23/7/2010
Boquirroto
de ocasião
Editorial
Ao abordar temas candentes da atualidade – que mobilizam corações e mentes aqui e além de nossas fronteiras –, o governador Paulo Hartung mostra ter uma visão distorcida dos fatos.
Atualmente em campanha para sair consagrado do governo, assim buscando neutralizar as críticas da futura oposição que vem por aí soltando labaredas, ele destravou a língua e, depois de anos de recolhimento e conluios de bastidores, passou a ocupar generosos espaços na mídia corporativa com sua retórica vazia.
Repentinamente, ele virou um boquirroto. Mas um boquirroto que só fala quando isto lhe é conveniente, como agora.
Transparência, ética, moralidade e, evidentemente, crime organizado – tecla obrigatória de suas falações em momentos políticos que o forçam a sair das sombras – têm sido temas de sua preferência.
De ética e moralidade, porém, falta-lhe autoridade para falar, por motivos impeditivos óbvios. Como, por exemplo, o de permanecer intimamente ligado a um homem que enriqueceu à sombra do poder que ele detém há quase oito anos no Estado.
Estamos nos referindo a Lelo Coimbra, seu ex-secretário de Educação. Lelo reúne hoje um patrimônio em imóveis de muitos milhões de reais, em grande parte construído no período em que foi secretário de Educação. Ao entrar para o governo, era remediado. Saiu rico, Como explicar isso?
E onde está a moralidade em um governo que, por meio de créditos tributários baseados na Lei Kandir, encheu de dinheiro os cofres de grandes grupos empresariais, muitos deles sujos na praça, como a turma do Palácio do Café flagrada com a boca na botija das milionárias fraudes fiscais investigadas pela Polícia Federal?
Agora o governador vem a público com a intenção de dar sentido diferente a uma expressão que lhe pespegou, tempos atrás, o confesso herdeiro de seu DNA, Luiz Paulo Vellozo Lucas: a tal unanimidade bonapartista.
Unanimidade, em regimes democráticos, é – e sempre será – sinônimo de cooptação, de dominação das instituições pelo poder do dinheiro e da máquina pública.
Aí estão, de rabo preso com ele, o Judiciário, o Ministério Público, o Poder Legislativo, a mídia corporativa – todos cooptados pelo dinheiro dos contribuintes.
Jamais, em tempo algum, se viu tanto dinheiro público utilizado para engordar orçamentos de instituições sem necessidade conhecida de lacunas que o justificassem.
Para que encher de dinheiro o Judiciário e o Ministério Público, senão para que se promovessem orgias de gastos e regalias em favor de seus membros? De onde saíram os recursos que originaram os milionários patrimônios imobiliários de juízes, desembargadores e dirigentes do MPES que daqui denunciamos com provas documentais irrefutáveis?
O governador tem contas a ajustar com a História. Diga o que disser, será sempre o governador das masmorras, da insegurança pública, da educação mal colocada em rankings nacionais de qualidade e da precariedade na saúde pública.
Seus dois governos carregam a marca de um sistema de poder montado sobre um alicerce podre em sua essência – o alicerce do autoritarismo, da perseguição mesquinha a adversários, do protecionismo e do compadrismo políticos. Do controle, enfim, das nossas instituições Que ele reduziu a inexpressivos conglomerados de homens submissos aos seus desígnios.
Atualmente em campanha para sair consagrado do governo, assim buscando neutralizar as críticas da futura oposição que vem por aí soltando labaredas, ele destravou a língua e, depois de anos de recolhimento e conluios de bastidores, passou a ocupar generosos espaços na mídia corporativa com sua retórica vazia.
Repentinamente, ele virou um boquirroto. Mas um boquirroto que só fala quando isto lhe é conveniente, como agora.
Transparência, ética, moralidade e, evidentemente, crime organizado – tecla obrigatória de suas falações em momentos políticos que o forçam a sair das sombras – têm sido temas de sua preferência.
De ética e moralidade, porém, falta-lhe autoridade para falar, por motivos impeditivos óbvios. Como, por exemplo, o de permanecer intimamente ligado a um homem que enriqueceu à sombra do poder que ele detém há quase oito anos no Estado.
Estamos nos referindo a Lelo Coimbra, seu ex-secretário de Educação. Lelo reúne hoje um patrimônio em imóveis de muitos milhões de reais, em grande parte construído no período em que foi secretário de Educação. Ao entrar para o governo, era remediado. Saiu rico, Como explicar isso?
E onde está a moralidade em um governo que, por meio de créditos tributários baseados na Lei Kandir, encheu de dinheiro os cofres de grandes grupos empresariais, muitos deles sujos na praça, como a turma do Palácio do Café flagrada com a boca na botija das milionárias fraudes fiscais investigadas pela Polícia Federal?
Agora o governador vem a público com a intenção de dar sentido diferente a uma expressão que lhe pespegou, tempos atrás, o confesso herdeiro de seu DNA, Luiz Paulo Vellozo Lucas: a tal unanimidade bonapartista.
Unanimidade, em regimes democráticos, é – e sempre será – sinônimo de cooptação, de dominação das instituições pelo poder do dinheiro e da máquina pública.
Aí estão, de rabo preso com ele, o Judiciário, o Ministério Público, o Poder Legislativo, a mídia corporativa – todos cooptados pelo dinheiro dos contribuintes.
Jamais, em tempo algum, se viu tanto dinheiro público utilizado para engordar orçamentos de instituições sem necessidade conhecida de lacunas que o justificassem.
Para que encher de dinheiro o Judiciário e o Ministério Público, senão para que se promovessem orgias de gastos e regalias em favor de seus membros? De onde saíram os recursos que originaram os milionários patrimônios imobiliários de juízes, desembargadores e dirigentes do MPES que daqui denunciamos com provas documentais irrefutáveis?
O governador tem contas a ajustar com a História. Diga o que disser, será sempre o governador das masmorras, da insegurança pública, da educação mal colocada em rankings nacionais de qualidade e da precariedade na saúde pública.
Seus dois governos carregam a marca de um sistema de poder montado sobre um alicerce podre em sua essência – o alicerce do autoritarismo, da perseguição mesquinha a adversários, do protecionismo e do compadrismo políticos. Do controle, enfim, das nossas instituições Que ele reduziu a inexpressivos conglomerados de homens submissos aos seus desígnios.
NOTA Nanda Tardin:
Se alguem conseguir explicar fica aqui minha pergunta:
Onde está a ideologia dos companheiros parceiros do governador?


