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sábado, 14 de agosto de 2010

Brasil assina decreto e mantém luta contra as sanções na ONU

Brasil assina decreto e mantém luta contra as sanções na ONU
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro que o Brasil continua sua luta contra sanções, mesmo o presidente Lula ter assinado o decreto de resolução da ONU que estabelece sanções ao Irã na terça-feira (10).
“Nós votamos contra, porque não acreditamos que essa resolução que estabeleceu sanção contribua para resolver o problema principal que é o programa nuclear iraniano. O presidente Lula assinou o decreto porque o Brasil tem a tradição de cumprir com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, mesmo que não concorde, eventualmente, com elas por ser fiel ao multilateralismo e por ser contra decisões unilaterais”, declarou o ministro em entrevista coletiva.
“Aliás lamentamos também que, além das sanções do Conselho de Segurança, alguns países ou grupo de países, como é o caso dos Estados Unidos e da União Européia tenham adotado sanções unilateralmente. Essas, evidentemente, não nos concerne diretamente, mas as sanções do Conselho de Segurança, de acordo com o artigo 25 da Carta das Nações Unidas, o Brasil tomará as medidas práticas para que as sanções sejam cumpridas, como aliás ocorreu no passado”, afirmou Celso Amorim. “As sanções são inoportunas e contraproducentes, mas somos respeitadores das leis internacionais”, frisou o chanceler.
No dia 9 de junho, 12 dos 15 países do Conselho de Segurança da ONU decidiram impor a quarta rodada de sanções ao Irã, apesar do Brasil e Turquia terem assinado no dia 17 de maio um acordo com o Irã que estabelece a troca em território turco de 1.200 kg de seu urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 kg de combustível enriquecido a 20%, destinado ao reator de pesquisa médica de Teerã. Os EUA e os países ricos ignoraram e desrespeitaram o acordo, montando as sanções.
Brasil e Turquia votaram contra as sanções e o Líbano se absteve.
http://www.horadopovo.com.br/ModelosNovaEdicao/p3/pag3c.htm
Enviado por EV Chaves

A FICHA LIMPA E O STF

A FICHA LIMPA E O STF


Laerte Braga


A simples suposição que um assaltante de cofres públicos como Joaquim Roriz possa voltar a governar Brasília é repugnante. Roriz lidera as pesquisas de intenção de votos do eleitorado da capital e teve seu registro negado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), mas permanece na disputa até decisão da última instância, no caso o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Como o STF vai decidir a matéria, especialistas ouvidos pela FOLHA DE SÃO PAULO consideram o assunto uma incógnita. Levam em conta decisões anteriores em casos semelhantes, mas anteriores também à Lei da Ficha Limpa. Há o preceito constitucional que toda e qualquer modificação na lei eleitoral deve ocorrer um ano antes de um pleito.

Em tese, em qualquer circunstância ou qualquer que seja o crime cometido por quem quer que o cometa ou não, a presunção da inocência é válida até que ocorra o trânsito em julgado do fato, ou seja, a última decisão, aquela da qual não cabe recurso mais.

O direito brasileiro não tem características de direito consuetudinário, ou seja, aquele que deriva dos costumes e tradições, embora em determinados aspectos a lei tenda a refletir, lógico, essas características.

Mas é inaceitável que no caso, estou citando um exemplo, de Joaquim Roriz o criminoso possa se beneficiar de brechas no arcabouço legal para, durante mais quatro anos, limpar os cofres públicos de Brasília, lesar o povo de Brasília, ainda que a maioria incauta e, sejamos diretos, alienada, imagine que Roriz seja uma espécie de pai dos pobres.

Roriz é só um bandido como é Beira-mar.

Quem quer que se recorde do processo de votação da LEI DA FICHA LIMPA há de se lembrar também de manobras protelatórias e modificações feitas ao sabor dos interesses dos muitos criminosos que exercem mandatos eletivos, a começar pelo presidente do Congresso Nacional, José Sarney. Foi um parto complicado e a criança nasceu pela metade, mas nasceu.

A lei em si pretende resgatar o mínimo de dignidade a ser requerido a quem pleiteia cargo público, no todo não resolve o grave problema do analfabetismo político no Brasil. Mesmo que se diga que esse analfabetismo é conseqüência do processo de alienação constante e crescente imposto por uma mídia a serviço das elites, do grande capital, do latifúndio, enfim, da mentira e do mundo do espetáculo. Como de fato o é.

Mas é também um avanço. Expõe as vísceras desses caras, faz com que tenham que vir a público, pelo menos para exercer o direito de mentir e jurar inocência.

“Soltem esse homem, o único que diz a verdade aqui”. Um califa ao visitar uma prisão e ouvir de todos os presos aos quais perguntava, um a um, o que havia feito, que era inocente, até que alguém se disse culpado.

É difícil também imaginar que ministros do STF como Gilmar Mendes, corrupto, venal, vá deixar de votar a favor de Roriz, aliado de seu candidato presidencial José Arruda Serra e ligado ao banqueiro Daniel Dantas, um dos patrões de Gilmar.

A situação do fato consumado é outra história. O candidato é impugnado, permanece disputando as eleições até decisão final, vence, toma posse e um ou dois anos depois o STF decide, levando em conta a morosidade da Justiça no País que tanto é pelo excesso de feitos, como por corrupção mesmo, que vai desde juízes, ministros de tribunais superiores a servidores.

Aquela história de segura o meu processo aí.

É uma realidade que tem que ser admitida.

E curiosamente a população, o eleitorado, reage à lei da FILHA LIMPA como quem se vê justiçado, mas mostra intenção de votar num pilantra como Joaquim Roriz.

Um contra senso sem tamanho, uma despolitização vergonhosa e que o fator de importância passa a ser o SHOW DAS ELEIÇÕES – virou um show – ou o as receitas de Ana Maria Braga que, provavelmente, nem sabe a diferença entre uma panela e uma frigideira.

Reduzir tudo isso a expressão modelo, ou sistema, é o modelo, é o sistema, é simples demais. Ou só a uma questão cultural não é tão simples, mas não é o todo da questão.

O desafio das forças populares – os sindicatos em sua maioria viraram meio de vida, não podem mais ser incluídos entre forças da classe trabalhadora, com as exceções de praxe – falo dos movimentos sociais, é buscar formas de impedir que candidatos como Roriz, assaltantes como era José Roberto Arruda, possam disputar eleições.

O bandido que era prefeito em minha cidade, virou manchete no JORNAL NACIONAL, o da mentira, ao receber uma bolada de empresários do setor de transportes coletivos, agora é pastor, já apascenta um rebanho e diz com toda a tranqüilidade que não tem culpa nenhuma que só assinava o que lhe era posto à frente, depois que muita gente, técnicos, secretários, etc, estudavam direitinho. Hoje participa dos lucros do governo atual, tucano, na divisão de propinas montadas em seu período e que permanecem.

O diabo é o dinheiro que apareceu na casa dele, ou o restaurante à beira do Lago Paranoá da família Roriz em franco desrespeito à lei.

O ex-prefeito virou pastor, vai salvar almas, vender tijolinhos para mansões no céu, pilantragem pura e Roriz ameaça voltar. E um monte de gente assim.

Nos corredores dos tribunais a disputa é intensa também, já que uns se apegam ao fato da lei ter entrado em vigor em cima da hora, digamos assim.

A ficha limpa não é necessariamente uma questão de firula legal, detalhe constitucional, mas de necessidade imperiosa de limpeza. A tevê não vive mostrando o tal desinfetante de banheiro que pensa mais que o ser humano e libera perfumes da natureza a cada trinta minutos? Qual o problema político da FICHA LIMPA?

Claro, ninguém vai vetar uma candidatura por críticas ao poder, mas no caso de políticos comprovadamente corruptos, público e notório, caso de Roriz, Sarney, esses pilantras que pululam por aí, não é saber se a lei tem uma brecha ou não, é vergonha na cara mesmo.

Reflete a podridão no todo do institucional, ainda que lá estejam figuras sérias e decentes, mas reflete o modelo falido, fracassado e vira um desafio para os movimentos populares.

O de virar a mesa pura e simplesmente.

Organizar a mesa depois de desinfetar com álcool, nada de perfume da natureza (a natureza hoje está associada ao capital predador, campanha de Marina da Silva, a que não aprendeu a pedir demissão).

É um escárnio um sujeito como Roriz ser candidato. E dependendo da decisão final vamos precisar de uma lei para tribunais limpos. Sem criminosos como Gilmar Mendes e outros.

No duro mesmo, vamos precisar e estamos, de uma Assembléia Nacional Constituinte, uma refundação do Estado, sem todo esses remendos que só ajudam os bandidos.

E os bandidos são a síntese do modelo capitalista. São conseqüência. A corrupção pode ter um que de natureza humana, mas é essencialmente implícita ao capitalismo. Está na gênese de qualquer Eike Batista. O que atua por trás dos bastidores, o Capone que não aparece.

A questão não é técnica, isso é firula, é política. E se um político bandido como Roriz vai ter a julgá-lo, ao final, um ministro bandido como Gilmar Mendes, estamos todos malhando em ferro frio. De uma certa forma fazendo coro com a farsa. Ou como dizia Darcy Ribeiro, “cacarejar para a esquerda e botar o ovo à direita”.

A cultura pior é a que dá a dianteira em Brasília a Roriz, é a do rouba, mas faz, pai dos pobres, introjetada no cidadão comum. Um cara que devia estar na cadeia, em cela de segurança máxima. Assim como Gilmar Mendes (o que emprega uns caras da GLOBO para comprar o silêncio da rede e compra).

O candidato Wadson Ribeiro, em Minas, está despejando rios de dinheiro numa campanha no mais violento esquema financeiro possível e escudado na tal moralidade. De onde surgiu o dinheiro? Apurem as verbas liberadas pelo Ministério dos Esportes para a região da Zona da Mata Mineira e o custo real das obras, a sobra é caixa dois de campanha do dito cujo.

Essa é outra questão. Poder econômico.

Ou seja, para cada Chico Alencar, ou Luciana Genro, ou Milton Temer, ou Nilmário Miranda, ou o comandante Carlos Eugênio Paes, tem duzentos Wadson, corruptos e venais.

O xis da questão é o institucional. Está falido, é preciso enterrá-lo do contrário vamos ter leis e ao mesmo tempo Joaquim Roriz governador de Brasília.

Onde anda a corrupta senadora Kátia Abreu (desviou verbas destinadas a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA – nome dado à quadrilha latifúndio) depois que a CPI que ela quis, provou que ao contrário do que a GLOBO fala na propagação da mentira, não houve um único centavo de desvio do MST, nos recursos destinados aos programas do movimento?

A questão da FICHA LIMPA é muito mais ampla e pode morrer nas eternas firulas jurídicas do falta uma vírgula aqui, ou essa palavra dá direito a duas interpretações.

Para gente da espécie de Gilmar Mendes isso é aquele negócio de tirar de letra.

Drauzio Varella fala sobre respeito aos ateus e sobre excomunhão da igreja

Manos e Minas mobilizados por seu espaço na TV

Por Patrícia Benvenuti no Brasil de Fato 
Músicos, MC´s, Rappers, B-Boys, grafiteiros e organizações sociais de todo País estão mobilizadas contra a extinção do único espaço da cultura hip hop na televisão brasileira. A decisão de retirar o programa “Manos e Minas”, que vai ao ar aos sábados pela TV Cultura, da grade de programação da emissora foi anunciada na semana passada pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad. O programa existia há quase três anos e apresentava, além da música hip hop, matérias direcionadas à juventude das periferias, com temas como gravidez na adolescência, violência nas escolas, crescimento do consumo do crack e autoestima da população negra. Ao todo, foram 93 programas e 93 apresentações de diferentes artistas. Para o rapper Kamau a extinção do “Manos e Minas” representa não apenas o fim de um programa, mas o fim de um espaço importante dedicado à cultura da periferia. "Eu me sentia representado e [o fim do programa] é uma pena muito grande para a cultura hip hop e da periferia". Kamau lembra que o programa foi uma conquista do movimento hip hop, frequentemente estigmatizado, e sua retirada significa a perda para uma grande parcela da população que não se vê em outros meios. "Onde vamos arrumar outro espaço como esse? Na tv aberta é muito difícil", pontua. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também lamenta o final da atração. Para ele, o programa representava um avanço para a televisão. "Se trata de um programa inovador, diferente e que teve repercussão positiva. É um dos poucos programas que dá visibilidade à cultura hip hop", ressalta.
Reestruturação de Peso
Os trabalhadores da emissora souberam da decisão de retirar o “Manos e Minas” do ar por meio de entrevistas de João Sayad a jornais e páginas da internet. Como justificativa, para os funcionários, João Sayad alegou que a iniciativa deveu-se ao baixo Ibope da atração e a "questões artísticas", sem informar maiores detalhes. Os profissionais, no entanto, garantem que a audiência do programa não era inferior à média da TV Cultura. Além do “Manos e Minas”, está confirmada a saída do programa “Link” da grade, que tratava de temas relacionados à internet. Outros programas, como o “Vitrine”, que trata dos bastidores da mídia, deverão passar por reformulações. O novo plano de gestão de Sayad prevê também a contratação de nomes "de peso" para a emissora. O principal deles é o de Marília Gabriela que, a partir do dia 30 de agosto, comandará o programa "Roda Viva". Marília foi convidada para substituir o apresentador Heródoto Barbeiro na semana em que o jornalista desagradou ao candidato José Serra com perguntas sobre o preço dos pedágios nas rodovias de São Paulo. A TV Cultura também passará a exibir filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e documentários do festival “É Tudo Verdade”. Já o dono da gravadora Trama, João Marcelo Bôscoli, ganhará um programa diário de variedades voltado para música que poderia vir a substituir o programa “Manos e Minas” sob o argumento de cobrir toda a diversidade da música popular brasileira. Em entrevista à Folha Online, João Sayad confirmou que a meta das reformulações é modernizar a emissora e conquistar mais "prestígio" e audiência. "Estamos recuperando o prestígio da TV Cultura com personalidades conhecidas, em nome do espectador", disse.
Inchaço
Em diversas declarações, Sayad tem disparado também contra o "inchaço" do quadro de funcionários. Até agora, no entanto, não foram confirmadas demissões. Uma funcionária da TV Cultura, que prefere não ser identificada, relata que existe, dentro da emissora, uma preocupação geral em relação ao futuro da TV, que deve ganhar contornos mais comerciais com o novo projeto. Ela lamenta também que a culpa por possíveis falhas recaia sobre os trabalhadores. “Estão apresentando a TV como inchada e ineficiente. É uma grande injustiça, lá dentro tem grandes profissionais", afirma. Ela critica ainda a postura do Estado em relação à emissora e aponta a falta de investimentos como uma dos principais erros. “Se os equipamentos estão sucateados, os funcionários não têm culpa”, salienta.
Mobilização
Desde o anúncio da extinção do “Manos e Minas”, a página do programa na internet tem recebido manifestações de apoio de telespectadores de todo o Brasil, que lamentam o fim da atração. As manifestações se somam ao esforço de integrantes do movimento hip hop e de diversas organizações de todo País, que têm organizado uma campanha em favor do programa e da TV Cultura. Os participantes da campanha enviaram uma carta ao senador Eduardo Suplicy, que se comprometeu a entregá-la ao presidente da TV Cultura, João Sayad. No documento, eles criticam a retirada do programa do ar e defendem o programa como um espaço dedicado à cultura das periferias. Também estão sendo coletadas assinaturas para um abaixo-assinado. Para assinar, basta acessar o endereço http://www.ipetitions.com/petition/mem/.Para o rapper Kamau, desistir do programa agora pode significar novas perdas depois."Perdendo o “Manos e Minas” agora significa que podemos perder algumas coisas depois. Se a gente mantiver o programa, será bom para todo mundo, não só para o movimento hip hop", enfatiza.Veja vídeos em defesa do progama em http://www.youtube.com/user/salveomanoseminas.
 

Vinicius

Botafogo

Eram duas menininhas
Filhas de boa família:
Uma chamada Marina
A outra chamada Marília.

Os dezoito da primeira
Eram brejeiros e finos
Os vinte da irmã cabiam
Numa mulher pequenina
Sem terem nada de feias
Não chegavam a ser bonitas
Mar eram meninas-moças
De pele fresca e macia.
O nome ilustre que tinham
De um pai desaparecido
Nelas deixava a evidência
De tempos bem amis vividos.
A mãe pertencia à class
Das largadas de marido
Seus oito lustros de vida
Davam a impressão de mais cinco.
Sofria muito de asma
E da desgraça das filhas
Que, posto boas meninas
Eram tão desprotegidas
E por total abandono
Davam mais do que galinhas.

Casa de porta e janela
Era a sua moradia
E dentro da casa aquela
Mãe pobre e melancolia.
Quando à noite as menininhas
Se aprontavam pra sair
A loba maternauivava
Suas torpes profecias.
De fato deve ser triste
Ter duas filhas assim
Que nada tendo a ofertar
Em troca de uma saída
Dão tudo o que têm aos homens:
A mão, o sexo, o ouvido
E até mesmo, quando instadas
Outras flores do organismo.

Foi assim que se espalhou
A fama das menininhas
Através do que esse disse
E do que aquele diria.
Quando a um grupo de rapazes
A noite não era madrinha
E a caça de mulher grátis
Resultava-lhes maninha
Uma delas qualquer lembrava
De Marília e de Marina
E um telefone soava
De um constante toque cínico
No útero de uma mãe
E suas duas filhinhas.
Oh, vida torva e mesquinha
A de Marília e Marina
Vida de porta e janela
Sem amor e comida
Vida de arroz requentado
E média com pão dormido
Vida de sola furada
E cotovelo puído
Com seios moços no corpo
E na mente sonhos idos!

Marílai perdera o seu
Nos dedos de uma caixeirinha
Que o que dava em coca-cola
Cobrava em rude carinho.
Com quatorze apenas feitos
Marina não era mais virgem
Abrira os prados do ventre
A um treinador pervertido.
Embora as lutas do sexo
Não deixam marcas visíveis
Tirante as flores lilases
Do sadismo e da sevícia
As vezes deixavam no amplexo
Uma grande náusea íntima
E transformam o que é de gosto
Num desgosto incoercível.

E era esse bem o caso
De Marina e de Marília
Quando sózinhas em casa
Não tinham com quem sair.
Ficavam olhando paradas
As paredes carcomidas
Mascando bolas de chicles
Bebendo água de moringa.
Que abismos de desconsolo
Ante seus olhos se abriam
Ao ouvirem a asma materna
Silvar no quarto vizinho!
Os monstros da solidão
Uivavam no seu vazio
E elas então se ebraçavam
Se beijavam e se mordiam
Imitando coisas vistas
Coisas vistas e vividas
Enchendo as frondes da noite
De pipilares tardios.

Ah, se o sêmem de um minuto
Fecundasse as menininhas
E nelas crescessem ventres
Mais do que a tristeza íntima!
Talvez de novo o mistério
Morasse em seus olhos findos
E nos seus lábios inconhos
Enflorescessem sorrisos.
Talvez a face dos homens
Se fizesse, de maligna
Na doce máscara pensa
Do seu sonho de meninas!

Mas tal não fosse o destino
De Marília e de Marina.
Um dia, que a noite trouxe
SCoberto de cinzas frias
Como sempre acontecia
Quando achavam-se sozinhas
No velho sofá da sala
Brincaram-se de menininhas.
Depois de olharem nos olhos
Nos seus pobres olhos findos
Marina apagou a luz
Deram-se as mãos, foram indo
Pela rua transversal
Cheia de negros baldios.
Às vezes pela calçada
Brincavam de amarelinha
Como faziam no tempo
Da casa dos tempos idos.
Diante do cemitério
Já nada mais se diziam.
Vinha um bonde a nove-pontos...
Marina puxou Brasília
E diante do semovente
Crescendo em luzes aflitas
Num desesperado abraço
Postaram-se as menininhas.

Foi só um grito e o ruído
Da freada sobre os trilhos
E por toda parte o sangue
De Marília e de Marina.

Vinicius de Morais
(1913-1980)
(Poemblog)

Lêdo Ivo

Um poeta chamado Lêdo Ivo
.
Por Floriano Martins, de Fortaleza


Para Lêdo Ivo, a poesia é uma magia verbal, um “idioma” específico dentro da linguagem e um testemunho da condição humana. A verdadeira celebração do Universo pelo homem.

Lêdo Ivo, em foto de José Ángel Leyva
Em um estranho e imenso país chamado Brasil costumam ocorrer coisas por vezes muito curiosas e até preocupantes. Ao longo de minhas viagens a países hispano-americanos, convidado a participar de eventos literários, sempre me surpreendia a maneira afetuosa com que se falava em Lêdo Ivo (Maceió, 1924). A princípio me parecia um mal entendido, porque a suposição correta era de que seriam outros os famosos a alcançar projeção internacional. Mas logo vou descobrindo que a raiz de tudo está na pouca (ou nenhuma) atenção que escritores brasileiros dão à América Hispânica, um comportamento que reflete o alto grau de provincianismo de nossa cultura.

De qualquer maneira, fui constatando a frequência com que o nome de Lêdo Ivo me era indagado, e me encabulava o fato de não conhecê-lo pessoalmente ou mesmo haver sequer trocado alguma correspondência com ele em minha vida. Pior: eu praticamente não conhecia sua poesia. Um dia finalmente coincidimos em Santo Domingo e fomos apresentados por nosso comum editor mexicano, José Angel Leyva. Sua figura carismática, amiga, divertida, rapidamente instalou entre nós boa amizade e mútuo respeito intelectual.

De regresso ao Brasil, Lêdo me enviou seus livros e avançamos em nosso diálogo, sempre me inquietando o fato de que sendo autor tão reconhecido nos países vizinhos não gozasse do mesmo prestígio no Brasil. Em 2009, recebi convite da Casa das Américas, para ir a Cuba integrar o júri de seu famoso prêmio literário. Ao encontrar entre os livros inscritos a poesia de Lêdo Ivo, percebi a oportunidade que se abria e tratei de conversar com os dois outros membros do júri, a brasileira Ana Maria Gonçalves e o angolano Ondjaki, observando a importância de registrar, através do Prêmio Casa das Américas, o valor da poesia deste brasileiro de ainda exíguo reconhecimento em seu próprio país.

Lêdo Ivo, em foto de José Ángel Leyva
E sem necessitar dever favores a ninguém, pois o livro inscrito, Réquiem, não somente oferece grande poesia, como vinha de duas belas edições no exterior, precisamente no México e na Itália. Assim é que fico feliz por haver de alguma maneira contribuído no sentido de remediar parcialmente a desatenção brasileira em relação à obra poética de Lêdo Ivo. Posteriormente, o poeta ganharia também o Prêmio de Poesia do Mundo Latino Victor Sandoval (México, 2008) e Prêmio Rosalía de Castro (Espanha, 2010). Publicado em países como Espanha, Dinamarca, Itália e Estados Unidos, assim como, em países hispano-americanos, Chile, Venezuela, Peru e México. A seguir, uma breve conversa nossa sobre alguns aspectos de sua vida e da literatura brasileira. Abraxas

FM – Há uma observação que fazes a respeito de tua avó materna, no sentido de que ela “era uma católica praticante: um catolicismo ortodoxo, jamais baianizado”. Sempre me pareceu que a literatura no Brasil foi profundamente prejudicada pela interferência católica. Bem entendido: do catolicismo adotado por nossos escritores e intelectuais. Figuras determinantes como Alceu Amoroso Lima e Mario de Andrade, quando menos, propiciaram um fio de alta tensão entre o que chamas de catolicismo ortodoxo e baianizado, reorientando a vocação poética de muitos de nossos escritores, interferindo na própria configuração cultural do país. Qual a extensão de um prejuízo dessa natureza, em teu entendimento?
LI – Não creio que “a literatura no Brasil foi profundamente prejudicada pela interferência católica”. Como todos os países do Ocidente, o Brasil, como civilização, é uma criação do Cristianismo, cuja maior obra é a própria Europa. Foi o Cristianismo que colonizou a América, deixando marcas imperecíveis em sua educação, arquitetura, música, pintura, modo de viver e de morrer, etc. Esse impacto civilizatório, destruindo em muitos casos civilizações milenares, como as maia, asteca e inca, modelou o sistema de educação e de produção literária e artística.
O Brasil, desde o dia de sua “descoberta”, com a Primeira Missa, seguiu e segue esse caminho.

Cabe destacar que, no século XIX, a inteligência brasileira em sua maioria seguiu o caminho do Positivismo, e recebeu influências de Darwin e Spencer, neutralizando poderosamente o selo católico da nossa civilização, a qual se caracterizava pelo fato de o catolicismo ser a religião oficial do país. Além do mais, cumpre sublinhar que essa nova direção literária e artística se disseminou no século XX. O grupo católico (Jackson de Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Otávio de Faria, Tasso da Silveira e tantos outros) representa essa projeção de espiritualidade, numa literatura de forte conteúdo regionalista, paisagístico e de escassa interrogação existencial.

Hoje, com a expansão dos evangélicos e das religiões e seitas africanas, a influência católica, quer a temporal, quer a espiritual, diminuiu sensivelmente, e são raros os escritores brasileiros aos quais se poderia considerar “católicos fervorosos” ou atuantes. Na imensa maioria, eles, como os pintores e músicos, são católicos históricos e tradicionais (herdeiros de tradições domésticas) “livres-pensadores” ou declaradamente ateus.

Deve ainda ser acentuado que a literatura não é um caminho único, e a comunidade literária se irradia em várias e numerosas famílias espirituais, tanto no plano estético como nos planos político e moral.

FM – Bem, não podemos esquecer que o projeto modernista de nacionalizar o Brasil tinha forte conotação católica, cujos desdobramentos conduziram ao integralismo. Benjamin Moser, na biografia de Clarice Lispector, por exemplo, ao referir-se a Plínio Salgado, observa que “como muitos integralistas, Salgado era fortemente influenciado pelos escritores católicos que emergiram nos anos 1920, com suas sugestões de nacionalismo místico”. Havia então a presença da revista A Ordem, dirigida por Augusto Frederico Schmidt, em um ambiente onde se confundiam aspectos como a chamada escola introspectiva, nacionalismo místico, integralismo, em uma mesma sala frequentada por Tristão de Athayde, Mário de Andrade, o próprio Schmidt, Plínio Salgado, ambiente que em dado momento chegou a estar sob a coordenação impositiva da Agência Nacional e Lourival Fontes, o super-homem de Getúlio Vargas no comando do Departamento de Imprensa e Propaganda. Ainda me refiro ao Benjamin Moser, ao dizer que “a fé católica de muitos desses escritores levou alguns deles a se associar, em geral temporariamente, ao integralismo, e a defender certas propostas reacionárias, como a militância de Vinicius de Moraes em favor do cinema mudo”. Quando passamos à Geração de 45, o que muda nessa relação com o catolicismo?
LI – Não creio que o projeto modernista de nacionalização do Brasil tenha tido “forte conotação católica” como você afirma. Esse projeto se inspirou em elementos indígenas e folclóricos, como o comprova o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade e a redescoberta do barroco mineiro por Mario de Andrade, o qual era, aliás, um católico tradicional. E a esses elementos de ancestralidade se acrescentou um tempero de vanguardismo europeu, especialmente o sentimento da velocidade haurido no futurismo de Marinetti.

Observe-se que os modernistas de São Paulo ignoravam o Nordeste brasileiro e o viam de longe com olhos turísticos. E de “turistas aprendizes”, para usar aqui uma expressão afortunada de Mario de Andrade. Plínio Salgado, com os romances em que se utiliza de um processo de fragmentação da narrativa, e uso imoderado da elipse e do laconismo, é um seguidor e discípulo de Oswald. Como é um discípulo incômodo, dada a sua condição de criador do Integralismo (o chamado “fascismo caboclo”), a crítica e os estudiosos do Modernismo sempre esconderam essa evidência, omitindo seu nome ou menosprezando-o, com a exceção notável de Wilson Martins que, em sua monumental História da Inteligência Brasileira, chama a atenção para a importância seminal de O Estrangeiro no cenário da nossa ficção.

Quanto a Vinicius de Moraes, ele foi uma descoberta de Otávio de Faria, que lhe dedicou parte do livro Dois Poetas (o outro é Augusto Frederico Schmidt). Otávio de Faria, autor de um incômodo e instigante ensaio Machiavel e o Brasil, em que denuncia as nossa misérias políticas, influenciou profundamente Vinicius de Moraes em sua primeira formação marcada pela sua simpatia pelo fascismo. Eram amigos íntimos e ocorreu entre ambos uma relação homossexual que foi apagada quando Vinicius se tornou um dos expoentes da esquerda e do comunismo de salão. O seu interesse pelo cinema mudo veio de Otávio de Faria, criador do Clube Chaplin, quando estudante da Faculdade Nacional de Direito. Nada teve a ver com o catolicismo.

E há uma retificação que deve ser feita: Otávio de Faria nunca foi integralista. Ele foi fascista, assim como Jorge Amado, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade foram comunistas, e Rachel de Queiroz foi comunista e depois trotskista num tempo em que a intelectualidade em sua maior parte não acreditava na Democracia, considerando-a o regime da burguesia conservadora e infensa às grandes reformas políticas sociais e econômicas. E além do mais, o Brasil de 1930 até 1945 foi governado pelo estadista autoritário, centralizador e ditatorial Getúlio Vargas, e na Europa imperavam o nazismo de Hitler, o fascismo de Mussolini, o franquismo do generalíssimo Franco e várias ditaduras sul-americanas dominavam a América.
Evidentemente que a inclinação dos escritores católicos ou de famílias tradicionalmente católicas era pelo fascismo e o integralismo. (“Deus, Pátria, Família”, era o lema do integralismo. Os integralistas envergavam uma camisa verde com um sigma que os distinguia, como os nazistas e fascistas).

Quando a Geração de 45 emerge, finda a Segunda Grande Guerra com a derrocada do nazismo e do fascismo, o debate político passa a um segundo plano. Pelo menos no seu início, essa geração será formalista e esteticista, preocupada com a “reconstrução” da poesia e da literatura brasileira. O nacionalismo modernista será substituído por um subjetivismo crescente e por um cosmopolitismo de natureza atualizadora. É o tempo da descoberta de Rilke, T. S. Eliot, Paul Valery, Mallarmé, Ezra Pound, Saint-John Perse, Ungaretti e outros, que substituíram as devoções modernistas. E estas eram Apollinaire, o futurista Marinetti e o Blaise Cendrars que Oswald de Andrade praticamente depenou em seu Pau- Brasil.

Uma coisa singular é que o Modernismo, teoricamente programado para proceder a uma atualização da literatura brasileira, foi um dos movimentos mais desatualizados e desinformados em relação às revoluções estéticas que então se operavam na Europa e nos Estados Unidos. No grande banquete dos ismos do século XX, alimentou-se de migalhas.

FM – Estamos de acordo que “uma luz impostura ilumina todas as vidas” (pág. 31). Evidente que não significa com isto falsear a realidade de forma canalha, mas antes reconhecê-la como uma mescla de razões e desrazões, anseios e decepções, impulsos e repetições, essências e trivialidades. Como a poesia te descobre? O que sabias de ti quando começaste a escrever?
LI – Ao longo de minha trajetória literária, tenho me manifestado talvez exaustivamente sobre a criação poética e a poesia. E decerto essas manifestações haverão de ser sempre fragmentárias e incompletas. Para mim, a poesia é uma manifestação da criatividade humana; uma arte – a arte de fazer versos; o uso supremo da linguagem, já que ela é uma magia verbal, um “idioma” específico dentro da linguagem não só a comum como também da linguagem literária da prosa; um testemunho da condição humana; uma celebração do Universo pelo homem.
Dentro desse quadro imemorial, que proclama a necessidade humana de exprimir-se (inventando e documentando a passagem do tempo e a sua experiência pessoal), cumpre sublinhar, com a necessária ênfase, que a Poesia resulta de uma vocação individual e intransferível, que se realiza e se aprimora através do trabalho, da pesquisa, da experimentação e da capacidade de renovação diante da tradição.

O poeta nasce poeta e se faz e é feito pela cultura que consegue incorporar ao seu ofício. E ele é apenas um elo no grande sistema poético do mundo, um grão de poeira numa tradição que vem do início do mundo e haverá de continuar enquanto este nosso planeta existir. Isto porque há algo, no mundo e sobre o mundo, que só a linguagem poética tem condições de exprimir. Há algo, no homem, do homem e para o homem, que só o poeta tem condições de dizer, através de e com a sua linguagem.

Quando comecei a escrever na adolescência, nada sabia de mim, a não ser que desejava ser um poeta e escritor, e colocar a minha poesia e a minha prosa a serviço dos homens, o que significa colocá-la a serviço da vida e até da mudança do mundo, já que a mim me doíam e me doem a miséria e a injustiça, a desesperança e a morte. O importante é que o escritor ou poeta projete em sua obra a sua experiência, aquilo que Rubén Darío chama de “o tesouro pessoal”. E converta essa experiência numa linguagem inconfundível.

“Direi que a visão que tenho
do mundo é a minha realidade.
É talvez ou decerto uma realidade
pessoal, intransferível, mas nela
cabem ou devem caber as realidades
dos outros.”

FM – Quais, aos olhos de um poeta brasileiro, seriam as verdadeiras provas da realidade?
LI – A realidade é sempre uma visão pessoal da realidade. Cada um de nós tem a sua, e trabalha com ela ou para ela. É, assim, uma representação, um modo de ver. Entendo que cada poeta, desde os mais exponenciais aos mais modestos e obscuros, projeta em seus poemas uma determinada visão da realidade, do mundo em que respiram, da vida que levam.

Para mim, até o sonho e a “alienação poética” são realidades, pois se integram na vida pessoal do poeta e em sua produção. Direi que a visão que tenho do mundo é a minha realidade. É talvez ou decerto uma realidade pessoal, intransferível, mas nela cabem ou devem caber as realidades dos outros. Goethe diz que os homens são seres coletivos. Isto significa que não somos sozinhos nem estamos sós. Somos nós e os outros. Os outros de hoje e os outros de ontem.

FM – Entendes que o cosmopolitismo da literatura brasileira é uma farsa? Como nos relacionamos com grandes centros canônicos e não com a grandeza natural da cultura em cada país, que outro Brasil tens descoberto à sombra dessa máscara?
LI – Partamos do princípio e da evidência de que nós, escritores latino-americanos, somos seres divididos entre o nosso indigenismo e a nossa ibericidade. Como todos os países periféricos que constituem a América Ibérica (à qual o Brasil pertence), temos uma língua e uma etnia europeias (o espanhol, o português) e somos os herdeiros ou usufrutuários de uma cultura transplantada e da cultura autóctone. E a essas culturas se soma a cultura milenar que nos veio da África à cultura transplantada – literatura, música, arquitetura, educação, culinária, modo de viver e de morrer, etc. – conferimos um selo nacional que é a nossa diferença decorrente do nosso indigenismo.

O chamado “cosmopolitismo” de parte da literatura brasileira – como de resto a dos outros países como Cuba ou México, Chile ou Argentina – testemunha a nossa ligação transatlântica com a Europa, que, como centro inarredável de tradição e laboratório de experimentação e invenção, atrai a nossa atenção, nos abastece com o seu saber e a sua criatividade e contribui para o nosso aprimoramento. E se funde com o que temos de telúrico e nativo, do nosso chão.

Atualmente, podemos vangloriar-nos de que a produção literária e artística na América Ibérica já atingiu um ostensivo grau de autonomia e independência, não pelo que recebemos ou imitamos, mas pelo que criamos e inventamos. A América Latina se tornou a pátria da imaginação e da criatividade, cada vez mais apreciada pelos estudiosos, críticos e leitores de uma Europa que atravessa um período da ostensiva exaustão, após tantos movimentos renovadores como o simbolismo, o surrealismo, o cubismo, o futurismo, o expressionismo e outros.

A presença de escritores latino-americanos no fluxo editorial europeu, e ainda a sua presença nos festivais e congressos realizados na Europa, indica que cada vez mais estamos sendo reconhecidos pela nossa diferença e originalidade. Com a sua explosão imaginativa, a diversidade artística, o seu ímpeto testemunhal e documental, a sua diversidade artística e a sua originalidade manifesta, a literatura, hispano-americana é cada vez mais apreciada e aplaudida na Europa. Ostentamos, ainda, uma “irracionalidade” e uma “magicidade” que, pela sua dimensão onírica, primitiva e arcaica, é outra fonte de atração.

FM – O tempo envelhece o criador ou a criatura?
LI – Há poetas e escritores que dão o melhor de si mesmos na juventude ou na maturidade, e decaem ou se tornam repetitivos à medida que envelhecem. Outros há que se inovam e dão o melhor de si mesmos na idade madura e na velhice. É um quadro variado. O importante é que o poeta ou escritor descubra o momento em que deve silenciar, se é que ele deve silenciar em algum instante de sua vida.

“Minha vida tem sido um estuário
de amizades. E também de admiração.
Sei admirar.”

FM – Na pág. 132 do teu livro de ensaios O Ajudante de Mentiroso mencionas a tua insularidade como elemento responsável pelo que chamas de “talvez incômodo ar de estrangeiro no cenário das letras brasileiras”. Restringes a uma inveja crônica a relutância do meio literário em relação à tua obra e até mesmo à tua pessoa. O caso se explica assim mesmo, de maneira tão provinciana?
LI – No meu caso pessoal, a minha “insularidade” decorre da circunstância de ser originário de Alagoas, no Nordeste brasileiro – uma região que se caracteriza pela sua beleza oceânica e litorânea, pela miséria clamorosa da maior parte de sua população. Acrescente-se a essas evidências a minha solidão, já que, antes de mim, minha terra natal só produziu dois escritores de projeção nacional, Graciliano Ramos e Jorge de Lima.

A esses elementos, acresce o fato de ter seguido, no meu ofício literário e poético, um caminho que atesta irrefutavelmente a minha diferença em relação à minha geração e talvez ao próprio legado cultural do Brasil. Costumo dizer que os escritores são constituídos pelo talento (quando o têm) e pela inveja (sempre). Mas esta minha frase deve ser acolhida mais como uma boutade. Embora a vida literária seja um ostensivo domínio de competição e conflitos, e espelhe as virtudes e vícios da condição humana, é também o território de uma convivência harmoniosa. Ao longo do meu trajeto de escritor, muitas mãos, algumas gloriosas, se têm estendido para mim, apoiando-me e abrindo-me caminho. E, de minha parte, tenho procurado proceder da mesma maneira. Minha vida tem sido um estuário de amizades. E também de admiração. Sei admirar.

De qualquer modo, sinto-me um sobrevivente, já que atravessei vários movimentos poéticos sem aderir a eles – o que não foi o caso de grandes poetas empenhados em obter o aplauso ou a cumplicidade dos jovens – e assisti ao sumiço e naufrágio desses movimentos. Confesso que sou muito cioso de minha diferença, a qual se projeta no meu trabalho e na minha maneira de conceber a literatura e a poesia, e deve constituir o meu selo pessoal de poeta e escritor, o que me distingue dos meus queridos confrades.

FM – Outro dilema curioso que encontramos na literatura brasileira diz respeito a este seu aspecto livresco – uma literatura “que só sabe respirar o ar abafado dos livros” –, como tão bem mencionas. O escritor brasileiro, em geral, rejeita a si mesmo como elemento constitutivo da relação – que só se realiza, por sinal, de maneira visceral – entre realidade e literatura. Há o prejuízo imediato da superficialidade e um outro, por efeito de decorrência, de ausência de diálogo com as grandes correntes internacionais. Apontamos aqui as resultantes – teu diagnóstico é perfeito, ao dizer que esta literatura “não pode fazer a leitura do mundo” –, porém, qual é a matriz em que se origina este desvio?
LI – Um escritor deve ser livresco e antilivresco. Deve ser guiado pela evidência de que a literatura e a poesia são problemas de cultura e não de mera sensibilidade. Um poeta, a meu ver, deve ser o protagonista mais culto da comunidade literária, devendo conhecer um legado que vem de Homero a Dante, de Virgilio a Camões, de Quevedo a Shakespeare e se estende até os nossos dias.

O conhecimento de outras línguas é para mim fundamental, já que a tradição cultural da língua portuguesa era insuficiente para as minhas necessidades de expressão e educação cultural. Já o espectro da língua espanhola é diferente. Você pode ser um grande poeta ou romancista em língua espanhola sem necessitar conhecer outras línguas, já que no passado hispânico há Cervantes e Quevedo, Lope de Vega e Garcilano de la Vega, Fray Luis de Leon e Rubén Dario, Góngora e Antonio Machado, e centenas de outras referências basilares.

Por outro lado, o escritor deve respirar o ar da vida, da convivência, o mundo dos outros, pois nele é que se abastece para a sua criação poética e literária. E cada poeta ou prosador faz a sua leitura do mundo – não uma leitura global e total do mundo, que é muito vasto e inapreensível. Lembro o verso magistral de José Martí: “Dos patrias tengo yo: Cuba y la noche”. Nós, poetas, temos sempre a nossa Cuba (o nosso Brasil, o nosso México, o nosso Chile) encravada em nossos corações. E temos a noite: o território das escuridões e constelações, dos sonhos e pesadelos, da interrogação existencial, da indagação cosmológica, da fusão amorosa, do amor e do ódio, de nossa condição humana.

“A atividade literária no Brasil é
cosmética, decorativa, ornamental.
Ser escritor no Brasil é uma coisa
muito melancólica.”

FM – Em 2002, quando Walter Galvani recebeu o Prêmio Casa das Américas, em entrevista concedida a Fabrício Carpinejar (Rascunho, junho de 2002), o romancista comentou haver sentido restrição da parte da mídia brasileira, que ele supõe tenha sido em relação ao regime cubano, observando que “a divulgação em si não foi à altura do prêmio, que tem prestígio e significado internacional”. Mais recentemente ganhaste o mesmo prêmio. Como a imprensa brasileira reagiu à premiação? Acreditas que este prêmio tenha perdido prestígio internacional?
LI – O Brasil é um grande gueto literário e linguístico. A literatura brasileira é completamente desconhecida no exterior. Alguns poetas e novelistas são editados e apreciados, individualmente, na América Hispânica e em alguns países da Europa, mas esse conhecimento de criações artísticas individuais não chega a se configurar na presença de um país (ainda exótico) e de uma literatura.

No plano interno o desconhecimento é ainda mais pungente. As tiragens dos nossos livros literários são quase sempre exíguas. Predomina no mercado o livro estrangeiro, especialmente o best-seller planetário, sinal inequívoco da colonização cultural e da dominação comercial por editores multinacionais. A atividade literária no Brasil é cosmética, decorativa, ornamental. Ser escritor no Brasil é uma coisa muito melancólica.

FM – És um dos poucos autores brasileiros com trânsito livre nos países hispano-americanos. Transfiro para ti a pergunta que quase sempre me fazem, acerca do indigesto silêncio que marca as relações culturais do Brasil com esses países. Quais os motivos da pouca (ou nenhuma) atenção que nossos intelectuais, sobretudo eles, dão à poesia hispano-americana?
LI – Não posso nem devo esconder que a minha condição de “poeta ibero-americano”, decorrente de minha presença em numerosos festivais de poesia e também de sucessivas traduções de minha poesia, em antologias poéticas ou em livros autônomos, muito me alegra. Esse trânsito, iniciado em 1980, quando Carlos Montemayor fez editar no México a antologia La Imaginária Ventana Abierta, e que hoje alcança a Espanha, onde a minha obra poética começou a ser traduzida de maneira intensiva, é realmente um trânsito pessoal.

Várias causas podem ser atribuídas ao silêncio do Brasil. Menciono a circunstância de que a língua espanhola só agora, no governo Lula, começou a ser ensinada nas escolas. Até antes da Segunda Grande Guerra, os escritores brasileiros, quando sabiam francês, ensinada nos colégios, se voltavam para França. E quando só conheciam o português, contentavam-se com as traduções estrangeiras e as produções existentes no idioma nativo.

O exílio de incontáveis professores e escritores brasileiros nos países da América Hispânica, durante a ditadura, instaurada em 1964, estimulou a curiosidade em torno das literaturas desses países. Mas o caminho da descoberta haverá de ser longo e demorado, e literaturas ricas e vigorosas de uma América que é hoje a pátria da imaginação e da poesia haverão de ser consumidas pelos escritores e leitores brasileiros. Cabe ainda sublinhar a inoperância dos mecanismos culturais destinados a promover a nossa literatura no Exterior, o que estabeleceria uma contrapartida proveitosa com as demais nações hispano-americanas. É notório que a poesia produzida em grandes países do Ocidente está hoje esgotada e necessita de uma transfusão que a América ibero-americana tem condição de oferecer.

A repercussão escassa do Prêmio da Casa das Américas a um escritor brasileiro deve ser atribuída à visão provinciana que o Brasil tem do próprio Brasil, e que se irradia por todos os setores. O prestígio dos prêmios da Casa das Américas nos países hispano-americanos e na Espanha e em outros países da Europa é incontestável. Quando fui distinguido com o Prêmio Literatura Brasileira da Casa das Américas, a repercussão nos países hispano-americanos e na Espanha foi confortadora. No Brasil, foi irrisória.

O insulamento cultural do Brasil é uma realidade incontestável. E precisamos de pontes, neste mundo cercado de outros lados.

[Fortaleza, Rio de Janeiro – Julho de 2010]

8/8/2010

Fonte: ViaPolítica/O autor

Floriano Martins (Brasil, 1957) é editor da Revista Agulha Hispânica e diretor do Projeto Editorial Banda Hispânica. É poeta, ensaísta e tradutor.

E-mail: floriano.agulha@gmail.com

Clique aqui para ler poemas de Lêdo Ivo


08.08.2010

Pedofilia

Revolução sexual e exame de consciência


O desenho de dois corpos, um grande e um pequeno, que se abraçam sobre uma cama é acompanhado pela pergunta: “Amor com crianças, pode?”. Está na capa da revista de berlinesa Zitty de 13 de dezembro de 1979. A imagem estampada hoje seria inaceitável. Nos anos setenta e oitenta, entretanto, o amor e o sexo entre adultos e crianças foi objeto de debate intelectual nos círculos de esquerda alemã.
A reportagem é de Laura Lucchini e publicada pelo El País, 09-08-2010. A tradução é do Cepat.
Após o escândalo de abusos sexuais em vários internatos ao longo de décadas, voltou-se agora ao debate sobre o papel que a revolução sexual teria exercido para um ambiente que tenha favorecido os abusos. A primeira pedra foi atirada pela jornalista do jornal de esquerda Tageszeitung Nina Apin, que em abril publicou Ativistas pedófilos da esquerda. Nele analisa como os argumentos dos pederastas colaram no debate da revolução sexual.
Não apenas o Tageszeitung, mas também a revista intelectual Konkret e Zitty, que continua sendo uma publicação de sucesso, deram espaços a pedófilos e até chegaram a simpatizar com eles porque os consideravam como uma minoria perseguida. Mas as coisas mudaram.
O escândalo em torno dos abusos que começaram nos anos setenta na escola de Odenwald, uma instituição laica e progressista e o caso do intelectual de esquerda Reinhar Röhl, editor da revista Konkret, acusado por sua filha Anja Röhl de abusos sexuais quando ela tinha entre 5 e 14 anos, revelam esta conexão entre esquerda e pederastia.
Segundo alguns, a revolução sexual começava cedo na vida de uma criança. O livro A revolução sexual na educação de 1971, dizia que “a deserotização da vida de família, desde a proibição da vida sexual entre crianças até o tabu do incesto, é funcional para a preparação do tratamento hostil do prazer na escola e a consequente subjugação e desumanização no ambiente do trabalho”.
No marco das novas teorias também se abriram creches nas quais se defendia a ideia de que as crianças tivessem direitos sexuais e onde se convidavam as crianças a explorarem sua sexualidade. Nelas não se chegou a autorizar atos sexuais entre adultos e crianças, mas o tema foi debatido.
“Ao contrário do que acontece hoje, ninguém se interessava naqueles anos pela proteção das crianças”, diz Apin. “Nem o poder que através do seu silêncio permitia constrangimentos e abusos nos internos, nem a esquerda que defendia o direito das crianças a uma sexualidade a partir de razões ideológicas e políticas”.
Dentro do Tageszeitung, explica Apin, as feministas eram, por exemplo, contrárias a que se desse espaço às opiniões de pedófilos no jornal. Para elas, estava claro que onde se manifestasse uma diferença de força, como entre adultos e crianças, o abuso era possível. Essa postura, entretanto, foi interpretada como censura. Foi necessário passar o tempo para que se reconhecesse que tinham razão.
Para ler mais:
• Pedofilia. Desejo e perversão – Revista IH
• (Inst. Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O dia em que a Globo desnudou Serra e a oposição

GRACIAS FIDEL



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 ¿Qué otra cosa puedo hacer, Comandante, para celebrar tu 84 cumpleaños, que seguir firme, en la trinchera que tú me enseñaste a ocupar, contra viento y marea, sin creer -al igual que aquél asmático admirado- en enfermedades ni dolencias, haciendo mucho con lo poco, creciendonos en las adversidades??
Más que decirte ¡Felicidades, Comandante! quiero regalarte aquella frase que fue casi una oración en mi infancia:
¡¡GRACIAS, FIDEL!!
La Polilla Cubana

FIDEL ES EVITERNO
Tomo conocimiento de un nuevo cumpleaños del querido Comandante, cubano y ecuménico, Fidel Castro Ruz. Ya pasó los 80, pero esto es, en realidad, un dato irrelevante.
Lo que a mí me parece es que él es un ser eviterno. Es decir, sin comienzo ni fin. Como un elemento del orden universal, que se resiste a ser barrido, no obstante todos los esfuerzos que los sempiternos enemigos del  hombre, los tanatofílicos y tanatólatras de antaño y hogaño, despliegan.
Pero allí está Fidel, el del Moncada, el del Granma, el de la Sierra Maestra, el de Playa Girón, el de la Crisis de los misiles, el de todas y cada una de las vicisitudes que la Revolución que él, bajo la inspiración del preclaro José  Martí, encabezó en su (nuestra) Patria, Cuba, desde el 26 de Julio de 1953, con el Ataque al Cuartel Moncada..
Pero el tiempo no transcurre en vano, y lo perecedero de la ladera humana, tiene su natural desgaste. Y, en efecto, Fidel salió de una grave emergencia médica, y, cuando todos pensaron que había tirado la toalla, cuando los enemigos del hombre dijeron que el Hombre ya no era, de pronto, dando un rotundo mentís a la desinformación, al terrorismo mediático, como el Ave Fénix, emerge, reconstituido y con ese reclamo que solo un hombre de su valía puede encarnar.
Físicamente, al parecer no aparecía pero, dentro de nosotros, cotidianamente, se alojaban sus palabras en esa suerte de cadena de buena humanidad que eran –son y serán- sus artículos que, cotidianamente, servían, en la prensa cubana y universal, como un nuevo gonfalón, como un periscopio sui generis, en la renovada batalla de esta gran humanidad, que ha dicho ¡basta! y cuya marcha de gigante ya no se detendrá hasta conquistar su Segunda y Definitiva Independencia…aquella que ya asoma con las primeras luces del ALBA, en las piedras miliares de las patrias que siguen la égida del 26 de Julio, y que son, en definitiva, las palabras y acciones mayores, ahora presentes en la República Bolivariana, de nuestro Hugo Chávez; en la entrañable Nicaragua Sandinista de Daniel y el FSLN; en la altiplánica Bolivia del universal Evo Morales; en el Ecuador de Rafael Correa, irreverente frente al imperio; en Uruguay; en El Salvador; en la Patria del Che… en fin. ¡Esto no lo detiene nadie!. (Pero no hay que olvidar que el venero es el hombre que cumple años, el mejor Hijo del Apóstol, del Revolucionario, del Poeta, del inabarcable José Martí).
Fidel ha vuelto, en estos días, a vestir ese uniforme verde olivo –claro que sin los símbolos militares que, al fin y al cabo, no son sino eso: símbolos.
Pero el hombre ha vuelto a ocupar su lugar cimero de líder indiscutible del Hombre. Sigue escribiendo, sigue opinando, conmina a Obama para que no ceda al  chantaje que quiere hacerlo líder de la hecatombe atómica.
En fin, Fidel está más joven que nunca.
Porque juventud implica atender a las improbas tareas que exige la hora neurálgica en la que vivimos, y que se pueden resumir en las demandas del Comandante en Jefe, Fidel –así, porque él ya no necesita apellido- para que la especie  humana no sea barrida por el Holocausto nuclear, que asoma en las flotas y flotillas del imperio y sus cognados, en maniobras suicidas para amedrentar a la entrañable patria iraní, que lo único que reivindica es su derecho a la igualdad, frente a las numerosas aves de rapiña que bien premunidas de armas deletéreas, pretenden acorralarla.
Feliz cumpleaños, Fidel, poeta de ese Nuevo Mundo, cuya canción de gesta tú encarnas.
Winston Orrillo, Premio Nacional de Cultura del Perú
La Calera, Lima, agosto 13 de 2010
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logo-union-de-mujeres-argentinas.JPGUnión de Mujeres de la Argentina
Asociación Civil No. 479 Inspección. General de Justicia Organización No Gubernamental, Miembra de la Federación Democrática Internacional de Mujeres, Con Estatuto I ante el Consejo Económico Social de las Naciones Unidas. Con Estatuto B ante la UNESCO. Inscripta en el registro de la OIT. Con Estatuto Consultivo ante la UNICEF. Miembra Fundadora e Integrante de FEOMA Federación de Organizaciones de Mujeres de la Argentina.
  
 Buenos Aires, 12 de Agosto de 2010
ANTE LOS DESTACADOS 84 AÑOS DE FIDEL
El Compañero Fidel cumple 84 años.
Fidel, líder indiscutido de Cuba, América Latina, y de todos los pueblos que luchan por un mundo más justo, más humano y por la PAZ.
Las mujeres que integramos la U.M.A., Mujeres que venimos luchando por los derechos nuestros y de todos aquello ideales a los que el Comandante Fidel entregó su vida; no podemos menos que sentirnos profundamente felices. Lo estamos por que podemos comprobar que Fidel, transita sus 84 años con una buena saluda física e inmejorable capacidad intelectual.
Hace ya tiempo, que el Compañero Fidel Castro, ha dejado de se una de las personalidades más importante de America, para transformarse en uno de los referentes políticos- e ideológico más acabado que poseen las grande causas de la humanidad; en el mundo de hoy.
Honrar y festejar los 84 años de Fidel, es honrar y festejar, la dignidad; la altivez; el espíritu libertador y fraternal del pueblo cubano.
¡Pueblo capaz de crear tremendo líder!
¡Sin pueblos heroicos no hay líderes heroicos!
¡Sin líderes heroicos, no hay pueblos que refuercen su coherencia, su actitud de dignidad ante impostores, dictadores y guerreristas de toda laya!
El Pueblo de Cuba, hoy se siente orgulloso de Fidel, y él, orgulloso de su pueblo del cual es parte. Como ocurrió y ocurre con los grandes liderazgos, de la historia: La relación “Pueblo Cubano- Fidel /Fidel Pueblo Cubano”, es el ejemplo más claro del rol que juegan las personalidades en los procesos históricos objetivos, necesarios e inexorables.
¡El uno no puede existir sin el otro! ¡Son causa y efecto en permanente mutación!
Esto es lo que no entendieron, ni van a entender nunca, los dueños del poder y la injusticia, junto a esos y esas enanos/as políticos, periodistas venales y delincuentes de todo pelaje, que los rodea. Aquellos que desde el poder o desde sus tristes oficinas de mercenarios, han intentado en infinidad de oportunidades, “destituir” o “asesina a Fidel”.
La ceguera política y dogmatismo ideológico, les impide ver, que la unidad “Fidel-Pueblo Cubano” es indestructible. Excede el marco de las instituciones- incluso de aquellas- creadas por la propia revolución.
¡Para el pueblo Cubano, y para Latinoamérica toda, Fidel Castro va ha seguir siendo por siempre, su Comandante, con cargos institucionales o sin ellos!
La vida quiso que esa relación “pueblo-líder” hoy cumpla 84 años.- ¡Estamos seguras, que se van ha extender por muchos más!
Por ello, estos son días de felicidad para las viejas y nuevas luchadoras de la U.M.A.
¡Pase Usted, querido Comandante Fidel Castro, un muy feliz cumpleaños, junto a su familia; su pueblo y sus compañeros y compañeras de toda Latinoamérica!.
María Inés Brassesco
Pta. de U.M.A.
Vicepresidenta de FDIM

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MENSAJE DE LA BRIGADA MÉDICA CUBANA EN SURINAME POR EL CUMPLEAÑOS DEL COMANDANTE EN JEFE

¡FELIZ CUMPLEAÑOS COMANDANTE EN JEFE FIDEL CASTRO RUZ!

Ninguna sociedad puede funcionar bien sino cuenta con líderes competentes a todo nivel.  Afortunadamente los cubanos contamos con Fidel: líder de talla universal , que encabezó nuestra Revolución , una Revolución Socialista de los Humildes y para los Humildes; un hombre extraordinario que tiene una inconmensurable fe en sus ideales, una indestructible esperanza en realizarlos , y un  profundo amor hacia la Humanidad; un líder  que nos ha legado el sentimiento de humanismo y solidaridad que practicamos hoy todos los profesionales de la salud cubana,  y nuestra  vocación de servir  a la humanidad.

Ese liderazgo excepcional, único en el mundo; lo ha representado para  siempre  nuestro querido Comandante Fidel.
En vísperas del 84 Cumpleaños del  Comandante en Jefe Fidel, los colaboradores de la salud en Suriname, nos unimos a la alegría de todo nuestro pueblo y partido,  y le deseamos una  salud multiplicada y le expresamos nuestro compromiso con la Revolución y trataremos de hacer  realidad sus ideales  de solidaridad y cooperación con otros pueblos hermanos.

¡Feliz Cumpleaños Comandante!
Hasta la victoria Siempre.
Colaboradores cubanos de la salud en la República de Suriname.

 Embajada de Cuba en Suriname
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¡ADELANTE FIDEL!
voy-bien_camilo.JPG
 
EN OCASIÓN DE SU 84 CUMPLEAÑOS, LOS REVOLUCIONARIOS CUBANOS NO PODRIAMOS FELICITAR A FIDEL, AL VERLO RECUPERADO, LUCHANDO DE VERDEOLIVO CON LAS MISMAS ENERGIAS DE SIEMPRE POR LA PAZ Y LA JUSTICIA, POR UN MUNDO MEJOR, SI NO ES PARAFRASEANDO A CAMILO:
 
¡ADELANTE FIDEL, QUE CUBA Y EL MUNDO ESTAN CONTIGO!
 
¡MAS FACIL NOS SERA DEJAR DE RESPIRAR QUE DEJAR DE SER FIELES A TU CONFIANZA!
 
 
Brigada Médica Cubana en Honduras
Región Metropolitana
 
Tegucigalpa, 11 de Agosto de 2010
~~~~~~~~~~~~~~
Fidel


Para después y porque sí
juntó los elementos
la clave de la era
quemó naves 
                noes
                     nadas y jamases
                              y trepó al futuro.

Con pasos perdidos
viejas escaleras y otros materiales
levantó andamio
para clavar con filosa
                          palabrajusta
el canto en el viento.

Y el viento atizó
las estructuras del fuego
- (él lo sabía) -
descubrió territorios de luz
donde cantaron los grillos,
despertó el humo de los pueblos
los gallos
               las guitarras.

Le nació voz infinita
                             a los hombres.


      Gabriel Impaglione, en: "Parte de guerra y otras anotaciones"
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 Querido Fidel, pensando en su cumpleaños 84, me he atrevido a escribirle para decirle con todo mi corazón que usted con su proyecto que es mío me hadado la inspiración y ahora verlo pues me siento con mas deseo de llenar el mundo de azulejos.
Recuerdo yo con 12 años cuando lo vi encaramado en el tanque de guerra junto a los barbudos como Camilo y el Che. Desde aquí en Jaimanitas, mi trinchera de combate lo saludo vecino gigante y le deseo toda la salud del mundo para que siga iluminando como un sol y como un gallo cantar las verdades que solo un hombre de mucho corazón puede hacer.
mucho_corazon_fuster-jaimanitas.jpg

Esta pequeña cerámica quiero que la reciba en nombre de sus vecinos de Jaimanitas estará de muestra en la expo de los artistas cubanos que ahora gozamos de lo lindo viéndolo a usted venciendo la fatiga de la muerte y en su lucha por la vida, respondo también sus interrogantes
No podremos detener a Israel pero si vamos a abrirle los ojos a Obama, sabiendo que los persas no son comida fácil , y el imperio tiene mucho que perder y en esta contienda se va…
Todo mi amor
José  Fuster 
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Lic. Rosa Cristina Báez Valdés "La Polilla Cubana"

Muchas razones a defender (+ Video)

A sua luta incansável pelo socialismo em seu país, foi estimulo e referência para inúmeras nações e povos que ao redor do Planeta lutam pela dignidade e independência das pessoas e que têm a convicção de que a vitória de Cuba é a vitória daqueles que aspiram à existência de um mundo mais justo e fraterno.  Parabéns Fidel pelos 84 anos de vida bem vividos e sempre revolucionários. Jacob David Blinder
 
 
Muchas razones a defender (+ Video)
13 Agosto 2010


Muchas razones a defender
Son, lo digo yo
muchas razones a defender
difícil es el camino pero yo sigo con él.

Han sido más de cincuenta
los años que hemos tenido
la suerte de haber vivido
sin ser objetos de venta.
Consecuencia que sustenta
el rumbo que hemos tomado
que fue el camino trazado
desde el Moncada a La Sierra
sin dejar en pie de guerra
de estar sirviendo a tu lado.

Son, lo digo yo
muchas razones a defender
difícil es el camino pero yo sigo con él.

Han sido muchos los sueños
que trataron de quebrarte
pero tú has sabido alzarte
a golpe de fe y empeño.
Y a pesar de que el norteño
ha enfilado sus ballestas,
y hasta ha imaginado fiestas
preparando tu caída
hoy sin temor a la herida
vives con las botas puestas.

Son, lo digo yo
muchas razones a defender
difícil es el camino pero yo sigo con él.


Vídeo de la canción

http://www.youtube.com/watch?v=NPotfNoTEz4&feature=player_embedded 


Fidel Castro: Que es Revolucion


http://www.youtube.com/watch?v=ntLycmidqSk

Enviado por Jacob Blinder

Midia satanica - Eles ganham para isto. Acompanhem!

A nova 'onda' da mídia - da grande mídia - é satanizar os movimentos sociais,  usar terrorismo midiatico para manipular uma informação inventada, pregar contra Chavez, Dilma e aí vai...



SABEM POR QUE?


ELES GANHAM PARA ISTO
Vejam no exemplo abaixo:

Marqueteiro trabalha para Micheletti, Uribe e FHC e ganhou 290 mil dólares para fazer o GOLPE ser consumado


El Gobierno hondureño contrata a escritor de ficción por 290 mil dólares para apuntalar al Golpe

Tal agencia de relaciones públicas —con sede en Washington D.C, Chlopak, Leonard, Schecther y Asociados (CLSA)— tiene entre sus socios fundadores a Peter Schechter, quien también es un escritor de ficción. Su primer libro "Fronteras imposibles", está diseñado a la manera del argumento de un guión de película clasificación B de bajo presupuesto.
He aquí como el Washington Post lo describió en una reseña en 2006:

Los terroristas de Siria, enfrentándose al reto de contrabandear 30 libras de uranio a los Estados Unidos en un momento de máxima seguridad fronteriza, diseñan un diabólico esquema: Se lo pedirán a los capos de droga colombianos que introducen grandes cantidades de contrabando cada día. El autor, hábilmente, desarrolla la trama nuclear mientras los funcionarios de inteligencia de los Estados Unidos lentamente lo esclarecen. Mientras la historia se aproxima a un clímax, todo tipo de cuestiones apremiantes nos inundan: ¿Millones de estadounidenses morirán en una explosión nuclear? Si es así, ¿se arruinará definitivamente el romance entre elPresidente Stockman y la guapa e inteligente mujer de Bogotá
?
Esa ficción, basado en la lectura del Registro de Agentes Extranjeros de CLSA en el Departamento de Justicia, es para
promover la dictadura del presidente y usurpador Roberto Micheletti, como una democracia "a través de la utilización de los medios de comunicación, contactos responsables de las políticas y los eventos, y la difusión pública de información a los funcionarios del gobierno, medios de comunicación y grupos no-gubernamentales", todo ello con el objetivo de avanzar en "el nivel de comunicación, conciencia y atención sobre la situación política en Honduras."
 OS CLIENTES GOLPISTAS
Schechter, el jefe ilusionista de CLSA, sabe como vender la ficción política, ya lo ha hecho en el pasado. Como parte del trabajo de consultoría electoral ha trabajado para el ex presidente mexicano Ernesto Zedillo, para el presidente colombiano Álvaro Uribe y para el ex presidente brasileño Fernando Henrique Cardoso —este último es un contacto útil dado que el presidente electo democráticamente, Manuel Zelaya, está refugiado en la embajada brasileña de Tegucigalpa, Honduras.

DE OLHO NO GÁS E NO PETROLEO- De acuerdo a los documentos presentados al Departamento de Justicia, los otros socios que asisten a Schechter en las relaciones públicas de los golpistas, incluyen a Sharon Castillo y Juan Cortiñas-García.
* Castillo nombra entre sus anteriores clientes al ex presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada —que dimitió de su cargo a raíz de la “guerra del gas” de octubre de 2003, en la que las fuerzas de seguridad del gobierno asesinaron a unas 70 personas e hirieron a otras mil.
* Castillo, antigua productora y reportera de Univision, trabajó como directora de medios de comunicación especializados y portavoz de la campaña Bush-Cheney en 2004.
* Cortiñas-García, además de su nuevo trabajo para la Junta de Gobierno de Honduras, también está aportando su experiencia publirelacionista a un grupo de compañias estadounidenses y latinoamericanas que tienen participación en el gasoducto Camisea en Perú. Y parece que ese proyecto lo puede mantener ocupado.




Tem dúvidas? Repassem, o mínimo que podemos fazer é desmascarar os que querem nos saquear e nos manter escravos de um sistema imperialista corrupto.

mensaje en defensa de la paz,

Durante la sesión extraordinaria de la Asamblea Nacional del Poder Popular de Cuba (Parlamento), efectuada el 7 de agosto del actual año, el líder histórico de la Revolución Cubana, Fidel Castro Ruz, formuló un dramático mensaje en defensa de la paz, ante inminentes acontecimientos que tienden a provocar una guerra de incalculables proporciones. Debido a la importancia que esto reviste  Tiempo Latino lo pública integro léalo en www.tiemposlatino.com   

Enviado por Tito - 
jose olivo por e-mail

LOCARNO DA LEOPARDO A ALAIN TANNER


Rui Martins - do Festival de Locarno, Suíça

O Festival de Locarno reparou uma velha injustiça cometida pela sociedade suíça contra um de seus melhores cineastas – deu o Leopardo de Ouro a Alain Tanner, cujo primeiro longa-metragem tinha sido discretamente proibido na Suíça.

Um dos maiores cineastas suíços, Alain Tanner foi marginalizado e rejeitado durante algumas décadas dentro da Suíça por ser um homem politicamente de esquerda e por ter feito filmes que desagradavam o establishment suíço.

Essa rejeição teve sua recíproca por Alain Tanner, que obrigado a fazer alguns de seus filmes fora da Suíça, nunca escondeu sua aversão pela sociedade helvética. Só nos últimos anos, Tanner foi reconhecido pela sociedade suíça e o Festival de Cinema de Locarno acaba de lhe entregar um Leopardo de Ouro por sua obra. Mas é necessário se destacar que Locarno foi exceção na Suíça. Pois seu filme Charles mort ou vif tinha ganhado o Leopardo de Ouro em 1969.

Por uma coincidência da vida, conheci Alain Tanner há quase 40 anos, em Paris, logo no início de meu exílio. Passava pelo Quartier Latin, quando vi num dos seus pequenos cinemas, na rua de La Huchette, um simples aviso na porta – Cinema Suíço, hoje Charles mort ou vif, de Alain Tanner. Entrei a tempo de pegar o começo do filme.

Era agosto ou outubro de 1969, não me lembro exatamente, e Paris ainda vivia a atmosfera deixada pela revolta estudantil de 1968. O filme de Tanner tinha sido feito dentro do espírito contestador de maio-68 e mostrava a ruptura de um suíço com o sistema, internado a seguir numa clínica psiquiátrica por sua família inconformada. Charles mort ou vif foi a chave para eu entender a sociedade suíça, seu racismo latente que, em 1970, iria detonar o movimento A Suíça para os Suíço, do líder nacionalista de extrema-direita, anti-imigrantes, Schwarzenbach. Sua hipocrisia do segredo bancário, exploradora dos países pobres que seria contada em 76, no livro de Jean Ziegler, Uma Suíça Acima de qualquer Suspeita.

Terminado o filme, Alain Tanner, naquela época um jovem de 40 anos, explicou como tinha sido o movimento estudantil de 68 na Suíça e respondeu perguntas do curioso público ali reunido.

Ao contar a Alain Tanner essa minha experiência, neste festival de Locarno, ele revelou um fato que me era desconhecido. O filme Charles mort ou vif, considerado por mim uma autêntica obra-prima do cinema, tinha sido praticamente proibido de exibição na Suíça mesmo sem uma declaração oficial a respeito. Tanto que, para ser exibido, foi preciso seus produtores e ele próprio entrarem com um processo contra os distribuidores suíços que, reunidos em cartel, tinham bloqueado seu filme.

Para se ter uma idéia dessa rejeição, é como se o Pagador de Promessas, de Glauber Rocha, tivesse sido proibido de passar no Brasil na época da ditadura, coisa que os militares não ousaram fazer. Mas a Suíça tranquilamente fez e ousou com Tanner. E Charles mort ou vif só foi exibido discretamente na Suíça, nos anos 80. Era o troco dos banqueiros e donos do poder suíço ao Tanner marxista, que se suspeitava pertencer ao partido comunista em plena guerra-fria.

INCESTO E RETORNO AO CRIACIONISMO EM LOCARNO


Clonagem e incesto apimentam o filme Womb, no festival de Locarno, mexendo em genética e provocando controvérsia.

Para os fundamentalistas religiosos, ardorosos defensores da teoria criacionista do casal Adão e Eva, para explicar o surgimento da espécie humana, desde os evangélicos ortodoxos aos judeus talmúdicos e árabes islamitas, a pergunta mais difícil de responder é com quem se casavam, para não se dizer transavam, os filhos do legendário casal?

Ora, supondo-se terem sido Adão e Eva o pai e mãe da humanidade, também fazem parte do criacionismo dois tabus atuais para as religiões – o clonagem e o incesto. Mesmo se Eva não é uma cópia de Adão, teria havido clonagem, pois a Bíblia fala que depois de ter criado Adão com o barro, Deus teria criado a mulher de uma costela de Adão.

E o fato dos filhos e filhas se casarem entre si, sem se omitir a possibilidade de Adão ter filhas ou netas amantes assim como Eva teria filhos e netos amantes, mostra que no princípio do mundo bíblico, o incesto era coisa comum, sem se esquecer das filhas de Lot que, após a destruição de Sodoma e Gomorra e a transformação da esposa de Lot em estátua de sal, tiveram de « dormir » com o pai para assegurarem descendência.

O cineasta húngaro Benedek Fliegauf dirigiu a coprodução germano-húngaro-francesa Womb, um estranho filme rodado na Frísia, na Alemanha do norte, próxima da Dinamarca, onde vive uma mãe isolada do mundo com seu filho. A história é uma ruptura dos tabus do clonagem e do incesto, com belas imagens mesmo se a economia de diálogos cria insatisfação.

É uma história de amor entre duas crianças, Rebecca e Thommy, interrompida pela mudança dos pais de Rebecca para o Japão. Cerca de doze anos depois, Rebecca vai ao encontro de Thommy, mas ele morre logo depois num acidente, quando ambos tinham transformado o amor infantil em adulto e se preparavam para o futuro.

Inconformada com a perda, Rebecca consegue se engravidar de seu namorado por clonagem e para evitar preconceitos se isola num litoral deserto, onde vive quase exclusivamente para seu filho, que cresce igual ao seu namorado do passado.

E, ao chegar aos vinte anos, o inesperado ou esperado acontece – Rebecca se apaixona pelo filho e, talvez movido por uma memória genética, Thommy 2 também se sente atraído pela mãe como se fora a namorada do passado. E transam. Porém, ele um jovem de 20 anos, diante do risco de se tornar amante da mãe de mais de 40 anos, decide partir. Sentada diante da praia e acariciando seu ventre de grávida, Rebecca está grávida do próprio filho.

O tema do filho que dorme com a mãe tinha também sido usado num de seus filmes pelo cineasta francês Louis Malle. E já foi tema de tragédia grega.

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Rui Martins é ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com o Correio do Brasil e com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Bellzinha

Reverei Bellzinha hoje! q bom!

Especule!

Qual a cor dos nossos sonhos?

Petróleo

É o petróleo, estúpido!
Um dos principais motivos pelos quais o Iraque ainda continua a ser visto como Zona de Guerra pode ser encontrados nas dezenas de contratos de longo prazo para exploração dos campos de petróleo por empresas estrangeiras (cerca de 60% das reservas). Tudo isso reforça a necessidade de maior segurança em um país que ainda está lutando para formar um governo após as disputadas eleições de março. Incapaz de impor uma solução militar e, muito menos, transformar o país em um modelo dos valores ocidentais a ser difundido para região, como se previa no início da guerra, os EUA tentam evitar uma retirada humilhante ao estilo Vietnã. O artigo é de Reginaldo Nasser.
Reginaldo Nasser (*)
No dia 02/08/2010, exatamente 20 anos após a invasão iraquiana do Kuwait, que motivou a 1ª guerra no Golfo em 1991 e o início do envolvimento direto dos EUA no Oriente Médio, o presidente Barack Obama anunciou que, tal como já estava planejado desde sua campanha eleitoral, os EUA deverão decretar o final das operações de combate no Iraque até 31 de agosto de 2010. Mas é difícil acreditar que o envolvimento militar dos EUA no Iraque vai acabar. A previsão é que haverá uma redução do número de soldados americanos de 90 para 50 mil "não-combatentes" até 2011. Mas o que significa exatamente não-combatentes?

Trata-se muito mais de uma distinção política do que militar. Essas tropas deverão orientar operações de luta contra o terrorismo, proteger os civis, treinar, assessorar e supervisionar Forças de Segurança iraquianas ainda extremamente dependentes dos EUA. É também um exercício de semântica, pois o que atualmente é denominado operações de combate será chamado de "operações de estabilidade." Aliás, não se pode perder de vista o fato de que o número de empresas de segurança tem aumento nos últimos anos (ver A privatização da segurança e a democracia nos EUA Data:25/07/2010).

Aliás, alguns trechos do discurso de Obama deixam clara essa posição alertando para o fato de que redução de tropas “não significa uma redução do compromisso dos EUA com o Iraque”, mas sim uma mudança na natureza do compromisso.

O ex-oficial do Exército EUA e agora professor de relações internacionais da Boston University, Bacevich, observa que Obama esta sendo dominado por aquilo que denominou "consenso de Washington", uma associação entre a segurança nacional e ação internacional por meio de uma política de guerra permanente ao redor do mundo. Uma característica-chave dessa guerra travada em todos os domínios (militar, intelectual, política e cultural) é que fiascos da política externa não podem ser permitidos pois provocam questionamentos sobre o sentido da política EUA. os líderes do establishment de segurança nacional trabalham com afinco, fazendo-nos acreditar que quaisquer eventuais erros nas guerras devem ser reconhecidos como erros de execução, e nada mais. Não se pode permitir que ocorram outras “síndromes do Vietnã” que inibiriam o apoio da opinião pública norte-americana para novas eventuais guerras. (Irã, por exemplo).

Provavelmente, um dos principais motivos pelos quais o Iraque ainda continua a ser visto como Zona de Guerra pode ser encontrados nas dezenas de contratos de longo prazo para exploração dos campos de petróleo por empresas estrangeiras (cerca de 60% das reservas). Tudo isso reforça a necessidade de maior segurança em um país que ainda está lutando para formar um governo após as disputadas eleições de março.
Incapaz de impor uma solução militar, e muito menos transformar o país em um modelo dos valores ocidentais a ser difundido para região, como se previa no início da guerra, os EUA tentam evitar uma retirada humilhante ao estilo Vietnã. Para isso nada mais conveniente do que criar uma nova forma de regime de protetorado para manter seu domínio sobre o país e a região.

Ensaia-se um novo tipo de ocupação econômica após essa “retirada”. No início deste ano, o FMI aprovou um empréstimo de US$ 3,6 bilhões para o Iraque, vinculado a um conjunto rigoroso de condições, incluindo uma ampla campanha de privatização e uma redução significativa nos gastos públicos.
Walter Mead, um intelectual conservador, fez uma observação extremamente pertinente sobre o poder econômico qualificando-o como um sticky power (poder pegajoso), que não se baseia nem na coação militar (hard power), nem na identificação de valores (soft power); mas num conjunto de instituições e práticas econômicas que têm a capacidade de atrair outros Estados para a órbita de influência norte-americana. Esse poder está fundamentado sobre dois pilares, sistema monetário internacional e livre comércio, que propicia aos países construir instituições que dão confiança aos investidores estrangeiros, em concorrência com as propostas de investimentos estatal para o desenvolvimento de suas economias.

Um outro intelectual conservador norte-americano, Niall Ferguson, escreveu um artigo em 2008, respaldando uma análise de John McCain: se os EUA se retirarem do Iraque, o Oriente Médio vai explodir após algum tempo e o barril de petróleo poderá atingir cifras astronômicas. E aí o que fazemos?
Após a invasão em 2003 esperava-se uma rápida recuperação da produção de petróleo no Iraque, mas levou seis anos para voltar aos níveis de 2001 (2,5 milhões de barris por dia). Os contratos de perfuração revelam o começo de um longo esforço por parte das maiores empresas de petróleo do mundo para transformar o Iraque no maior rival da Arábia Saudita. Há estimativas de que mais de US$ 50 bilhões serão necessários para reparar e ampliar a infra-estrutura do petróleo.

Uma recente análise realizada por consultorias na área de energia diz que o plano para aumentar a produção é "extremamente ambicioso" e previu um aumento de pouco menos de 2 milhões de barris de petróleo por dia até 2015, o suficiente para produzir um impacto enorme no mercado mundial de petróleo. O Iraque tem estado ausente da OPEP durante 30 anos devido às guerras e sanções e não se sabe qual será a definição do novo governo que vai se formar. Ao mesmo tempo, os novos “nacionalistas” iraquianos, em ascensão, embora entendam que é necessário nesse momento um forte investimento estrangeiro, estão cada vez mais receosos de que essa forte presença estrangeira impeça o desenvolvimento dos programas sociais e outros setores cruciais da economia. Novas lutas estão por vir.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP
(Carta Maior)