Comentado por Jacob Blinder:
A futura presidenta do Brasil (que será eleita de forma incontestável, tal a avalanche de votos que terá) poderá realizar logo no início de seu mandato as reformas estruturais que o país necessita, destacando a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para realizar a tão esperada reforma político/partidária e ao mesmo tempo acabar com a hegemonia da mídia direitista e golpista que deseduca o povo. Os artigos abaixo transcritos mostram como atua essa mídia e quem são seus mentores burgueses e oligarcas. Jacob David Blinder
O FIM DE UM CICLO EM QUE A VELHA MÍDIA FOI SOBERANA
Enviado por luisnassif, sab, 18/09/2010 - 07:20
Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.
O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.
Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.
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17 de setembro de 2010 às 13:33
MARCOS COIMBRA: OS JORNALISTAS TUCANOS
Os jornalistas tucanos
por Marcos Coimbra, na Carta Capital
Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos.
Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos aigos.
Por motivos difíceis de entender, as oposições aceitaram que sua velha elite determinasse o caminho que seguiriam na sucessão de Lula. Ao fazê-lo, concordaram em continuar com a cara que tinham em 2002, mostrando-se ao País como algo que permanecera no mesmo lugar, enquanto tudo mudara. A sociedade era outra, a economia tinha ficado diferente, o mundo estava modificado. Lula e o PT haviam se transformado. Só o que se mantinha intocada era a oposição brasileira: as mesmas pessoas, o mesmo discurso, o mesmo ar perplexo de quem não entende por que não está no poder.
Em nenhum momento isso ficou tão claro quanto na opção de conceder a José Serra uma espécie de direito natural à candidatura presidencial (e todo o tempo do mundo para que confirmasse se a desejava). Depois, para que resolvesse quando começaria a fazer campanha. Não se discutiu o que era melhor para os partidos, seus militantes, as pessoas que concordam com eles na sociedade. Deram-lhe um cheque em branco e deixaram a decisão em suas mãos, tornando-a uma questão de foro íntimo: ser ou não ser (candidato)?
Mas, por mais que as oposições tivessem sido capazes de se renovar, por mais que houvessem conseguido se libertar de lideranças ultrapassadas, a principal causa do resultado que devemos ter é externa. Seu adversário se mostrou tão superior que lhes deu um passeio.
Olhando-a da perspectiva de hoje, a habilidade de Lula na montagem do quadro eleitoral de 2010 só pode ser admirada. Fez tudo certo de seu lado e conseguiu antecipar com competência o que seus oponentes fariam. Ele se parece com um personagem de histórias infantis: construiu uma armadilha e conduziu os ingênuos carneirinhos (que continuavam a se achar muito espertos) a cair nela.
Se tivesse feito, nos últimos anos, um governo apenas sofrível, sua destreza já seria suficiente para colocá-lo em vantagem. Com o respaldo de um governo quase unanimemente aprovado, com indicadores de performance muito superiores aos de seus antecessores, a chance de que fizesse sua sucessora sempre foi altíssima, ainda que as oposições viessem com o que tinham de melhor.
Entre os erros que elas cometeram e os acertos de Lula, muito se explica do que vamos ter em 3 de outubro. Mas há uma parte da explicação que merece destaque: o quanto os jornalistas tucanos contribuíram para que isso ocorresse.
Foram eles que mais estimularam a noção de que Serra era o verdadeiro nome das oposições para disputar com Dilma Rousseff. Não apenas os jornalistas profissionais, mas também os intelectuais que os jornais recrutam para dar mais “amplitude” às suas análises e cobertura.
Não há ninguém tão dependente da opinião do jornalista tucano quanto o político tucano. Parece que acorda de manhã ansioso para saber o que colunistas e comentaristas tucanos (ou que, simplesmente, não gostam de Lula e do governo) escreveram. Sabe-se lá o motivo, os tucanos da política acham que os tucanos da imprensa são ótimos analistas. São, provavelmente, os únicos que acham isso.
Enquanto os bons políticos tucanos (especialmente os mais jovens) viam com clareza o abismo se abrir à sua frente, essa turma empurrava as oposições ladeira abaixo. Do alto de sua incapacidade de entender o eleitor, ela supunha que Serra estava fadado à vitória.
Quem acompanhou a cobertura que a “grande imprensa” fez destas eleições viu, do fim de 2009 até agora, uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o “favoritismo” de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava.
Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso quase inevitável que os espera.
*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
DIREITA BRASILEIRA ENSAIA UM GOLPE MEDIÁTICO
Vencer, vencer ou vencer é preciso
Pedro Ayres
Jornalista
Uma das mais insidiosas mentiras, há muito usada para anular a consciência política das massas, é a falta de memória do povo.Volta e meia, quando intentam justificar o injustificável até mesmo para o próprio amoralismo, recordam o falso axioma - o povo brasileiro não tem memória. De tanto falarem e repetirem essa mentira, por incrível que possa parecer, tornaram-se as maiores vítimas da própria mentira. Foi e é o feitiço contra o feiticeiro. Hoje, 56 anos depois de 24 de agosto de 1954, o que era emoção e sentimento de dor, agora tem sentido político e claro objetivo. Assim como 1964 também já tem outro entendimento, menos autocomiserativo, mais analítico e dialético, em que, ao invés de lutas entre personalidades políticas, entende-se que o que houve foi a vitória do sistema neo-capitalista mundial contra os anseios do povo brasileiro por mais soberania, independência, progresso e bem-estar social.
Desde 1964 que o capitalismo nacional e estrangeiro luta para esmagar a lembrança de Getúlio Vargas e de tudo aquilo que ele representou em termos de propostas nacionalistas e trabalhistas. Cientistas sociais, politólogos, brazilianists, jornalistas e economistas compõem a grande legião de "estudiosos" que há muito decretaram o "fim da Era Vargas", como sinônimo da total e completa submissão aos interesses imperialistas por parte do país e de esmagamento dos direitos sociais e civis da massa trabalhadora.
O leit motiv dessa campanha, era a crença na mentira que eles mesmos tinham criado. Assim, o resultado é que não foram capazes de compreender o mais importante fenômeno político deste início de século - a geração de um movimento político popular, em que a memória, a emoção e os sentimentos de identidade são a principal liga dessa luta do povo.
O incrível é que tudo isso foi se realizando em termos concretos, como memória coletiva e na consolidação do que há muito as massas almejavam ver resolvido. Foi realmente uma tarefa inigualável, pois, além de resistirem à dominação ideológica do sistema, eliminaram a aculturação que o império tentava e tenta impor. Hoje, porém, através da transmissão oral das experiências e recordações de velhas lutas populares, do conhecimento e aprendizado a respeito do que se passa na América Latina e das lutas de nossos vizinhos, o povo brasileiro foi construindo um conceito de Estado e a conseqüente economia política para esse Estado.
Uma construção que hoje pode ser compreendida como um pensar político próprio e início de uma nova proposta política. Uma proposta que ainda está em formação, mas, que significa algo bem distinto do que existe em termos capitalistas e daquilo que se poderia intitular como a não-ideologia capitalista. Na realidade, como acontece em todas as etapas de transição histórica, há um momento em que os processos de superação de algumas contradições secundárias são tão rápidos em suas dinâmicas, que há a sensação de algo difuso e até mesmo, confuso. É, pois, esta a situação que se está a viver na América Latina e que desnorteia o formalismo da lógica burguesa, acostumada a crer na imutabilidade de seu poder e destino.
A furiosa e imoral campanha desenvolvida contra o Governo Lula e a candidatura Dilma Rousseff, mais do que uma indigna luta em favor de um candidato do sistema, representa os raivosos esgares de ódio do Império e seus sequazes ante este sinal de que o seu tempo chegou ao fim. Para o Império e seus cúmplices brasileiros, tão ou mais grave que a perda de seus privilégios e interesses econômico-sociais, está a suprema das ofensas, que é a ascensão do povo à categoria de seres humanos com reais direitos e regalias cívico-políticas.
É assim que se pode e se deve compreender o atual presente da campanha eleitoral brasileira. De um lado, um povo mobilizado por seus direitos e manifestando-se com festas, alegria e certeza da justa vitória. Do outro, as elites oligárquicas, cheias de ódio, preconceitos e plena convicção de sua derrota nas urnas no próximo 3 de outubro. Como os ideais democráticos, para essas elites e para o Império, sempre foram meras palavras - "words, words, mere words, no matter from the heart"-, a pregação golpista e a sórdida aliança com estelionatários é apenas o lógico corolário de sua história de exploração e saqueio das riquezas dos povos sob esse tipo de domínio.
Vencer é necessário, vencer no primeiro turno é mais preciso ainda. Nós, o povo, temos que dar a mais clara e cabal resposta a esses crápulas através de uma votação aplastante em favor de Dilma Rousseff e de todos os candidatos que conformam a aliança de apoio à sua candidatura. Temos que dar um basta a essas sujas e corruptas manobras engendradas por aqueles que sempre foram contrários a um Brasil livre e desenvolvido.
Todos, pois, à Vitória!
Enviado por Jacob Blinder







