ocupação enfrentam diariamente. Tentando nos deslocar na Cisjordânia, de Ramallah a Jerusalém, para acompanhar a coletiva de imprensa inaugural do encontro, conseguimos uma carona até um checkpoint. Não havia outro jeito senão passar a barreira a pé para pegar um táxi. Em vários portões era visível a segregação que predomina no local. Nas filas, palestinos aguardavam permissão para ir a Jerusalém, cumprindo seu cotidiano sob humilhação e opressão.
Para passar, as pessoas enfrentavam as revistas feitas aos gritos. Alguns, mesmo tendo autorização para efetuar esse trajeto - que nem todos os habitantes podem fazer - eram proibidos de seguir em frente, seja para trabalhar, estudar, visitar familiares. Ali, o direito de ir e vir livremente é negado o tempo todo. Ficamos na fila até que não havia mais tempo de alcançar nossos compromissos. Como era o caso também daquelas pessoas.
A cena choca, ainda mais se pensarmos que o mundo já sabe que o apartheid é regra na Palestina ocupada. Há inúmeros observadores internacionais circulando no território e essas imagens não são novidade. O imponente muro é símbolo mundial dessa opressão. Apesar disso, os palestinos não perdem sua alegria e receptividade e resistem das mais diversas formas.
No fórum que debatia a educação na Palestina, encerrado no dia 31 do mesmo mês, ficou claro que resistir é também ir à escola para estudar ou dar aulas. Em Hebron, por exemplo, a drástica ocupação se concretiza sob a forma de inúmeros assentamentos em que vivem mais de 400 colonos, 160 câmeras de vigilância espalhadas pelo centro velho e 1.500 soldados israelenses. As crianças e professores palestinos são obrigados a percorrer 12 quilômetros diariamente para chegar à escola. Fariam o caminho em poucos minutos, se não fossem proibidos de andar por suas próprias ruas, transformadas em áreas sob controle militar. Ali as lojas foram cerradas, impedindo o trabalho. Os palestinos que resistem são obrigados a montar barracas nas portas de seu comércio. Um deles conversava conosco enquanto desenhava na areia símbolos como a hata preta e branca, quando uma manifestação de colonos nos alcançou.
A agressividade e arrogância dos marchantes ficou evidenciada em suas atitudes. A despeito do cerco que fizeram em torno da barraca do artista que trabalhava com areia de várias cores, este continuou seu trabalho calmamente. Um exemplo de dignidade face à opressão. Soldados israelenses – que, como enfatizou o palestino que nos acompanhava nessa incursão, sustentam a ocupação em Hebron – afastaram a turba. Não derrubaram essa barraca desta vez, talvez constrangidos pela presença de câmeras fotográficas e filmadoras. A do lado não teve a mesma sorte. Foi ao chão, com direito a peças quebradas, como colares inofensivos.
Ao ver e vivenciar essas cenas de segregação e a resistência sob diversas formas, participantes do Fórum Mundial de Educação na Palestina consideram urgente que o mundo se engaje fortemente em campanhas como as de boicotes a produtos israelenses, pelo direito à educação e contra o muro do apartheid.
Em workshops e momentos informais, pudemos ouvir e conversar sobre a Semana de Boicotes, Não Investimento e Sanções a empresas, instituições e universidades que apoiam a ocupação. Marcada para 9 a 16 de novembro, a atividade ocorre de forma globalizada, com iniciativas em todos os continentes. Maratona midiática que começa hoje e segue por 48 horas no mundo, convocada pelo movimento Stop the Wall e apoiada por mídias alternativas, como a Ciranda Internacional da Informação Independente, integra esse movimento por justiça.
• (Icaarabe)

pensamentando

Os contos de uma psicanalista
O Diário do Comércio publicou há algum tempo a seguinte resenha:


As duas vertentes da delicadeza


e do melindre, por Sylvia Loeb



Renato Pompeu



Em seu novo livro de contos-poemas, “Amores e tropeços”, lançado pela Editora 3nome, a paulistana Sylvia Loeb, que é de formação psicanalista, mas está consagrada como ficcionista de linguagem altamente elaborada, à altura de seus temas profundamente humanísticos, consegue reunir numa única criação tanto o duplo conceito do termo “delicado”, como a dupla noção do vocábulo “melindroso”. Seus textos sobre o amor e seus tropeços, textos profundamente carnais, como o amor mais sensual, e textos ao mesmo tempo intensamente espiritualizados, como o amor mais enlevado, são delicados, tanto no sentido de que uma carícia é delicada, como no sentido de que um paciente em situação crítica se encontra em estado delicado. Esses textos também são melindrosos nos dois sentidos dessa palavra: no de que uma mulher formosa e encantadora é “melindrosa”, e no sentido de que um episódio embaraçoso, ou um estado terminal, é “melindroso”.

Por exemplo, o primeiro conto, de título “Amor! Meu amor!”, diz tudo em pouquíssimas palavras: “Socorro! O amor que tenho não dá para dois, me ajude a salvar nosso amor, ela implora”. Vamos no deter inicialmente em considerações sobre o título. O primeiro “Amor!” poderia ser ao mesmo tempo em si uma invocação e/ou uma menção ao sentimento em geral e em si do amor, como pode ser um chamado dirigido à pessoa amada; já o “Meu amor!” tanto pode ser uma referência ao sentimento da própria pessoa, como um apelo à pessoa amada por ela. No entanto, no texto propriamente dito do conto-poema, “Socorro!” é indubitavelmente um apelo à outra pessoa.

Já “O amor que tenho” é uma referência delicada a um assunto melindroso: tanto pode significar “o sentimento que me imbui” como “a minha sexualidade”, que “não dá para dois”. Isto é, de uma maneira delicada e melindrosa, em todos os sentidos dos dois termos, se denota que tanto “o sentimento que me imbui” como “a minha sexualidade” não gozam de plena autonomia e de plena autossuficiência, muito menos são capazes de sustentar uma relação a dois, Pois o que poderíamos chamar de “o meu amor que só dá para mim” tanto pode ser um egoísmo como um sentimento por outra pessoa que não desperta a reciprocidade dessa outra pessoa; indo mais longe, pode acontecer de que “o meu amor que só dá para mim não é suficiente nem para mim”. Em termos mais carnais, a castidade, ou a masturbação, não são uma felicidade tão plena quanto o amor sexual a dois.

Quanto a “me ajude” indica que a pessoa que faz o apelo está consciente de que tem uma necessidade a preencher, e mais ainda, de que não pode preencher essa necessidade sozinha, precisa da ajuda de outra pessoa, e de uma outra pessoa específica, não de qualquer outra pessoa, pois a pessoa que apela se está dirigindo ao seu “amor”, no caso, à pessoa que ela ama. E qual a carência a ser preenchida? A necessidade de “salvar nosso amor”, diz-se em seguida.

Como “salvar nosso amor”? Aqui não se trata, longe disso, só do “amor que tenho”, trata-se isto sim do “nosso amor” – ou seja, de um amor recíproco, de um amor compartilhado pelos dois, tanto pela pessoa indicada pelo “me”, isto é, “eu”, como a pessoa indicada pelo “me ajude”, isto é, “você”. Ou seja: “Você e eu temos de salvar nosso amor”. E como é que se pode “salvar nosso amor”? Somente o exercendo. Mas aqui, ao contrário do que diz o título do conto-poema, não se trata apenas de “amor”, trata-se também, como diz o título do livro, de um “tropeço”: o fato de que a história termina em “ela implora” indica que a outra pessoa está recalcitrante, não quer “salvar o nosso amor”, ou hesita em fazer isso.

Será que o que foi dito convence a outra pessoa? A autora deixa isso em suspenso, e em suspense. Em todo caso, em que situação é que uma pessoa pode literalmente “tropeçar” na outra? Por meio do encontro de suas pernas com o corpo da outra pessoa, nos diria o senso comum. Sylvia Loeb está longe de se limitar ao senso comum: mais do que uma psicanálise, ela, como ficcionista, faz toda uma psicologia da espiritualidade, que é também corporal, de cada personagem. Seus contos são assim: flagrantes da eternidade, instantâneos que revelam toda uma vida.

rrpompeu@uol.com.br

www.renatopompeu.blogspot.com

Marx

Descubren a Marx

Antonio Peredo Leigue

¡No podía ser de otra manera! Después de ciento cincuenta años, los economistas norteamericanos descubren que Karl Marx tenía razón. Robert Reich, quien fue secretario del trabajo de Bill Clinton, y David A. Moss, de la Universidad de Harvard, descubren que la desigualdad en la distribución de la riqueza causa las crisis del capitalismo. “Cuando vi la correlación tan extraordinaria entre crisis financiera y desigualdad, no podía creerlo” dijo el asombrado alumno de Harvard. ¡Cómo no iba a estarlo, si en Harvard no se conoce, y mucho menos estudia, “El Capital” de Marx! Allí está esa relación explicando que es la causa de las crisis que, además, son periódicas.


Como es lógico suponer, esas desigualdades se han hecho más escandalosas con el tiempo. A mediados del siglo diecinueve, las crisis alcanzaban un mercado más o menos nacional. Las fortunas tenían esa influencia. Hoy, es distinto: en 1928, al iniciarse la gran depresión que alcanzó a dar la vuelta al mundo, el 1% más rico de Estados Unidos, acaparaba más del 23 por ciento de la riqueza nacional. Tardaron entre 4 y 6 años en recuperarse, mientras las colas de desempleados esperaban pacientemente a que, alguna entidad caritativa, les alcanzase un plato de sopa mal hervida. El 2007 pasado, ese 1% más rico, volvió a tener 23 por ciento de la riqueza. ¡Cómo no aprenden sus propias lecciones! Porque, para llegar a una conclusión racional, ni siquiera se precisa leer a Marx; basta con conocer la historia. Claro que la codicia no conoce de historia.

Veamos lo que dijo Karl Marx en “El Capital”: “La crisis estalla cuando los reingresos de los comerciantes que venden en mercados lejanos (o cuyos acopios se han acumulado en el interior del país) se vuelven tan lentos y parsimoniosos, que los bancos reclaman sus deudas, o los pagarés recibidos por las mercancías vencen antes que se haya producido la reventa. Entonces comienzan las ventas forzadas, las ventas con fines de pago: y en ese momento el krach pone brusco fin a la prosperidad aparente.

Pero los economistas de este tiempo no comprenden y siguen sin comprender. Se asustan con los acontecimientos. Dice un catalán, Arcadi Oliveres: “Tras el crash del 29, la desigualdad se redujo. Pero ahora la tendencia es exactamente la contraria. Así no se saldrá de la crisis”. Y a renglón seguido revela que, las joyerías en París, y seguramente en otras ciudades como Ginebra, Berlín o Londres, las ventas aumentaron tanto que, esas tiendas están cerrando más temprano, porque temen quedarse sin mercadería para la campaña navideña cuando, por supuesto, ponen precios más altos todavía.

¿De qué se extrañan?

Refiriéndose a este tema, precisamente, Marx dijo: “lo único que el capitalista y el economista ven es que la parte del trabajo pagado que se relaciona con la unidad de mercancía varía con la productividad del trabajo, y que por lo tanto sería el valor de la unidad. No advierte que dicha variación se produce también en el caso del trabajo no pagado que contiene cada unidad, menos aún percibe que, en efecto, el trabajo no pagado consumido en su esfera, sólo determina por azar que sea la ganancia media. Únicamente en una forma tan tosca y carente de sentido podemos entrever que el trabajo que contienen las mercaderías, determinan su valor”. En otras palabras, los ricos siguen comprando porque les parece que las joyas están baratas y podrán revenderlas cuando la crisis los alcance. No los alcanza todavía porque es corto el tiempo y, lo que en 1928 era 23 por ciento de la riqueza total de Estados Unidos, hoy se refiere al 23 por ciento de una riqueza que hace mucho tiempo dejó de ser estadounidense y se convirtió en mundial.

Estos señores deben leer a Marx para entender lo que está ocurriendo en el mundo.

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PUBLICADO POR ARGENPRESS EN 15:31:00
ETIQUETAS: ANTONIO PEREDO LEIGUE, CAPITALISMO, CARLOS MARX, ESTADOS UNIDOS, KARL MARX, MARXISMO, OPINIÓN, SOCIALISMO

PARTIDOS DE ALUGUEL OU DE BORDEL?

Fiquei preguiçoso com a idade: quando encontro um artigo de colega que diz tudo o que há para se dizer a respeito de algum assunto, tenho optado por simplesmente o reproduzir, ao invés de quebrar a cabeça para escrever a mesma coisa de outra forma.

É o caso de Aluguel de partidos, do colunista Fernando de Barros e Silva, um dos poucos profissionais que se mantêm verdadeiros jornalistas na Folha de S. Paulo.

Eis os principais trechos:
"... (designamos com) a expressão 'partido de aluguel' (...) certas legendas nanicas. Mas como chamar um partido que apoia o governo Lula (ou Dilma) na esfera federal e ao mesmo  tempo dá seu apoio ao governo Serra (ou Alckmin) em São Paulo? Partido anfíbio? Partido oportunista? Partido Macunaíma? Partido ao meio?

Não estou me referindo apenas ao PMDB, verdadeiro partido de artistas, capaz de abocanhar a vice-presidência do governo Dilma, segurar com uma mão no governo Alckmin e com a outra fazer acenos para atrair Gilberto Kassab do DEM.

Pense no PSB, no PDT e no PV, três partidos que têm alguma pretensão de ser levados a sério ou possuir identidade programática. Na prática, pertencem à base do governo petista na esfera federal e à base do governo tucano em SP.

É curioso o caso do PSB. O partido cresceu, elegeu ou reelegeu seis governadores (...). Mas o PSB, em São Paulo, serviu de barriga de aluguel para a candidatura quixotesca de Paulo Skaf, o empresário que liderou o 'Xô, CPMF!', que os governadores do partido agora querem de volta. Afinal, que apito toca o PSB?

...(em) São Paulo (...) os governos tucanos mandam e desmandam na Assembleia Legislativa usando os mesmos métodos de aliciamento do governo federal.

...Alckmin agora está empenhado em promover um arrastão nas legendas que também parasitam Lula/Dilma (o PR, o PRB e o PP, além das citadas). Quase todos estão na política para isso mesmo: fazer negócios. E todos querem ser do único partido que de fato importa - o partido do poder".
 A REFLEXÃO QUE SE IMPÕE

O quadro que ele pinta com cores vivas, tão repugnante quanto rigorosamente exato, enseja uma reflexão, que eu recomendo seja feita pela companheira presidente Dilma Rousseff.

Para simplesmente obter sustentação para governar, a utilização (e pagamento) dos préstimos dessa escória política e moral é suficiente.

Mas, para devolver ao povo a esperança de que o Brasil possa ser mudado -- e de que ele, povo, possa ser o agente dessa mudança --, não. Aí será preciso bem mais.

Em abril de 1989, fui dos primeiros a entrevistar o candidato a presidente Fernando Collor, para a Agência Estado. Surpreendentemente, ele se alçara ao 2º lugar das pesquisas de intenção de voto, mas o meio jornalístico ainda o avaliava como mero fogo de palha.

Eu pressenti que ele poderia vencer. E, como Collor se apresentava como alternativa (caçador de marajás) à politicalha imunda, perguntei-lhe como faria para governar, tendo o Legislativo majoritariamente contra.

Respondeu que, com a autoridade de primeiro presidente eleito pelo povo em quase três décadas, ele convocaria as massas para pressionar o Congresso Nacional.

Palavras ao vento, claro -- afinal, ele próprio não passava de criatura do sistema que dizia combater. A única diferença era provir da periferia desse sistema, e não do seu centro.

Mas, para quem quiser mesmo ser uma alternativa à putrefata  política oficial, talvez seja este o caminho das pedras.

Não, não estou falando nas célebres  ameaças à democracia, o espantalho que a direita tanto gosta de erguer quando ela própria conspira para golpear as instituições democráticas.

Mas, em barganhar menos, ceder menos -- e usar mais a autoridade moral e o apoio das massas.

Seria um começo. E, dizem, Dilma é suficientemente dotada de brios para assumir uma postura destas.

Enfim, espero que ela leia o ótimo artigo de Barros e Silva e reflita sobre se, depois de ter lutado tanto, vale a pena tornar-se apenas a rainha do pântano nele tão expressivamente retratado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Filhos

11/11/2010 - 11h11
Aos nossos filhos
Por Frei Betto*
Não tenho filhos. Mas, obviamente, sou filho, em companhia de mais sete irmãos. Se me faltam filhos biológicos, tenho-os espirituais ou por vínculos de parentesco. Sobrinhos são 16. Sobrinhos-netos, 14, dos quais nove com menos de cinco anos de idade!

Quando se fala em legado aos filhos há quem, de cara, pense em dinheiro. Tudo bem que os pais queiram fazer um pé de meia de olho no futuro de seus rebentos. Mas... cuidado! Não é dinheiro o que um filho mais espera dos pais, ainda que não saiba expressá-lo. É amor, amizade, apoio e, sobretudo, exemplo de vida. Thomas Mann dizia que um bom exemplo é o melhor legado dos pais aos filhos.

Ainda que os pais, bafejados pela roda da fortuna, deixem a seus descendentes gordas heranças, estas não deveriam ser o principal legado. Nada mais perigoso a um jovem que centrar sua autoestima na conta bancária ou no patrimônio familiar. É meio caminho para se tornar arrogante, preconceituoso e vulnerável às drogas. Sobretudo à cocaína, cujo efeito anaboliza a prepotência. Ao primeiro revés, o herdeiro despencará no abismo, despreparado para enfrentar a realidade.

Quem não se sente subjetivamente valorizado corre o risco de querer nutrir sua autoestima através de valores financeiros e patrimoniais. O ter suplantando o ser. Como o desejo tem fome de infinito, o tamanho da ambição costuma ter a medida da profundidade da frustração. Na Roma antiga os filósofos aconselhavam a considerar o necessário o suficiente. Uma sábia dica para saber lidar com a avassaladora pulsão consumista que assola o mundo.

Educação e espiritualidade

O melhor legado aos filhos é, sem dúvida, uma boa educação. Não me refiro apenas à escolaridade, que é imprescindível. Pesquisas comprovam que, no mercado de trabalho, o nível de escolaridade corresponde ao salarial. Conhecimento é poder.

A educação ética deveria ser o principal legado aos filhos. E ela decorre do exemplo dos pais. Estes devem fazer a escolha: incutir nos filhos atitudes de competitividade ou de solidariedade? O professor Milton Santos, da USP, enfatizava a importância de se perseguir os bens infinitos, e não apenas os finitos. A advertência ganha especial importância neste mundo desimbolizado, desencantado, em que vivemos, onde se carece de abertura aos valores transcendentais.

Em sua Metafísica dos costumes Kant alerta: "Tudo tem ou bem preço ou bem dignidade. O que tem preço pode ser substituído por seu equivalente; ao contrário, o que não tem preço e, portanto, equivalente, é o que possui dignidade." Em outras palavras, o sadio orgulho de ser ético se contrapõe à miserável satisfação de ser esperto.

Uma criança não deve ser movida a consumo, e sim a aprendizado, brincadeiras e fantasias. Um jovem será tanto mais cidadão quanto mais se incutir nele esperanças altruístas, ideais, sentido de vida e utopias.

Toda criança é mimetista. Se os pais dizem que toda pessoa merece respeito e, ao mesmo tempo, tratam a faxineira como escrava virtual, com certeza o filho fará o mesmo quando adulto. Idem no que diz respeito à preservação ou degradação ambiental.

O legado moral consiste em evitar que o filho seja preconceituoso, mentiroso, invejoso, e saiba tratar cada ser humano com pleno respeito à sua dignidade e a seus direitos. Sobretudo, que tenha espírito crítico e disposição de tornar o mundo menos desigual e mais justo.

Todos acompanhamos o recente episódio, no Rio, do rapaz que, num racha, desrespeitou a sinalização de "trânsito impedido" num túnel em obras e matou Rafael, 18, filho da atriz Cissa Guimarães com o músico Raul Mascarenhas. Segundo o noticiário, o pai do jovem homicida teria subornado os policiais incumbidos de puni-lo. Tal pai, tal filho.

Isso vale para outros aspectos da vida. Como se queixar do filho obeso se os pais se empanturram à mesa e se entopem de açúcares e gorduras saturadas?

Com frequência, pais de adolescentes me consultam sobre como agir frente à indiferença religiosa dos filhos. Minha primeira reação é dizer que a pergunta veio com dez anos de atraso. Se os filhos tivessem 6 ou 8 anos, e não 16 e 18, eu saberia o que aconselhar: orem com eles, leiam e comentem a Bíblia, levem a sério o caráter religioso de datas como Páscoa, Natal ou, caso não sejam cristãos, as efemérides próprias de sua denominação religiosa.

E exercite-os na cada vez mais rara virtude da tolerância. Deus não tem religião. Ensinem a seus filhos não considerarem diferença divergência.

Pela ordem natural, pais morrem ou transvivenciam antes de seus descendentes. Se indaguem - que imagem vocês deixarão na memória de seus filhos? Lembrem-se de seus próprios pais e avós. Quais os legados positivos e negativos eles imprimiram em sua memória afetiva? Deixaram saudades?

A parábola

Um homem muito rico, acometido de grave doença e desenganado pelos médicos, convocou filhos e netos para comunicar-lhes a herança que lhes deixaria. Todos, ansiosos, compareceram ao hospital. Formaram uma grande roda em torno do leito.

Dada a ordem, o advogado do enfermo abriu a pasta e distribuiu aos herdeiros caixas de fósforos, uma para cada um. Decepcionados, entreolharam-se e, ao abrirem a caixinha, encontraram pequenas sementes. O homem, tomando em mãos uma das caixas, explicou:

"Esta semente é a do amor; esta, da solidariedade; esta aqui, da compaixão; esta, da amizade; aquela ali, do perdão. Se vocês souberem cultivá-las, haverão de ser felizes."

E acrescentou:

"A fortuna que acumulei será destinada a obras sociais."

*Escritor e assessor de movimentos sociais, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/- twitter:@freibetto

(Envolverde/Adital)

Obama

Obama derrotou Obama
Escrito por Luiz Eça
11-Nov-2010

Diante da derrota eleitoral de 2 de novembro, todo mundo reconhece que Barack Obama sofreu os efeitos de uma crise que ele não criou. Os grandes culpados são, sem dúvida, seus antecessores, Clinton e Bush, "que deixaram os touros de Wall Street avançarem selvagemmente na vida das pessoas comuns" (Robert Scheer, no Truthdig).

Aparentemente, o povo americano não se deu conta da cumplicidade do Partido Republicano, que deu todo apoio à desregulamentação radical da indústria financeira responsável pela crise. Tanto é que o premiou com a vitória.

O que se discute é se Obama poderia lidar melhor com a situação e assim, talvez, tirar dos seus ombros o peso negativo da crise.

O respeitado economista Paul Krugman sustenta no New York Times de 24 de outubro que Obama colaborou para criar uma imagem negativa de sua atuação e, por extensão, do Partido Democrata. Diz ele que o presidente e seus economistas ignoraram as lições da História, segundo as quais, depois de uma grave crise econômica, segue-se fatalmente um longo período de desemprego crescente. E garantiram ao povo que o desemprego bateria nos 9% e, em seguida, cairia rapidamente, alimentando assim falsas esperanças.

Krugman foi além: "A América precisava de um programa muito mais forte do que um modesto aumento nos gastos federais... A inadequação do estímulo era óbvia desde o início".

É certo, porém, que o plano econômico de Obama conseguiu alguns resultados. Estima-se que sem ele o desemprego no mês passado alcançaria 12%. Além disso, enquanto o déficit no último orçamento de Bush era de 1,465 trilhão de dólares, no primeiro orçamento de Obama caiu para 1,29 trilhão.

Mas não deu para o povo americano perceber esses detalhes em um quadro geral catastrófico: o desemprego chegou aos 9% e não parou de crescer. Em setembro foi para 9,6%, permanecendo nesse patamar em outubro. O nível de endividamento da população manteve-se muito alto. E as desapropriações, embora em número decrescente, não deixaram de alcançar cifras pesadas.

Como Obama dispunha da maior credibilidade, seu otimismo tinha dado esperanças às pessoas. Quando sentiram que as promessas do governo não estavam se concretizando, o desencanto foi enorme, gerando uma reação profundamente negativa.

Obama passou de herói a vilão. Um presidente sem competência para lidar com situações adversas. Perdendo a confiança no seu líder, os americanos voltaram-se para a única opção de que dispunham: os republicanos, que vinham constantemente denunciando os presumíveis erros do governo.

Isso aconteceu até com os eleitores independentes. Eles eram fundamentais para o Partido Democrata. Nas eleições de 2006, a maioria dos independentes optou por Obama em um score de 57% a 39%.

Agora, esses números se inverteram: os republicanos ganharam por 55 % x 39%. Os democratas também perderam os jovens (18-29 anos), um segmento fundamental, não só por seus votos, mas também pela sua capacidade de mobilização. Normalmente, nas eleições, os índices de abstenções deste público são muito altos, traduzindo seu desinteresse e desânimo diante da política.

A mensagem de mudança de Barack Obama mudou essa situação. Empolgados, eles fizeram mais do que votar. Era de jovens a maioria das 13 milhões de pessoas que militaram ativamente na campanha eleitoral de Obama, em 2008.

E eles foram às urnas em grande número, apresentando um comparecimento recorde para os EUA (51,1% - Instituto de Políticas de Harvard), sendo que quase o dobro optou pelo candidato democrata - 60% contra 38%.

Esse segmento do público, com os sindicatos, os liberais, os esquerdistas e os moderados do Partido Democrata, acreditava na mudança que Obama prometia. Que, com ele, os EUA seriam respeitados pela justiça, e não temidos pela força. E que os direitos humanos - esquecidos por Bush – seriam firmemente promovidos no país e no mundo.

As primeiras decepções começaram antes mesmo de Obama tomar posse, quando ele anunciou seus principais auxiliares. Talvez querendo formar uma "base aliada" que garantisse a aprovação dos seus projetos, o presidente nomeou pessoas das mais diversas orientações políticas (com exceção dos liberais de esquerda).

Para as áreas que cuidariam da política externa, Obama escolheu nada menos do que 20 notórios "falcões".

Robert Gates, ex-secretário da Defesa de Bush, continuou no cargo; Hillary Clinton foi para o Departamento de Estado; o general James Jones, para a assessoria especial de Relações Exteriores. Pelo passado desse trio, a política externa dos EUA dificilmente iria mudar. Na verdade, mudou num ponto: na retórica.

Havia uma perfeita divisão de trabalho entre Obama e seus auxiliares. A ele, cabiam as belas palavras; a eles, as ações duras. Obama fez um histórico discurso no Cairo, prometendo uma nova era no relacionamento EUA-Árabes, na qual o presidente garantia um Estado aos palestinos e amizade, baseada na justiça, a todos os povos islâmicos.

E, de fato, passou a exigir que o primeiro ministro Netanyahu interrompesse os assentamentos israelenses na Cisjordânia como primeiro passo para uma negociação de paz baseada na idéia dos dois Estados.

Talvez para agradar aos israelenses e convencê-los a abrandarem suas posições, os EUA condenaram o relatório Goldstone, que acusou o exército de Tel-aviv de crimes de guerra no ataque a Gaza; sabotaram a realização de um inquérito da ONU sobre o assunto; passaram panos quentes no massacre do navio que levava socorro humanitário a Gaza; ignoraram o assassinato de líder palestino pelo Mossad em Dubai; impediram que a ONU tomasse atitudes mais fortes contra o bloqueio de Gaza por Israel, entre outras ações e omissões.

Nada feito, Netanyahu, no máximo, aceitou uma interrupção parcial e por 10 meses dos assentamentos, saudada por Obama como uma grande contribuição à paz. Findo o prazo, por mais que Obama pedisse, o líder israelense recusou-se a prolongá-lo. Diante disso, os árabes não voltaram à mesa das negociações.

E tudo continua como antes. Algo semelhante aconteceu no front do Irã. Obama proferiu lindos discursos, estendendo suas mãos para os aiatolás. Proclamou que estava aberto às negociações. Mas nada fez de concreto.

Hillary fez: proferiu uma sucessão de ameaças, inclusive o famoso "todas as opções estão sobre a mesa".

Quando a Turquia e o Brasil conseguiram um primeiro acordo para resolver a questão atômica, os EUA simplesmente o rejeitaram, ao mesmo tempo em que apressavam a ONU para bombardear Teerã com novas sanções. Mais uma vez, nada de mudanças.

Aparentemente, elas aconteceram no Iraque. Afinal, as tropas americanas se retiraram, 19 meses depois da posse de Obama.

Retiraram-se? Em termos, pois permaneceram 50 mil soldados. É ridícula a explicação de que lá estão para treinar as tropas iraquianas e garantir a democracia do país.

Democracia, pero no mucho... Os últimos documentos revelados pelo Wikkileaks revelam barbaridades cometidas pelo exército iraquiano contra prisioneiros, sob olhares indiferentes de soldados americanos. Os quais, aliás, estariam cumprindo ordens de "fechar os olhos", que partiram dos altos escalões das forças armadas.

O triste é que o governo americano não está investigando esses graves fatos. Prefere fazer outra coisa. Julian Assange, o responsável pelo Wikileaks, informa: "Washington realiza uma investigação agressiva sobre nossa organização, com ameaças públicas, e pediram para destruirmos todos os documentos que temos, o que não aceitamos". Bush não faria diferente.

No Afeganistão, porém, Obama vai além de Bush. Por sua ordem, o número de bombardeios sobre a região fronteiriça do Paquistão com aviões sem piloto é muito maior do que o realizado na administração anterior.

Muito mais talibãs estão sendo mortos. E muito mais camponeses afegãos inocentes morrem com eles, pois os "bombardeios cirúrgicos" costumam deixar muitas vítimas num grande raio ao redor do alvo.

Para completar o rol das decepções, entramos na área dos Direitos Humanos. Aqui houve uma mudança: Obama proibiu terminantemente as torturas, inclusive o "waterboarding", tão em moda na era Bush. É verdade que se nega a processar aqueles que usaram esses métodos antes de sua posse, embora já fossem proibidos pelas leis americanas.

Animou bastante os liberais e os jovens quando declarou que cumpriria sua promessa de fechar Guantánamo em um ano. Infelizmente, por pressão militar, voltou atrás. Alegou que muitos dos prisioneiros, "sabidamente culpados", poderiam ser absolvidos na justiça civil e assim voltariam ao sinistro mundo terrorista.

É um interessante conceito de justiça. As autoridades de segurança podem decidir que alguém é culpado de terrorismo, mesmo que não haja provas suficientes para um juiz togado condená-lo. E o réu permanece preso ad aeternum.

Diante de tantas mudanças prometidas e fracassadas, Barack Obama foi interpelado por um jovem admirador desiludido. Ele respondeu que dois anos era pouco para mudar tudo. Tinha conseguido alguma coisa, a reforma da saúde, por exemplo. Seria preciso dar mais tempo para realizar o que faltava. Mas os jovens não deram.

Pesquisa do Instituto de Política de Harvard, realizada poucos dias antes da eleição, revelou que menos de três em cada 10 americanos na faixa de 18 a 29 anos afirmaram que iriam votar com certeza. O Partido Republicano foi o mais votado por eles: 54% x 43%.

Sem os independentes e sem os jovens, os democratas não tinham como vencer. Discute-se se Obama poderia ser mais eficaz no combate à crise, realizando mais mudanças em áreas chaves como política externa e direitos humanos.

O fato é que, nas vezes em que tentou enfrentar o "establishment, cedeu muito rapidamente.

E, se ficou muito aquém do que se esperava quando tinha maioria nas duas casas do Congresso, o que fará agora que não tem mais?

Luiz Eça é jornalista.

pensamentando

Os latifúndios de ideias
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– 05/11/2010Posted in: Capa
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Por Ladislau Dowbor
A concentração de renda e a destruição ambiental continuam sendo os nossos grandes desafios. São facetas diferentes da mesma dinâmica: na prática, estamos destruindo o planeta para a satisfação consumista de uma minoria, e deixando de atender os problemas realmente centrais. Como explicar que, com tantas tecnologias, produtividade e modernidade, estejamos reproduzindo o atraso? Em particular, como a sociedade do conhecimento pode se transformar em vetor de desigualdade?
O prêmio Nobel Kenneth Arrow considera que os autores de “Apropriação indébita: como os ricos estão tomando a nossa herança comum”, Gar Alperovitz e Lew Daly, “se baseiam em fontes impecáveis e as usam com maestria. Todo mundo irá aprender ao ler este livro”. Eu, que não sou nenhum prêmio Nobel, venho aqui contribuir com a minha modesta recomendação, transformando o meu prefácio em instrumento de divulgação. Mania de professor, querer comunicar o entusiasmo de boas leituras. E recomendação a não economistas: os autores deste livro têm suficiente inteligência para não precisar se esconder atrás de equações. A leitura flui.
A quem vai o fruto do nosso trabalho, e em que proporções? É a eterna questão do controle dos nossos processos produtivos. Na era da economia rural, os ricos se apropriavam do fruto do trabalho social, por serem donos da terra. Na era industrial, por serem donos da fábrica. E na era da economia do conhecimento, a propriedade intelectual se apresenta como a grande avenida de acesso a uma posição privilegiada na sociedade. Mas para isso, é preciso restringir o acesso generalizado ao conhecimento, pois se todos tiverem acesso, como se cobrará o pedágio, como se assegurará a vantagem de minorias?
Um argumento chave desta discussão, é naturalmente a legitimidade da posse. De quem é a terra, que permitia as fortunas e o lazer agradável dos senhores feudais? Apropriação na base da força, sem dúvida, legitimada em seguida por uma estrutura de heranças familiares. Uma vez aceito, o sistema funciona, pois na parte de cima da sociedade forma-se uma aliança natural ditada por interesses comuns.
Na fase industrial, um empresário pega um empréstimo no banco – e para isso ele já deve pertencer a um grupo social privilegiado – e monta uma empresa. Da venda dos produtos, e pagando baixos salários, tanto auferirá lucros pessoal como restituirá o empréstimo ao banco. De onde o banco tirou o dinheiro? Da poupança social, sob forma de depósitos, poupança esta que será transformada na fábrica do empresário. Aqui também, vale a solidariedade dos proprietários de meios de produção, e o resultado de um esforço que é social será em boa parte apropriado por uma minoria.
Mudam os sistemas, evoluem as tecnologias, mas não muda o esquema. Na fase atual, da economia do conhecimento, coloca-se o espinhoso problema da legitimidade da posse do conhecimento. A mudança é radical, relativamente aos sistemas anteriores: a terra pertence a um ou a outro, as máquinas têm proprietário, são bens “rivais”. No caso do conhecimento, trata-se de um bem cujo consumo não reduz o estoque. Se transmitimos o conhecimento a alguém, continuamos com ele, não perdemos nada, e como o conhecimento transmitido gera novos conhecimentos, todos ganham. A tendência para a livre circulação do conhecimento para o bem de todos torna-se portanto poderosa.
A apropriação privada de um produto social deve ser justificada. O aporte principal de Alperovitz e de Daly, neste pequeno estudo, é de deixar claro o mecanismo de uma apropriação injusta – Unjust Deserts – que poderíamos explicitar com a expressão mais corrente de apropriação indébita. Ao tornar transparentes estes mecanismos, os autores na realidade estão elaborando uma teoria do valor da economia do conhecimento. A força explicativa do que acontece na sociedade moderna, com isto, torna-se poderosa.
Para dar um exemplo trazido pelo autor, quando a Monsanto adquire controle exclusivo sobre determinada semente, como se a inovação tecnológica fosse um aporte apenas dela, esquece o processo que sustentou estes avanços. “O que eles nunca levam em consideração, é o imenso investimento coletivo que carregou a ciência genética dos seus primeiros passos até o momento em que a empresa toma a sua decisão. Todo o conhecimento biológico, estatístico e de outras áreas sem o qual nenhuma das sementes altamente produtivas e resistentes a doenças poderia ter sido desenvolvida – todas as publicações, pesquisas, educação, treinamento e ferramentas técnicas relacionadas sem os quais a aprendizagem e o conhecimento não poderiam ter sido comunicados e fomentados em cada estágio particular de desenvolvimento, e então passados adiante e incorporados, também, por uma força de trabalho de técnicos e cientistas – tudo isto chega à empresa sem custo, um presente do passado” (55) Ao apropriar-se do direito sobre o produto final, e ao travar desenvolvimentos paralelos, a empresa canaliza para si gigantescos lucros da totalidade do esforço social, que ela não teve de financiar. Trata-se de um pedágio sobre o esforço dos outros. Unjust Deserts.
Se não é legítimo, pelo menos funciona? A compreensão do caráter particular do conhecimento como fator de produção já é antiga. Uma jóia a este respeito é um texto, de 1813, de Thomas Jefferson: “Se há uma coisa que a natureza fez que é menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa é a ação do poder de pensamento que chamamos de idéia….Que as idéias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instrução moral e mútua do homem, e o avanço de sua condição, parece ter sido particularmente e benevolente desenhada pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, passíveis de expansão por todo o espaço, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropriação exclusiva. Invenções não podem, por natureza, ser objeto de propriedade.”1
O conhecimento não constitui uma propriedade no mesmo sentido que a de um bem físico. A caneta é minha, faço dela o que quiser. O conhecimento, na medida em que resulta de um esforço social muito amplo, e constitui um bem não rival, obedece a outra lógica, e por isto não é assegurado em permanência, e sim por vinte anos, por exemplo, no caso das patentes, ou quase um século no caso dos copyrights, mas sempre por tempo limitado: a propriedade é assegurada por sua função social – estimular as pessoas a inventarem ou a escreverem – e não por ser um direito natural.
O merecimento é para todos nós um argumento central. Segundo as palavras dos autores, “nada é mais profundamente ancorado em pessoas comuns do que a idéia de que uma pessoa tem direito ao que criou ou ao que os seus esforços produziram”.(96) Mas na realidade, não são propriamente os criadores que são remunerados, e sim os intermediários jurídicos, financeiros e de comunicação comercial que se apropriam do resultado da criatividade, trancando-o em contratos de exclusividade, e fazem fortunas de merecimento duvidoso. Não é a criatividade que é remunerada, e sim a apropriação dos resultados: “Se muito do que temos nos chegou como um presente gratuito de muitas gerações de contribuições históricas, há uma questão profunda relativamente a quanto uma pessoa possa dizer que “ganhou merecidamente” no processo, agora ou no futuro.”(97)
As pessoas em geral não se dão conta das limitações. Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética, e as ameaças para o futuro são imensas. Teremos livre acesso às obras de Paulo Freire apenas a partir de 2050, 90 anos depois da morte do autor. O livre acesso às composições de Heitor Villalobos será a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas (o Big Pharma) proíbem os países afetados de produzir o coquetel, são donas de intermináveis patentes. Ou seja, há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações.
Nesta era em que a concentração planetária da riqueza social em poucas mãos está se tornando insustentável, entender o mecanismo de geração e de apropriação desta riqueza é fundamental. Os autores não são nada extremistas, mas defendem que o acesso aos resultados dos esforços produtivos devam ser minimamente proporcionais aos aportes. “A fonte de longe a mais importante da prosperidade moderna é a riqueza social sob forma de conhecimento acumulado e de tecnologia herdada”, o que significa que “uma porção substantiva da presente riqueza e renda deveria ser realocada para todos os membros da sociedade de forma igualitária, ou no mínimo, no sentido de promover maior igualdade”.(153)
Um livro curto, muito bem escrito, e sobretudo uma preciosidade teórica, explicitando de maneira clara a deformação generalizada do mecanismo de remuneração, ou de recompensas, que o nosso sistema econômico gerou. Trata-se aqui de um dos melhores livros de economia que já passaram por minhas mãos. Bem documentado mas sempre claro na exposição, fortemente apoiado em termos teóricos, na realidade o livro abre a porta para o que podemos qualificar de teoria do valor, mas não da produção industrial, e sim da economia do conhecimento, o que Daniel Bell qualificou de “knowledge theory of value”. A Editora Senac tomou uma excelente iniciativa ao traduzir e publicar este livro. Vale a pena. (www.editorasenacsp.com.br )
Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, é autor de Democracia Econômica e de Da propriedade Intelectual à Sociedade do Conhecimento, disponíveis em http://dowbor.org
1 Citado por Lawrence Lessig, The Future of Ideas: the Fate of the Commons in an Connected World – Random House, New York, 2001, p. 94
(Boletim do Le Monde Diplomatique)

Religião

Uma avaliação isenta sobre o cristianismo
Há pouco tempo a revista Carta Capital me encomendou a seguinte resenha:

O cristianismo,


por um cético



Lançado no original francês em 2007 e agora publicado no Brasil pela Civilização Brasileira, tendo ganhado o Prêmio do Senado da França, o livro “Quando nosso mundo se tornou cristão (312-394)”, do não-crente e ex-comunista Paul Veyne, hoje com 80 anos, é ao mesmo tempo favorável e desfavorável ao cristianismo. Apresenta uma visão bastante positiva de Constantino, o Grande, o primeiro imperador romano cristão, que se teria convertido sinceramente ao cristianismo, religião que Veyne apresenta como superior, ética e teologicamente, às religiões então existentes no Império Romano, como os vários paganismos e o judaísmo. Constantino, entretanto, não teria perseguido nem os pagãos, nem os judeus, não os tendo obrigado a mudar de religião. Simplesmente o fato de ter sido legalizado o cristianismo, que pôde se organizar em episcopados, é que levou a conversões em massa, pois o cristianismo era mais atraente do que as outras religiões e simplesmente não conquistara grande número de adeptos até então porque era perseguido e pouco difundido. Mas atenção: Veyne adverte, no final, que a Europa não tem “raízes cristãs”: o que julgamos como civilização européia é originado de um conglomerado de condições, cada uma dessas condições não suficiente, e nem mesmo necessária, para conformar o “ser europeu”. – RENATO POMPEU (Em seu Blogue)
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Wikileaks

11/11/2010 - 11h11
Wikileaks: vida dura, num mundo sem hippies
Por Alex Moore, do Deaths & Taxes
Em 1971, Daniel Ellsberg vazou para a opinião pública um bloco de documentos altamente secretos, do governo dos EUA, sobre a Guerra do Vietnã, conhecido como The Pentagon Papers [Documentos do Pentágono]. Aqueles documentos comprovaram, pela primeira vez, algo de que muita gente já suspeitava: que o governo dos EUA mentia aos cidadãos. Enquanto Lyndon Johnson dizia que pretendia promover a retirada e a “desescalada”, os Documentos do Pentágono revelaram o que de fato o governo já estava fazendo: promovendo escalada massiva na guerra do Vietnã, autorizando missões de ataque também em territórios do Camboja e Laos.

Ellsberg enfrentou ameaças de prisão, de assassinado, de condenação por alta traição – o que se pode imaginar e também o inimaginável, por expor a verdade ao mundo. Conseguiu obter e divulgar a primeira evidência tangível de que o governo dos EUA mentira descaradamente aos cidadãos. Ninguém podia prever, então, o que aconteceria depois daquele momento de medo e catarse.

Alguns anos depois, já ninguém pensaria em condenar Ellsberg por expor a verdade, e todos condenávamos os governos corruptos. Lembramos do incidente no Golfo de Tonkin como mais uma mentira divulgada pelo governo, não como plano que teria gorado porque teria sido denunciado por um traidor, empenhado em vazar segredos de Estado. Ellsberg, em pouco tempo, passou a ser tratado como herói, não como traidor.

Mas Ellsberg viveu numa geração de hippies, que valorizava a integridade e a verdade como princípios de vida. Sua revelação incendiou a indignação pública como faísca em mato seco.

Quarenta anos depois, Julian Assange apresenta-se no cenário mundial com sua organização WikiLeaks, como um Ellsberg do século 21. É homem sem nacionalidade, e divulga pela net as informações que tem e deseja distribuir – retrato interessante do mundo contemporâneo. Sua organização deixa vazar documentos em escala jamais vista antes, muito mais ampla que as mil páginas dos Documentos do Pentágono. O que revela, inclusive informação nova sobre assassinatos e tortura no Iraque depois de Abu Ghraib. Entre elas, a notícia de 66.081 mortos iraquianos civis, provavelmente ainda mais chocante que as informações contidas nos Documentos do Pentágono. E, surpreendentemente, todos só falam sobre o homem que vazou a informação, que seria alguma coisa entre um idiota e um traidor; e ninguém comenta o conteúdo das novas informações.

Todo o noticiário sobre WikiLeaks parece concentrado sobre acusações de crime sexual que teria sido praticado pelo autor dos vazamentos na Suécia, ou sobre notícias de que o homem teria personalidade de ditador, o que teria levado vários dos voluntários que teriam trabalhado com ele a desistir da missão. Mídia alguma se dedica a repercutir o conteúdo dos arquivos vazados. Daniel Ellsberg diz ao New York Times que esperou “quarenta anos por alguém que divulgasse informação secreta em escala que realmente fizesse diferença”. Mas a verdade vazada por WiliLeaks parece não fazer diferença alguma. Fato é que, sim, o mundo mudou muito entre os anos de Ellsberg e os anos de Assange. Hoje, quando a nova informação que Assange afinal expôs ao mundo deveria ter provocado protestos de massa e clamor crescente por transparência e responsabilidade em tudo que os governos digam aos cidadãos através da mídia, a espantosa maioria dos cidadãos e absolutamente toda da mídia só faz falar de/sobre Assange, e em quase todos os casos contra Assange.

Não estou dizendo que Julian Assange não molestou alguém na Suécia; se o fez, deve ser condenado. O que estou dizendo é que é muito evidente o motivo pelo qual interessa à mídia e aos críticos de Assange desacreditá-lo. Ao mesmo tempo, se se considera que Assange reconheceu que manteve relações com “fãs”, mas que foram relações de sexo consensual, é também suspeitamente evidente o interesse que muitos podem ter em desacreditá-lo “em geral”, apresentá-lo, em geral, como doido (além de estuprador perverso).

É possível que Assange tenha mentido sobre suas aventuras sexuais, é possível que o que dizem alguns de seus ex-funcionários tenha fundamento na realidade, e que Assange seja chefe dominador, talvez, mesmo, tirânico. Nada disso tem qualquer relação com os documentos vazados sobre a guerra do Iraque. Os norte-americanos e o mundo esqueceram já, completamente, que Martin Luther King, Jr. envolveu-se em mais de uma aventura extraconjugal. Mas a vida e a obra que construiu, a mensagem de sua vida, encontraram eco numa geração inteira de norte-americanos comprometidos com o projeto da mudança social.

Assange é hoje apátrida, sem casa, à procura de um país que o receba (perdeu recentemente a cidadania sueca); e o New York Times descreve-o literalmente como “fugitivo”, depois de rápida passagem pela Islândia. Mas Assange é excluído hoje, sobretudo, porque é figura de um “sem-teto ideológico”.

Quarenta anos depois, David Ellsberg diz que sente uma espécie de ‘irmandade’ com Assange, mas irmandade que não se vê em maior escala. Os documentos expostos por Assange não inspiram passeatas em direção a Washington nem qualquer tipo de protestos visíveis. O presidente Barack Obama, apesar de toda a retórica eleitoral sobre transparência e integridade, não elogiou Assange nem disse dele que seria um novo “campeão da verdade”. O Pentágono, de fato, não faz outra coisa que tentar silenciá-lo. E até governos estrangeiros, cujas agendas nada têm a ver com segredos militares ocultados, não se apressam em oferecer abrigo ou cidadania a Assange.

É como se Assange tivesse nascido em momento errado. Como se tivesse de esforçar-se muito para impor a verdade num mundo que já não manifesta qualquer apetite pela verdade. Sem aliados, nômade também no plano ideológico, não se sabe por quanto tempo a voz de Julian Assange conseguirá continuar a vazar fatos. Historicamente, as principais vozes de oposição que o mundo conheceu – de Martin Luther King a Malcolm X e John Lennon – parecem sempre encontrar pela frente, mais cedo ou mais tarde, forças que as silenciam e calam.

*Tradução: Caia Fittipaldi, Vila Vudu

**Para conhecer o portal Outras Palvras acesse http://www.outraspalavras.net/.

(Envolverde/Outras Palavras)

Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2: realidade como osso duro de roer
Jardel Dias Cavalcanti

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Uma das cenas mais importantes e intrigantes de Tropa de Elite 2 é quando o Capitão Nascimento inicia uma luta de judô com seu filho adolescente dentro do BOPE. Ali estão intricados todos os elementos que compõem a personalidade do policial e sua relação com o mundo. Um sujeito guiado pela paixão, tendo que enfrentar os dissabores que esta paixão traz (afetiva e profissionalmente) e resolver a complexidade disso tudo no território de um tatame, que simboliza o espaço das emoções conflitantes e do corpo colocando em estado de guerra.

É dentro dessa tensão que o filme, dirigido por José Padilha,também se resolve de forma grandiosa. Somos jogados dentro de um furacão, uma espécie de campo de batalha, onde parar para respirar, nem que seja por um segundo, pode significar a morte. E todo o filme se pauta nessa respiração contida, como a dos atiradores por trás de metralhadoras prontas para serem disparadas, e das emoções de Capitão Nascimento, pronto para explodir como uma granada que detona tudo à sua volta.

O campo visual da tela nos coloca em total estado de apreensão e somos lançados dentro da realidade representada como se ali estivéssemos. Não há como fugir dessa sensação de vertigem quase barroca, de pertencer aos fatos que se mostram, dada a proximidade que temos com os personagens. Há cenas de disparos de metralhadoras, por exemplo, que colocam o espectador como se estivesse na situação do atirador, pois a câmera se coloca ao lado da arma que dispara histericamente, fazendo vibrar a sala do cinema e nos dando a possibilidade não só de assistir, mas de nos sentirmos responsáveis inconscientes pela tragédia desumana que presenciamos com os olhos arregalados e com uma constante falta de ar.

Este não é um filme de ação calculado, previsível, dogmático, como o cinema americano tem feito várias vezes. Se o filme se desenrola na velocidade das rajadas de bala e das ações policiais e, ainda, da turbulência fria e assassina de seus personagens, é porque sua forma necessita dessa respiração tensa, em suspensão, para nos colocar dentro do drama que assistimos. Nesse sentido, forma é conteúdo. Não há possibilidade de distanciamento intelectual num filme desse tipo. Nós saímos do cinema como se tivéssemos atravessado a zona de guerra em que se transformaram algumas regiões periféricas das grandes cidades dominadas por "milícias" (que o filme explica as razões).

A grande atuação dos atores, todos extremamente convincentes, a movimentação ativa da câmera e os cortes perfeitos tornam Tropa de Elite 2 uma obra-prima do cinema contemporâneo. Sua tensão não é apelativa, sua violência não é fetichista (por exemplo, o estupro da jornalista não é mostrado, apenas insinuado). O ator Wagner Moura desaparece na figura do Capitão Nascimento, nos presenteando com uma das mais competentes interpretações não só do cinema brasileiro, mas da cena mundial. Quanto a Seu Jorge, sem comentários, pois, como no caso de Elba Ramalho, a música (com justiça) nos rouba um maravilhoso ator.

A grosseria da realidade, a frieza dos assassinatos, a desumanização das relações sociais e as práticas políticas para lá de fascistóides, que sustentam este mundo, são tratadas esteticamente com a mesma matéria da violência com que se fabrica a realidade. Sem o impacto sonoro e visual turbulento, seja das armas pesadas, dos assassinatos frios e mecânicos, dos estupros desumanos, das jogatinas políticas cínicas e imorais, das relações pessoais à beira da destruição, não teríamos condições nem de raspar de perto nessa realidade.

Tropa de Elite 2 nos joga propositalmente dentro dessa realidade. Quase chegamos a sentir o cheiro do bafo podre dos policiais violentos e inescrupulosos, quase sentimos o cheiro da pólvora das armas se misturando ao cheiro da carne queimada dos repórteres investigativos assassinados friamente pelos policiais. E a náusea que sentimos durante e após o filme revela o quão próximos estivemos disso tudo.

Este é um filme de denúncia radical, que exibe o cheiro podre das relações entre política, polícia e miséria social no Brasil. Todos são acusados, do Governador do Estado ao funcionário público da polícia (sejam delegados, aumentando sua renda com práticas desumanas de exploração e morte, seja um simples policial pronto a cumprir ordens de matar também por alguns trocados ou submissão aos superiores).

A trama do filme trata da passagem do Capitão Nascimento de líder do BOPE à secretário da justiça, onde pensa poder mudar o "sistema" por dentro. As barreiras que encontra são as dos interesses políticos que passam por cima de qualquer ética, moral ou possibilidade de humanismo.

No território imundo da política e de seus escusos interesses que gerenciam os abusos de poder e as desgraças sociais apresentadas pelo filme, Capitão Nascimento sonha ingenuamente em transformar a sociedade num lugar justo, menos corruptível. Esse sonhador vê sua vida pessoal (casamento e filho) e social (líder do BOPE e Secretário de Justiça) serem destruídas por sua paixão pelo trabalho de reformador responsável da sociedade.

Nascimento descobre-se, de repente, como apenas uma entre outras peças de uma máquina de guerra sem controle e perde, por isso, sua ilusão de agente criador da sociedade. Seu trabalho, que o dignificava como peça importante da sociedade e como indivíduo, se revela o contrário: ele é apenas um agente preparado para defender uma estrutura de poder corrupta e sangrenta.

Depois dessa descoberta, passa a agir com mais sapiência e dúvida em relação à própria estrutura que defendia, abrindo os olhos para o complicador maior que é o próprio Estado (que se revela, no filme, o grande criminoso da história).

O filme tem um final quase redentor, quando uma ação judicial, implementada por Nascimento e pelo deputado ligado aos Direitos Humanos, coloca na cadeia parte dos policiais assassinos e dos políticos corruptos. Eu disse quase, pois não se pode sobreviver em estado de redenção com tantos farrapos presos à história de nossos corpos e mentes: as chagas de nossa história são quase incuráveis, pode-se dizer.

Nesse momento, o filme mostra novamente como paixões pessoais e sociais se interpenetram, pois é quando Capitão Nascimento vê sua família ameaçada que ele se move contra o corrupto "estado de coisas" de forma radical, usando as próprias armas do Estado de Direito para punir o Estado. Daí ele supera o ódio pessoal (inclusive, aliando-se ao Deputado que inicialmente era seu opositor na esfera sentimental, casando-se com sua ex-mulher, e social, por defender os direitos humanos de "bandidos") e, racionalmente, empreende uma vingança que mesmo que tenha um fundo pessoal, se alicerça em garantias ainda vigentes numa República com garantias Constitucionais.

Capitão Nascimento simboliza, talvez, o espírito e o desejo de justiça incrustado em cada brasileiro que sonha uma sociedade mais decente, livre dessa canalha política que nos governa e gera, por tabela, os monstros que Tropa de Elite 1 e 2 exibiram de forma crua e sombria.

Durma-se com essa, e bom pesadelo a todos, pois esse osso é duro de roer.

Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 9/11/2010

(Digestivo Cultural)
(Obs.: transcrito c muitas ressalvas, afinal precisamos saber o q pensa o inimigo. Assisti o primeiro e, apesar de gostar de um dos autores do livro em q se baseou o filme, considero q, na prática, é uma apologia a tortura. Humanizar torturadores é, na prática, justificar a tortura! Como ocorreu c um dos torturadores dos dominicanos ligados ao guerrilheiro, q, ao soltar um deles, quis apresentá-lo, orgulhoso a sua família...FLEURY TB ERA UM BOM PAI DE FAMÍLIA! Bom, como diriam, ‘tudo q é humano nos é inerente...’)

G-20 - A América do Sul INSURGENTE. Olha o G21 aí gente!

13/11/2010, Pepe Escobar, Asia Times Online  -- Word up, G-20? 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


“From the Mao, to the Deng, to the Xeng, to the Ho...”

Nunca antes se viu pior “declaração”, dentre todas as horríveis “declarações” do Grupo dos 20 (G-20). Tudo o que se precisa saber sobre o “alívio quantitativo” [ing. quantitative easing (QE)][1]do Federal Reserve aos EUA, as guerras da moeda e o tsunami de lama que ameaça o sistema financeiro global encontra-se no vídeo de RAP distribuído pela Next Media Animation de Taiwan (em; ).

Se, pelo menos, tivessem acertado o “making of” da reunião do G-20 essa semana em Seul. A reunião foi divulgada como ampla manifestação de antiprotecionismo, de apoio à recuperação da economia global, com ideias pra diminuir os problemas galopantes dos déficits e das dívidas. A reunião está acontecendo na quinta e na sexta, mas a declaração final já era o principal problema desde a quarta-feira. E que cena de luta vale-tudo na lama saiu-nos a tal declaração! 

Afinal, depois de muito suor, apareceu um rascunho da declaração, declarando que os países devem deixar que o mercado determine o valor da moeda e devem “abster-se de qualquer desvalorização competitiva” (referência velada aos EUA). Mas até o último minuto os assessores-gurus – com fino faro para escolher a rota de fuga mais segura, e cujo trabalho explica por que a conclusão sempre é trivial, nessas reuniões de cúpula – ainda mantinham entre parênteses formulação alternativa: “subvalorização competitiva” (referência velada à China). 

Como prêmio de consolação atirado à opinião pública global, foi emocionante ver os BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – e a União Europeia (UE) avançarem para o procênio e manifestarem o desejo (quase unânime) político de que as nações não adotem políticas (como fizeram EUA-FED, na segunda rodada de quantitative easing, ou QE2) que gerem conflitos com outras economias nacionais. 

Há dias, todos os bancos centrais do mundo pediam que o FED falasse com clareza sobre a tal segunda rodada de quantitative easing,QE2. Crer que os países do G-20 aceitariam alegremente o convite do presidente Barack Obama dos EUA, para que todos engolissem um segundo tsunami de papel verde, para os quais os EUA não podem oferecer qualquer garantia, é habitar o país de Oz. Não surpreende que todos os diplomatas tenham repetido, mais ou menos irritadamente, que aquela reunião bem podia chamar-se “reunião do G-19 a 1”. 

Para mostrar como sucesso do G-20, só restou a aterradora promessa de que o muito execrado Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá monitorar o que o G-20 fizer (o FMI delira agora que uma ação coordenada dos países do G-20 para “salvar” a economia mundial pode gerar 52 milhões de empregos no médio prazo). Para não dizer que Washington recusa-se a promover o “ajuste estrutural” que seu queridinho, o FMI, sempre conseguiu impor a todos os seus outros pacientes doentes de déficit orçamentário terminal. 

O novo exército-modelo 

E por que seria diferente? Considere-se a carta que Obama enviou aos líderes do G-20, antes do encontro. Tentou convencer os outros 19 de que os EUA mantêm seu “compromisso de não subvalorizar moedas por interesses competitivos” –, quando todos já praticamente berravam aos quatro ventos que QE1 e QE2 são, exatamente, subvalorizar o dólar. Na carta, Obama praticamente jogou a culpa pela crise financeira de 2008 sobre a China e os mercados emergentes. E, ao defender a ação do Fed, na Índia, na 2ª-feira passada, Obama disse, sim, que o que é bom para os EUA é bom para o mundo. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil foi, certamente, quem achou o tom mais ponderado para responder a Obama. Os bancos centrais europeus, furiosos, já acusavam os EUA de “traição”. Lula sugeriu que os países BRICs poderiam usar menos o dólar no comércio entre eles – o que, precisamente, já estão fazendo. 

É do conhecimento até do reino mineral que, quando os EUA, no governo de Nixon, em 1971, declararam unilateralmente o fim do padrão-ouro para o dólar norte-americano, decretou-se a morte do sistema de Bretton Woods introduzido no final da II Guerra Mundial. Daquele momento até hoje, se assiste ao interminável coma do sistema monetário global. Washington/Wall Street adotou a lei da selva (“nenhum prisioneiro vivo”) –, de infindável manipulação do dólar norte-americano como moeda global de reserva. Para nações emergentes, a única reação possível é coordenar um programa de investimentos em obras públicas para garantir emprego e renda nos respectivos mercados internos e proteger as respectivas indústrias locais. 

Interessante comparar a atual situação e o que houve no tempo de Franklin Delano Roosevelt. Para reverter a Grande Depressão, o Estado assumiu o controle da economia nos EUA. O presidente Roosevelt não recorreu “aos mercados”: construiu e lançou um pacote desenvolvimentista – obras públicas combinadas com assistência social. 

Há real impasse no G-20, e é absoluto nonsense a retórica dos EUA, de reivindicar a posição de coordenador global para derrotar a crise: a única meta que interessa e mobiliza Washington/Wall Street hoje é esmagar qualquer alternativa política ao seu novo ajuste unilateral. Michael Hudson, da University of Missouri, já explicou, numa linha: “O sistema financeiro e os bancos norte-americanos, como novo exército-modelo, lançaram um raid contra todas as moedas estrangeiras.”

Ainda é a “dominação de pleno espectro”, estúpido

Então, o que acontecerá nos EUA depois desse QE2 e desse G-20? Business como sempre – quer dizer, a volta a pleno vapor, sob os auspícios de um Congresso dominado pelos Republicanos nos EUA, da Doutrina da Dominação de Pleno Espectro, menina dos olhos do Pentágono. Os Republicanos tentarão histericamente cortar todos os gastos orçamentários que lhes apareçam pela frente – exceto o orçamento da Guerra Infinita. 

Assim sendo, acabou-se a “lua de mel” com a China. A China, mais do que jamais antes, verá firmada sua posição de No. 1 da lista de inimigos/concorrentes estratégicos do Pentágono. A pergunta incomodamente quantitativa de um trilhão de dólares continua a ser: como, em que termos e até quando Pequim aceitará continuar a financiar, em tempo integral, a construção da aterrorizante máquina de guerra de Washington. 

A plutocracia de Washington/Wall Street estimulada pela Doutrina da Dominação de Pleno Espectro interpretará a viagem de Obama à Ásia como útil, sobretudo, para prevenir a China de que os EUA planejam continuar a ser superpotência também asiática. A Índia – parceira nuclear dos EUA – foi engambelada até o fim dos tempos. E também a Indonésia. Aqueles 40 mil soldados dos EUA no Japão, mais a base de Okinawa, além dos 28 mil soldados dos EUA na Coreia do Sul ficarão exatamente onde estão. 

A situação interna dos EUA – com o que possa haver de pior, da total debacle das camadas médias ao surgimento de tendências fascistas – absolutamente não tira o sono da plutocracia de Washington/Wall Street eletrificada pela Teoria da Dominação de Pleno Espectro. 

Quanto ao G-20, o fundo do poço é mais embaixo: nada conseguirá impedir que o dólar norte-americano continue em queda livre. Os americanos médios viverão com salários e preços de casas igualmente despencados. A China não aprenderá a lição. O yuan de fato já vem sendo valorizado desde 2005: de 8,2 por dólar norte-americano, para 6,6; e se valorizará mais 15% até 2015 – pelo cronograma fixado por Pequim, não por Washington. 

A América do Sul, com sua coorte de governos progressistas, agora com muito melhores capacidades de coordenação, talvez mostre ao mundo como se dança o baião da integração e como escapar da ditadura do dólar norte-americano, negociando em moedas regionais. O ministro das finanças do Brasil, Guido Mantega, tem dito em alto e bom som o que muitos sussurram pelos cantos: acabou-se a era do dólar norte-americano como moeda de reserva. A tendência é constituir-se uma cesta de moedas. Os BRICs operarão de forma cada vez mais coordenada. E, com a China liberando o mercado offshore do yuan, mais cedo ou mais tarde o dólar Hong Kong-EUA será história. 

A França está próxima de abocanhar a presidência do G-20. Não é segredo para ninguém que o megacontestado, megaimpopular, micronapoleão macronarcísico Nicolas Sarkozy detonará todos os obstáculos para chegar ao trono do G-20 da “Bretton Woods II de Sarkozy” em Paris, ano que vem, quando então salvará o planeta e, de quebra, a própria reeleição na França, em 2012. 

Aí está novelão cujo desfecho temos de esperar. Alé lá, só o RAP salva. From the Mao to the Deng to the Jiang to the Hu/ You think you can keep on telling us what to do... 


Nota de tradução

[1] Em Economist Mom encontra-se excelente tradução para “inglês que se entende”, da expressão quantitative easing [literalmente “alívio quantitativo”]: “Para dar um bom empurrão na economia – com uma bombeada na inflação –, decidimos nos permitir um surto de consumo. Primeiro, vamos continuar comprando ações, enquanto nossos investimentos permitirem. Segundo – e essa é a novidade de hoje – vamos inventar 600 bilhões de ar engarrafado e usá-los durante os próximos oito meses para comprar bônus do governo federal. Esperamos que, com isso, as taxas de juro caiam tanto, que as pessoas por-se-ão a tomar empréstimos e a gastar mais dinheiro, e as empresas começarão a contratar. Não esqueçam que estamos tentando; é uma experiência, e ninguém sabe se funcionará. Nos reservamos o direito de mudar tudo, a qualquer momento”.