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sábado, 28 de agosto de 2010

Diretor do IBOPE admite: "O Brasil já tem uma presidente'

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO

"O Brasil já tem uma presidente"

Presidente do Ibope admite que errou ao prever que Lula não faria o sucessor e diz que Dilma Rousseff será eleita no primeiro turno

Octávio Costa e Sérgio Pardellas

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/98312_O+BRASIL+JA+TEM+UMA+PRESIDENTE+


CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO

"O Brasil já tem uma presidente"

Presidente do Ibope admite que errou ao prever que Lula não faria o sucessor e diz que Dilma Rousseff será eleita no primeiro turno

Octávio Costa e Sérgio Pardellas

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PASSADO
Para Montenegro, o PSDB fez uma campanha velha e sem novidade

Há exatamente um ano, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faria o sucessor, apesar da alta popularidade. Na ocasião, o responsável por um dos mais tradicionais institutos de pesquisas do País assegurava que o presidente não conseguiria transferir seu prestígio pessoal para um “poste”, como tratava a ex-ministra Dilma Rousseff. Agora, a um mês das eleições e respaldado por números apresentados em pesquisas diárias, Montenegro faz um mea-culpa. “Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana”, afirmou. “O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff.” Segundo Montenegro, a ex-ministra da Casa Civil vem se conduzindo de forma convincente e confirma, na prática, o que o presidente disse sobre ela na histórica entrevista concedida à ISTOÉ na primeira semana de agosto: “Lula acertou. Dilma é um animal político. Está mostrando muito mais capacidade do que os adversários.”

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"Lula vai sair como o melhor presidente do Brasil. Um pouco acima
até do patamar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek"

O tucano José Serra, na opinião do presidente do Ibope, faz uma campanha sem novidade, velha e antiga. “O PSDB está perdido”, assegura. Neste fim de semana, o Ibope vai divulgar uma nova pesquisa, que confirmará a categórica vantagem da petista. “Fazemos pesquisas ­diárias. E Dilma não para de crescer. Abriu 20 pontos em Minas, onde Serra já esteve na frente. Empatou em São Paulo, mas ali também vai passar. Essa eleição acabou”, conclui Montenegro.

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"A história da Marina é maravilhosa. A luta dela é muito importante. Mas ela até
outro dia estava com Lula e as pessoas a relacionam com o presidente"

Istoé -

O sr. disse que o presidente Lula não conseguiria transferir seu prestígio para a ex-ministra Dilma Rousseff, mas as pesquisas mostram o contrário. O sr. ain­da sustenta que o presidente não fará o sucessor?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Eu nunca vi, em quase 40 anos de Ibope, uma mudança na curva, como aconteceu nesta eleição, reverter de novo. Por mais que ainda faltem 30 e poucos dias para a eleição, o Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Ela tem 80% de chances de resolver a eleição no primeiro turno. Mas, se não for eleita agora, será no segundo turno.

Istoé -

A que o sr. atribui essa virada?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Houve uma série de fatores. Primeiro a transferência do Lula, que realmente vai sair como o melhor presidente do Brasil. Um pouco acima até do patamar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. O segundo ponto é o preparo da candidata Dilma. Ela tem mostrado capacidade de gestão, equilíbrio, tranquilidade e firmeza. A terceira razão é seu bom desempenho na televisão, inclusive nos debates e entrevistas. Lula acertou ao dizer, em entrevista à ISTOÉ, que ela era um animal político. Está mostrando muito mais capacidade que os adversários e mostra que tem preparo para ser presidente.

Istoé -

Mas há um ano o sr. declarou que Lula dificilmente faria o sucessor.

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Errei. Eu dizia de uma forma clara que, apesar de o Lula estar bem, ele não elegeria um poste. Foi uma declaração extemporânea, descuidada e muito mais fundamentada num pensamento político do que com base em pesquisas. Foi um pensamento meu. Acho que eu tinha o direito de pensar daquela forma, mas não tinha o direito de tornar público. Peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana.

Istoé -

O que mais o surpreendeu desde o momento do lançamento das candidaturas?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

A oposição errou e essa é a quarta razão para o sucesso de Dilma. A campanha do Serra está velha e antiga. Não tem novidade. O PSDB repete 2002 e 2006. Está transmitindo para o eleitor uma coisa envelhecida. Vejo um despreparo total. O PSDB está perdido, da mesma forma que o Lula ficou nas eleições de 1994 e 1998 contra o Plano Real. Na ocasião, ele não sabia se criticava ou se apoiava e perdeu duas eleições.

Istoé -

O bom momento da economia, a geração de empregos e o consumo em alta não fazem do governo Lula um cabo eleitoral imbatível?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Essa, para mim, é a razão principal. O Brasil nunca viveu um momento tão bom. E as pessoas estão com medo de perder esse momento. O Plano Real acabou derrotando o Lula duas vezes. Mas o Lula, com o governo dele, sem querer ou por querer, acabou criando um plano que eu chamo de imperial. É o império do bem, em que cerca de 80% a 90% das pessoas pelo menos subiram um degrau. Quem não comia passou a comer uma refeição por dia, quem comia uma refeição passou a fazer duas, quem nunca teve crédito passou a ter crédito, quem andava a pé passou a andar de bicicleta ou moto, quem tinha carro comprou um mais novo e quem nunca viajou de avião passou a viajar. Os industriais também estão felizes, vendendo o que nunca venderam. Os banqueiros idem.

Istoé -

Mas esse fator não pesou logo de início, quando os candidatos lançaram os seus nomes e Serra permaneceu vários meses na frente.

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

No início, houve transferência do Lula. Mas, de uns três meses para cá, o Lula está associando o êxito dele ao êxito do governo como um todo. E está mostrando que Dilma é a gestora desse governo. O braço direito dele. E as pessoas estão confiantes nisso e não estão querendo perder o que ganharam.

Istoé -

É possível dizer então que o programa de tevê do PT é mais eficiente do que o da oposição?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

A tevê ajudou na consolidação. Mas a virada de Dilma Rousseff na corrida para presidente da República se deu antes da tevê. Pelo menos antes do horário eleitoral gratuito.

Istoé -

Isso derruba o mito de que o programa eleitoral é capaz de virar a eleição?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Quando a eleição é disputada por candidatos pouco conhecidos, ele pode ser decisivo, sim. Por exemplo, a televisão está ajudando a eleição de Minas Gerais a se tornar mais dura. O Aécio está entrando agora, o Anastasia é o governador e eles estão mostrando as realizações do governo. Por isso, o Anastasia está crescendo. O Hélio Costa largou na frente porque já era uma pessoa muito mais conhecida do que o Anastasia. Mas, quando você pega uma eleição em que todos os candidatos são bem conhecidos, o uso da tevê é muito mais de manutenção e preenchimento do que para proporcionar uma virada.

Istoé -

E os debates? Eles podem mudar a eleição?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Só se houvesse um desastre. Cada eleitor acha que o seu candidato teve desempenho melhor. Vai ouvir o que está querendo ouvir. Já conhece as propostas anunciadas durante a propaganda eleitoral. Falando especificamente dessa eleição presidencial, repito que a população está de bem com a vida. Quer continuar esse bom momento. O Brasil quer Dilma presidente.

Istoé -

A candidatura de Marina Silva não tem força para levar a eleição até o segundo turno?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Cada vez mais a vitória de Dilma no primeiro turno fica cristalizada. Temos pesquisas diárias que mostram que essa eleição presidencial acabou. Agora, mais uma vez, o Brasil está dando um show de democracia. É bom dizer que os três principais candidatos são excelentes. Todos têm passado político, currículo e história. A história da Marina Silva, por exemplo, é maravilhosa. A luta dela pelo meio ambiente é muito importante. Mas a Marina até outro dia estava com Lula e as pessoas a relacionam com o presidente. Você pega a luta do Serra e ela também é fantástica. E o Serra, até outro dia, também estava no palanque do Lula, na luta contra a ditadura.

Istoé -

O fato de Dilma nunca ter disputado uma eleição não deveria pesar a favor de José Serra?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

No Chile, Michele Bachelet tinha 80% de aprovação, mas não conseguiu fazer o sucessor. Por quê? Porque ele tinha passado. Já tinha concorrido. Quando você concorre, você pega experiência por um lado, mas a pessoa deixa de ser virgem, politicamente falando. Sempre há brigas que você tem que comprar e vem a rejeição. No caso da Dilma, o fato de ela nunca ter concorrido, ter sido sempre uma gestora, uma técnica, precisando só exercitar o seu lado político, ajudou muito.

Istoé -

Em que medida o fato de Dilma ser mulher a ajudou nessas eleições?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Acho que não ajudou muito. Mas é algo diferente. O Brasil já tem implementado coisas novas na política, como foi a eleição de um sindicalista. É um fato interessante, mas a competência do Lula e da Dilma ajudaram muito mais.

Istoé -

O atabalhoado processo de escolha do vice na chapa do PSDB prejudicou a candidatura de José Serra?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Não. Nunca vi vice ganhar eleição. Nem perder.

Istoé -

O sr. acredita que Lula possa puxar votos para candidatos do PT nos Estados, como em São Paulo, por exemplo?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Acho muito difícil. O Lula tinha toda essa popularidade em 2008, apoiou a Marta e ela perdeu do Gilberto Kassab, que estava fazendo uma boa administração.

Istoé -

Dilma eleita, qual a saída para a oposição?

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO -

Está provado que o modelo da oposição não deu certo. Talvez ganhe em alguns Estados importantes, como São Paulo, Minas, Paraná e Goiás. Sempre terá um papel importante. Mas essa eleição mostra que está na hora de uma reforma política. É preciso diminuir o número de partidos. Os programas partidários também precisam ser mais respeitados. Os partidos são os pilares da democracia.

Fotos e artigos da repressao norte americana em Nuestra America




1.
Embajada norteamericana dirige la represión contra el pueblo hondureño como en los en los años 80
Red Morazánica de Información.
Tegucigalpa 27 de agosto de 2010. El dirigente del Frente Nacional de Resistencia Popular FNRP, Carlos H. Reyes, acusó a la Embajada norteamericana en Tegucigalpa de dirigir la represión en contra del pueblo, como lo hizo en la década de los 80.
Reyes hizo estas declaraciones después que miles de maestros, padres de familia y alumnos, en la Universidad Pedagógica Nacional, en la ciudad de Tegucigalpa.
El dirigente popular expresó que “como en la década de los años 80, la represión es desde la embajada norteamericana”.
Reyes acuso a la embajada, de ser quien le facilita las bombas lacrimógenas, para reprimir al pueblo hondureño que desde el día del golpe de Estado se mantiene movilizada de forma permanente.
El sindicalista acusó también que la represión es montada localmente por una mafia de empresarios de terratenientes, para acabar de apoderarse del país, esa es la estrategia que llevan ellos pero se han equivocado, severo el dirigente.


2.
INTELIGENCIA CONTRA BARBARIE         

                                                               Oscar Amaya Armijo

Cuando el gobierno de Pepe Lobo ataca brutalmente a los maestros, a quienes tienen el cuidado físico e intelectual de centenares de miles de hondureños, significa que tocó el mero fondo donde crece el salvajismo.

Es la brutalidad primitiva contra la inteligencia, la sinrazón de la caverna contra la sabiduría de las aulas.

Pareciera que quienes gobiernan son los puros salteadores de camino, los malones que anteponen a la claridad de las ideas las puntas de las bayonetas caladas.

Aquí es más importante quien carga un tolete o garrote primitivo que aquel maestro que esgrime el libro en el centro escolar.

En este país vale más la bota de un policía que la mente de un maestro produciendo conocimiento en los centros de investigación.

La perversidad convertida en gobierno le teme a la inteligencia, la ve con soslayo y, cuando se enfrenta a ella, y al no poseer argumentos persuasivos,  la ataca con el único recurso que poseen los malones de matorral: las balas asesinas.

Aquí vale más la mirada torva en el acerado rostro de un asesino que el apacible semblante de la maestra que con paciencia moldea el alma inocente de un niño.

Allí se les ve a los perversos arrastrando maestros como en los viejos tiempos de la comunidad primitiva. Es la inteligencia enfrentada a la barbarie.

Esta es la esencia del capitalismo salvaje donde los hondureños valen como productores de bienes materiales para la oligarquía que productores de bienes culturales e intelectivos para la sociedad en general.

Solo necesitan el hombre alienado (y enajenado) que les reproduzca el hartazgo convertido en sistema. En esto radica el egoísmo fascista que hoy reprime a los maestros con el diabólico afán de los malvados.

Son los mismos saqueadores, que a la sombra del golpe de Estado,  se robaron el dinero de las pensiones y jubilaciones del magisterio. Hoy esos mismos saqueadores defienden el botín a punta de metralleta.

Hoy los golpistas perversos y sus esclavos demuestran su tardío salvajismo al golpear, torturar y desparecer maestros, en vez de tenerlos en alta estima por su valiosa contribución al desarrollo material y humano.

Hoy el Estado es una guarida de escorpiones atacando las manos de los maestros, hombres y mujeres que mejor le sirve a la reproducción y conservación sistema capitalista.

Esta es una paradoja que de repente no entienden los salteadores salvajes que mal gobiernan este país.

3.

Más de 100 Bombas lacrimógenas lanza el ejército al interior de la Universidad Pedagógica el día de Hoy

Viernes 27 de Agosto de 2010 16:25
Una nueva encerrona sufrió el magisterio el día de hoy, la brutal represión continúa, esta vez los militares llegaron al punto de lanzar más de 100 bombas lacrimógenas al interior de la Universidad Pedagógica



Los gases se extendieron varios cientos de metros a los alrededores, negocios como Mall Miraflores fueron cerrados completamente, igualmente se mantuvo cerrado el paso a desnivel que conduce a Danli y a la Colonia Kennedy.



Organismos de derechos Humanos integrado comprobaron in situ la situación y aún se encuentran presentes en la zona

Son varias las personas que están sufriendo efectos de los gases, desde diarrea hasta problemas en la piel.

Este es el segundo día consecutivo en que militares reprimen a los maestros que exigen se les devuelva el dinero que fue saqueado de IMPREMA por el gobierno de Facto.

Nuevamente se evidencia el poco interés del gobierno de Pepe Lobo en encontrar soluciones a los problemas del país, así como el uso de la fuerza desproporcional y descomunal que hace el Estado a través de sus cuerpos represivos después del golpe de Estado

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 Actualización 04:37 PM: Se informa que ha sido detenido el profesor Agripino Salgado, miembro del Codeh y maestrante de la Maestría de Educación en Derechos Humanos

 Actualización 5_00 p.m. Radio Globo y Globo TV, catalogan como genocida brutal represion dentro de la Universidad Pedagogica Francisco Morazan esta tarde, luego que la policia irrumpiera en los predios de la Universidad y golpeara salvajemente a maestros, mujeres embarazadas y ninos; en globo TV presentaron a un nino de 7 anitos en estado de chock temblando  por la inhalacion de los gases lacrimogenes.
Golpearon salvajemente al periodista Carlos Paz de Radio Globo que se encontraba en la Univerdidad reportando los hechos. Declaran la Universidad Pedagogica como un campo de concentracion al estido Nazi.
Desde el Seguro Social y el Hospital Escuela  los maestros denuncian que no los estan atendiendo.

La gente esta cediendo pero han saturado de gases la Universidad. Desde un vehiculo Toyota Ford Runner  plateada 2000, placa pbj9117, perteneciente al Congreso Nacional de la Republica  disparon contra los maestros. Sicarios, paramilitares al servicion de la oligarquia estan disparando contra los maestros.Tambien se denunciaba que estan  cortando la senal de Radio Globo y Globo TV en territorio nacional.

http://voselsoberano.com/v1/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1
4.
Cofadeh envía alerta internacional urgente por amenazas de desalojo sangriento contra docentes que resguardan Inprema
Red Morazánica de Información
Tegucigalpa.  27 Agosto 2010. “El régimen de Porfirio Lobo Sosa estaría planificando un sangriento desalojo, según ha trascendido hace unos minutos”, comunicó en un alerta internacional,  el Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (Cofadeh).

Dirigentes magisteriales, habrían denunciado que “ahora se enfila las baterías para sacar por la fuerza a profesores y profesoras que mantienen tomado el Instituto Nacional de Previsión del Magisterio (Inprema)”, desde hace más de dos semanas.

Los docentes se tomaron el edifico de su instituto de previsión,  como una acción de protesta para exigir se les devuelvan más de tres mil 900 millones de lempiras que les fueron  desviados de sus fondos por el régimen de facto de  Roberto Micheletti, quien fuera colocado como titular del Ejecutivo por el golpe de Estado iniciado en junio de 2009, según lo manifestado por el Cofadeh.

El Cofadeh, advierte que “el Inprema,  es propiedad del magisterio y de concretarse el desalojo,  sacarían de su propia casa al gremio mentor”.

De un desalojo violento podrían derivarse “graves consecuencias”, por lo que el Cofadeh alerta a la comunidad internacional y nacional a fin de quehagan llamados urgentes al régimen “para que pare la represión”.

La tarde de ayer, una manifestación del magisterio fue de nuevo reprimida, con disparos de fusil y químicos asfixiantes, por policías y militares, huego que el régimen interrumpiera el diálogo después de reviertir acuerdos alcanzados. Al menos siete docentes tuvieron que recibir atención médica.
5.
ALTOS MANDOS POLICIALES Y MILITARES DIRIGEN REPRESIÓN ORGANIZADA CONTRA DOCENTES Y ESTUDIANTES EN LA UPNFM
 
El Observatorio Ecuménico para los Derechos Humanos en Honduras del Consejo Latinoamericano de Iglesias OEDHCLAI, condenamos la forma genocida, violenta, brutal e inhumana en que han sido reprimidos los profesores y estudiantes en la Universidad Pedagógica Nacional “Francisco Morazán” (UPNFM) este día viernes 27 de agosto desde las 3:30 p.m. de la tarde, por centenares de unidades policiales y militares.
 
POLICÍA Y EJERCITO REPRIMEN MANIFESTANTES DESMOVILIZADOS
Esta es una tarde oscura, negra para Tegucigalpa, cuando la capital de la república ha sido militarizada, por centenares de efectivos policiales y militares, que han masacrado a centenares de docentes, estudiantes universitarios, niños y mujeres.

Los profesores ya se encontraban adentro de las instalaciones de la UPNFM, luego de haber regresado de la manifestación pacífica realizada este día, exigiendo respeto al Estatuto del Docente, el pago de las cuotas al IMPREMA y las deducciones de los préstamos otorgados, los cuales el régimen golpista del Dictador Roberto Micheletti en el 2009, gastaron o se robaron unos 3,700 millones de lempiras de la institución de previsión magisterial para apoyar la compra emergente de armas, equipo y vehículos militares blindados, sin ninguna explicación y el actual régimen del Presidente de facto Porfirio Lobo Sosa se niega a buscar un arreglo para cumplir con estas obligaciones y deducir las responsabilidades penales a los culpables.
 
Los policías y militares golpeaban los rostros, la cabeza y espalda de los manifestantes, a otros los bajaban de los autobuses y taxis en las afueras de la universidad, quienes salían huyendo desesperados por las intoxicaciones de las bombas lacrimógenas disparadas a diestra y siniestra contra la humanidad de los manifestantes.

Los policías ingresaron a los predios de la UPNFM, desalojando en forma violenta y brutal a todas las personas, tanto empleados, estudiantes y docentes. En los pasillos y en los baños se encontraban mujeres tiradas en el suelo en total estado de indefensión e histeria, aterrorizadas ante tanta brutalidad policial militar.

La Universidad fue bombardeada e inundada de humo y gases tóxicos. Los militares entraron capturando a los jóvenes y disparando como locos contra todas las personas.
 
POLICÍA NIEGA INGRESO A UNIDADES DE CRUZ ROJA
El periodista Domingo Flores vocero de la Cruz Roja, ha informado que varias unidades de esta institución humanitaria se han hecho presentes al área del conflicto atendiendo el llamado desesperado de las víctimas intoxicadas, pero los cordones de seguridad de la policía y del ejercito no permiten su acceso para poder atender a los heridos y lesionados aún una hora después de los sucesos, violentando la convención de Ginebra de 1951 sobre el Derecho Humanitario Internacional.
 
TORTURAS A DOCENTES, JÓVENES UNIVERSITARIOS Y VENDEDORES
Los Profesores son sacados de las aulas y llevados a una quebrada cercana donde son objeto de torturas y malos tratos en forma salvaje.

Una ciudadana denuncio que siete jóvenes estaban siendo salvajemente golpeados en los bajos del puente peatonal, por lo que hacia en forma desesperada un llamado a los organismos de DDHH para socorrerlos y liberarlos.
 
También los pequeños empresarios o vendedores ambulantes, les fueron destruidos sus ventas y uno de ellos perdió unos cuatro mil lempiras, quedando tirados los productos por el piso.
 
DETIENEN Y MALTRATAN A PERIODISTA DE RADIO GLOBO
La Periodista de Radio Globo Lenis Fajardo, denuncio que el periodista CARLOS PAZ, reportero de este medio de comunicación había sido detenido cuando cubría la captura de varios jóvenes en los pasillos de la UPN, y trasladado al aula magna, siendo golpeado en forma brutal y el Presidente del CODEH, Licenciado Andrés Pavón reporto que se lo llevaban  arrastrado e interrumpió la comunicación porque también corría peligro de ser agredido por los policías.

El periodista Carlos Paz fue liberado por ordenes del Comisionado Mario Chamorro, jefe de la Policía Metropolitana, pero nuevamente informo que fue capturado por otro violento policía que le quebró su grabadora, a pesar de haberse reportado con su carnet como periodista, siendo liberado minutos después por gestiones del Presidente del CODEH y el periodista Briayan Flores del periódico El Libertador que lo socorrió.
 
NIEGAN ATENCIÓN MÉDICA A DOCENTES AGREDIDOS
Los profesores golpeados que han sido sacados y llevados de emergencia al hospital del seguro social en el barrio La Granja de Comayaguela, se ha denunciado por Radio Globo que no han sido atendidos, incurriendo los doctores en Negligencia Médica, tal como hicieron el día de ayer con dos profesores de Valle y Santa Bárbara, en el hospital Escuela el día de ayer jueves 26 de agosto, al ser golpeados por la policía en las cercanías de la casa presidencial.

Se reporta que decenas de docentes se encuentran en el 5 piso del edificio de la UPNFM, personas asfixiadas por los gases de las bombas, por lo que se llamaba en forma urgente a la Cruz Roja y al Cuerpo de Bomberos para atenderlos.
PRESIDENTE DEL CODEH LIBERA Y PROTEGE DETENIDOS
20 personas detenidas, fueron liberadas y entregadas al Presidente del CODEH, quien junto a otros defensores de Derechos Humanos, asumieron sus funciones humanitarias de gestión y reclamo ante los oficiales por lo que  procedían a sacarlos del área del conflicto hacia una zona de mayor protección y seguridad.
Sin embargo se reporto por Radio Globo que había más de 60 personas detenidas golpeadas e intoxicadas en varias de las aulas universitarias y otros que ya habían sido trasladados a postas policiales. La Fiscal de la Directiva Central del COPRUMH reporto que en un aula tenían 27 personas detenidas, las cuales estaban siendo torturadas.
 
MENORES DE EDAD ENTRE LAS VÍCTIMAS
El menor Arnaldo Javier de siete años de edad, hijo de una madre vendedora ambulante, fue agredido e intoxicado y llevado de emergencia hasta la Radio Globo donde fue atendido por una delegación de la Iglesia Cristiana Independiente ÁGAPE, dirigida por el Pastor Doctor Rigoberto Ulloa y el Pastor David del Cid comunicador de este Observatorio Ecuménico de DDHH del CLAI.
 
CAMPO DE BATALLA PARA LA REPRESIÓN POLICÍAL
La Universidad Pedagógica fue convertida en un área de guerra policial contra una población cansada e indefensa, violentando su autonomía en momentos que los dirigentes magisteriales se movilizaban a recoger a varios de sus compañeros y compañeras para continuar el proceso de negociación al ser llamados por el Presidente de facto Porfirio Lobo Sosa, para darle continuidad a los acuerdos alcanzados, pero al mismo tiempo se ordenaba la militarización de la UPNFM y se reprimía brutalmente a docentes, estudiantes, mujeres y menores de edad.

CONGRESO NACIONAL INVOLUCRADO EN ACTOS DE REPRESIÓN
También ha sido identificado el vehículo camioneta Marca Toyota, Runner, color Blanco,  año 2000, Placa PDJ. 9117, propiedad del Congreso Nacional, la cual desde el día anterior había andado revisando la zona, porque desde mismo en marcha, sujetos desconocidos dispararon contra los manifestantes y siendo apoyados por los cordones de seguridad de la policía al permitirles libre paso y evitar ser detenidos como debió haber sido. La acción fue filmada y documentada por los camarógrafos de Globo TV.

Al Periodista Julio Ernesto Alvarado Director del Noticiero “Mi Nación”, se le reporto que a las 6:30 p.m., cuatro profesores estaban detenidos en la sede de la Guardia de Honor Presidencial, por lo que se hizo un llamado urgente a la Plataforma de Derechos Humanos para lograr su liberación.

ALTOS OFICIALES FORMADOS MILITARMENTE DESDE LA DÉCADA DE LOS OCHENTA EN LA DOCTRINA DE SEGURIDAD NACIONAL COORDINAN Y EJECUTAN ESTAS BRUTAL REPRESIÓN CONTRA ESTUDIANTES Y EL MAGISTERIO NACIONAL.

Se reporta y confirmado por fotos y videos de diversos medios de comunicación la participación de los Oficiales de Policía siguientes:

1.- Comisionado Mario Chamorro jefe de la Policía Metropolitana del Distrito Central y responsable directo de la operación represiva.

2.- Comisionado René Maradiaga Pánchame Ávila, sub Director Nacional de la Policía Preventiva y ex integrante del batallón de la muerte 3-16 (batallón contrainsurgente creado legalmente el año 1984, integrado por oficiales, clases y agentes de los 16 batallones de infantería y las tres brigadas militares 101, 105 y 110, responsables de la desaparición forzada de más de 184 personas, unos dos mil torturados, 200 lideres asesinados y 10 mil detenciones arbitrarias e ilegales, aun en impunidad).

3.- Comisionado Filiberto  Martínez Andino del cual se desconoce su cargo dentro del aparato policial.

4.- Comisionado Ricardo Ramírez del Cid, jefe de operaciones de esta misión represiva y principal responsable de la violencia policial, quien es originario de San Antonio, Intibucá y desde los años ochenta, ha sido su práctica actuar represivamente contra la población como lo hizo en Olanchito, Yoro como delegado policial a inicios de la década perdida, de donde fue expulsado por haber abusado de la esposa de un ganadero y extorsionar a las empresas comerciales, ganaderos y compañía frutera por razones de seguridad.

5.- Comisionado Valladares, de quien se desconoce su cargo y nombre completo

Como Observatorio Ecuménico de Derechos Humanos, consideramos que esta acción, es parte de la estrategia de golpear y desmovilizar al movimiento magisterial, luego del enfrentamiento entre docentes y comandos policiales del día jueves anterior en las cercanías de la casa Presidencial, siendo humillados los segundos por la capacidad defensiva de los mentores y parte de una estrategia de los oligarcas golpistas, para prolongar este conflicto y crear las condiciones objetivas para justificar una mayor intervención militar aun externa (asesores y ejercito gringo) en la solución del conflicto político, como un mensaje a la comunidad internacional que no están dispuestos a ceder el Poder usurpado con el golpe de Estado Militar en la  defensa de la democracia burguesa, política y eclesial con su modelo neoliberal, generadora de pecado social, corrupción e impunidad estatal en contra de las mayorías desposeídas de la sociedad hondureña.

Tegucigalpa, MDC 27 de agosto de 2010.


Leonel Casco Gutiérrez
Procurador de los Derechos Humanos
Coordinador del Observatorio Ecuménico DDHH del CLAI.

Enviada por Los Necio

SILICONE - "A CULPA É DE CHÁVEZ" - TERROR EM HONDURAS

SILICONE - “A CULPA É DE CHÁVEZ” – TERROR EM HONDURAS


Laerte Braga


Um candidato do Partido Primeira Justiça, Venezuela, de oposição ao governo do presidente Hugo Chávez, faz campanha prometendo cirurgias plásticas para implante de silicone ao eleitoral feminino. Gustavo Rojas disse estar preocupado com o fato de miss Venezuela não ter ganho o concurso miss Universo de 2010, depois de duas vitórias consecutivas, em 2008 e 2009.

Segundo disse a Agência Reuters a procura por cirurgias plásticas e implante de silicone é grande. O candidato está preocupado com a derrota no concurso miss Universo deste ano, segundo ele, “símbolo da decadência da Venezuela sob o regime de Chávez”. Deve imaginar filial FIESP/DASLU por lá.

É a proposta mais sedutora da oposição ao governo bolivariano do presidente Chávez. É a síntese do pensamento de elites políticas e econômicas varridas do poder após destroçarem o país, como fazem em qualquer parte do mundo.

Guarda semelhança com a obsessão do candidato de extrema-direita no Brasil, José Arruda Serra, que fala de saúde como se esse direito do cidadão fosse um grande mutirão de cirurgias e uma seqüência de seqüelas e velórios no delírio tucano/DEM, tudo privatizado e terceirizado no melhor estilo neoliberal.

O senador John McCain, do Partido Republicano e que coordena a central de golpes de estado para a América Latina deve estar cogitando de ações mais drásticas, tipo enviar Silvester Stallone e Robin Willians para resgatar a “democracia cristã e ocidental”.

Não usam balas de silicone, mas urânio empobrecido. E bases na Colômbia.

O ditador hondurenho Pepe Lobo desfechou nesta semana que termina uma onda de brutais ataques contra forças da resistência popular e como tem acontecido em quase todos os países latino-americanos, cooptou boa parte do movimento sindical (corporações pelegas), centrais inclusive, para acordos com o regime de repressão e barbárie instalado naquele país desde a derrubada do presidente constitucional Manuel Zelaya.

Jornalistas são assassinados em seus locais de trabalho, camponeses têm suas casas destruídas, massacres no interior do país e corpos despejados em valas comuns, tudo isso com assessoria do general norte-americano comandante da base militar de Tegucigalpa, a maior de todas as bases da corporação EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A para a América Latina.

Escola de golpes.

Não sei se tem estoque de silicone. Mas numa só empreitada contra camponeses que protestavam contra a ditadura e o regime escravo imposto pelo latifúndio, mais de 30 mortos e cem bombas de natureza diversas, digamos assim.

As forças populares hondurenhas vivem o dilema da divisão das chamadas esquerdas. O movimento sindical, se é que pode ser chamado de esquerda, faz a oposição comportada e acordada com a ditadura, enfraquece a resistência nas cidades e permite, pois fecha os olhos ao negociar com o ditador Pepe Lobo, a estupidez de militares (redundância lógico, estupidez de militares) e policiais (idem) contra trabalhadores do campo.

Honduras vive da exportação de produtos primários, o latifúndio é a grande força da economia voltada para as elites e os norte-americanos controlam cada banana que é colhida num cipoal de bananeiras e coisas que tais.

A mídia privada em toda a América Latina esconde essa violência organizada e diária e chama Lobo de presidente eleito e Chávez de “ditador”.

Haja silicone.

Na cabeça de um político corrupto e cínico como Gustavo Rojas o silicone “está no imaginário de nossas mulheres”, ou seja, mulher para ele é objeto. Reflete o pensamento das grandes empresas, do latifúndio, dos banqueiros e dane-se o resto.

Não é diferente de José Arruda Serra ou qualquer outro Álvaro Uribe da vida.

No fim a culpa é de Hugo Chávez. Ou do Irã.

O canal NATIONAL GEOGRAFIC apresentou um programa especial vinculando as FARCs ao tráfico de drogas e insinuando que Venezuela e Bolívia seriam responsáveis pelo grande volume de drogas que entra nos EUA todo ano. Os documentos secretos das guerras do Afeganistão e do Iraque, revelados por um site na Austrália, mais de 90 mil documentos, mostram que as empresas contratadas para substituir o exército regular, agora é privatizado, além das tarefas guerreiras, cuidam do tráfico de drogas e mulheres e agora até de petróleo.

As ações contra governos populares na América Latina e a criminalização de movimentos sociais ocorrem em todos os setores possíveis e a comunicação talvez seja o mais importante deles.

Desde o silicone às montagens feitas pelo NATIONAL GEOGRAFIC, nos milagres da tecnologia contemporânea, boa parte dela receita de terrorismo de estado para sufocar reações à barbárie capitalista.

Ou como disse alguém, para uma “alta autoridade não importa quantos inocentes morram desde que os objetivos sejam alcançados”. A última foi a ex-secretária de Estado Madeleine Albright quando perguntada sobre a morte de 200 mil crianças no Iraque, antes da guerra, por conta do bloqueio econômico – “é um preço que a democracia tem que pagar”.

Tem sido assim no Afeganistão, no Iraque, na Colômbia e agora a descoberta da receita democrática e cristã, o silicone.

É fácil colocar um bobão como Silvester Stallone nas selvas do Vietnã resgatando soldados da pátria amada que por lá ficaram perdidos depois da surra que os EUA tomaram, ou “libertando” países latino-americanos de “ditaduras cruéis”, tanto quanto assassinar a média de cinqüenta resistentes por semana em Honduras, tudo em nome da liberdade.

No Brasil a GLOBO está aí para atestar com imagens candentes de falta de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas, o patriotismo e o desvelo dessa gente na sórdida mentira do capitalismo.

Não importa que tenham morrido duzentos, importa o dossiê fajuto para garantir o faturamento nosso de cada dia.

Se a coisa apertar é simples. Ana Maria Braga arranja um novo namorado, Susana Vieira vai às compras com o cachorrinho e haja silicone.

De quebra Edir Macedo manda um “guia turístico” tentar distribuir prospectos evangélicos no Egito para que muçulmanos descubram a “fé verdadeira”.

Um universo de milhões para pagar dízimo.

O silicone de Gustavo Rojas, candidato de um dos partidos de oposição a Chávez, é tudo isso. E mais alguma coisa.

O problema é que no meio do caminho Miriam Leitão achou que poderia vir a ser um Ícaro dos nossos tempos e com asas de cera tentou voar um vôo destrambelhado rumo a Washington (romaria para beijar os pés de Bush e dos chefões de Wall Street) e de carona levava Lúcia Hipólito e Alexandre Garcia.

Não tem asa que agüente.

Derreteu. O negócio hoje é silicone.

É a culpa é de Chávez.  Se não for do presidente venezuelano é do piloto, tanto faz que seja do avião que caiu, como do que vai cair.  

Gabeira e seu final tragico ( e merecido)

GABEIRA

.

"Quem ninguém nunca mais ouse duvidar da maturidade política do povo brasileiro".

Foi mais ou menos essa frase que Lula disse ao ganhar em 2002 e tem repetido em alguns discursos ao redor do país.

Frase sensata. Ainda que falte muito, é óbvio que o povo abandonou certos picaretas.

Resta a classe média, eterna alienada, se dar conta. Mas até ela já está percebendo o que foi arrastado para debaixo do tapete da política.

Sendo assim, figuras como Fernando Gabeira, um aproveitador de ocasiões, tem sentido na pele que não basta ser o queridinho da mídia. Em certas ocasiões, é melhor até ser por ela odiado. 

Gabeira é o seguinte. Fez parte do sequestro do embaixador americano nos anos 60 e está impedido eternamente de entrar nos Estados Unidos. Não pode nem ir para a Disneylândia. No linguajar da imprensa brasileira, ele seria um terrorista. Mas não é assim que a Veja (a sereia) e os jornalecos o tratam. Gabeira é o queridinho da elite branca do Rio, que desfila na praia de camisetas  alvas pedindo paz. Mas consumindo drogas em seus apartamentos, não ligando de onde essa droga vem ou qual a consequência do tráfico. Elite hipócrita. Como Gabeira. 

Nos estertores das eleições de 2002 o "verde" deixou sua sigla, o PV, e entrou para o PT. Levou toda a bancada do partido com ele: um deputado. Ele mesmo. Isso virou até piada, na época. Gabeira viu a oportunidade na sua frente. Percebeu que Lula venceria e ele poderia pegar uma carona. Mais tarde, quando as coisas começaram a esquentar com as tais denúncias do mensalão, ele, Heloisa Helena, Ivan Valente, Plínio (o atual candidato do PSOL) e mais uma galera, se mandaram do partido. Não queriam ser vitrine. Preferem ser sempre pedra. É bem mais cômodo.

Era mais cômodo. Gabeira caiu nos braços da imprensa brasileira, que recrutava dissidentes. Os mais vendidos aceitaram ser bucha de canhão da direita nacional, a mesma direita que  tanto criticaram. E assim continuaram sua carreira política rumo ao ostracismo. Um por um, foram caindo. Jefferson Perez (morto), Pedro Simon, Gabeira, HH, Eduardo Suplicy. Cada um deles, em seu tempo e de um modo específico, foram entrando para a gaveta eternamente trancada dos políticos esquecidos pelo voto da pessoa comum. Encantaram a "elite". Mas só essa meia dúzia não elege mais ninguém.

Gabeira deu seu último suspiro. Perderá de lavada porque aceitou ser capa da Veja e traiu seus próprios princípios. Princípios aliás, que dizia ter. Ninguém sabe se tinha mesmo. Era mais um dos que pensam "cansei de ser esquerda, vou me esbaldar, agora".
Parece que o povo não é tão imbecil quanto eles pensam. Trololó da oposição o zé povinho já cansou. Quer ver atitudes. O PT, com todos os seus milhões de defeitos, tem atitude. Botou a mão na massa e aceitou ser vitrine. Alguns pagaram caro, com a própria sobrevivência política, pra não desmontar o partido todo e a governabilidade. Funcionou, porque o partido está forte como nunca. Acabou com a concorrência.

Os vendidos estão apenas colhendo o que plantaram. Gabeira é o exemplo mais evidente.
 
Enviado por Paulo Coutinho - companheiro e amigo do ES

Dilma

Os perigos da euforia
Escrito por Wladimir Pomar
25-Ago-2010

As recentes pesquisas eleitorais continuam apresentando Dilma em processo de ascensão. Aparentemente, a continuar nessa rota, a candidata do PT estaria em condições de obter a vitória no primeiro turno. Porém, essa aparência, como já reiteramos em comentário anterior, pode ser fatal para a campanha petista, por vários motivos.

Se olharmos as pesquisas com mais atenção, veremos Dilma em crescimento, Serra em queda e Marina, assim como os demais candidatos, em situação estável. A queda de Serra está associada à subida de Dilma, devendo significar que a natureza direitista e reacionária da candidatura do PSDB-DEM está vindo à luz, e que seu falso discurso de continuidade do governo Lula não colou.

Portanto, podemos deduzir que Dilma ganhou pontos principalmente entre os indecisos, entre os que estavam acreditando no discurso continuísta de Serra, e entre aqueles setores da classe média que ainda acreditavam que o PSDB é um partido social-democrata. No entanto, a candidatura Dilma ainda não abalou a candidatura Marina, onde se encontra uma parte da esquerda, embora Marina também esteja em dificuldade para manter seu discurso de continuidade do governo Lula.

Nessas condições, talvez seja a primeira vez, nas campanhas eleitorais presidenciais desde 1989, que o PT tem chances não só de vencer, mas de vencer no primeiro turno. Isto, que apresenta um aspecto positivo, por não obrigar o partido a rebaixar ainda mais seu programa eleitoral, também apresenta o aspecto negativo de levar os candidatos dos partidos de sustentação da candidatura Dilma - a governador, senador e deputado - a suporem ganha a parada presidencial e se voltarem totalmente para suas próprias campanhas.

Aliás, quem quer que se dê ao trabalho de acompanhar o horário eleitoral na televisão pode notar que até mesmo muitos candidatos do PT tiraram a imagem de Dilma de suas apresentações. A preocupação maior vem sendo colocar Lula ao lado, a fim de angariar votos para suas próprias candidaturas. Se a leitura das últimas pesquisas eleitorais levar à euforia do ‘está ganha a presidência’, mesmo que teoricamente isto seja negado, o ritmo da campanha presidencial tende a baixar, abrindo a possibilidade de subida da Marina e recuperação ou estabilidade de Serra.

Em tais condições, se a campanha Dilma pretender manter o ritmo de crescimento, ela terá de fazer ajustes, principalmente nas relações com o seu PT. É esquisito que candidatos desse partido, seja aos governos estaduais, seja aos legislativos federal e estadual, não mostrem apoio explícito à candidatura presidencial do PT. Deve haver algum desajuste entre a campanha da coligação de apoio à Dilma e a campanha petista.

Além disso, as informações de que a campanha Dilma pretende realizar maior ofensiva na conquista dos indecisos e dos ‘não-sabe’ pode ser positiva, mas talvez não baste para consolidar a perspectiva de sua vitória no primeiro turno. Talvez seja necessária uma ofensiva complementar, tratando com mais propriedade alguns temas que se tornaram cavalos de batalha na campanha Marina.

Marina vem concentrando seu fogo e ataques ao governo em temas como reforma tributária, proteção ambiental, jornada de trabalho, segurança e liberdade de comunicação. É essa crítica que a fez conquistar parte do eleitorado de esquerda, e também tem carreado apoios a candidatos de outros partidos desse espectro político. Somados, eles representam mais de 15% das intenções de voto. Assim, como é nos detalhes que o diabo se apresenta, se a campanha Dilma desprezar o trato de tais temas, pode ser por aí que ela seja surpreendida.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.
(Correio da Cidadania)

Índios

Antigos ditados
"Somente depois que a última árvore for cortada,
Somente após o último rio ser envenenado,
Somente após o último peixe ser capturado
Só então a humanidade irá descobrir que o dinheiro não pode ser comido...

As palavras de nossos avós nos ensinaram
Respeito pela Teia da Vida e da dependência de todas as coisas no Universo.
As histórias transmitidas através de tradições vem nos lembrar
que estamos todos conectados. "
"Um homem que anda na sombra dos outros
nunca irá ver a sua própria. "

Leon Shenandoah, Onondaga
Índio "Bravo" Spotted Bull (Touro Manchado)

“Cada parcela deste solo é sagrada, no modo de ver do meu povo. Cada encosta, cada vale, cada planície e bosque foi santificado através de algum acontecimento triste ou alegre em dias há muito desaparecidos. A própria poeira sobre a qual vocês agora se erguem responde mais amorosamente aos seus passos do que aos vossos, porque foi enriquecida com o sangue dos nossos antepassados e os nossos pés nus estão conscientes da empatia do contacto. Até as criancinhas que aqui viveram e se divertiram durante uma breve estação irão amar estas solidões sombrias e, ao cair da noite, saudarão os assombrados espíritos que regressam. E quando o último Pele-Vermelha tiver perecido e a memória da minha tribo se tiver tornado um mito entre o Homem Branco, os mortos invisíveis da minha tribo irão pulular por essas praias; e quando os filhos dos vossos filhos se julgarem sós no campo, no armazém, na loja, na estrada ou no silêncio das florestas sem caminhos, não estarão sós. Pela noite, quando as ruas das vossas cidades e vilas estão silenciosas e vocês as supõem desertas, estarão apinhadas com as hostes que regressam e que outrora encheram e ainda amam esta bela terra.” (Extracto do célebre discurso feito por Seattle, o chefe dos Dwamish, Squamish e das tribos índias do Noroeste, perante Isaac Stevens, governador do território de Washington, em 1854, antes de assinar um tratado no qual a sua tribo se resignava a conceder a colonos brancos as suas terras e a serem confinados a uma “reserva”) .










Artes Xamânicas
http://artesxamanic as.blogspot. com
nativepipee@ gmail.com
tels.:11-20241229
11-93683570

Existem muitas vozes além das nossas.
Só vamos escutá-las em silêncio.

Mitakuye Oyasin!

(Literatura Indígena)

Pensamentando

Em busca do que é trans
Esta coluna quer percorrer o poder subversivo do desejo de irromper as ruas com o corpo errado, com a roupa errada, com o gesto errado, com a velocidade errada. Ali há desejos de romper amarras, de balançar os fascismos estabelecidos, há desejo mais forte do que a disciplina e o controle
Fabiane Borges, Hilan Bensusan
(29/02/2008)
Eu expliquei para o doutor Grinder, com a voz que eu uso para explicar como fazer para que o mingau de maizena não fique embolotado:
— Meu distúrbio de identidade de gênero? É que eu não consigo ser nem só homem e nem só mulher, qualquer um parece pouco. Não parece razão suficiente para uma dysphoria?
Para alguém que sempre quis ser uma super-heroína, ser a femme fatale, ou ser o amante de todas as femmes fatales, ou de todas as velhas que ainda ardem de vontade, e os estranhos de sexualidade duvidosa, e também estar com os homens indiscriminados — eu queria ser tudo isso, tudo. Parecia que para alguém como eu, que sempre quis ser poderosa e preparado, era evidente que qualquer das duas opções sexuais postas no mercado era pouco, pouco demais. Assim como eu levantava alterado todos os dias e passava duas horas tentando fazer meu tornozelo se acostumar com as sapatilhas de ponta, eu queria minha genitália com tudo o que eu decidira na tora que eu tenho direito — e mais peitos e tira peitos e pierce nos peitos e nos glúteos – e o doutor Grinder era quem botava barreiras entre meu desejo de ter o corpo que eu precisava para viver a minha vida e a cirurgia:
— Bi, ele falou, você já experimentou ser uma pessoa bissexual?
— Uma mulher bissexual? Uma mulher bissexual é uma mulher, não é?
Eu nasci com os trejeitos de heroína incontida, anatomia é destino e no meu destino quem manda, bem, sou eu mesma e não tem pra ninguém. Eu e o bisturi do doutor Grinder; eu disse: não é sobre o que eu faço, é sobre o que eu sou e eu não tenho medo do perigo e nem da angústia de ultra-ser um corpo envaginado, de sobre-ser um corpo com tromba, quero me enfiar e ser enfiado. Quero poder ser bicha, poder ser toda lésbica e passar noites lambendo e esfregando tratando meu pinto ereto como se fosse um clitóris e com meus dois sexos passar anos no celibato se eu quizer e sem espelhos. Quero uma genitália com direito a tudo e esta volúpia merece encontrar a faca.
— Você não acha que está querendo demais?
Agora ele ficava fominha, meu desejo é muito pra faca dele? Meu desejo ele não dá conta, o bisturi dele broxa com tanto tesão de "dar" uma "enfiada"!! O que fazer? Procurar um mago polonês cavalgando pelo Atacama com os trechos mais judaicos da bíblia no dorso e uma matula com tâmaras secas e um bisturi de condão?
O mercado suga a força dos desejos. O poder subversivo do desejo trans é o poder de escapar da ordem estabelecida e invoca a força daquilo que rompe. Política, política, política
* * *
Riki Wilchins (em Birth of the Homosexual, em Read My Lips) imagina uma pessoa de nariz grande querendo uma cirurgia para diminuir o nariz. O médico pergunta por que: eu sempre me senti uma pessoa de nariz pequeno aprisionada no corpo de uma pessoa de nariz grande. O médico não pode fazer a cirurgia enquanto não tiver um diagnóstico de um psiquiatra que ateste que aquela é, apesar das aparências, uma pessoa de nariz grande. A política dos corpos é a política da viabilidade da vida – da aceitabilidade de certas formas de vida. Muitas vezes a política dos corpos é pensada em termos de identidades: corpos implicam identidades, genitálias implicam identidades sexuais (melanina implica identidades raciais etc.). As identidades permitem um reticulado de nós contra eles. Promovem a política das torcidas, a política das filiações: agir em nome de um grupo que é demarcado mais ou menos antes de qualquer política. Identidades são uma forma de política entre muitas: uma forma de biopolítica, uma forma de manejo de corpos, uma forma de controle de sexualidades.
Esta coluna gira em torno de políticas da sexualidade e da sexualidade das políticas. Aqui surgem discussões sobre intersexo e toda a interface entre o pessoal, o biológico e o político. Nos interessa o que é trans: transgressor, transexual, transformista, transitório, transviado, excessivo. Aqui aparecerão feminismos, gêneros, diferenças sexuais, troca de órgãos, troca de corpos, troca de desejos. Transformações, cirurgias, esculturas hormonais — e o confinamento dos desejos pela medicalização, pela precarização que bloqueia os excessos, pelo medo. Os desejos pertencem à ordem dos contatos, dos contágios, das contingências que perpassam os corpos — cada poro de cada corpo está em disputa. Políticas as células, políticos os hormônios, políticas as dobras, políticos os neurônios. O que constitui um órgão sexual? Não acreditamos mais no esgoto a céu aberto que separa a alma da genitália. Queremos imaginar uma genitália sem órgãos, uma genitália que, como quis a Alex, do filme XXY, não precisa decidir: não precisa ser submetida aos contornos de nenhum órgão pré-imaginado. Nesse espaço surgem as distopias, as utopias e as heterotopias das constituições sexuais: os paus lésbicos, os prazeres minúsculos, as bucetas contrácteis, as máquinas de fazer orgasmo. Esbarramos com cyborgues, com mutantes, com nomadismos sexuais, as Dasputas e outras que fazem valer o zarô, cada centavo do eqüe. Não estamos à procura de novas identidades – queremos o esquizo que fica posto em baixo do tapete de todas as formas de sexo. Nos interessam as identidades que surgem: nem aquelas que se mantêm e nem aquelas que se corróem. A política dos corpos está contaminada de devires: aquilo que ainda não é, mas desponta, aquilo que coabita no emaranhado ecológico que forma os desejos, aquilo que pode vir a ser – a potência empapuçada de ato. Corpos podem ser usados, interferidos, operados, simulados, desviados. E só quando encontramos órgãos é que a anatomia é destino.
Esta coluna quer percorrer o poder subversivo do desejo de irromper as ruas com o corpo errado, com a roupa errada, com o gesto errado, com a velocidade errada. Ali há desejos de romper amarras, de balançar os fascismos estabelecidos, há desejo mais forte do que a disciplina e o controle – é a força da singularização que escapa das matrizes de inteligibilidade, das expectativas das interpretações e dos cálculos de qualquer mercado. E se liga! É um instante. O poder subversivo do desejo trans é o poder de escapar da ordem estabelecida e invoca a força daquilo que rompe. Política, política, política. O mercado suga a força dos desejos, cria um perfil do consumidor – que é sua matriz de inteligibilidade. Sem a matriz não há ordem, não há expectativa. A matriz é a política: dela sai a heterosexualidade compulsória, a vontade de família e propriedade (não necessariamente nessa ordem) e a binaridade dos sexos.
Anne Fausto-Sterling (The five sexes) já famosamente diagnosticava: pelo menos cinco sexos, três dos quais jogados no limbo da cirurgia de normalização. Tem uns que evocam eleven. É a força dos desejos que move as brechas nas matrizes – não há subversão sem desejo. Nesta coluna não há obsessões com porcas e parafusos fixos, pois nem somos feitas de aço inoxidável e nem de desejos curáveis. Esquizo. O esquizo escapa. Que tal eu virar Elke Maravilha e depois Barack Obama e depois Herculine Barbin e depois Max Ernst com formas de Carla Peres antes de você terminar de gozar? Não aceitamos a tirania das monoidentidades e queremos passar a portar mais de um equipamento sexual, seremos portadores de mais de uma fissura retroativa em mutação, portadores de mais de uma carteira de identidade – uma para cada órgão do corpo que formos inventando. Que é de lixo que somos feitos; no lixo da ordem estabelecida está aquilo que irrompe contra ela – queremos ser pinto no lixo, reciclados em cotovelo, tornozelo virado da mãe do avesso, toda provisória. Ciclados, reciclados, metareciclados, transreciclados, ciclosexuais. Inventar as sexualidades que nem existem. No meio do mercado, ah, ele que corra ou nos socorra!
(Le Monde Diplomatique)

Morte e Vida

Morte e Vida Severina

Auto de Natal Pernambucano

O retirante explica ao leitor quem é e a que vai

- O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

Encontra dois homens carregando um defunto numa rede, aos gritos de "ó irmãos das almas! Irmãos das almas! Não fui eu quem matei não!"

- A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
Dizei que eu saiba.
- A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
-E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?
-Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.
-E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?
- Onde a caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.
-E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?
-Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.
- E o que guardava a emboscada,
irmão das almas
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?
-Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mas garantido é de bala,
mais longe vara.
-E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?
-Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.
-E o que havia ele feito
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?
-Ter um hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.
-Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas
que podia ele plantar
na pedra avara?
-Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
os intervalos das pedras,
plantava palha.
-E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?
-Tinha somente dez quadras,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.
-Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?
-Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.
-E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?
-Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.
-E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente do chumbo
que tem guardada?
-Ao cemitério de Torres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.
-E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.
-Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.
-E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.
-Vou eu que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.
-Mais sorte tem o defunto
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.
-Toritama não cai longe,
irmãos das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.
-Partamos enquanto é noite
irmãos das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.

O retirante tem medo de se extraviar por seu guia, o rio Capibaribe, cortou com o verão.

- Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
cujas contas fossem vilas,
de que a estrada fosse a linha.
Devo rezar tal rosário
até o mar onde termina,
saltando de conta em conta,
passando de vila em vila.
Vejo agora: não é fácil
seguir essa ladainha
entre uma conta e outra conta,
entre uma e outra ave-maria,
há certas paragens brancas,
de planta e bicho vazias,
vazias até de donos,
e onde o pé se descaminha.
Não desejo emaranhar
o fio de minha linha
nem que se enrede no pêlo
hirsuto desta caatinga.
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui-lo agora
que interrompeu a descida?
Vejo que o Capibaribe,
como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham.
Tenho que saber agora
qual a verdadeira via
entre essas que escancaradas
frente a mim se multiplicam.
Mas não vejo almas aqui,
nem almas mortas nem vivas
ouço somente à distância
o que parece cantoria.
Será novena de santo,
será algum mês-de-Maria
quem sabe até se uma festa
ou uma dança não seria?

Na casa a que o retirante chega estão cantando excelências para um defunto, enquanto um homem, do lado de fora, vai parodiando a palavras dos cantadores

- Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas..
- Dize que levas cera,
capuz e cordão
mais a Virgem da Conceição.
- Finado Severino,
etc...
- Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.
- Finado Severino,
etc...
- Dize que coisas de não, ocas, leves:
como o caixão, que ainda deves.
- Uma excelência dizendo que a hora é hora.
- Ajunta os carregadores que o corpo quer ir embora.
- Duas excelências...
- dizendo é a hora da plantação.
- Ajunta os carreadores...
- que a terra vai colher a mão.

Cansado da viagem o retirante pensa interrompê-la por uns instantes e procurar trabalho ali onde se encontra.

- Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva
só a morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
Penso agora: mas por que
parar aqui eu não podia
e como Capibaribe
interromper minha linha?
ao menos até que as águas
de uma próxima invernia
me levem direto ao mar
ao refazer sua rotina?
Na verdade, por uns tempos,
parar aqui eu bem podia
e retomar a viagem
quando vencesse a fadiga.
Ou será que aqui cortando
agora minha descida
já não poderei seguir
nunca mais em minha vida?
(será que a água destes poços
é toda aqui consumida
pelas roças, pelos bichos,
pelo sol com suas línguas?
será que quando chegar
o rio da nova invernia
um resto de água no antigo
sobrará nos poços ainda?)
Mas isso depois verei:
tempo há para que decida
primeiro é preciso achar
um trabalho de que viva.
Vejo uma mulher na janela,
ali, que se não é rica,
parece remediada
ou dona de sua vida:
vou saber se de trabalho
poderá me dar notícia.

Dirige-se à mulher na janela que depois, descobre tratar-se de quem se saberá

- Muito bom dia senhora,
que nessa janela está
sabe dizer se é possível
algum trabalho encontrar?
- Trabalho aqui nunca falta
a quem sabe trabalhar
o que fazia o compadre
na sua terra de lá?
- Pois fui sempre lavrador,
lavrador de terra má
não há espécie de terra
que eu não possa cultivar.
- Isso aqui de nada adianta,
poucos existe o que lavrar
mas diga-me, retirante,
o que mais fazia por lá?
- Também lá na minha terra
de terra mesmo pouco há
mas até a calva da pedra
sinto-me capaz de arar.
- Também de pouco adianta,
nem pedra há aqui que amassar
diga-me ainda, compadre,
que mais fazias por lá?
- Conheço todas as roças
que nesta chã podem dar
o algodão, a mamona,
a pita, o milho, o caroá.
- Esses roçados o banco
já não quer financiar
mas diga-me, retirante,
o que mais fazia lá?
- Melhor do que eu ninguém
sei combater, quiçá,
tanta planta de rapina
que tenho visto por cá.
- Essas plantas de rapina
são tudo o que a terra dá
diga-me ainda, compadre
que mais fazia por lá?
- Tirei mandioca de chãs
que o vento vive a esfolar
e de outras escalavras
pela seca faca solar.
- Isto aqui não é Vitória
nem é Glória do Goitá
e além da terra, me diga,
que mais sabe trabalhar?
- Sei também tratar de gado,
entre urtigas pastorear
gado de comer do chão
ou de comer ramas no ar.
- Aqui não é Surubim
nem Limoeiro, oxalá!
mas diga-me, retirante,
que mais fazia por lá?
- Em qualquer das cinco tachas
de um bangüê sei cozinhar
sei cuidar de uma moenda,
de uma casa de purgar.
- Com a vinda das usinas
há poucos engenhos já
nada mais o retirante
aprendeu a fazer lá?
- Ali ninguém aprendeu
outro ofício, ou aprenderá
mas o sol, de sol a sol,
bem se aprende a suportar.
- Mas isso então será tudo
em que sabe trabalhar?
vamos, diga, retirante,
outras coisas saberá.
- Deseja mesmo saber
o que eu fazia por lá?
comer quando havia o quê
e, havendo ou não, trabalhar.
- Essa vida por aqui
é coisa familiar
mas diga-me retirante,
sabe benditos rezar?
sabe cantar excelências,
defuntos encomendar?
sabe tirar ladainhas,
sabe mortos enterrar?
- Já velei muitos defuntos,
na serra é coisa vulgar
mas nunca aprendi as rezas,
sei somente acompanhar.
- Pois se o compadre soubesse
rezar ou mesmo cantar,
trabalhávamos a meias,
que a freguesia bem dá.
- Agora se me permite
minha vez de perguntar:
como senhora, comadre,
pode manter o seu lar?
- Vou explicar rapidamente,
logo compreenderá:
como aqui a morte é tanta,
vivo de a morte ajudar.
- E ainda se me permite
que volte a perguntar:
é aqui uma profissão
trabalho tão singular?
- é, sim, uma profissão,
e a melhor de quantas há:
sou de toda a região
rezadora titular.
- E ainda se me permite
mais outra vez indagar:
é boa essa profissão
em que a comadre ora está?
- De um raio de muitas léguas
vem gente aqui me chamar
a verdade é que não pude
queixar-me ainda de azar.
- E se pela última vez
me permite perguntar:
não existe outro trabalho
para mim nesse lugar?
- Como aqui a morte é tanta,
só é possível trabalhar
nessas profissões que fazem
da morte ofício ou bazar.
Imagine que outra gente
de profissão similar,
farmacêuticos, coveiros,
doutor de anel no anular,
remando contra a corrente
da gente que baixa ao mar,
retirantes às avessas,
sobem do mar para cá.
Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar
não se precisa de limpa,
as estiagens e as pragas
fazemos mais prosperar
e dão lucro imediato
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.

O retirante chega à Zona da Mata, que o faz pensar, outra vez, em interromper a viagem.

- Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.
Cacimbas por todo lado
cavando o chão, água mina.
Vejo agora que é verdade
o que pensei ser mentira
Quem sabe se nesta terra
não plantarei minha sina?
Não tenho medo de terra
(cavei pedra toda a vida),
e para quem lutou a braço
contra a piçarra da Caatinga
será fácil amansar
esta aqui, tão feminina.
Mas não avisto ninguém,
só folhas de cana fina
somente ali à distância
aquele bueiro de usina
somente naquela várzea
um bangüê velho em ruína.
Por onde andará a gente
que tantas canas cultiva?
Feriando: que nesta terra
tão fácil, tão doce e rica,
não é preciso trabalhar
todas as horas do dia,
os dias todos do mês,
os meses todos da vida.
Decerto a gente daqui
jamais envelhece aos trinta
nem sabe da morte em vida,
vida em morte, severina
e aquele cemitério ali,
branco de verde colina,
decerto pouco funciona
e poucas covas aninha.

Assiste ao enterro de um trabalhador de eito e ouve o que dizem do morto os amigos que o levaram ao cemitério.

- Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
- é de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
- Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
- é uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
- é uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
- é uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.

- Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
- Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
- Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
- Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
- Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.
- Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
- Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
- Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
- Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
- Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
- Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.
- Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.

- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo)
- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
- Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
- Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos)
- Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).

- Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.
- Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.
- Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.
- Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.
- Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.
- Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.

- Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.
- Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.
- Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela.
- Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.

- Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.
- Na mão direita somente
o rosário, seca semente.
- Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha,
- Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.

- Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.
- De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito à viração.
- Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
- E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
- Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
- Se abre o chão e te envolve,
como mulher com que se dorme.

O retirante resolve apressar os passos para chegar logo ao Recife.

-Nunca esperei muita coisa,
digo a Vossas Senhorias.
O que me fez retirar
não foi a grande cobiça
o que apenas busquei
foi defender minha vida
de tal velhice que chega
antes de se inteirar trinta
se na serra vivi vinte,
se alcancei lá tal medida,
o que pensei, retirando,
foi estendê-la um pouco ainda.
Mas não senti diferença
entre o Agreste e a Caatinga,
e entre a Caatinga e aqui a Mata
a diferença é a mais mínima.
Está apenas em que a terra
é por aqui mais macia
está apenas no pavio,
ou melhor, na lamparina:
pois é igual o querosene
que em toda parte ilumina,
e quer nesta terra gorda
quer na serra, de caliça,
a vida arde sempre com
a mesma chama mortiça.
Agora é que compreendo
por que em paragens tão ricas
o rio não corta em poços
como ele faz na Caatinga:
vivi a fugir dos remansos
a que a paisagem o convida,
com medo de se deter,
grande que seja a fadiga.
Sim, o melhor é apressar
o fim desta ladainha,
o fim do rosário de nomes
que a linha do rio enfia
é chegar logo ao Recife,
derradeira ave-maria
do rosário, derradeira
invocação da ladainha,
Recife, onde o rio some
e esta minha viagem se fina.

Chegando ao Recife o retirante senta-se para descansar ao pé de um muro alto e caiado e ouve, sem ser notado, a conversa de dois coveiros.

-O dia hoje está difícil
não sei onde vamos parar.
Deviam dar um aumento,
ao menos aos deste setor de cá.
As avenidas do centro são melhores,
mas são para os protegidos:
há sempre menos trabalho
e gorjetas pelo serviço
e é mais numeroso o pessoal
(toma mais tempo enterrar os ricos).
-pois eu me daria por contente
se me mandassem para cá.
Se trabalhasses no de Casa Amarela
não estarias a reclamar.
De trabalhar no de Santo Amaro
deve alegrar-se o colega
porque parece que a gente
que se enterra no de Casa Amarela
está decidida a mudar-se
toda para debaixo da terra.
-é que o colega ainda não viu
o movimento: não é o que se vê.
Fique-se por aí um momento
e não tardarão a aparecer
os defuntos que ainda hoje
vão chegar (ou partir, não sei).
As avenidas do centro,
onde se enterram os ricos,
são como o porto do mar
não é muito ali o serviço:
no máximo um transatlântico
chega ali cada dia,
com muita pompa, protocolo,
e ainda mais cenografia.
Mas este setor de cá
é como a estação dos trens:
diversas vezes por dia
chega o comboio de alguém.
-Mas se teu setor é comparado
à estação central dos trens,
o que dizer de Casa Amarela
onde não para o vaivém?
Pode ser uma estação
mas não estação de trem:
será parada de ônibus,
com filas de mais de cem.
-Então por que não pedes,
já que és de carreira, e antigo,
que te mandem para Santo Amaro
se achas mais leve o serviço?
Não creio que te mandassem
para as belas avenidas
onde estão os endereços
e o bairro da gente fina:
isto é, para o bairro dos usineiros,
dos políticos, dos banqueiros,
e no tempo antigo, dos bangunlezeiros
(hoje estes se enterram em carneiros)
bairro também dos industriais,
dos membros das
associações patronais
e dos que foram mais horizontais
nas profissões liberais.
Difícil é que consigas
aquele bairro, logo de saída.
-Só pedi que me mandasse
para as urbanizações discretas,
com seus quarteirões apertados,
com suas cômodas de pedra.
-Esse é o bairro dos funcionários,
inclusive extranumerários,
contratados e mensalistas
(menos os tarefeiros e diaristas).
Para lá vão os jornalistas,
os escritores, os artistas
ali vão também os bancários,
as altas patentes dos comerciários,
os lojistas, os boticários,
os localizados aeroviários
e os de profissões liberais
que não se libertaram jamais.
-Também um bairro dessa gente
temos no de Casa Amarela:
cada um em seu escaninho,
cada um em sua gaveta,
com o nome aberto na lousa
quase sempre em letras pretas.
Raras as letras douradas,
raras também as gorjetas.
-Gorjetas aqui, também,
só dá mesmo a gente rica,
em cujo bairro não se pode
trabalhar em mangas de camisa
onde se exige quepe
e farda engomada e limpa.
-Mas não foi pelas gorjetas, não,
que vim pedir remoção:
é porque tem menos trabalho
que quero vir para Santo Amaro
aqui ao menos há mais gente
para atender a freguesia,
para botar a caixa cheia
dentro da caixa vazia.
-E que disse o Administrador,
se é que te deu ouvido?
-Que quando apareça a ocasião
atenderá meu pedido.
-E do senhor Administrador
isso foi tudo que arrancaste?
-No de Casa Amarela me deixou
mas me mudou de arrabalde.
-E onde vais trabalhar agora,
qual o subúrbio que te cabe?
-Passo para o dos industriários,
que também é o dos ferroviários,
de todos os rodoviários
e praças-de-pré dos comerciários.
-Passas para o dos operário,
deixas o dos pobres vários
melhor: não são tão contagiosos
e são muito menos numerosos.
-é, deixo o subúrbio dos indigentes
onde se enterra toda essa gente
que o rio afoga na preamar
e sufoca na baixa-mar.
-é a gente sem instituto,
gente de braços devolutos
são os que jamais usam luto
e se enterram sem salvo-conduto.
-é a gente dos enterros gratuitos
e dos defuntos ininterruptos.
-é a gente retirante
que vem do Sertão de longe.
-Desenrolam todo o barbante
e chegam aqui na jante.
-E que então, ao chegar,
não tem mais o que esperar.
-Não podem continuar
pois têm pela frente o mar.
-Não têm onde trabalhar
e muito menos onde morar.
-E da maneira em que está
não vão ter onde se enterrar.
-Eu também, antigamente,
fui do subúrbio dos indigentes,
e uma coisa notei
que jamais entenderei:
essa gente do Sertão
que desce para o litoral, sem razão,
fica vivendo no meio da lama,
comendo os siris que apanha
pois bem: quando sua morte chega,
temos que enterrá-los em terra seca.
-Na verdade, seria mais rápido
e também muito mais barato
que os sacudissem de qualquer ponte
dentro do rio e da morte.
-O rio daria a mortalha
e até um macio caixão de água
e também o acompanhamento
que levaria com passo lento
o defunto ao enterro final
a ser feito no mar de sal.
-E não precisava dinheiro,
e não precisava coveiro,
e não precisava oração
e não precisava inscrição.
-Mas o que se vê não é isso:
é sempre nosso serviço
crescendo mais cada dia
morre gente que nem vivia.
-E esse povo de lá de riba
de Pernambuco, da Paraíba,
que vem buscar no Recife
poder morrer de velhice,
encontra só, aqui chegando
cemitério esperando.
-Não é viagem o que fazem
vindo por essas caatingas, vargens
aí está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro.

O retirante aproxima-se de um dos cais do Capibaribe

-Nunca esperei muita coisa,
é preciso que eu repita.
Sabia que no rosário
de cidade e de vilas,
e mesmo aqui no Recife
ao acabar minha descida,
não seria diferente
a vida de cada dia:
que sempre pás e enxadas
foices de corte e capina,
ferros de cova, estrovengas
o meu braço esperariam.
Mas que se este não mudasse
seu uso de toda vida,
esperei, devo dizer,
que ao menos aumentaria
na quartinha, a água pouca,
dentro da cuia, a farinha,
o algodãozinho da camisa,
ao meu aluguel com a vida.
E chegando, aprendo que,
nessa viagem que eu fazia,
sem saber desde o Sertão,
meu próprio enterro eu seguia.
Só que devo ter chegado
adiantado de uns dias
o enterro espera na porta:
o morto ainda está com vida.
A solução é apressar
a morte a que se decida
e pedir a este rio,
que vem também lá de cima,
que me faça aquele enterro
que o coveiro descrevia:
caixão macio de lama,
mortalha macia e líquida,
coroas de baronesa
junto com flores de aninga,
e aquele acompanhamento
de água que sempre desfila
(que o rio, aqui no Recife,
não seca, vai toda a vida).

Aproxima-se do retirante o morador de um dos mocambos que existem entre o cais e a água do rio

-Seu José, mestre carpina,
que habita este lamaçal,
sabes me dizer se o rio
a esta altura dá vau?
sabe me dizer se é funda
esta água grossa e carnal?
-Severino, retirante,
jamais o cruzei a nado
quando a maré está cheia
vejo passar muitos barcos,
barcaças, alvarengas,
muitas de grande calado.
-Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.
-Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.
-Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?
-Severino, retirante,
o meu amigo é bem moço
sei que a miséria é mar largo,
não é como qualquer poço:
mas sei que para cruzá-la
vale bem qualquer esforço.
-Seu José, mestre carpina,
e quando é fundo o perau?
quando a força que morreu
nem tem onde se enterrar,
por que ao puxão das águas
não é melhor se entregar?
-Severino, retirante,
o mar de nossa conversa
precisa ser combatido,
sempre, de qualquer maneira,
porque senão ele alarga
e devasta a terra inteira.
-Seu José, mestre carpina,
e em que nos faz diferença
que como frieira se alastre,
ou como rio na cheia,
se acabamos naufragados
num braço do mar miséria?
-Severino, retirante,
muita diferença faz
entre lutar com as mãos
e abandoná-las para trás,
porque ao menos esse mar
não pode adiantar-se mais.
-Seu José, mestre carpina,
e que diferença faz
que esse oceano vazio
cresça ou não seus cabedais
se nenhuma ponte mesmo
é de vencê-lo capaz?
-Seu José, mestre carpina,
que lhe pergunte permita:
há muito no lamaçal
apodrece a sua vida?
e a vida que tem vivido
foi sempre comprada à vista?
-Severino, retirante,
sou de Nazaré da Mata,
mas tanto lá como aqui
jamais me fiaram nada:
a vida de cada dia
cada dia hei de comprá-la.
-Seu José, mestre carpina,
e que interesse, me diga,
há nessa vida a retalho
que é cada dia adquirida?
espera poder um dia
comprá-la em grandes partidas?
-Severino, retirante,
não sei bem o que lhe diga:
não é que espere comprar
em grosso tais partidas,
mas o que compro a retalho
é, de qualquer forma, vida.
-Seu José, mestre carpina,
que diferença faria
se em vez de continuar
tomasse a melhor saída:
a de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?

Uma mulher, da porta de onde saiu o homem, anuncia-lhe o que se verá.

-Compadre José, compadre,
que na relva estais deitado:
conversais e não sabeis
que vosso filho é chegado?
Estais aí conversando
em vossa prosa entretida:
não sabeis que vosso filho
saltou para dentro da vida?
Saltou para dento da vida
ao dar o primeiro grito
e estais aí conversando
pois sabeis que ele é nascido.

Aparecem e se aproximam da casa do homem vizinhos, amigos, duas ciganas, etc.

-Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor.
Foi por ele que a maré
esta noite não baixou.
-Foi por ele que a maré
fez parar o seu motor:
a lama ficou coberta
e o mau-cheiro não voou.
-E a alfazema do sargaço,
ácida, desinfetante,
veio varrer nossas ruas
enviada do mar distante.
-E a língua seca de esponja
que tem o vento terral
veio enxugar a umidade
do encharcado lamaçal.

-Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor
e cada casa se torna
num mocambo sedutor.
-Cada casebre se torna
no mocambo modelar
que tanto celebram os
sociólogos do lugar.
-E a banda de maruins
que toda noite se ouvia
por causa dele, esta noite,
creio que não irradia.
-E este rio de água, cega,
ou baça, de comer terra,
que jamais espelha o céu,
hoje enfeitou-se de estrelas.

Começam a chegar pessoas trazendo presentes para o recém-nascido

- Minha pobreza tal é
que não trago presente grande:
trago para a mãe caranguejos
pescados por esses mangues
mamando leite de lama
conservará nosso sangue.
- Minha pobreza tal é
que coisa alguma posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar
aqui todos são irmãos,
de leite, de lama, de ar.
- Minha pobreza tal é
que não tenho presente melhor:
trago este papel de jornal
para lhe servir de cobertor
cobrindo-se assim de letras
vai um dia ser doutor.
- Minha pobreza tal é
que não tenho presente caro:
como não posso trazer
um olho d'água de Lagoa do Cerro,
trago aqui água de Olinda,
água da bica do Rosário.

- Minha pobreza tal é
que grande coisa não trago:
trago este canário da terra
que canta sorrindo e de estalo.
- Minha pobreza tal é
que minha oferta não é rica:
trago daquela bolacha d'água
que só em Paudalho se fabrica.
- Minha pobreza tal é
que melhor presente não tem:
dou este boneco de barro
de Severino de Tracunhaém.
- Minha pobreza tal é
que pouco tenho o que dar:
dou da pitu que o pintor Monteiro
fabricava em Gravatá.

- Trago abacaxi de Goiana
e de todo o Estado rolete de cana.
- Eis ostras chegadas agora,
apanhadas no cais da Aurora.
- Eis tamarindos da Jaqueira
e jaca da Tamarineira.
- Mangabas do Cajueiro
e cajus da Mangabeira.

- Peixe pescado no Passarinho,
carne de boi dos Peixinhos.
- Siris apanhados no lamaçal
que já no avesso da rua Imperial.
- Mangas compradas nos quintais ricos
do Espinheiro e dos Aflitos.
- Goiamuns dados pela gente pobre
da Avenida Sul e da Avenida Norte.

Falam as duas ciganas que haviam aparecido com os vizinhos.

- Atenção peço, senhores,
para esta breve leitura:
somos ciganas do Egito,
lemos a sorte futura.
Vou dizer todas as coisas
que desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, como goiamuns,
e a correr o ensinarão
o anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.
Cedo aprenderá a caçar:
primeiro, com as galinhas,
que é catando pelo chão
tudo o que cheira a comida
depois, aprenderá com
outras espécies de bichos:
com os porcos nos monturos,
com os cachorros no lixo.
Vejo-o, uns anos mais tarde,
na ilha do Maruim,
vestido negro de lama,
voltar de pescar siris
e vejo-o, ainda maior,
pelo imenso lamarão
fazendo dos dedos iscas
para pescar camarão.

- Atenção peço, senhores,
também para minha leitura:
também venho dos Egitos,
vou completar a figura.
Outras coisas que estou vendo
é necessário que eu diga:
não ficará a pescar
de jereré toda a vida.
Minha amiga se esqueceu
de dizer todas as linhas
não pensem que a vida dele
há de ser sempre daninha.
Enxergo daqui a planura
que é a vida do homem de ofício,
bem mais sadia que os mangues,
tenha embora precipícios.
Não o vejo dentro dos mangues,
vejo-o dentro de uma fábrica:
se está negro não é lama,
é graxa de sua máquina,
coisa mais limpa que a lama
do pescador de maré
que vemos aqui vestido
de lama da cara ao pé.
E mais: para que não pensem
que em sua vida tudo é triste,
vejo coisa que o trabalho
talvez até lhe conquiste:
que é mudar-se destes mangues
daqui do Capibaribe
para um mocambo melhor
nos mangues do Beberibe.

Falam os vizinhos, amigos, pessoas que vieram com presentes, etc

- De sua formosura
já venho dizer:
é um menino magro,
de muito peso não é,
mas tem o peso de homem,
de obra de ventre de mulher.
- De sua formosura
deixai-me que diga:
é uma criança pálida,
é uma criança franzina,
mas tem a marca de homem,
marca de humana oficina.
- Sua formosura
deixai-me que cante:
é um menino guenzo
como todos os desses mangues,
mas a máquina de homem
já bate nele, incessante.
- Sua formosura
eis aqui descrita:
é uma criança pequena,
enclenque e setemesinha,
mas as mãos que criam coisas
nas suas já se adivinha.

- De sua formosura
deixai-me que diga:
é belo como o coqueiro
que vence a areia marinha.
- De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como o avelós
contra o Agreste de cinza.
- De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como a palmatória
na caatinga sem saliva.
- De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa.

- é tão belo como a soca
que o canavial multiplica.
- Belo porque é uma porta
abrindo-se em mais saídas.
- Belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.
- é tão belo como as ondas
em sua adição infinita.

- Belo porque tem do novo a surpresa e a alegria.
- Belo como a coisa nova na prateleira até então vazia.
- Como qualquer coisa nova inaugurando o seu dia.
- Ou como o caderno novo quando a gente o principia.

- E belo porque o novo todo o velho contagia.
- Belo porque corrompe com sangue novo a anemia.
- Infecciona a miséria com vida nova e sadia.
- Com oásis, o deserto, com ventos, a calmaria.

O carpina fala com o retirante que esteve de fora, sem tomar parte de nada.

- Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

João Cabral de Melo Neto
(1920-1999)
(Poemblog)