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sábado, 11 de setembro de 2010

O Mundo vai conhecer a DITADURA BRASILEIRA: Vote

Tem Documentário brasileiro concorrendo ao OSCAR 2010: UTOPIA e BARBARIE de Silvio Tendler.

Vote na enquete: www.cultura.gov.br/site/2010/09/08/enquete-oscar

Alô vamos votar e mostrar ao mundo o que os milicos não deixam abrir: A DITADURA Brasileira

Mídia sem Alma - O estaleiro OS ( Eike Batista) e a Revista Época

MÍDIA SEM ALMA

Raul Longo

A Mídia brasileira sempre se comportou como se o país não tivesse alma e os únicos seres vivos do planeta fossem os animados pelos mesmos interesses que movem seus anunciantes e mantenedores.

Foi assim que ocorreu com o Movimento das Diretas quando a Globo omitia as multidões pelas praças do país, a exigir o retorno da normalidade democrática tão evitado pelos mesmos grupos de comunicação que só duas décadas depois perderam o poder de moldar o anima de seus leitores e espectadores que, enfim, demonstram pelos resultados do IBOPE e IVC, ou mesmo pelos das urnas eleitorais, estarem se libertando dos condicionamentos e assumindo vida e raciocínio próprio.

De dentro da própria Igreja Católica, que também já justificou os interesses de seus provedores inventando que a escravatura não ofenderia os princípios de Cristo porque negros e índios não teriam alma, surgiram ordens e clérigos que combateram e combatem tais mentiras e preconceitos, dando algum sentido à existência milenar da instituição. Mas de que servem os veículos e profissionais de Mídia que se pretendendo formadores de opinião, se obliteram na opinião exclusiva de seus grandes anunciantes?

Anunciam à quem, se ninguém mais acompanha a grande mídia brasileira que não consegue conduzir resultados de pesquisas públicas por maior a utilização de casuísmos e manipulação de factoides, em uma década de corporativismo monopolista?

À quem querem enganar os empresários da OSX, com matérias como a publicada pela Revista Época (abaixo), repetindo que o empecilho à instalação do Megaestaleiro na Baía Norte da Ilha de Santa Catarina se resume a ambientalistas em defesa de golfinhos?

Só se acreditam que dessa forma convencerão o governo federal a lhes conceder permissão para empreendimento tão lesivo e fatal às almas humanas que compõe todos os municípios da região, inclusive a capital do Estado, quanto aos botos. Se não mais! Pois os botos emigram e já estiveram em outras localidades do vasto oceano antes de virem para cá; mas as comunidades pesqueiras que aqui desenvolvem suas atividades cotidianas desde o século 18, miscigenando heranças açorianas com a dos antigos guaranis carijós, não se deixam enganar por meras promessas midiáticas de empregos que, sabem, em maioria se destinarão à mão de obra especializada.

Esta sim terá de emigrar de onde excede, trazendo das baixadas Fluminense e Santista todos os problemas sociais decorrentes, além de promover o extermínio das particularidades culturais que compõem um dos atrativos do único polo turístico litorâneo internacional do cone sul do continente.

Florianópolis é a única infraestrutura urbana com atrativas belezas naturais e ideais condições balneáveis entre a Terra do Fogo e o Rio de Janeiro. Seu aeroporto: escala emissora do turismo internacional às demais praias e regiões de Santa Catarina, além das Cataratas do Iguaçu no Paraná.

Se as comunidades pesqueiras do canal da Ilha de Santa Catarina não se seduziram por ofícios que lhe são estranhos e aviltantes pelo trabalho sujo de chão de fábrica por rendimentos inferiores aos aferidos pelo esforço venturoso da lide marinha, tampouco as comunidades de moradores que, semanalmente, se mobilizam em manifestações de contrariedade ao intento, por toda a extensão e em ambas margens do canal.

Mesmo que omitida pela Revista Época, esta contrariedade popular à tentativa de imposição do empreendimento é suficientemente reconhecida pela OSX, conforme demonstrou através da dezena de “armários” contratados como leões de xácara para intimidar a população em audiência pública realizada em Florianópolis. Uma vergonha para a democracia há tanto restabelecida, mas de fazer inveja à memória dos velhos tempos da ditadura militar.

No entanto, para a imprensa comprada pelo empresário Eike Batista, como a Revista Época, pescadores, maricultores, empregados dos setores hoteleiros e gastronômico, moradores preocupados com a desvalorização de seus patrimônios familiares e o futuro da população da região; não tem qualquer importância. É uma população que não existe, não têm alma, significado ainda menor do que o dos botos a que os ambientalistas defendem.

Os jornalistas da Época e de todos os demais veículos comprados por Eike Batista apenas reproduzem os releases da OSX, mas nada sabem e provavelmente sequer conheçam a região. Ou se conhecem, como os dos impressos e emissoras daqui mesmo, ao entendimento de seus olhos tudo o que não se expresse em cifrões se resume a deserto sem viva alma. Mas o próprio Sr. X (como Eike Batista gosta de ser identificado pelas excentricidades típicas dos de sua classe), sabe perfeitamente que o que ameaça seu empreendimento não são botos nem ambientalistas.

Apesar da omissão da Mídia, o Sr. X sabe bem o que, neste momento, mais ameaça a realização de seus escusos interesses que motivam a insistente recusa às demais localizações oferecidas ao Megaestaleiro no mesmo estado e de muito menor impacto sócio/ambiental.

Sabe que este empecilho dificilmente contornará as responsabilidades sociais do governo federal, fazendo com que aceite e se alie à inépcia e incompetência da empresa que a própria OSX contratou para desenvolvimento do Estudo de Impacto Ambiental de seu megaprojeto, conforme demonstrado na matéria
Cientistas apontam falhas e omissões no EIA do Estaleiro OSX
http://sambaquinarede2.blogspot.com/2010/09/blog-post_10.html de Celso Martins, jornalista independente que ainda dá sentido à profissão e a quem Eike Batista não comprou a alma.

Matéria da Revista Época de mentiras e hipocrisias:

Os botos contra Eike Batista

Um grupo de golfinhos pode impedir a construção de um estaleiro de R$ 3 bilhões em Santa Catarina. Dá para conciliar desenvolvimento e preservação?

Marina Franco


EM CASA
Golfinhos-cinza brincam na Baía de São Miguel. Segundo alguns estudos, a maior ameaça à espécie são os esgotos, e não o estaleiro

O boto-cinza é uma espécie arredia – costuma nadar em grandes grupos e evita a aproximação de barcos. Eike Batista que o diga. Por causa das famílias de botos-cinza da Baía de São Miguel, em Santa Catarina, ele pode ser impedido de construir um estaleiro de R$ 3 bilhões. O projeto da OSX, empresa de construção naval do grupo EBX, de Eike, está planejado para o município de Biguaçu. O problema é a Área de Proteção Ambiental (APA) ali ao lado.

Seria o maior investimento da história de Santa Catarina. “Nunca uma única empresa fez um investimento inicial tão grande”, diz Vinícius Lummertz, secretário de Planejamento do Estado. O estaleiro poderia produzir seis embarcações de grande porte por ano, como navios sondas e plataformas de extração de petróleo. Sua construção geraria 3.500 empregos. A operação, 4 mil diretos e mais 4 mil indiretos. O projeto também pode aquecer os setores de tecnologia e logística. A OSX investiria ainda em um instituto de pesquisa, desenvolvimento e formação de técnicos de indústria naval em Florianópolis, que fica ao sul da Baía de São Miguel. As plataformas construídas ali poderiam ajudar na produção de petróleo e gás extraídos da camada do pré-sal. Por tudo isso, o projeto é estratégico.

Mas os impactos ambientais estão barrando a obra. A principal queixa dos ambientalistas é o canal de acesso aos navios, com 60 metros de largura e 12 quilômetros de comprimento, que seria cavado no fundo da baía. Ele contornaria a APA de Anhatomirim, onde vivem os botos-cinza (Sotalia fluviatilis) . O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de Santa Catarina, que cuida de unidades de conservação, emitiu dois pareceres negativos. Disse que a construção teria “consequências irreversíveis e não mitigáveis” às unidades de conservação, como contaminação biológica e mudanças físicas. Afirma que o estaleiro poderia até causar a extinção dos golfinhos no local. Alguns moradores temem que a obra afete a pesca e a coleta de mariscos. “O Brasil precisa desenvolver a atividade do petróleo, mas o estaleiro deveria ser construído em uma região que já tem porto”, diz Ruy Campeche, produtor de ostras. “Aqui vai interferir no turismo, na gastronomia e no sustento de pescadores.”

O estaleiro vale o sacrifício dos golfinhos? Talvez não seja preciso escolher, diz o biólogo americano Thomas Jefferson, da Universidade de Hong Kong. Ele participou de um estudo que a OSX encomendou à Fundação Certi, ligada à Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo Jefferson, os golfinhos da região já estão ameaçados. Não pelo estaleiro, mas pela poluição dos rios. O principal deles, o Rio Cachoeira, recebe esgotos das cidades no entorno. Com o estaleiro, é possível que a qualidade da água até melhore. A indústria vai captar 3 milhões de litros por dia (o equivalente ao consumo de 15 mil pessoas) e devolver a água tratada ao rio.

Para evitar o impacto da obra, a Certi sugere que as dragas do canal trabalhem no inverno, quando os botos saem da região. Outra ideia é usar uma cortina isolante de som, para reduzir o barulho no sonar dos golfinhos. Jefferson trabalhou na construção do aeroporto internacional de Hong Kong, que também fica em uma baía com golfinhos protegidos por um parque marinho. Eles convivem com um canal de navegação e com a movimentação de embarcações. O ICMBio deve se manifestar até o começo de outubro. Se a licença não sair, Eike pensa em construir o estaleiro em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro. Mas lá vivem várias espécies de golfinho.

Onde fica o estaleiro

A indústria seria instalada em uma baía próxima a Florianópolis. Exigiria a construção de um canal com 9 metros de profundidade ao lado da área de preservação



Enviado por Raul Longo


ALERTA: Campesinos MASSACRADOS (Fotos da barbarie)


Guardias del árabe Miguel Facussé están masacrando en Honduras a campesinos del Aguán

TamaÒo de la fuente: Decrease font Enlarge font
image

En una emboscada, fueron asesinados tres campesinos mientras

se dirigían a los campamentos ubicados en la margen izquierda

del río Aguán. Los guardias de seguridad al servicio del terrateniente

de origen árabe, Miguel Facussé Barjum, fueron avistados por otras

personas, luego que huyeran de la escena del crimen en un vehículo

azul doble cabina.

Tocoa, Honduras. Los asesinatos contra los campesinos en el valle del Aguán continúan en ascenso.

En esta ocasión, tres personas han perdido la vida a manos de los guardias privados del terrateniente

árabe, Miguel Facussé Barjúm. 3-69.gif

Las víctimas responden a los nombres de

Víctor Mata Oliva (40) Sergio Amaya (18) y Roldin Villeda (15)

quienes se dirigían a uno de los campamentos del Movimiento Unificado Campesino del Aguán (MUCA)

situados en el municipio de Tocoa, a 545 kilómetros al noreste de Tegucigalpa.

El crimen fue cometido mediante emboscada en un paraje solitario; el cuerpo del

conductor quedó dentro del vehículo en el que se conducían, siendo rematado con disparos de f

usil AK-47 en la cabeza, mientras que el segundo cadáver fue encontrado a unos pocos metros

del automotor, presentando fracturas a la altura del codo derecho, producto de los disparos y

en otras zonas del cuerpo, mientras que la última víctima fue trasladado con vida a un centro

asistencial de la zona,

sin embargo expiró

. 3-71.gif

Por otro lado, también fue acribillado el campesino Francisco Miranda de 55 años,

miembro del Muca y habitante en el campamento “La Aurora”, siempre en la misma localidad.

Miranda fue ejecutado por desconocidos a la altura del puente de alivio sobre el río Aguán,

más conocido como “cacho de buey” mientras se movilizaba en bicicleta hacia Tocoa

a realizar algunas diligencias.

Más de diez miembros del Muca han sido asesinados en el transcurso de 2010,

todos ellos por parte de la empresa de seguridad “Orión”. Vecinos de los campamentos

han denunciado que a menudo son objeto de represión y amenazas de muerte, r

esponsabilizando al terrateniente Facussé por el derramamiento de sangre que se

está dando en esa región del país.

3-70.gif

EL LIBERTADOR como medio de comunicación responsable lamenta exhibir estas fotos

a sus lectores en Honduras y el mundo, pero considera que es necesario mostrar

el genocidio que se está cometiendo contra los movimientos sociales después del

golpe de Estado militar de junio de 2009, desmintiendo la versión de los golpistas al sostener

que aquí todo es “paz y amor” y que no se ha asesinado a nadie por sus ideas políticas o por las

luchas sociales que considera justas.

3-72.gifNota d

e Redacción: EL LIBERTADOR publica estas gráficas con la absoluta autorización de las

familias que hoy guardan luto y dolor, y de la organización campesina a la que pertenecían

estos compatriotas caídos por el derecho a reclamar y luchar por un pedazo de tierra que les

pertenece, más que a cualquier extranjero ingrato, en este caso, un árabe y otros de su mismo

origen integrados en una minoría perversa que desde este periódico les exigimos ¡Váyanse!,

porque a la vez dañan y ensucian la imagen del resto de la comunidad árabe que reside,

trabaja y contribuye al progreso de Honduras.

Este periódico deja constancia que nos diferenciaremos siempre del amarillismo

de la prensa tradicional que reproduce a diario una subcultura informativa morbosa,

exhibiendo sin ningún respeto los cuerpos de hondureños muertos por la violencia que genera

la injusticia social, la pobreza, una policía y un sistema judicial viciados; en cambio,

jamás publica la masacre de connacionales ejecutados porque luchan por mejorar sus

condiciones de existencia contra gente poderosa que también controla los

medios de comunicación. Por eso, exhibimos las injusticias y asesinatos que esa prensa rufiana calla y,

con ese silencio, ha destrozado la paz social y la existencia de un Estado de Derecho en Honduras.

Enviado por : OLIVER HERNAN

SE O SERRA PODE POR QUE O TIRIRICA NÃO?

SE O FHC PODE POR QUE O TIRIRICA NÃO?


Laerte Braga


A diferença entre o ex-presidente e o Tiririca é que FHC faz chorar, Tiririca faz rir e até agora não se tem notícia que tenha vendido um país ou metido a mão no bolso de alguém.

Tenho ouvido disparates tais como exigir curso para eventuais candidatos a cargos eletivos, preparo mínimo, sabatina por notáveis, coisas típicas de moralismo hipócrita e que no Brasil, em se falando de eleições, se materializa na Justiça Eleitoral, aberração no sentido lato da palavra.

Quando a mídia privada começa a questionar o direito de Tiririca ser candidato a deputado federal deixa de olhar para seu próprio umbigo. Tiririca é produto dessa mídia. Da alienação vendida diariamente nas bancas de jornais, em telinhas de tevê ou na baixaria que costuma ser a programação de boa parte das rádios brasileiras.

Há dias, num táxi, ouvi um locutor da RÁDIO GLOBO recomendar aos ouvintes que não dessem atenção às “rádios piratas”. Estava se referindo às rádios comunitárias. Atrapalham os “negócios” e muitas delas levam informação e resultam em formação.

Isso não interessa aos donos.

Se Tiririca é um bobo, ou não é, nessa discussão sobre seu direito de ser ou não candidato, é irrelevante. É um cidadão brasileiro no gozo dos seus direitos políticos e prontos.

A “democracia” que temos é regida por esses parâmetros.

O que acontece é simples. Num dado momento alguns integrantes do clube de amigos e inimigos cordiais, o Congresso Nacional, perceberam que a perspectiva de um milhão de votos para Tiririca rouba-lhes o assento, digamos assim, na Câmara.

Aí, um procurador eleitoral, investido de poderes absurdos, vai questionar se a vírgula da lei está bem ou mal colocada.

Em uma eleição municipal numa cidade mineira há cerca de uns quinze anos o juiz eleitoral, partidário de um dos candidatos e corrupto, exigiu que os programas do horário eleitoral gratuito lhes fossem mostrados antes de ser exibido e ao seu talante ia fazendo cortes aqui e ali.

A corrida para votar em Tiririca para deputado federal não é nem novidade. E muito menos em São Paulo.

Jânio não foi prefeito e governador? FHC não foi senador, presidente do Brasil? Ademar e Maluf não ganharam várias eleições em cima do “rouba mas faz”? Alckimin não está à frente nas pesquisas para a sucessão estadual? José Arruda Serra não foi prefeito, senador, governador e é candidato a presidente da República.

E olhe que não citei o rinoceronte Cacareco que esse era candidato sério. Ou nem era, o eleitor escrevia seu nome na cédula. Ninguém bateu seu recorde até hoje. Caráter paquidérmico.

O que as redes de tevê que torcem o nariz para Tiririca querem? Ou os jornais, as revistas? As emissoras de rádio e seus programas padrão “olha aí gente que vem chuva forte?

Tiririca é produto desse caráter espetáculo que a mídia privada constrói diariamente nas receitas de Ana Maria Braga, nos domingos desesperadores de Faustão (já apareceu por lá e foi saudado), ou na desinformação que é o JORNAL NACIONAL.

O jornal ESTADO DE SÃO PAULO no afã de criticar Lula (a opinião do jornal é que Lula deveria estar na senzala) traduziu um artigo do jornal inglês THE ECONOMIST e suprimiu um parágrafo onde se lia que o Brasil é a perspectiva de futuro diante do naufrágio da Europa e do declínio dos EUA (se mantém por conta das milhares de bombas que podem destruir o planeta até cem vezes se for o caso).

Suprimir que seja até aceitável, façamos a concessão, mas não informar aos leitores que suprimiu determinado parágrafo e fazer crer que o artigo era crítico, isso é má fé.

Que tipo de contribuição a REDE GLOBO oferece aos brasileiros em termos de conscientização, de informação real, verdadeira, não distorcida? De perspectiva cultural?

São só “negócios”. E negócios sujos, como ganhar terreno público destinado a praça pública por doação de José Arruda Serra, para impedir que o povo da capital paulista tenha de volta o bem público.

A vírgula que Tiririca colocou errado, se é que colocou, não é a que o procurador eleitoral ou seja lá quem for achou, ou inventou, mas é o milhão de votos que pode vir a ter e assim derrotar alguns medalhões investidos de moral patriótica, elevados princípios e contas em paraísos fiscais.

Maluf não diz que é ficha limpa?

José Arruda Serra não está descabelado e tresloucado com os números das pesquisas, falando bobagens em cima de bobagens por conta de um sigilo fiscal que sabia desde 2009 e beneficiou os “negócios” de sua filha? Que foi levantado agora pelo ex-governador de Minas Aécio Neves para defender-se das insinuações de Arruda Serra numa disputa interna entre tucanos?

O menor problema nessa “democracia” onde Gilmar Mendes vai proferir um voto sobre a ficha limpa, é o Tiririca.

Bolsonaro é deputado federal, vomita barbáries fascistas diariamente na Câmara, que riscos oferece o Tiririca?

Ele mesmo responde no seu slogan – “pior não fica” –.

Não tem como ser pior que Bolsonaro.

Já ouvi que Congresso é uma besteira e de gente que defende a “democracia forte”. Coloca o que não existe na democracia, adjetivo. Sobral Pinto ensinou isso a um coronel fascista que falou da construção da “democracia a brasileira”.

Deu no que deu. País imerso em dívidas, prisões lotadas de adversários políticos, milhares de exilados, torturados, assassinados e até hoje esse rebutalho defendendo a honra nacional.

Putz! É o cúmulo da esculhambação.

Existem deputados como Chico Alencar, Brizola Neto, Luciana Genro, outros tantos que lutam pela construção da democracia lato senso, com ampla participação popular. Candidatos como o Carlos Eugênio Pais, o comandante Clemente.

Mas e a GLOBO? O ESTADO DE SÃO PAULO? A FOLHA DE SÃO PAULO? VEJA? ÉPOCA?

A maior preocupação do portal GLOBO.COM, que se auto intitula o maior do Brasil é saber se Susana Vieira acordou com o mesmo namorado ou é outro.

Aí meu caro e minha cara, nessa linha de alienação, de baboseira, Tiririca ainda acaba virando salvação nacional com direito a participar da tal dança dos famosos no programa do bobo Faustão.

E chamadas no JORNAL NACIONAL. Com análises de Miriam Leitão, Lúcia Hipólito e Alexandre Garcia.

Tiririca é produto que eles próprios, as elites, criaram. Agora que agüentem. Descartar o cara pelo simples fato que tornou-se eleitoralmente maior que essa bandidagem vendida pela mídia privada é típico dessa banda podre e corrupta, a que usa e descarta.

Como aquela moça do Faustão que foi mandada embora por ter completado quarenta anos.

São cretinos absolutos, mas pilantras plenos. A causa. Tiririca é o efeito.

Tenho uma sugestão. Maitê Proença produziu asneiras impensáveis no programa SAIA JUSTA de um dos canais da GLOBO em tevê fechada. Peguem algumas declarações de Tiririca. Se conseguir superar a moça que deu um chilique e queria andar exclusivo para si num hospital depois de uma queda dum cavalo, aí dá para pensar no assunto impugnação.

Caso contrário, quem sabe o procurador, ou procuradora que quer impugnar o candidato impugna a GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO, VEJA, Faustão, Maitê Proença, etc, etc.

Olha bem, depois que o FHC foi presidente da República, vendeu um país inteiro e ainda constrói uma pirâmide em São Paulo para si qualquer tiririca é pinto diante do esquema FIESP/DASLU.

Companheiro Allende: PRESENTE!

sábado, 11 de setembro de 2010

COMPAÑERO PRESIDENTE! AGORA E SEMPRE!

Hoje é dia de reverenciarmos Salvador Allende, o compañero presidente.

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social.

E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.

Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:
"Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor".

COMPANHEIRO ALLENDE? PRESENTE! AGORA E SEMPRE!



Hoje é dia de reverenciarmos Salvador Allende, o  compañero presidente.

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social.

E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.

Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:
"Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor".

Israel

Uma guerra antissemita para salvar o capital

Por José Arbex Jr.

“Israel é a nossa primeira linha de defesa em uma agitada região que está constantemente sob o risco de cair no caos; uma região que é vital para a segurança energética mundial devido à nossa dependência excessiva de petróleo do Oriente Médio; uma região que forma a linha de frente na luta contra o extremismo. Se Israel cai, todos nós cairemos.

(...) O Ocidente está atravessando um período de incerteza com relação ao futuro do mundo. No sentido amplo, esta incerteza é causada por uma espécie de dúvida masoquista sobre nossa própria identidade; pela regra do politicamente correto; por um multiculturalismo que nos obriga a curva-nos diante dos outros; e por um secularismo que, cinicamente, nos cega, mesmo quando somos confrontados por membros do jihad promovendo a encarnação mais fanática de sua fé. Deixar Israel à sua própria sorte, neste momento crucial, serviria apenas para ilustrar o quanto afundamos e como nosso declínio inexorável agora se torna eminente.

(...) Israel é uma parte fundamental do Ocidente. O Ocidente é o que é graças às suas raízes judaico-cristãs. Se o elemento judeu dessas raízes for retirado e perdemos Israel, também estamos perdidos. Quer queira ou não, nosso destino está interligado.”

Os trechos acima fazem parte de um texto de José Maria Aznar, primeiro ministro da Espanha entre 1996 e 2004, publicado no Times de Londres, em 17 de junho. O texto tem o mérito da extrema clareza, equiparável ao seu cinismo colonialista. Aznar faz um diagnóstico correto da crise mundial: “O Ocidente está atravessando um período de incerteza com relação ao futuro.” Nesse contexto, Israel – “parte fundamental do Ocidente” - joga um papel essencial no Oriente Médio, “região que é vital para a segurança energética mundial”. O raciocínio é sintetizado pela sentença: “Se Israel cai, todos nós cairemos.”

Aznar não é um fulano qualquer, ainda que o sobrenome reflita sua vocação intelectual. Ele é filho diletodo franquismo e expressa os sentimentos mais atrasados, reacionários e conservadores da Europa branca, católica e chauvinista. Aznar é um cruzado, como aqueles que propunham o extermínio dos semitas (judeus e mouros) na Idade Media, especialmente na Espanha de Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Mas, dado o papel geopolítico de Israel no mundo contemporâneo, Aznar é obrigado a fazer o elogio dos judeus, reservando a babação antissemita ao Islã. É um discurso bizarro, num país que viveu mais de sete séculos sob influência moura, e de onde foram expulsos pela Inquisição de Torquemada (ele próprio, um cristão novo) centenas de milhares de judeus que procuraram abrigo exatamente nos países islâmicos.

Para ler o texto completo e outras matérias confira a edição de julho da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.

Operação Condor

Operação Condor. A estrutura continua existindo. Entrevista especial com Neusa Maria Romanzini Pires


Batizada com o nome de Condor para “homenagear” a ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas, a Operação Condor foi uma colaboração entre vários regimes militares da América do Sul. Foi montada para coordenar a repressão aos esquerdistas, opositores ao regime. Sua função principal era destruir todos aqueles que eram considerados adversários políticos perigosos aos sistemas ditatoriais montados na América Latina. O primeiro passo da Operação Condor foi executar a imediata unificação de esforços de todos os aparatos repressivos das ditaduras que haviam se instalado. E conseguiram. Foi o que a pesquisadora Neusa Maria Romanzini Pires concluiu em sua tese de doutorado intitulada “Memória da dor - A Operação Condor”.
Na entrevista a seguir, cedida com exclusividade, por e-mail, à IHU On-Line, Neusa fala do árduo trabalho que teve para fazer um resgate histórico da Operação e concluir que sua criação foi feita aqui no Brasil e só anos mais tarde foi controlada pelos Estados Unidos, através da CIA. Ela também conta sua própria história, pois descobriu, através da pesquisa, que seu pai foi a primeira vítima da Operação. “Eu acho que 40 ou 400 trucidados não fazem diferença, porque o genocídio é genocídio, holocausto é holocausto. A dor, a desagregação que provoca numa comunidade é igual, não é algo que se meça de forma estatística ou qualitativamente, matematicamente. A dor é uma coisa que não se mede dessa forma”, relata Neusa.
Neusa Maria Romanzini Pires é graduada em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro. Em 1990, conclui sua graduação em Geografia pela Universidade Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro. Tem especialização em História da América Latina, em Geografia Regional e em Linguística Aplicada e LIteratura Comparada, toda pela UFRN. Realizou mestrado em Ciências Sociais e em Geografia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foi em seu doutorado que pesquisou “Memória da dor - A Operação Condor”, titulo obtido pela USP.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que você traz de experiência pessoal ao trabalhar a “Memória da dor - A Operação Condor”?
Neusa Maria Romanzini Pires – O trabalho não deixa de ser um resgate da minha própria vida, já que sou um personagem desta história, sendo filha de um desaparecido político. Mas o trabalho não tem um cunho memorialista. A primeira vítima da Operação Condor no Brasil foi o grupo do qual meu pai participava. Por isso, este trabalho foi muito difícil para mim. Eu tive que ter um grande cuidado para manter a neutralidade cientifica e um distanciamento ideológico, pois tive de ouvir as vozes da direita também. Eu fiz entrevistas com o Coronel Ustra (1), que é apontado como o assassino do meu pai, com o General Fiúza (2), entre outros. Foi uma experiência riquíssima, um mergulho que, de certa forma, inclusive, serviu para montar um quebra-cabeça sobre o seqüestro do meu pai (3). Agora, fui muito além, porque quando eu comecei o trabalho, o título nem seria esse. Para começar, eu nem imaginava que meu pai tinha sido vítima da Operação Condor. Quando eu terminei o mestrado e decidi por essa pesquisa, já ao iniciá-la comecei a ter surpresas com as entrevistas que fiz no Paraguai, na Argentina e nos Estados Unidos. Então, vi os arquivos dos desaparecidos políticos e fui caminhando nesse sentido até que encontrei a hipótese da tese, que foi o que eu defendi na qualificação.
IHU On-Line – E qual foi a hipótese?
Neusa Maria Romanzini Pires – De que a Operação Condor era realmente uma idéia brasileira e que a lenda da boa ditadura brasileira é lenda mesmo. Na realidade, nós exportamos isso para os outros países, como Chile e Argentina. O fato de termos tido aqui poucos mortos e desaparecidos não significa nada, porque, ao mesmo tempo, tivemos mais de 30 mil torturados. Precisamos levar em consideração que isso só demonstra eficiência da repressão brasileira. Demonstra, por exemplo, uma eficiência cirúrgica com que eles eliminaram toda a oposição do governo, tanto a oposição armada quanto a oposição representada pelas idéias. Sabemos que, no Brasil, foi feito de tudo para derrubar a ditadura, do abaixo-assinado à luta armada. Eu encontrei tudo isso na tese.
Alguns outros estudiosos defendiam que a Operação Condor tinha começado em 1975. Depois da minha qualificação na USP, há uns três anos, eles reconheceram que ela teria começado antes, pois o ano em que eu comecei o recorte é 1973. Conseqüentemente, acho que foi uma contribuição muito além do que esperavam. Por isso, repito, não foi um trabalho memorialista, embora saibamos que se o historiador teve a oportunidade de participar dos fatos, tem a obrigação de resgatar sua própria memória também, desde que ele tenha experiência e capacidade de manter neutralidade. Nesse sentido, acho que eu consegui muita coisa. Do ponto de vista científico e acadêmico, eu acho que pude resolver um equívoco histórico e abrir para que outros pesquisadores possam continuar este trabalho.
IHU On-Line – Como foram os anos de chumbo para quem enfrentou perdas durante a Operação Condor?
Neusa Maria Romanzini Pires – Quando alguém seqüestra um ente querido de uma família e some com o corpo, desaparece simplesmente com a pessoa, cria um trauma tão grande que praticamente tudo se transforma numa busca. A pessoa não sabe se é órfã, as mulheres não sabem se são viúvas, os pais não sabem se seus filhos estão mortos. Então, a vida toda gira em torno disso. Eu fiquei grávida do meu primeiro filho e nem percebi, porque eu estava em Brasília tentando criar uma CPI para investigar o desaparecimento do meu pai. A gravidez do segundo filho eu também não percebi, pois eu estava lutando pela anistia. Eu descobri, por ser militante também, que meu pai havia sido assassinado 15 dias depois do ocorrido, no entanto grande parte da minha vida foi dedicada a buscar a verdade sobre meu pai. Tivemos umas duas ou três testemunhas, além da testemunha que a ONU tem. A luta, depois disso, foi para saber em que circunstância isso aconteceu, porque parte da minha família, que não era militante, ficou com a vida paralisada.
Isso é tão traumatizante que muitos filhos, infelizmente, não tiveram nenhuma condição de ter uma vida normal. Agora eu tive sorte, porque morei no Chile, conversei muito com meu pai, morei no exílio com ele e sou militante desde os 13 anos. Tive sorte porque eu me dediquei à pesquisa, aos estudos para procurar compreender e para continuar a luta dele. Isso porque eu sou, não é segredo para ninguém, comunista marxista. É claro que a perda foi horrível para mim, mas eu compreendo que ele morreu por uma causa na qual eu mesmo acredito. Eu vi famílias se destruírem, pais e mães morrerem no desespero, além de ter assistido relatos terríveis. Eu acho que o que aconteceu (matar, ferir e depois não entregar o corpo para que a família possa enterrar da sua maneira, ou ver aquele morto para poder acreditar) é de uma covardia terrível. Até Jesus Cristo foi devolvido para seus familiares, não é mesmo?
Então, eu considero de uma brutalidade inadmissível e acho que não devia ser uma luta solitária desses familiares, nem de apenas pesquisadores e militantes: deveria ser uma luta de todos. Eu acho que 40 ou 400 trucidados não fazem diferença, porque o genocídio é genocídio, holocausto é holocausto. A dor, a desagregação que provoca numa comunidade é igual, não é algo que se meça de forma estatística ou qualitativamente, matematicamente. A dor é uma coisa que não se mede dessa forma.
IHU On-Line – Quais foram as memórias da dor com que você ficou desta época?
Neusa Maria Romanzini Pires – É uma coisa que não acaba não tem fim; é tão inexplicável. Eu estou tentando explicar para você e é tão difícil de compreender, porque enquanto outras pessoas estavam comemorando o milagre brasileiro (4), a Copa do Mundo (5), famílias sofriam, andavam desesperadas atrás de seus filhos, maridos, pais. É uma ferida que não cura.
IHU On-Line – E como sua família enfrentou isso?
Neusa Maria Romanzini Pires – Cada um tem uma forma de expressar. Eu acho que a melhor forma de enfrentar isso é ir de encontro a essa dor e vivê-la. Já que não nos deram a oportunidade do luto, eu aconselho a todo mundo que passou por isso a pesquisar, procurar, montar seu próprio quebra-cabeça, acompanhar tudo o que aconteceu até o último instante daquele familiar e sentir essa dor, porque ela faz parte da vida. No entanto, é uma dor que não tem perdão, não há nenhum acordo, indenização, nada que possa recuperar, por exemplo, aquelas mães que morreram sem saber o que aconteceu com seus filhos. É dilacerante.
IHU On-Line – Como você fez o resgate histórico durante sua pesquisa?
Neusa Maria Romanzini Pires – A pesquisa nunca teve um cunho memorialista, o que foi até bom pra mim, porque foi uma casualidade eu ter descoberto que meu pai era a vitima de estréia da Operação. Eu faço um resgate da seguinte maneira: eu procurei ver qual foi o embrião da Operação. Foi assim que eu cheguei aos oficiais brasileiros e à conclusão de que foi o Brasil que exportou todo o conhecimento que, claro, já foi exportado da “Escola das Américas”, onde muitos oficiais brasileiros foram fazer seus cursos. Muitos militares não são uns imbecis como muita gente pensa, isto é, eles estudam, saem da academia militar sabendo inglês, francês, alemão. Então, “esses caras” montaram uma operação e a CIA (7) só interferiu em 1975, pela necessidade de derrubar o Salvador Allende (8). Aí ela (quem?) organiza uma operação. Por isso eu consegui tantos dados das vítimas anteriores a 1975. Quando ela é formalizada e institucionalizada, quando a CIA assume o controle, a Operação começa a ficar mais difícil de localizar os corpos, porque ela começou a ficar mais refinada. Isso tudo “em defesa” de uma reorganização capital da América Latina que, segundo os Estados Unidos, precisava ser feito naquele momento. Atualmente, estamos passando pelo mesmo problema, enfrentando novamente a necessidade dos Estados Unidos, pois ele está em crise, precisa de uma reorganização está com problemas com os governos daqui. Ninguém sabe o que vai acontecer.
Eu sempre gosto de deixar claro que minha contribuição foi essa: mostrar que a Operação Condor foi iniciada anteriormente à reunião de 1975, não importa o nome que tenha adotado e que foi uma idéia brasileira. Uma idéia do nosso serviço secreto. E que, em 1975, a CIA assumiu o controle até achar que o perigo tinha acabado e desapareceu na selva da América Central com a derrota do sandinismo (9). Mas eu quero afirmar uma coisa que eu acho importante: aquilo que criou a Condor só pede um motivo para retornar. Aquilo que criou a Condor só pede uma razão para ser reativada. Porque a estrutura continua existindo...

Notas:
(1) Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra comandou o DOI-Codi de São Paulo de 1970 a 1974. No período que esteve à frente do órgão ligado aos militares foram relatados mais de 502 casos de tortura.
(2) A Repressão teve como Comandante principal o General Fiúza, chefe da 6ª Região Militar, com sede em Salvador/BA. Homem de confiança do Presidente Geisel, foi quem determinou ao Tenente Coronel Oscar, do Exército Brasileiro, a desrespeitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção de Genebra e a espécie humana, na medida em que massacrou, alquebrou, humilhou e torturou físico, moral e psiquicamente, homens da envergadura de Wellington Mangueira, Faustino Alves Menezes, Delmo Naziazeno, Rosalvo Alexandre, Pedro Hilário, Bittencourt, Gervázio dos Santos (o Careca), João Santana Sobrinho, Asclepíades dos Santos, Seu Durval, Juca da Leste e tantos outros ilustres combatentes da causa da liberdade de expressão e do livre pensar.
(3) Desaparecido desde 1973, quando tinha 50 anos, Joaquim Pires Cerveira foi Major do Exército Brasileiro passou à reserva pelo Ato Institucional n. 1, de 1964. Conforme documentos encontrados nos arquivos do antigo DOPS/SP foi preso no dia 21 de outubro de 1965 e encaminhado à 5ª Região Militar e entregue ao Coronel Fragomini. Em 29 de maio de 1967, foi absolvido pelo Conselho Especial de Justiça da 5ª Auditoria, da denúncia do processo 324, por crime de subversão. Foi preso novamente, em 1970, com sua mulher e o filho, que foram torturados no DOI-CODI/RJ. Foi banido do país em junho de 1970. Foi preso em Buenos Aires em 11 de dezembro de 1973, juntamente com João Batista Rita, por policiais brasileiros, provavelmente comandados pelo delegado Sérgio Fleury. Ambos foram vistos por alguns presos políticos no DOI-CODI/RJ, quando chegavam trazidos por uma ambulância. Estavam amarrados juntos, em posição fetal, tendo os rostos inchados, esburacados e repletos de sangue na cabeça.
(4) É a denominação dada à época de excepcional crescimento econômico ocorrido durante a ditadura militar, especialmente entre 1969 e 1973, no governo Médici. Nesse período áureo do desenvolvimento brasileiro em que, paradoxalmente, houve aumento da concentração de renda e da pobreza, instaurou-se um pensamento ufanista de “Brasil potência”, que se evidencia com a conquista da terceira Copa do Mundo de Futebol em 1970 no México, e a criação do mote de significado dúbio: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
(5) Em 21 de junho de 1970 O Brasil vence a Copa do Mundo de futebol conquistando a posse definitiva da Taça Jules Rimet. O evento aconteceu no México.
(6) Central Intelligence Agency (em português Agência Central de Inteligência, sigla: CIA) é um serviço de inteligência dos Estados Unidos da América. CIA foi criada em 1947 nos Estados Unidos, pelo Presidente Harry S. Truman (1884 - 1972), para tal, foi editado um Acto Governamental de Segurança Nacional. A criação da CIA para os norte americanos foi uma necessidade estratégica devido ao início da Guerra Fria e o avanço do comunismo. A espionagem estrangeira, o roubo de projetos da área tecnológica, de armamentos, a fuga de informações, estavam causando prejuízos ao país, houve então, a necessidade de vigiar e relatar todos os assuntos referentes à segurança nacional ao Presidente, procurando a melhor forma possível interferir e neutralizar os efeitos negativos oriundos de ameaças externas .
(7) Salvador Allende foi um médico, político e estadista chileno. Foi o primeiro marxista eleito democraticamente presidente de um país da América Latina.
(8) Movimento político que teve por finalidade a derrubada da família Somoza do governo da Nicarágua.

(Inst. Humanitas Unisinos)

Wikileaks

O mistério do Sr. WikiLeaks, o homem que amedronta o Pentágono


Este artigo não seria possível segundo as regras da informação adotadas pelo sujeito do qual se fala. Porém, é preciso escrevê-lo para dizer, de forma não científica, com visão parcial e subjetiva, sem a possibilidade de alegar nenhuma documentação, que Julian Assange (foto), fundador do site WikiLeaks, foi procurado por poucas horas pelas autoridades judiciárias suecas com a acusação de estupro e abusos. Depois, o mandado de captura foi retirado. Ele, de localidade desconhecida e via Twitter, definiu o episódio como "inquietante, um truque sujo".

A análise é do escritor e jornalista italiano Gabriele Romagnoli, publicada no jornal La Repubblica, 22-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na Internet, inevitavelmente, a palavra do dia foi: complô. Há poucos dias, durante um encontro com um jornalista do jornal The Guardian, à pergunta "Existe alguma coisa que você não publicaria no WikiLeaks?", o fundador respondeu: "Não é uma questão interessante".

É discordando dessa afirmação que procuramos partir, para colocar em perspectiva o que aconteceu. O jornalismo escolhe sempre e inevitavelmente algumas coisas dentre uma miríade de fatos e de dados. A escolha do que se publica é ainda mais relevante do que aquela sobre como publicar. Aquilo que não é publicado não existe. Robert Redford, na última cena de "Os três dias do condor" [1975], depois de recém ter feito um "leak" [vazamento de informação], entregando ao New York Times os documentos sobre a operação da "CIA na CIA" é transpassado pela pergunta: "E se depois não os publicarmos?".

Assim, decidir publicar, e em primeira página, a notícia das "estranhas" acusações contra Assange significa colocá-las sob os refletores e atribuir a elas um destaque aqui e agora. De primeiro plano, até, por causa da personalidade do sujeito, do papel assumido pela sua organização e a iminência de uma nova intervenção sua na cena midiática. Mas é preciso proceder com ordem e buscar responder, embora sumariamente, à pergunta: quem é Assange? Por que ele se tornou crucial? O que há por trás da acusação contra ele?

Nesta tentativa, o seu método jornalístico, que ele define como "científico", se retorce contra ele, porém. Nada pode ser publicado se não for documentado, afirma. O leitor que faça a sua opinião, avalie se as conclusões são coerentes, exatamente como ocorreria em um relatório sobre a estrutura do DNA. O problema é que, para começar, a biografia de Assange não está documentada. O seu ano de nascimento (1971) é suposto. O lugar é uma ilha da Austrália. A mãe, uma mulher chamada Claire. Depois começa uma narração em fábula que compreende: a residência em uma ilha magnética que desviava as bússolas, a fuga de uma seita que teorizava sobre a invisibilidade, a estreia como hacker com o pseudônimo Mendax (tirado de Horácio, "splendide mendax": esplendidamente falso), a paixão por Kafka e Solzenycin, que evocam o pesadelo da instituição autoritária, o contínuo temor de ser preso injustamente. Uma narrativa que, com uma simetria de baixa psicologia, reflete-se na sua vida adulta e na atividade do WikiLeaks, cujos alvos primeiros são os regimes absolutistas (do Quênia em diante) e poderosas associações de culto (da Cientologia em diante).

Quanto a ele, começa a viver como procurado bem antes de sê-lo. Relata (sempre se é possível acreditar em algo que ele mesmo não documenta) que muda de domicílio todas as noites, que leva sempre consigo uma maleta com celulares, computadores, agendas telefônicas e pendrives capazes de ativar em qualquer instantes e em qualquer lugar a sua rede informativa.

É difícil que ele possa se tornar invisível com aquela cabeleira branca. Ele tem cabelos brancos desde que perdeu sua batalha legal pelo filho, confiado à ex-mulher. Fica nervoso se é comparado com Andy Warhol, e é possível entendê-lo, porque verdadeiramente estamos diante de um jornalismo, mais do que subjetivo, superficial. Ele verdadeiramente se parece ao protagonista do filme "O homem que caiu na Terra" (1976), interpretado por David Bowie, tirado do romance de William Tevis. Não só esteticamente. Assange é, de fato, o homem que caiu sobre o planeta da informação. E fez um buraco imenso nele. Ou melhor, dois. E, em breve, três.

O WikiLeaks está ativo desde dezembro de 2006. Publicou, dentre outras coisas, memorandos reservados do Swiss Bank e (isso é mais discutível) e-mails privados da ex-candidata à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin. Mas, principalmente, difundiu primeiro o vídeo do massacre de civis no Iraque, em que morreram 12 pessoas, dentre as quais dois enviados da agência Reuters. Depois, os milhares de relatórios secretos sobre a operação norte-americana no Afeganistão, ao qual devem ser acrescentado, em breve, outros 15 mil textos (embora, defendeu Assange, sem obter confirmação, concordados com o Pentágono). E depois do anúncio, depois de um ciclo de conferências na Europa, depois da conclusão de uma férrea (embora sofrida para ambas as partes) aliança com alguns grupos midiáticos tradicionais que ampliam sua mensagem, eis que surge a acusação.

"Acusação-relógio", se poderia dizer, assim como as bombas. Uma acusação que se manteve por uma tarde e depois foi retirada. Portanto, aparentemente, uma não notícia. Indigna de ser publicada e, no caso, sem destaque. Não fosse pelo fato de que o significado às vezes prescinde da perdurável existência dos fatos, assim como dos documentos que o suportam – e que Assange tome nota disso de hoje em diante. O sentido da operação parece claro, até que se prove o contrário.

Agora cabe ao Wikileaks documentar isso, ou a quem quer que esse site seja considerado "esplendidamente falso" para demonstrar que verdadeiramente duas meninas suecas realmente apresentaram denúncia, espontaneamente e, à primeira vista, com algum fundamento, contra o último (por enquanto) subversivo.
Para ler mais:
• Suécia retira ordem de prisão contra o editor do WikiLeaks
• Wikileaks refugia-se na Suécia para resistir às pressões dos EUA
• Wikileaks provoca ciberestado de exceção em Bangkok
• Wikileaks refugia-se na Suécia para resistir às pressões dos EUA
• Partido Pirata Sueco oferece hospedagem ao Wikileaks
• Partido Pirata sueco oferece anonimato em novo serviço de internet
• Wikileaks é criticado por organização internacional de jornalistas
• Sítio Wikeleaks aproximou as guerra do Afeganistão e Vietnã
• (Inst. Humanitas Unisinos)

Marina Silva

Marina no colo da direita

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Emir Sader
No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.
De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.
Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com criticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloisa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.
Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.
As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.
O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.
Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.
Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.
(Novae)

Lula

Lula e o cordial "fascismo à brasileira"

Por José Arbex Jr.

Calma. Não se pretende, aqui, afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva preside um governo fascista, nem que ele próprio simpatize com Adolf ou Benito. A coisa é bem mais complicada. Ao contrário do que sugerem as aparências, o governo Lula, independentemente de suas intenções, acentuou, em vez de diminuir, as características fascistoides do Estado brasileiro. Vivemos a barbárie em nosso cotidiano, mas estamos contentes com o carro novo, a televisão de 42 polegadas e a última versão do iPhone. E,
secretamente, até acreditamos que o futuro imediato do Brasil é brilhante. A coisa vai muito mal.

Um indício indiscutível da barbárie é dado pelas estatísticas sobre a extrema violência policial combinadas com a ação de esquadrões da morte e milícias contra as populações de jovens e trabalhadores que vivem nas favelas e periferias. Se, em outubro de 1992, o massacre de 111 presos do Carandiru causou comoção, hoje as execuções somam UM CARANDIRU POR DIA, segundo estimativas conservadoras da ONU (veja o quadro). Os fatos são inegáveis: o Estado brasileiro pratica uma política de terrorismo contra os trabalhadores e jovens da cidade e do campo de maneira direta e indireta (não apenas na forma da violência física, mas também nas medidas típicas de regimes racistas, como o uso do expediente inconstitucional do mandado de busca coletiva em favelas).

Certo, não é justo atribuir ao governo Lula o quadro geral de terrorismo de Estado. Ele é parte constitutiva da história do país – dos 400 anos de escravidão oficial à atual prática da escravidão oficiosa, passando pelos massacres de Palmares e Canudos, pelas políticas “higiênicas” do princípio do século 20, pelas ações da Gestapo varguista de Filinto Müller e
pela ditadura militar de 1964 a 1985. Ok. Mas é justo afirmar que o governo Lula recuou inaceitavelmente diante dos ataques da direita fascistoide, em particular no que se refere ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, e principalmente nos itens relativos às investigações e punições dos responsáveis pelas torturas e assassinatos sob a ditadura. O mesmo aparato repressivo, e não raro os mesmos assassinos e torturadores, estão por trás das mortes e execuções atuais.

Não se trata “apenas” de um problema moral, por repugnante que seja, e sim político. Lula
recuou porque seu governo é de conciliação de classes. Mais precisamente, é um governo ancorado, em uma ponta, ao capital financeiro; na outra ponta, apoiado pelas classes e pelos setores sociais que, ao longo da história, foram considerados uma espécie de “lixo humano” – o “subproletaridado”, na definição do economista Paul Singer: um contingente de trabalhadores não qualificados, sem carteira profissional e de baixíssima renda que constitui a metade da população economicamente ativa.

Se houvesse uma investigação sobre os responsáveis pelos crimes da ditadura, a Justiça teria de condenar muitos dos atuais apoiadores do governo Lula, incluindo empresários que financiaram a Operação Bandeirantes, e políticos que hoje fazem parte do arco de alianças da base governista (a começar por José Sarney, presidente da Arena, o partido
da ditadura).

O jogo arquitetado por Lula, que mobiliza com eficácia as duas pontas do espectro social – o capital financeiro e o “subproletariado” –, representa algo novo na política brasileira: a abertura de uma aparente possibilidade de melhorar a distribuição de renda e ampliar a democracia, no quadro da ordem e do respeito às regras do jogo financeiro internacional. Essa caracterização é feita pelo sociólogo André Singer (porta-voz do governo Lula durante o primeiro mandato), no texto “As bases sociais do lulismo”, publicado em dezembro de 2009.

O “lulismo”, diz Singer, foi uma reação às três derrotas eleitorais sucessivas sofridas por Lula (em 1989, 1994 e 1998), quando ficou claro que nem ele nem o PT tinham o apoio do “subproletariado”. Esses setores, ao contrário do que se poderia imaginar, eram hostis ao PT, à CUT e aos movimentos grevistas, por sentirem que eles pioravam a crise econômica e, portanto, as suas próprias condições de vida (Singer demonstra meticulosamente a hipótese, por meio de estudos e pesquisas de opinião e voto feitos à época).

O próprio Lula admitia, então, que a base de apoio eleitoral do PT era constituída pelo funcionalismo público, pela classe média instruída e pelos operários qualificados (com carteira assinada). Em 1989, o “subproletariado” votou no Fernando Collor de Mello da “caça aos marajás” muito mais por desconfiar do discurso socialista de Lula e por um sentimento genérico de “vingança contra os ricos”, que Collor prometia punir. Em 1994 e 1998, foram a estabilidade do Plano Real e a ideia de “ordem” com Fernando Henrique Cardoso (sempre escorado no apoio do capital financeiro e nos preciosos serviços da mídia, em particular da Rede Globo) que seduzi- ram o “subproletariado” e uma parcela da classe média para derrotar o candidato do PT.

O “Lulinha paz e amor” da Carta aos Brasileiros de 2002 – que declarou os seus compromissos inquebrantáveis com o capital financeiro – já demonstrava o seu afastamento do programa original do PT. O seu complemento, endereçado ao “subproletariado”, foi o Programa Fome Zero. A essência do que seria sua administração foi revelada já no discurso de posse, proferido em 1 de janeiro de 2003, no Congresso Nacional: do total de 3.824 palavras, “trabalhadores” aparece apenas três vezes. Não há
no discurso um único chamado à mobilização popular, substituída pelas ideias de “colaboração”, “generosidade do povo”, “fé no amanhã”, “alegria de viver”, “paciência”, “perseverança” etc. Os trabalhadores são encorajados a manter uma postura passiva e resignada, ao passo que as iniciativas da vida política são depositadas nas mãos dos chefes de Brasília



Para ler o texto completo e outras matérias confira a edição de agosto da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Emir Sader: Viva o povo brasileiro!

Emir Sader: Viva o povo brasileiro!

Massacrado pelos monopólios da velha mídia, desinformado sobre o país, vitima das mentiras reiteradas da oposição midiática, o povo brasileiro demonstra nestas eleições um grau de consciência política e de maturidade cívica exemplares.

por Emir Sader, em seu blog

Consegue distinguir o essencial do secundário, opta pela prioridade das políticas sociais sobre a absolutização do ajuste fiscal, condena os políticos responsáveis pelos governos desastrosos do passado, opta pelo Estado como indutor do crescimento e da distribuição de renda.

Reconhece em Lula e na Dilma os principais responsáveis pelas mudanças positivas que o pais vive, execra a FHC, a Serra, à Globo e aos seus aliados da velha mídia, não dando bola para seus factóides e deixando-os na solidão do seu golpismo. O povo reconhece os avanços principais que o país teve, assiste os programas da Dilma na TV, comparece aos comícios de Lula e da Dilma, e se reconhece, sabe que tudo o que se mostra e se diz reflete as mudanças de vida que estão vivendo no seu mundo sofrido e até aqui abandonado.

Não deram ouvidos para as infâmias da oposição e sua velha mídia, de preconceitos contra as mulheres – que hoje majoritariamente também preferem Dilma -, contra os lutadores contra a ditadura, contra os movimentos sociais e os militantes políticos, que saem todos engrandecidos com o apoio popular.

Derrotados saem a Globo, a Veja, a FSP (Força Serra Presidente), o Estadão e todos os arautos do golpismo, do velho Brasil, das oligarquias tradicionais, com seus métodos de manipulação da opinião pública e de desprezo e discriminação pelo povo e por tudo o que é popular.

O povo percebe a diferença entre a demagogia opositora, não dá ouvidos a quem pretende ser eqüidistante dos dois campos em luta, relega ao ostracismo os que pretendem que nada mudou no Brasil. O povo não é bobo, encontra em Lula e na Dilma as vertentes do futuro, reconhecem a valorização do Brasil, sentem a auto-estima revigorada, superam o desalento, voltam a acreditar em si mesmos e no país.

Por isso o povo impõe a mais acachapante derrota às elites tradicionais, com sua velha imprensa, seus políticos caducos, sua demagogia superada. Derrota os caciques tradicionais que os enganaram durante tanto tempo, mandam FHC para o exílio e Serra para a aposentadoria, os tucanos para o museu da história.

“Esse povo de quem fui escravo, não será mais escravo de ninguém”, pregava e previa o Getúlio na sua Carta Testamento. Quem não reconhece esse povo, que começa a construir sua soberania, sua emancipação, seu destino próprio, suas formas solidárias de vida, está de costas para o país e merece ser derrotado fragorosamente nas eleições deste ano.

Fonte: Blog d Emir/Carta Maior
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João Lobo

SP gsata 77 milhoes em contratos irregulares. e SUJO somos nós da bloguisfera?


Governo do PSDB: Estado de SP gastou R$ 77 milhões em contratos irregulares

FRI, 10 de SEPTEMBER de 2010 15:58

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa levantou, junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Sigeo - Sistema de Acompanhamento da Execução Orçamentária -, a existência de, pelo menos, 14 contratos irregulares com o Estado de empresas citadas na Máfia da Merenda. Essas contratações somam aproximadamente R$ 77 milhões, em valores corrigidos pelo IGP-DI.
Vale ressaltar que as empresas mencionadas neste levantamento realizado pela Liderança do Partido dos Trabalhadores na Assembleia têm inúmeros outros contratos estabelecidos com o Governo do Estado de São Paulo, em valores que ultrapassam R$ 500 milhões.

Há, por exemplo, denúncias de irregularidades referentes a empresas de alimentação na Secretaria de Administração Penitenciária e indícios de que, em alguns contratos, os preços não foram compatíveis com aqueles divulgados pela administração.

O esquema remete a 1997 em contrato entre a Furp, Fundação ligada à Secretaria Estadual da Saúde, e a De Nadai Restaurante Industrial, no valor de R$ 2.532 milhões (em valores atuais, R$ 7.484 milhões). Houve impugnação ao edital de concorrência para prestação de serviços de alimentação e, mesmo assim, a empresa foi contratada.

No mesmo ano, a Secretaria de Administração Penitenciária firmou contrato com a Empresa Geraldo J Coan & Cia para o fornecimento de alimentação para as detentas e funcionárias da Penitenciária Feminina do Tatuapé no valor de R$ 1.537 milhão (R$ 4.293 milhões corrigidos pelo IGP-DI). O preço contratado não foi compatível com aquele divulgado pela administração. No ano seguinte, novo contrato da Secretaria com a mesma empresa foi julgado irregular pela 1ª Câmara do TCE.

Mesmo assim, a Empresa Geraldo J. Coan ‘venceu’ pregão para o fornecimento de refeições para funcionários e presos do Centro de Detenção Provisória Chácara Belém, em 2003. O novo contrato com a Secretaria de Administração Penitenciária foi de R$ 9.997 milhões (R$ 13.949 milhões em valores atualizados pelo IGP-DI).

Em 1999, a De Nadai ganhou novo contrato com a Secretaria da Saúde para a prestação de serviços em alimentação e nutrição para o Hospital Infantil Cândido Fontoura. No ano seguinte, a empresa estabeleceu contrato, com dispensa de licitação, com a Secretaria de Administração Penitenciária para o fornecimento de refeições para a Casa de Detenção Professor Flamínio Fávero, no valor de R$ 6.814 milhões ou R$ 14.782, em valores corrigidos.

A mesma empresa voltou a obter contratos com a Secretaria de Administração Penitenciária em 2002 e 2004, no total de R$ 8,5 milhões em valores da época.

O fornecimento de cestas básicas para a Fundação Para o Remédio Popular em 2002, através da Serra Leste Indústria Comércio Importação e Exportação, foi julgado irregular e o contrato de R$ 2.801 milhões (em valores atuais) está sob investigação. Apesar disso, a mesma empresa foi contratada em 2005 para fornecer cestas básicas para os funcionários do Iamspe em contrato de R$ 5.501 milhões (R$ 7.676 corrigidos). Mais uma vez, a licitação, o contrato e os termos aditivos foram julgados irregulares.

Há ainda contratos irregulares de empresas de alimentação com a Secretaria Estadual da Cultura e o Metrô, estabelecidos em 2004 e 2005.

Fonte: Portal Assembléia Permanente

http://www.macroabc.com.br/index.php/www1.senado.gov.br/templates/system/css/templates/ja_teline_iii/index.php?option=com_content&view=article&id=2159:governo-do-psdb-estado-de-sp-gastou-r-77-milhoes-em-contratos-irregulares&catid=3:isso-nao-e-pt&Itemid=430


Enviado pela rede castorphoto

FIDEL ACUSA REVISTA DOS EUA DE MAL-INTERPRETAR DECLARAÇÃO SOBRE SOCIALISMO


Com Comentário de Jacob Blinder
Os reacionários e direitistas de todos os matizes se alegraram com as declarações de Fidel Castro dadas a um jornalista dos Estados Unidos, especulando de que ele achava que o socialismo não servia mais para Cuba - mas foram alegrias efêmeras, pois em menos de 48 horas Fidel desmentiu tal declaração e colocou os pontos nos íis. Não afirmou tal coisa - e ao contrário disse que quem não servia mais para os tempos moderrnos era o capitalismo, pois estava envolto em crises estruturais graves que contaminava o mundo e acusou ainda a revista dos Estados Unidos por publicar frases suas totalmente deslocadas do contexto. Transcrevo abaixo as declarações de Fidel (em português) e a transcrição integral de sua entrevista (em espanhol). Que os leitores tirem as suas próprias conclusões. Quanto aos reacionários e direitistas deverão curtir ainda muitos anos de raiva - pois o socialismo de Cuba continuará gradualmente se aperfeiçoando e futuramente se transformará no socialismo que o velho Marx sonhava.

Jacob David Blinder
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10/09/2010 - 16:33 | Thaís Romanelli | Redação

FIDEL ACUSA REVISTA DOS EUA DE MAL-INTERPRETAR DECLARAÇÃO SOBRE SOCIALISMO

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro disse nesta sexta-feira (10/10) que foi mal interpretado pelo jornalista Jeffrey Goldberg, da revista norte-americana , que afirmou que o cubano dissera que o modelo econômico da ilha "não funciona mais".

Segundo Fidel, o que ele quis dizer é que o modelo capitalista não serve para os norte-americanos, nem para qualquer outro lugar do mundo e não questionar a eficácia do modelo cubano, como foi publicado na revista norte-americana.

Para ele, ao ser questionado se o modelo cubano era algo que ainda valia a pena ser exportado para outros países estava implícita a ideia de exportação do modelo de revolução. Sendo assim, o ex-presidente diz ter respondido a questão sem qualquer tipo de preocupação, o que levou Goldberg ao interpretar sua frase “ao pé da letra” e de maneira equivocada.

“A verdade é que minha resposta significava exatamente o contrário. Minha idéia, como todos sabem, é que o sistema capitalista já não serve nem para os Estados Unidos nem para o mundo. Sendo assim, como um sistema semelhante poderia servir para um país socialista como Cuba”, esclareceu durante a apresentação de seu novo livro na Universidade de Havana.

Sionismo

Já em relação às suas declarações sobre os conflitos no Oriente Médio, Fidel disse que chegou a ser considerado injustamente um sionista por amigos árabes após condenar o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por negar o Holocausto.

“Sempre condenei o Holocausto e em minhas reflexões expus essa posição com toda a clareza. Nunca fui inimigo do povo hebreu, sempre admirei sua capacidade de resistir durante dois mil anos as perseguições, Já os muçulmanos, durante mais de 12 séculos foram atacados e perseguidos pelos europeus cristãos, devido as suas crenças. A história deve ser admitida e recordada tal como aconteceu, com suas trágicas realidades e suas guerras ferozes”, disse.

Durante o discurso, o ex-presidente fez questão de dizer que continua considerando Goldberg “um grande jornalista, capaz de expor com maestria seus pontos de vista”. Porém, para ele, a má interpretação de suas afirmações evidencia que o jornalista norte-americano “transferiu e interpretou” suas frases ditas durante a entrevista em Havana.



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PALABRAS TEXTUALES DE FIDEL ACLARANDO EN CONTEXTO TODO LO QUE DIJO AL PERIODISTA JEFFREY GOLDBERG

Por: Cubadebate- Aporrea.org
Fecha de publicación: 10/09/10


La Habana, septiembre 10 - Todas las aclaratorias en torno a la interpretación periodística del periodista Jeffrey Goldberg, ubicando sus respuestas en contexto, las ofreció durante este viernes el Comandante Fidel Castro.

Mensaje en la presentación de “La contraofensiva estratégica”


Estamos en un momento excepcional de la Historia humana.

En estos días se cumplen los plazos concedidos por el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas para que Irán cumpla las exigencias, dictadas por Estados Unidos, relacionadas con las investigaciones nucleares, y el enriquecimiento de uranio para fines médicos y la producción de energía eléctrica.

Es lo único que se le puede probar.

El temor de que busca la producción de armamento nuclear, es sólo una suposición.

En torno al delicado problema, Estados Unidos y sus aliados occidentales, entre ellos, dos de las cinco potencias nucleares con derecho a veto, Francia y el Reino Unido, apoyados por las potencias capitalistas más ricas y desarrolladas del mundo, han promovido un número creciente de sanciones contra Irán, un rico país petrolero y de religión musulmana. Hoy las medidas aprobadas incluyen la inspección de sus mercantes, y durísimas sanciones económicas que conducen a la estrangulación de su economía.

He seguido de cerca los graves peligros que encierra aquella situación, ya que de producirse un estallido bélico en ese punto, la guerra rápidamente se tornaría nuclear, de consecuencias letales para el resto del planeta.

No buscaba publicidad o sensacionalismo al señalar esos peligros. Sencillamente, alertar a la opinión mundial con la esperanza de que, advertida de tan grave peligro, pueda contribuir a evitarlo.

Al menos, se ha logrado atraer la atención sobre un problema que ni siquiera se mencionaba en los grandes medios de opinión mundial.

Ello me obliga a utilizar una parte del tiempo destinado al lanzamiento de este libro, en cuya publicación trabajamos con ahínco. No quería que coincidiera con los días 7 y 9. En el primero se cumplen los 90 días dispuestos por el Consejo de Seguridad, para conocer si Irán cumplió o no, con el requisito de autorizar la inspección de sus mercantes. La otra fecha, señala el cumplimiento de los tres meses de plazo señalados en la Resolución del 9 de junio, posiblemente dicho plazo era la intención del Consejo.

Hasta ahora, sólo tenemos la insólita declaración del Director General de la OIEA (Organización Internacional de Energía Atómica), el japonés Yukiya Amano, un hombre de los yankis. Este echó toda la leña al fuego y, como Poncio Pilato, se lavó las manos.

Un portavoz del Ministerio de Asuntos Exteriores de Irán comenta con merecido desprecio su declaración. Un despacho noticioso de la agencia EFE, señala que su afirmación de que “‘Nuestros amigos no deben preocuparse, ya que no creemos que nuestra región esté en condiciones para nuevas aventuras militares’, e ‘Irán está totalmente preparado para responder frente a cualquier invasión militar’ era una obvia referencia al líder cubano Fidel Castro, ‘quien alertó de la posibilidad de un ataque nuclear israelí a Irán con el apoyo de Estados Unidos’.”

Las noticias sobre el tema se suceden, y se mezclan con otras de notable repercusión.

El periodista Jeffrey Goldberg, de la revista The Atlantic, ya conocido por nuestro público, publica partes de la larga entrevista sostenida conmigo, algunos de cuyos puntos interesantes ha ido programando, antes de un futuro y extenso artículo.

“Hubo muchas cosas extrañas durante mi reciente estancia en la Habana, [...] -cuenta él- pero una de las más inusuales fue el nivel de auto examen de Fidel Castro. [...] pero el hecho de que Castro estuviera dispuesto a admitir que había cometido un error en un momento crucial de la Crisis de los Misiles en Cuba parecía algo verdaderamente sorprendente [...] que se arrepentía de haberle pedido a Jruschov que lanzara los cohetes nucleares contra los Estados Unidos.” Es cierto, que me abordó el tema y me hizo la pregunta. Textualmente, como él lo expone en una primera parte de su reportaje, sus palabras fueron: “Le pregunté: En cierto momento parecía lógico que usted le recomendara a los soviéticos que bombardeasen a los Estados Unidos. ¿Lo que usted recomendó aún le parece lógico en estos momentos? Fidel respondió: Después de haber visto lo que he visto, y no valía la pena en lo absoluto.”

Yo le había explicado bien, y consta por escrito, el contenido del mensaje “…si Estados Unidos invadía a Cuba, país con armas nucleares rusas, en esas circunstancias no debía dejarse dar el primer golpe, como el que asestaron a la URSS cuando el 22 de junio de 1941, el ejército alemán y todas las fuerzas de Europa atacaron a la URSS.”

Puede observarse que de esa breve alusión al tema, en la segunda parte de la entrega al público de esa noticia, el lector no podría percatarse de que “si Estados Unidos invadía a Cuba, país con armas nucleares rusas”, en ese caso yo recomendaba impedir que el enemigo asestara el primer golpe, ni tampoco de la profunda ironía de mi respuesta “…de haber sabido lo que ahora sé…”, en obvia referencia a la traición cometida por un Presidente de Rusia que, saturado de sustancia etílica, entregó a Estados Unidos los más importantes secretos militares de aquel país.

En otro momento de la conversación Goldberg cuenta: “le pregunté si él creía que el modelo cubano era algo que aún valía la pena exportar.” Es evidente que esa pregunta llevaba implícita la teoría de que Cuba exportaba la Revolución. Le respondo “El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros.” Se lo expresé sin amargura ni preocupación. Me divierto ahora al ver cómo él lo interpretó al pie de la letra, y consultó, por lo que dice, con Julia Sweig, analista del CFR que lo acompañó, y elaboró la teoría que expuso. Pero lo real es que mi respuesta significaba exactamente lo contrario de lo que ambos periodistas norteamericanos interpretaron sobre el modelo cubano.

Mi idea, como todo el mundo conoce, es que el sistema capitalista ya no sirve ni para Estados Unidos ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis, que son cada vez más graves, globales y repetidas, de las cuales no puede escapar. Cómo podría servir semejante sistema para un país socialista como Cuba.

Muchos amigos árabes, al escuchar que me entrevisté con Goldberg, se preocuparon y enviaron mensajes señalándolo como “el mayor defensor del Sionismo”.

De todo esto se puede deducir la gran confusión que existe en el mundo. Espero, por ello, que lo que les cuento sobre mi pensamiento sea útil.

Las ideas expuestas por mí, están contenidas en 333 Reflexiones, vean que casualidad, y de ellas, las últimas 26 están referidas exclusivamente a los problemas del medio ambiente y al inminente peligro de una conflagración nuclear.

Ahora debo añadir en muy breve síntesis.

Siempre he condenado el Holocausto. En las Reflexiones “El discurso de Obama en el Cairo”, “El zarpazo al acecho” y “La opinión de un experto”, lo expuse con toda claridad.

Nunca he sido enemigo del pueblo hebreo, en el que admiro su capacidad de resistir durante dos mil años la dispersión y la persecución. Muchos de los más brillantes talentos, Carlos Marx y Albert Einstein, fueron judíos, porque es una nación en la que los más inteligentes sobrevivían, en virtud de una Ley natural. En nuestro país, y en el mundo, fueron perseguidos y calumniados. Pero esto es sólo un fragmento de las ideas que defiendo.

Ellos no fueron los únicos perseguidos y calumniados por sus creencias. Los musulmanes, durante bastante más de 12 siglos, fueron atacados y perseguidos por los cristianos europeos, debido a sus creencias, como lo habían sido los primeros cristianos en la antigua Roma antes de convertirse en la religión oficial de aquel imperio. La historia debe ser admitida y recordada tal como es, con sus trágicas realidades y sus feroces guerras. De eso he hablado y, por ello, con toda razón explico los peligros que hoy corre la humanidad, cuando estas se han transformado en el mayor riesgo de suicidio para nuestra frágil especie.

Si a eso le añadiera una guerra con Irán, aunque fuese de carácter convencional, más valdría que Estados Unidos apagara la luz y se despidiera. ¿Cómo podría resistir una guerra contra 1 500 millones de musulmanes?

Defender la paz no significa, para un verdadero revolucionario, renunciar a los principios de justicia, sin los cuales, la vida humana y la sociedad carecerían de sentido.

Sigo pensando que Goldberg es un gran periodista, capaz de exponer con amenidad y maestría sus puntos de vista, que obligan a debatir. No inventa frases, las transfiere y las interpreta.

No mencionaré el contenido de otros muchos aspectos de nuestras conversaciones. Respetaré la confidencialidad de los temas que abordamos, mientras espero con interés su extenso artículo.

Las actuales noticias que llegan en torrente de todas partes, me obligan a cumplimentar su presentación con estas palabras, cuyos gérmenes están contenidos en el libro de “La contraofensiva estratégica” que acabo de presentar.

Considero que todos los pueblos tienen derecho a la paz y al disfrute de los bienes y recursos naturales del planeta. Es una vergüenza lo que está sucediendo con la población en muchos países de África, donde se ven millones de niños, mujeres y hombres esqueléticos entre sus habitantes a causa de la falta de alimentos, de agua y de medicinas. Son asombrosas las noticias gráficas que llegan del Oriente Medio, donde los palestinos son privados de sus tierras, sus casas son demolidas por monstruosos equipos y, hombres, mujeres y niños, bombardeados con fósforo vivo y otros medios de exterminio, así como dantescas las escenas de familias exterminadas por las bombas lanzadas sobre los poblados afganos y paquistaníes, por aviones sin pilotos, y los iraquíes, que mueren después de años de guerra, y más de un millón de vidas sacrificadas en esa contienda impuesta por un Presidente de Estados Unidos.

Lo último que podía esperarse eran las noticias de la expulsión de los gitanos franceses, víctimas de la crueldad de la extrema derecha francesa, que eleva ya a siete mil de ellos, las víctimas de otra especie de holocausto racial. Es elemental la enérgica protesta de los franceses, a los cuales, simultáneamente, los millonarios limitan el derecho a la jubilación, a la vez que reducen las posibilidades de empleo.

De Estados Unidos llegan noticias de un pastor del estado de la Florida, que se propone quemar en su propia iglesia, el Libro Sagrado del Corán. Hasta los jefes militares yankis y europeos en misiones punitivas de guerra se estremecieron ante una noticia que consideraban riesgosa para sus soldados.

Walter Martínez, el prestigioso periodista del programa Dossier de Venezolana de Televisión, estaba asombrado de tanta locura.

Ayer, jueves 9, en horas de la noche, llegaron noticias de que el pastor había desistido. Sería necesario saber lo que le dijeron los agentes del FBI que lo visitaron “para persuadirlo”. Fue un descomunal show mediático, un caos, cosas propias de un imperio que se hunde.

Agradezco a todos ustedes la atención prestada.

Septiembre 10 de 2010