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sábado, 17 de julho de 2010

Gravidade II

''A lei da gravidade precisa de modificações, mas ainda funciona''


Quase 90 anos. Uma vida inteira como cientista e divulgador. Um cálculo matemático que leva o seu nome. Tullio Regge (foto) acolhe com respeito e desencanto as afirmações de Erik Verlinde: "No fim, usamos a força da gravidade em todos os atos que fazemos". E convida a considerar que a ciência é "um caminho sem fim: não há uma descrição definitiva do cosmos".

A reportagem é de Carmine Saviano, publicada no jornal La Repubblica, 15-07-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Então, professor Regge, a gravidade existe ou não?

Todos usamos a gravidade. Ela nos é útil para realizar qualquer ação. Os homens, quando caminham, devem procurar não cair. E a Lua usa a força da gravidade para rodar ao redor da Terra. Certamente, a lei de Newton sobre a atração da gravidade é como todas as leis da física: não é completamente exata. Mas é uma aproximação ótima para nós, humanos.

Uma lei física não completamente exata?

Certamente: não existe teoria final para nenhum fenômeno físico. A lei de Newton só vale para determinadas intensidades da força da gravidade. Para intensidades maiores, devemos usar a teoria da relatividade geral de Einstein. Enfim, estou de acordo em dizer que a teoria da gravidade precisa de modificações e de melhorias. Mas não entendo o pessimismo inerente à declaração de Verlinde.

O trabalho dos físicos, portanto, não se detém.

O caminho diante de nós é infinito. Nunca conseguiremos elaborar uma teoria cosmológica definitiva. Sigamos adiante por inclusões. Devemos buscar uma teoria que contenha as precedentes. Com efeito, neste momento, estamos um pouco parados. Mas nada exclui que, dentro de um século, chegue um novo Einstein e formule uma teoria maior, capaz de conter todas as outras. Uma busca contínua. Sem fim.
Para ler mais:
• Cientista holandês confronta Newton e diz que a gravidade não existe
• Newton, Einstein e Deus
• Cientista ataca Big Bang e visão ''estreita'' dos físicos
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(Inst. Humanitas Unisinos)

Pensamentando...

A luta entre ricos e pobres em torno da propriedade intelectual

Por Hideyo Saito
Fonte
Agência Carta Maior, em 01/7/2010
A “Agenda de Desenvolvimento” foi adotada em 2007 pela Assembléia-Geral da OMPI, atendendo proposta apresentada três anos antes por Brasil e Argentina, com apoio dos países subdesenvolvidos e oposição liderada pelos Estados Unidos. Ela parte do pressuposto de que, apesar dos progressos científicos e tecnológicos do último século, há um crescente abismo entre os países ricos e os pobres nesses campos. Por isso, defende a alteração da atual política de proteção da propriedade intelectual, para que possibilite a transferência e a disseminação de tecnologias em favor dos últimos. São ao todo 45 recomendações sobre assistência técnica e capacitação, políticas públicas e domínio público, transferência de tecnologia, acesso ao conhecimento, questões institucionais e outras (1).
A proposta brasileiro-argentina favorece o acesso a novas tecnologias pelos países subdesenvolvidos, que tem sido cada vez mais dificultado pela ação dos cartéis e pela imposição de patentes por longo período de tempo. Denuncia as regras vigentes e seu impacto sobre os preços de bens essenciais como medicamentos, softwares educativos e livros. Trata ainda de bloquear a apropriação de conhecimento tradicional e de recursos genéticos por parte das potências. Por outro lado, um dos aspectos da proposta que suscita maior oposição dos países dominantes é a preservação do domínio público, fundamental como fonte de informação geradora de inovação e criatividade.
A arte estadunidense de impor seus interesses ao mundo
A reação a esse avanço das pretensões do terceiro mundo ganhou corpo nas reuniões sobre o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (Acta), um acordo comercial antipirataria que está sendo negociado desde novembro de 2009 por Estados Unidos, União Europeia, Japão, Austrália, Canadá, Suíça, Coreia do Sul e México. Para evitar o surgimento de oposições, seus promotores aceleraram o cronograma, com o objetivo de assinar o acordo até o final deste ano. A iniciativa é tão acintosamente contrária à comunidade das nações, que até o Parlamento Europeu se manifestou, em março de 2010, contra o seu caráter sigiloso. Só então surgiram algumas informações extraoficiais sobre o andamento das discussões (2).
Além de sigilosas, as tratativas acontecem à revelia da OMC e da própria OMPI, órgãos que passaram a não interessar aos EUA e a seus aliados desde que os países subdesenvolvidos começaram a levantar a voz nesses fóruns para defender seus interesses (3). Os Estados Unidos, portanto, confirmam sua tradicional política imperialista de ignorar a opinião da maioria das nações, para impor seus interesses à força, se necessário.
Pelo esboço do acordo que veio a público, ele autoriza os países signatários a confiscar mercadorias em trânsito pelos seus territórios, inclusive medicamentos genéricos (que não podem ser confundidos com pirataria) ou qualquer outro produto. Nesse sentido, o Acta dará um verniz de legalidade internacional aos seguidos casos de apreensão, em portos europeus, de genéricos em trânsito da Índia para o Brasil e para outros destinos. Outra de suas cláusulas pretende responsabilizar provedores de internet pela vigilância e comunicação sobre os acessos à rede por parte de seus usuários, violando o direito à privacidade. O internauta “infrator” poderá ser até excluído da rede, assim como o provedor.
Os protestos contra esse arranjo não se fizeram esperar. Criadores, consumidores, provedores de internet e defensores de direitos digitais da Europa lançaram, em maio último, um manifesto protestando contra o tratamento que está sendo dado ao tema. Eles defendem uma política mais flexível, que estimule a criatividade, com a abertura de exceções ao copyright, para possibilitar reutilizações legítimas e inovações imaginadas a partir de criações existentes. Em 14 de junho, em Washington, mais de 90 especialistas dos quatro cantos do mundo também se reuniram para denunciar o Acta. Para eles, esse acordo inviabiliza as políticas de acesso a medicamentos e a bens culturais com fins educacionais, fundamentais para qualquer país em desenvolvimento, além de conter diversos outros aspectos contrários ao interesse público, como, por exemplo, os que dizem respeito aos direitos dos usuários e dos provedores de internet (4).
“Haverá muita pressão sobre Brasil e aliados”
Os EUA e seus aliados argumentam, por seu lado, que a OMC e a OMPI não têm sido capazes de controlar a produção e a distribuição de produtos falsificados, que estão em crescimento. Eles também acusam Brasil, Índia, Rússia e China de serem tolerantes com a pirataria. A repressão a esse fenômeno exigiria normas mais rigorosas, que incluam sanções civis e criminais contra os infratores (5). O Acta, na realidade, visa atingir diretamente os países citados, cujas ações contrariam cada vez mais os interesses das potências dominantes. Ele deverá ser usado para pressionar os países pobres a aderirem a seus termos, que serão um dos pilares dos famigerados acordos de livre comércio com os EUA. "Haverá muita pressão, especialmente sobre Brasil, Índia, China, Rússia e, em escala menor, África do Sul", declarou à Folha de S. Paulo o coordenador do Programa de Justiça da Informação e Propriedade Intelectual da Escola de Direito de Washington, da American University, Sean Flynn. Por sua vez, o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo, observa que a iniciativa passa por cima de acordos internacionais anteriores sobre propriedade intelectual, como o Trips, assinado em 1994 (6).
Os EUA, segundo o especialista em propriedade intelectual e professor da FGV-Rio, Pedro Paranaguá, tentam obter um acordo desse tipo desde 2004. Mesmo acreditando que dificilmente o governo brasileiro irá aderir a um tratado como esse, ele teme que o Acta possa, por pressão do lobby privado, influenciar negativamente a revisão da lei do direito autoral no Brasil, ora em discussão (7). Um dos objetivos do governo brasileiro é flexibilizar a atual legislação, para introduzir um equilíbrio maior entre a proteção do direito de autor e o interesse público de acesso à cultura, em sentido frontalmente oposto ao do pretendido pelo Acta. O Brasil, explica Paranaguá, está na contramão das potências dominantes também quanto ao seu projeto de lei que institui um marco civil para a internet no Brasil (a cargo do Ministério da Justiça). Ele observa que há outras iniciativas brasileiras extremamente positivas nessa área, como o programa de acesso universal a medicamentos para pacientes com HIV, tido como modelo no mundo (8).
Confiscos de mercadorias do terceiro mundo na Europa
O contencioso envolvendo as seguidas apreensões, em portos europeus, de medicamentos genéricos indianos (legais) destinados ao Brasil promete esquentar. Após o Itamaraty enviar, em março último, uma missão a Bruxelas para questionar as medidas de força, sem obter resultados, o país decidiu entrar, em conjunto com a Índia, com consulta no Mecanismo de Solução de Controvérsias, da Organização Mundial do Comércio (OMC), denunciando o comportamento da União Europeia no caso. Em dezembro de 2009, um carregamento de 500 quilos do genérico Losartan foi retido em Roterdã, na Holanda. A carga havia saído da Índia, onde foi fabricada, e se direcionava ao Brasil. A Merck Sharp & Dohme tem a patente do produto na Holanda, mas não no Brasil, nem na Índia. Mesmo assim, foi confiscada com base no Regulamento 1.383/2003 da UE, que estipula uma regra contrária à dos acordos internacionais sobre o tema (9). Segundo o Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (Rebrip), entre 2008 e 2009, pelo menos 15 carregamentos de medicamentos genéricos destinados a países da América Latina tiveram o mesmo destino. A contenda acontece em um momento em que diversos remédios produzidos por grandes laboratórios, que representam vendas anuais de US$ 30 bilhões, estão prestes a perder suas patentes e passarão a ser substituídos por genéricos (10).
O Brasil, com o respaldo de países subdesenvolvidos e de organizações humanitárias como a Oxfam e os Médicos Sem Fronteira, irá questionar o comportamento da União Europeia também na Organização Mundial da Saúde. Neste âmbito, procurará diferenciar os conceitos de mercadoria contrafeita (isto é, que violam direitos de marca) dos produtos genéricos, que não infringem nenhuma lei. Os europeus aproveitam a confusão entre os termos para confiscar medicamentos como o Losartan. “Grandes empresas farmacêuticas atuam em várias frentes para tentar barrar o trânsito e o acesso a genéricos. O assunto está presente na OMC, na OMS e em acordos bilaterais”, afirma Gabriela Chaves, da ONG Médicos Sem Fronteiras (11). A já citada Rebrip acionou o Tribunal Permanente dos Povos (TPP), composto por juristas de diferentes países, denunciando os confiscos encorajados pela EU como violação de direitos à saúde e à vida das populações de países atingidos.
Nos Estados Unidos há outro ativo lobby contra a atuação do Brasil na área da propriedade intelectual. Fortes grupos econômicos estadunidenses, sobretudo do setor farmacêutico, pressionam o governo dos EUA a rebaixar a classificação brasileira na lista de violadores de patentes. Trata-se de uma contraofensiva à intenção de Brasília de quebrar patentes como retaliação na questão dos subsídios ao algodão, que Washington não quer abandonar, apesar da condenação da OMC (12). A lista de classificação não tem qualquer reconhecimento internacional, mas serve como mais um instrumento de pressão dos EUA para submeter os países pobres. Ela relaciona os países segundo sua atitude em relação à propriedade intelectual, como patentes, direitos de autor e outros. O Brasil é visado também porque editou uma Medida Provisória que prevê a suspensão desses direitos sempre que julgado necessário a seus interesses.
Processo de usurpação do direito público em favor dos cartéis
A luta em torno da propriedade intelectual, como esclarece o jornalista Aldo Pereira, reúne criadores, empresas (gravadoras, editoras, programadoras) e a sociedade, que é titular do direito ao conhecimento e à arte. Uma vez que, segundo ele, não há criação absolutamente original, mas apenas novas obras da tradição cultural em que o autor se forma, o respectivo direito deveria se caracterizar apenas como licença de usufruto econômico exclusivo durante certo período. Se seu titular for pessoa física, a licença poderia vigorar durante seu tempo de vida, mas sem ser hereditária (13). Pereira considera que há, ao contrário, um processo de usurpação do direito público em favor de interesses corporativos. "Isto é, acumulação de privilégios desfrutados por cartéis e outros grupos que em geral os têm obtido pelo suborno sistemático de legisladores e burocratas", nas suas palavras.
Para comprovar isso, o jornalista mostra que, no período imperial, a obra literária caía em domínio público dez anos após sua publicação; na República, o privilégio foi dilatado para até 50 anos após a morte do autor, prazo que já chegou a 70 anos. Em síntese, há progressiva ampliação do direito privado e corporativo de exploração econômica dessas obras, em detrimento do domínio público. “O abuso é mais nítido na exploração autoral póstuma. Em 1998, o Congresso dos EUA estendeu a proteção póstuma a 95 anos para as criações de Walt Disney: no caso de Mickey, até 2061”.
*Hideyo Saito é jornalista.

Notas
(1) Fleur Claessens. A Agenda de Desenvolvimento da OMPI avança. Puentes entre el Comercio y el Desarrollo Sostenible, v.VIII, n. 1, Marzo. 2007, p.13; Joana Varon. Conquistas da 5ª Reunião do Comitê sobre Desenvolvimento e Propriedade Intelectual da OMPI, 07/05/2010. http://a2kbrasil.org.br/Conquistas-da-5-Reuniao-do-Comite.
(2) Pedro Paranaguá. O que tem o ACTA a ver com a internet? E com o Brasil? A Rede, 16/11/2009. http://www.arede.inf.br/inclusao/component/content/article/106-acontece/....
(3) Outros órgãos das Nações Unidas igualmente interessadas na questão são a Comissão de Direitos Humanos e a Organização Mundial da Saúde (OMS), para acesso a medicamentos, e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Luciana Coelho e Andrea Murta. Brasil é alvo de ricos em pacto antipirataria. Folha de S. Paulo, 06/05/2010.
(4) O documento pode ser lido em http://www.wcl.american.edu/pijip/go/acta-communique.
(5) Ronaldo Lemos e Pedro Mizukami. Tratado quer tirar poder das Nações Unidas. Folha de S. Paulo, 06/05/2010.
(6) Luciana Coelho e Andrea Murta. Brasil é alvo de ricos em pacto antipirataria. Folha de S. Paulo, 06/05/2010.
(7) Desde meados de junho último, o Ministério da Cultura abriu, para consulta pública, o texto básico do novo projeto de lei sobre direitos autorais.
(8) Pedro Paranaguá. O que tem o ACTA a ver com a internet? E com o Brasil? A Rede, 16/11/2009. http://www.arede.inf.br/inclusao/component/content/article/106-acontece/....
(9) Jamil Chade e Lígia Formenti. País abre disputa com UE por genérico. O Estado de S. Paulo, 13/05/2010.
(10) Brasil e Índia preparam denúncia contra UE por genéricos confiscados. Valor Econômico, 07/04/2010.
(11) Jamil Chade e Lígia Formenti. País abre disputa com UE por genérico. O Estado de S. Paulo, 13/05/2010.
(12) Raquel Landim e Patrícia Campos Mello. Lobbies tentam rebaixar Brasil em lista de propriedade intelectual. O Estado de S. Paulo, 20/02/2010.
(13) Aldo Pereira. Piratas e conquistadores. Folha de S. Paulo, 22/04/2010.
(Fund. Perseu Abramo)

Pesquisa eleitoral também é cultura: Datafolha revela que as mulheres são mais prudentes que os homens


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Miguel do Rosário no Óleo do Diabo

A intenção do voto masculino, conforme eu já tive a oportunidade de provar cientificamente por aqui, antecipa o voto total, porque as mulheres demoram mais tempo para definirem a sua opção política. Quando o fazem, porém, a tendência é seguir o voto masculino. Não porque elas "obedeçam" aos homens. Longe disso. O voto feminino segue o masculino porque não há diferença substancial entre os sexos em termos de voto. Isso é provado. Os resultados eleitorais sempre mostram percentuais praticamente empatados entre os gêneros. A diferença nas intenções de voto, portanto, decorrem de menor grau de informação entre as mulheres.

Por exemplo, segundo o Datafolha divulgado hoje, 75% dos eleitores sabem que Dilma é a candidata apoiada por Lula; 18% não o sabem. 18% corresponde a mais de 20 milhões de eleitores. Sendo que a grande maioria pertence a classes sociais de baixa renda, onde Lula detêm uma aprovação superior a 90%.

Separando por gênero, veremos que o percentual de mulheres que não sabem que Dilma é a candidata apoiada por Lula é muito maior. Já verificamos isso em outras pesquisas. Assim que o Datafolha liberar o relatório completo, mostraremos esses dados com destaque. Mas por enquanto pode-se provar isso com os números da sondagemDatafolha do dia 24 de maio (atualização: já divulgaram):

P.7 Pelo o que você sabe, qual destes candidatos o presidente Lula está apoiando ?
(Resposta estimulada e única, em %)

Viram? 25% das mulheres não sabem quem é o candidato apoiado por Lula (contra 15% dos homens). E apenas 65% de nossas queridas companheiras sabem que é Dilma (contra 77% dos homens). [A verdade é que, de acordo com o quadro ao lado, 35% das mulheres e 23% dos homens não sabiam, no momento da pesquisa, que Dilma é a candidata apoiada pelo presidente Lula, ou seja, cerca de 29% do eleitorado brasileiro ainda não sabiam quem é o(a) candidato(a) de Lula]

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Opinião Assaz Atroz: Para não ferir a Legislação Eleitoral, oposicionistas apenas cochicham o nome de Serra ao pé do ouvido das mulheres

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Mais Miguel do Rosário

Procuradora se baseia em mídia para perseguir Lula e Dilma
sab, 17/07/2010

IV Avatar do Rio Meia Pon...Esta procuradora vem repetindo erros há um bom tempo e até agora nenhuma corregedoria para puni-la por tais erros. Quando o presidente Lula fez entrega de navios em PE ela(Dra.Curau) aprontou o maior escarcéu na mídia e até usou recortes de jornais partidarizados como prova isenta e acabada
"(...)

Representação influenciada pela opinião pessoal de jornalista

Na última argumentação da representação, recorre novamente à citação de um parágrafo do jornal Correio Brasiliense, justamente um texto onde, em vez de se limitar a narrar fatos, há a expressão da opinião do jornalista, vilanizando a conduta da ex-ministra.

Leia as análises completas do Miguel nos dois artigos CLICANDO AQUI

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

A LÍNGUA COMPRIDA DA DEMOCRACIA - DOZE CENTÍMETROS E SETE MILÍMETROS

A LÍNGUA COMPRIDA DA DEMOCRACIA – DOZE CENTÍMETROS E SETE MILÍMETROS


Laerte Braga


A julgar pelo noticiário da grande mídia no Brasil o governo do presidente Chávez prendeu arbitrariamente um “opositor”, defensor da democracia, com o objetivo de criar um fato político que facilite a vitória do governo bolivariano nas eleições de setembro.

Um iraniano, professor universitário e integrante do grupo de cientistas do Irã que trabalha o projeto nuclear do país foi seqüestrado por norte-americanos e israelenses quando se dirigia a cidade de Meca, na Arábia Saudita, em peregrinação.

Há cerca de um mês e meio um dos lideres do Hamas foi assassinado em Dubai por agentes do serviço secreto de Israel, o MOSSAD. Entraram no país usando passaportes britânicos, alemães e italianos. Não eram falsificados, eram passaportes oficiais.

Nos Estados Unidos um cidadão chamado Dave Hersch, no estado do Colorado, ao invés de sair eliminando colegas de escola, ou de trabalho, como é usual naquele país, inventou um carro-banheiro. O dito cujo vem equipado com duas privadas no lugar dos assentos e tem capacidade para seis rolos de papel higiênico. Alcança a velocidade de 50 quilômetros por hora e quatro anos foram gastos em pesquisas para se chegar ao modelo final depois de três protótipos.

Francisco Chávez Abarca, preso pelas autoridades venezuelanas quando tentava entrar no país, é um terrorista internacional procurado pela INTERPOL. Faz parte do grupo do cubano Luiz Posada Carriles, que vive em Miami e foi responsável pela derrubada de um avião de passageiros cubanos com 73 pessoas a bordo, todas mortas, em 1976. Abarca foi o responsável também por recrutar os mercenários que fizeram explodir quatro bombas em Havana em 1997, matando inclusive um turista italiano.

Ao ser preso confessou estar preparando um atentado terrorista para as eleições de setembro como forma de tentar impedir a vitória do partido do presidente Chávez.

O vídeo com a confissão pode ser visto em

http://www.youtube.com/watch?v=0ODHnwkwxCw

Foi o depoimento de Abarca que permitiu à polícia da Venezuela prender Alejandro Peña Esclusa. Integra um partido de oposição ao governo Chávez, faz parte de um movimento semelhante a TFP – TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE – e foi candidato a presidente da República nas últimas eleições obtendo 0.04% dos votos.

Ao ser preso em sua residência não ofereceu resistência e junto com ele foram apreendidos explosivos, detonadores e munição para armas de fogo. Esclusa é um dos suspeitos pelo atentado contra o papa João Paulo II, em 1984 (Chávez não era o presidente), quando da visita do pontífice a Venezuela.

Foi um dos principais conselheiros do golpista Roberto Michelleti no golpe contra Zelaya em Honduras. Foi condecorado pelo “governo” que derrubou o presidente constitucional hondurenho.

Quem quiser ter conhecimento do que a grande mídia brasileira chama de “opositor” e “democrata”, pode ver suas idéias em

http://fuerzasolidaria.org/?p=2667

Há cerca de vinte dias essa grande mídia brasileira noticiou que empresários norte-americanos e europeus num fórum na Europa haviam decidido, num primeiro momento, doar cinqüenta milhões de dólares a partidos de oposição da Venezuela para ajudar a por fim ao governo Chávez.

A Europa hoje é um monte de povoados gigantescos ou não tanto, cercado de bases militares norte-americanas para todos os lados, falida, e de joelhos diante do centro do universo, os EUA. Não se sabe porque Obama, ou seus antecessores, não declararam que ao contrário do que se afirma, o sol gira ao redor dos EUA e não a Terra ao redor do sol.

Todo o centro está em Washington. Deve ser uma forma de tentar parecer humilde. A humildade excessiva e exibida é também uma demonstração de soberba, um dos sete pecados capitais.

Sai o Vaticano, entra Washigton, o deus Mercado escorado em pilares nucleares.

E um jeito de recolonizar países mundo afora, continentes (caso da Europa), tudo em nome da “segurança internacional dos Estados Unidos da América”

Da mesma forma que despejaram bombas sobre o Iraque com um pretexto falso, mentiroso, armas químicas e biológicas, matam civis no Afeganistão numa guerra em que estão sendo derrotados, compram redes de tevê, jornais e revistas, emissoras de rádio. É o caso, no Brasil, da GLOBO e todo o complexo GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, ESTADO DE SÃO PAULO, ESTADO DE MINAS, RBS (aquela que o filho pode estuprar a vontade que não sai nada no JORNAL NACIONAL).

Ou patrocinam candidatos. Na Venezuela os opositores de Chávez e no Brasil tucanos e DEM, a candidatura de José Arruda Serra.

Fazem isso em todos os cantos. Pouco antes de determinarem a setores de extrema-direita das forças armadas brasileiras que depusessem João Goulart, nas eleições de 1962, através de um instrumento que chamaram de IBAD – INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA – despejaram fábulas de dinheiro apostando em candidatos subordinados a Washington, como Arruda Serra agora.

Quem pensa, por exemplo, que Incitatus era privilégio de Calígula, um cavalo senador, não olhou direito para o senador John Mcain, republicano e o principal mentor do golpe em Honduras. E nem de longe passou perto de Arthur Virgílio ou Tasso Jereissati.

Ou quem acha que William Bonner e seus miquinhos amestrados, Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, Pedro Bial, Waak, etc, nunca foi a um zoológico e viu uma hiena, nem em foto.

Doze centímetros e sete milímetros é o comprimento da língua de Nick Afanasiev. Tem vinte anos de idade, é a língua mais comprida dos EUA e por pouco não bate o recorde mundial. Nove milímetros a mais seriam suficientes para isso.

Nick digita ao celular com a língua, o mesmo no computador e criou um canal no Youtube para mostrar suas “habilidades”.

Os Estados Unidos estão doentes.

Segundo Orlando Patterson, no jornal THE NATION, o desemprego entre negros chega a 15,5% contra 9,7% das taxas nacionais. Mais de um em cada seis negros norte-americanos está desempregado. A maioria dos adolescentes negros ou está fora da escola buscando emprego em tempo integral e a taxa chega, nesse grupo, a 38%.

A renda média das famílias negras nos EUA é pelo menos 65% inferior à das famílias brancas.

E isso tudo sob o governo de Barack Obama. E evidente, conseqüência do modelo, não necessariamente culpa só de Obama, mas também culpa dele.

Grande Otelo, notável ator brasileiro, costumava dizer que a televisão, isso nos primórdios da tevê no Brasil, preferia pintar atores brancos de negros a contratar atores negros. Poucos conseguiam romper a barreira do preconceito.

Obama é um dos pintados. Parece uma coisa é outra.

Fala-se muito na “síndrome de Estocolmo”. A relação entre seqüestrador e seqüestrado que termina criando um liame que muitas vezes chega a ser amor. Caso de Patrícia Hearst nos EUA e de um casal formado num seqüestro a uma embaixada no Peru, exemplos mais recentes.

Giovanni Bucher, embaixador suíço no Brasil à época da intervenção norte-americana a partir do golpe de 1964, seqüestrado pela guerrilha, negociou com os seqüestradores a inclusão do nome de um preso político de dupla nacionalidade (brasileira e suíça), que o governo de Washington (tinha um general fazendo o papel de presidente do Brasil, fingindo ser) não queria soltar a despeito das negociações dele Giovanni e das autoridades suíças.

O nome foi incluído na lista de trocas e o preso libertado.

Há uma síndrome maior, de espectro mais amplo, que no fundo é a mesma coisa, muda a dimensão. A do colonizador.

Impõe sua “verdade”. Segue, entre outros métodos, o da mentira repetida vezes a um ponto tal que se torna verdade. Foi desenvolvido ou percebido por Goebells, ministro da propaganda de Hitler.

A das armas químicas e biológicas que nunca existiram exceto no pretexto para invadir, saquear e tomar conta do petróleo iraquiano. E em outras tantas “verdades” espalhadas em mais de seiscentas bases militares pelo mundo inteiro.

Garantidas por um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo cem vezes.

Huxley em O MACACO E A ESSÊNCIA, fala da “coisa”. A destruição nuclear e o número de crianças deformadas que nasciam a partir da “coisa”. Aconteceu em Hiroshima e Nagazaki e acontece em uma parte do Iraque. O governo do país está fazendo apelos a mulheres de uma determinada região para que não engravidem tal o número de crianças deformadas que têm nascido.

Veteranos de guerra denunciam o uso de balas de urânio empobrecido nos fuzis da barbárie.

Boa parte está doente nos EUA.

Isso quando um não enlouquece e sai matando adoidado colegas de escola, de escritório, se posta num ponto qualquer de uma cidade qualquer e vai acertando, aleatoriamente, o que se supõe serem pessoas, seres humanos.

É uma sociedade doente e doentia.

A síndrome do colonizador gera o espetáculo do vazio e guia manadas. No Brasil, entre outras “coisas”, dispõem da GLOBO, de VEJA, da FOLHA DE SÃO PAULO, etc.

Mais ou menos “estuprar pode, mas não precisa matar”. Desde que seja filho de diretor de uma afiliada da GLOBO. Caso contrário vira “Bruno”, ou “Nardoni”, a odisséia vai ser narrada por Galvão Bueno em “dá-lhe Massa”.

É por isso que o FANTÁSTICO é o SHOW DA VIDA.

Essa democracia tem uma língua de doze centímetros e sete milímetros. E para qualquer emergência já tem carro com dois vasos sanitários e seis rolos de papel higiênico.

Rui Martins em carta aberta ao presidente da Comissão Nacional de Imigração



Rui Martins*

Exmo. Sr. Paulo Sérgio de Almeida,
presidente da Comissão Nacional de Imigração

Embora tenha sido membro do Conselho Provisório dos Representantes das Comunidades Brasileiras até outubro do ano passado, só tomei, nestes últimos dias, conhecimento do documento-proposta para uma nova Política Nacional de Imigração, abrangendo a questão dos emigrantes brasileiros, pelo jornal Via Brasil, pois nenhuma correspondência ou informação a respeito me foi enviada.

O que prova o fundamento de nossas críticas quanto à real utilidade do referido Conselho, sem possibilidade de tomar decisões e, pelo que vejo, isolado mesmo sendo um apêndice da Subsecretaria de Estado das Comunidades Brasileiras no Exterior, dependente do Itamaraty. Discute-se, portanto, uma política da emigração sem a presença de emigrantes (!)

Portanto, nossa principal sugestão e observação, no que se refere aos Emigrantes brasileiros, é a de que as conclusões da Comissão do Senado que concluiu, em 2008, pela criação de uma Secretaria de Estado (da Emigração) não seja considerada como cumprida com a atual Subsecretaria das Comunidades Brasileiras no Exterior, dirigida por diplomatas sem qualquer experiência ou vivência como emigrantes.

O governo brasileiro precisa criar um órgão institucional emigrante, ajudar na criação de parlamentares emigrantes e não se satisfazer com a simples criação do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior, órgão consultivo, sem qualquer utilidade prática e destinado apenas a dar a impressão de que existe uma política brasileira de emigração.

Como ex-membro eleito do Conselho Provisório de Representantes de Emigrantes lamento que, embora ainda incipiente, não tenham sido convidados, os membros eleitos do referido Conselho Provisório de Representantes de Emigrantes, a participar do Grupo de Trabalho, autor de um projeto de política nacional da imigração, referido acima, incluindo também preceitos sobre a emigração.

Como dirigente do movimento de cidadania Estado do Emigrante temos proposto a criação de um super-Ministério, abrangendo a migração, a imigração e a emigração. O simples Conselho Nacional da Imigração, mesmo se tornando Conselho Nacional da Migração, órgão colegiado, não terá a liberdade e a independência necessárias à adoção de medidas concretas nessa área e à aplicação de uma política de migração. Mas poderá ser útil, como órgão de consulta para um Ministério ou uma Secretaria de Estado das Migrações ou da Emigração.

O governo acaba de institucionalizar as Conferências Brasileiros no Mundo, mas na I Conferência, defendemos ali mesmo a criação de uma Comissão de Transição para um órgão institucional emigrante, porque não achamos justo e nem lógico que as questões relacionadas com mais de três milhões de emigrantes mereçam apenas uma conferência anual destinada à apresentação de um rosário de queixas e reivindicações, sem qualquer possibilidade de decisão, cabendo aos diplomatas do Itamaraty dar sequência aos pleitos mas de maneira não prioritária.

Aproveitamos para denunciar que, na I Conferência Brasileiros no Mundo, um abaixo-assinado, majoritário, pedindo uma Comissão de Transição da Conferência para uma órgão institucional, acabou sendo ignorado, em desrespeito aos emigrantes signatários e demonstrando que tais conferências estão sob a tutela do Itamaraty que modifica ao seu sabor as decisões ali tomadas, consideradas inadequadas ou contrárias aos planos pré-estabelecidos.

Brasileiros (as) no Exterior

Os itens 4.20 a 4.26, do documento final do qual não participaram lideranças autênticas emigrantes, Contruibuições para a Construção de Políticas Públicas Voltadas à Migração para o Trabalho, nos parecem insuficientes.

Os documentos de Lisboa e Bruxelas foram sugestões unilaterais de grupos não vinculados à necessidade de uma política institucional, porém de ações setoriais geralmente inspiradas por grupos de inspiração religiosa, como ocorre dentro do Brasil, onde Ongs escalabrinianas fixam as regras do setor, mesmo porque até há pouco não havia nenhum projeto institucional brasileiro de política de migração e muito menos de emigração.

A entrega da tutela dos emigrantes ao Ministério das Relações Exteriores é quase uma aberração, pois é o Ministério do Trabalho que tem sido mais ativo no setor da emigração. Existe uma confusão entre a ação consular junto aos emigrantes, na verdade ações de tabelionato e de cartórios, com uma política de emigração.

Em nome dos movimentos de cidadania Brasileirinhos Apátridas, www.brasileirinhosapatridas.org que incentivou e orientou a recuparação da nacionalidade brasileira para os filhos da emigração; e do Estado do Emigrante, www.estadodoemigrante.org que reivindica um órgão institucional emigrante autônomo e independente do MRE, ligado diretamente à Presidência, queremos dar nossa contribuição com as seguintes propostas básicas - em lugar de um Observatório da Migração, é mais urgente a criação de um Ministério das Migrações, abrangendo migração, imigração e emigração, ou de uma Secretaria de Estado da Emigração, interativa com todos os Ministérios mas autônoma nas suas decisões e integrada por emigrantes;

os emigrantes precisam ter voz ativa no Congresso Nacional, em Brasília, e se deve criar circunscrições eleitorais na América do Sul, do Norte, Europa, Ásia e África, para que elejam representantes emigrantes em Brasília; o movimento emigrante, desvinculado da tutela do MRE, deve se basear no tripé – órgão institucional independente e autônomo, parlamentares emigrantes em Brasilia e um amplo conselho de emigrantes eleitos, representativo de todas as regiões com presença emigrante brasileira;na consideração da emigração brasileira se deve também acrescentar um elemento importante – a presença dos pequenos, médios e grandes empresários emigrantes; deve-se promover a regulamentação das atividades ligadas aos emigrantes, como despachantes, doleiros e advogados; deve-se dar apoio à mídia emigrante, importante nas comunidades brasileiras nos EUA e de importância informativa nos pequenos núcleos de brasileiros; deve-se acelerar a criação do voto por correspondência para os emigrantes, conjugado com a criação de parlamentares emigrantes, que favorecerá a participação eleitoral dos emigrantes e dará importância política aos emigrantes com a votação de seus representantes em Brasília; obrigatoriedade da presença de verdadeiros emigrantes na discussão de projetos relacionados com a emigração, nos próximos grupos de trabalho ou comissões oficiais. Para evitar a preferência por grupos ou lobbies religiosos ou de empreendimento, a escolha deverá ser feita entre os emigrantes eleitos para o Conselho de Representantes das Comunidades Brasileiras, enquanto não houver parlamentares ou um órgão institucional. No caso de demora na eleição do Conselho Permanente, valem os membros do Conselho Provisório, cujo mandato expirou em outubro, mas no qual havia membros eleitos.

O movimento de cidadania Estado do Emigrante critica a não remuneração dos membros do Conselho de Representantes de Emigrantes, cuja consequência senão objetivo é a de se desestimular a participação dos verdadeiros emigrantes operários e se criar uma elite emigrante, formada por acadêmicos ou representantes de grupos religiosos e comerciais.

Critica também a política do MRE de, imitando os franceses e suíços que têm vergonha de dar o nome de emigrantes aos franceses e suíços do exterior, decidiu, sem consulta prévia, chamar os emigrantes brasileiros de Brasileiros no Mundo. A emigração brasileira existe e sua nomeação não deve ser evitada.

Com os melhores cumprimentos, Rui Martins, ex-membro eleito do Conselho Provisório de Emigrantes junto à Subsecretaria das Comunidades Brasileiras no Exterior, dirigente dos movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado do Emigrante.
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Para Rui Martins, o governo brasileiro deveria criar uma nova política de emigração a exemplo de Portugal, França, Itália e mesmo México e Equador.

Leia mais em...


http://www.francophones-de-berne.ch/


http://www.estadodoemigrante.org/

*Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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O Globo: Ativismo com pragmático atavismo saudosista

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Pois é, pessoal... Vai-se o JB e o Rio fica entregue a um jornal como "O Globo"... Repassando (abaixo)...
Abraços,
Ana Helena
Escritora, poeta e jornalista
Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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Caros colegas,

Todos os anos, quando se aproxima o período de inscrições nos vestibulares, O Globo publica matérias extremamente negativas sobre nossa universidade, influenciando pais e alunos.

Neste domingo, 11 de julho, mais uma vez isto se repetiu, com direito a chamada de primeira página e matéria de página inteira em plena edição dominical. O título da matéria, escrito em letras garrafais em plena página 3, foi "Ensino superior, mas nem tanto".

Envio abaixo texto que acabei de submeter à seção de Cartas do Leitor do jornal, com a esperança de que a mesma seja publicada nessa seção.

Caso os colegas também discordem da postura do jornal e do teor da matéria de domingo (toda baseada em uma única fonte), seria interessante que outros também escrevessem ao jornal. Quem sabe assim um dia O Globo faz uma matéria de página inteira falando sobre o que a UFRJ tem de bom!

Abraços,
Leda

Profa. Dra. Leda R. Castilho
COPPE/UFRJ
Programa de Engenharia Química

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TEXTO SUBMETIDO A "O GLOBO":

Ilmo. Sr. Editor d'O Globo:

Foi com surpresa e indignação que li a reportagem (com chamada de 1ª página) de domingo, 11/7/10, intitulada "Ensino superior, mas nem tanto". A matéria toma exemplos isolados para destacar apenas aspectos negativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ignorando o excelente desempenho apresentado pelos seus egressos em concursos e em provas nacionais como o ENADE, desempenho este confirmado pela preferência do mercado de trabalho por profissionais formados na UFRJ.

Mostrando números oriundos de uma única fonte, a matéria ignora dados públicos disponíveis no site da PR3-UFRJ que demonstram que, em 2009, foram iniciadas e/ou licitadas inúmeras obras (salas de aula, restaurantes universitários, bibliotecas, etc.), financiadas pelo programa do governo federal REUNI, de expansão das universidades federais. A matéria ignora, ainda, que a adesão ao referido programa foi voluntária e amplamente discutida nos colegiados de cada uma das faculdades envolvidas. Nenhuma decisão de aumento de vagas foi tomada de forma irresponsável. A contratação, somente em 2010, de 500 novos professores, e o aumento em cerca de 10 vezes (de 3,6 para 34,6 milhões de reais), entre 2003 e 2008, das verbas de investimento repassadas pelo governo federal à UFRJ, são uma prova disso.

O número de vagas nas universidades federais aproximadamente dobrou entre 2003 e 2008, como diz a matéria. É fato notório que, em empreendimentos de qualquer tipo, aumentos de tamanho/quantidade resultam em ganhos de escala. Portanto, considerando que as universidades federais agora atendem ao dobro do número de alunos, com manutenção do valor por aluno investido pelo MEC (alteração de apenas 3,8%, de R$ 15.341 para R$ 14.763), chega-se a uma conclusão diferente daquela sugerida pela matéria: levando-se em conta o ganho de escala, certamente as condições de financiamento hoje são melhores do que antes.

O campus da Ilha do Fundão tem fluxo diário de pessoas aproximadamente igual ao dobro da população da Cidade de Deus e área ocupada similar à de Ipanema e Leblon juntos. Se os índices de criminalidade mencionados na matéria forem comparados àqueles registrados nestes dois nobres bairros da cidade, certamente a conclusão será de que é mais seguro transitar pelo Fundão do que por Ipanema. Por que não fazer uma matéria levantando estes dados?

Nos últimos anos, vêm se repetindo, sempre às vésperas das inscrições no vestibular, matérias negativas sobre a UFRJ n'O Globo. Por que o jornal não publica matérias extensas sobre a UFRJ também em outras épocas do ano? Por que o jornal não relata a preferência do mercado de trabalho por profissionais formados na UFRJ?

O MEC e a UFRJ estão tomando ações concretas com o objetivo de que nossa universidade continue oferecendo um ensino de alto padrão, a um número ainda maior de brasileiros. O campus da Ilha do Fundão está passando por uma revolução que o transformará, ao longo da década que ora se inicia, em uma cidade universitária de dar inveja às universidades dos países mais ricos. Eu gostaria de desafiar O Globo a fazer uma matéria sobre as obras atualmente em andamento na UFRJ, dando maiores informações ao grande público sobre o Plano Diretor UFRJ 2020 (www.ufrj.br).

Se a UFRJ, na década de 1990, soube manter a excelência de seu ensino mesmo frente ao descaso e abandono de então, por parte do governo federal, certamente não será nesta década, marcada por muitos novos investimentos, mais verbas e novos docentes, que deixaremos de oferecer um ensino superior do mais alto padrão. E certamente seremos capazes de fazê-lo para um número ainda maior de brasileiros.

Atenciosamente,
Profa. Dra. Leda R. Castilho
COPPE/UFRJ

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Ensino superior, mas nem tanto [matéria de O Globo, em 11/7/2010]

Governo amplia rede de universidades, mas UFRJ, a mais antiga, sofre com falta de manutenção, insegurança e expansão desordenada

Prestes a deixar o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz ter criado mais universidades federais que qualquer outro presidente. Mas oito das 13 que afirma ter feito, na verdade, já existiam e foram ampliadas ou federalizadas. Enquanto isso, porém, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a primeira do Brasil, sofre com a falta de estrutura e a expansão desordenada, o que compromete a qualidade dos cursos. Na medicina, turmas com até cem alunos têm aulas de anatomia em só duas peças de cadáver. Na arquitetura, as pranchetas usadas são obsoletas, reclamam os alunos. Na comunicação, das 12 câmeras fotográficas, seis estão quebradas.

Há problemas graves ainda no alojamento e no Hospital Clementino Fraga Filho, usado como hospital escola.

Nos dois últimos anos, 22 novos cursos de graduação foram criados na UFRJ. A meta é que até 2020 o número de alunos mais que duplique e saia dos 41.007 de 2008 para 88.530. Porém, na contramão dessa corrida pelo ensino superior - um dos temas-chave da eleição presidencial deste ano, já que a falta de mão de obra qualificada é um dos gargalos do desenvolvimento do país -, o investimento público direto em educação por estudante na educação superior, segundo o Ministério da Educação (MEC), caiu de R$ 15.341 em 2000 para R$ 14.763 em 2008.

Além disso, apesar de o orçamento do Ministério da Educação ter aumentado em valores absolutos nos últimos anos - de R$ 16,5 bilhões em 2003 para R$ 36 bilhões em 2009 -, o percentual do orçamento do MEC em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) teve ligeira queda, segundo estudo da Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj) com dados do Senado e do IBGE: de 1,1% do PIB em 2003 para 1,04% em 2009.

- O orçamento do MEC, em termos absolutos, cresceu porque o PIB cresceu, e não porque tenha havido aumento da parcela do orçamento federal - diz Luis Eduardo Acosta, presidente da Adufrj.

O MEC contesta esses percentuais, sem dizer, porém, quais seriam os corretos: o orçamento informado pelo ministério soma o orçamento da pasta com verba do Financiamento Estudantil (Fies, da Caixa) e do salário-educação.

Ao todo, desde 2003, o país ganhou 117 campus e o número de vagas foi de 109,2 mil para 222,4 mil em 2010.

Porém, a relação da função "educação superior" no orçamento federal em relação ao PIB também não cresceu: de cerca de 0,46% em 2003, foi para 0,4% em 2008, diz o estudo.

"São anos de abandono"

A criação de novas universidades pelo governo faz parte do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), programa de ampliação do ensino superior que inclui também a expansão de universidades já existentes. Para participar, as universidades pactuam metas de aumento de número de vagas, algumas vezes sem condições de cumpri-las.

Da primeira turma de Relações Internacionais, Tomaz Soares fez vestibular achando que teria aulas no campus da Praia Vermelha, Zona Sul do Rio. Dias antes do início do período, descobriu que as aulas seriam numa sala do Centro de Ciências da Saúde, no Fundão. No começo deste ano, começou a ter aulas no Centro.

- Esperava uma faculdade de excelência, mas parece que a UFRJ vive mais de nome - diz Tomaz.

Para Pablo César Benetti, presidente da Comissão do Plano Diretor da UFRJ, que gerencia a execução das metas da universidade no Reuni, não oferecer um curso por gargalos de infraestrutura "é burrice":

- Os alunos terem aula no Fundão não é problema. Eles podem consultar bibliotecas na Praia Vermelha e no Centro. A universidade não é uma unidade isolada. Querer uma sala mostra mentalidade tacanha.

Segundo Benetti, a UFRJ recebeu, para o biênio 2009-2010, R$ 117 milhões para investir em obras e equipamentos, incluindo laboratórios didáticos de informática, compra de veículos para ronda e mobiliário: - Nunca tivemos tanto dinheiro.

Para Claudio Antonio Tonegutti, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), as universidades não querem abrir mão do dinheiro e das vagas de concurso do Reuni, e por isso dizem que cumprirão metas não factíveis:

- As metas têm de ser cumpridas de 2008 a 2011, é uma expansão rápida demais para estruturas já tão complicadas.

Reuni à parte, a UFRJ continua com problemas antigos, como a insegurança no Fundão, que, em 2009, teve 30 casos registrados de furto, 11 de roubo, um estupro e dois seqüestros relâmpago. Com a mesma extensão de Ipanema e Leblon, o campus conta só com quatro carros da PM - Ipanema e Leblon têm cem PMs em seu entorno -, além de seis veículos e de 70 vigilantes da universidade.

Na tarde da última terça-feira, no subsolo do Centro de Ciências da Saúde, não havia vigilantes. Foi no subsolo onde, em 2009, uma professora e alunas de nutrição foram assaltadas por um homem armado.

- Os corredores são isolados. Depois das 17h nem gosto de andar muito por aqui - diz Alessandra Siqueira, do 5operíodo de nutrição.

Outro problema de infraestrutura no Fundão é o alojamento de estudantes, hoje com 500 vagas. Prefeito da UFRJ, Hélio de Mattos reconhece os problemas: - São anos de abandono. O prédio está condenado.

O prédio do Hospital do Fundão também não está muito melhor: no fim de junho, uma ala foi interditada devido a um abalo em dois pilares.

Parte das enfermarias do 8oao 11oandar está sem funcionar até hoje.

- Temos um hospital enorme e leitos vazios. Nas aulas, muitas vezes 30 alunos ficam ao redor de um só paciente - conta Ricardo Rebelo, do 5operíodo de medicina.

- Não espero ver o anexo da Central de Produção Multimídia pronto antes de me formar - diz Kenzo Soares, aluno do 3º período de comunicação.

(Alessandra Duarte e Carolina Benevides)

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Israel

“No ano que vem, em Jerusalém”

Arranha-céus irregulares arruínam a paisagem bíblica da Terra Santa.

Por Gershon Knispel

Duas cicatrizes profundas tornaram cada vez mais feio ultimamente o rosto de Israel, a ponto de deixá-lo irreconhecível. Como se a humilhação promovida contra outro povo não bastasse, os dois mais recentes escândalos estrondosos, que atingiram a população israelense como um terremoto, confirmaram nossas suspeitas de que o resultado da trágica ocupação dos territórios palestinos vai se tornar também um desastre para nós, os israelenses, e nosso sofrimento não será menor do que o dos palestinos.

O pior ocorrerá com os judeus da Diáspora, que serão muito mais prejudicados. A corrupção da cúpula já está arranhando o céu, de um lado, e de outro lado há o assassínio moral de uma ex-soldada, que está sendo acusada de espionagem.

O monstro de Jerusalém
Sob a ocupação dos cruzados, sob os otomanos, e até sob o mandato britânico, as autoridades tinham muito cuidado com as construções altas e as fachadas de pedras trabalhadas a mão, em sinal de tolerância diante da diversidade e de empenho em preservar Jerusalém como Terra Santa. Isso para não deixar a Cidade Velha ficar uma anã diante de prédios altos, e para manter a visão dos tempos bíblicos.

Apesar da profecia de Isaías – “em cima das muralhas vou pôr guardas” – se teve de esperar a tomada por Israel de Jerusalém Ocidental em 1948 e da Cidade Velha em 1967 para se assistir à destruição da paisagem bíblica. Logo a Cidade Velha foi cercada por arranha-céus, praticamente desaparecendo da visão ao longe. Em 1995 o então prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert, nomeou o arquiteto Uri Ben Or como urbanista da cidade, cargo em que este ficou até 2000. Seus esforços conjuntos fizeram surgir em 1999 o Livro de Diretrizes Urbanas, que aprovava a construção em vários pontos da cidade de prédios entre 24 e 30 andares. Só agora ficou claro que, por trás dessa política urbana, havia interesses de gigantescas empresas imobiliárias, cujos lucros se tornaram mais importantes do que resguardar o patrimônio histórico da cidade.

O projeto se chamava Conjunto Habitacional da Terra Santa, mas seu anúncio provocou uma revolta pública. Um conjunto de arranha-céus com 10 mil unidades de moradias que só pessoas muito ricas podiam comprar, por causa do alto preço (na maioria, os compradores são judeus dos Estados Unidos que só passam um mês por ano em Israel), era apresentado mentirosamente como solução para o problema habitacional.

Como ladrões na noite, se reuniam desde então sigilosamente as comissões de urbanismo da Prefeitura e regionais, para não ouvirem em audiências públicas as queixas dos cidadãos indignados. Quando explodiu esse escândalo trágico, agora, isso chocou a população e inundou os meios de comunicação (veja a ilustração do jornal Ha’aretz). Ficou claro que milhões e milhões de dólares se transformaram em propinas nos bolsos dos “pais da cidade”, dos eleitos, do próprio Olmert, cujo vice-prefeito era Uri Lupiansky, um dos líderes do Partido Religioso, que se tornou prefeito quando Olmert foi nomeado chefe do governo.

*Reprodução do jornal Ha’aretz.
Para ler o texto completo e outras matérias confira a edição de junho da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.

Serra

Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988) - José Serra votou contra os trabalhadores:

a) Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo;
c) não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário;
d) não votou para garantir 30 dias de aviso prévio;
e) não votou pelo aviso prévio proporcional;
f) não votou pela estabilidade do dirigente sindical;
g) não votou pelo direito de greve;
h) não votou pela licença paternidade;
i) não votou pela nacionalização das reservas minerais.
Por isso, o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte.
(De um emeio recebido)

Ateismo

Ateus e pós-seculares - dois interlocutores da missão ad gentes


"A missão ad gentes está diante de dois interlocutores que até hoje não foram suficientemente enfocados: num extremo estão os sem religião e os sem Deus que, segundo Dráuzio Varella "estão saindo do armário", e no outro lado estão os sem Deus com uma religiosidade funcional e descompromissada. Em ambos os contextos é preciso, antes de apelar à natureza missionária e sua explicitação semântica (cf. AG 2; DAp 347), cultivar a capacidade dialogal dos missionários que lhes permite um transito respeitoso e respeitado nesses ambientes. A missão ad gentes é antes de tudo uma missão testemunhal que sabe antes de falar, viver a razão de sua esperança (cf. 1 Pdr 3,13-16) nos códigos culturais desses interlocutores", escreve Paulo Suess, assessor teológico do Cimi, em artigo publicado por Adital, 06-07-2010.
Eis o artigo.
"Estou convencido de que há de se seguir dizendo não,
ainda que se trate de uma voz predicando no deserto".
José Saramago
"Marx diz que as revoluções são a locomotiva da história,
mas talvez seja tudo muito diferente, e as revoluções representem
tentativas da humanidade (...) de puxar o freio de emergência".
Walter Benjamin
O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre José Tolentino, declarou que com a morte de José Saramago, dia 18 de junho p. p., Prêmio Nobel de Literatura de 1998 e ateu confesso, "a Igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente".[1] Nas categorias do censo do CERIS[2], de 2004, com enfoque na migração religiosa, Saramago pertence ao pequeno grupo de 7,8% dos que se declaravam "sem religião".[3] Na pesquisa do CERIS, os "sem religião" são compostos por cinco categorias diferentes. "Sem religião" pode significar, "possuir uma religiosidade própria sem vínculo com igrejas" (41,4%); pode significar também "não frequentar nenhuma igreja e não possuir crenças religiosas" (29,4%), "não acreditar nas religiões" (15,1%), "não ter tempo para frequentar a igreja" (23,2%), e "não acreditar em Deus" (0,5%). Portanto, dos 7,8% "sem religião", só meio porcento se declara ateus.
Saramago, em Portugal, como Dráuzio Varella, por exemplo, no Brasil, pertencem ao pequeno grupo de pessoas que não acredita na existência de Deus. Varella, que se declara "ateu desde criança", apela a sua formação científica que lhe permite explicar melhor o surgimento do ser humano pelo acaso do que pela mão de um criador divino. Como acreditar, pergunta Varella, que Deus, 65 milhões de anos atrás, deixou cair um asteróide no planeta Terra, precisamente na Península de Yucatán, cuja queda produziu a extinção dos dinossauros. Estes impediram por 225 milhões de anos o crescimento de uma fauna da qual surgiram os ancestrais humanos.
Parece oportuno no Comina, que reúne institucionalmente iniciativas missionárias organizadas na Igreja Católica, refletir sobre esses novos destinatários da missão ad gentes cujas respostas aos enigmas da vida dispensam qualquer crença na existência de Deus. Ao lado destes "sem religião" ou "pós-metafísicos" surgiu o grupo dos "pós-seculares". Frustrados com certos aspectos da modernidade deixaram o pensamento secular de lado e voltam novamente ao mundo religioso com suas promessas de prosperidade e configurações esotéricas, idolátricas e terapêuticas. O mundo pós-secular desmente a tese do progressivo desaparecimento da religião pela secularização (Max Weber). Não se trata de um fenômeno que permite aos cristãos cantarem vitória. A religião dos pós-seculares é composta por muitas religiões. Precisa "muita religião, seu moço! (…) Uma só, para mim é pouca", diz o Riobaldo do "Grande Sertão" de Guimarães Rosa.[4] Na religião dos pós-seculares encontra-se a religião do cangaceiro com a religiosidade do traficante de droga, que antes do assalto a um Banco invoca a proteção de Nossa Senhora e depois, na cadeia, se torna crente. Mas nem todos os pós-seculares são traficantes. A religiosidade pós-secular não assume um compromisso com Deus, nem com verdade e racionalidade. Ela serve para criminosos e zeladores pela ordem, para exóticos e góticos, para prósperos e pobres. Trata-se de um mundo religioso caracterizado por certa regressão infantil e sem responsabilidade com o próximo, além daquilo que a lei civil prescreve.
Por conseguinte, a missão ad gentes está diante de dois interlocutores que até hoje não foram suficientemente enfocados: num extremo estão os sem religião e os sem Deus que, segundo Dráuzio Varella "estão saindo do armário", e no outro lado estão os sem Deus com uma religiosidade funcional e descompromissada. Em ambos os contextos é preciso, antes de apelar à natureza missionária e sua explicitação semântica (cf. AG 2; DAp 347), cultivar a capacidade dialogal dos missionários que lhes permite um trânsito respeitoso e respeitado nesses ambientes. A missão ad gentes é antes de tudo uma missão testemunhal que sabe antes de falar, viver a razão de sua esperança (cf. 1 Pdr 3,13-16) nos códigos culturais desses interlocutores. O diálogo com o outro, que não quer conversão, mas respeito com sua opção ideológica exige do missionário não só informação sobre seus próprios artigos de fé, mas também sobre aquilo que se discute nos Areópagos do mundo (cf. DAp 491). Além dessas informações fundamentais precisa saber, que todo seu saber sobre Deus é um saber analógico. O saber das ciências, grosso modo, trabalha com adequações, não com analogias. Mas também o saber do outro, seja científico ou multirreligioso, sempre se esgota no portal do mistério. Crentes e descrentes não têm um acesso privilegiado às origens do cosmo.
Acreditar, por exemplo, no surgimento dos seres humanos pelo acaso exige tanta fé como acreditar que de um saco de letras jogadas no chão poderia sair um poema de Drummond de Andrade. Acreditar no acaso do processo evolutivo não exige menos fé do que acreditar no dedo de Deus. O mistério da fé é profundo. Antes das perguntas sobre o processo da evolução caberia a pergunta: E os dinossauros, de onde surgiram? Por que existe algo, que se pode desenvolver, e não nada? É a pergunta que Heidegger faz na sua Introdução à Metafísica (1953): "Por que existe ser (ente, algo) e não antes nada"? É também a pergunta fundamental da cosmologia que procura explicar a origem do universo. A síntese produzida entre fé e ciências por Agostinho e que prevaleceu até Tomás de Aquino, hoje está rachada. O saber secular não se mistura com o saber revelado do judeu-cristianismo salvífico. As ciências "exatas" pesquisam aspectos parciais e particulares dos seus objetos. As questões de filosofia e religião estão relacionados com os sujeitos e sua capacidade cognitiva, narrativa e praxistica. Na explicação da totalidade, a religião ficou desamparada.
Faz meio século que vivemos uma despedida estrutural de todas as perguntas sobre totalidades imagináveis, hoje denunciadas como "grandes narrativas" autoritárias e ideológicas. Vivemos num mundo do "pós", do "postismo" e da fragmentação das totalidades. Vivemos num mundo pós-moderno, pós-estrutural, pós-marxista, pós-secular. Antes do por do sol, o hoje já se tornou ontem e o que era ou se poderia tornar tradição, já se tornou doutrina contestada, fragmento, contexto, contingência, transitório. Neste mundo, Deus, verdade e razão - em sua compreensão teórica e existência real - são sociocultural e historicamente situados e relativizados. Pressionados pela aceleração do tempo cultural e produtivo, têm prazos de vencimento e estão submetidos a imperativos de releituras e reinterpretações.
A fragmentação daquilo que compreendemos como realidade rompeu com tradições ou explicações de longa duração, quebrou a imagem de um Deus a-histórico, vetou o acesso a uma compreensão da verdade como eterna e preestabelecida, e nos confronta com uma razão dialeticamente rachada em razão vivencial e instrumental. Nos diferentes cristianismos convive o Deus da gratuidade com o Deus da prosperidade, o Deus Todopoderoso (el shadai) com o Cordeiro de Deus imolado e crucificado.
Em seu Fedro, o Sócrates de Platão afirma, que a escrita é uma dádiva divina ambivalente. Ela é um pharmakón; é remédio, veneno e cosmético.[5] O que Platão disse da escrita, vale também para a palavra, o logos, que é três em um; é Deus, verdade e razão. "No princípio era a Palavra (o logos), e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus" (Jo 1,1). Os três - Deus, verdade e razão - nas obras e palavras humanas, podem ser, como o pharmakon de Sócrates, remédio, veneno e cosmético. Deus pode ser anunciado como logos libertador (remédio), que se despojou e encarnou ("o Verbo se fez carne"), pode ser distribuído na clandestinidade como ópio (veneno) e pode ser aplicado como cosmético de poder e prosperidade; a verdade pode ser liberdade, opressão autoritária e ideologia, que é uma forma de mentira. E a razão pode ser razão de vida e razão a serviço da morte, do mercado e de maquiagem. No meio desta selva polissêmica, como traduzir para o mundo de hoje: "No princípio era o Verbo", no princípio era Deus que se fez carne, e que é verdade e razão de vida?
Como Igreja missionária estamos entre o mundo ateu, entre os crentes no acaso da existência humana e o mundo pós-secular. O mundo pós-secular é o mundo daqueles que estão de volta da montanha da secularização. Querem novamente, numa fase regressiva, mamar nos peitos da religião, sem compromisso com Deus e sem responsabilidade por uma comunidade. Os pós-seculares compõem, no mercado religioso, uma cesta básica, um jogo de unidades curativas e lucrativas. Religião, nesta constelação, é um programa terapêutico de mitigação, de consumo e acumulação. O mundo pós-secular é o mundo aborrecido com o mundo adulto, com a autonomia, a igualdade e a liberdade. Não enfrenta os abusos da modernidade secular, mas se contenta com elementos compensatórios e alienantes das religiões, em aliança com elementos da pré e pós-modernidade.
O mundo dos ateus representa um aspecto da modernidade que não exerce grande atração ou tentação para a Igreja. Já o mundo pós-secular, que muitas vezes não se diferencia do mundo pré-secular da cristandade, o mundo de escolha religiosa múltipla, unindo elementos da pré-modernidade com elementos da pós-modernidade, este sim - como vimos na recondução da chamada Fraternidade Pio X à Igreja Católica (pelo preço de banana!) - exerce certa sedução para o pensamento católico e exige vigilância dobrada. Para os missionários é mais fácil ceder à regressão pré-moderna e pós-secular que para tudo oferece explicações religiosas, do que ir ao encontro dos ateus, que para muitas situações vivenciais estão sem consolo, inclusive estão sem consolo para os mortos injustiçados. Realmente, numa situação terapêutica e pastoral, é mais difícil ser missionário da libertação anunciando, como imperativo evangélico, um novo modelo civilizatório na contramão do pensamento hegemônico, sem prometer prosperidade e consolo imediato. A situação missionária entre ateus é mais clara do que entre os pós-seculares que fingem serem os representantes da verdadeira religião de Jesus Cristo.
Qual é o querigma missionário a ser anunciado nos dois mundos que representam, por um lado, uma incompatibilidade entre fé e ciência e, por outro lado, a distância entre uma religião de revelação e a de self-service? Entre a ciência secular e o saber revelado por Deus é difícil encontrar mediações. Trata-se de dois níveis diferentes. Isso não quer dizer, que o cientista seja necessariamente um ateu. Ele pode ser crente sem ser incoerente com a ciência. O bom cientista conhece os limites de sua disciplina. A fé é uma opção que não contradiz a ciência. A interlocução missionária se situa no lugar do facilitador e catalisador dessa fé possível. Ao mesmo tempo em que o missionário reconhece positivamente a independência da ciência e a neutralidade religiosa do Estado secular, é ele, montado nos ombros da ciência, que ve mais longe.
Um pós-secular da múltipla escolha não é propriamente um seguidor de Jesus Cristo, mas um interlocutor da missão. Neste caso, missão significa transformar a perspectiva da prosperidade em perspectiva de gratuidade, o narcisismo em altruísmo e solidariedade, significa afunilar os múltiplos caminhos e escolhas no Caminho único que é Jesus Cristo, na dialética messiânica do Servo de Javé, de cruz e ressurreição.
Um agnóstico como Habermas nos lembra de três dons, que são ao mesmo tempo tarefas próprias do cristianismo para o mundo secular. O mundo civil e o estado secular (neutro em sua aceitação das religiões) não podem oferecer: solidariedade, ritualidade e comunidade.[6] Observa-se hoje uma tendência, estimulada pelo mercado e pela concorrência laboral, que produz em muitos setores da sociedade uma desolidarização. O cristianismo tem a tarefa de criar uma consciência dessa solidariedade ferida, uma consciência para aquilo que falta, para a injustiça que grita para o céu. A dignidade humana exige ritos, ritos de acolhida, de passagem, de despedida que a sociedade secular não oferece. O missionário relaciona seus mistérios de fé não só com outras religiões, mas também com a ciência e sua produção do saber secular. Missão significa tradução e articulação. O cristianismo tem a vocação de aglutinar comunidades em redes universais, não em torno de casos isolados, mas em torno de uma causa comum: a vida da humanidade e das futuras gerações.
Talvez seja hoje uma das tarefas missionárias mais importantes, convencer as próprias Igrejas como também os irmãos não crentes e pós-seculares que é preciso somar forças para "desafinar o coro dos contentes" (Torquato Neto) e desgovernar a nau dos adaptados que se contentam com o pouco que o gozo regressivo à fase oral e anal (Freud) via consumo e acumulação de maneira destrutiva oferece; puxar o freio de emergência do projeto acelerado e desgovernado em curso e propor outro projeto civilizatório que contempla a todos.
Notas:
[1] Cf. ESTADO DE S. PAULO, 19.6.2010, H2, Especial.
[2] Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais.
[3] Segundo essa mesma pesquisa do CERIS, a população brasileira é constituída de: 67,2% católicos, 4,1% evangélicos históricos, 13,9% evangélico de corte pentecostal, 3,4% pertencem a outras religiões e 7,8% se declaram "sem religião". Cf. ALVES FERNANDES, Sílvia Regina (org.). Mudança de religião no Brasil: desvendando sentidos e motivações. Rio de Janeiro; São Paulo: CNBB; CERIS; Palavra & Prece, s.d., p. 62.
[4] ROSA GUIMARÃES, João. Grande sertão: veredas. 13a ed., Rio de Janeiro: José Olimpio, 1979, p. 15.
[5] PLATÃO. Fedro. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 118 [274 d, 275 a, b].
[6] Cf. REDER, Michael; SCHMIDT, Josef (org). Ein Bewußtsein von dem, was fehlt. Eine Diskussion mit Jürgen Habermas. Frankfurt, Suhrkamp, 2008, p. 28ss.
Para ler mais:
• Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. E-Book
• Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades. Revista IHU On-Line, no. 308
• 'Ao falar de ateísmo, falamos de política'. Entrevista com Terry Eagleton
• Deus, uma reentrada por linhas tortas
• A genealogia mimética de Habermas
• Sociedades pós-seculares e religiões: perguntas a Habermas
• A terceira via entre laicismo e radicalismo religioso
• A religião e o espaço público – Uma réplica ao filósofo Jürgen Habermas
• (Inst. Humanitas Unisinos)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PSDB: Quem não tem Hillary, caça com çato

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Confissões de repórter de campanha presidencial

Michael Hastings [1]

Na noite da véspera de começar minha carreira como repórter [da revista Newsweek, EUA] de campanha eleitoral presidencial, em setembro de 2007, acabei de ler The Making of the President de Theodore White, relato clássico da campanha eleitoral de 1960, que inaugurou nova era na reportagem política. O livro começa por um agradecimento: “Em primeiro lugar, aos políticos dos EUA – homens nos quais, ao longo dos anos, descobri os mais inteligentes, os mais gentis e, de modo geral, os mais honrosos companheiros (…). Em segundo, devo agradecer aos meus camaradas da imprensa – cujo trabalho, em todos os planos da política dos EUA, purifica, protege e renova nosso sistema, ano após ano.”

Ok, certo. Mas já lá se vão 48 anos, Sr. White. (...)

Antes da Super Terça-Feira [5/2/2008], fui mandado cobrir a campanha de Hillary, que disputava a indicação pelo Partido Democrata. Àquela altura, apesar das vitórias de Obama na Carolina do Sul e em Iowa, os coordenadores da campanha insistiam em que Hillary ainda teria chances. Então, Hillary ficaria por minha conta. (...)

Eu bem deveria ter previsto que acabaria ali: de pé, num vestiário público com mais de vinte outros jornalistas, assistindo a Eva Longoria, estrela do seriado Desperate Housewives, em circuito interno de TV, ela como apresentadora de um evento de campanha em Austin, Texas. Era dia 3 de março, véspera das primárias no Texas e em Ohio, e a equipe avançada de Hillary meteu a imprensa num banheiro masculino. Três mictórios e uma pia azul. Os repórteres acotovelam-se para abrir espaço para os laptops nas longas mesas de dobradiças, e havia um clima de surpresa, ainda divertida, entre toda “a imprensa”. Um sujeito do Chicago Tribune digitava de frente para um dos mictórios; um cameraman da CNN baixava vídeos. Às tantas, circulou uma “nota para a imprensa”: “Essas acomodações não devem, de modo algum, ser interpretadas como comentário sobre a qualidade da cobertura de mídia que estamos tendo.” (...)

A campanha de Hillary estava me matando. Sentia minha alma morrer mais um pouco a cada pausa para fumar, a cada refeição requentada que metia goela abaixo. E não conseguia parar de comer: por onde Hillary aparecesse, sempre havia comida à vista. Num dia de rotina, fazíamos de três a cinco viagens de avião, e cada vôo, mesmo que durasse apenas alguns minutos, incluía refeição a bordo. As campanhas carregam repórteres sempre (cada repórter é contabilizado ao custo de 1.000 a 3.000 dólares por dia), e o preço inclui alimentação. Então, há comida em todos os aviões e eventos – pizza, sanduíches, cenouras, brócolis, potes de molho, cestas de batatas fritas e salgadinhos e salgadinhos. Eu me sentia meio obrigado a comer todas as porcarias que punham à minha frente, porque, afinal, custavam muito dinheiro. Mas as viagens também davam a sensação de você viver num Gulag sobre rodas. Repórteres que viajam em campanhas eleitorais dependem completamente das campanhas para transporte, comida e cama – porque essa dependência é condição para que você esteja sempre à mão, para o caso de alguém querer lançar uma migalha de entrevista ou algum remotamente intrigante fragmento de informação.

A reportagem política baseia-se num conjunto altamente disfuncional de relações. Você precisa deles e eles precisam de você, mas, de algum modo, eles odeiam você e não confiam em você (e de outro algum modo, você também odeia todos e não confia em ninguém). Na minha experiência, boa parte disso pode ser sublimada, em forma de comida. Coma, encha-se, empanturre-se, porque você não sabe se, amanhã, haverá alguma coisa para você.

Apesar da atitude de sua equipe, Hillary, ela mesma, parecia ok. Era sempre mais gentil e engraçada e humana do que jamais esperei que fosse. Uma vez, sentei-me ao seu lado no avião, ela mastigando cenoura, uns pedacinhos grudados na boca. Tomou um cálice de vinho tinto e brincou: adoraria comer uma boa comida mexicana no Texas, mas teria de ser fresca, autêntica: “Não se pode comer comida mexicana embalada ‘para viagem’”, disse ela. Era como estar em casa de um amigo do ginásio, conversando com a mãe dele, uma mãe meio formal. E, verdade seja dita, jamais havia percebido que é bem alta. Durante anos via-a apanhar em público, às vezes, bater, e agora, lá estava ela, e esperava-se que fosse a próxima presidente. É confuso esse negócio de ser testemunha da história, a história ali, acontecendo à sua volta.

Mas toda a minha boa vontade desapareceu em Youngstown, Ohio. Estávamos num ginásio de esportes de uma escola, e Hillary estava sendo apresentada por Tom Buenbarger, presidente do Sindicato Internacional de Técnicos e Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais. Membros do sindicato, trazidos de ônibus, gritavam e cantavam. Buffenbarger começou com um comentário sobre os apoiadores brancos de Obama. “Estou sabendo dos bebês chorões, que mamam leite, com seus Toyota Prius e sandalinhas Birkenstock para arrecadar dinheiro, reunidos para ouvi-lo falar!” Pensei, huh, acho que é comigo.

Buffenbarger continuou uma conversa em que comparava Obama e Muhammad Ali, o mais conhecido negro norte-americano convertido ao islamismo por influência de Malcolm X. “Mas, irmãos e irmãs”, disse ele. “Não acreditem. Eu vi Ali lutar. Fez gato e sapato de Foreman naquele ring. Teria sido páreo duro para Liston, em qualquer ring. Norton quebrou-lhe o maxilar, e ele continuou na luta. Não se iludam. Barack Obama não é nenhum Muhammad Ali.” Havia denso racismo no comentário. Meu coração acelerou, meus ouvidos começaram a zumbir. Pela primeira vez naquela campanha, senti-me diretamente ultrajado. Será que estou exagerando, que estou interpretando mal? Estou vendo coisas? Não. Quem estivesse naquela sala e visse veria o que ali havia e não havia qualquer coisa diferente, ali, do que o que eu estava vendo.



Depois, as coisas pioraram. O trabalho para mostrar Obama como muçulmano prosseguiu. Apareceu uma foto de Obama vestido como somaliano; foi vazada para o Drudge Report; pouco depois, um assessor de Clinton foi mandado à televisão, para dizer que Obama deveria envergonhar-se de aparecer “em trajes de sua tribo”. Por fim, alguém inventou uma capa de revista, com foto adulterada, em que Clinton discursava, dizendo que todos os honestos trabalhadores brancos dos EUA deveriam votar nela. A campanha degenerou numa série de telefonemas furiosos, entre marketeiros de Obama e Hillary. Eu só pensava em sair daquilo tudo. Queria que Obama elegesse logo os delegados necessários, e acabasse aquela história. Mas Hillary não se via como derrotada, e por mais que a matemática mostrasse que já não havia saída, ela co ntinuava em campanha. Então, continuei a trocar e-mails e telefonemas com sua equipe, tentando cercar um ou outro, para ver se entendia o que estava acontecendo, o que andaria na cabeça de Hillary. Mas já não me interessava entrevistá-la. Não queria que ela pensasse que eu ainda acreditava que ela pudesse vencer. Não queria fingir que estaria entusiasmadíssimo por ser “parte da história”.

Nessas semanas finais, contudo, tive duas conversas que vale a pena contar. Estava conversando com alguém da campanha sobre Bill Clinton e o impacto que tivera na campanha. “Você acha que deveríamos tê-lo mandado à Africa?”, ele perguntou. “Em fevereiro. Você acha que deveríamos tê-lo mandado à África? Discutimos muito sobre isso.”

“Ele teria concordado?” perguntei.

“Nunca. Não iria, de jeito nenhum. Ninguém nem teve coragem de consultá-lo. Mas discutimos muito...”

Soube também que o jogo de cartas preferido de Bill Clinton já não é Hearts. Agora, só joga Oh Hell [aproximadamente “Que se dane...”], jogo de cartas em que todos os jogadores só cuidam dos próprios interesses, embora, como diz a regra “vez ou outra pode acontecer de o jogador perceber que terá mais a ganhar se ajudar outro jogador”. Clinton jogava a dinheiro. O cacife, quase sempre, de 50 dólares. O vencedor podia ganhar 400 dólares. Todos, na campanha, garantiam que teria memória fotográfica, e incrível capacidade para calcular probabilidades, “de cabeça”. Mas, quando se sentia encurralado, diziam, sem saída, sempre tentava algum acordo. “Clinton detesta ser ferrado”, contou-me um de seus parceiros de jogo. “Sempre tenta alguma barganha . Detesta ser ferrado.”

Que se dane.

A história do jogo resume a frustração que Bill e Hillary sentiram e que, de um momento em diante, tornou-se palpável. Por que a mídia nos odeia? Por que, diabos, Obama está crescendo? Por que, diabos, perdemos em Iowa? Por que, diabos, não estamos vencendo?

Quanto a mim, a pergunta era “por que, diabos, estou cobrindo isso?”

Só na noite da primária de Indiana, dia 6 de maio, a campanha afinal convenceu-se de que estava acabado. Sim, venceram em Indiana, mas por pequena diferença. Estávamos no avião, de volta a Washington, e passou por mim um porta-voz de Hillary, Jay Carson. Não conhecia Jay, mas tinha ouvido dizer que Leonardo DiCaprio o encarnaria, como personagem, em filme sobre a campanha de Howard Dean em 2004 – o que é praticamente um elogio, naquele mundo.

Na decolagem, Jay surfou pelo corredor do avião, de pé sobre uma bandeja. Todos foram-se embriagando e melhorando de humor. Comi um Butterfinger Nestlé. Jay começou a falar com jornalistas e, de repente, alguém, da rede ABC, disse “Russert acaba de dizer que o candidato é Obama.”

Não ouvi a resposta de Jay, mas seu rosto, por um instante, mostrou surpresa.

Quando afinal pousamos em Washington, todos os repórteres davam sinais de imenso alívio. Todos tínhamos de pensar sobre a próxima cobertura, mas, pelo menos por algumas horas, estávamos livres. Só faltava saber quando Hillary faria o discurso final, em que reconheceria Obama como candidato. E então, a mais obcecada, a mais incapaz de reconhecer uma evidência dentre todas as mulheres do mundo político marcou um evento de campanha em West Virginia, na manhã seguinte. Significava estar no aeroporto, às 6h da manhã, para embarcar. Eram 3h da manhã. “Mas que porra de ideia é essa?” os repórteres se perguntavam. “Será que ela ainda não sabe que perdeu?” “Ninguém contou a ela?” Peguei minha sacola e fui para casa.

Poucos dias depois, perguntaram-me se me interessava cobrir a campanha de McCain. Talvez devesse ter ido. Seriam só uns poucos meses. E eu estaria praticamente no colo da história. Andaria ao lado de Sarah Palin, teria assistido à absoluta loucura que foi a convenção em St. Paul; ganharia poltrona na fila do gargarejo, para assistir à ridicularização total da imprensa. E acabaria por realmente odiar jornalistas de campanha e suas crenças arrogantes, baseado, eu, desgraçadamente, em acurada leitura do passado e convencido de que eles mentem na nossa cara, e nós engolimos.

Lembro-me de um parágrafo da autobiografia de Bob Novak, The Prince of Darkness: “Aparentemente em pouco tempo, logo chegaria meu 30º aniversário, para obrigar-me a ver, sombriamente, que não passo de um foca.” Bom, pense-se o que se pensar dele, acabou por tornar-se um dos mais influentes jornalistas políticos de seu tempo. Quanto a mim? Como escaparei do destino de foca? Poderia continuar a recolher o material que me mandam recolher, e posso tentar escrever sobre o que vi, de modo a me sentir honesto, já sabendo que tudo será diluído ou cortado. No frigir dos ovos, jamais será a história que eu quereria contar. Trabalhei na campanha de Hillary por quase um ano e, acho, o melhor que tenho a oferecer são algumas histórias sobre Bill Clinton. Mas acho que aprendi tudo o que é preciso saber sobre cobertura de campanhas eleitorais.

Para voltar a Teddy White, devo dizer que a história da qual fui parte jamais teve coisa alguma a ver com purificar, proteger e renovar. Assim sendo, caí fora.

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O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Hack: Confessions of a Presidential Campaign Reporter

Nota de tradução:

[1] Michael Hastings é autor do artigo “The Runaway General”, publicado em Rolling Stone 22/6/2010 (em inglês) e considerado causa de o general McChystal ter sido demitido do comando geral das forças dos EUA e Otan, no Afeganistão. Sobre Hastings, ver “Sobre Michael Hastings e o jornalismo nos EUA” - 30/6/2010, em português/Brasil.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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Lula

Senhores,


Com isenção de ânimo e sem paixões políticas, é bom conhecer os indicadores sociais e econômicos publicados pelo Jornal “The Economist”, comparando os Governos FHC e Lula. A diferença é muito grande... É importante, lembrar!

LEIAM O QUE FOI PUBLICADO NO JORNAL "THE ECONOMIST"

The Economist publicou!
Situação do Brasil antes e depois: Itens
Nos tempos de FHC Nos tempos de LULA
Risco Brasil 2.700 pontos 200 pontos
Salário Mínimo 78 dólares 210 dólares
Dólar Rs$ 3,00 Rs$ 1,78
Dívida FMI Não mexeu Pagou
Indústria naval Não mexeu Reconstruiu
Universidades Federais Novas Nenhuma 10
Extensões Universitárias Nenhuma 45
Escolas Técnicas Nenhuma 214
Valores e Reservas do Tesouro Nacional 185 Bilhões de Dólares Negativos 160 Bilhões de Dólares Positivos
Créditos para o povo/PIB 14% 34%
Estradas de Ferro Nenhuma 3 em andamento
Estradas Rodoviárias 90% danificadas 70% recuperadas
Industria Automobilística Em baixa, 20% Em alta, 30%
Crises internacionais 4, arrasando o país Nenhuma, pelas reservas acumuladas.
Cambio Fixo, estourando o Tesouro Nacional. Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central
Taxas de Juros SELIC 27% 11%
Mobilidade Social 2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
Empregos 780 mil 11 milhões
Investimentos em infraestrutura Nenhum 504 Bilhões de reais previstos até 2010
Mercado internacional Brasil sem crédito Brasil reconhecido como investimento grande




Vais repassar este e-mail também, né?
- Que este e-mail circule pelo Brasil inteiro.

- ESSE TEXTO DEVE-SE TRANSFORMAR NA MAIOR CORRENTE QUE A INTERNET JÁ VIU!!!

ACORDA BRASIL!

PSDB OUTRA VEZ NÃO, PELO AMOR DE DEUS!

Índios

"Se eu destruir você, eu me destruo. Se eu honrar você, eu glorifico a mim mesmo."

Diz-se que, quando precisamos amar mais é quando nós merecemos o mínimo. Sempre que eu tenho pensamentos secretos sobre alguém, estarei colocando sentimentos ruins dentro de mim. Eu vou me machucar. Se eu secretamente guardar rancor ou ressentimento contra o meu irmão ou irmã, eu vou ser um escravo desta pessoa até que eu deixe-a ir. Deixe-me lembrar de olhar para o meu irmão de forma sagrada. Hoje, deixe-me pensar como um guerreiro. Deixe meus pensamentos em direção a meus irmãos e irmãs serem bons. Deixe-me lembrar que você está no comando. Se eu ficar chateado com outra pessoa hoje, deixe-me lembrar que a coisa mais importante que eu posso fazer é primeiro falar com você porque quando eu estou bem com você, é impossível estar fora de harmonia com os meus irmãos e irmãs.
Meu Criador, pegue minha mão e guia-me hoje.
"Cada homem é bom aos olhos do Grande Espírito."
- Touro Sentado, Sioux Teton.

Nossos corpos são tanto físicos como espirituais. No nosso centro somos espirituais. Nossos corpos são construídos em torno do espiritual. O centro é o mundo invisível. Portanto, não podemos vê-lo com nossos olhos e nós tendemos a julgar o corpo, porque podemos vê-lo. O corpo não é quem nós somos. Podemos ver o espiritual, se somos espirituais de nós mesmos. Nós não vamos ver isso sempre com os nossos olhos físicos. Normalmente vamos vê-lo com nossos olhos espirituais. Vamos ouvir a nós mesmos dizendo, "Eu sei que isso é verdade."

No centro de todos os seres humanos é um lugar do bem. Isso inclui a mim mesmo. A minha essência é boa. Eu posso encontrar esse lugar, ficando livre de ressentimentos, medo, desonestidade e egoísmo sem motivos. Meu Criador, mantenha-me livre neste dia de ressentimento, egoísmo, desonestidade e medo.

REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS


NOSSA CASA ANCESTRAL

Em que corpo estás?
Estás no ar, no sol, na luz
Estás no infinito
Estás nos séculos
Tão poucos séculos, diante da nossa eternidade
E quando nos veremos?
Sinto-te sempre
Na música, no sol, nas águas
No calor, no frio, nos ventos
Em cada estado, país ou continente
Sinto-te sempre meu amor
Apesar do que fizeram conosco!
Mostra-me o caminho
Mostra-me em sonhos
Em cânticos, a nossa libertação.
Intocável é a nossa Casa
Nossos filhos cresceram, morreram e renasceram.
Tornaram a morrer
Nossos filhos indígenas
Quase estão cegos pelo que aconteceu naquele dia
Muitos não reconhecem mais a sua mãe
Até as costas lhe deram
Pouco restou das cerimônias
Somente a dança com fé.
E não reconhecem mais a filha do pajé
Lembra-te das cerimônias sagradas
Quando banhávamos nus?
E que nossos corpos penetravam as profundezas do Planeta Terra?
Mergulhávamos e trazíamos
Dezenas de crianças
Filhas Dela!
Mas meu amor
Dá--me tuas fortes mãos
Leva-me em tuas grandes asas sagradas
E dá-me força e poder
Porque o implacável Criador
Manda-me voltar séculos e séculos
E a ele levar a sagrada Raiz da Lagoa Akujutibiró
A sagrada Raiz?
Está coberta de lama endurecida
Pelo peso da opressão dos séculos
E minhas mãos indígenas de mulher
Ainda estão frágeis e sangram
E se ferem nos espinhos dos pântanos!
Tento me esconder na barriga da Mãe-Terra
E esquecer nossos filhos
Mas vejo Tupã chorar
Vejo nossos filhos sofrerem
Então... O espírito do mar
Uma grande névoa azulada
Envolve-me, seduz-me, encanta-me
E levanta-me na chama guerreira
E faz-me falar, cantar e gritar...
Até que um dia
Os nossos filhos mortos, nascidos, e renascidos
Possam relembrar do olhar, docemente,
Da luz envolvente
E da tinta de jenipapo
Cravada pelo Grande Espírito em nossa cara.

Texto de Eliane Potiguara
www.elianepotiguara .org.br





Artes Xamânicas
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Email - nativepipee@ gmail.com

(Literatura Indígena)

Intelectuais

Dois grandes intelectuais americanos
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Por Marino Boeira
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Dois importantes intelectuais norte-americanos estiveram em evidência esta semana: Noam Chomsky e Philip Roth. Coincidentemente, os dois são de origem judaica.

Philip Roth
Philip Roth, aos 77 anos, acabou de lançar o seu trigésimo livro – A Humilhação (editado no Brasil pela Companhia das Letras) – e já tem pronto outro, Nêmeses, a ser lançado ainda em outubro próximo, nos Estados Unidos. Junto com o Homem Comum e Indignação, eles formam um quarteto de romances curtos. Em recente entrevista à jornalista Lucia Guimarães, em seu refúgio, numa antiga casa de fazenda na Nova Inglaterra, Roth disse que “eles não foram reunidos ainda, a não ser na minha cabeça. Mas pensei em Nêmeses como a conclusão de um ciclo de romances curtos. E os chamo de Nêmeses, no plural. Eles começam com Homem Comum, em que a nêmese é a doença e a morte – mortalidade. Em Indignação, a nêmese é a guerra. No terceiro, A Humilhação, a nêmese é a circunstância fora de controle que aflige o protagonista. E, no romance final, é a epidemia de pólio em 1944.”
Em A Humilhação, um ator, que não consegue mais atuar, busca curar sua impotência dramática com um rejuvenescimento sexual com uma mulher – lésbica – 25 anos mais jovem. O livro será levado para o cinema pelo produtor e ator Al Pacino. Roth, que se diz um admirador de Pacino, confia que desta vez a versão do seu livro para o cinema poderá ser bem sucedida, porque nos casos de Animal Agonizante e A Marca Humana, os resultados foram nada bons, segundo o escritor.

Noam Chomsky
Noam Chomsky, 81 anos, linguista, filósofo e professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, escreveu artigo para o jornal New York Times, alertando que os Estados Unidos se preparam para a guerra contra o Irã. Segundo Chomsky, os ingleses expulsaram as pessoas que viviam na ilha africana de Diego Garcia, no Índico, (os agricultores que viviam no local foram enviados para as Ilhas Mauricio e Seicheles) para que os americanos pudessem construir ali uma base militar que servisse de apoio a possíveis ataques no Oriente Médio e Ásia Central.
Para isso a Inglaterra arrendou a ilha aos americanos até 2016. Submarinos movidos a energia nuclear com mísseis Tomahawk, capazes de carregar ogivas nucleares, já estariam na ilha, além de 387 “destruidores de bunkers” para explodir estruturas subterrâneas. Um respeitado analista militar, citado por Chomsky, Amitai Etzioni, escreveu no jornal Military Rewiew, do Exército dos Estados Unidos, que os norte-americanos não devem se limitar a atacar as instalações nucleares do Irã, mas também as suas posições militares não-nucleares, incluindo a infraestrutura pública, ou seja, a sociedade civil. Segundo Chomsky escreve no seu artigo, para Washington, a capacidade de defesa do Irã é um exercício ilegítimo de soberania que interfere com os planos globais dos Estados Unidos. Especificamente, ela ameaça o controle americano sobre os recursos energéticos do Oriente Médio.
“O governo Obama ficou muito irritado quando a Turquia se juntou ao Brasil para negociar com o Irã a restrição do enriquecimento de urânio pelo país. Os Estados Unidos rapidamente minaram o acordo forçando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU com novas sanções contra o Irã, que foram tão sem sentido que a China aderiu de imediato, reconhecendo que, no máximo, as sanções impediriam que os interesses do Ocidente competissem com os da China pelos recursos do Irã”, diz Chomsky, para concluir, mais adiante: “Nenhuma pessoa sã quer que o Irã, ou qualquer outro país, desenvolva armas nucleares. Uma forma óbvia de mitigar ou eliminar esta ameaça é estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio”.
Isso, apesar do desejo de Chomsky e de milhões de pessoas que seriam vítimas de uma guerra nuclear na região, dificilmente acontecerá. Em maio, o Egito, em nome de 118 nações do Movimento Não-Alinhado, propôs que a ONU apoiasse um plano convocando o início das negociações, em 2011, de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio, como foi acertado com o Ocidente, inclusive os Estados Unidos, na conferência de revisão do Tratado de Não-Proliferação em 1995. Os Estados Unidos concordam formalmente com essa tese, desde que Israel seja excluído dessa medida, o que, na prática, inviabiliza o acordo
(Via Política)